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2 de março de 2013

Tonicha: LP "Folclore" - 40 anos



Face A

Batatinhas
(Popular - Ribatejo / José Carlos Ary dos Santos)
Vareira do Mar
(Popular - Minho)
A Amendoeira
(Popular - Beira Litoral)
Senhor Padre Valentim
(Popular - Ribatejo / Arranjos de José Carlos Ary dos Santos)
Os Bravos
(Popular - Açores)
Vira do Vinho
(Popular - Ribatejo / Arranjos de José Carlos Ary dos Santos)

Face B

Labuta, Meu Bem, Labuta
(Popular - Ribatejo / José Carlos Ary dos Santos)
Farrapeirinha
(Popular - Beira Litoral)
Dança Daí
(Popular - Douro Litoral)
Malhão de Águeda
(Popular - Beira Litoral)
Passarinho Trigueiro
(Popular - Ribatejo)
Chula de Viana
(Popular - Minho)



















Arranjos e direção musical:
António Chaínho
Grupo de guitarras de António Chaínho:
Raul Nery, José Maria Nóbrega, Francisco Peres "Paquito", Raúl Silva
Fotografia: Álvaro João
Registo de som: Moreno Pinto
ORFEU - 1973

23 de setembro de 2011

JOSÉ NIZA

(16 SET 1938 - 23 SET 2011)


(FOTO: Álvaro João, 1972, José Niza e Tonicha ao fundo durante as gravações de 'Fala do Homem Nascido', um disco conceptual sobre poemas de António Gedeão)

José Niza.
José Manuel Niza Antunes Mendes.
Médico.
Compositor.
Poeta.
Político.

Em Coimbra enquanto estudante de medicina funda, em 1961, com José Cid, Proença de Carvalho, Joaquim Caixeiro e Rui Ressureição, funda a Orquestra Ligeira do Orfeon Académico, uma das melhores formações musicais da altura.
Com o aparecimento da bossa nova e com o ressurgimento do jazz em Coimbra, é fundado o Clube de Jazz do Orfeon Académico e constituído o seu Quarteto: Rui Ressurreição (piano, órgão e vibrafone), José Niza (guitarra eléctrica), Daniel Proença de Carvalho (viola eléctrica) e Joaquim Caixeiro (bateria).

Regressado da guerra colonial em 1971, José Niza passou a ser responsável pela produção da editora Arnaldo Trindade, Lda. (Discos Orfeu) para onde gravavam, ou vieram a gravar, os nomes mais importantes da música popular portuguesa.

Autor de muitas canções para intérpretes como Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo, Carlos Mendes, Duarte Mendes, Tonicha, Teresa Silva Carvalho, Vitorino, Janita Salomé, Rui Veloso, Samuel e muitos outros (para além dos cantores de Coimbra), José Niza ganhou quatro Festivais RTP da Canção.



(21 Abril 2008, José Niza e Tonicha na homenagem feita ao compositor em Santarém)

Recordamos aqui as canções que marcaram a colaboração entre José Niza e Tonicha e que ficaram eternizadas em disco:

1972
LP FALA DO HOMEM NASCIDO

Estrela da Manhã
(Tonicha, Carlos Mendes, Duarte Mendes e Samuel)
Desencontro
(Tonicha e Samuel)
Vidro Côncavo
(Tonicha, Carlos Mendes, Duarte Mendes e Samuel)
Poema da Auto-Estrada
(Tonicha)

1973
A rapariga e o poeta
(Letra: José Niza / Música: José Calvário)
Contraluz
(Letra: José Niza / Música: José Calvário)

1976
Roseira Brava
(Letra: António Ferreira Guedes / Música: José Niza)

24 de outubro de 2008

TONICHA: VIRA DO VINHO

BATATINHAS
EP, ORFEU, ATEP 6541

Lembrámo-nos de recordar dois EP retirados de um álbum que aqui apresentámos recentemente num post no dia 13 de Outubro, "Folclore" (Orfeu, 1973).



FACE A
BATATINHAS
(Popular: Ribatejo - Ary dos Santos)
SENHOR PADRE VALENTIM
(Popular: Ribatejo - Ary dos Santos)

FACE B
VIRA DO VINHO
(Popular: Ribatejo - Ary dos Santos)
PASSARINHO TRIGUEIRO
(Popular: Ribatejo)

BATATINHAS
(Popular: Ribatejo - Ary dos Santos)

Batatinhas miudinhas
A fritar, a fritar na frigideira
Batatinhas miudinhas
A fritar, a fritar na frigideira.

São as senhoras vizinhas
A cortar na casaquinha
Durante uma tarde inteira
São as senhoras vizinhas
A cortar na casaquinha
Durante uma tarde inteira.

Batatinhas miudinhas
Cortadinhas, cortadinhas às rodelas
Batatinhas miudinhas
Cortadinhas, cortadinhas às rodelas

São as senhoras vizinhas
A fazerem intriguinhas
Na ourela das chinelas
São as senhoras vizinhas
A fazerem intriguinhas
Na ourela das chinelas.

Batatinhas miudinhas
Cortadinhas, cortadinhas em palitos
Batatinhas miudinhas
Cortadinhas, cortadinhas em palitos

São as senhoras vizinhas
A dizerem às sobrinhas
Que o senhorio é de gritos
São as senhoras vizinhas
A dizerem às sobrinhas
Que o senhorio é de gritos.

Batatinhas miudinhas
Acabadas, acabadas de fritar
Batatinhas miudinhas
Acabadas, acabadas de fritar

São as senhoras vizinhas
Coitadinhas, coitadinhas
Que não param de falar
São as senhoras vizinhas
Coitadinhas, coitadinhas
Que não param de falar.



VIRA DO VINHO
(Popular-Ribatejo/Ary dos Santos)

Era o vinho, meu bem, era o vinho
Era a coisa que eu mais adorava
Era o vinho, meu bem, era o vinho
Era a coisa que eu mais adorava
Só por morte, meu bem, só por morte
Só por morte o vinho eu deixava
Só por morte, meu bem, só por morte
Só por morte o vinho eu deixava.

Ai minha sogra quando morreu
Ai levou o diabo com ela
Ai minha sogra quando morreu
Ai levou o diabo com ela
Ai deixou-me as chaves da adega
Ai mas o vinho bebeu-o ela
Ai deixou-me as chaves da adega
Ai mas o vinho bebeu-o ela.

Era o vinho, meu bem, era o vinho
Era a coisa que eu mais adorava
Era o vinho, meu bem, era o vinho
Era a coisa que eu mais adorava
Que a velhota levou para a cova
Nem já morta a pinguinha deixava
Que a velhota levou para a cova
Nem já morta a pinguinha deixava.

Nem já morta a pinguinha deixava
E São Pedro porteiro do céu
Nem já morta a pinguinha deixava
E São Pedro porteiro do céu
Amparou-a quando tropeçava
E com ela uma ginja bebeu
Amparou-a quando tropeçava
E com ela uma ginja bebeu.

FOLCLORE
EP, ORFEU, ATEP 6500



Outro dos EP que foram editados pela Orfeu chama-se, tal como o LP, "Folclore" e inclui mais quatro canções.
Os arranjos musicais destes discos são de António Chainho.
Todas as belíssimas fotografias de Tonicha que foram usadas para as capas destes EP são da autoria de Álvaro João.

FACE A
FARRAPEIRINHA
popular (Beira Litoral)
OS BRAVOS
popular (Açores: Ilha Terceira)

FACE B
MALHÃO DE ÁGUEDA
popular (Beira Litoral)
DANÇA DAÍ
popular (Douro Litoral)



DANÇA DAÍ
Popular (Douro Litoral)

Meu benzinho eu vou-me embora
Faz carinhos a quem te adora
Meu benzinho eu vou-me embora
Faz carinhos a quem te adora

Meu benzinho eu já cá estou
Faz carinhos a quem te amou
Meu benzinho eu já cá estou
Faz carinhos a quem te amou

Dança daí
Daqui canto eu
Tu és o meu par
O teu par sou eu (2x)

As estrelas miudinhas
Todas bordam um cordão
Para te prender amor
Todas ao meu coração (2x)

As estrelas no céu correm
Todas numa carreirinha
Assim os beijos corressem
Da tua boca para a minha (2x)

Dança daí
Daqui canto eu
Tu és o meu par
O teu par sou eu (2x)

Recentemente, no programa da RTP "A minha geração", um dos temas que Tonicha apresentou foi precisamente "Os bravos".
Nos espectáculos actuais, com o projecto "Tonicha e venham mais cinco... alentejanos", o repertório inclui duas canções destes discos: "Vira do vinho" e "Os bravos".

OS BRAVOS
(popular: Açores - Ilha Terceira)

Eu fui à terra do bravo
Eu fui à terra do bravo
Bravo, meu bem
Com o meu lenço vermelho
Bravo, meu bem
Com o meu lenço vermelho

O mais bravo que eu lá vi
O mais bravo que eu lá vi
Bravo, meu bem
Foi um mansinho coelho
Bravo, meu bem
Foi um mansinho coelho

Eu fui à terra do bravo
Eu fui à terra do bravo
Bravo, meu bem
Com o meu vestido amarelo
Bravo, meu bem
Com o meu vestido amarelo

Amor de fora da terra
Amor de fora da terra
Bravo, meu bem
Tenho medo que me pelo
Bravo, meu bem
Tenho medo que me pelo

Eu fui à terra do bravo
Eu fui à terra do bravo
Bravo, meu bem
Vestida de azul escuro
Bravo, meu bem
Vestida de azul escuro

Amor que não é da terra
Amor que não é da terra
Bravo, meu bem
Não é firme nem seguro
Bravo, meu bem
Não é firme nem seguro

Eu fui à terra do bravo
Eu fui à terra do bravo
Bravo, meu bem
Para ver se embravecia
Bravo, meu bem
Para ver se embravecia

Cada vez fiquei mais manso
Cada vez fiquei mais manso
Bravo, meu bem
Para tua companhia
Bravo, meu bem
Para tua companhia
Bravo, meu bem
Para tua companhia
Bravo, meu bem
Para tua companhia.

REVISTA PLATEIA, 1972

A propósito destes discos, e porque as memórias também se tecem com as imagens e as palavras que outros escreveram, publicamos o excerto seguinte.
Trata-se de uma notícia publicada na extinta revista PLATEIA da Agência Portuguesa de Revistas, no ano de 1972, numa rubrica intitulada "Ronda" da autoria de Ricardo Soeiro.
A notícia dava conta da mudança da editora de Tonicha. A cantora passou da Movieplay para ingressar na Orfeu, do portuense Arnaldo Trindade.
Haveremos de dedicar futuramente uma secção às publicações da época.

13 de outubro de 2008

TONICHA: VAREIRA DO MAR

FOLCLORE
LP, ORFEU, SB-1066



Continuamos o registo dos vários momentos da carreira de Tonicha.
Hoje apresentamos um LP de 1973, para a editora Orfeu, chamado simplesmente "Folclore". São oito temas populares e quatro temas também populares mas com versos adaptados por José Carlos Ary dos Santos.
Os arranjos musicais do disco são de António Chainho.
A fotografia da capa é da autoria de Álvaro João.

Neste trabalho Tonicha foi acompanhada pelos músicos:

António Chainho e Raúl Nery
(GUITARRAS)
José Maria Nóbrega, Francisco Peres e Manuel Martins
(VIOLAS)
Raúl Silva
(VIOLA BAIXO).

FACE A
BATATINHAS
popular (Ribatejo) - Ary dos Santos
VAREIRA DO MAR
popular (Minho)
A AMENDOEIRA
popular (Beira Litoral)
SENHOR PADRE VALENTIM
popular (Ribatejo) - Ary dos Santos
OS BRAVOS
popular (Açores)
VIRA DO VINHO
popular (Ribatejo) - Ary dos Santos

VAREIRA DO MAR
popular (Minho)

Vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou
dá 'qui, dá cá que eu dou vida
matar a quem me matou.

Matar a quem me matou
vareira linda vareira
vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou.

No meio daquele mar
há uma pedra comprida
com um letreiro que diz
quem lá for arrisca a vida.

Quem lá for arrisca a vida
no meio daquele mar
no meio daquele mar
há uma pedra comprida.

Ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos
quem namora às escondidas
quer abraços e beijinhos.

Quer abraços e beijinhos
ó amieiro do rio
ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos.

Sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira
vou-me para a minha terra
adeus ó chula vareira.

Adeus ó chula vareira
sou cantada, sou bailada
sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira.

FACE B
LABUTA, MEU BEM, LABUTA
popular (Ribatejo) - Ary dos Santos
FARRAPEIRINHA
popular (Beira Litoral)
DANÇA DAÍ
popular (Douro Litoral)
MALHÃO DE ÁGUEDA
popular (Beira Litoral)
PASSARINHO TRIGUEIRO
popular (Ribatejo)
CHULA DE VIANA
popular (Minho)



Muitas destas canções foram passadas nas rádios intensivamente.
Algumas delas integram ainda o repertório que Tonicha tem apresentado com o novo projecto "Tonicha e venham mais cinco... alentejanos".

Deixamos para apreciação estas metáforas bem trabalhadas por Ary dos Santos e muito arrojadas para o antes 25 de Abril:

LABUTA, MEU BEM, LABUTA
popular (Ribatejo) - Ary dos Santos

Labuta, meu bem, labuta
É no mês de Maio que começa a luta
Labuta, meu bem, labuta
É no mês de Maio que começa a luta

Que começa a luta, que rebenta o raio
Vamos colher fruta lá no mês de Maio

Persiste, meu bem, resiste
Lá no mês de Maio não queiras ser triste
Persiste, meu bem, resiste
Lá no mês de Maio não queiras ser triste

Não queiras ser triste, não queiras ser pobre
Lá no mês de Maio não há fruta podre

Trabalha, meu bem, trabalha
É no mês de Maio que a gente lhes malha
Trabalha, meu bem, trabalha
É no mês de Maio que a gente lhes malha

Que a gente lhes malha, que a gente lhes canta
A canção do gaio presa na garganta

Semeia, meu bem, semeia
É no mês de Maio que o fogo se ateia
Semeia, meu bem, semeia
É no mês de Maio que o fogo se ateia

Que o fogo se ateia, que se põe o estrume
Numa terra cheia de trigais de lume
Que o fogo se ateia, que se põe o estrume
Numa terra cheia de trigais de lume.

14 de junho de 2008

TONICHA: FESTIVAL RTP DA CANÇÃO 1973

A RAPARIGA E O POETA
EP, ORFEU, ATEP 6467

A terceira passagem de Tonicha pelo FESTIVAL RTP DA CANÇÃO aconteceu no ano de 1973.
O tema que a cantora defendeu foi "A Rapariga e o Poeta" que, apesar de ser uma canção com um bom texto e uma música forte, acabou por ficar-se pelo penúltimo lugar. Esse foi um Festival muito disputado e que teve como grande favorito Fernando Tordo (que defendeu a canção "Tourada" escrita por Ary).


1973, FESTIVAL RTP DA CANÇÃO, Lisboa


A canção é da autoria de José Niza e José Calvário. Foi editado em disco num EP da editora Orfeu chamado precisamente "A rapariga e o poeta". Na capa apresenta-nos uma bela fotografia de Tonicha da autoria do fotógrafo Álvaro João (que viria a ser responsável por muitas das fotografias dos discos da cantora).

O tema foi reeditado pela Movieplay em 1994 na colecção "O MELHOR DOS MELHORES", como parte integrante de alguns dos temas mais emblemáticos de Tonicha, que também inclui uma das canções da face B do EP de 1973, "Rosa, Rosae" com letra do poeta Ary dos Santos.
"A rapariga e o poeta" faz também parte do alinhamento do CD lançado pela Movieplay no ano 2000 "CLÁSSICOS DA RENASCENÇA", no número 82 (dedicado a Tonicha).
O excelente "Com um cravo na boca", com uma letra pujante de Ary dos Santos e uma música muitíssimo bem conseguida de Jorge Palma (a emprestar a sonoridade "épica" que os versos de Ary sugerem) e "Contraluz" foram incluídos na "ANTOLOGIA 1971-1977" que a Movieplay (detentora dos direitos das canções) lançou em 2004.



FACE A:
A RAPARIGA E O POETA
(Letra: José Niza/Música: José Calvário)
COM UM CRAVO NA BOCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Jorge Palma)

FACE B:
CONTRALUZ
(Letra: José Niza/Música: José Calvário)
ROSA, ROSAE
(Letra: Ary dos Santos/Música: João Henrique).



A RAPARIGA E O POETA
(José Niza/José Calvário)

Poeta amigo
Parto contigo
Nosso degredo
Fica em segredo.
Adeus ao mundo!...
Venham cantores
Descobrir a ilha dos amores!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas
Calaste dores
Mas nunca temeste adamastores!
História ao contar,
Mundo a correr;
Mulheres a amar,
A esquecer, a encontrar,
A perder, a inventar!
Fúrias de mar,
Gestos de amor;
Beber, lutar,
Com quem for;
Naufragar, renascer
E a cantar!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas,
Calaste dores,
Mas nunca temeste adamastores!

Oiça a canção "A rapariga e o poeta" no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=eSLTZ6ngRyA

No ano de 1973 o vencedor do FESTIVAL RTP DA CANÇÃO foi Fernando Tordo, com o tema "Tourada".