Artur Garcia: 1937-2021
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21 de abril de 2021
18 de dezembro de 2019
Recordar Patxi Andión (1947-2019)
Morreu Patxi Andión, um dos maiores cantautores espanhóis, que várias vezes visitou e actuou em Portugal.
Em jeito de homenagem recordamos a colaboração com Tonicha.
O ano era o de 1972. Tonicha gravou um EP chamado "4 Canções de Patxi Andión", um vinil que continha, no lado A, "Puedo inventar" e "Poeta desde lejos" e, no lado B, "20 versos a mi muerte" e "Habria que saberlo".
Nesse mesmo ano, em Espanha, Tonicha editou o single "Poeta desde lejos"/"20 versos a mi muerte", na versão original. Ambos os discos foram editados pela Movieplay. A adaptação dos poemas para português ficou a cargo de Ary dos Santos e a direcção musical do maestro Thilo Krassman.
João Maria Viegas, marido e manager da cantora, contou-nos que Patxi, perseguido pela Pide e proibido de entrar em Portugal, tinha de vir a Lisboa às escondidas acompanhar as gravações de Tonicha.
Anos mais tarde, corria o ano de 1994, Tonicha confidenciou, no popular programa "Parabéns" da RTP apresentado por Herman José, que, uns meses após a gravação do disco, Patxi telefonou-lhe a pedir autorização para ele próprio gravar essas canções. Comentou então a cantora: "Incrível, ele que era o autor ia pedir-me autorização a mim...".
Num dos últimos concertos que Patxi Andión fez em Lisboa, no Cinema São Jorge, fomos aos bastidores e ele recebeu-nos. De forma muito simpática. Falámos-lhe deste blogue, do projecto de uma fotobiografia da cantora que estava a ser preparado e oferecemos-lhe o CD de Tonicha "Antologia 1971-1977", uma colectânea da Movieplay. Trata-se do único CD que contém uma destas 4 belíssimas canções de Patxi Andión que Tonicha gravou, "Poeta desde lejos".
Na contracapa do EP "4 Canções de Patxi Andión" (que no interior traz as letras em castelhano e em português), num texto assinado por Ary dos Santos, o poeta português referia-se a Patxi Andión desta forma:
"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um 'caso' musical. Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse 'caso' reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino. (...)".
20 versos a mi muerte
(versão: Ary dos Santos)
Ai quando eu morrer não quero
Nem coroas de cravos velhos
Nem ramos de lirios secos
Que me flagelem os dedos.
Quero que o ar se recolha
Até que o eco tropece
Quero morrer devagar
E que a vida recomece.
Eu quero morrer descalça
Metida dentro da terra
Sem uma lágrima falsa
Como se um filho tivera.
Eu quero que a terra seja
O lençol da minha vida
À morte que se deseja
Porque não é despedida.
Em jeito de homenagem recordamos a colaboração com Tonicha.
O ano era o de 1972. Tonicha gravou um EP chamado "4 Canções de Patxi Andión", um vinil que continha, no lado A, "Puedo inventar" e "Poeta desde lejos" e, no lado B, "20 versos a mi muerte" e "Habria que saberlo".
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| FOTO CAPA: M. Fiuza |
Nesse mesmo ano, em Espanha, Tonicha editou o single "Poeta desde lejos"/"20 versos a mi muerte", na versão original. Ambos os discos foram editados pela Movieplay. A adaptação dos poemas para português ficou a cargo de Ary dos Santos e a direcção musical do maestro Thilo Krassman.
João Maria Viegas, marido e manager da cantora, contou-nos que Patxi, perseguido pela Pide e proibido de entrar em Portugal, tinha de vir a Lisboa às escondidas acompanhar as gravações de Tonicha.
Anos mais tarde, corria o ano de 1994, Tonicha confidenciou, no popular programa "Parabéns" da RTP apresentado por Herman José, que, uns meses após a gravação do disco, Patxi telefonou-lhe a pedir autorização para ele próprio gravar essas canções. Comentou então a cantora: "Incrível, ele que era o autor ia pedir-me autorização a mim...".
Num dos últimos concertos que Patxi Andión fez em Lisboa, no Cinema São Jorge, fomos aos bastidores e ele recebeu-nos. De forma muito simpática. Falámos-lhe deste blogue, do projecto de uma fotobiografia da cantora que estava a ser preparado e oferecemos-lhe o CD de Tonicha "Antologia 1971-1977", uma colectânea da Movieplay. Trata-se do único CD que contém uma destas 4 belíssimas canções de Patxi Andión que Tonicha gravou, "Poeta desde lejos".
Na contracapa do EP "4 Canções de Patxi Andión" (que no interior traz as letras em castelhano e em português), num texto assinado por Ary dos Santos, o poeta português referia-se a Patxi Andión desta forma:
"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um 'caso' musical. Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse 'caso' reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino. (...)".
20 versos a mi muerte
(versão: Ary dos Santos)
Ai quando eu morrer não quero
Nem coroas de cravos velhos
Nem ramos de lirios secos
Que me flagelem os dedos.
Quero que o ar se recolha
Até que o eco tropece
Quero morrer devagar
E que a vida recomece.
Eu quero morrer descalça
Metida dentro da terra
Sem uma lágrima falsa
Como se um filho tivera.
Eu quero que a terra seja
O lençol da minha vida
À morte que se deseja
Porque não é despedida.
Arquivadores de memórias:
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28 de agosto de 2013
João Maria Viegas
Salvaterra de Magos, 1930 - Lisboa, 2013
João Maria Viegas, um ribatejano apaixonado pela música tradicional do nosso país, conheceu Tonicha ainda nos anos sessenta, quando, por intermédio de um outro cantor, colega de Tonicha, a convidou para ir a Santarém, ao seu programa “Onda Matinal” da Rádio Ribatejo. A partir daí já não se separaram. Tonicha gravava para a etiqueta RCA e João Viegas foi para lá trabalhar como A. R. da editora, responsável pelos repertórios dos artistas portugueses. Foi ele que incentivou Tonicha a gravar a música tradicional portuguesa. Não foi à primeira tentativa que Tonicha aceitou. Mas assim que a cantora se dispôs a esse repertório, João Viegas, que em breve seria seu companheiro de uma vida inteira, proporcionou-lhe um dos seus primeiros grandes êxitos, recolhido no cancioneiro de Alves Redol: “Vira dos Malmequeres”, que já faz parte do imaginário popular português. A este EP (disco de 4 temas), de 1969, seguiram-se mais alguns êxitos retumbantes: “Maria Rita”, “Primavera das Lindas Flores”, “Com que Letra se Escreve Maria”, “Resineiro” ou “Senhora do Almortão” (estes recomendados por José Afonso).
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Foto gentilmente cedida por Tonicha.
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João Maria Viegas, um ribatejano apaixonado pela música tradicional do nosso país, conheceu Tonicha ainda nos anos sessenta, quando, por intermédio de um outro cantor, colega de Tonicha, a convidou para ir a Santarém, ao seu programa “Onda Matinal” da Rádio Ribatejo. A partir daí já não se separaram. Tonicha gravava para a etiqueta RCA e João Viegas foi para lá trabalhar como A. R. da editora, responsável pelos repertórios dos artistas portugueses. Foi ele que incentivou Tonicha a gravar a música tradicional portuguesa. Não foi à primeira tentativa que Tonicha aceitou. Mas assim que a cantora se dispôs a esse repertório, João Viegas, que em breve seria seu companheiro de uma vida inteira, proporcionou-lhe um dos seus primeiros grandes êxitos, recolhido no cancioneiro de Alves Redol: “Vira dos Malmequeres”, que já faz parte do imaginário popular português. A este EP (disco de 4 temas), de 1969, seguiram-se mais alguns êxitos retumbantes: “Maria Rita”, “Primavera das Lindas Flores”, “Com que Letra se Escreve Maria”, “Resineiro” ou “Senhora do Almortão” (estes recomendados por José Afonso).
Já nos finais dos anos 70, João Viegas recolhe, para Tonicha, alguns temas populares que ouvira cantar a alguns dos melhores ranchos folclóricos de Portugal. Adapta ou recria as letras e mantém as músicas tradicionais. Nascem assim alguns dos temas mais populares de
Tonicha: “Tu és o Zé que fumas”, “Pestotira”, “Zumba na caneca”, “O Chico Pinguinhas”, “Sericotalho, bacalhau, azeite e alho”, entres muitos outros. Tonicha e João Viegas abrem, nos anos oitenta, no Ribatejo, o restaurante “Páteo d’Almeirim” e, durante alguns anos, Tonicha apenas canta aí, para os clientes do restaurante, muitos
dos quais, grandes grupos que vinham de todo o país, mas principalmente do norte, região que Tonicha também muito cantou.
Em 1993, Tonicha volta à ribalta e lança o seu primeiro cd de originais, “Regresso”, que esteve nos tops nacionais, vendendo milhares de cópias. Para este disco, João Viegas escreveu algumas letras que deu a musicar a grandes compositores: Nuno Nazareth
Fernandes, Rao Kyao ou Luís Pedro Fonseca.
Os temas que propomos ouvir e que pretendem prestar homenagem a este homem que acompanhou e dirigiu a carreira de Tonicha quase desde o início pertencem a esse cd -"Regresso": “O que é que eu faço?”, "Minha Terra de Agosto Desejado", "Chula", "Uma Rosa por Amor" e "Sou como a cigarra".
João Maria Viegas: Salvaterra de Magos, 1930 – Lisboa, 2013.
Paz à sua alma!
Cantemo-lo na voz da sua eterna “Menina”, Tonicha.
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Nuno Nazareth Fernandes,
Obituário,
Rão Kyao



