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5 de junho de 2011

TONICHA NO RIO DE JANEIRO


Hotel Glória de Copacabana, Rio de Janeiro, Outubro de 1971

FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO POPULAR
RIO DE JANEIRO
1971
PRÉMIO DA CRÍTICA


Em Outubro de 1971, Tonicha participou em mais um grande festival internacional. Depois da Eurovisão, em Dublin, e da Olimpíada da Canção em Atenas, a cantora foi até ao Brasil participar no Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro.
Defendeu a canção "Manhã clara" da dupla José Carlos Ary dos Santos (com um texto muito inspirado como era seu apanágio) e Nuno Nazareth Fernandes (que compôs uma bela partitura em crescendo, mas cheia de nuances e subtilezas sempre ao serviço do poema), brilhantemente orquestrada por Thilo Krassmann.
Com esta actuação a jovem Tonicha obteve o Prémio da Crítica.
"Manhã clara" teve grande impacto no festival sobretudo graças à letra da canção, bastante ousada para um país (ou dois, se contarmos com Portugal) que vivia sob forte ditadura.
E se há palavras, daquelas que Tonicha cantou no Rio, que melhor evocaram essa vontade de libertação foram com certeza: "E nunca mais/as nossas bocas/amordaçadas."

Lembram-se do refrão?

Por ti vou inventar
A manhã clara
De outras raízes
De outras verdades
De outros países
De outras cidades
De homens felizes.
Vou renegar
As coisas fáceis
As coisas vãs
As coisas fúteis.
E nunca mais, E nunca mais
Essas manhãs
Serão inúteis
Essas cidades
Serão vazias
Essas verdades
Ficarão frias
Essas janelas
Serão fechadas.
E nunca mais, E nunca mais
As nossas bocas
Amordaçadas.

11 de maio de 2011

TONICHA: ACTUAÇÃO EM ATENAS

IV OLIMPÍADA DA CANÇÃO
ATENAS - 1971


FOTO: Autor não identificado, Tonicha na IV Olimpíada da Canção,
Estádio Olímpico, Atenas, Julho de 1971

10 de maio de 2011

TONICHA EM ATENAS

IV OLIMPÍADA DA CANÇÃO
ATENAS - 1971

Plateia nº534, de 27 de Abril de 1971
Continuamos viagem pela carreira de Tonicha, desfiando as memórias dos anos 70, dando conta das suas andanças pelo mundo da canção no atarefado ano de 1971.
Entre 9 e 11 de Julho desse ano decorreu em Atenas aquele que era, então, o maior certame do velho continente: a "IV Olimpíada da Canção", que atrai anualmente, ao Estádio Olímpico da capital grega, 300 mil espectadores e intérpretes de melodias ligeiras de 50 países.
Nesta notícia ainda se fazia referência a José Carlos Ary dos Santos como autor do poema da canção que Tonicha ali tão bem defendeu. Ary recusou-se a fazer a letra para esse tema, dizendo que não escrevia para o país dos coronéis. A precisar de um letrista para a canção portuguesa, o autor da música, Nuno Nazareth Fernandes, pediu então ao Nuno Gomes dos Santos que fizesse a letra. Assim nasceu "Poema pena", uma fantástica canção, marco importante da discografia da artista. Diz-se que o José Carlos Ary dos Santos quando ouviu a canção afirmou: "Mas isto é meu!".
Em Atenas, Tonicha, perante um público de muitos milhares de espectadores, no estádio olímpico da cidade, conseguiu o 2º Prémio de Interpretação.
Augusto Algueró conquistou o 1º Prémio ex-aequo de Orquestração.