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29 de maio de 2025

LP "TONICHA" - ORFEU, 1973

Finalmente, está disponível nas plataformas digitais (Spotify, por exemplo) o LP "Tonicha", da Orfeu, de 1973. Este disco reúne as grandes canções de autor que Tonicha gravou no início da década de 70. Eis o alinhamento do disco: 1. Glória, Glória, Aleluia (José Cid) 2. Com um Cravo na Boa (Ary dos Santos / Jorge Palma) 3. Contraluz ( José Niza / José Calvário) 4. Rosa, Rosae (Ary dos Santos / João Henrique) 5. Manhã Clara ( Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes) 6. A Rapariga e o Poeta (José Niza / José Calvário) 7. Menina (do Alto da Serra) (Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes) 8. Mulher e Força (Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes) 9. Poema Pena (Nuno Gomes dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes) 10. Rosa de Barro (Fernando Guerra)

17 de abril de 2024

TONICHA CANÇÕES DE ABRIL
LP, DISCÓFILO 2003/L



Este LP de 1975 foi editado primeiramente pela Discófilo e, posteriormente, pela Orfeu, com o título "TONICHA CONJUNTO E COROS".

CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Quando o povo ergueu a sua voz
Para deixar de ser escravo
O sol nasceu e brilhou para nós
E tinha a forma de um cravo.

Era ainda madrugada
E já um cravo dizia
Que na ponta da espingarda
Era tempo de ser dia.

REFRÃO (2x)
Eram cravos cravos cravos
Eram cravos mais de mil
Eram punhos levantados
Do povo no mês de Abril.

O cravo exigiu salário
Para se tornar português
Alex deu sangue operário
Catarina o camponês.

Aperta um cravo na mão
Carne viva cravo novo
Defende-o bem, capitão
Defende-o capitão-povo.

É realmente um disco histórico!
As letras ajudam-nos a compreender melhor aqueles dois primeiros anos de liberdade.
A música ligeira espelha bem a temperatura da época. E sabemos que o Verão de 1975 foi bem quente.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Ary dos Santos - Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Ary dos Santos - Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Ary dos Santos - Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Ary dos Santos - Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Ary dos Santos - Popular)
HINO DO TRABALHO
(António Feliciano de Castilho - Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Ary dos Santos - Popular)

Há, neste disco, uma curiosa junção de autores.
Além dos óbvios Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, aparecem o temido crítico de televisão Mário Castrim, Braga Santos, compositor de canções de revista, Pedro Osório, Shegundo Galarza e Ermelinda Duarte.

BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Anos e anos fomos presos fomos vítimas
Anos e anos nos calcaram sem perdão
Anos e anos nossos gritos nossas lágrimas
Deram à luta mais raízes pelo chão.

Mas tudo isso já lá vai tudo já passou
A nossa alma é uma bandeira do porvir
Neste país que amanheceu em cada um de nós
Para todos nós há um país a construir.

REFRÃO
Não basta o mês de Abril pôr cravo na lapela
Agora estás aqui vais estar de sentinela
O que tanto custou não se pode perder
Trabalho e vigilância são armas de trazer.
Trabalho e vigilância são armas para vencer.

Tonicha volta a entoar a melodia do "Vira dos malmequeres", desta vez com um texto de Ary dos Santos, de homenagem aos soldados de Abril: "Obrigado soldadinho".
Outra melodia já antes gravada por Tonicha é a que serve de base para a última canção do disco, "Já chegou a liberdade". No tempo da RCA foi uma das canções do EP "ALENTEJO": "Maria Rita".
Destaquemos também o poema de António Feliciano de Castilho (séc. XIX): "Hino do Trabalho"



O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)

Vou ver passar
A marcha sem arquinhos nem balões
Ao pé do mar
Vermelha como os nossos corações.

Vou ver chegar
Os santos que não são os dos altares
E vou saltar
Fogueiras de vitórias populares.

REFRÃO (2x)
Lá vai lá vai
A malta proletária de Lisboa
Cantai lutai
Pois quem não lutar assim não marcha à toa.

Vou ver brilhar
A lua das esperanças encontradas
E vou cantar
Lisboa das vielas libertadas.

Vou ver vibrar
Bandeiras ondulantes e encarnadas
E vou dançar
De braço dado com os camaradas.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
PIANO: Jorge Palma
VIOLAS: Mike Sergeant
BAIXO: Luís Duarte
BATERIA E PERCUSÃO: Victor Mamede
TROMPETES: Francisco Toneco, Armindo Toneco
TROMBONES: Amancio F. Costa, António M. Jubilot
FLAUTAS: Carlos A. França, João Oliver
VIOLA: Oliveira e Silva
CELLO: Maria de Lurdes
VOZES: João Henriques, Waldemar Ramalho,
Henrique Tabot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo
ESTÚDIOS: Musicorde
PRODUÇÃO E EDIÇÃO: Discófilo

11 de dezembro de 2022

As Duas Faces de Tonicha

Disponível nas plataformas digitais, embora com algumas incorreções. Editora: Word Music Records.

4 de novembro de 2022

Tonicha por Jorge Mangorrinha

The Temple Bar, ao que me disseram o mais famoso da cidade e diariamente com música ao vivo, foi o meu primeiro ponto de visita no dia da chegada a Dublin. Depois da espera na fila, sentei-me e pedi a melhor cerveja local e uma sanduíche. E logo ouvi: "A "pint of Gat"!", como ali designam a Guiness. Na entrega do pedido, o funcionário saudou-me, mas logo soltou um "sorry", termo utilizado muito frequentemente na Irlanda, mesmo se não se fizer nada de errado. Enquanto estava saboreando o lanche e a ouvir o quarteto de música, a memória levou-me a meio século atrás, talvez impelido por aquela sonoridade de inspiração céltica. Em 1971, Portugal foi representado no Gaiety Theatre pela minha familiar Tonicha e pelos meus amigos Nuno Gomes dos Santos, corista, e Nuno Nazareth Fernandes, compositor e corista naquele palco. Tonicha apresentou-se em Dublin "de olhar sereno e de fato novo". Participar nesse certame poderia ter pelo menos a virtude de mostrar que Portugal não desejava continuar a estar orgulhosamente só. A "menina de corpo inteiro" alcançaria um nono lugar, a melhor classificação portuguesa até então: "Menina resistiu à geopolítica da canção", intitulou a revista "Rádio & Televisão" no rescaldo, nas palavras de uma outra minha amiga, a jornalista Lourdes Féria, que fez uma reportagem na capital irlandesa. Lembrei-me de que, na véspera do evento, se anunciou um protesto contra o dispêndio da verba necessária para a televisão irlandesa o organizar e, ainda, por a canção da casa ser defendida em inglês e não no gaélico da cultura céltica local. Soaram, também, protestos políticos, designadamente de associações feministas partidárias do controlo da natalidade, numa época de grandes tumultos no território britânico. Por seu turno, Ary dos Santos desdobrava-se em contactos e até ofereceu o seu capote alentejano a um irlandês, que saiu do hotel envergando-o, para surpresa da restante comitiva. O representante diplomático de Portugal, o embaixador António da Rocha Fontes, ofereceu a toda a comitiva portuguesa e seus convidados uma receção. A popularidade de que a canção estava a gozar entre o povo irlandês foi salientada nos ensaios, onde "Menina" foi muito aplaudida. A cantora portuguesa era procurada pelos jornalistas de todo o mundo, por causa da expectativa quanto à canção. A comitiva portuguesa era considerada a mais simpática e teve, pela primeira vez, um "attaché de presse". Tonicha aderira também à moda dos "hot-pants". No palco, exibiu um vestido criado por Ana Maravilhas, estampado em tons variados, verde, cor-de-rosa, laranja, vermelho, com um cinto em laço, um dos mais bonitos vestidos da noite, segundo os comentários em Dublin, sobressaindo sobre o fundo creme do cenário. Porém, a vitória coube ao Mónaco, com "um banco, uma árvore e uma rua", que remeteram para as recordações de infância. As mesmas que, neste bar, me trouxeram para junto de mim, virtualmente, aqueles meus amigos, até porque já há muito passou o "orgulhosamente sós" - "Give me a pint of Gat, please!" -, sendo que, no final da tarde, me senti "a whale of a time" e "happy out", de quão bom foi ter estado naquele bairro mágico de Dublin e até aprendido novas expressões tipicamente locais. https://www.dn.pt/edicao-do-dia/04-nov-2022/irlanda-a-pint-of-gat-please-15316780.html, consultado no dia 04-11-2022

8 de março de 2021

TONICHA: 75 ANOS























"É da torre mais alta do meu pranto
Que eu canto este meu sangue
Este meu povo
Nessa torre maior em que apenas
Sou grande
Por me cantar de novo"
(in "A voz do meu povo" do LP "As Duas Faces de Tonicha", Zip Zip - 1974. Autor: Ary dos Santos; compositor: Fernando Tordo)

27 de fevereiro de 2021

Tonicha por Maria Teresa Horta

 Maria Teresa Horta, figura ímpar das letras portuguesas, e que ganhou recentemente mais um prestigiado prémio literário, também escreveu sobre o VIII Grande Prémio TV da Canção -1971:

"Mais um Festival da Canção... por sinal até o melhor de todos. Pelo menos, três poemas de José Carlos Ary dos Santos é já uma garantia de qualidade a que estamos pouco habituados. Habituados estamos, infelizmente, às manifestações pouco educadas do nosso público... Mas a pateada de ontem, mais do que má educação, foi índice bem grave de ignorância: mais do que "falta de chá", foi bem significativo a determinar uma certa mentalidade... - José Carlos Ary dos Santos, ao subir ao palco, estava a ser vaiado... e é então que dá vontade de perguntar: mas afinal vale a pena? E é então que nos lembramos do ditado: "dar pérolas a porcos"...
O público queria Paulo de Carvalho. (...)
Porém, que maravilhosos foi ouvir "Cavalo à Solta"! (...)
Ganhou, porém, a "Menina", canção mais simples e capaz de ser imediatamente apreendida por um público mais vasto. Neste poema, José Carlos Ary dos Santos teve sobretudo a exigência da frescura, da transparência, da simplicidade, de gesto ainda impreciso e doce, de orvalho ou da terra: teve como que a exigência de uma ténue pele de mulher...
Se Ary dos Santos quis dar tudo isto, conseguiu: "Menina" é uma bonita canção que Tonicha (muito mais loura quando a canta) aprenderá a interpretar com maior rigor, à medida que melhor a vá sentindo no corpo, na boca, nos sentidos: subtil, roçagante, breve, um pouco secreta até, com algo e indeciso na textura, no tacto, no sorriso. - Depois de "Cavalo à Solta", a melhor canção é pois esta "Menina" - "com tranças de madrugada" -, feita de simplicidade e transparência. (...)"
Maria Teresa Horta, in Mundo da Canção.
Caricatura:
J. Rosa, in Restaurante Solar dos Presuntos, Lisboa.

11 de fevereiro de 2021

A "Menina (do Alto da Serra)" faz 50 anos!

 A "Menina (do Alto da Serra)" faz hoje 50 anos! Foi no dia 11 de Fevereiro de 1971, no Teatro Tivoli, que se sagrou vencedora no Festival RTP da Canção.



11 de dezembro de 2020

João Maria Viegas, Ary dos Santos, Tonicha e Bernardo Santareno

Neste estranho ano de 2020, Ary dos Santos faria 83 anos; Bernardo Santareno, 100 anos; João Maria Viegas, 90 anos.
Fica aqui a nossa homenagem a estes três homens. A foto, do acervo de Tonicha, deverá ser de 1975.



9 de outubro de 2020

A ARTE E A MÚSICA DE TONICHA

 A Universal Music Portugal disponibilizou hoje o LP de 1985, "A Arte e a Música de Tonicha". É uma coletânea com 26 canções. Está dividida em 4 secções. "No Início" tem 6 canções, algumas das mais antigas do repertório da cantora: duas vencedoras do Festival da Figueira da Foz ("Boca de amora", de José Gouveia, e "A tua canção avozinha", de Rocha de Oliveira); uma da dupla Manuel Paião/Eduardo damas ("Um minuto sem te ver"); uma da colaboração com José Cid/Quarteto 1111 ("Caminheiro, donde vens"); uma de Luís Miguel de Oliveira ("D. Pedro que volta da pinga") e "O Menino" (Ary/Tozé Brito). "Tradicionais" apresenta 7 canções do cancioneiro tradicional português, como "Vira dos malmequeres", "Resineiro" ou "Maria Rita (cara bonita)". A terceira secção, "Êxitos populares", abrange alguns dos temas mais populares: "Zumba na caneca", "Gaiteiro português", "Chico pinguinhas" ou "Sericotalho, bacalhau, azeite e alho". Finalmente, a última parte, "A outra face", inclui canções de autor: "Maria da Conceição (Joaquim Pessoa/Pedro Osório); a famosíssima "Canção da alegria" (Joaquim Pessoa/Tozé Brito); "O orquestrador" (Fernando Guerra) ou "Pela vida fora" (João Henrique/Carlos Santos) - uma das quatro canções defendidas por Tonicha no Festival RTP da Canção 1978.


1 de outubro de 2020

Tonicha: "O Menino"

 O mês de outubro começa com o lançamento, pela Universal Music Portugal, do single "O Menino" (Lado A) e "Um Grande Amor" (Lado B). Foi a última colaboração entre Ary dos Santos e Tonicha. Ambas as canções têm música de Tozé Brito e letra de José Carlos Ary dos Santos. A produção é de Tozé Brito. Os arranjos e a direção de orquestra são de Mike Sergeant. "O Menino" foi uma canção que invadiu as rádios e fez parte de inúmeras coletâneas. Integrou o duplo LP de 1985 "A Arte e a Música de Tonicha" (editado posteriormente em cd) e integrou também o CD de 2008 "Canções para os Meus Netos... de Qualquer Idade". Já a canção do Lado B, "Um Grande Amor", nunca tinha sido reeditada em CD, nem disponibilizada nas plataformas digitais. É-o agora e os inúmeros fãs desta canção, tão bem interpretada, podem assim enriquecer a sua lista de canções de Tonicha.



18 de dezembro de 2019

Recordar Patxi Andión (1947-2019)

Morreu Patxi Andión, um dos maiores cantautores espanhóis, que várias vezes visitou e actuou em Portugal.

Em jeito de homenagem recordamos a colaboração com Tonicha.
O ano era o de 1972. Tonicha gravou um EP chamado "4 Canções de Patxi Andión", um vinil que continha, no lado A, "Puedo inventar" e "Poeta desde lejos" e, no lado B, "20 versos a mi muerte" e "Habria que saberlo".

FOTO CAPA: M. Fiuza

Nesse mesmo ano, em Espanha, Tonicha editou o single "Poeta desde lejos"/"20 versos a mi muerte", na versão original. Ambos os discos foram editados pela Movieplay. A adaptação dos poemas para português ficou a cargo de Ary dos Santos e a direcção musical do maestro Thilo Krassman.

João Maria Viegas, marido e manager da cantora, contou-nos que Patxi, perseguido pela Pide e proibido de entrar em Portugal, tinha de vir a Lisboa às escondidas acompanhar as gravações de Tonicha.
Anos mais tarde, corria o ano de 1994, Tonicha confidenciou, no popular programa "Parabéns" da RTP apresentado por Herman José, que, uns meses após a gravação do disco, Patxi telefonou-lhe a pedir autorização para ele próprio gravar essas canções. Comentou então a cantora: "Incrível, ele que era o autor ia pedir-me autorização a mim...".

Num dos últimos concertos que Patxi Andión fez em Lisboa, no Cinema São Jorge, fomos aos bastidores e ele recebeu-nos. De forma muito simpática. Falámos-lhe deste blogue, do projecto de uma fotobiografia da cantora que estava a ser preparado e oferecemos-lhe o CD de Tonicha "Antologia 1971-1977", uma colectânea da Movieplay. Trata-se do único CD que contém uma destas 4 belíssimas canções de Patxi Andión que Tonicha gravou, "Poeta desde lejos".

Na contracapa do EP "4 Canções de Patxi Andión" (que no interior traz as letras em castelhano e em português), num texto assinado por Ary dos Santos, o poeta português referia-se a Patxi Andión desta forma:

"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um 'caso' musical. Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse 'caso' reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino. (...)". 


20 versos a mi muerte
(versão: Ary dos Santos)

Ai quando eu morrer não quero
Nem coroas de cravos velhos
Nem ramos de lirios secos
Que me flagelem os dedos.

Quero que o ar se recolha
Até que o eco tropece
Quero morrer devagar
E que a vida recomece.

Eu quero morrer descalça
Metida dentro da terra
Sem uma lágrima falsa
Como se um filho tivera.

Eu quero que a terra seja
O lençol da minha vida
À morte que se deseja
Porque não é despedida.

17 de janeiro de 2019

Ary deixou-nos há 35 anos


 (FOTO: Ary dos Santos, Tonicha e Nuno Nazareth Fernandes in Folheto do Turismo de Portugal, 1971)

Faz dia 18 de Janeiro 35 anos que José Carlos Ary dos Santos morreu.
Lembramo-lo da melhor forma que um poeta como Ary pode ser lembrado: nas canções que escreveu e que andaram sempre na boca do povo, pela voz de cantores como a nossa Tonicha.

Já em 1972, na contracapa do EP "4 canções de Patxi Andión", Ary escreveu:

"Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas [Patxi] canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Canto de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personificado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."

Fazemos aqui uma viagem pelas canções que marcaram a colaboração entre Ary dos Santos e Tonicha e que ficaram eternizadas em disco:

1971
Menina
Niña
Bergère
Mulher e força
Manhã clara

1972
Puedo inventar (versão portuguesa)
Poeta desde lejos (versão portuguesa)
20 versos a mi muerte (versão portuguesa)
Habria que saberlo (versão portuguesa)
Parole, parole (versão portuguesa)
Simplesmente Maria (versão portuguesa)

1973
Com um cravo na boca
Rosa Rosae
Batatinhas
Senhor padre Valentim
Vira do vinho
Labuta, meu bem, labuta

1974
 Portugal ressuscitado
Canção combate
Obrigado soldadinho
Já chegou a liberdade
O preto no branco
Tanto me faz
Canto da Primavera
Os novos pobres
Meu amor foi a Lisboa
Riscadinho p'ra aventais
A voz do meu povo
Em Lisboa
O cacau (da Ribeira)
Vira da madrugada
Trovas do Carmo

1975
Terras de Garcia Lorca
País irmão
O povo em marcha
Soneto do trabalho
Bandeira da vitória (colaboração)
Cantaremos/Lutaremos (colaboração)
Barqueiros do povo
Serrana povo
Compadre partidário
Isto agora ou vai ou racha
A moda da saia curta

1976
O menino
Um grande amor

1993
O mercado

1997
Cavalo de palavras (co-autoria: Joaquim Pessoa)

24 de junho de 2018

Tonicha - A Festa das Canções II
















"1971. Mais uma "Menina" oriunda do Centro de preparação de Artistas da Rádio, Tonicha (n. 1946) tinha-se estreado ainda adolescente, gravando pela primeira vez para a colectânea Christmas in Portugal, de 1964. A estreia a solo chega no ano seguinte, pela editora Telectra, com o EP Luar para Esta Noite, dirigido por Jorge Costa Pinto. Em 1966 e 1967, vence o Festival da Canção Portuguesa da Figueira da Foz, com Boca de Amora e A Tua Canção Avozinha, mas o seu reportório está em constante mutação. Grava  então canções de Pedro Jordão (chegando a ficar em 2.º lugar no Festival de 1968) e de José Cid, neste caso ao longo de três discos, entre 1968 e 1970, mostrando que a inovação podia coexistir com a apropriação de canções tradicionais, que Tonicha também popularizou. De Dublin, onde se realizou a Eurovisão em 1971, a cantora traz um 9.º lugar, a primeira de dez vezes que Portugal entra no top 10 - neste ano em que a inspiração de Nuno Nazareth Fernandes se virou para os lados mais folk, sempre magistralmente servido pelas palavras de Ary dos Santos."
in dvd Festival RTP da Canção, 1964-1988, A Festa das Canções, pp. 20-21

21 de maio de 2018

2 de maio de 2018

20 de abril de 2015

Tonicha: a Menina do Chapéu Encarnado

Tele Semana nº 88, de 27 de setembro de 1974
Na edição de 27 de setembro de 1974 da popular revista "Tele Semana", Tonicha foi a imagem de capa, numa bela fotografia tirada durante o Festival RTP da Canção desse mesmo ano. Recorde-se que então saiu vencedor Paulo de Carvalho, com o hino "E Depois do Adeus". Nas páginas centrais, podemos ler um interessante texto, assinado por Cipriano Ricardo (C.R.), sobre um leque de cantores que tinham acabado de lançar discos, cujos temas os afastavam do repertório do tempo da RTP de Ramiro Valadão e que os deixavam com grandes responsabilidades perante os novos públicos.

Tele Semana nº 88, de 27 de setembro de 1974
São eles: Tonicha, Fernando Tordo, Duarte Mendes, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo. Destaque também para dois letristas muito cantados na época: Ary dos Santos e José Niza. Aqui fica o texto original: 

A Canção entre "uns" e os "outros"

Se mais e melhor não houvesse (e havia, se havia!...) para ilustrar a orientação imprimida pela RTP de antanho, estariam os seus invariáveis programas ditos de variedades. Era ali que se cultivava, como bacilo raro em proveta cara, essa coisa que ficou definida de uma vez para sempre, quando alguém, certeira e correctamente, a baptizou de nacional-cançonetismo.
Quem eram os seus sustentáculos gargarejantes todos o sabem. Não vale a pena enumerá-los.
Estranhos a esse afável calor dos estúdios e das salas administradas pela RTP, suportando mesmo calafrios arrepiantes (e mais frequentemente do que, ainda agora, alguns pensam) havia outros que construíam a canção. Aquela que, fatalmente, tinha de vir, como veio, a rebentar a rua, pois era para a rua, isto é, para a garganta de todos e de cada um que ela tinha sido feita.
Também aqui não vou nomear ninguém. Não é preciso. Todos os seus autores e intérpretes se têm dado a conhecer publicamente através do seu próprio trabalho. Mas, entre estes dois campos, um terceiro existe, menos claro, menos definido. Enfim, na canção como no resto.
Referimo-nos àqueles que não fazendo propriamente parte da mobília da RTP de Ramiro Valadão por lá passaram vezes suficientes para deixarem o público entre o espanto e o desconfiado, quando apareceram com trabalhos que, com certeza, não teriam o aval dos antigos responsáveis pelos serviços de produção das tais invariedades, ou lá o que eram aqueles TV Clubes e quejandos.
Estamos, concretamente, a referir-nos aos discos mais recentes, e ainda anteriores a 25 de Abril, de Fernando Tordo, Carlos Mendes, Tonicha e Maria do Amparo - C. A. Moniz, que apontavam já numa direcção mais correcta que aquela que parecia que viria a ser o seu destino. De comum a todos eles está o facto de terem tido a TV na base da sua popularidade, principalmente através do festival da RTP, do qual foram uns a seguir aos outros desistindo, e, também, excepção feita a Maria do Amparo - C. A. Moniz, o terem servido poemas (e não meras letras) de Ary dos Santos e José Niza.
Quer pela popularidade que alcançaram e também pelo trabalho que fizeram com esses dois autores, este grupo de cançonetistas, que de certo modo se situa entre uns e os outros, tem certas responsabilidades perante o público, o telespectador em particular. Responsabilidades que, como já se disse, se começavam a adivinhar como conscientemente assumidas.
Mas a verdade é que, até à presente data, nada apareceu a confirmar ou a negar o que se adivinhava. E verdade também é que já não estamos no tempo de jogar às adivinhas. Nem na canção.
Uma pausa para meditar? Está bem. Pode ser salutar. Ficar entre uns e outros é que não pode ser.
Tele Semana nº 88, de 27 de setembro de 1974

19 de janeiro de 2014

Ary dos Santos: 30 anos depois

30 anos após a sua morte, continuamos a cantar José Carlos Ary dos Santos. Na voz da sua "Menina", Tonicha, ficam para a posteridade e disponíveis para ouvir 47 canções da sua autoria.
A imagem que hoje publicamos mostra Ary dos Santos e Tonicha, em casa de Nuno Gomes dos Santos, durante o ensaio das 3 canções da autoria de Ary dos Santos para o Festival RTP 1971.

Revista Eva nº 1171, Fevereiro de 1971

16 de junho de 2013

Tonicha: A cantora do povo

FOTO: Jorge Jacinto


















Tonicha: Vozes do coração (vol. 11).
Voltou a estar disponível uma edição discográfica de alguns temas da carreira de Tonicha, numa bela iniciativa conjunta entre o "Correio da Manhã" e a editora "Levoir". O livro-cd, um excelente objecto que no nosso entender se tornará de culto, acompanhou (por mais 5,95€) o jornal no passado sábado, dia 08 de junho. Não foi fácil encontrá-lo e sabemos por muitos dos seguidores do nosso blogue que o mesmo problema foi sentido em todo o país. Com a ajuda de amigos, conseguimos comprar o nosso exemplar que agora apresentamos.
 
O livro surpreendeu-nos pela positiva. O texto, da autoria do conceituado crítico musical Gonçalo Frota, é, realmente, uma boa prosa, que revela um bom conhecimento (ou estudo) da obra de Tonicha. Apesar de algumas imprecisões (títulos de discos, número de canções gravadas, ou datas em que se iniciam parcerias musicais, por exemplo) a edição tem muita qualidade, facto que acaba por desculpar essas imprecisões.

As fotografias de Jorge Jacinto - fotógrafo citado aqui inúmeras vezes - são muito boas e quase todas desconhecidas do grande público. Óptima seleção. Parabéns. A fotografia da capa do livro-cd (apresentada no post anterior) foi capa da revista "Maria" quando Tonicha gravou o Regresso, em 1993. A fotografia de hoje é dessa mesma série.
Não resistimos a deixar aqui os dois primeiros parágrafos do excelente texto de Gonçalo Frota:

À música popular pede-se, precisamente, que seja popular - que chegue a muitos, que chegue a todos. Nesse aspecto poucas vozes em Portugal terão cumprido de forma tão capaz o desígnio natural da sua música. Tonicha, que interpretou até hoje mais de 600 canções [de facto, são 300 - sem contar com as regravações dos mesmo temas - fizemos a contagem há pouco tempo, a pedido de João Viegas, o marido de Tonicha] e gravou mais de 150 discos, tem dedicado toda a sua carreira a celebrar a música popular portuguesa, desenterrando com a ajuda do seu marido, o etnólogo João Viegas, um cancioneiro tradicional que muitos parecem ter esquecido. Por isso mesmo, foi chamada para o teatro por Tiago Torres da Silva para o papel de uma "guardiã da memória colectiva".
Presença habitual em festas, arraiais e romarias, conhecedora profunda da raiz musical que grassa pelo país, Tonicha aliou-se a grandes nomes da cultura portuguesa - Ary dos Santos, José Cid ou Jorge Palma - na construção de uma obra que, erradamente, esbarra no seu momento de maior popularidade, "Zumba na Caneca", e teima em esquecer um percurso riquíssimo e de amor e dedicação profundos ao povo e às suas canções mais genuínas. Afastada dos palcos e das cantorias nos últimos anos, é sempre de esperar de Tonicha um regresso ao convívio com o seu público fiel. José Cid, parceiro artístico de há muito, diz já lhe ter confiado mais uma pequena série de originais. O disco há-de chegar quando Tonicha assim o quiser. Para continuar a enriquecer o tesouro musical português.

23 de maio de 2013

Tonicha com o "Correio da Manhã"



Dia 8 de junho - com o "Correio da Manhã"
cd - Coleção "Vozes do Coração"

É já no próximo sábado, dia 08 de junho, que o jornal "Correio da Manhã" lança o livro-cd com alguns dos temas da carreira de Tonicha, o volume 11 da colecção "Vozes do coração". Oportunidade para revisitar alguns dos temas da cantora que ficaram na memória dos portugueses:

1- Menina do Alto da Serra
       (Ary dos Santos/Nuno Nazareth Fernandes)
2- Batatinhas
       (Popular/Ary dos Santos)
3- Glória, Glória, Aleluia
       (José Cid)
4- Com um Cravo na Boca
       (Ary dos Santos/Jorge Palma)
5- Terras de Garcia Lorca
     (Ary dos Santos/Nuno Nazareth Fernandes)
6- Milho Verde
     (Popular/Arranjos de Jorge Palma)
7- S. João
     (Popular/Arranjos de Jorge Palma)
8- Malhão de Cinfães
     (Popular/Arranjos de Jorge Palma)
9- Simplesmente Maria
     (Guirrojo/Algueró/Ary dos Santos)
10- A Moda da Saia Curta
      (Popular/Ary dos Santos/Arranjos de Jorge Palma)
11- Senhor Padre Valentim
      (Popular/Arranjos de António Chaínho)
12- Poeta desde Lejos
      (Patxi Andion/Ary dos Santos)
13- Chula de Viana
      (Popular/Arranjos de António Chaínho)

2 de março de 2013

Tonicha: LP "Folclore" - 40 anos



Face A

Batatinhas
(Popular - Ribatejo / José Carlos Ary dos Santos)
Vareira do Mar
(Popular - Minho)
A Amendoeira
(Popular - Beira Litoral)
Senhor Padre Valentim
(Popular - Ribatejo / Arranjos de José Carlos Ary dos Santos)
Os Bravos
(Popular - Açores)
Vira do Vinho
(Popular - Ribatejo / Arranjos de José Carlos Ary dos Santos)

Face B

Labuta, Meu Bem, Labuta
(Popular - Ribatejo / José Carlos Ary dos Santos)
Farrapeirinha
(Popular - Beira Litoral)
Dança Daí
(Popular - Douro Litoral)
Malhão de Águeda
(Popular - Beira Litoral)
Passarinho Trigueiro
(Popular - Ribatejo)
Chula de Viana
(Popular - Minho)



















Arranjos e direção musical:
António Chaínho
Grupo de guitarras de António Chaínho:
Raul Nery, José Maria Nóbrega, Francisco Peres "Paquito", Raúl Silva
Fotografia: Álvaro João
Registo de som: Moreno Pinto
ORFEU - 1973