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20 de outubro de 2020

SENHORA DO ALMORTÃO

Hoje propomos uma viagem musical às terras raianas da Beira Baixa.
Reza a lenda que, numa madrugada, uns pastores atravessavam o campo pelo sítio "Água Murta", em Idanha-a-Nova, quando encontraram uma imagem da Virgem num arbusto de murtas.
Depois de rezarem à Senhora, recolheram a imagem na Igreja de Monsanto. Passados dias, a imagem desapareceu, tendo sido reencontrada no murtão onde surgira inicialmente.
Respeitando a vontade da Virgem, foi aí construída uma ermida em sua devoção que ficaria conhecida, anos mais tarde, por Santuário de Nossa Senhora do Almortão.
Todos os anos, 15 dias após a Páscoa, tem lugar a Romaria da Senhora do Almortão, com a celebração de uma missa e a muito conhecida procissão. Desta tradição antiga, faz parte um almoço-convívio onde se cantam quadras à Senhora. Dizem os historiadores que, além de falarem da devoção à Virgem, as quadras exprimem o sentimento das pessoas da raia por terem sido libertadas do domínio castelhano.
Dessas cantigas, faz parte a sugestão musical de hoje: "Senhora do Almortão" pela voz de Tonicha.



Em 1995, Tonicha volta a gravar para a Polygram alguns dos temas do Cancioneiro Popular Português, que foram êxitos seus nos anos 60 e 70.
O álbum, onde se inclui esta versão, chamou-se "Canções d'Aquém e d'Além Tejo" e é considerado por muitos um dos melhores trabalhos da cantora.
Para isso muito contribuiu não só a interpretação de Tonicha, mas também a selecção do material etnográfico, a produção muito cuidada e a supervisão de João Viegas, marido de Tonicha, e a bem sucedida colaboração com a Brigada Vitor Jara e o professor Fontes Rocha, na guitarra.
Com arranjos sublimes de Rui Vaz, "Senhora do Almortão" tira partido da voz de Tonicha, dando-lhe o devido destaque. Presta ainda tributo à música popular e à região da Beira Baixa, com o recurso ao adufe que, entrosado com o violino, lhe empresta uma toada celta, quase épica, que nos faz viajar por tempos antigos nas paisagens de murta das terras raianas.

SENHORA DO ALMORTÃO (Beira Baixa)
Letra: popular / Arranjos: Rui Vaz

Senhora do Almortão
Minha tão bela raiana 
Virai costas a Castela
Não queiras ser castelhana.

Senhora do Almortão
Para lá eu vou andando
Minha alma já lá está
Meu coração vai chegando.

Senhora do Almortão
Eu p'ro ano não prometo
Que me morreu o amor
Ando vestida de preto.

Senhora do Almortão
Minha tão bela raiana 
Virai costas a Castela
Não queiras ser castelhana. 

23 de dezembro de 2010

TONICHA EM VOZES DE TRABALHO


FOTO: Diana Zaragoza Amador

Continuam os ecos do espectáculo "Vozes de Trabalho", da autoria e com encenação de Tiago Torres da Silva, que esteve em cena no Teatro da Trindade em Lisboa até ao passado dia 12 de Dezembro. Um dos quadros musicais incluia a cantora Tonicha, num ambiente de festa, a cantar "Vareira do mar" (1973), um tema do Cancioneiro Popular da região do Minho.

VAREIRA DO MAR
(Popular - Minho)

Vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou
dar vida a quem me deu vida
matar a quem me matou.

Matar a quem me matou
vareira linda vareira
vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou.

No meio daquele mar
há uma pedra comprida
com um letreiro que diz
quem lá for arrisca a vida.

Quem lá for arrisca a vida
no meio daquele mar
no meio daquele mar
há uma pedra comprida.

Ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos
quem namora às escondidas
quer abraços e beijinhos.

Quer abraços e beijinhos
ó amieiro do rio
ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos.

Sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira
vou-me para a minha terra
adeus ó chula vareira.

Adeus ó chula vareira
sou cantada, sou bailada
sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira.

30 de março de 2009

TONICHA: CANTIGAS DO MEU PAÍS

FOLCLORE
LP, ORFEU, SB 1121



No ano de 1975 os portugueses viram chegar ao mercado um novo LP de Tonicha com a chancela da ORFEU, numa extraordinária recolha de temas do Cancioneiro Popular Português a que deram o nome de "CANTIGAS DO MEU PAÍS".
Tratava-se na verdade de uma reedição, já que este álbum (e os respectivos EPs que foram retirados do mesmo para lançamento) haviam já sido previamente editados nesse ano pela DISCÓFILO, quando a cantora ainda assinava por essa etiqueta.

Os temas de "CANTIGAS DO MEU PAÍS", pesquisados e seleccionados por João Viegas (esposo de Tonicha e desde sempre o grande orientador da sua carreira), etnólogo por paixão, ao longo dos anos seleccionou os temas do Cancioneiro Popular Português que melhor se adequassem à voz clara e ampla de Tonicha.
"CANTIGAS DO MEU PAíS" ficou marcado pela primeira colaboração de Tonicha com um então jovem músico "desconhecido" mas que, já na altura, evidenciava um enorme talento musical e de seu nome JORGE PALMA.
Neste LP, editado pela etiqueta portuense ORFEU, para além de assinar a Supervisão e as misturas do LP, Jorge Palma surge nas gravações a tocar piano e xilofone.



Outra característica merecedora de destaque nas "CANTIGAS DO MEU PAÍS" foi contar com a extraordinária colaboração, no acompanhamento, do CONJUNTO DE GUITARRAS DE ANTÓNIO CHAINHO, também por essa razão considerado um dos álbuns mais emblemáticos de Tonicha.
Esta participação imprimiu aos temas um som distintivo, extremamaente marcante, capaz de elevar os temas do folclore a um nível de erudição talvez nunca antes tão bem conseguido, amplificando e fazendo sobressair a beleza natural da voz de Tonicha que na altura contava apenas 29 anos. Deste conjunto faziam parte:

ANTÓNIO CHAINHO
NOBRE COSTA
J. M. NÓBREGA
RAÚL SILVA

O alinhamento do álbum, de 12 faixas e do qual haveriam de ser retirados 3 EPs para lançamento, era composto pelos temas:

FACE A

FADINHO DO POBRE
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)
CANTIGA DO REI
(Popular)
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Ary dos Santos - Popular)
VIDA MILITAR
(Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Ary dos Santos - Popular)

FACE B

SERRANA POVO
(Ary dos Santos - Popular)
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)
DOBADOIRA
(Popular)
A MODA DA SAIA CURTA
(Ary dos Santos - Popular)
ISTO AGORA OU VAI OU RACHA
(Ary dos Santos - Popular)

Para além de temas do Cancioneiro Popular Português, este LP contou com uma já longa parceria com o poeta José Carlos Ary dos Santos que criou as letras para alguns dos temas populares: tratam-se precisamente das canções com os títulos mais "politizados" do álbum. Se não, atente-se nos títulos das canções: "Compadre Partidário", "Barqueiros do Povo", "Serrana Povo" e "Isto agora ou vai ou racha"...
Nos dias de hoje nada haveria de extraordinário nesta junção, mas nesses idos anos da década de 70, tinha ocorrido o famoso Verão quente de 1975 e o autor destas letras foi o não menos famoso e à sua maneira polémico poeta mas, infelizmente, já falecido José Carlos Ary dos Santos.



O "Fadinho do Pobre" (que ainda hoje faz parte do repertório dos espectáculos da cantora) e "Malhão de Cinfães" são as únicas canções deste álbum que, infelizmente, voltaram a ter a sua reedição em CD, pelas mãos da editora Movieplay (detentora de grande parte do melhor e mais significativo repertório de Tonicha relativo à década de 70) que os incluiu na colectânea de 2004 "ANTOLOGIA 1971-1977".

A nós cabe-nos apenas deixar a pergunta:

"Para quando a reedição em CD dos temas que fazem parte deste e de outros álbuns de Tonicha que o povo português (a não ser que ainda tenha um velho gira-discos e as gravações dos tempos do vinil pode ter o prazer de os ouvir) tem sido privado ao longo destes anos?"

Ouvintes e compradores com certeza não faltam, isto a julgar pelo feedback que temos tido neste espaço de homenagem à carreira da cantora (de pessoas das mais variadas idades e proveniências que sucessivamente nos perguntam onde e como podem adquirir esses álbuns) e à afluência de público aos seus últimos espectáculos... Já aqui demos conta de alguns desses momentos!

Deste belíssimo "CANTIGAS DO MEU PAÍS", e dos EPs que se lhe seguiram, merecem ainda o nosso destaque e admiração todos aqueles que colaboraram para tornar possível este trabalho:

Álvaro João
(Fotografias)
Júlio Gomes
(Fotografias)

PLATEIA nº758, de 12 de Agosto de 1975



Numa edição da revista PLATEIA do ano do lançamento deste álbum, encontrámos esta fotografia, a propósito da edição de um disco de Paulo de Carvalho para a etiqueta Orfeu de Arnaldo Trindade.
Na fotografia, vislumbramos a nossa Tonicha atrás do Paulo, curiosamente com o belo vestido que usou para a série de fotografias do álbum e respectivos Eps de "CANTIGAS DO MEU PAÍS". Cremos que esta fotografia foi tirada durante uma festa de promoção dos artistas que gravavam para esta editora nortenha.

25 de março de 2009

TONICHA: CANTIGAS DO MEU PAÍS

FOLCLORE 1
EP, ORFEU, ATEP 6683



O ano de 1975 foi para Tonicha um ano muito prolífico em gravações.
Foi o ano em que editou cerca de 15 discos, entre LPs, singles e EPs, entre álbuns com temas do Cancioneiro Popular Português e álbuns de autor e de cariz mais interventivo.

Foi neste ano que os portugueses viram chegar ao mercado um belíssimo álbum de temas do Cancioneiro Popular Português chamado "CANTIGAS DO MEU PAÍS", do qual foram editados 3 EP's intitulados respectivamente "Folclore 1", "Folclore 2" e "Folclore 3", que apresentamos a partir de agora.



Primeiro desta série de EPs retirados do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS" (que ficaria marcado pela excelente colaboração de Tonicha com Jorge Palma - na altura ainda um compositor não tão conhecido como hoje - na supervisão e mistura das músicas, o EP "Folclore 1" reúne 4 temas. Um deles ainda hoje é muito conhecido e às vezes é recordado nos espectáculos da cantora: o "Fadinho do Pobre".

Do alinhamento do EP, este tema ("Fadinho do Pobre") é aliás o único, infelizmente, que voltou a ter a sua reedição em CD, pelas mãos da editora Movieplay (detentora de grande parte do melhor e mais significativo repertório de Tonicha relativo à década de 70) que o incluiu no CD2 da colectânea de 2004 de nome "ANTOLOGIA 1971-1977".

FACE A
FADINHO DO POBRE
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)

FACE B
CANTIGA DO REI
(Popular)
VIDA MILITAR
(Popular)



FADINHO DO POBRE
(Popular)

Ó minha mãe dos trabalhos
Para quem trabalho eu
Trabalho, mato o meu corpo
Não tenho nada de meu
Trabalho, mato o meu corpo
Não tenho nada de meu.

Refrão (2x)
Quem é pobre não tem vícios
Quem é surdo está calado
Quem é pobre não namora
Pois fica sempre enganado

O nosso patrão já chora
Pelo sol que vai baixinho
Não chores patrão, não chores
Que ele vai devagarinho
Não chores patrão, não chores
Que ele vai devagarinho.

Refrão (2x)

Chega o sol posto da vida
Não consegue escapar ninguém
Leva servos e patrões
Até leva a nossa mãe
Leva servos e patrões
Até leva a nossa mãe.

Refrão (3x)

24 de março de 2009

TONICHA: SERRANA POVO

FOLCLORE 2
EP, ORFEU, ATEP 6684



O segundo EP retirado do álbum de 1975 "CANTIGAS DO MEU PAíS", da editora portuense Orfeu, é este "Folclore 2".
Este disco reúne talvez alguns dos temas mais "politizados" do álbum. Se não, atente-se nos títulos das canções: "Serrana Povo", "Compadre Partidário", "Barqueiros do Povo"... ou não tivesse ocorrido o famoso Verão quente em 1975 e não fosse o não menos famoso mas infelizmente já falecido poeta Ary dos Santos o autor destas letras .

FACE A
SERRANA POVO
(Popular - Ary dos Santos)
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Popular - Ary dos Santos)

FACE B
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Popular - Ary dos Santos)



SERRANA POVO
(Popular - Ary dos Santos)

Serrana ó serraninha
Sem pão nem vinho
Sem pai nem mãe.

Sim senhor, eu da terra sou
Mas em quem eu sou
Não manda ninguém.

Serrana, linda serrana
Ninguém te engana
Na tua lida.

Sim senhor, eu da terra sou
E a ela dou
Toda a minha vida.

Serrana, serrana forte
Nem sempre a morte
Te fez calar.

Sim senhor, eu da terra sou
E agora vou
Mas é trabalhar.

Serrana, serrana povo
Vamos de novo
Saber cantar.

Sim senhor, eu da terra sou
E agora acabou
Ter de me curvar.



RIBEIRA CHEIA
(Popular)

Ribeira vai cheia
E o barco parado
Eu queria passar lá pró outro lado
Ribeira vai cheia
E o barco parado
Eu queria passar lá pró outro lado.

Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda.

Ribeira vai cheia e o barco perdido
Se eu perder a vida
Morrerás comigo
Ribeira vai cheia e o barco perdido
Se eu perder a vida
Morrerás comigo.

Ai o barco parado
Ai o barco não anda
Eu queria passar lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquele lado
Ribeira vai cheia e o barco parado.

Na barquinha à vela
Vem sardinha boa
Vem meu amorzinho sentadinho à proa
Na barquinha à vela
Vem sardinha boa
Vem meu amorzinho sentadinho à proa.

Ai o barco parado
Ai o barco não anda
Eu queria passar lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquele lado
Ribeira vai cheia e o barco parado.

Meu amor barqueiro
Tem lancha no cais
Hoje é camarada
Pró ano é arrais.
Meu amor barqueiro
Tem lancha no cais
Hoje é camarada
Pró ano é arrais.

Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda.

16 de março de 2009

TONICHA: A MODA DA SAIA CURTA

FOLCLORE 3
EP, ORFEU, ATEP 6685



Esta série de discos ficou marcada pela colaboração de Tonicha com JORGE PALMA que, para além de assinar a Supervisão e as Misturas do LP, surge na gravação ao piano e a tocar xilofone.
O álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS" ficou também conhecido pela participação, no acompanhamento, do Conjunto de Guitarras de António Chainho constituído pelo grande guitarrista António Chainho, por Nobre Costa, J. M. Nóbrega e Raúl Silva.
A parceria vencedora com o poeta José Carlos Ary dos Santos manteve-se na escrita de alguns temas.

FACE A
A MODA DA SAIA CURTA
(Popular - Ary dos Santos)
DOBADOIRA
(Popular)

FACE B
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)
ISTO AGORA OU VAI OU RACHA
(Popular - Ary dos Santos)

Tanto o álbum como os EPs, editados pela ORFEU, mantiveram o grafismo (um belo lettering marcadamente dos anos 70 no nome de Tonicha, com uma ligeira variação entre o álbum e os EPs) e as belas fotografias de Álvaro João (colaborador em muitos discos da cantora) e Júlio Gomes.

Do alinhamento deste EP "Folclore 3" destacamos o belíssimo tema "Malhão de Cinfães" que, juntamente com "A moda da saia curta" foram, do conjunto dos quatro temas, os únicos a terem reedição em CD. Integram a colectânea de 2004 lançada pela Movieplay com o nome "ANTOLOGIA 1971-1977".

MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)

Ó Malhão triste Malhão
Ó Malhão triste Malhão
Ó Malhão triste coitado
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.

Ó Malhão triste coitado
Por causa de ti Malhão
Ando triste, apaixonado
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.

O Malhão quando morreu
O Malhão quando morreu
Deixou dito na escritura
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.

Deixou dito na escritura
Que lhe forrasse o caixão
Com pano de pouca dura
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.



A MODA DA SAIA CURTA
(Popular - Ary dos Santos)

A moda da saia curta
É uma moda excelente
A moda da saia curta
É uma moda excelente
Deixa os joelhos à mostra
Faz inveja a muita gente.

Ai menina encurta a saia
Dá-lhe a medida moderna
Ai menina encurta a saia
Dá-lhe a medida moderna
Quem não encurtar a saia
Não pode mostrar a perna.

A moda da saia curta
Nunca fez mal a ninguém
A moda da saia curta
Nunca fez mal a ninguém
Porque umas pernas bem feitas
Só as mostra quem as tem.

A moda da saia curta
Também tem os seus porquês
A moda da saia curta
Também tem os seus porquês
Só serve a quem for bonita
Da cabeça até aos pés.

A moda da saia curta
Não gosta de coisas feias
A moda da saia curta
Não gosta de coisas feias
E põe as pernas a nu
Mesmo por baixo das meias
E põe as pernas a nu
Mesmo por baixo das meias.

4 de março de 2009

TONICHA: FARRAPEIRA

SÃO JOÃO
EP, ORFEU, ATEP 6713



Depois do espectáculo no Redondo, no acolhedor Auditório do Centro Cultural, continuamos a apresentação da discografia de Tonicha referente aos anos 70.
"Farrapeira" foi o último disco que Tonicha gravou para a editora ORFEU, em 1976.
O disco prolonga a parceria com Jorge Palma como autor dos arranjos das 4 canções populares. A produção essa ficou a cargo de João Viegas.
A bela capa deste EP reproduz a fotografia de Tonicha do álbum "CANTIGAS POPULARES", aqui multiplicada por quatro.

FACE A
FARRAPEIRA
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)
S. JOÃO
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)

FACE B
FADO
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)
POVEIRINHA
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)

Produtor: João Viegas
Orquestrador musical: Jorge Palma



SÃO JOÃO
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)

São João lá vem, lá vem
Ai se lá vem deixai-o vir
Ai ele é menino mimoso
Ai vai ao céu e torna a vir.

Refrão:
Estas é que são as saias
Estas calças é que são
Foram feitas e talhadas
Na manhã de São João
Foram feitas e talhadas
Na manhã de São João
(2x)

São João caiu na casa
Ai lá para os lados da ribeira
Ai haja quem lhe dê a cama
Que eu lhe darei a madeira.

Refrão (2x).

Dos temas presentes neste EP editados pela Orfeu e cujos direitos de publicação actualmente pertencem à editora Movieplay, apenas dois deles viram a sua reedição em CD. Trata-se dos temas "Fado" e "São João" que integraram o CD1 da "ANTOLOGIA 1971-1977" lançado no mercado em 2004 e já aqui apresentado.
Continuamos a aguardar que, em boa hora e para alegria dos muitos fãs, a Movieplay se recorde de reeditar o restante (e numeroso) material discográfico de Tonicha que nunca teve a sua reedição em formato CD.



FADO
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)

Ai quem me dera uma lima
Para limar a garganta
Ai quem me dera uma lima
Para limar a garganta
Para cantar como a rola
Como a rola ninguém canta
Para cantar como a rola
Como a rola ninguém canta.

Já lá vai já se acabou
O tempo em que te amava
Já lá vai já se acabou
O tempo em que te amava
Tinha olhos e não via
Na cegueira em que eu andava
Tinha olhos e não via
Na cegueira em que eu andava.

É pena ou não é pena
De pena sinto aqui
É pena ou não é pena
De pena sinto aqui
Ontem pena ai de te ver
Hoje pena que te não vi
Ontem pena ai de te ver
Hoje pena que te não vi.

Escrevi na branca areia
o retrato do meu bem
Escrevi na branca areia
o retrato do meu bem
Escrevi e rasguei logo
Com medo não visse alguém
Escrevi e rasguei logo
Com medo não visse alguém.

29 de janeiro de 2009

CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR

VIRA DA DESGARRADA
LP, POLIDOR, 2480 431

Nos idos anos 70, década de grande actividade artística da cantora Tonicha e em que foram gravados muitos dos álbuns que contêm algumas das suas canções mais marcantes, e que ainda hoje povoam o imaginário popular português, Tonicha gravou o LP "CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR" para a editora Polydor (Phonogram).



Foi no ano de 1977 que foi apresentado ao público em conferência de imprensa o LP "CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR".
Deste LP foram editados dois singles, que já aqui apresentámos: "Tu és o Zé que fumas", que manteve a capa do álbum e incluiu os temas "Tu és o Zé que fumas" e "Cana Verde", e o single "Pestotira", que incluiu "Pestotira" e "Vira da desgarrada".



O repertório é do Cancioneiro Popular Português, o que é bem visível no título dado ao álbum numa clara alusão às cantigas do "nosso país", o nosso Portugal "à beira mar plantado".
Todos os títulos são populares com arranjo de J. Libório, pseudónimo de João Maria Viegas, marido de Tonicha, com que assinou muitos dos trabalhos da cantora. Deste leque de canções, apenas "VINHO NOVO" não é popular e tem letra do poeta Joaquim Pessoa.

FACE A
VIRA DA DESGARRADA
ROSAS DO MEU JARDIM
PESTOTIRA
FESTA DE CASAMENTO
CIRANDA
CANA VERDE

FACE B
TU ÉS O ZÉ QUE FUMAS
BAILARICO SALOIO
NO ALTO DAQUELA SERRA
VINHO NOVO
AS POMBINHAS DA CATRINA
CANA, REAL DAS CANAS




Na contracapa do disco consta uma bela fotografia de uma jovem Tonicha, na altura com 31 anos, de microfone na mão a cantar no seu jeito muito característico. Lamentavelmente durante as nossas pesquisas não encontrámos nenhuma referência ao autor desta foto.

ROSAS DO MEU JARDIM
(Popular)

Tu dizes que não há rosas
Nem brancas nem amarelas
Anda cá para o meu peito
Se queres ver um jardim delas.

REFRÃO:
Ó rosa não consintas
Que o cravo te ponha a mão
Que a rosa desmaiada
Já não tem essa canção.

Ó minha rosa encarnada
Criadinha ao pé do tanque
Dá-lhe o vento, dá-lhe a chuva
Cada vez está mais brilhante.

REFRÃO

Rosa que estás na roseira
Deixa-te estar fechadinha
Vou agora à minha terra
Quando vier serás minha.

REFRÃO

A rosa jurou ao lírio
Amizade sem ter fim
Agora namora um cravo
As rosas são sempre assim.


NOVA GENTE, nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro de 1977

A apresentação pública do disco foi feita com intensa cobertura radiofónica e com direito a artigos na imprensa escrita. É devido à gentileza de Tonicha e João Viegas, que nos emprestaram este material, que nos é possível apresentar a notícia e algumas das imagens que a imprensa escrita da época publicou.
No artigo de duas páginas publicado na Revista NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro de 1977, com o título "Tonicha apresentou o seu último disco!", pode ler-se:

«Há dias, no "Arraial", a Phonogram apresentou o último LP de Tonicha - cantigas duma terra à beira mar -. Reunião profundamente agradável onde a "máquina" da Rádio esteve presente, e muito bem, pois mais do que nunca a consciencialização neste sector, imperiosamente, reclama por continuação de directrizes idênticas à apresentada nessa noite no "Arraial". Bons profissionais defendendo bom trabalho.
Tonicha estreou-se no mundo da canção portuguesa em 1964. Presentemente é a artista que mais discos vende em Portugal. 40 discos e 16 prémios, algumas das distinções na carreira desta jovem alentejana que descobre o cantar do seu País na voz com que o canta.»


Aqui ficam as imagens:


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977

Na legenda pode ler-se:
"Júlio Montenegro conversa com uma das primeiras se não a primeira figura da canção ligeira portuguesa."


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977

Aqui ficam as duas páginas completas que a revista NOVA GENTE dedicou ao lançamento do LP de Tonicha "CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR":


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977

9 de janeiro de 2009

PESTOTIRA

VIRA DA DESGARRADA SINGLE, POLYDOR, 2063033 As canções incluídas neste single da Polydor, de 1978, foram extraídas do LP "CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR", editado pela mesma etiqueta em 1977, e que brevemente apresentaremos. A fotografia da capa, pertencente à mesma série do single "O Menino" (Polydor, 1976), cujo autor desconhecemos, apresenta-nos uma Tonicha "à la page" dos anos 70: calça de ganga à boca de sino que tanto furor fez na época. FACE 1 PESTOTIRA (Popular/Arranjo: J. Libório) FACE 2 VIRA DA DESGARRADA (Popular/Arranjo: J. Libório) Estes dois temas foram reeditados em CD e podem ser ouvidos no álbum "CANÇÕES PARA OS MEUS NETOS..." (Universal, 2008). O tema "Pestotira" pode também ser ouvido no CD "OS MAIORES SUCESSOS" (Polygram, 1990), assim como na "ANTOLOGIA 77-97" (Universal, 2007) e no mais recente CD de Tonicha, "CANTOS DA VIDA" (Farol, 2008). VIRA DA DESGARRADA (Popular/Arranjo: J. Libório) Ai amor toma lá pinhões Ai que eu venho agora da feira. Ai amor toma lá pinhões Ai que eu venho agora da feira. Ai casar e ganhar pra ti Ai mais valia estar solteira. Ai casar e ganhar pra ti Ai mais valia estar solteira. Refrão: Ai o vira da desgarrada É dançado com jeitinho É batido e valseado Ai nos braços do meu amorzinho. Ai amor toma lá pinhões Ai que eu venho de Santarém. Ai amor toma lá pinhões Ai que eu venho de Santarém. Ai casar e ganhar pra ti Ai calhava-te muito bem. Ai casar e ganhar pra ti Ai calhava-te muito bem. Refrão (1x) Ai amor fazes um vistão Ai montado no teu cavalo. Ai amor fazes um vistão Ai montado no teu cavalo. Ai saudades de ti me dão Ai nos dias em que te não falo. Ai saudades de ti me dão Ai nos dias em que te não falo. Refrão (1x)

20 de dezembro de 2008

TONICHA: VAI DE RUZ-TRUZ-TRUZ

"CANÇÕES d'AQUÉM E d'ALÉM TEJO"
(CD, Polygram, 1995)

Em "CANÇÕES d'AQUÉM E d'ALÉM TEJO", editado em 1995 para a Polygram, Tonicha volta a gravar alguns dos temas do cancioneiro popular português que foram êxitos seus nos anos 60 e 70. É considerado por muitos um dos seus melhores álbuns, pela sua produção muito cuidada e músicos de altíssima qualidade (da Brigada Vitor Jara, ao professor Fontes Rocha - guitarra portuguesa - e a colaboração do Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa).
Toda a selecção de material etnográfico, a produção executiva e a supervisão estiveram a cargo de João Viegas.



Para este álbum, bem como para o vídeoclip que agora se encontra disponível no YouTube ("Vai de Ruz-Truz-Truz"), Tonicha usou uma saia e uma blusa desenhadas pelo falecido estilista José Carlos. O clip foi gravado na bela Constância, conhecida por ter sido local de residência do poeta Luís de Camões. A realização, muito bem conseguida, é de Vitor Mamede e mostra-nos imagens de uma Tonicha (talvez) mais bonita que nunca.
Temos que deixar o nosso apreço à Universal Music (Portugal) pela iniciativa de ter disponibilzado no canal YouTube o vídeoclip. Bem-hajam!

VAI DE RUZ-TRUZ TRUZ (Ribatejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Naná Sousa Dias





Este bailarico é novo
Nem todos o sabem dançar
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz





Tem um requebro no meio
Nem todos lho sabem dar
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz





A moda do bailarico
Lírios à borda da vala
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz





Amor segue os teus intentos
Deixa lá falar quem fala
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz





Se eu for presa por cantar
Não calarei a garganta
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz





Eu sou como um passarinho
Que até na gaiola canta
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz





Eu sou como um passarinho
Que até na gaiola canta
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz





Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz





Veja o vídeo no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=cPRpitAyL5U
(escolha a opção "assistir em alta qualidade")