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4 de novembro de 2022

Tonicha por Jorge Mangorrinha

The Temple Bar, ao que me disseram o mais famoso da cidade e diariamente com música ao vivo, foi o meu primeiro ponto de visita no dia da chegada a Dublin. Depois da espera na fila, sentei-me e pedi a melhor cerveja local e uma sanduíche. E logo ouvi: "A "pint of Gat"!", como ali designam a Guiness. Na entrega do pedido, o funcionário saudou-me, mas logo soltou um "sorry", termo utilizado muito frequentemente na Irlanda, mesmo se não se fizer nada de errado. Enquanto estava saboreando o lanche e a ouvir o quarteto de música, a memória levou-me a meio século atrás, talvez impelido por aquela sonoridade de inspiração céltica. Em 1971, Portugal foi representado no Gaiety Theatre pela minha familiar Tonicha e pelos meus amigos Nuno Gomes dos Santos, corista, e Nuno Nazareth Fernandes, compositor e corista naquele palco. Tonicha apresentou-se em Dublin "de olhar sereno e de fato novo". Participar nesse certame poderia ter pelo menos a virtude de mostrar que Portugal não desejava continuar a estar orgulhosamente só. A "menina de corpo inteiro" alcançaria um nono lugar, a melhor classificação portuguesa até então: "Menina resistiu à geopolítica da canção", intitulou a revista "Rádio & Televisão" no rescaldo, nas palavras de uma outra minha amiga, a jornalista Lourdes Féria, que fez uma reportagem na capital irlandesa. Lembrei-me de que, na véspera do evento, se anunciou um protesto contra o dispêndio da verba necessária para a televisão irlandesa o organizar e, ainda, por a canção da casa ser defendida em inglês e não no gaélico da cultura céltica local. Soaram, também, protestos políticos, designadamente de associações feministas partidárias do controlo da natalidade, numa época de grandes tumultos no território britânico. Por seu turno, Ary dos Santos desdobrava-se em contactos e até ofereceu o seu capote alentejano a um irlandês, que saiu do hotel envergando-o, para surpresa da restante comitiva. O representante diplomático de Portugal, o embaixador António da Rocha Fontes, ofereceu a toda a comitiva portuguesa e seus convidados uma receção. A popularidade de que a canção estava a gozar entre o povo irlandês foi salientada nos ensaios, onde "Menina" foi muito aplaudida. A cantora portuguesa era procurada pelos jornalistas de todo o mundo, por causa da expectativa quanto à canção. A comitiva portuguesa era considerada a mais simpática e teve, pela primeira vez, um "attaché de presse". Tonicha aderira também à moda dos "hot-pants". No palco, exibiu um vestido criado por Ana Maravilhas, estampado em tons variados, verde, cor-de-rosa, laranja, vermelho, com um cinto em laço, um dos mais bonitos vestidos da noite, segundo os comentários em Dublin, sobressaindo sobre o fundo creme do cenário. Porém, a vitória coube ao Mónaco, com "um banco, uma árvore e uma rua", que remeteram para as recordações de infância. As mesmas que, neste bar, me trouxeram para junto de mim, virtualmente, aqueles meus amigos, até porque já há muito passou o "orgulhosamente sós" - "Give me a pint of Gat, please!" -, sendo que, no final da tarde, me senti "a whale of a time" e "happy out", de quão bom foi ter estado naquele bairro mágico de Dublin e até aprendido novas expressões tipicamente locais. https://www.dn.pt/edicao-do-dia/04-nov-2022/irlanda-a-pint-of-gat-please-15316780.html, consultado no dia 04-11-2022

27 de fevereiro de 2021

Tonicha por Maria Teresa Horta

 Maria Teresa Horta, figura ímpar das letras portuguesas, e que ganhou recentemente mais um prestigiado prémio literário, também escreveu sobre o VIII Grande Prémio TV da Canção -1971:

"Mais um Festival da Canção... por sinal até o melhor de todos. Pelo menos, três poemas de José Carlos Ary dos Santos é já uma garantia de qualidade a que estamos pouco habituados. Habituados estamos, infelizmente, às manifestações pouco educadas do nosso público... Mas a pateada de ontem, mais do que má educação, foi índice bem grave de ignorância: mais do que "falta de chá", foi bem significativo a determinar uma certa mentalidade... - José Carlos Ary dos Santos, ao subir ao palco, estava a ser vaiado... e é então que dá vontade de perguntar: mas afinal vale a pena? E é então que nos lembramos do ditado: "dar pérolas a porcos"...
O público queria Paulo de Carvalho. (...)
Porém, que maravilhosos foi ouvir "Cavalo à Solta"! (...)
Ganhou, porém, a "Menina", canção mais simples e capaz de ser imediatamente apreendida por um público mais vasto. Neste poema, José Carlos Ary dos Santos teve sobretudo a exigência da frescura, da transparência, da simplicidade, de gesto ainda impreciso e doce, de orvalho ou da terra: teve como que a exigência de uma ténue pele de mulher...
Se Ary dos Santos quis dar tudo isto, conseguiu: "Menina" é uma bonita canção que Tonicha (muito mais loura quando a canta) aprenderá a interpretar com maior rigor, à medida que melhor a vá sentindo no corpo, na boca, nos sentidos: subtil, roçagante, breve, um pouco secreta até, com algo e indeciso na textura, no tacto, no sorriso. - Depois de "Cavalo à Solta", a melhor canção é pois esta "Menina" - "com tranças de madrugada" -, feita de simplicidade e transparência. (...)"
Maria Teresa Horta, in Mundo da Canção.
Caricatura:
J. Rosa, in Restaurante Solar dos Presuntos, Lisboa.

11 de fevereiro de 2021

A "Menina (do Alto da Serra)" faz 50 anos!

 A "Menina (do Alto da Serra)" faz hoje 50 anos! Foi no dia 11 de Fevereiro de 1971, no Teatro Tivoli, que se sagrou vencedora no Festival RTP da Canção.



17 de janeiro de 2019

Ary deixou-nos há 35 anos


 (FOTO: Ary dos Santos, Tonicha e Nuno Nazareth Fernandes in Folheto do Turismo de Portugal, 1971)

Faz dia 18 de Janeiro 35 anos que José Carlos Ary dos Santos morreu.
Lembramo-lo da melhor forma que um poeta como Ary pode ser lembrado: nas canções que escreveu e que andaram sempre na boca do povo, pela voz de cantores como a nossa Tonicha.

Já em 1972, na contracapa do EP "4 canções de Patxi Andión", Ary escreveu:

"Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas [Patxi] canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Canto de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personificado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."

Fazemos aqui uma viagem pelas canções que marcaram a colaboração entre Ary dos Santos e Tonicha e que ficaram eternizadas em disco:

1971
Menina
Niña
Bergère
Mulher e força
Manhã clara

1972
Puedo inventar (versão portuguesa)
Poeta desde lejos (versão portuguesa)
20 versos a mi muerte (versão portuguesa)
Habria que saberlo (versão portuguesa)
Parole, parole (versão portuguesa)
Simplesmente Maria (versão portuguesa)

1973
Com um cravo na boca
Rosa Rosae
Batatinhas
Senhor padre Valentim
Vira do vinho
Labuta, meu bem, labuta

1974
 Portugal ressuscitado
Canção combate
Obrigado soldadinho
Já chegou a liberdade
O preto no branco
Tanto me faz
Canto da Primavera
Os novos pobres
Meu amor foi a Lisboa
Riscadinho p'ra aventais
A voz do meu povo
Em Lisboa
O cacau (da Ribeira)
Vira da madrugada
Trovas do Carmo

1975
Terras de Garcia Lorca
País irmão
O povo em marcha
Soneto do trabalho
Bandeira da vitória (colaboração)
Cantaremos/Lutaremos (colaboração)
Barqueiros do povo
Serrana povo
Compadre partidário
Isto agora ou vai ou racha
A moda da saia curta

1976
O menino
Um grande amor

1993
O mercado

1997
Cavalo de palavras (co-autoria: Joaquim Pessoa)

24 de junho de 2018

Tonicha - A Festa das Canções II
















"1971. Mais uma "Menina" oriunda do Centro de preparação de Artistas da Rádio, Tonicha (n. 1946) tinha-se estreado ainda adolescente, gravando pela primeira vez para a colectânea Christmas in Portugal, de 1964. A estreia a solo chega no ano seguinte, pela editora Telectra, com o EP Luar para Esta Noite, dirigido por Jorge Costa Pinto. Em 1966 e 1967, vence o Festival da Canção Portuguesa da Figueira da Foz, com Boca de Amora e A Tua Canção Avozinha, mas o seu reportório está em constante mutação. Grava  então canções de Pedro Jordão (chegando a ficar em 2.º lugar no Festival de 1968) e de José Cid, neste caso ao longo de três discos, entre 1968 e 1970, mostrando que a inovação podia coexistir com a apropriação de canções tradicionais, que Tonicha também popularizou. De Dublin, onde se realizou a Eurovisão em 1971, a cantora traz um 9.º lugar, a primeira de dez vezes que Portugal entra no top 10 - neste ano em que a inspiração de Nuno Nazareth Fernandes se virou para os lados mais folk, sempre magistralmente servido pelas palavras de Ary dos Santos."
in dvd Festival RTP da Canção, 1964-1988, A Festa das Canções, pp. 20-21

21 de maio de 2018

6 de maio de 2018

Tonicha na capa da Revista "Domingo" do "Correio da Manhã"

O Correio da Manhã do dia da mãe, 06-05-2018, apresenta, na revista "Domingo", um artigo intitulado "Onde Estão os Vencedores do Festival", da autoria dos jornalistas Vanessa Fidalgo e Miguel Balança. Na capa, aparece a nossa Tonicha em Dublin com o quadro de votação dos jornalistas europeus, antes da final do Festival da Eurovisão 1971.


2 de maio de 2018

9 de abril de 2011

TONICHA: 5º LUGAR NA EUROVISÃO

RESULTADO DO JÚRI COM MAIS DE 25 ANOS

A nossa já muito conhecida, e infelizmente extinta, revista Plateia que acompanhou sempre com muito interesse os festivais da Eurovisão publicou, em Abril de 1971, os resultados da votação do júri desse ano.
Divididos em dois grupos (com mais de 25 anos e menos de 25 anos), é curioso ver a pontuação que Tonicha obteve na sua passagem por Dublin, na Irlanda. Diz o artigo da revista:

Não somos, e os nossos leitores sabem-no bem, muito dados a estatísticas, mas como gostamos de servir bem quem nos prefere aqui deixamos os números eloquentes da votação de forma a que se aprenda e estude a lição para futuras aventuras.
Como sabem este ano o júri era composto por dois elementos enviados por cada país, um com menos de 25 anos - limite 18 anos e outro com mais de 25 - limite 60 anos. Esse facto deu-nos a conhecer que entre as 18 canções, em apenas 6 casos estiveram de acordo na classificação parcial.
Pela tabela que publicamos encontrarão as diferenças de critério aceitáveis se nos lembrarmos que duas gerações estavam votando o mesmo tema.
A nossa canção obteve um brilhante 5º lugar na classificação dos jurados com mais de 25 anos, enquanto os mais jovens lhe atribuíram um 11º lugar.

Meditar e tentar servir gregos e troianos eis o que temos de fazer para não deixarmos cair uma posição que finalmente conseguimos.

















Tonicha durante os ensaios em Dublin, Plateia nº 532, de 13 de Abril de 1971, p.27

5 de fevereiro de 2011

TONICHA: A MENINA FAZ 40 ANOS


FOTO: Nuno Nazareth Fernandes à viola e Tonicha na voz,
Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.30

A 11 de Fevereiro de 1971, a partir do Teatro Tivoli em Lisboa, a "Menina do Alto da Serra" deu-se a conhecer aos portugueses. Pela voz cristalina de Tonicha, foi amor à primeira audição.
Faz este ano 40 anos!


FOTO: José Fialho Gouveia entrevista Tonicha, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

A televisão mostrou muita coisa do Festival da Canção. Mas não mostrou tudo, tudo, tudo. Coisas houve que escaparam às câmaras. Outras aos microfones.
Estas duas páginas que apresentamos hoje são da revista Plateia que acompanhou a festa que a editora Zip-Zip organizou para comemorar a vitória.


FOTO: Tonicha com João Paulo Guerra, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

Temos muita pena de o Zip não nos ter convidado para a ceia que se seguiu ao Festival. Pelas fotos, verificamos que esteve bem animada.


FOTO: Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, pp.30 e 31

Nuno Nazareth Fernandes: Chegamos a 71 e fazemos a "Menina" que é uma canção a pensar numa revanche da "Canção de Madrugar".
Sob o ponto de vista musical eu estava nessa altura muito influenciado pela música andina, ia muito a Paris e trazia discos e mais discos do Peru, do Chile, da Colômbia, e acho que isso se reflecte claramente na "Menina". A maqueta que enviámos para a RTP, gravada na Nacional Filmes, até tinha uma flauta de bisel para se procurar aquela sonoridade das flautas dos andes.
A "Menina" ganhou, mas é preciso dizer que, a meu ver, isso se ficou a dever muito mais a uma grande operação de marketing do que a qualquer outra coisa. A verdade é que todos nós, eu, o Zé Carlos, a gente do Zip, resolvemos fazer com a "Menina" exactamente o contrário do que se tinha feito com a "Canção de Madrugar". Tínhamos pela frente concorrentes com muita força, apoiados por editoras fortes e aí fizemos uma campanha, uma promoção enorme. Começou-se por fazer uma outra canção, "Mulher", que a Tonicha gravou e que, no fundo, revelava um bocado a Menina, a começar pelo aproveitamento que o José Carlos fez da "Menina e Moça" do Bernardim Ribeiro. A divulgação da "Mulher" criou uma enorme expectativa, até porque se fez constar que era a canção concorrente o que era proíbido, etc., etc. Aliás, acho que a "Mulher", como canção, até era melhor que a "Menina". Depois foram os cartazes, o cuidado todo com o visual da Tonicha e tudo mais. (...)
in José Carlos Ary dos Santos, As palavras das cantigas, Lisboa, Edições Avante, 1989


Disco promoção da participação de Tonicha no Festival da Canção com o tema "Mulher".

Este envelope, ou esta capa, contém um disco de 45 rotações gravado por uma das vozes que irão defender o reportório das etiquetas Zip no VIII Grande Prémio TV da Canção Portuguesa.
Claro que as canções não são as do Grande Prémio. Mas até são "giras" e dão-lhe uma ideia da capacidade de quem as canta.
Esperamos que goste e que esteja atento no dia 11 de Fevereiro.



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RAGAZZA DELLA CAMPAGNA
(Letra: José Carlos Ary dos Santos)
(Versão: Cristiano Minellono)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Arranjo e Direcção: Augusto Algueró)

19 de janeiro de 2011

TONICHA EM DUBLIN 1971

A CANTORA FEZ A PROMOÇÃO DE MENINA
DO ALTO DA SERRA EM VÁRIOS PAÍSES EUROPEUS

Continuamos pelo ano de 1971 a mostrar o que de muito se publicou a propósito da representação portuguesa em Dublin, com o célebre tema "Menina" pela voz de Tonicha.
Um dos números desse ano da extinta revista Plateia fez questão de desejar felicidades à cantora, num artigo que dava conta da promoção do tema em vários países europeus.
Dizia o artigo:

Tonicha fez a promoção de "Menina do Alto da Serra" por vários países europeus.
Estamos a três dias da Grande Gala europeia da canção ligeira que é o grande prémio Eurovisão e "Plateia" não podia deixar de desejar à representante portuguesa o maior êxito, no certame.
Para já, não queremos deixar de referir que, desta feita, se olhou já um pouco pela promoção da nossa canção que Tonicha foi apresentar, pessoalmente, em alguns países europeus, nomeadamente Espanha e Alemanha, onde fez em Berlim um programa de TV no dia 24 e outro de rádio em 26.
Também para Karina - a representante espanhola - que esteve presente, como atracção, no espectáculo do Tivoli, onde "Menina do Alto da Serra" mereceu a honra de ser escolhida para defender a música portuguesa - "Plateia" augura as melhores felicidades. E que, se não ganhar Tonicha - o que nos parece difícil - que seja a cançonetista da pátria irmã a vencer, para prestígio da Península Ibérica.


in Revista Plateia, 1971

11 de outubro de 2010

TONICHA

MENINA NIÑA
BERGÈRE COUNTRY GIRL
EP PROMOÇÃO (PROM 004/E), ZIP-ZIP, ZIP 30014/S



Durante o tempo que decorreu entre o Festival da RTP da Canção em Lisboa e o Festival da Eurovisão em Dublin, a editora de Tonicha, a Zip-Zip, apostou forte na divulgação da "Menina" por essa Europa fora. Para isso, foram editados vários discos com a canção original, mas também com versões nas quatro línguas mais populares: inglês, francês, espanhol e italiano.
O EP que hoje apresentamos, da editora Zip-Zip, para além do original em português tem mais três versões: em espanhol, francês e inglês. A belíssima versão italiana mereceu uma edição própria, de que oportunamente aqui daremos conta.

LADO A
MENINA (DO ALTO DA SERRA)
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
NIÑA
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)

LADO B
BERGÈRE
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version française: J. C. Ary dos Santos)
COUNTRY GIRL
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(English version: John Hampton)




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BERGÈRE
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version française: J. C. Ary dos Santos)

Bergère jolie bergère
Au regard le clair matin
Offrant tes seins de lumière
Dans la paume de tes mains.

Bergère jolie bergère
Aux senteurs de romarin
Bergère jolie bergère
Vont le corps est le parfum.

Bergère jolie bergère
Tu parfumes les chemins
Buttinant dans les bruyères
Telle un merle baladin.

Bergère jolie bergère
A petits pas de lutin
Bergère jolie bergère
Sautillant les serpentins.

Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.

Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.

Bergère jolie bergère
En tissant les lendemains
Bergère jolie bergère
Tu façonnes le destin.

Bergère jolie bergère
Rose rouge sans chagrin
Bergère jolie bergère
Force d'une aube sans frein.

Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.

Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.

Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.


... clique no botão "Play"

COUNTRY GIRL
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(English version: John Hampton)

Country girl, you're on display
As you stroll at early dawn.
Yours breasts so small, and gay
Tightly in your bodice drawn.

Country girls smelling of hay
On an early summer morn.

Country girl, you look your best
When along the lane you walk
With eyes like a feathered nest
Built by thrush but not by hawk.

And a stream around your waist
Country girl, I wish you'd talk.

Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.

Country girl, please never cry.
Be to me my sap of pine.
Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.

Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn
As thread with steps so light
Long before the day is born.

Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn.

Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.

Country girl, who always shows
Such contempt for all my pleas
You gaze like a briar rose
Or a breath of mountain breeze.

Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.

9 de outubro de 2010

MENINA

CONSCIENTE DAS RESPONSABILIDADES
DE UM FESTIVAL


Continuamos a nossa viagem pelo ano de 1971, a descortinar o que a imprensa da época relatou sobre a passagem de Tonicha pelo Festival RTP da Canção.
A Plateia, uma das mais conhecidas revistas dedicadas ao mundo do espectáculo nos anos 60 e 70, dedicou na sua edição de 2 de Fevereiro um artigo com uma entrevista da cantora.


in Revista Plateia nº 522, 2 de Fevereiro de 1971, p.50

«Durante os sete anos que dura já a sua carreira, Tonicha soube marcar uma posição bem firme no mundo da música portuguesa e tornar-se querida e apreciada pelo público, a ponto de ter sido, no passado ano de 1970, a artista portuguesa que mais discos vendeu. É portanto com uma expectativa aguçada pela audição de "Mulher", de José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, que se aguarda a canção, dos mesmos autores, que Tonicha cantará no Festival: "Menina".
Tonicha participara no Festival de 68 com duas canções: "Fui ter com a madrugada" e "Calendário", ficando em 2º lugar. Depois, não mais acedera a defender uma canção, apesar de todos os anos lhe serem propostas várias com vista ao Festival. Mas quando este ano a RTP decidiu novamente mandar um vencedor ao Festival da Eurovisão, depois de terem sido introduzidas no sistema de votação antigo (que, afinal, é idêntico ao que a própria RTP, que protestou, continua a adoptar) diversas e importantes modificações, Tonicha decidiu-se.
Com uma carreira europeia já muito bem iniciada (ainda em Dezembro esteve em Dusseldorfe, Bruxelas e Luxemburgo e prepara-se já para ir a Split, na Jugoslávia e Bucareste, na Roménia) a ida como representante de Portugal ao Euro-Festival seria o passo decisivo para a internacionalização.
- O Ary e o Nuno fizeram a canção para mim e eu... apaixonei-me por ela. Numa entrevista recentemente publicada puseram na minha boca palavras que, de modo algum, exprimem a minha opinião em relação a "Menina": "A música é lírica, é simples como um poema". Considero, isso sim, o poema de extremo lirismo e de uma pureza e simplicidade bem portuguesas. O próprio Ary dos Santos o classifica como um dos melhores, se não o melhor que escreveu para ser cantado, pensando mesmo inclui-lo no seu próximo livro. Quanto à música, é suave e muito bem adaptada às palavras. Nunca também, como se refere na mesma entrevista, fiz distinções entre canções "lentas" ou "pop", pois uma canção lenta pode perfeitamente ser "pop".



Muito se tem falado e discutido o caso de Tonicha ter chamado o maestro espanhol Algueró para orquestrar "Menina". Diz ela:
- Se todos os anos em que temos participado no Festival da Eurovisão se proclama que o que nos prejudica é a orquestração antiquada e infeliz das nossas canções, não creio que exista nada que me possa impedir de recorrer a um orquestrador com méritos provados e cujos serviços a Espanha não reclamou este ano. Para o próprio "Vivo cantando", que Algueró acabou por orquestrar o ano passado, a muito poucos dias do festival, tinham sido pedidas orquestrações primeiro a um inglês e depois a um francês e só não foi uma dessas a escolhida por não terem agradado.
Algueró, grande senhor do mundo da canção, só aceitou fazer a orquestração depois de ouvir a canção cantada por mim. Para isso me desloquei a Madrid com o Nuno Nazareth Fernandes... e Algueró aceitou!
Quando os nossos maestros aprenderem a actualizar-se e a ir ao encontro das ideias e dos gostos dos novos, em vez de apenas os criticarem, então talvez tenham o direito de falar por eu ou qualquer outro artista recorrermos a orquestradores estrangeiros. Por agora, infelizmente, não.



Embora internacionalmente e mesmo em Portugal, Tonicha seja mais conhecida cantando folclore, é como cançonetista romântica que no próximo dia 11 ela incarnará, para milhares de portugueses, essa "Menina" talvez tão loira como ela. Para ganhar? Quem pode sabê-lo antes do dia 11? Fazendo tudo para isso, sem necessidade de recorrer a propagandas pagas? Isso, sem dúvida nenhuma, mas com plena consciência da responsabilidade que lhe pesa sobre os ombros. Convidada a comparecer no "Curto-Circuito" a realizar no dia 30 de Janeiro, Tonicha recusou por não achar que dispunha de tempo para preparar convenientemente a sua apresentação.
Boa sorte rumo à Europa, "Menina" de narizinho arrebitado e cabelos de sol.»
in Revista Plateia nº 522, 2 de Fevereiro de 1971, p.50

9 de setembro de 2010

FESTIVAL RTP DA CANÇÃO

1971 OS TRÊS VENCEDORES

A vitória de Tonicha no Festival RTP da Canção de 1971 foi amplamente noticiada na imprensa da época. A extinta revista de espectáculos "Plateia", da Agência Portuguesa de Revistas, foi um dos títulos que lhe deu destaque. Na página que hoje partilhamos, a revista apresenta, em jeito de pódio, as três canções mais votadas, ilustrada com as respectivas letras e fotos dos intérpretes.


in Revista Plateia nº 526, 2 de Março de 1971, p.23

1 de setembro de 2010

TONICHA VENCE COM "MENINA"

A ENTREGA DO TROFÉU


in Revista Plateia, 1971

31 de agosto de 2010

MENINA DO ALTO DA SERRA

8º FESTIVAL RTP DA CANÇÃO



No ano de 1971 a RTP transmitia o oitavo Festival da Canção, a partir do Teatro Tivoli em Lisboa. Nesse festival, de que muito se escreveu na imprensa da época, participava pela segunda vez Tonicha, a jovem cantora alentejana, com o inesquecível tema da dupla Ary/Nazareth Fernandes, "Menina do Alto da Serra".




A sua actuação conseguiu-lhe a vitória e o passaporte para representar Portugal no Festival da Eurovisão, que decorreria na cidade de Dublin.
Na imagem, Tonicha recebe o 1º prémio.


Agradecimento: Site "Festivais RTP"

Também a imprensa da época deu destaque ao evento, assinalando a vitória de Tonicha no Festival. A extinta publicação "Flama" publicou uma reportagem a propósito da partida da cantora para Dublin, para onde também seguiram os enviados da revista que fariam a cobertura da Eurovisão.


in Revista Flama, 2 de Abril de 1971
FOTO: A. Xavier

5 de agosto de 2010

MENINA

DO ALTO DA SERRA O VIDEOCLIP

Com um leve sabor a férias e enquanto não regressamos à capital, aqui deixamos algumas imagens extraídas do célebre videoclip de Tonicha rodado para o tema "Menina", realizado por Augusto Cabrita. Este foi o vídeo de divulgação da cantiga que Tonicha iria cantar na Eurovisão.












Para poder assistir ao vídeo na íntegra, clique aqui.
Agradecimento: Site "Festivais RTP"

5 de junho de 2010

FESTIVAL DA EUROVISÃO 1971

DUBLIN
OS BASTIDORES




Concluimos a viagem por Dublin, apresentando estas imagens captadas imediatamente antes de Tonicha entrar no palco da Eurovisão.
Estávamos no sábado 3 de Abril de 1971, no Gaiety Theatre da capital irlandesa. A Irlanda organizava pela primeira vez o Eurofestival. Portugal regressava aos palcos da Eurovisão (bem como a Finlândia, a Noruega e a Suécia) depois de um ano de ausência, contribuindo assim para que o número de países concorrentes voltasse a ser 18.





Depois, foi o que já se conhece...



Numa classificação em que não foi atribuído o 7º lugar, em virtude de ter havido dois países em 6º lugar (a Suécia e a Holanda com 85 pontos), Tonicha conseguiu classificar-se em 9º lugar com 83 pontos. Saiba mais aqui.

À chegada ao aeroporto da Portela, a recepção à cantora foi esta:



MENINA
FEITA SENHORA DA CANÇÃO EUROPEIA


Regressou a Tonicha!
Regressou a Tonicha, de braço dado com a "Menina" que em Dublin conquistou para Portugal a melhor classificação de sempre em festivais da Eurovisão.


Foi com estas palavras que abria o artigo da extinta revista Plateia que noticiava a chegada de Tonicha ao aeroporto da Portela, vinda de Dublin.


in Revista Plateia nº 523, 13 de Abril de 1971, p.47

27 de maio de 2010

FESTIVAL DA EUROVISÃO 1971

DUBLIN
OS ENSAIOS


Depois de mostrarmos a sua chegada ao aeroporto de Dublin, continuamos hoje a recordar a passagem de Tonicha pelo palco da Eurovisão.



A série de imagens que hoje partilhamos referem-se aos ensaios da canção "Menina do Alto da Serra". Pela roupa que Tonicha tem vestida, somos levados a crer que houve pelo menos dois ensaios.