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18 de dezembro de 2019

Recordar Patxi Andión (1947-2019)

Morreu Patxi Andión, um dos maiores cantautores espanhóis, que várias vezes visitou e actuou em Portugal.

Em jeito de homenagem recordamos a colaboração com Tonicha.
O ano era o de 1972. Tonicha gravou um EP chamado "4 Canções de Patxi Andión", um vinil que continha, no lado A, "Puedo inventar" e "Poeta desde lejos" e, no lado B, "20 versos a mi muerte" e "Habria que saberlo".

FOTO CAPA: M. Fiuza

Nesse mesmo ano, em Espanha, Tonicha editou o single "Poeta desde lejos"/"20 versos a mi muerte", na versão original. Ambos os discos foram editados pela Movieplay. A adaptação dos poemas para português ficou a cargo de Ary dos Santos e a direcção musical do maestro Thilo Krassman.

João Maria Viegas, marido e manager da cantora, contou-nos que Patxi, perseguido pela Pide e proibido de entrar em Portugal, tinha de vir a Lisboa às escondidas acompanhar as gravações de Tonicha.
Anos mais tarde, corria o ano de 1994, Tonicha confidenciou, no popular programa "Parabéns" da RTP apresentado por Herman José, que, uns meses após a gravação do disco, Patxi telefonou-lhe a pedir autorização para ele próprio gravar essas canções. Comentou então a cantora: "Incrível, ele que era o autor ia pedir-me autorização a mim...".

Num dos últimos concertos que Patxi Andión fez em Lisboa, no Cinema São Jorge, fomos aos bastidores e ele recebeu-nos. De forma muito simpática. Falámos-lhe deste blogue, do projecto de uma fotobiografia da cantora que estava a ser preparado e oferecemos-lhe o CD de Tonicha "Antologia 1971-1977", uma colectânea da Movieplay. Trata-se do único CD que contém uma destas 4 belíssimas canções de Patxi Andión que Tonicha gravou, "Poeta desde lejos".

Na contracapa do EP "4 Canções de Patxi Andión" (que no interior traz as letras em castelhano e em português), num texto assinado por Ary dos Santos, o poeta português referia-se a Patxi Andión desta forma:

"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um 'caso' musical. Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse 'caso' reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino. (...)". 


20 versos a mi muerte
(versão: Ary dos Santos)

Ai quando eu morrer não quero
Nem coroas de cravos velhos
Nem ramos de lirios secos
Que me flagelem os dedos.

Quero que o ar se recolha
Até que o eco tropece
Quero morrer devagar
E que a vida recomece.

Eu quero morrer descalça
Metida dentro da terra
Sem uma lágrima falsa
Como se um filho tivera.

Eu quero que a terra seja
O lençol da minha vida
À morte que se deseja
Porque não é despedida.

10 de outubro de 2012

TONICHA: CANTA FOLCLORE DE PORTUGAL



MINHO - RIBATEJO - ALTO ALENTEJO
EP, RCA, S0048, ANGOLA - 1973

Voltamos à vasta discografia de Tonicha, desta vez para apresentar uma outra edição (de capa colorida, com base na conhecida foto de Tonicha junto de um moinho de vento da autoria de M. Fiuza) de um disco que tivemos oportunidade de dar a conhecer há dois meses.
Trata-se de uma edição RCA de 1973 para o mercado de Angola, do EP «Tonicha canta Folclore de Portugal» dedicado aos temas populares do Minho, Ribatejo e Alto Alentejo. Todos os temas do EP (à excepção das «Coradinhas») foram arranjados por João Viegas. 

LADO 1

1- Vai de Ruz Truz Truz (Ribatejo)
    (Popular- Arranjos de João Viegas)
2- Coradinhas (Alto Alentejo)
    (Popular - Arranjos de Francisco Naia)

LADO 2

1- La-Ri-Lo-Lé (Ribatejo)
    (Popular - Arranjos de João Viegas)
2- Trovas Minhotas (Minho)
    (Popular - Arranjos de João Viegas)

Conjunto de guitarras de Raúl Nery:

Raúl Nery (1ª guitarra)
António Chaínho (2ª guitarra)
Júlio Gomes (viola)
José Maria Nóbrega (viola baixo)

13 de julho de 2012

TONICHA CANTA FOLCLORE DE PORTUGAL


MINHO - RIBATEJO - ALTO ALENTEJO
EP, RCA, S0048, ANGOLA - 1973 

A edição para o mercado de Angola do EP «Tonicha canta Folclore de Portugal» foi lançada pela RCA no ano de 1973. Recordamos que este mesmo EP tinha conhecido edição portuguesa no ano de 1970. Esta diferença de 3 anos, entre o lançamento nos dois mercados, deveu-se a uma estratégia da RCA para culmatar a saída da cantora da editora (que ingressara na Zip-Zip para concorrer ao Festival RTP da Canção de 1971) e assim tirar partido do sucesso que Tonicha teve com esse festival.

LADO 1
1- Vai de Ruz Truz Truz (Ribatejo)
    (Popular- Arranjos de João Viegas)
2- Coradinhas (Alto Alentejo)
    (Popular - Arranjos de Francisco Naia)

LADO 2
1- La-Ri-Lo-Lé (Ribatejo)
   (Popular - Arranjos de João Viegas)
2- Trovas Minhotas (Minho)
   (Arranjos de João Viegas)

Conjunto de guitarras de Raúl Nery:

Raúl Nery (1ª guitarra)
António Chaínho (2ª guitarra)
Júlio Gomes (viola)
José Maria Nóbrega (viola baixo)
 

2 de julho de 2008

TONICHA CANTA O RESINEIRO

Entusiasmados com a criação do blogue, começámos a coleccionar os vinis de Tonicha, com o intuito de vir a possuir toda a sua discografia e poder aqui divulgá-la.
Voltámos ao Chiado, fizemos encomendas, fomos aos leilões da net...e havemos de ir à Feira da Ladra!

Os primeiros que encontrámos já cá tínhamos mostrado as capas (encontradas na Internet), mas vemo-nos agora obrigados a completar a informação acerca deles.
São do tempo da editora RCA, dos quais Tonicha vendeu milhares de exemplares. Infelizmente a data não consta em nenhum deles. Imaginamo-los nos finais dos anos 60, certamente antes de 71, ano do seu êxito do Eurofestival na editora Zip Zip.



Neste primeiro disco de vinil (que embora, na capa, se chame "FOLCLORE DE PORTUGAL" acabou por ficar conhecido pelo "RESINEIRO") surgem 4 temas do Cancioneiro Popular, todos com arranjos de Filipe de Brito. O tema "Resineiro" já tinha antes sido gravado por Zeca Afonso.
A belíssima fotografia da capa (Créditos: DÁRIO) é talvez uma das imagens mais (re)conhecidas de Tonicha, aqui retratada com um típico capote alentejano.

LADO 1
SENHORA DO ALMORTÃO
(Beira Baixa)
PÉSINHO DO PICO
(Açores)

LADO 2
RESINEIRO
(Beira Alta)
LÍRIO BRANCO
(Douro Litoral)



RESINEIRO
(Popular / Arranjo: Filipe de Brito)

Resineiro engraçado
Engraçado no falar
Óioai eu hei-de ir à terra dele
Óioai se ele me lá quiser levar.

Já tenho papel e tinta
Caneta e mata-borrão
Óioai p'ra escrever ao resineiro
Óioai que trago no coração.

Resineiro é casado
É casado e tem mulher
Óioai vou escrever ao resineiro
Óioai quantas vezes eu quiser.

Resineiro engraçado
Engraçado no falar
Óioai eu hei-de ir à terra dele
Óioai se ele me lá quiser levar.



A segunda "pérola" encontrada, com repertório assente no Cancioneiro Popular Português, é mais um EP com quatro temas populares.
Numa edição para a RCA, o EP foi lançado no mercado com o nome "TONICHA canta FOLCLORE DE PORTUGAL". A série de fotografias tirada por esta altura, uma das quais usada para este disco, são da autoria de M. FIUZA.
Praticamente todos os temas tiveram arranjo musical de João Viegas, marido da cantora, à excepção da canção "Coradinhas" cujo arranjo musical foi feito pelo músico Francisco Naia, primo de Tonicha.

LADO 1
VAI DE RUZ TRUZ TRUZ
(Ribatejo/Arranjos: João Viegas)
CORADINHAS
(Alto Alentejo/Arranjos: Francisco Naia)

LADO 2
LA-RI-LÓ-LÉ
(Ribatejo/Arranjos: João Viegas)
TROVAS MINHOTAS
(Minho/Arranjos: João Viegas



Temos que fazer uma especial chamada de atenção para a importante participação, na gravação destes temas, do "CONJUNTO DE GUITARRAS DE RAUL NERY" composto pelos músicos:

RAUL NERY
(1ª guitarra)
ANTÓNIO CHAINHO
(2ª guitarra)
JÚLIO GOMES
(Viola)
JOSÉ M. NÓBREGA
(Viola Baixo)