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29 de maio de 2025
LP "TONICHA" - ORFEU, 1973
Finalmente, está disponível nas plataformas digitais (Spotify, por exemplo) o LP "Tonicha", da Orfeu, de 1973. Este disco reúne as grandes canções de autor que Tonicha gravou no início da década de 70.
Eis o alinhamento do disco:
1. Glória, Glória, Aleluia (José Cid)
2. Com um Cravo na Boa (Ary dos Santos / Jorge Palma)
3. Contraluz ( José Niza / José Calvário)
4. Rosa, Rosae (Ary dos Santos / João Henrique)
5. Manhã Clara ( Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes)
6. A Rapariga e o Poeta (José Niza / José Calvário)
7. Menina (do Alto da Serra) (Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes)
8. Mulher e Força (Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes)
9. Poema Pena (Nuno Gomes dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes)
10. Rosa de Barro (Fernando Guerra)
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4 de novembro de 2022
Tonicha por Jorge Mangorrinha
The Temple Bar, ao que me disseram o mais famoso da cidade e diariamente com música ao vivo, foi o meu primeiro ponto de visita no dia da chegada a Dublin. Depois da espera na fila, sentei-me e pedi a melhor cerveja local e uma sanduíche. E logo ouvi: "A "pint of Gat"!", como ali designam a Guiness. Na entrega do pedido, o funcionário saudou-me, mas logo soltou um "sorry", termo utilizado muito frequentemente na Irlanda, mesmo se não se fizer nada de errado. Enquanto estava saboreando o lanche e a ouvir o quarteto de música, a memória levou-me a meio século atrás, talvez impelido por aquela sonoridade de inspiração céltica. Em 1971, Portugal foi representado no Gaiety Theatre pela minha familiar Tonicha e pelos meus amigos Nuno Gomes dos Santos, corista, e Nuno Nazareth Fernandes, compositor e corista naquele palco. Tonicha apresentou-se em Dublin "de olhar sereno e de fato novo". Participar nesse certame poderia ter pelo menos a virtude de mostrar que Portugal não desejava continuar a estar orgulhosamente só. A "menina de corpo inteiro" alcançaria um nono lugar, a melhor classificação portuguesa até então: "Menina resistiu à geopolítica da canção", intitulou a revista "Rádio & Televisão" no rescaldo, nas palavras de uma outra minha amiga, a jornalista Lourdes Féria, que fez uma reportagem na capital irlandesa. Lembrei-me de que, na véspera do evento, se anunciou um protesto contra o dispêndio da verba necessária para a televisão irlandesa o organizar e, ainda, por a canção da casa ser defendida em inglês e não no gaélico da cultura céltica local. Soaram, também, protestos políticos, designadamente de associações feministas partidárias do controlo da natalidade, numa época de grandes tumultos no território britânico. Por seu turno, Ary dos Santos desdobrava-se em contactos e até ofereceu o seu capote alentejano a um irlandês, que saiu do hotel envergando-o, para surpresa da restante comitiva. O representante diplomático de Portugal, o embaixador António da Rocha Fontes, ofereceu a toda a comitiva portuguesa e seus convidados uma receção. A popularidade de que a canção estava a gozar entre o povo irlandês foi salientada nos ensaios, onde "Menina" foi muito aplaudida. A cantora portuguesa era procurada pelos jornalistas de todo o mundo, por causa da expectativa quanto à canção. A comitiva portuguesa era considerada a mais simpática e teve, pela primeira vez, um "attaché de presse". Tonicha aderira também à moda dos "hot-pants". No palco, exibiu um vestido criado por Ana Maravilhas, estampado em tons variados, verde, cor-de-rosa, laranja, vermelho, com um cinto em laço, um dos mais bonitos vestidos da noite, segundo os comentários em Dublin, sobressaindo sobre o fundo creme do cenário. Porém, a vitória coube ao Mónaco, com "um banco, uma árvore e uma rua", que remeteram para as recordações de infância. As mesmas que, neste bar, me trouxeram para junto de mim, virtualmente, aqueles meus amigos, até porque já há muito passou o "orgulhosamente sós" - "Give me a pint of Gat, please!" -, sendo que, no final da tarde, me senti "a whale of a time" e "happy out", de quão bom foi ter estado naquele bairro mágico de Dublin e até aprendido novas expressões tipicamente locais.
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/04-nov-2022/irlanda-a-pint-of-gat-please-15316780.html, consultado no dia 04-11-2022
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Tonicha
19 de janeiro de 2014
Ary dos Santos: 30 anos depois
30 anos após a sua morte, continuamos a cantar José Carlos Ary dos Santos. Na voz da sua "Menina", Tonicha, ficam para a posteridade e disponíveis para ouvir 47 canções da sua autoria.
A imagem que hoje publicamos mostra Ary dos Santos e Tonicha, em casa de Nuno Gomes dos Santos, durante o ensaio das 3 canções da autoria de Ary dos Santos para o Festival RTP 1971.
A imagem que hoje publicamos mostra Ary dos Santos e Tonicha, em casa de Nuno Gomes dos Santos, durante o ensaio das 3 canções da autoria de Ary dos Santos para o Festival RTP 1971.
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Revista Eva nº 1171, Fevereiro de 1971
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Nuno Gomes dos Santos
10 de maio de 2011
TONICHA EM ATENAS
IV OLIMPÍADA DA CANÇÃO
ATENAS - 1971
Plateia nº534, de 27 de Abril de 1971
Continuamos viagem pela carreira de Tonicha, desfiando as memórias dos anos 70, dando conta das suas andanças pelo mundo da canção no atarefado ano de 1971.
Entre 9 e 11 de Julho desse ano decorreu em Atenas aquele que era, então, o maior certame do velho continente: a "IV Olimpíada da Canção", que atrai anualmente, ao Estádio Olímpico da capital grega, 300 mil espectadores e intérpretes de melodias ligeiras de 50 países.
Nesta notícia ainda se fazia referência a José Carlos Ary dos Santos como autor do poema da canção que Tonicha ali tão bem defendeu. Ary recusou-se a fazer a letra para esse tema, dizendo que não escrevia para o país dos coronéis. A precisar de um letrista para a canção portuguesa, o autor da música, Nuno Nazareth Fernandes, pediu então ao Nuno Gomes dos Santos que fizesse a letra. Assim nasceu "Poema pena", uma fantástica canção, marco importante da discografia da artista. Diz-se que o José Carlos Ary dos Santos quando ouviu a canção afirmou: "Mas isto é meu!".
Em Atenas, Tonicha, perante um público de muitos milhares de espectadores, no estádio olímpico da cidade, conseguiu o 2º Prémio de Interpretação.
Augusto Algueró conquistou o 1º Prémio ex-aequo de Orquestração.
ATENAS - 1971
Plateia nº534, de 27 de Abril de 1971
Continuamos viagem pela carreira de Tonicha, desfiando as memórias dos anos 70, dando conta das suas andanças pelo mundo da canção no atarefado ano de 1971.Entre 9 e 11 de Julho desse ano decorreu em Atenas aquele que era, então, o maior certame do velho continente: a "IV Olimpíada da Canção", que atrai anualmente, ao Estádio Olímpico da capital grega, 300 mil espectadores e intérpretes de melodias ligeiras de 50 países.
Nesta notícia ainda se fazia referência a José Carlos Ary dos Santos como autor do poema da canção que Tonicha ali tão bem defendeu. Ary recusou-se a fazer a letra para esse tema, dizendo que não escrevia para o país dos coronéis. A precisar de um letrista para a canção portuguesa, o autor da música, Nuno Nazareth Fernandes, pediu então ao Nuno Gomes dos Santos que fizesse a letra. Assim nasceu "Poema pena", uma fantástica canção, marco importante da discografia da artista. Diz-se que o José Carlos Ary dos Santos quando ouviu a canção afirmou: "Mas isto é meu!".
Em Atenas, Tonicha, perante um público de muitos milhares de espectadores, no estádio olímpico da cidade, conseguiu o 2º Prémio de Interpretação.
Augusto Algueró conquistou o 1º Prémio ex-aequo de Orquestração.
Arquivadores de memórias:
Ary dos Santos,
Augusto Algueró,
Canções de Autor,
Imprensa,
Nuno Gomes dos Santos,
Nuno Nazareth Fernandes,
Olimpíadas de Atenas (1971),
Prémios
6 de setembro de 2008
TONICHA: POEMA PENA
MANHÃ CLARA
EP, ZIP-ZIP, ZIP 10 034/E
Na "rentrée", continuamos com a recolha dos vinis de Tonicha e temos muitas novidades para mostrar ao longo deste mês.
Temos feito aquisições para a nossa colecção e também já começámos a receber valiosos contributos dos nossos leitores. Aqui fica o nosso agradecimento.

Hoje apresentamos um disco do ano de 1971, das edições ZipZip, que contém três canções muito importantes no repertório e na carreira de Tonicha.
São três "CANÇÕES" no verdadeiro sentido da palavra; canções de autor, canções de poetas e a interpretação de cada uma delas valeu à cantora um prémio.
FACE A
EP, ZIP-ZIP, ZIP 10 034/E
Na "rentrée", continuamos com a recolha dos vinis de Tonicha e temos muitas novidades para mostrar ao longo deste mês.
Temos feito aquisições para a nossa colecção e também já começámos a receber valiosos contributos dos nossos leitores. Aqui fica o nosso agradecimento.

Hoje apresentamos um disco do ano de 1971, das edições ZipZip, que contém três canções muito importantes no repertório e na carreira de Tonicha.
São três "CANÇÕES" no verdadeiro sentido da palavra; canções de autor, canções de poetas e a interpretação de cada uma delas valeu à cantora um prémio.
FACE A
POEMA PENA
Nuno Nazareth Fernandes (Música)
Nuno Gomes dos Santos (Letra)
Augusto Algueró (Orquestração)
FACE B
ROSA DE BARRO
Fernando Guerra (Letra e Música)
Thilo Krasmann (Orquestração)
MANHÃ CLARA
Nuno Nazareth Fernandes (Música)
Ary dos Santos (Letra)
Thilo Krasmann (Orquestração)
A canção "POEMA PENA" foi aquela com que Tonicha se apresentou nas Olimpíadas da Canção de Atenas e onde obteve o 2ºprémio de interpretação. Trata-se de uma canção difícil do ponto de vista da interpretação, em crescendo, pedindo, exigindo sempre mais da voz. E a voz de Tonicha está sempre lá, pujante, dando-se, entregando-se ao crescendo que a música exige. Já a belíssima orquestração de Augusto Algueró valeu-lhe o 1º prémio ex-aequo.
"ROSA DE BARRO" foi apresentada por Tonicha no Festival de Split na Jugoslávia e valeu-lhe o 1º prémio de interpretação.
A canção "MANHÃ CLARA" foi cantada pela nossa Tonicha no VI Festival do Rio de Janeiro e mereceu-lhe o Prémio da Crítica.
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"POEMA PENA"
PARABÉNS (RTP-1996)
Como já aqui afirmámos, uma das razões de ser deste blogue é a preservação e concentração de vários documentos sobre Tonicha que se encontram dispersos.
No Youtube conseguimos descobrir uma interpretação do tema "Poema pena" numa edição do programa "Parabéns" da RTP, apresentado por Herman José. Este programa era dedicado a Nuno Nazareth Fernandes. Tonicha foi um dos convidados por ter gravado ao longo da sua carreira muitos temas do compositor.
Falta-nos ainda encontrar o "Parabéns" de 1993 em que a cantora era a convidada principal.



POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Augusto Algueró)
Este mal de não saber o bem
Esta dor que me faz não chorar
Esta espada que o meu sonho tem
Este sol que me queima o olhar.
Este vôo que não sei voar
Este ser o que não sei se sou
Este barco que não sabe o mar
Esta espiga que secou.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.
Esta espera de não poder esperar
Esta cama onde não dormir
Este amor de não saber amar
Esta boca sem saber sorrir.
Esta noite sem amanhecer
Este grito sem querer gritar
Minha casa onde habito só
Este muro a derrubar.
(2x)
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.
Só embarquei minha canção
Nesta estrada
Só.


Thilo Krasmann (Orquestração)
MANHÃ CLARA
Nuno Nazareth Fernandes (Música)
Ary dos Santos (Letra)
Thilo Krasmann (Orquestração)
A canção "POEMA PENA" foi aquela com que Tonicha se apresentou nas Olimpíadas da Canção de Atenas e onde obteve o 2ºprémio de interpretação. Trata-se de uma canção difícil do ponto de vista da interpretação, em crescendo, pedindo, exigindo sempre mais da voz. E a voz de Tonicha está sempre lá, pujante, dando-se, entregando-se ao crescendo que a música exige. Já a belíssima orquestração de Augusto Algueró valeu-lhe o 1º prémio ex-aequo.
"ROSA DE BARRO" foi apresentada por Tonicha no Festival de Split na Jugoslávia e valeu-lhe o 1º prémio de interpretação.
A canção "MANHÃ CLARA" foi cantada pela nossa Tonicha no VI Festival do Rio de Janeiro e mereceu-lhe o Prémio da Crítica.
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"POEMA PENA"
PARABÉNS (RTP-1996)
Como já aqui afirmámos, uma das razões de ser deste blogue é a preservação e concentração de vários documentos sobre Tonicha que se encontram dispersos.
No Youtube conseguimos descobrir uma interpretação do tema "Poema pena" numa edição do programa "Parabéns" da RTP, apresentado por Herman José. Este programa era dedicado a Nuno Nazareth Fernandes. Tonicha foi um dos convidados por ter gravado ao longo da sua carreira muitos temas do compositor.
Falta-nos ainda encontrar o "Parabéns" de 1993 em que a cantora era a convidada principal.



POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Augusto Algueró)
Este mal de não saber o bem
Esta dor que me faz não chorar
Esta espada que o meu sonho tem
Este sol que me queima o olhar.
Este vôo que não sei voar
Este ser o que não sei se sou
Este barco que não sabe o mar
Esta espiga que secou.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.
Esta espera de não poder esperar
Esta cama onde não dormir
Este amor de não saber amar
Esta boca sem saber sorrir.
Esta noite sem amanhecer
Este grito sem querer gritar
Minha casa onde habito só
Este muro a derrubar.
(2x)
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.
Só embarquei minha canção
Nesta estrada
Só.


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Fernando Guerra,
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