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18 de dezembro de 2019

Recordar Patxi Andión (1947-2019)

Morreu Patxi Andión, um dos maiores cantautores espanhóis, que várias vezes visitou e actuou em Portugal.

Em jeito de homenagem recordamos a colaboração com Tonicha.
O ano era o de 1972. Tonicha gravou um EP chamado "4 Canções de Patxi Andión", um vinil que continha, no lado A, "Puedo inventar" e "Poeta desde lejos" e, no lado B, "20 versos a mi muerte" e "Habria que saberlo".

FOTO CAPA: M. Fiuza

Nesse mesmo ano, em Espanha, Tonicha editou o single "Poeta desde lejos"/"20 versos a mi muerte", na versão original. Ambos os discos foram editados pela Movieplay. A adaptação dos poemas para português ficou a cargo de Ary dos Santos e a direcção musical do maestro Thilo Krassman.

João Maria Viegas, marido e manager da cantora, contou-nos que Patxi, perseguido pela Pide e proibido de entrar em Portugal, tinha de vir a Lisboa às escondidas acompanhar as gravações de Tonicha.
Anos mais tarde, corria o ano de 1994, Tonicha confidenciou, no popular programa "Parabéns" da RTP apresentado por Herman José, que, uns meses após a gravação do disco, Patxi telefonou-lhe a pedir autorização para ele próprio gravar essas canções. Comentou então a cantora: "Incrível, ele que era o autor ia pedir-me autorização a mim...".

Num dos últimos concertos que Patxi Andión fez em Lisboa, no Cinema São Jorge, fomos aos bastidores e ele recebeu-nos. De forma muito simpática. Falámos-lhe deste blogue, do projecto de uma fotobiografia da cantora que estava a ser preparado e oferecemos-lhe o CD de Tonicha "Antologia 1971-1977", uma colectânea da Movieplay. Trata-se do único CD que contém uma destas 4 belíssimas canções de Patxi Andión que Tonicha gravou, "Poeta desde lejos".

Na contracapa do EP "4 Canções de Patxi Andión" (que no interior traz as letras em castelhano e em português), num texto assinado por Ary dos Santos, o poeta português referia-se a Patxi Andión desta forma:

"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um 'caso' musical. Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse 'caso' reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino. (...)". 


20 versos a mi muerte
(versão: Ary dos Santos)

Ai quando eu morrer não quero
Nem coroas de cravos velhos
Nem ramos de lirios secos
Que me flagelem os dedos.

Quero que o ar se recolha
Até que o eco tropece
Quero morrer devagar
E que a vida recomece.

Eu quero morrer descalça
Metida dentro da terra
Sem uma lágrima falsa
Como se um filho tivera.

Eu quero que a terra seja
O lençol da minha vida
À morte que se deseja
Porque não é despedida.

16 de abril de 2010

TONICHA: FALA DO HOMEM NASCIDO

OPERETA PARA DISCO
LP, ORFEU

Por iniciativa de José Niza a cantora Tonicha participa, em 1972, em "Fala do Homem Nascido", uma opereta gravada para disco, com poemas de António Gedeão.
Os cantores convidados para este projecto, que inicialmente saiu em LP pela editora Orfeu, foram Duarte Mendes, Carlos Mendes, Samuel e Tonicha.
Com música composta por José Niza, que também assinou a produção do disco, "Fala do Homem Nascido" teve arranjos e direcção de orquestra a cargo do maestro José Calvário.
Já no final dos anos 90, mais precisamente em 1998, a Movieplay lançou no mercado uma reedição em formato CD.



1- ESTRELA DA MANHÃ
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
FALA DO HOMEM NASCIDO
Canta: Samuel
2- DESENCONTRO
Cantam: Samuel e Tonicha
3- TEMPO DE POESIA
Canta: Duarte Mendes
VIDRO CÔNCAVO
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
4- POEMA DA MALTA DAS NAUS
Canta: Samuel
LÁGRIMA DE PRETA
Canta: Duarte Mendes
5- POEMA DO FECHO ÉCLAIR
Canta: Duarte Mendes
6- CALÇADA DE CARRICHE
Canta: Carlos Mendes
7- POEMA DA AUTO-ESTRADA
Canta: Tonicha
8- POEMA DE PEDRA LIOZ
Canta: Samuel


FOTO: Álvaro João

Poemas: António Gedeão
Música: José Niza
Arranjos e Direcção de Orquestra: José Calvário
Gravação de Orquestra nos Estúdios Celada (Madrid): Pepe Fernandez, Enrique Rielo e Vinader
Gravação de vozes nos Estúdios Polysom (Lisboa): Moreno Pinto
Produção: José Niza
Arranjo gráfico da capa original: Beatriz Morais Alçada
Fotografias da capa original: Álvaro João
Fotografia de António Gedeão: gentilmente cedida pelo fotógrafo João Ribeiro
1972, Orfeu

... clique no botão "Play"

POEMA DA AUTO-ESTRADA
(Letra: António Gedeão/Música: José Niza)

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.

Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.

Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.

Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.

Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.

12 de abril de 2010

PATXI ANDIÓN

4 CANÇÕES
EP, MOVIEPLAY, SON100.020


FOTO: M. Fiuza

Este disco de 1972 apresenta as versões de José Carlos Ary dos Santos para "4 CANÇÕES DE PATXI ANDIÓN", com direcção musical do maestro Thilo Krassman. No interior do disco encontramos as letras das canções em castelhano e em português.
Leia-se o interessante texto que Ary assina na contracapa:

"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um "caso" musical. Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse "caso" reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino.
Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Canto de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personificado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."




FACE A
PUEDO INVENTAR
POETA DESDE LEJOS

FACE B
20 VERSOS A MI MUERTE
HABRIA QUE SABERLO

Poemas e Música de Patxi Andión / Versões em Português de J. C. Ary dos Santos
Direcção Musical: Thilo Krasmann
Estúdios: Celada (Madrid) e Polysom (Lisboa) / Som: Pepe Fernandez e J. François Beaudet
Foto da Capa: M. Fiuza
1972 Movieplay


Destas 4 belas canções que integraram este EP de 1972, apenas o tema "Poeta desde lejos" foi reeditado, na versão portuguesa, na colectânea da Movieplay "ANTOLOGIA 1971-1977" do ano 2004.
Mais uma vez, uma parte importante do material discográfico de Tonicha fica por enquanto confinado ao vinil, enquanto se espera que as editoras apostem, invistam, na reedição destes temas. Ouvintes interessados há muitos, espalhados de norte a sul do país, e até no estrangeiro (incluindo na vizinha Espanha onde a carreira de Tonicha ainda é lembrada e seguida atentamente).

... clique no botão "Play"

PUEDO INVENTAR
(Letra e Música: Patxi Andión)
(Versão portuguesa: J. C. Ary dos Santos)

Posso cantar inventando
Que te deixaste ficar
Posso cantar inventando
O que eu quiser inventar.

Posso inventar-te encontrando
Por sobre as ondas do mar
Teus olhos que estão esperando
Que tu me vejas chegar.

Posso inventar um lugar
De onde te lance a voz
E ouvir-te murmurar:
"Quem está aqui somos nós".

Posso inventar-te chorando
Mesmo que o choro não venha
Posso inventar-te sonhando
Embora sonhos não tenha.

À voz da minha guitarra
Gostaria de mandar
Que se transforme em cigarra
E que deixe de chorar.

Que abafe a sua tristeza
E não me perturbe a voz
Hoje és mais meu do que nunca
Basto eu por sermos nós.

Hoje não é como era
Hoje serás como eu for
Posso inventar tua ausência
Posso inventar teu amor.

29 de março de 2010

20 VERSOS A MI MUERTE

POETA DESDE LEJOS
SINGLE, MOVIEPLAY, SN-20669



Em 1972, Tonicha assina um contrato com a Movieplay portuguesa para gravar quatro canções do cantautor espanhol Patxi Andión.
Em Portugal, é publicado o EP "4 CANÇÕES DE PATXI ANDIÓN", cantadas em português nas versões de José Carlos Ary dos Santos.
Em Espanha, publica-se o single que apresentamos, com duas canções em castelhano.

CARA A
20 VERSOS A MI MUERTE
(Letra e Música: Patxi Andión)

CARA B
POETA DESDE LEJOS
(Letra e Música: Patxi Andión)


Arreglos y Dirección: Thilo Krassman
Director de Producción: Rui Ressurreição
1972 Movieplay Portugal



... clique no botão "Play"

20 VERSOS A MI MUERTE
(Letra e Música: Patxi Andión)

Cuando me muera no quiero
Ni coronas de claveles
Ni ramos de lirios viejos
Que me flajelen los dedos

Quiero que el aire se estreche
Hasta que tropieze el eco
Quiero morirme despacio
Quiero morirme silbando

Quiero morirme descalzo
Quiero que me echen la tierra
Sin mimo y sin desconsuelo
Como quando se hace un hijo

Yo quiero sentir la tierra
Cubrirme toda la vida
Que se me escapa sin verla
Por un camino sin prisas

Quiero morirme de cerca
Quiero morirme hacia abajo
Quiero morirme deprisa
Quiero morirme cantando.

17 de março de 2010

MENINA

DO ALTO DA SERRA
SINGLE, MOVIEPLAY, SP 20.021



O single que apresentamos é a segunda edição lançada em Portugal do tema "Menina (do alto da serra)". A primeira foi em 1971 para a etiqueta Zip-Zip.
A Movieplay aproveitou o contrato que fez com Tonicha, para a gravação de "4 CANÇÕES DE PATXI ANDIÓN", para comprar à Zip-Zip os direitos destas duas canções que compõem o single.

"PRÉMIO TV DA CANÇÃO"
"MENINA: FLORES PARA TONICHA"
"TONICHA: UMA RECEPÇÃO À BENFICA"
"TONICHA RECEBIDA NO PORTO COM ENTUSIASMO E FLORES"
"TONICHA: a melhor presença portuguesa nos festivais da Eurovisão"

Estes são apenas alguns dos inúmeros títulos que ilustraram os jornais da época após a participação de Tonicha no Festival da Eurovisão. São estes mesmos recortes de imprensa que, brilhantemente, foram usados pela Movieplay na composição da capa deste single. A composição gráfica, invulgar para a época, ilustra o êxito da cantora e do tema que representou Portugal em Dublin.

FACE A
MENINA (do alto da serra)
(Letra: J.C.Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
Arranjos e Direcção de Orquestra: Augusto Algueró


FACE B
MULHER E FORÇA
(Letra: J.C.Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
Arranjos e Direcção de Orquestra: Thilo Krasmann




... clique no botão "Play"

MULHER E FORÇA
(Letra: J.C.Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Arranjos e Direcção de Orquestra: Thilo Krasmann)

Menina e moça me levaram duma rosa
Menina e moça me arrancaram dum jardim
Menina e moça não sabia qual a asa
Que podia voar dentro de mim.

Mulher e moça me encontrei e descobri
Mulher e moça de vermelho me vesti
Mulher e moça não sabia qual a força
Que podia crescer dentro de mim.

Menina e moça
Mulher e força.

Menina e moça me prenderam e cercaram
Mulher e moça me ofenderam e acordaram
Menina e moça me quiseram, me quiseram
Mulher e moça me levaram, me levaram.

Mulher com força me atacaram e disseram
Palavras duras das que os homens não quiseram
Mulher com força me apertaram, me esqueceram
Mas nunca me sonharam nem tiveram.

Menina e moça
Mulher e força.

7 de outubro de 2009

TONICHA

FOLCLORE
SINGLE, ZIP ZIP, 30071/S

Continuamos a apresentação da discografia de Tonicha.
Relembramos os nossos seguidores que os discos têm sido apresentados numa ordem cronológica, do mais recente para o mais antigo.
Hoje dedicamo-nos ao último single que Tonicha gravou para a editora Zip Zip: "Folclore".



LADO 1
MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pop. - arr. Pedro Osório)

LADO 2
RISCADINHO P'RA AVENTAIS
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pop. - arr. Pedro Osório)

Estes dois temas foram incluídos, posteriormente, na colectânea "AS DUAS FACES DE TONICHA" para a mesma etiqueta.
Em formato CD apenas podemos ouvir o segundo tema, na colectânea editada pela Movieplay, em 2004, "ANTOLOGIA 1971-1977".



MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pop. - arr. Pedro Osório)

Antoninho de Lisboa
Usa sapatos de salto
Desde a Sé à Madragoa
Nunca vi rapaz tão alto.

Ao passar, ao passar
Os rapazinhos
Tremeliques, canivetes
Não te deixes arrastar
Nos maus caminhos
Tem cautela, não te espetes.

Meu amor foi à cidade
Encontrou o Antoninho
Era um cravo de verdade
Mas agora é um cravinho.

Meu amor virou-me as costas
Quis-me dar a entender
As festinhas que ele gosta
Não lhas sei como fazer.

O orgulho não perdoa
Eu quero ficar solteira
Meu amor foi a Lisboa
E voltou doutra maneira.

14 de julho de 2008

TONICHA CANTA PATXI ANDION


FOTO CAPA: M. Fiuza

Este disco de 1972 apresenta as versões de José Carlos Ary dos Santos para "4 canções de Patxi Andion", com Direcção Musical do maestro Thilo Krassman.
Leia-se o interessante texto que Ary assina na contracapa:

"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um "caso" musical. Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse "caso" reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino.
Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Canto de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personificado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."


No interior do disco encontramos as letras das canções em castelhano e em português.



"20 versos a mi muerte"
(versão: Ary dos Santos)

Ai quando eu morrer não quero
Nem coroas de cravos velhos
Nem ramos de lirios secos
Que me flagelem os dedos.

Quero que o ar se recolha
Até que o eco tropece
Quero morrer devagar
E que a vida recomece.

Eu quero morrer descalça
Metida dentro da terra
Sem uma lágrima falsa
Como se um filho tivera.

Eu quero que a terra seja
O lençol da minha vida
À morte que se deseja
Porque não é despedida.

Destas 4 belas canções que integraram este EP de 1972, apenas o tema "Poeta desde lejos" foi reeditado, na versão portuguesa, na colectânea da Movieplay "ANTOLOGIA 1971-1977" do ano 2004.
Mais uma vez, uma parte importante do material discográfico de Tonicha fica por enquanto confinado ao vinil, enquanto se espera que as editoras apostem, invistam, na reedição destes temas. Ouvintes interessados há muitos, espalhados de norte a sul do país, e até no estrangeiro (incluindo na vizinha Espanha onde a carreira de Tonicha ainda é lembrada e seguida atentamente).

14 de junho de 2008

TONICHA : ANTOLOGIA 1971-1977



A propósito da edição de mais uma colectânea de Tonicha, Ema Pedrosa, que também seleccionou o repertório, escreve:

"Sem dúvida, este é um dos melhores discos portugueses publicados nos últimos anos, sejam colectâneas ou de originais. Simplesmente Tonicha em trinta das mais aplaudidas canções do seu repertório, tradicionais e de autor, registadas no auge da sua carreira.
De passos seguros se fez a sua merecida ascensão. Em discos e espectáculos com excepcional qualidade, e um repertório que ultrapassa 600 canções e 150 discos, Tonicha cantou os nossos melhores poetas e compositores, foi acompanhada pelos melhores músicos, teve os melhores instrumentistas e directores de orquestra.
(...) Tonicha é um caso raro de popularidade e qualidade, da aliança de uma boa voz à interpretação sentida e cuidada, à presença gentil, elegante e sóbria. É um cartaz de que o país se orgulha. Esta mulher-menina está no coração dos portugueses de todas as idades, pelo que é imperioso continuar a ouvi-la e re-conhecer, assim, umas boas mãos cheias do que de melhor se escreveu, cantou, gravou e editou, sob a assinatura de gente portuguesa."
Ema Pedrosa, 15/07/2004, in Tonicha Antologia 1971-1977, Movieplay



Esta antologia é editada pela Movieplay reunindo temas que Tonicha gravou para várias editoras.
São dois discos que incluem 30 canções. Entre elas surgem pérolas do nosso folclore como "Os bravos", "Ribeira cheia", "Minha mãe, minha mãe" ou "Charamba".
Integram também esta colecção temas de autor: a incontornável "Menina do alto da serra", "Contraluz", "Terras de Garcia Lorca", "Poeta desde lejos" (de Patxi Andión) e "Glória, glória, aleluia".



CD1
1 Menina do Alto da serra
2 A amendoeira
3 Batatinhas
4 Os bravos
5 Com um cravo na boca
6 Contraluz
7 Terras de Garcia Lorca
8 S. João
9 Malhão de Cinfães
10 Entrudo
11 Labuta, meu bem, labuta
12 Ribeira cheia
13 Fado
14 Riscadinho pra aventais
15 Senhor Padre Valentim



CD2
1 Glória, Glória, Aleleuia
2 Minha mãe, minha mãe
3 Milho verde
4 Poeta desde lejos
5 Simplesmente Maria
6 Charamba
7 Passarinho trigueiro
8 Malhão de Águeda
9 Menina Florentina
10 A moda da saia curta
11 Fadinho do pobre
12 Farrapeirinha
13 Vareira do mar
14 Vira do vinho
15 Chula de Viana


Selecção de Repertório e texto de Ema Pedrosa/Design Gráfico: Roda Dentada

TONICHA: PAROLE, PAROLE

MELHOR DOS MELHORES
CD, MOVIEPLAY, MM 37021


FOTO: A confirmar

A Movieplay editou uma série dedicada aos cantores portugueses intitulada "O MELHOR DOS MELHORES", em 1994. A Tonicha coube o número 21.
Esta compilação inclui temas gravados para as editoras anteriores à Polygram. À cabeça da lista, vem a "Menina (do alto da serra)". Há temas de folclore: "Entrudo", "Olhos pretos", "Milho verde", "Passarinho trigueiro" e "Farrapeirinha", por exemplo.
Há também a canção que a Tonicha cantou nas Olimpíadas da Canção de Atenas nos anos 70, "Poema Pena" com letra de Nuno Gomes dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes.
Está também no disco a canção do FESTIVAL RTP DA CANÇÃO de 1973, "A rapariga e o poeta". Há ainda outras canções de autores como Ary dos Santos, José Niza, Fernando Guerra e José Cid.



PAROLE, PAROLE
(Michaele - G. Gerrio / Versão: J. C. Ary dos Santos)

Engraçado, não sei que se passa comigo esta noite mas vejo-te como se fosse a primeira vez.
São só palavras
Sempre as palavras
Que nada dizem

Não sei como hei-de dizer-te, mas...
Só as palavras
... tu és o princípio e o fim da minha vida...
Palavras fáceis
Palavras frágeis
Que se desdizem
... meu amor de hoje, de amanhã
E contradizem
... de sempre...
Mas tudo acaba
Chegou o fim
Tudo me diz que dizes nada
Falando-me assim
És como a brisa que faz ondular os girassóis e rouba o perfume das rosas no seio do jardim.
Nem o mel
Nem as palavras doces
Às vezes não te consigo compreender...
Serão para mim
Mas podes bem dizê-las a quem chore
Os girassóis à noite no jardim
Eu deixo as palavras
À solta no vento
Perpassam por mim
Mas não ficam cá dentro.
Deixa dizer-te ainda uma palavra apenas...
Parole, parole, parole
Ouve-me...
Parole, parole, parole
Por favor...
Parole, parole, parole
Juro-te meu amor...
Parole, parole, parole, parole, parole
Apenas palavras
Lançadas ao vento.
É o meu destino falar-te, falar-te como se fosse pela primeira vez...
São só palavras
Sempre as palavras
Que repetias
Como eu gostava que me compreendesses...
Palavras sós
Que me ouvisses ao menos uma vez...
Palavras lindas
Palavras ocas
Que se soam falso.
Tu és o meu sonho proíbido...
Me fazem dó
A minha única razão, a minha última esperança...
Ninguém te cala
Na tua boca
Só a mentira é que me fala
Ai, deixa-me só.
A tua voz é a única música que faz dançar as estrelas no espaço...
Nem o mel
Nem as palavras doces

Se tu não existisses eu inventava-te, meu amor...
Serão para mim
Mas podes bem dizê-las a quem oiça
Os rouchinóis à noite no jardim
Eu deixo as palavras à solta no vento
Perpassam por mim
Mas não ficam cá dentro.

Deixa dizer-te ainda uma palavra só...
Parole, parole, parole
Ouve-me...
Parole, parole, parole
Por favor...
Parole, parole, parole
Juro-te meu amor...
Parole, parole, parole, parole, parole
Apenas palavras
E leva-as o vento.
És linda...
Parole, parole, parole
És linda...
Parole, parole, parole
És linda...
Parole, parole, parole, parole, parole
Apenas palavras
E leva-as o vento.




TONICHA: CANTA PATXI ANDIÓN

AS CANÇÕES DE Patxi Andión

Em 1972 grava canções (em espanhol e em português) de Patxi Andión.
As versões em português ficaram a cargo de Ary dos Santos.
São editados discos em Portugal e em Espanha.



FOTO CAPA: M. Fiuza

TONICHA: FALA DO HOMEM NASCIDO

LP, ORFEU, 1972
CD, MOVIEPLAY, 1998


Por iniciativa de José Niza a cantora participa, em 1972, no disco "Fala do Homem Nascido", uma opereta gravada para disco, com poemas de António Gedeão. Os cantores são Duarte Mendes, Carlos Mendes, Samuel e Tonicha.
Os arranjos e direcção de orquestra ficaram a cargo do maestro José Calvário e a produção é de José Niza.



1- ESTRELA DA MANHÃ
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
FALA DO HOMEM NASCIDO
Canta: Samuel
2- DESENCONTRO
Cantam: Samuel e Tonicha
3- TEMPO DE POESIA
Canta: Duarte Mendes
VIDRO CÔNCAVO
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
4- POEMA DA MALTA DAS NAUS
Canta: Samuel
LÁGRIMA DE PRETA
Canta: Duarte Mendes
5- POEMA DO FECHO ÉCLAIR
Canta: Duarte Mendes
6- CALÇADA DE CARRICHE
Canta: Carlos Mendes
7- POEMA DA AUTO-ESTRADA
Canta: Tonicha
8- POEMA DE PEDRA LIOZ
Canta: Samuel


As fotografias da capa original são da autoria de Álvaro João, para um arranjo gráfico de Beatriz Morais Alçada.

POEMA DA AUTO-ESTRADA
(Letra: António Gedeão/Música: José Niza)

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.

Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.

Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.

Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.

Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.