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6 de dezembro de 2011

JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

75 ANOS - 7 DE DEZEMBRO


FOTO: gentilmente cedida por Tonicha

Lembramos Ary no mês do seu nascimento - faria 75 anos no dia 7 de dezembro de 2011.
Continua na nossa memória e na nossa voz quando o cantamos.
Recordemo-lo a gritar a sua adorada revolução na canção que Mário Castrim e Nuno Nazareth Fernandes compuseram e que Tonicha canta com Ary: "Bandeira da Vitória".

Cantemos com eles, aqui.


Canções de Abril, Discófilo, 1975

25 de abril de 2010

CANÇÕES DE ABRIL

CRAVOS DA MADRUGADA
SINGLE, DISCÓFILO 1001/S


FOTO: Carlos Gil / CAPA: Nuno Nazareth Fernandes

FACE A
O POVO EM MARCHA
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: Braga Santos)

FACE B
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)




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CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)

Quando o povo ergueu a sua voz
Para deixar de ser escravo
O sol nasceu e brilhou para nós
E tinha a forma de um cravo.

Era ainda madrugada
E já um cravo dizia
Que na ponta da espingarda
Era tempo de ser dia.

REFRÃO (2x)
Eram cravos cravos cravos
Eram cravos mais de mil
Eram punhos levantados
Do povo no mês de Abril.

O cravo exigiu salário
Para se tornar português
Alex deu sangue operário
Catarina o camponês.

Aperta um cravo na mão
Carne viva cravo novo
Defende-o bem, capitão
Defende-o capitão-povo.

NOTA: Pode encontrar informação mais detalhada sobre este trabalho aqui e aqui.

6 de maio de 2009

O POVO EM MARCHA

CRAVOS DA MADRUGADA
SINGLE, DISCÓFILO 1001/S



A propósito do lançamento deste single, escreveu BERNARDO SANTARENO, o grande dramaturgo contemporâneo português:

"Neste disco Tonicha canta dois belos poemas de Ary dos Santos e de Mário Castrim. Dois poemas que estão com (e dentro) da Revolução. Revolução em que eles e eu acreditamos.
O poema de Ary dá as palavras para uma marcha - a marcha nova do Povo Português - em que se pretende (e consegue) desfazer em farrapos a imagem estereotipada e falsa "para estrangeiro ouvir e ver", que o antigo S.N.I. dava do povo dos bairros de Lisboa.
No poema de Castrim corre a seiva revolucionária, obstinada e interveniente.
Estas duas canções valem dois gritos de esperança, de força, de confiança no destino do nosso Povo.
Cantados por Tonicha, a "menina" querida da canção portuguesa, estes poemas ganham um acento de pureza, de frescura, de ingenuidade popular, de vibração espontânea, que muitos valorizam.
Tonicha encontrou o seu caminho, o único: intérprete do Povo e para o Povo, artista-camarada, voz ao serviço da justiça social."


FACE A
O POVO EM MARCHA
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Música: Braga Santos)


FACE B
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)




Este foi o primeiro single a ser extraído do LP "CANÇÕES DE ABRIL" editado pela etiqueta Discófilo no ano de 1975. O disco contém na contracapa este belo texto de Bernardo Santareno, escritor que Tonicha conheceu e recorda como uma pessoa muito inteligente e extraordinária.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS: Jorge Palma
ESTÚDIO: Musicorde
TÉCNICO: Alberto Nunes
FOTO: Carlos Gil
CAPA: Nuno Nazareth Fernandes
EXECUÇÃO: Gráfica Monumental
PRODUÇÃO E EDIÇÃO: Discófilo

27 de abril de 2009

LEMBRAR

ABRIL

A propósito das comemorações dos 35 anos da Revolução dos cravos, iniciamos hoje uma viagem às memórias de Abril eternizadas na voz de Tonicha, uma das mais belas vozes (femininas) que cantou Abril.

Contrariamente ao registo da memória de muitas viagens que, invariavelmente, começam por "Há muito tempo...", o ponto de partida da nossa viagem à lembrança de Abril são as palavras de um visitante assíduo deste blogue e fã de Tonicha, que nos chegaram esta semana via e-mail:

"No belíssimo espectáculo denominado "As vozes que Abril abriu" conduzido pela apresentação do sempre em forma Júlio Isidro e da magnifica e fresca Silvia Alberto, mais uma vez a ausência de uma das vozes que mais cantou Abril: Antonia Tonicha!
Pode-se saber porquê?
"
Joaquim Henrique Coimbra
Orada (Borba)




Portugal tinha acabado há pouco de sair à rua de punho erguido, com cantigas como armas e balas em forma de cravo, pairava ainda no ar o calor da Revolução e os portugueses habituavam-se lentamente a despertar em liberdade, quando chegou ao mercado discográfico um single chamado "Bandeira da Vitória", edição da Discófilo.
Estávamos em 1975 e o pequeno vinil, com letras do crítico de televisão Mário Castrim e de Gonçalves Preto, lembrava a todos os portugueses que a ditadura tinha definitivamente caído.

LADO A
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)


LADO B
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto)
(Música: Braga Santos)


O single contou com a colaboração de José Carlos Ary dos Santos, poeta libertário e da liberdade, adepto fervoroso da Revolução, com quem Tonicha já trabalhava desde 1971, que emprestou a sua voz tão característica à canção "Cantaremos/Lutaremos", entoando o refrão que lhe dá nome.
Com a mudança de Tonicha para a editora Orfeu, estes temas viriam a ser reeditados com uma nova capa.

CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto)
(Música: Braga Santos)


Agora companheiros cantaremos
por aqueles que morreram na prisão.
Cantaremos a canção que vale a pena,
com a força de uma raiva em cada mão.
Cantaremos com a voz da liberdade
e faremos dessa voz nossa razão.

Cantaremos este sol imaginado,
cantaremos esta sede de amanhã,
que tiveram os amigos que lutaram
p'ra nos dar a liberdade por irmã.

Cantaremos os caminhos que nos deram
cantaremos o sinal que ainda se vê
e deixaram os amigos que levaram
e morreram a saber por quê.

Lutaremos
(lutaremos)
Venceremos
(venceremos)
Cantaremos
(cantaremos).

20 de abril de 2009

TONICHA: CANTIGAS DO MEU PAÍS

FOLCLORE
LP, DISCÓFILO, 2001/L



Eis-nos chegados ao LP "CANTIGAS DO MEU PAÍS" originalmente gravado por Tonicha para a editora Discófilo e lançado no mercado discográfico português no ano de 1975.

Note-se que a edição que a Orfeu viria a fazer, para além de usar a mesma fotografia da capa (da autoria de Álvaro João), manteve o mesmo arranjo gráfico e layout (tipos de letra iguais dispostos da mesma forma) apenas alterando as cores: do nome de Tonicha (a vermelho na edição Discófilo e a branco na Orfeu) e do nome do álbum (a preto no LP da Discófilo e a vermelho na Orfeu).
As contracapas, apesar de muito idênticas, tiveram essencialmente alterações nas cores dos tipos de letra.
Esta edição conta ainda com uma bela fotografia de Tonicha, com a assinatura da própria, da autoria de Júlio Gomes.


FOTO: Júlio Gomes

Este é o grande álbum de Tonicha que ficou marcado pela participação, no acompanhamento, do CONJUNTO DE GUITARRAS DE ANTÓNIO CHAINHO, do qual faziam parte:

ANTÓNIO CHAINHO
NOBRE COSTA
J. M. NÓBREGA
RAÚL SILVA

LADO A
FADINHO DO POBRE
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)
CANTIGA DO REI
(Popular)
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Ary dos Santos - Popular)
VIDA MILITAR
(Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Ary dos Santos - Popular)

LADO B
SERRANA POVO
(Ary dos Santos - Popular)
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)
DOBADOIRA
(Popular)
A MODA DA SAIA CURTA
(Ary dos Santos - Popular)
ISTO AGORA VAI OU RACHA
(Ary dos Santos - Popular)

De salientar neste álbum a dupla participação musical de Jorge Palma (responsável pela Supervisão e misturas):

JORGE PALMA - Piano, natal, xilofone
RUI CARDOSO - Clarinete baixo, flauta, suprano
VICTOR MAMEDE - Percursão
SIEGFRIED SUGG - Acordeão

FICHA TÉCNICA
ESTÚDIOS - Musicorde
TÉCNICOS - Alberto Nunes/Carlos Duarte
FOTOS - Álvaro João/Júlio Gomes
EXECUÇÃO GRÁFICA - Sericrom
PRODUÇÃO E EDIÇÃO - Discófilo

19 de abril de 2009

TONICHA: FOLCLORE

COMPADRE PARTIDÁRIO
EP, DISCÓFILO, 3003/E



O EP "Compadre partidário" fecha a série de EPs lançados no mercado português no ano de 1975 pela Discófilo, extraídos do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS".
Dos 3 que foram editados, este é o único que reúne um alinhamento inteiramente composto por temas populares com letras escritas pelo poeta Ary dos Santos.

Mais uma vez, chamamos a atenção para os títulos das canções, todos eles tão representativos da época revolucionária em curso.

LADO A
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Ary dos Santos - Popular)
SERRANA POVO
(Ary dos Santos - Popular)

LADO B
ISTO AGORA VAI OU RACHA
(Ary dos Santos - Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Ary dos Santos - Popular)

18 de abril de 2009

TONICHA: FADINHO DO POBRE

A MODA DA SAIA CURTA
EP, DISCÓFILO, 3004/E



Este EP de 1975, com edição da responsabilidade da Discófilo, foi retirado do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS".
À semelhança do vinil divulgado no post de dia 14/04/2009, também este contém um alinhamento diferente daquele que posteriormente viria a ser escolhido pela nortenha Orfeu.
Apesar das diferenças de alinhamentos, as capas de ambas as edições (Discófilo e Orfeu) utilizam a mesma série de fotografias da cantora, embora com arranjos gráficos diferentes.

Neste ano de 2009, 34 anos depois de Tonicha ter celebrizado o tema "Malhão de Cinfães", a cantora Tereza Salgueiro grava-o para o seu último CD com o Lusitânia Ensemble. Isto só vem provar que há temas que são intemporais.

LADO A
FADINHO DO POBRE
(Popular)
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)

LADO B
MODA DA SAIA CURTA
(Ary dos Santos - Popular)
DOBADOIRA
(Popular)



CURIOSIDADE:
Na revista de espectáculos PLATEIA nº 780 de 1 de Março de 1976 encontrámos o anúncio da venda deste EP, por encomenda, pelo preço de 78$50 (setenta e oito escudos e cinquenta centavos).

DOBADOIRA
(Popular)

Era tão cedo
Que mal se via
Na minha aldeia
Tudo dormia.

Tudo dormia
E trabalhando
A dobadoira
Ia rodando.

REFRÃO
Doba doba dobadoira
Não enrices a meada
Quero dobar o novelo
Tenho a minha mão cansada.
O novelo era grande
Não me cabia na mão
Doba doba dobadoira
Dentro do meu coração.

De pequenina
Que mal falava
Dobadoira
Já trabalhava
Já trabalhava
Sempre cantando
A dobadoira
Ia rodando.

14 de abril de 2009

TONICHA: RIBEIRA CHEIA

VIDA MILITAR
EP, DISCÓFILO, 3004/E



As várias mudanças de editoras que Tonicha teve ao longo da sua carreira deram origem a várias reedições do mesmo material discográfico, um sinal do potencial de venda das canções celebrizadas pela cantora.
Os EP que hoje começamos a divulgar são as gravações originais de um álbum que, ainda no mesmo ano de 1975, viria a ser reeditado pela Orfeu quando Tonicha se transferiu para a etiqueta de Arnaldo Trindade. Falamos do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS".

Este EP, de um conjunto de três, foi gravado e lançado no mercado pela primeira vez pela extinta DISCÓFILO, editora que foi propriedade de Tonicha, João Viegas e Ary dos Santos.
As edições dos EPs lançados pela Discófilo apresentam um alinhamento de temas diferente daquele que viria a constar nos vinis da Orfeu.
Este primeiro disco, "Ribeira cheia", reúne os temas:

LADO A
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)

LADO B
VIDA MILITAR
(Popular)
CANTIGA DO REI
(Popular)



A propósito da criação da editora DISCÓFILO, a imprensa da época noticiou o acontecimento.
A primeira notícia que conseguimos encontrar data de 04 de Março de 1975, um apontamento que consta da revista de espectáculos PLATEIA.


in PLATEIA nº 735, 04/03/1975

Dois meses mais tarde, a mesma publicação volta a dar destaque à editora propriedade da nossa Tonicha, do marido João Viegas e do poeta Ary dos Santos.


in PLATEIA nº 744, 06/05/1975

14 de junho de 2008

TONICHA NO TEATRO DE REVISTA

UMA NO CRAVO OUTRA NA DITADURA

Após o 25 de Abril, Tonicha, juntamente com o marido, João Maria Viegas, funda a editora Discófilo. O casal viria posteriormente a oferecer uma quota da editora a José Carlos Ary dos Santos.
Foi nesta editora que Tonicha gravou um álbum histórico, "CANÇÕES DE ABRIL" (que, infelizmente e para tristeza e perda dos muitos seguidores da carreira da cantora, nunca foi reeditado) e um outro, "CANTIGAS DO MEU PAÍS", com raízes no folclore português e letras de Ary dos Santos, revelando um forte pendor político. São editados ainda os singles "Cantaremos/Lutaremos", "Cravos da madrugada" e "Terras de Garcia Lorca".



Em 1974, Tonicha participa na revista "UMA NO CRAVO, OUTRA NA DITADURA" no Teatro ABC, no Parque Mayer, onde canta canções de José Carlos Ary dos Santos e de Fernando Tordo. A participação neste espectáculo teve direito a uma capa e a um artigo na Revista Gente, Nº 50, de Outubro de 1974.