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9 de outubro de 2024

"Canção da Alegria"

Marina Mota, no Festival Caixa Alfama, relembrou-nos esta canção de Tonicha: "Canção da Alegria" (Joaquim Pessoa / Tozé Brito). Apresentamos o single (com a "Canção Sem Ti" no Lado B) retirado do LP "Ela Por Ela" (Polygram, 1980).


 

10 de novembro de 2021

"Canção da alegria" reinterpretada

Mitó (dos grupos A Naifa e Señoritas), fã incondicional de Tonicha, reinterpreta, com Ana Bacalhau, "Canção da alegria", de Joaquim Pessoa e Tozé Brito, no cd de homenagem ao autor/compositor, disponível a 12 de novembro, neste ano do seu 70º aniversário.

"Quando me disseram que ela [Mitó] ia entrar no álbum, eu sabia que ela ia escolher uma canção de Tonicha", disse Tozé Brito ao Diário de Notícias.

O disco "Tozé Brito (de) Novo" reúne versões novas de canções que ele escreveu para Tonicha, Adelaide Ferreira, Herman José, Doce, Dina, Carlos do Carmo ou Ana Moura, agora recriadas por Selma Uamusse, Camané, Catarina Salinas, Tiago Bettencourt e António Zambujo, entre outros.

"Canção da alegria" foi o grande sucesso do LP "Ela por ela", Polygram, 1980.


9 de outubro de 2020

A ARTE E A MÚSICA DE TONICHA

 A Universal Music Portugal disponibilizou hoje o LP de 1985, "A Arte e a Música de Tonicha". É uma coletânea com 26 canções. Está dividida em 4 secções. "No Início" tem 6 canções, algumas das mais antigas do repertório da cantora: duas vencedoras do Festival da Figueira da Foz ("Boca de amora", de José Gouveia, e "A tua canção avozinha", de Rocha de Oliveira); uma da dupla Manuel Paião/Eduardo damas ("Um minuto sem te ver"); uma da colaboração com José Cid/Quarteto 1111 ("Caminheiro, donde vens"); uma de Luís Miguel de Oliveira ("D. Pedro que volta da pinga") e "O Menino" (Ary/Tozé Brito). "Tradicionais" apresenta 7 canções do cancioneiro tradicional português, como "Vira dos malmequeres", "Resineiro" ou "Maria Rita (cara bonita)". A terceira secção, "Êxitos populares", abrange alguns dos temas mais populares: "Zumba na caneca", "Gaiteiro português", "Chico pinguinhas" ou "Sericotalho, bacalhau, azeite e alho". Finalmente, a última parte, "A outra face", inclui canções de autor: "Maria da Conceição (Joaquim Pessoa/Pedro Osório); a famosíssima "Canção da alegria" (Joaquim Pessoa/Tozé Brito); "O orquestrador" (Fernando Guerra) ou "Pela vida fora" (João Henrique/Carlos Santos) - uma das quatro canções defendidas por Tonicha no Festival RTP da Canção 1978.


1 de outubro de 2020

Tonicha: "O Menino"

 O mês de outubro começa com o lançamento, pela Universal Music Portugal, do single "O Menino" (Lado A) e "Um Grande Amor" (Lado B). Foi a última colaboração entre Ary dos Santos e Tonicha. Ambas as canções têm música de Tozé Brito e letra de José Carlos Ary dos Santos. A produção é de Tozé Brito. Os arranjos e a direção de orquestra são de Mike Sergeant. "O Menino" foi uma canção que invadiu as rádios e fez parte de inúmeras coletâneas. Integrou o duplo LP de 1985 "A Arte e a Música de Tonicha" (editado posteriormente em cd) e integrou também o CD de 2008 "Canções para os Meus Netos... de Qualquer Idade". Já a canção do Lado B, "Um Grande Amor", nunca tinha sido reeditada em CD, nem disponibilizada nas plataformas digitais. É-o agora e os inúmeros fãs desta canção, tão bem interpretada, podem assim enriquecer a sua lista de canções de Tonicha.



9 de dezembro de 2008

PULGUINHAS

MARCHA DOS MARINHEIROS
SINGLE, POLYGRAM, 2063090

Gostaríamos de poder apresentar a discografia da cantora de uma forma mais organizada e (crono)lógica, mas a verdade é que este blogue vai sendo construído ao sabor das ofertas, das aquisições e de algumas imagens e informações que nos vão fazendo chegar.

Quando pensávamos que já tínhamos encerrado a discografia de Tonicha relativa aos anos 80, apareceu-nos mais um disco desta década (em duas versões).



Em 1982, a Polygram lança mais um single de Tonicha, "Pulguinhas".
Foi um tema muito tocado nesse Verão e que integrou compilações de êxitos de Verão.
O lado 2 do disco, "Marcha dos Marinheiros", é uma recriação de uma canção antiga, que Tonicha interpreta de forma magistral e que também teve muito sucesso, vindo a integrar várias colectâneas da cantora.

LADO 1
PULGUINHAS
(António Pinho/Tozé Brito/Arr. Shegundo Galarza)
LADO 2
MARCHA DOS MARINHEIROS
(Matos Sequeira-Pereira Coelho/C. Calderon/Arr. Carlos Alberto Moniz)



MARCHA DOS MARINHEIROS
(Matos Sequeira-Pereira Coelho/C. Calderon/Arr. Carlos Alberto Moniz)

Os marinheiros aventureiros
São sempre os primeiros
Na terra ou no mar
Ao ver as belas
Pelas janelas
Soltam logo as velas
Para as conquistar.
Ao navegar
Sobre as ondas desde Gôa
Nós viemos a pensar
Nas meninas de Lisboa
Desembarcados
Mesmo assim os marinheiros
Vamos ficar ancorados
A uns olhos traiçoeiros.

Salgadas pelo mar
As nossas bocas vêm
Vêm procurar o mel
Que os beijos têm
Que é tão bom para as adoçar.

Largamos vela
Da ribeira de Panjim
A pensar numa janela
Enfeitada de alecrim
Entrando a barra
Mal a nau chega a Belém
O marujo deita amarra
À mulher que lhe convém.

Salgadas pelo mar
As nossas bocas vêm
Vêm procurar o mel
Que os beijos têm
Que é tão bom para as adoçar.

A marinhagem
Ao saltar dos escaleres
Quando chega da viagem
Põe-se à pesca das mulheres
Deita o arpão
Sem saber se é linda ou feia
Vem às vezes um peixão
Outras vezes vem baleia.

Os marinheiros aventureiros
São sempre os primeiros
Na terra ou no mar
Ao ver as belas
Pelas janelas
Soltam logo as velas
Para as conquistar
Soltam logo as velas
Para as conquistar.



O sucesso do tema "Pulguinhas" foi de tal ordem que foi reeditado para o mercado estrangeiro com uma nova capa e com a indicação de "Summer Hit". Desta vez a edição foi da Philips.

14 de junho de 2008

TONICHA: MULHER

MULHER
CD, POLYGRAM, 537243-2



Em 1997, Tonicha regressa às grandes canções de amor com um repertório muito cuidado quer na escolha dos poemas, quer na música e nos arranjos musicais.
Há poemas de José Gomes Ferreira, Raúl de Carvalho, Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e António Botto. Há duas versões de canções estrangeiras: "Que mulher é esta" de Bryan Adams e "Dias de arco-íris" de Di Bari. Há ainda uma bonita homenagem em forma de canção, de Tozé Brito e António Pinho, à carreira de Tonicha: "O meu caminho".
Todas as fotografias presentes no álbum são da autoria de Jorge Nogueira.

Na contracapa do CD encontram-se as seguintes palavras de Baptista-Bastos:

A Piaf afirmava que a arte de cantar (ela dizia, de uma forma mais rigorosa: "cançonetar") tinha como matriz "um pungente apelo interior". Tonicha pertence a essa estirpe de gente que canta aqueles que nos cantaram, servindo-se de uma voz pessoalíssima e absolutamente intransmissível. Digo: inimitável. Ela possui o tal registo interior que confere aos poemas escolhidos a dimensão do tempo, a marca de uma época e o timbre de uma personalidade. Personalidade, isso mesmo. Até porque Tonicha sabe, como poucos cantores portugueses, que cantar é amar o outro; os outros. E dizer-lhes que, apesar de tudo, ainda vale a pena acreditar. Porque não há conquista sem luta nem luta sem sofrimento.
Convido-os a escutar este disco, afinal a veemência de uma declaração de amor ao outro, aos outros-a todos nós.
Baptista-Bastos in MULHER, Polygram, 1997


POEMA DE AMOR
(António Botto / Arranjo: Luís Pedro Fonseca)

Quem é que abraça o meu corpo
na penumbra do meu leito?
quem é que beija o meu rosto
quem é que morde o meu peito.

Quem é que fala da morte
docemente ao meu ouvido?
és tu senhor dos meus olhos
e sempre do meu sentido.

De saudades vou morrendo
e na morte vou pensando.
Meu amor porque partiste
sem me dizer até quando?

Na minha boca tão triste
ó alegrias, cantai
mas quem acode ao que eu digo
- Enchei-vos de água, meus olhos
enchei-vos de água, chorai.



CAVALO DE PALAVRAS
(Ary dos Santos/Joaquim Pessoa/Carlos Mendes)

Dos seixos destas mãos
Prenhes de mágoas
Dos freixos que dobravam a cintura
Dos olhos que já trouxe rasos de água
Eu fiz o meu ribeiro de ternura.

E das palavras ditas em segredo
Das coisas ciciadas pelo vento
Da minha imensa luta contra o medo
Eu fiz o meu caudal de sofrimento.

Cavalo de palavras quem me agarra
Quem aparta de mim esta saudade
Quem faz da minha voz uma guitarra
Tocada pelos dedos da verdade.

Quem é que põe a flor da madressilva
Na louca trepadeira dos meus braços
Quem pode desbravar a minha selva
De angústias e tormentos e cansaços.

E quem terá a cor da buganvília
Espreitando pelos olhos da janela
Quem pode ser a sombra de uma tília
Cheirando a alfazema e a canela.

Só tu que eu inventei mas não existes
Só tu que não sei bem se não és eu
E alegras os momentos que são tristes
E deitas o teu corpo sobre o meu.

O MEU CAMINHO
(Tozé Brito / António Pinho)

Essa voz lá de longe da minha terra
O chão que eu senti na ponta dos dedos
Contaram-me histórias
Que trazem memórias
De velhos segredos.

Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.

Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mar de prata
Corpo miudinho
Alma de fragata
Fiz o meu caminho.

Fiz o meu caminho
Fui como andorinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho
Em chegando a hora.

Faço o meu caminho.

Essa Mãe toda toda oiro do trigo e do Sol
O vento a cantar na veia d'água a correr
Mulher e menina
Foi a minha sina
Meu jeito de ser.

Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.

Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho.

Em chegando a hora
Faço o meu caminho.



AO MENOS UMA VEZ
(Letra e música: Pedro Barroso)

Abrir a porta que dá para o rio defronte
morder um malmequer azedo p'lo caminho
regressar de ouvido ao som que estava ausente
sentir o sol na cara e o cheiro a rosmaninho
e às vezes uma ortiga
às vezes uma rosa
e às vezes uma amora
que eu mordo com saudade
estamos sempre a tempo de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente de verdade.

Soltar na noite aberta a fantasia
viver o sonho como quem se aquece
ao fogo de um cuidado, ao fogo de um carinho
tecer em linho puro a vida que acontece
e às vezes uma ideia,
às vezes um poema,
às vezes um olhar
que vai valer a pena
estamos sempre a tempo
de ainda descobrir
ao menos uma vez
um gesto por sentir
depois ficam amigos às vezes até tarde
quando passa o carteiro a gente diz - Bom dia!
ser português assim se querem a verdade
é nascer uma menina e os pais porem: Maria...
e às vezes encontrar
razões p'ra lá de nós
e às vasculhar
na arca dos avós
estamos sempre a tempo
de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente conseguida.



TERRA MÃE
(Raúl de Carvalho / Arranjo: Luís Pedro Fonseca)

Lá nos campos, tristes campos
Dos campos do Alentejo
Vim ainda pequenina
- E pequenina me vejo...

Lá nos campos, tristes campos
Da solitária planura
Nasceu a minha revolta
Nasceu a minha amargura.

Lá nos campos, tristes campos
Vem a lembrança de tudo
O que mais amo e desejo.
Vem a fome a sede e o sonho
Das terras do Alentejo.



Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira/José Almada)

Ó pastor que choras
O teu rebanho onde está
Deita as mágoas fora
Carneiros é o que mais há

Uns de finos modos
Outros vis por desprazer
Mas carneiros todos
Com cargo de obedecer

Quem te pôs na orelha
Essas cerejas, pastor
São de cor vermelha
Vai pintá-las doutra cor

Vai pintar os frutos
As amoras e os rosais
Vai pintar de luto
As papoilas e os trigais.

QUE MULHER É ESTA
(J. Fanha/B. Adams/R. J. Lange/ N. Kamen)
Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira/José Almada)
NA PEDRA DO TEU ANEL
(António Pinho/Carlos A. Vidal)
AO MENOS UMA VEZ
(Pedro Barroso)
FOLHINHA VERDE
(António A. Pinto/Carlos A. Vidal)
TERRA MÃE
(Raul de Carvalho/Luís Pedro Fonseca)
CAVALO DE PALAVRAS
(Ary dos Santos/Joaquim Pessoa/Carlos Mendes)
O NOSSO MENINO
(António A. Pinho/Carlos A. Vidal)
POEMA DE AMOR
(António Botto/Luís Pedro Fonseca)
DIAS DE ARCO-ÍRIS
(António J. L. Lampreia/Masini/Pintacci/Di Bari)
AVÉ MARIA
(Luís Pedro Fonseca/Schubert)
O MEU CAMINHO
(António A. Pinho/ Tozé Brito)

TONICHA: ELA POR ELA

CHAMAR-TE MEU AMOR
LP, POLYDOR, 2480 586

Grava o álbum "ELA POR ELA", em 1980 em Lisboa (de 15 de Setembro a 22 de Outubro), com canções de Carlos Mendes, Joaquim Pessoa, Tozé Brito e Pedro Osório.
"ELA POR ELA", considerado por muitos o melhor disco de repertório de autor de sempre de Tonicha, contém algumas das melhores interpretações da cantora, casos de "Canção da Alegria", "Chamar-te meu amor" (com arranjo de Pedro Osório, talvez uma das melhores canções de amor que Tonicha já cantou) e "Canção sem ti", que juntamente com "Canção de Rosalinda" foram das mais tocadas na rádio.



É de salientar ainda os excelentes temas "Canção da coragem" e "Canção do amor perdido", uma composição de Carlos Mendes para as letras do poeta Joaquim Pessoa, que Tonicha interpreta magistralmente, tinha então 34 anos.
Este disco foi reeditado em CD no ano de 1996.

Canção da Coragem (Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
Nem que a morte me soltasse
todas as velas no sangue
deixaria a minha casa
como se fosse culpada
Nem que a morte me soltasse
todas as velas no sangue

Nem que morte me dissesse:
"Virás de noite comigo..."
eu trairia um amigo
Nem que a morte me levasse
Nem que a morte me dissesse
Nem que vida me fugisse

Nem que morte me fechasse
todas as portas do sonho
deixaria de cantar
Nem que a morte me calasse
Nem que a morte me fechasse
todas as portas do sonho

Nem que a morte acontecesse
bem por dentro dos meus olhos
eu deixaria de viver
todo o amor de joelhos
Nem que a morte me acontecesse
ou me amor, me cegasse

Ai nem que a morte viesse
como só vem a tristeza
eu me dava por vencida
Nem que a morte me doesse
Ai que nem a morte viesse
como só vem a tristeza

E se a morte violentasse
as paredes do meu peito
meu coração lá estaria
como uma rosa de esperança
como um pássaro de sangue
ou uma bala perdida.



Chamar-te meu amor
(Joaquim Pessoa / Pop.-Arr.Pedro Osório)

Dizer que tudo em ti é movimento
e que há corças nas selvas em redor
do amor que às vezes faço em pensamento
ou do que eu penso quando faço amor.

Dizer que em tudo escuto a tua voz
no mar no vento na boca das searas
o maior amor do mundo somos nós
cobrindo a solidão de pedras raras.

Dizer tudo o que eu digo nunca basta
pois para ti não chegam as palavras
meu amor é uma expressão que já está gasta
mas tem sempre um aroma de ervas bravas.

É por ti tudo o que faço e digo e chamo
por ti eu tudo invento e tudo esqueço
dou tudo o que há em mim quando te amo
mas nem sei meu amor se te conheço.



CANÇÃO DE ROSALINDA
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
MENINO DE OIRO, MENINO DE LATA
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
MARIA DA CONCEIÇÃO
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Pedro Osório)
CONVERSA A DOIS
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
CHAMAR-TE MEU AMOR
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Popular/Arranjo: Pedro Osório)
CANÇÃO DA ALEGRIA
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Tozé Brito)
CANÇÃO SEM TI
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: P. de Senneville / O. Toussaint / Arranjo: Pedro Osório)
CANÇÃO DA CORAGEM
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
CANÇÃO DO AMOR PERDIDO
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
MADALENA
Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)

Embora Tonicha sempre tenha feito por demarcar o seu repertório musical, alternando álbuns de repertório do Cancioneiro Popular Português com outros de repertório de Autor (e apesar de se "recusar" a gravar temas cantados por colegas cantores), logo no ano seguinte à edição de "ELA POR ELA", em 1981, a cantora Simone de Oliveira regrava o tema "Chamar-te meu amor" em versão fado no seu álbum chamado "Simone".
Também o cantor Marco Paulo, conhecido musicalmente pelas muitas versões que cantou (especialmente de canções de língua estrangeira), gravou uma versão de uma canção do álbum "ELA POR ELA", a "Canção da Alegria".

Canção do amor perdido
(Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
Era o deserto em que eu te percorria
e te inventava
eram pedaços de um dia
em que a alegria morria
quando a saudade voltava
Nas minhas mãos te acendia
quando o dia se apagava

Eras tu meu amor e eu sabia
adivinhava
e o silêncio que eu trazia
era sede que nascia
e nunca mais acabava
Quando o amor nos despia
é que a noite começava

Era o meu cabelo à solta
as tuas mãos no meu peito
eram beijos de revolta
num tempo quase desfeito

Eram dois corpos em flor
rosas da cor do meu espanto
quando o desejo era tanto
que só restava esta dor

Meu amor

Era o deserto em que eu te percorria
e te inventava.

CANÇÃO DA ALEGRIA
SINGLE, POLYDOR, 2063 061



Canção da Alegria(Joaquim Pessoa / Tozé Brito)
Há um pássaro que voa
Sobre as janelas do dia
Fugiu do meu peito
Poisou no meu leito
E fez
Um ninho de alegria.

Alegria que nasceu
De uma rosa quase pura
Meu amor dormindo
Nesta noite abrindo
Em flor
A minha ternura.

Tenho sede de viver
Tenho a vida à minha espera
Sou uma rosa a crescer
No azul da primavera.

Tenho sede de viver
De fazer amor contigo
Quantas vezes eu quiser
Amante, amor e amigo.

Há palavras que regressam
Como um beijo à minha boca
Para possuir-te
Para pertencer-te
A noite
Será sempre pouca.



Canção sem ti(P. de Senneville/O. Toussaint)
(Arranjo: Pedro Osório)
sobre "A Comme Amour"


Sem ti
que me importa que o sol mude de cor
sem ti
já não me interessa mais seja o que for
sem ti
é como um jardim sem uma flor
viver sem ti
não é viver meu amor

Viver sem ti
é como se já nada mais houvesse
sem ti
é como se outro dia não nascesse
viver sem ti
é como se o meu peito não batesse
quero dizer
viver sem ti é morrer

Sem ti
sem a cama dos teus braços
ficarei à tua espera
porque sem ouvir teus passos
nunca mais é primavera

Viver sem ti
é pior que enlouquecer
não sentir nenhuma dor
é lutar por te esquecer
e esquecer-te meu amor
é não viver

Sem ti
podem morrer estrelas no universo
sem ti
não poderei cantar nem mais um verso
sem ti
nenhuma madrugada há-de chegar
viver sem ti
é não poder mais amar
...
é como se já nada mais houvesse
...
é como se outro dia não nascesse
...
é como se o meu peito não batesse
quero dizer
viver sem ti é morrer!

TONICHA: MINHA MÃE, MINHA MÃE

CANTIGAS POPULARES

CANTIGAS POPULARES, de 1976, é o resultado de, talvez, uma das mais interessantes parcerias da música portuguesa, esta que uniu Tonicha ao então ainda pouco conhecido Jorge Palma que, já em meados dos idos anos 70, com a Direcção Musical do álbum da cantora alentejana indiciava o talento e a mestria na arte da música que hoje se lhe (re)conhece.



Tonicha regressa ao folclore com uma nova série de discos dedicados às cantigas do nosso país. O álbum "CANTIGAS POPULARES" (da Orfeu/Arnaldo Trindade e Cª), com arranjos e uma brilhante Direcção Musical de Jorge Palma, com produção e selecção musical de João Viegas, é editado no ano de 1976.

Deste álbum foram lançados os EP seguintes:

CANTIGAS POPULARES 1
EP, ORFEU, ATEP 6698



MINHA MÃE, MINHA MÃE
(Popular/Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Minha mãe, minha mãe
ó minha mãe minha amada
quem tem uma mãe tem tudo
quem não tem mãe não tem nada.

Eu cheguei e embarquei no comboio
que soprava pela linha
e ás vezes penso comigo e digo:
- Triste sorte que é a minha.

Depois de chegar ao Barreiro
embarquei no vapor que passa o Tejo
Chora por mim, que eu choro por ti
Já deixei o Alentejo.
Chora por mim, que eu choro por ti
Já deixei o Alentejo.

Minha mãe, minha mãe
por Deus não me peça nada
Vale-me Tu nesta hora
que eu p'ra aqui estou desprezada.



ENTRUDO
(Popular/Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Ó entrudo, ó entrudo
ó entrudo chocalheiro
que não deixas assentar
as mocinhas ao soalheiro.

Eu quero ir para o monte
eu quero ir para o monte
que no monte é que estou bem
que no monte é que estou bem.

Eu quero ir para o monte
eu quero ir para o monte
onde não veja ninguém
que no monte é que estou bem.

Estas casas são caiadas
estas casas são caiadas
quem seria a caiadeira
quem seria a caiadeira.

Foi o noivo mais a noiva
foi o noivo mais a noiva
com um ramo de laranjeira
quem seria a caiadeira.

CANTIGAS POPULARES 2
EP, ORFEU, ATEP 6699



ROSEIRA BRAVA
(A. Ferreira Guedes/José Niza)

Roseira brava, roseira
Barco sem leme nem remos
Roseira brava é a vida
Que amargamente vivemos.

Roseira brava não tem
Rosas abertas nos ramos
Roseira brava é espinho
Que em nosso peito cravamos.

Roseira brava, roseira
Rosa em botão desfolhada
Roseira brava é teu rosto
Rompendo da madrugada.

Roseira brava no vento
Vai espalhando a semente
Roseira brava é lembrar
Quem se não lembra da gente.

Roseira brava, roseira
Que o sol de Verão não aquece
Roseira brava é o amor
A quem amor não merece.

Roseira brava é o ódio
Que vai minando a raiz
Roseira brava, roseira
Roseira do meu país.

Roseira brava é o ódio
Roseira do meu país.



CHARAMBA
(Letra e música: Popular - Ilha Terceira)
(Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Das modas da minha terra, da minha terra
A Charamba é a primeira.
Das modas da minha terra, da minha terra
A Charamba é a primeira.

Vou começar por cantá-la, ai por cantá-la
Lembrando a Ilha Terceira.
Vou começar por cantá-la, ai por cantá-la
Lembrando a Ilha Terceira

Boas noites meus senhores, senhoras e belas flores
Que aqui estais neste salão.
Boas noites meus senhores, senhoras e belas flores
Que aqui estais neste salão.

Para vós eu vou cantar, e a todos quero saudar
Do fundo do coração.
Para vós eu vou cantar, e a todos quero saudar
Do fundo do coração.

CANTIGAS POPULARES 3
EP, ORFEU, ATEP 6700



OLHOS PRETOS
(Popular/Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Olhos pretos
pretos pretos
são gentis
são gentios da Guiné.

Ai da Guiné por serem pretos
gentios por não terem fé.

Olhos pretos
são brilhantes
semelhantes
aos luzeiros que o céu tem.

Uns olhos pretos
eu preferi
e nunca vi
de cor mais linda ninguém.

Olhos pretos
são brilhantes
semelhantes
aos luzeiros que o céu tem.



MENINA FLORENTINA
(Popular/Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Ó menina Florentina
é do peito o coração, menina
seu amante delirante
de viagem chegou neste instante.

REFRÃO
Já cá está tiro-liro-liro-lé
Já cá está tito-liro-liro-ló
Já cá está tiro-liro ó amor
Tiro-liro abre a porta, ó branca flor.

Adormecei num jardim
a cheirar a branca flor
acordei e vi-me presa
nos braços do meu amor.

REFRÃO

Quando te não conhecia
Nada de ti se me dava
sem pensamentos dormia
sem cuidados acordava.

REFRÃO

O MENINO
SINGLE, POLYDOR, 2063 015



Entretanto Tonicha muda de editora e passa a ver as suas canções editadas pela Polydor, mais tarde tornada Polygram.
Em 1976, grava o disco "O Menino", com letra de José Carlos Ary dos Santos e música de Tozé Brito. No lado B, canta "Um grande amor" dos mesmos autores.

O MENINO
(J. C. Ary dos Santos / Tozé Brito)

Primeiro fui namorada
E depois mulher feliz
Foi por eu ter sido amada
Que um dia deitei raíz.

Raíz com braços e riso
Com olhos cheios de brilho
Para ser mãe é preciso
Gostar de fazer um filho.

O menino já salta à corda
Joga à bola num jardim
É tão lindo o mais lindo de todos
Porque andou dentro de mim.

O menino já vai à escola
Decora depressa e bem
Ele aprende a tornar-se um homem
E eu aprendo a ser mãe.

Não há no mundo outro amor
Tão imenso e tão profundo
Ser mãe é como dar flor
Pôr uma rosa no mundo.

A rosa que vai crescendo
Folha a folha espinho a espinho
A rosa que vai vivendo
No canteiro do carinho.



MARCHA DA MOURARIA
SINGLE, POLYDOR, 2063 022

Embora ao longo da sua carreira Tonicha tenha sempre feito o possível por não cantar temas de outros colegas cantores (pois sempre quis demarcar-se e construir o seu próprio repertório), gravou a "Marcha da Mouraria" (gravada e cantada por várias cantoras, talvez a mais conhecida seja a gravação deixada por Amália Rodrigues) e a "Marcha de Benfica", também para editora Polydor.



MARCHA da MOURARIA
(Raúl Ferrão / Frederico de Brito)

Mouraria garrida
Muito sacudida
Muito requebrada
Com seu tom de galdério
De moira encantada
É como um livro de novela
Onde o amor é tudo
E o ciúme impera
Ao abrir duma janela
Aparece o vulto daquela severa.
A marcha da Mouraria
Tem o seu quê de bairrista
Certos laivos de alegria
É a mais boémia
É a mais fadista.
Anda toda engraçada
De saia engomada
Blusinha de chita
É franzina pequena
Gaiata morena
Cigana bonita
Tem a guitarra p'ra gemer
Um amor submisso
Que nunca atraiçoa
Este bairro deve ser
'Inda o mais castiço
Da nossa Lisboa.



TU ÉS O ZÉ QUE FUMAS
SINGLE, POLYDOR, 2063 027

Em 1977, ainda pela editora Polydor (Phonogram), grava "Tu És o Zé Que Fumas".
O tema acabou por tornar-se um dos maiores êxitos populares da cantora, estando ainda hoje muito viva no imaginário popular português a interpretação muito característica de Tonicha.
No lado B do single aparece o tema "Cana Verde".




Tu és o Zé que fumas
(Popular / Arranjo: J. Libório)

Tu és o Zé que fumas
Tu és o fumador
Tu és o mariquinhas
Tu és o meu amor.

Ó lua vai-te deitar
Ai no quarto do meu amado
Ai dai-lhe beijinhos por mim
Ai se ele estiver acordado.

Já te dei o coração
Ai coisa que dar não podia
Já te dei a melhor prenda
Que no meu peito trazia.

Ó meu amor, meu amor
Ai ó meu amor, meu enleio
Quando comecei a amar-te
Tinha dez anos e meio.

Tenho corrido mil terras
Aldeias mais de quarenta
Tenho visto caras lindas
Só a tua me contenta.