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17 de abril de 2024

TONICHA CANÇÕES DE ABRIL
LP, DISCÓFILO 2003/L



Este LP de 1975 foi editado primeiramente pela Discófilo e, posteriormente, pela Orfeu, com o título "TONICHA CONJUNTO E COROS".

CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Quando o povo ergueu a sua voz
Para deixar de ser escravo
O sol nasceu e brilhou para nós
E tinha a forma de um cravo.

Era ainda madrugada
E já um cravo dizia
Que na ponta da espingarda
Era tempo de ser dia.

REFRÃO (2x)
Eram cravos cravos cravos
Eram cravos mais de mil
Eram punhos levantados
Do povo no mês de Abril.

O cravo exigiu salário
Para se tornar português
Alex deu sangue operário
Catarina o camponês.

Aperta um cravo na mão
Carne viva cravo novo
Defende-o bem, capitão
Defende-o capitão-povo.

É realmente um disco histórico!
As letras ajudam-nos a compreender melhor aqueles dois primeiros anos de liberdade.
A música ligeira espelha bem a temperatura da época. E sabemos que o Verão de 1975 foi bem quente.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Ary dos Santos - Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Ary dos Santos - Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Ary dos Santos - Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Ary dos Santos - Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Ary dos Santos - Popular)
HINO DO TRABALHO
(António Feliciano de Castilho - Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Ary dos Santos - Popular)

Há, neste disco, uma curiosa junção de autores.
Além dos óbvios Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, aparecem o temido crítico de televisão Mário Castrim, Braga Santos, compositor de canções de revista, Pedro Osório, Shegundo Galarza e Ermelinda Duarte.

BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Anos e anos fomos presos fomos vítimas
Anos e anos nos calcaram sem perdão
Anos e anos nossos gritos nossas lágrimas
Deram à luta mais raízes pelo chão.

Mas tudo isso já lá vai tudo já passou
A nossa alma é uma bandeira do porvir
Neste país que amanheceu em cada um de nós
Para todos nós há um país a construir.

REFRÃO
Não basta o mês de Abril pôr cravo na lapela
Agora estás aqui vais estar de sentinela
O que tanto custou não se pode perder
Trabalho e vigilância são armas de trazer.
Trabalho e vigilância são armas para vencer.

Tonicha volta a entoar a melodia do "Vira dos malmequeres", desta vez com um texto de Ary dos Santos, de homenagem aos soldados de Abril: "Obrigado soldadinho".
Outra melodia já antes gravada por Tonicha é a que serve de base para a última canção do disco, "Já chegou a liberdade". No tempo da RCA foi uma das canções do EP "ALENTEJO": "Maria Rita".
Destaquemos também o poema de António Feliciano de Castilho (séc. XIX): "Hino do Trabalho"



O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)

Vou ver passar
A marcha sem arquinhos nem balões
Ao pé do mar
Vermelha como os nossos corações.

Vou ver chegar
Os santos que não são os dos altares
E vou saltar
Fogueiras de vitórias populares.

REFRÃO (2x)
Lá vai lá vai
A malta proletária de Lisboa
Cantai lutai
Pois quem não lutar assim não marcha à toa.

Vou ver brilhar
A lua das esperanças encontradas
E vou cantar
Lisboa das vielas libertadas.

Vou ver vibrar
Bandeiras ondulantes e encarnadas
E vou dançar
De braço dado com os camaradas.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
PIANO: Jorge Palma
VIOLAS: Mike Sergeant
BAIXO: Luís Duarte
BATERIA E PERCUSÃO: Victor Mamede
TROMPETES: Francisco Toneco, Armindo Toneco
TROMBONES: Amancio F. Costa, António M. Jubilot
FLAUTAS: Carlos A. França, João Oliver
VIOLA: Oliveira e Silva
CELLO: Maria de Lurdes
VOZES: João Henriques, Waldemar Ramalho,
Henrique Tabot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo
ESTÚDIOS: Musicorde
PRODUÇÃO E EDIÇÃO: Discófilo

11 de dezembro de 2022

As Duas Faces de Tonicha

Disponível nas plataformas digitais, embora com algumas incorreções. Editora: Word Music Records.

8 de março de 2021

TONICHA: 75 ANOS























"É da torre mais alta do meu pranto
Que eu canto este meu sangue
Este meu povo
Nessa torre maior em que apenas
Sou grande
Por me cantar de novo"
(in "A voz do meu povo" do LP "As Duas Faces de Tonicha", Zip Zip - 1974. Autor: Ary dos Santos; compositor: Fernando Tordo)

20 de abril de 2015

Tonicha: a Menina do Chapéu Encarnado

Tele Semana nº 88, de 27 de setembro de 1974
Na edição de 27 de setembro de 1974 da popular revista "Tele Semana", Tonicha foi a imagem de capa, numa bela fotografia tirada durante o Festival RTP da Canção desse mesmo ano. Recorde-se que então saiu vencedor Paulo de Carvalho, com o hino "E Depois do Adeus". Nas páginas centrais, podemos ler um interessante texto, assinado por Cipriano Ricardo (C.R.), sobre um leque de cantores que tinham acabado de lançar discos, cujos temas os afastavam do repertório do tempo da RTP de Ramiro Valadão e que os deixavam com grandes responsabilidades perante os novos públicos.

Tele Semana nº 88, de 27 de setembro de 1974
São eles: Tonicha, Fernando Tordo, Duarte Mendes, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo. Destaque também para dois letristas muito cantados na época: Ary dos Santos e José Niza. Aqui fica o texto original: 

A Canção entre "uns" e os "outros"

Se mais e melhor não houvesse (e havia, se havia!...) para ilustrar a orientação imprimida pela RTP de antanho, estariam os seus invariáveis programas ditos de variedades. Era ali que se cultivava, como bacilo raro em proveta cara, essa coisa que ficou definida de uma vez para sempre, quando alguém, certeira e correctamente, a baptizou de nacional-cançonetismo.
Quem eram os seus sustentáculos gargarejantes todos o sabem. Não vale a pena enumerá-los.
Estranhos a esse afável calor dos estúdios e das salas administradas pela RTP, suportando mesmo calafrios arrepiantes (e mais frequentemente do que, ainda agora, alguns pensam) havia outros que construíam a canção. Aquela que, fatalmente, tinha de vir, como veio, a rebentar a rua, pois era para a rua, isto é, para a garganta de todos e de cada um que ela tinha sido feita.
Também aqui não vou nomear ninguém. Não é preciso. Todos os seus autores e intérpretes se têm dado a conhecer publicamente através do seu próprio trabalho. Mas, entre estes dois campos, um terceiro existe, menos claro, menos definido. Enfim, na canção como no resto.
Referimo-nos àqueles que não fazendo propriamente parte da mobília da RTP de Ramiro Valadão por lá passaram vezes suficientes para deixarem o público entre o espanto e o desconfiado, quando apareceram com trabalhos que, com certeza, não teriam o aval dos antigos responsáveis pelos serviços de produção das tais invariedades, ou lá o que eram aqueles TV Clubes e quejandos.
Estamos, concretamente, a referir-nos aos discos mais recentes, e ainda anteriores a 25 de Abril, de Fernando Tordo, Carlos Mendes, Tonicha e Maria do Amparo - C. A. Moniz, que apontavam já numa direcção mais correcta que aquela que parecia que viria a ser o seu destino. De comum a todos eles está o facto de terem tido a TV na base da sua popularidade, principalmente através do festival da RTP, do qual foram uns a seguir aos outros desistindo, e, também, excepção feita a Maria do Amparo - C. A. Moniz, o terem servido poemas (e não meras letras) de Ary dos Santos e José Niza.
Quer pela popularidade que alcançaram e também pelo trabalho que fizeram com esses dois autores, este grupo de cançonetistas, que de certo modo se situa entre uns e os outros, tem certas responsabilidades perante o público, o telespectador em particular. Responsabilidades que, como já se disse, se começavam a adivinhar como conscientemente assumidas.
Mas a verdade é que, até à presente data, nada apareceu a confirmar ou a negar o que se adivinhava. E verdade também é que já não estamos no tempo de jogar às adivinhas. Nem na canção.
Uma pausa para meditar? Está bem. Pode ser salutar. Ficar entre uns e outros é que não pode ser.
Tele Semana nº 88, de 27 de setembro de 1974

4 de janeiro de 2012

TONICHA CANTA CAVALO À SOLTA

As imagens de hoje são da promoção ao Festival RTP da Canção de 1986. Neste clip de promoção, vários vencedores do festival cantam o muito aclamado "Cavalo à solta" com letra de José Carlos Ary dos Santos e música de Fernando Tordo.






(Carlos Mendes, Tonicha e Sérgio Borges)



(Tonicha e Sérgio Borges)

Sérgio Borges, cantor natural da Madeira e recentemente falecido, foi vocalista do Conjunto Académico João Paulo. Em 1970, Sérgio Borges participou no Festival RTP da canção com o tema "Onde vais rio que eu canto" do qual saiu vencedor. Aqui fica a homenagem.



(Eduardo Nascimento, Carlos Mendes, Tonicha e Sérgio Borges)



(Tonicha, Sérgio Mendes e Paulo de Carvalho)



(Todos os intérpretes, orquestra e coro)
Pode ver o vídeo aqui.

9 de novembro de 2011

TONICHA: PORTUGAL NO CORAÇÃO

HOMENAGEM A PEDRO OSÓRIO

Recordamos algumas das imagens que conseguimos obter da participação de Tonicha no programa "Portugal no Coração", RTP, no passado dia 19 Outubro, numa emissão especial que a estação pública preparou de homenagem ao maestro Pedro Osório.






Durante este especial, a RTP procurou nos seu extenso espólio audiovisual e brindou-nos com um excerto do videoclip do tema "Maria da Conceição", de que as duas imagens anteriores são exemplo.
Trata-se de um tema com letra de Joaquim Pessoa e música do maestro Pedro Osório. Faz parte de um programa exibido em 1984 e dedicado ao repertório de música tradicional de Tonicha.





Tonicha e Fernando Tordo conversam sobre as suas colaborações musicais com o maestro Pedro Osório. Aqui fazem referência ao LP "As duas faces de Tonicha" (ZIP, 1974) da autoria de Pedro Osório, Fernando Tordo e Ary dos Santos e ao LP "Ela por ela" (Polygram, 1980) da autoria de Joaquim Pessoa, Carlos Mendes e Pedro Osório.





Agradecimentos especiais:
- RTP
- Ana Rodrigues

9 de setembro de 2010

FESTIVAL RTP DA CANÇÃO

1971 OS TRÊS VENCEDORES

A vitória de Tonicha no Festival RTP da Canção de 1971 foi amplamente noticiada na imprensa da época. A extinta revista de espectáculos "Plateia", da Agência Portuguesa de Revistas, foi um dos títulos que lhe deu destaque. Na página que hoje partilhamos, a revista apresenta, em jeito de pódio, as três canções mais votadas, ilustrada com as respectivas letras e fotos dos intérpretes.


in Revista Plateia nº 526, 2 de Março de 1971, p.23

14 de julho de 2008

TONICHA: O PRETO NO BRANCO

TANTO ME FAZ
SINGLE, ZIP-ZIP, 30 056/S



OUTRAS CANÇÕES POLITIZADAS

Mais duas canções alusivas à Revolução de Abril, ainda por conta da editora Zip Zip, produzidas e editadas por Sassetti, SARL.
Pelo número de série do single, deduz-se que é posterior ao "Obrigado Soldadinho", mas certamente do mesmo ano de 1974.
Gravado nuns estúdios em Madrid, o disco conta com os seguintes temas:

FACE A
O PRETO NO BRANCO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Pedro Osório)




FACE B
TANTO ME FAZ
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)




Curiosamente, o single é desdobrável e no seu interior há uma linda fotografia da Tonicha, ainda muito jovem, em estúdio:



Os arranjos e a Direcção Musical estiveram a cargo do maestro Pedro Osório.
O single "Outras canções politizadas" foi gravado em Madrid, nos estúdios Eurosonic.

14 de junho de 2008

TONICHA: A VOZ DO MEU POVO

25 ABRIL 25 ANOS 25 CANÇÕES



No ano de 1998, a editora Strauss edita uma compilação de canções de ante e após Revolução para comemorar os 25 anos do 25 de Abril.
Para esta compilação seleccionaram duas canções a solo de Tonicha: "A voz do meu povo" de Ary dos Santos e Fernando Tordo e "Obrigado soldadinho" com letra de Ary dos Santos (sobre a música popular "Vira dos malmequeres"), e com arranjo de Pedro Osório.

A VOZ DO MEU POVO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

É da torre mais alta do meu pranto
Que eu canto este meu sangue
Este meu povo
Nessa torre maior em que apenas
Sou grande
Por me cantar de novo

Cantar como quem despe
A ganga da tristeza
E põe a nú a espada da saudade
Chama que nasce e cresce
E vive e morre acesa
Em plena liberdade

É da voz do meu povo uma criança
Semi-nua nas docas de Lisboa
Que eu ganho a minha voz
Caldo verde sem esperança
Laranja de humildade
Amarga lança
Até que a voz me doa

É da voz do meu povo uma traineira
Que já não pode mais andar à toa
Que acendo a minha voz
Na praça da Ribeira
A praça da canção que tem Lisboa.


in 25 ABRIL 25 ANOS 25 CANÇÕES, Strauss, 1998

Incluíram também duas canções gravadas na euforia de Abril pelo grupo INCLAVE, pela Tonicha e pelo Fernando Tordo: "Portugal Ressuscitado" ("Agora o povo unido nunca mais será vencido") e "Canção Combate" ("A Pide agora já não nos persegue/E já cá canta o Manuel Alegre").

PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)

Depois da fome, da guerra
Da prisão e da tortura
Vi abrir-se a minha terra
Como um cravo de ternura

Vi nas ruas da cidade
O coração do meu povo
Gaivota da Liberdade
Voando num Tejo novo

Agora o povo unido
Nunca mais será vencido
Nunca mais será vencido

Vi nas bocas, vi nos olhos
Nos braços, nas mãos acesas
Cravos vermelhos aos molhos
Rosas livres portuguesas

Vi as portas da prisão
Abertas de par em par
Vi passar a procissão
Do meu país a cantar

Nunca mais nos curvaremos
Às armas da repressão
Somos a força que temos
A pulsar no coração

Enquanto nos mantivermos
Todos juntos lado a lado
Somos a glória de sermos
Portugal ressuscitado.

TONICHA: CANÇÃO DO CIGANO

O REGRESSO
CD, POLYGRAM (POLYDOR), 519722 2



Após alguns anos de afastamento, Tonicha regressa às canções e aos discos.
Agora, já na era do CD, edita "REGRESSO", em 1993, disco composto por 14 temas de cariz popular rebuscando algumas canções de glórias passadas como "O cavaquinho", "Canção do cigano" e "Mariana".
Apresenta também temas inéditos como "Minha terra de Agosto desejado" (letra do marido, João Maria Viegas, e música de Luís Pedro Fonseca), "O que é eu faço" (letra de João Maria Viegas e música de Nuno Nazareth Fernandes), "O mercado" (letra de Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes) e "Ao domingo" (letra de Joaquim Pessoa e música de Fernando Tordo).
Conforme se pode ler no folheto do CD, as canções "Minha terra de Agosto desejado" e "O que é eu faço" são dedicadas ao emigrante português.
Reaparece na televisão em dois programas de grande audiência: na RTP, no "Parabéns" do Herman José e, na SIC, em "Falas tu ou falo eu" de Fernando Tordo e Carlos Mendes.



CANÇÃO DO CIGANO
(Letra: Vasco de Macedo/Música: Frederico de Brito)

Pelas raias de Espanha nas sombras da noite
Passava um cigano no seu alazão
O vento brandia seu nórdico açoite
As folhas rangiam caídas no chão.

E já embrenhado no alto Alentejo
Nas sombras da noite tingidas de breu
Nem mais uma praga nem mais um desejo
Aos ecos distantes o pobre gemeu.

Não há maior desengano
Nem vida que dê mais pena
Do que a vida de um cigano
Atravessar a fronteira
Para ser atravessado
Por uma bala certeira
E tudo porque o destino
Só fez dele um peregrino
Companheiro do luar
Um pobre judeu errante
Que não tem pátria nem lar.

E o contrabandista temido e valente
Voltava de Espanha no seu alazão
Um tiro certeiro e o braço dormente
E um rasto de sangue marcado no chão.

E já embrenhado no alto Alentejo
Nas sombras da noite tingidas de breu
Nem mais uma praga nem mais um desejo
Aos ecos distantes o pobre gemeu.

Não há maior desengano
Nem vida que dê mais pena
Do que a vida de um cigano
Atravessar a fronteira
Para ser atravessado
Por uma bala certeira
E tudo porque o destino
Só fez dele um peregrino
Companheiro do luar
Um pobre judeu errante
Que não tem pátria nem lar.



CHULA
(Letra: João Maria Viegas / Música: Rão Kyao)

Cantigas de portugueses
Lembram gaivotas no ar
Voando por entre as ondas
Trocando as voltas ao vento
Com medo de naufragar.

A cantar me fiz mulher
Fiz da vida uma cantiga
Cantigas leva-as o vento
O vento levou-me todos
Os sonhos de rapariga.

Fui ao mar pra ver as ondas
O mar gemia de dor
Trazia prantos e mágoas
Eram marés que mandavam
Saudades do meu amor.

Adeus ó vareira chula
Ó minha velha canção
Vens das terras de Galiza
Trazes notícias de Espanha
Com sabor a tradição.


FOTOS: Vasconcellos e Sá / DESIGN GRÁFICO: Álvaro Reis

MINHA TERRA DE AGOSTO DESEJADO
(Letra: João Maria Viegas / Música: Luís Pedro Fonseca)

Meu amor, minha terra, meu país
Meu fruto saboroso na distância
Meu quintal semeado de alecrim
Que enfeitaste de ilusões a minha infância

Minha terra de Agosto desejado
Minha pipa de vinho morangueiro
Minha noiva de Viana, meu brocado
Meu jardim, meu recanto e meu canteiro

Esta saudade que mata
Este bem querer que perdura
Daquele luar de prata
Que revejo na lonjura

Este destino fadista
Que marcou o meu passado
Por sonhos e palavras ditas
Nos versos do nosso fado

Meu país de fados magoados
Que guitarras entoam noite fora
Misturando nos acordes e trinados
Saudades da família que lá mora

Minha aldeia dos pares de namorados
Que ao domingo se passeiam pela rua
E que à noite se entregam, abraçados
Jogando às escondidas com a lua.