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19 de janeiro de 2013

Tonicha: Cantos da Vida



De novo disponível em fnac.pt o mais recente cd de Tonicha: Cantos da Vida, Farol - 2008

Para além dos maiores êxitos, o novo álbum "Cantos da Vida" numa edição Farol para a Colecção Vida, marca o regresso de Tonicha às gravações com 3 temas inéditos:

Menino/Rapaz
(Letra e Música: Jorge Palma)
Fui quem sou
(Letra: José Fanha/Música: Paulo de Carvalho)
Alguém
(Letra: Gonçalves Crespo/Música: José Marinho)

10 de maio de 2011

TONICHA EM ATENAS

IV OLIMPÍADA DA CANÇÃO
ATENAS - 1971

Plateia nº534, de 27 de Abril de 1971
Continuamos viagem pela carreira de Tonicha, desfiando as memórias dos anos 70, dando conta das suas andanças pelo mundo da canção no atarefado ano de 1971.
Entre 9 e 11 de Julho desse ano decorreu em Atenas aquele que era, então, o maior certame do velho continente: a "IV Olimpíada da Canção", que atrai anualmente, ao Estádio Olímpico da capital grega, 300 mil espectadores e intérpretes de melodias ligeiras de 50 países.
Nesta notícia ainda se fazia referência a José Carlos Ary dos Santos como autor do poema da canção que Tonicha ali tão bem defendeu. Ary recusou-se a fazer a letra para esse tema, dizendo que não escrevia para o país dos coronéis. A precisar de um letrista para a canção portuguesa, o autor da música, Nuno Nazareth Fernandes, pediu então ao Nuno Gomes dos Santos que fizesse a letra. Assim nasceu "Poema pena", uma fantástica canção, marco importante da discografia da artista. Diz-se que o José Carlos Ary dos Santos quando ouviu a canção afirmou: "Mas isto é meu!".
Em Atenas, Tonicha, perante um público de muitos milhares de espectadores, no estádio olímpico da cidade, conseguiu o 2º Prémio de Interpretação.
Augusto Algueró conquistou o 1º Prémio ex-aequo de Orquestração.

27 de abril de 2009

LEMBRAR

ABRIL

A propósito das comemorações dos 35 anos da Revolução dos cravos, iniciamos hoje uma viagem às memórias de Abril eternizadas na voz de Tonicha, uma das mais belas vozes (femininas) que cantou Abril.

Contrariamente ao registo da memória de muitas viagens que, invariavelmente, começam por "Há muito tempo...", o ponto de partida da nossa viagem à lembrança de Abril são as palavras de um visitante assíduo deste blogue e fã de Tonicha, que nos chegaram esta semana via e-mail:

"No belíssimo espectáculo denominado "As vozes que Abril abriu" conduzido pela apresentação do sempre em forma Júlio Isidro e da magnifica e fresca Silvia Alberto, mais uma vez a ausência de uma das vozes que mais cantou Abril: Antonia Tonicha!
Pode-se saber porquê?
"
Joaquim Henrique Coimbra
Orada (Borba)




Portugal tinha acabado há pouco de sair à rua de punho erguido, com cantigas como armas e balas em forma de cravo, pairava ainda no ar o calor da Revolução e os portugueses habituavam-se lentamente a despertar em liberdade, quando chegou ao mercado discográfico um single chamado "Bandeira da Vitória", edição da Discófilo.
Estávamos em 1975 e o pequeno vinil, com letras do crítico de televisão Mário Castrim e de Gonçalves Preto, lembrava a todos os portugueses que a ditadura tinha definitivamente caído.

LADO A
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)


LADO B
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto)
(Música: Braga Santos)


O single contou com a colaboração de José Carlos Ary dos Santos, poeta libertário e da liberdade, adepto fervoroso da Revolução, com quem Tonicha já trabalhava desde 1971, que emprestou a sua voz tão característica à canção "Cantaremos/Lutaremos", entoando o refrão que lhe dá nome.
Com a mudança de Tonicha para a editora Orfeu, estes temas viriam a ser reeditados com uma nova capa.

CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto)
(Música: Braga Santos)


Agora companheiros cantaremos
por aqueles que morreram na prisão.
Cantaremos a canção que vale a pena,
com a força de uma raiva em cada mão.
Cantaremos com a voz da liberdade
e faremos dessa voz nossa razão.

Cantaremos este sol imaginado,
cantaremos esta sede de amanhã,
que tiveram os amigos que lutaram
p'ra nos dar a liberdade por irmã.

Cantaremos os caminhos que nos deram
cantaremos o sinal que ainda se vê
e deixaram os amigos que levaram
e morreram a saber por quê.

Lutaremos
(lutaremos)
Venceremos
(venceremos)
Cantaremos
(cantaremos).

17 de janeiro de 2009

JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

(7 DEZ 1937 - 18 JAN 1984)


(Ary e Tonicha durante os ensaios da "Menina", em casa do poeta, na Rua da Saudade)
FOTO: A confirmar


Faz esta semana 25 anos que José Carlos Ary dos Santos morreu.
Lembramo-lo da melhor forma que um poeta como Ary pode ser lembrado: nas canções que escreveu e que andaram sempre na boca do povo, pela voz de cantores como a nossa Tonicha.

Já em 1972, na contracapa do EP "4 canções de Patxi Andión", Ary escreveu:

"Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas [Patxi] canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Canto de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personificado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."

Fazemos aqui uma viagem pelas canções que marcaram a colaboração entre Ary dos Santos e Tonicha e que ficaram eternizadas em disco:

1971
Menina
Niña
Bergère
Mulher e força

1972
Manhã clara
Puedo inventar (versão portuguesa)
Poeta desde lejos (versão portuguesa)
20 versos a mi muerte (versão portuguesa)
Habria que saberlo (versão portuguesa)
Parole, parole (versão portuguesa)
Simplesmente Maria (versão portuguesa)

1973
Com um cravo na boca
Rosa Rosae
Batatinhas
Senhor padre Valentim
Vira do vinho
Labuta, meu bem, labuta

1974
Portugal ressuscitado
Canção combate
Obrigado soldadinho
Já chegou a liberdade
O preto no branco
Tanto me faz
Canto da Primavera
Os novos pobres
Meu amor foi a Lisboa
Riscadinho p'ra aventais
A voz do meu povo
Em Lisboa
O cacau (da Ribeira)
Vira da madrugada
Trovas do Carmo

1975
Terras de Garcia Lorca
País irmão
O povo em marcha
Soneto do trabalho
Bandeira da vitória (colaboração)
Cantaremos/Lutaremos (colaboração)
Barqueiros do povo
Serrana povo
Compadre partidário
Isto agora ou vai ou racha
A moda da saia curta

1976
O menino
Um grande amor

1993
O mercado

1997
Cavalo de palavras (co-autoria: Joaquim Pessoa)


FOTO: A confirmar

"É da torre mais alta do meu pranto
que eu canto este meu sangue
este meu povo
nessa torre maior em que apenas
sou grande
por me cantar de novo (...)"
"A voz do meu povo" in AS DUAS FACES DE TONICHA, LP, 1974

2 de janeiro de 2009

QUEM TE QUER BEM, MEU BEM

... NOVAS MEMÓRIAS

Este novo ano de 2009 começa por nos transportar até à década de 70, certamente uma das mais ricas (em discos e espectáculos) na carreira de Tonicha.
Começamos por 1978, um ano em cheio.
Em Janeiro, Tonicha apresenta um espectáculo memorável no Teatro S. Luís, em Lisboa, e que seria transmitido posteriormente, pela RTP, para todo o país. Este "Show Tonicha 1978" mereceu críticas muito positivas na imprensa. Das nossas pesquisas, seleccionámos as duas que se seguem:


in Revista PLATEIA, Janeiro de 1978


in Revista PLATEIA, Janeiro de 1978

Em 18 de Fevereiro, no Teatro Villaret, Tonicha defendeu quatro canções no 15º Festival RTP da Canção:

PELA VIDA FORA
UM DIA UMA FLOR
CANÇÃO DA AMIZADE
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM

Nesse mesmo ano de 1978, pelas mãos da Polydor, foram editados dois singles que incluiam três dessas quatro canções.



LADO 1
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
(A. Avelar Pinho / Nuno Rodrigues)
(Arranjo de Armindo Neves)


LADO 2
UM DIA UMA FLOR
(Fernando Calvário / José Sotto Mayor)
(Arranjo de José Calvário)




QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
(A. Avelar Pinho / Nuno Rodrigues)
(Arranjo de Armindo Neves)

Meu amor, meu país de tantos rios
Mil aldeias mil meninas
A molhar os pés no mar
Meu país de mil campinas
O teu corpo hei-de cantar
Meu amor, meu país de mágoa e sol
Mil vontades mil desejos a roçar a um altar
Meu país de tantos beijos
Teu quebranto hei-de quebrar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Meu amor, meu país de ladainhas
Mil tambores, mil cantigas
A dançar d'horas no ar
Meu país de mil fadigas não te deixes enganar
Meu amor, meu país de sete cores
Mil florestas mil cidades
Onde o sol se vai sentar
Meu país de mil idades
É já tempo de casar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Meu amor, meu filho lindo
Já são horas de acordar
Meu amor eu já vou indo
É tempo de te encontrar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Quem me quer bem, quem me quer bem, meu bem
Quem me quer bem, quem me quer bem, meu bem.

O outro single editado, também pela Polydor, inclui talvez a melhor canção desse lote: "Canção da Amizade".
Curiosamente, a única canção que não foi registada em single, "Pela vida fora" (incluída no álbum duplo "A ARTE E A MÚSICA DE TONICHA", Polydor, 1985), veio a ser a única das quatro editada em CD, em 1989, pela Polygram, mantendo o mesmo nome que o LP.



LADO 1
CANÇÃO DA AMIZADE
(Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
(Orquestração de Pedro Osório)
(Coro: Adelaide)


LADO 2
É TARDE MEU AMOR
(Joaquim Pessoa / Pedro Só)
(Orquestração de Correia Martins)



CANÇÃO DA AMIZADE
(Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
(Orquestração de Pedro Osório)

Não vou falar, nesta canção de azar ou sorte
Mas da razão que a gente tem de ser mais forte.
Uma canção é quase sempre uma viagem
É um navio subindo o rio da coragem.

Falo do amor, como uma rosa ou uma estrada
Rasgando a noite em direcção à madrugada
Trago na boca um canto aberto à claridade
Que é sempre pouca esta palavra liberdade
Liberdade, liberdade, liberdade

Meu coração, é como um pássaro poisado
Nas tuas mãos ó meu irmão desesperado
Canta comigo uma canção que seja nossa
Que a gente deve dizer tanto quanto possa.

Não estamos sós trago na voz uma mensagem
Com que este povo diz verdade e diz coragem
Quero dizer que sei de cor a tua dor
Pois a cantar a gente sofre e faz amor.

Por isso faço esta canção ó meu amigo
E a razão porque hoje canto é estar contigo
Mas não te dou nem um centavo de saudade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade.

Veja os vídeos no YouTube:
(escolha a opção "assistir em alta qualidade")

PELA VIDA FORA
http://br.youtube.com/watch?v=T9w2FhYQG-Q
UM DIA UMA FLOR
http://br.youtube.com/watch?v=VtvHAlqEGek
CANÇÃO DA AMIZADE
http://br.youtube.com/watch?v=rMU83lgC_AI
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
http://br.youtube.com/watch?v=53SmzoYr0O0

MEGA SUCESSO
ZUMBA NA CANECA - 2ª EDIÇÃO



"Zumba na Caneca" foi um sucesso na carreira de Tonicha de tal ordem que, ainda em 1978, teve uma segunda edição com uma capa diferente. A primeira edição tinha uma fotografia da caneca que fora mandada fazer a propósito do lançamento do tema e para ser distribuída durante a conferência de imprensa. Este Natal, Tonicha e o seu marido, João Maria Viegas, surpreenderam-nos com uma prenda tão inesperada quanto inolvidável: uma das duas canecas que ainda possuiam!


"Caneca" gentilmente oferecida por Tonicha e João Maria Viegas
FOTOS: António Caló

O single que agora destacamos foi buscar uma das fotografias da série usada também para o single "O Chico Pinguinhas", 1979, cujo autor lamentavelmente desconhecemos.
Esta reedição mantém no lado B o tema "Ti Zé da horta", que cremos nunca ter sido reeditado em CD.



"Zumba na caneca", 2ª edição, mereceu edição também na Europa e no Brasil.
Nós tivemos acesso ao disco da edição francesa, por cortesia de João Maria Viegas e Tonicha. Aproveitámos a oportunidade para digitalizar, na Biblioteca José Saramago, Beja, a capa e contracapa.



Veja o vídeo no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=FpBejrEgzv4

10 de outubro de 2008

TONICHA: CANTOS DA VIDA

NOVO DISCO
JÁ À VENDA



Para além dos maiores êxitos, o novo álbum "Cantos da Vida" numa edição Farol para a Colecção Vida, marca o regresso de Tonicha às gravações com 3 temas inéditos:

Menino/Rapaz
(Letra e Música: Jorge Palma)

Fui quem sou
(Letra: José Fanha/Música: Paulo de Carvalho)

Alguém
(Letra: Gonçalves Crespo/Música: José Marinho)
NOTA: Saiba mais sobre este álbum no post de 07/09/2008.

28 de setembro de 2008

TONICHA: FESTIVAL RTP DA CANÇÃO 1968

FUI TER COM A MADRUGADA
EP, RCA, TP-373

Parabéns RTP Memória!
Ontem tivemos o prazer de rever a nossa cantora preferida no Festival RTP da Canção 1978, que a RTP Memória transmitiu. Nesse ano, a RTP convidou apenas 3 cantores: José Cid, os Gemini e a nossa Tonicha. Cada um cantou 4 canções. Claro que, para nós, uma das melhores canções foi interpretada por Tonicha: "Canção da Amizade", letra de Joaquim Pessoa e música de Carlos Mendes.



FESTIVAL RTP DA CANÇÃO (1968)

A propósito de festivais, lembrámo-nos de apresentar hoje, na íntegra, os dois discos que incluem as canções que Tonicha cantou em 1968.
Este disco contém a canção que quase ganhou o Festival: "Fui ter com a madrugada".
O disco é uma edição RCA. Obteve apenas menos dois pontos que o "Verão" de Carlos Mendes que ganhou nesse ano. Curiosamente, o primeiro episódio da excelente série da RTP "Conta-me como foi" gira à volta deste festival, com umas personagens a torcerem por Carlos Mendes e outras por Tonicha.

LADO 1
FUI TER COM A MADRUGADA
(Pedro Jordão / Rui Malhoa)
AQUELE ENTARDECER
(Pedro Jordão / António José)

LADO 2
NÃO DÊS ATENÇÃO
(Pedro Jordão / António José)
ALGUÉM PARA AMAR
(Eduardo Garcia / Rocha Oliveira)



FUI TER COM A MADRUGADA
(Pedro Jordão / Rui Malhoa)

Fui ter com a madrugada
Ainda deitada
Vim a abraçar o sol
Aves poisam no silvado
Num canto trinado
Chegou mui perto do sol
Ai se os homens todos soubessem
Ir como eu ver nascer a luz
Não fariam noites mais negras,
Negras de noite breu. (1x)



A outra canção que Tonicha apresentou em 1968 foi "Calendário".
Este tema foi gravado num EP, cujo exemplar aqui apresentado foi-nos oferecido por João Maria Viegas, para a então RCA e inclui os temas:

LADO 1
CALENDÁRIO
(Pedro Jordão / António José)
FOI EM NOVEMBRO
(Mariana Filomena / António José)

LADO 2
ZÉ NINGUÉM
(José Mesquita / Francisco Nicholson)
A CANÇÃO DO NOSSO ENCONTRO
(Rocha Oliveira)



CALENDÁRIO
(Pedro Jordão / António José)

Cada dia que se acaba
Vou riscando com uma cruz
Passam anos vai-se a vida
Que já nada traduz
Hoje outra folha
Tirei ao meu calendário
Passou mais um mês
Não adianta contar
São mais trinta dias
Sem ti outra vez
Longa espera, meu cabelo
Acabou já por embranquecer
Falta muito ou falta pouco
P´ra te voltar a ver
São doze folhas cruéis
Que o meu desespero
Há-de sempre atirar
Para o cesto dos papéis
E no fim de tudo nada vai mudar
Passam invernos e primaveras
E o calendário é igual
Por meu mal sempre igual
Por essa razão já pensei que talvez
Seja melhor arrancar
As folhas que falta
Todas de uma vez.

18 de setembro de 2008

UMA TARDE COM TONICHA

1984 - Foto para o single "Pinga Amor"
Na sexta feira passada, rumámos para o sul em direcção a Serpa para assistirmos ao espectáculo de "Tonicha e venham mais cinco alentejanos". Tonicha estava muito bem disposta e feliz por cantar para gente do seu Alentejo que conhecia bem o repertório e a foi acompanhando em coro. Temos algumas fotos que mostraremos noutra oportunidade.
Depois de uma noite bem dormida num hotel muito acolhedor em Serpa, de um pequeno almoço à beira da piscina e de um frugal almoço numa esplanada da praça central, fomos directos a Beja, onde Tonicha e o seu marido, João Maria Viegas, nos esperavam em sua casa para uma conversa. Braços abertos, simpatia, sorrisos e boa disposição acompanharam-nos pela tarde dentro e prolongaram-se até ao jantar. Desfiaram-se memórias, recordou-se o Portugal de várias décadas, contaram-se inúmeras viagens, lembraram-se amigos, falou-se de poetas e de músicos: tudo para aprendermos mais sobre a carreira de Tonicha.
Universidade de Providence - Boston Nos anos 70, Tonicha foi convidada por um professor de Cultura e Literatura Portuguesas da Universidade de Providence para cantar num evento ali organizado. AS FOTOGRAFIAS, OS DISCOS...
Com a mesma simpatia com que nos abriu as portas de sua casa, João Viegas partilhou connosco o arquivo sobre Tonicha que foi construindo ao longo dos anos. Os recortes de jornais e as capas de revistas, as fotografias que nunca antes tínhamos visto, a colecção de discos, a tudo tivemos acesso. As fotografias que estamos agora a publicar foram-nos oferecidas pelo casal. Se já admirávamos Tonicha, agora também ficámos a admirar João Viegas.
1972 - Rio de Janeiro, com Elis Regina
Nesta foto, Tonicha aparece retratada junto com uma das maiores figuras de sempre da música brasileira, Elis Regina que a vida levou cedo demais, e que Tonicha muito admira.
Foi no ano de 1972 que Tonicha esteve no Brasil para cantar o tema "MANHÃ CLARA" no VI Festival do Rio de Janeiro. A letra, escrita por José Carlos Ary dos Santos, fez muito sucesso por se revelar uma metáfora da liberdade num tempo em que o Brasil vivia uma forte ditadura. A prestação de Tonicha nesse Festival valeu-lhe o Prémio da Crítica. Curiosamente o prémio foi-lhe entregue pelas mãos de outra grande senhora da canção: Shirley Bassey.
MANHÃ CLARA (Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes) Em ti vou nascendo Por ti vou morrendo Meu amor distante Quase anoitecendo Sempre acontecendo. Por ti vou ficando Em mim vou partindo Meu amor bastante Que vou descobrindo Chegando e partindo. REFRÃO: Por ti vou inventar A manhã clara De outras raízes De outras verdades De outros países De outras cidades De homens felizes. Vou renegar As coisas fáceis As coisas vãs As coisas fúteis. E nunca mais E nunca mais Essas manhãs Serão inúteis Essas cidades Serão vazias Essas verdades Ficarão frias Essas janelas Serão fechadas. E nunca mais E nunca mais As nossas bocas Amordaçadas. Por ti vou cantando Em mim vou dizendo Que nunca sei quando Por ti vou sofrendo E em mim vou crescendo. REFRÃO. 1996 - Foto: Jorge Nogueira, álbum "Canções d'Aquém e d'Além Tejo"
Perguntámos a Tonicha se o génio de Ary era mesmo como nós pensávamos. A cantora respondeu afirmativamente - disse que ele tinha um enorme talento. Contou-nos como o poeta tinha escrito a "MENINA", num serão, sentado à sua frente, olhando para ela. Falou-nos também da recepção que teve na sua chegada de Dublin - a multidão que se juntou entre o aeroporto e o Teatro Villaret, onde deu uma conferência de imprensa.
Fizemos muitas mais perguntas. As respostas ensinaram-nos muito sobre a vida e o percurso artístico de Tonicha: a insistência do marido para gravar folclore; o "RESINEIRO", gravação aconselhada por José Afonso - e o êxito estrondoso que obteve; o convite para ir para Espanha depois do êxito da "MENINA"; as recepções e os shows em Madrid e em Barcelona; o tema "SIMPLESMENTE MARIA" que o maestro Augusto Algueró exigiu que fosse interpretado por Tonicha (numa versão de Ary dos Santos); a grandiosidade do Pátio de Almeirim; os prémios da imprensa, entre os quais o do álbum "FOLIADA PORTUGUESA", de 1983 (do qual nos ofereceram um exemplar para a nossa colecção); o concerto na Mealhada organizado pela RDP Internacional, a que nós assistimos, nos anos 90, aquando do "REGRESSO" (1993, Polygram) e os muitos espectáculos que Tonicha voltou a fazer.
1993 - Foto: Vasconcellos e Sá para o álbum "Regresso"
A conversa continuou sempre muito animada. Abordámos a importância das orquestrações feitas por Jorge Palma nos anos 70 e a qualidade desta nova canção que ele lhe compôs agora - "MENINO/RAPAZ"; os outros dois temas novos do Cd "CANTOS DA VIDA", da autoria de José Fanha/Paulo de Carvalho e de Gonçalves Crespo/José Marinho; os outros temas inéditos que lhe compuseram e que ainda não foram gravados - de Tozé Brito, de José Jorge Letria, de Paulo de Carvalho e Joaquim Pessoa. Falou-se do LP "AS DUAS FACES DE TONICHA", uma edição Zip Zip cujo grafismo nos fez lembrar o LP "ELA POR ELA", apesar de terem autores diferentes. Recordaram-se também os penteados da cantora, pelas mãos do Victor Hugo, sobretudo os do Festival de 1978. Tonicha falou-nos ainda com carinho de um retrato seu, pendurado numa parede da sala, que foi pintado por José Manuel Costa Reis...
1971 - Festival Eurovisão da Canção, Dublin
A grande surpresa aconteceu quando, ao perguntarmos pelo vestido que Tonicha levou ao Festival Eurovisão da Canção quando cantou o tema "MENINA", Tonicha saiu da sala para regressar com o vestido... Grandes emoções!
in Correio da Manhã

7 de setembro de 2008

TONICHA: CANTOS DA VIDA

CANTOS DA VIDA
NOVO DISCO!

Chama-se "Cantos da Vida" e é uma edição Farol que nos traz de volta a voz de Tonicha.
O disco já havia sido anunciado por Tonicha nalgumas entrevistas que deu este Verão. Chegou finalmente ao mercado.
É composto por 16 temas. Os primeiros 13 temas foram gravados para a Polygram/Universal Music Portugal e são alguns dos maiores êxitos de sempre da cantora. Os restantes são inéditos:

1- Tu és o Zé que fumas
2- Zumba na caneca
3- Gaiteiro português
4- Sericotalho, bacalhau, azeite e alho
5- Chico Pinguinhas
6- Pulguinhas
7- Marcha dos marinheiros
8- Pestotira
9- Resineiro
10- Vira dos malmequeres
11- Não vás ao mar Tonho
12- O mar enrola na areia
13- Todos me querem



Os três últimos temas do disco são 3 belas novas canções!

14- Alguém
Poema do poeta Gonçalves Crespo e música do falecido maestro José Marinho.

15- Fui quem sou
Letra de José Fanha e música de Paulo de Carvalho.

16- Menino/rapaz
Letra e música de Jorge Palma.

Estamos muito contentes por Tonicha ter voltado às gravações.
A sua voz adaptou-se muito bem a estas três pérolas. A faixa número 16, de Jorge Palma, é, no nosso entender, a mais bonita destas novas canções. O regresso a uma colaboração que já tinha acontecido nos anos 70 resultou em pleno. Oiçam bem a melodia e vejam como a voz casa bem com ela.

Menino/Rapaz
(Letra e Música: Jorge Palma)

Menino
Eu conheço o teu olhar
A tua forma de afirmar
Que o mundo inteiro é só teu
Menino
Eu já sei dessa aflição
Pequeno sim, pequeno não
E há sempre alguém que perdeu.
Traz o teu corpo incandescente
Traz essa chama irreverente
Mostra-me o trabalho de inglês
Qual foi a tua nota?
Foi boa a tua nota?

Rapaz
Se queres falar comigo
Tira a mão do teu umbigo
Olha pra mim a valer
Rapaz
Fuma lá esse cigarro
Acaba lá com esse charro
Mas faz-me sentir mulher.
Traz o teu corpo incandescente
Traz essa chama irreverente
Mostra-me o trabalho de inglês
Qual foi a tua nota?
Foi boa a tua nota?
Qual foi a tua nota?
Foi boa a tua nota.

No entanto, também gostamos muito das outras duas canções.
O poema da canção número 14 é muito interessante e a música serve bem as palavras.
A canção "Fui quem sou" é uma justa homenagem à linda carreira de Tonicha, aqui tão bem retratada na letra de José Fanha. A música do Paulo de Carvalho (cremos que é a primeira vez que Tonicha grava uma composição do autor) vai ficar facilmente no ouvido.

Fui quem sou
(Letra: José Fanha / Música: Paulo de Carvalho)

Fui quem sou com inteireza
Rosto claro e alma acesa
E um lume sempre a brilhar
E ao pensar neste meu fado
A menina do passado
Passa por mim num olhar.
Passam campos e cidades
Passam poetas, saudades
E a ternura a transbordar
Deste país pequenino
Malandro, santo, menino
Amante louco do mar.

Passa tudo, passa tudo o que cantei
Nas canções, nas canções em que espalhei
Muitos sonhos, muitos sonhos, ilusões
Tristezas e alegrias, gaivotas e cotovias
Passam no céu das canções.

Passa a papoila mimosa
O botãozinho de rosa
Passa o velho e passa o novo
Passa a laranja e o figo
Passa a música do trigo
Mais as cantigas do povo.
Passam luzes e encantos
Passam lágrimas de espanto
Tudo passa de corrida
Passam palcos que pisei
Os amigos que encontrei
Pelos sete cantos da vida.

Passa tudo, passa tudo o que cantei
Nas canções, nas canções em que espalhei
Muitos sonhos, muitos sonhos, ilusões
Tristezas e alegrias, gaivotas e cotovias
Passam no céu das canções.



ALGUÉM
(Letra: Gonçalves Crespo, 1846-1883/José Marinho)

Para alguém sou o lírio entre os abrolhos,
E tenho as formas ideais de Cristo;
Para alguém sou a vida e a luz dos olhos,
E, se na Terra existe, é porque existo.

Esse alguém, que prefere ao namorado
Cantar das aves minha rude voz,
Não és tu, anjo meu idolatrado!
Nem, meus amigos, é nenhum de vós!

Quando, alta noite, me reclino e deito,
Melancólico, triste e fatigado,
Esse alguém abre as asas no meu leito,
E o meu sono desliza perfumado.

Chovam bênçãos de Deus sobre a que chora
Por mim além dos mares! esse alguém
É de meus olhos a esplendente aurora;
És tu, doce velhinha, ó minha mãe!

14 de julho de 2008

TONICHA: CANÇÕES DE ABRIL

CANTAREMOS / LUTAREMOS
EP, ORFEU, ATEP 6696

Na editora Orfeu, em 1975, Tonicha grava mais um EP, ainda nos ecos da Revolução.
Pelo número de edição do disco, percebemos que este "Cantaremos/Lutaremos" é posterior ao "Serrana Povo" já aqui apresentado.
Ao contrário do outro disco, nenhum destes temas é da autoria de Ary dos Santos, mas encontramos uma curiosa "Bandeira da Vitória", com letra do crítico de televisão Mário Castrim, uma versão do incontornável hino da Ermelinda Duarte, "Somos Livres", e um poema do grande poeta António Feliciano de Castilho.

PRODUÇÃO E SELECÇÃO: João Viegas
ARRANJOS E DIRECÇÃO MUSICAL: Jorge Palma



FACE A
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

FACE B
SOMOS LIVRES
(Ermelinda Duarte)
HINO DO TRABALHO
(S. Galarza-António F. Castilho)


CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)

Agora companheiros cantaremos
por aqueles que morreram na prisão.
Cantaremos a canção que vale a pena,
com a força de uma raiva em cada mão.
Cantaremos com a voz da liberdade
e faremos dessa voz nossa razão.

Cantaremos este sol imaginado,
cantaremos esta sede de amanhã,
que tiveram os amigos que lutaram
p'ra nos dar a liberdade por irmã.

Cantaremos os caminhos que nos deram
cantaremos o sinal que ainda se vê
e deixaram os amigos que levaram
e morreram a saber por quê.

Lutaremos
(lutaremos)
Venceremos
(venceremos)
Cantaremos
(cantaremos).

TONICHA: O PRETO NO BRANCO

TANTO ME FAZ
SINGLE, ZIP-ZIP, 30 056/S



OUTRAS CANÇÕES POLITIZADAS

Mais duas canções alusivas à Revolução de Abril, ainda por conta da editora Zip Zip, produzidas e editadas por Sassetti, SARL.
Pelo número de série do single, deduz-se que é posterior ao "Obrigado Soldadinho", mas certamente do mesmo ano de 1974.
Gravado nuns estúdios em Madrid, o disco conta com os seguintes temas:

FACE A
O PRETO NO BRANCO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Pedro Osório)




FACE B
TANTO ME FAZ
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)




Curiosamente, o single é desdobrável e no seu interior há uma linda fotografia da Tonicha, ainda muito jovem, em estúdio:



Os arranjos e a Direcção Musical estiveram a cargo do maestro Pedro Osório.
O single "Outras canções politizadas" foi gravado em Madrid, nos estúdios Eurosonic.

TONICHA E AS CANÇÕES DA REVOLUÇÃO


FOTO DA CAPA: Carlos Gil

Ainda na editora Zip Zip, no calor da Revolução de 74, Tonicha grava algumas canções representativas da época revolucionária que se vivia.
O primeiro disco é composto por dois temas populares, com arranjo de Pedro Osório e com letras "inflamadas" de José Carlos Ary dos Santos.

Na face A, surge "Obrigado Soldadinho", uma adaptação do "Vira dos Malmequeres" que fora um êxito na discografia de Tonicha uns anos antes.
Na Face B, encontramos "Já chegou a Liberdade", uma adaptação de "Maria Rita (Cara bonita), outro êxito de Tonicha dos anos 60.

Estes temas viriam a incluir várias colectâneas que se fizeram sobre as canções de Abril.

OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: popular/Arranjos: Pedro Osório)

Obrigado soldadinho
Marinheiro português
Ficou aberto o caminho
E não há duas sem três.

Já virou o malmequer
No quartel de Santarém
Não há homem nem mulher
Que não virasse também.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Vira a tristeza alegria
O ódio vira ternura
Virámos o dia-a-dia
Com o fim da ditadura.

O vira dos malmequeres
Está dentro de todos nós
Homens, crianças, mulheres
Todos erguemos a voz.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Nas voltas do nosso vira
Vira virou a tristeza
Nunca mais ninguém nos tira
dos caminhos da tristeza.

O povo canta primeiro
e não há duas sem três
obrigada marinheiro
soldadinho português.



JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Popular/Ary dos Santos)

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Chegou um dia ao Rossio
Estava tanto frio, tanta gente triste
Entrou de espingarda em riste
Entrou de espingarda em riste.

Chegou um dia à cidade
E só atirou um amor perfeito
Era o que trazia ao peito
Era o que trazia ao peito.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Depois foi até ao Carmo
Foi até ao cerne da nossa tristeza
E cantou "A Portuguesa"
E cantou "A Portuguesa".

E eu também cantei
só então me dei
conta da beleza
Da voz que ficou acesa
Da voz que ficou acesa.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.
(4x)

14 de junho de 2008

TONICHA : ANTOLOGIA 1971-1977



A propósito da edição de mais uma colectânea de Tonicha, Ema Pedrosa, que também seleccionou o repertório, escreve:

"Sem dúvida, este é um dos melhores discos portugueses publicados nos últimos anos, sejam colectâneas ou de originais. Simplesmente Tonicha em trinta das mais aplaudidas canções do seu repertório, tradicionais e de autor, registadas no auge da sua carreira.
De passos seguros se fez a sua merecida ascensão. Em discos e espectáculos com excepcional qualidade, e um repertório que ultrapassa 600 canções e 150 discos, Tonicha cantou os nossos melhores poetas e compositores, foi acompanhada pelos melhores músicos, teve os melhores instrumentistas e directores de orquestra.
(...) Tonicha é um caso raro de popularidade e qualidade, da aliança de uma boa voz à interpretação sentida e cuidada, à presença gentil, elegante e sóbria. É um cartaz de que o país se orgulha. Esta mulher-menina está no coração dos portugueses de todas as idades, pelo que é imperioso continuar a ouvi-la e re-conhecer, assim, umas boas mãos cheias do que de melhor se escreveu, cantou, gravou e editou, sob a assinatura de gente portuguesa."
Ema Pedrosa, 15/07/2004, in Tonicha Antologia 1971-1977, Movieplay



Esta antologia é editada pela Movieplay reunindo temas que Tonicha gravou para várias editoras.
São dois discos que incluem 30 canções. Entre elas surgem pérolas do nosso folclore como "Os bravos", "Ribeira cheia", "Minha mãe, minha mãe" ou "Charamba".
Integram também esta colecção temas de autor: a incontornável "Menina do alto da serra", "Contraluz", "Terras de Garcia Lorca", "Poeta desde lejos" (de Patxi Andión) e "Glória, glória, aleluia".



CD1
1 Menina do Alto da serra
2 A amendoeira
3 Batatinhas
4 Os bravos
5 Com um cravo na boca
6 Contraluz
7 Terras de Garcia Lorca
8 S. João
9 Malhão de Cinfães
10 Entrudo
11 Labuta, meu bem, labuta
12 Ribeira cheia
13 Fado
14 Riscadinho pra aventais
15 Senhor Padre Valentim



CD2
1 Glória, Glória, Aleleuia
2 Minha mãe, minha mãe
3 Milho verde
4 Poeta desde lejos
5 Simplesmente Maria
6 Charamba
7 Passarinho trigueiro
8 Malhão de Águeda
9 Menina Florentina
10 A moda da saia curta
11 Fadinho do pobre
12 Farrapeirinha
13 Vareira do mar
14 Vira do vinho
15 Chula de Viana


Selecção de Repertório e texto de Ema Pedrosa/Design Gráfico: Roda Dentada

TONICHA: A VOZ DO MEU POVO

25 ABRIL 25 ANOS 25 CANÇÕES



No ano de 1998, a editora Strauss edita uma compilação de canções de ante e após Revolução para comemorar os 25 anos do 25 de Abril.
Para esta compilação seleccionaram duas canções a solo de Tonicha: "A voz do meu povo" de Ary dos Santos e Fernando Tordo e "Obrigado soldadinho" com letra de Ary dos Santos (sobre a música popular "Vira dos malmequeres"), e com arranjo de Pedro Osório.

A VOZ DO MEU POVO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

É da torre mais alta do meu pranto
Que eu canto este meu sangue
Este meu povo
Nessa torre maior em que apenas
Sou grande
Por me cantar de novo

Cantar como quem despe
A ganga da tristeza
E põe a nú a espada da saudade
Chama que nasce e cresce
E vive e morre acesa
Em plena liberdade

É da voz do meu povo uma criança
Semi-nua nas docas de Lisboa
Que eu ganho a minha voz
Caldo verde sem esperança
Laranja de humildade
Amarga lança
Até que a voz me doa

É da voz do meu povo uma traineira
Que já não pode mais andar à toa
Que acendo a minha voz
Na praça da Ribeira
A praça da canção que tem Lisboa.


in 25 ABRIL 25 ANOS 25 CANÇÕES, Strauss, 1998

Incluíram também duas canções gravadas na euforia de Abril pelo grupo INCLAVE, pela Tonicha e pelo Fernando Tordo: "Portugal Ressuscitado" ("Agora o povo unido nunca mais será vencido") e "Canção Combate" ("A Pide agora já não nos persegue/E já cá canta o Manuel Alegre").

PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)

Depois da fome, da guerra
Da prisão e da tortura
Vi abrir-se a minha terra
Como um cravo de ternura

Vi nas ruas da cidade
O coração do meu povo
Gaivota da Liberdade
Voando num Tejo novo

Agora o povo unido
Nunca mais será vencido
Nunca mais será vencido

Vi nas bocas, vi nos olhos
Nos braços, nas mãos acesas
Cravos vermelhos aos molhos
Rosas livres portuguesas

Vi as portas da prisão
Abertas de par em par
Vi passar a procissão
Do meu país a cantar

Nunca mais nos curvaremos
Às armas da repressão
Somos a força que temos
A pulsar no coração

Enquanto nos mantivermos
Todos juntos lado a lado
Somos a glória de sermos
Portugal ressuscitado.

TONICHA: MULHER

MULHER
CD, POLYGRAM, 537243-2



Em 1997, Tonicha regressa às grandes canções de amor com um repertório muito cuidado quer na escolha dos poemas, quer na música e nos arranjos musicais.
Há poemas de José Gomes Ferreira, Raúl de Carvalho, Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e António Botto. Há duas versões de canções estrangeiras: "Que mulher é esta" de Bryan Adams e "Dias de arco-íris" de Di Bari. Há ainda uma bonita homenagem em forma de canção, de Tozé Brito e António Pinho, à carreira de Tonicha: "O meu caminho".
Todas as fotografias presentes no álbum são da autoria de Jorge Nogueira.

Na contracapa do CD encontram-se as seguintes palavras de Baptista-Bastos:

A Piaf afirmava que a arte de cantar (ela dizia, de uma forma mais rigorosa: "cançonetar") tinha como matriz "um pungente apelo interior". Tonicha pertence a essa estirpe de gente que canta aqueles que nos cantaram, servindo-se de uma voz pessoalíssima e absolutamente intransmissível. Digo: inimitável. Ela possui o tal registo interior que confere aos poemas escolhidos a dimensão do tempo, a marca de uma época e o timbre de uma personalidade. Personalidade, isso mesmo. Até porque Tonicha sabe, como poucos cantores portugueses, que cantar é amar o outro; os outros. E dizer-lhes que, apesar de tudo, ainda vale a pena acreditar. Porque não há conquista sem luta nem luta sem sofrimento.
Convido-os a escutar este disco, afinal a veemência de uma declaração de amor ao outro, aos outros-a todos nós.
Baptista-Bastos in MULHER, Polygram, 1997


POEMA DE AMOR
(António Botto / Arranjo: Luís Pedro Fonseca)

Quem é que abraça o meu corpo
na penumbra do meu leito?
quem é que beija o meu rosto
quem é que morde o meu peito.

Quem é que fala da morte
docemente ao meu ouvido?
és tu senhor dos meus olhos
e sempre do meu sentido.

De saudades vou morrendo
e na morte vou pensando.
Meu amor porque partiste
sem me dizer até quando?

Na minha boca tão triste
ó alegrias, cantai
mas quem acode ao que eu digo
- Enchei-vos de água, meus olhos
enchei-vos de água, chorai.



CAVALO DE PALAVRAS
(Ary dos Santos/Joaquim Pessoa/Carlos Mendes)

Dos seixos destas mãos
Prenhes de mágoas
Dos freixos que dobravam a cintura
Dos olhos que já trouxe rasos de água
Eu fiz o meu ribeiro de ternura.

E das palavras ditas em segredo
Das coisas ciciadas pelo vento
Da minha imensa luta contra o medo
Eu fiz o meu caudal de sofrimento.

Cavalo de palavras quem me agarra
Quem aparta de mim esta saudade
Quem faz da minha voz uma guitarra
Tocada pelos dedos da verdade.

Quem é que põe a flor da madressilva
Na louca trepadeira dos meus braços
Quem pode desbravar a minha selva
De angústias e tormentos e cansaços.

E quem terá a cor da buganvília
Espreitando pelos olhos da janela
Quem pode ser a sombra de uma tília
Cheirando a alfazema e a canela.

Só tu que eu inventei mas não existes
Só tu que não sei bem se não és eu
E alegras os momentos que são tristes
E deitas o teu corpo sobre o meu.

O MEU CAMINHO
(Tozé Brito / António Pinho)

Essa voz lá de longe da minha terra
O chão que eu senti na ponta dos dedos
Contaram-me histórias
Que trazem memórias
De velhos segredos.

Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.

Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mar de prata
Corpo miudinho
Alma de fragata
Fiz o meu caminho.

Fiz o meu caminho
Fui como andorinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho
Em chegando a hora.

Faço o meu caminho.

Essa Mãe toda toda oiro do trigo e do Sol
O vento a cantar na veia d'água a correr
Mulher e menina
Foi a minha sina
Meu jeito de ser.

Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.

Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho.

Em chegando a hora
Faço o meu caminho.



AO MENOS UMA VEZ
(Letra e música: Pedro Barroso)

Abrir a porta que dá para o rio defronte
morder um malmequer azedo p'lo caminho
regressar de ouvido ao som que estava ausente
sentir o sol na cara e o cheiro a rosmaninho
e às vezes uma ortiga
às vezes uma rosa
e às vezes uma amora
que eu mordo com saudade
estamos sempre a tempo de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente de verdade.

Soltar na noite aberta a fantasia
viver o sonho como quem se aquece
ao fogo de um cuidado, ao fogo de um carinho
tecer em linho puro a vida que acontece
e às vezes uma ideia,
às vezes um poema,
às vezes um olhar
que vai valer a pena
estamos sempre a tempo
de ainda descobrir
ao menos uma vez
um gesto por sentir
depois ficam amigos às vezes até tarde
quando passa o carteiro a gente diz - Bom dia!
ser português assim se querem a verdade
é nascer uma menina e os pais porem: Maria...
e às vezes encontrar
razões p'ra lá de nós
e às vasculhar
na arca dos avós
estamos sempre a tempo
de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente conseguida.



TERRA MÃE
(Raúl de Carvalho / Arranjo: Luís Pedro Fonseca)

Lá nos campos, tristes campos
Dos campos do Alentejo
Vim ainda pequenina
- E pequenina me vejo...

Lá nos campos, tristes campos
Da solitária planura
Nasceu a minha revolta
Nasceu a minha amargura.

Lá nos campos, tristes campos
Vem a lembrança de tudo
O que mais amo e desejo.
Vem a fome a sede e o sonho
Das terras do Alentejo.



Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira/José Almada)

Ó pastor que choras
O teu rebanho onde está
Deita as mágoas fora
Carneiros é o que mais há

Uns de finos modos
Outros vis por desprazer
Mas carneiros todos
Com cargo de obedecer

Quem te pôs na orelha
Essas cerejas, pastor
São de cor vermelha
Vai pintá-las doutra cor

Vai pintar os frutos
As amoras e os rosais
Vai pintar de luto
As papoilas e os trigais.

QUE MULHER É ESTA
(J. Fanha/B. Adams/R. J. Lange/ N. Kamen)
Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira/José Almada)
NA PEDRA DO TEU ANEL
(António Pinho/Carlos A. Vidal)
AO MENOS UMA VEZ
(Pedro Barroso)
FOLHINHA VERDE
(António A. Pinto/Carlos A. Vidal)
TERRA MÃE
(Raul de Carvalho/Luís Pedro Fonseca)
CAVALO DE PALAVRAS
(Ary dos Santos/Joaquim Pessoa/Carlos Mendes)
O NOSSO MENINO
(António A. Pinho/Carlos A. Vidal)
POEMA DE AMOR
(António Botto/Luís Pedro Fonseca)
DIAS DE ARCO-ÍRIS
(António J. L. Lampreia/Masini/Pintacci/Di Bari)
AVÉ MARIA
(Luís Pedro Fonseca/Schubert)
O MEU CAMINHO
(António A. Pinho/ Tozé Brito)