Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Osório. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Osório. Mostrar todas as mensagens

17 de abril de 2024

TONICHA CANÇÕES DE ABRIL
LP, DISCÓFILO 2003/L



Este LP de 1975 foi editado primeiramente pela Discófilo e, posteriormente, pela Orfeu, com o título "TONICHA CONJUNTO E COROS".

CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Quando o povo ergueu a sua voz
Para deixar de ser escravo
O sol nasceu e brilhou para nós
E tinha a forma de um cravo.

Era ainda madrugada
E já um cravo dizia
Que na ponta da espingarda
Era tempo de ser dia.

REFRÃO (2x)
Eram cravos cravos cravos
Eram cravos mais de mil
Eram punhos levantados
Do povo no mês de Abril.

O cravo exigiu salário
Para se tornar português
Alex deu sangue operário
Catarina o camponês.

Aperta um cravo na mão
Carne viva cravo novo
Defende-o bem, capitão
Defende-o capitão-povo.

É realmente um disco histórico!
As letras ajudam-nos a compreender melhor aqueles dois primeiros anos de liberdade.
A música ligeira espelha bem a temperatura da época. E sabemos que o Verão de 1975 foi bem quente.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Ary dos Santos - Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Ary dos Santos - Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Ary dos Santos - Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Ary dos Santos - Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Ary dos Santos - Popular)
HINO DO TRABALHO
(António Feliciano de Castilho - Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Ary dos Santos - Popular)

Há, neste disco, uma curiosa junção de autores.
Além dos óbvios Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, aparecem o temido crítico de televisão Mário Castrim, Braga Santos, compositor de canções de revista, Pedro Osório, Shegundo Galarza e Ermelinda Duarte.

BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Anos e anos fomos presos fomos vítimas
Anos e anos nos calcaram sem perdão
Anos e anos nossos gritos nossas lágrimas
Deram à luta mais raízes pelo chão.

Mas tudo isso já lá vai tudo já passou
A nossa alma é uma bandeira do porvir
Neste país que amanheceu em cada um de nós
Para todos nós há um país a construir.

REFRÃO
Não basta o mês de Abril pôr cravo na lapela
Agora estás aqui vais estar de sentinela
O que tanto custou não se pode perder
Trabalho e vigilância são armas de trazer.
Trabalho e vigilância são armas para vencer.

Tonicha volta a entoar a melodia do "Vira dos malmequeres", desta vez com um texto de Ary dos Santos, de homenagem aos soldados de Abril: "Obrigado soldadinho".
Outra melodia já antes gravada por Tonicha é a que serve de base para a última canção do disco, "Já chegou a liberdade". No tempo da RCA foi uma das canções do EP "ALENTEJO": "Maria Rita".
Destaquemos também o poema de António Feliciano de Castilho (séc. XIX): "Hino do Trabalho"



O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)

Vou ver passar
A marcha sem arquinhos nem balões
Ao pé do mar
Vermelha como os nossos corações.

Vou ver chegar
Os santos que não são os dos altares
E vou saltar
Fogueiras de vitórias populares.

REFRÃO (2x)
Lá vai lá vai
A malta proletária de Lisboa
Cantai lutai
Pois quem não lutar assim não marcha à toa.

Vou ver brilhar
A lua das esperanças encontradas
E vou cantar
Lisboa das vielas libertadas.

Vou ver vibrar
Bandeiras ondulantes e encarnadas
E vou dançar
De braço dado com os camaradas.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
PIANO: Jorge Palma
VIOLAS: Mike Sergeant
BAIXO: Luís Duarte
BATERIA E PERCUSÃO: Victor Mamede
TROMPETES: Francisco Toneco, Armindo Toneco
TROMBONES: Amancio F. Costa, António M. Jubilot
FLAUTAS: Carlos A. França, João Oliver
VIOLA: Oliveira e Silva
CELLO: Maria de Lurdes
VOZES: João Henriques, Waldemar Ramalho,
Henrique Tabot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo
ESTÚDIOS: Musicorde
PRODUÇÃO E EDIÇÃO: Discófilo

11 de dezembro de 2022

As Duas Faces de Tonicha

Disponível nas plataformas digitais, embora com algumas incorreções. Editora: Word Music Records.

6 de dezembro de 2020

"Ela por ela" faz 40 anos

 Continuamos a redescobrir o vasto repertório de Tonicha. Esta semana, recuamos 40 anos, a Dezembro de 1980. Numa pausa de canções mais populares ou de raiz tradicional, Tonicha regressa aos temas de autor, na linha dos trabalhos que tinha feito com José Carlos Ary dos Santos. O LP em destaque chama-se "Ela por ela" e é composto por dez canções. Todas as letras são assinadas pelo poeta Joaquim Pessoa. (Recordamos que a última colaboração com Ary dos Santos data de 1976, com o single "O menino" e "Um grande amor", disco que inaugura o contrato de Tonicha com a Polygram.). São três os autores das músicas. Carlos Mendes assina seis temas. Tozé Brito assina o grande êxito "Canção da alegria". Pedro Osório assina a canção de raiz mais tradicional, "Maria da Conceição". Arranja também as versões da belíssima balada "Chamar-te meu amor", sobre música popular italiana, e da não menos bela "Canção sem ti", adaptação do tema "A comme amour", popularizado pelo pianista francês Richard Clayderman. A produção é de João Maria Viegas e os arranjos e a direção de orquestra são de Pedro Osório.

Deste manancial de canções com letras intensas e músicas harmoniosas, escolhemos uma das canções menos tocadas na rádio nessa década de 1980: "Canção da coragem", de Joaquim Pessoa e Carlos Mendes.

"Nem que a morte me soltasse/ todas as velas do sangue/ deixaria a minha casa/ como se fosse culpada/ Nem que a morte me soltasse/ todas as velas do sangue."

"Nem que a morte me dissesse:/ Virás de noite comigo.../ eu trairia um amigo/ Nem que a morte me levasse/ Nem que a morte me dissesse/ Nem que a morte me fugisse."

Recordamos que todas estas canções podem ser gratuitamente escutadas nas plataformas digitais, tais como o Spotify ou o Youtube.

"Ela por ela", da Universal Music Group, mostra a faceta mais doce da cantora ibérica que é Tonicha. O disco é uma dedicatória ao amor e à amizade. Prestemos atenção à voz da cantora e aos versos.

"Nem que a morte me fechasse/ todas as portas do sonho/ deixaria de cantar/ Nem que a morte me calasse/ Nem que a morte me fechasse/ todas as portas do sonho."

Foto incluída na entrevista de Tonicha à TV Guia n.º 101, de 10 a 16 de Janeiro de 1981

9 de outubro de 2020

A ARTE E A MÚSICA DE TONICHA

 A Universal Music Portugal disponibilizou hoje o LP de 1985, "A Arte e a Música de Tonicha". É uma coletânea com 26 canções. Está dividida em 4 secções. "No Início" tem 6 canções, algumas das mais antigas do repertório da cantora: duas vencedoras do Festival da Figueira da Foz ("Boca de amora", de José Gouveia, e "A tua canção avozinha", de Rocha de Oliveira); uma da dupla Manuel Paião/Eduardo damas ("Um minuto sem te ver"); uma da colaboração com José Cid/Quarteto 1111 ("Caminheiro, donde vens"); uma de Luís Miguel de Oliveira ("D. Pedro que volta da pinga") e "O Menino" (Ary/Tozé Brito). "Tradicionais" apresenta 7 canções do cancioneiro tradicional português, como "Vira dos malmequeres", "Resineiro" ou "Maria Rita (cara bonita)". A terceira secção, "Êxitos populares", abrange alguns dos temas mais populares: "Zumba na caneca", "Gaiteiro português", "Chico pinguinhas" ou "Sericotalho, bacalhau, azeite e alho". Finalmente, a última parte, "A outra face", inclui canções de autor: "Maria da Conceição (Joaquim Pessoa/Pedro Osório); a famosíssima "Canção da alegria" (Joaquim Pessoa/Tozé Brito); "O orquestrador" (Fernando Guerra) ou "Pela vida fora" (João Henrique/Carlos Santos) - uma das quatro canções defendidas por Tonicha no Festival RTP da Canção 1978.


18 de setembro de 2020

Tonicha: "Fadinho da Comida"

 

Esta semana, a Universal Music Portugal disponibizou mais um single de Tonicha. Desta vez, é um disco de 1981 que apresenta uma canção redescoberta recentemente graças a uma telenovela da SIC, "Nazaré". "Fadinho da Comida" passou a estar no top das canções de Tonicha mais ouvidas nas plataformas digitais. No lado B, surge uma canção que nunca tinha sido reeditada: "Isto Aqui é o da Joana". Ambas as canções são da autoria da dupla António Avelar Pinho / Nuno Rodrigues. Os arranjos pertencem a Pedro Osório e a produção é de João Maria Viegas. José Júlio Barros é o autor da capa.

14 de setembro de 2019

"Fadinho da comida" na telenovela da SIC


 A nova telenovela da SIC, "Nazaré", da autoria de Sandra Santos, realizada por Jorge Cardoso e produzida por SP Televisão, conta com uma canção da Tonicha na sua banda sonora: "Fadinho da comida". É um tema de António Pinho e Nuno Rodrigues, com arranjos de Pedro Osório, produzido por João Maria Viegas, editado em 1981, pela Polygram, atual Universal Music Portugal. A capa do disco é da autoria de José Júlio Barros.
Esta produção televisiva tem imagens da Nazaré, das Caldas da Rainha e de Leiria.
A cantiga da Tonicha pode ser ouvida quando a intriga da novela se passa no mercado de peixe, frutas e legumes. "Ai que gosto que a comida tinha outrora/ Ai que gosto que nos dava então comê-la/ Porque agora em vez de gosto tem um preço/ Que por subir de hora a hora já nem dá vontade vê-la". Delicie-se!

21 de junho de 2015

TONICHA: 35 ANOS DE "ELA POR ELA"

FOTO: Jorge Jacinto, in "Vozes do Coração 11 - Tonicha", Levoir/Correio da Manhã, 2013
Em 2015, o precioso LP de Tonicha, "Ela por Ela", faz 35 anos. É um dos mais admirados discos da cantora. O disco realça, de forma especial, as qualidades interpretativas superiores de Tonicha. "Ela por Ela", que foi reeditado em cd, em 1996, embora esgotado há muito (apenas disponível no itunes), oferece-nos um leque de canções de qualidade suprema e orquestrações geniais.
Os admiradores de Tonicha percebem bem a genialidade das canções que compõem o LP:  "Canção da Rosalinda", "Canção sem Ti", "Canção da Alegria", "Maria da Conceição" ( a única canção do disco que apela ao imaginário popular do habitual repertório da cantora bejense), "Chamar-te meu Amor", por exemplo.
Os grandes responsáveis de tão perfeito resultado estão na foto: Pedro Osório, Joaquim Pessoa, Tonicha e Carlos Mendes.

28 de abril de 2012

TONICHA: ANTOLOGIA 77/97

PASSATEMPO 4

Indique o nome do LP de Tonicha a que pertencem as seguintes canções incluídas neste cd: "Canção da Rosalinda"; "Canção da Alegria"; "Canção sem ti"; "Maria da Conceição"; "Menino d'Oiro, Menino de Lata".

Parabéns ao JOAQUIM HENRIQUE COIMBRA, de Orada-Borba!
Foi o primeiro leitor a responder corretamente.

Estas canções pertencem ao LP "Ela por Ela", de 1980. As composições são da autoria de Carlos Mendes e de Pedro Osório. As letras são todas do poeta Joaquim Pessoa. Os arranjos e a direção de orquestra  pertencem a Pedro Osório. A produção foi de João Viegas para a Polygram.

5 de janeiro de 2012

PEDRO OSÓRIO

(1939-2012)


FOTO: Gentilmente cedida por Tonicha
Uma das muitas viagens que Tonicha e Pedro Osório fizeram pelo mundo, durante os anos 70


Conheceram-se por volta dos anos 70.
Trabalharam muito juntos. Adimiravam-se.
Ele fez-lhe músicas e orquestrações. Tonicha cantava.
Fizeram muitas viagens, percorrendo o mundo com as cantigas.
Faleceu o grande maestro Pedro Osório.
Aqui fica uma muito justa homenagem a Pedro Osório através do poema de uma das muitas belíssimas canções que orquestrou para a Tonicha.

CANÇÃO DA AMIZADE
(Letra: Joaquim Pessoa)
(Música: Carlos Mendes)
(Orquestração: Pedro Osório)

Não vou falar/ nesta canção/ de azar ou sorte
mas da razão/ que a gente tem/ de ser mais forte.

Uma canção/ é quase sempre/ uma viagem
é um navio/ subindo o rio/ da coragem.

Falo do amor/ como uma rosa/ ou uma estrada
rasgando a noite/ em direcção/ à madrugada.

Trago na boca/ um canto aberto/ à claridade,
que é sempre pouca/ esta palavra liberdade.

Meu coração/ é como um pássaro/ poisado
nas tuas mãos,/ ó meu irmão/ desesperado.

Canta comigo/ uma canção/ que seja nossa,
que a gente deve/ dizer tanto/ quanto possa.

Não estamos sós/ trago na voz/ uma mensagem
com que este povo/ diz verdade/ e diz coragem.

Quero dizer/ que sei de cor/ a tua dor
pois a cantar/ a gente sofre/ e faz amor.

Por isso faço/ esta canção/ ó meu amigo,
e a razão/ porque hoje canto/ é estar contigo.

Mas não te dou/ nem um centavo/ de saudade:
dou-te um abraço/ e dou-te um cravo/ de amizade.

9 de novembro de 2011

TONICHA: PORTUGAL NO CORAÇÃO

HOMENAGEM A PEDRO OSÓRIO

Recordamos algumas das imagens que conseguimos obter da participação de Tonicha no programa "Portugal no Coração", RTP, no passado dia 19 Outubro, numa emissão especial que a estação pública preparou de homenagem ao maestro Pedro Osório.






Durante este especial, a RTP procurou nos seu extenso espólio audiovisual e brindou-nos com um excerto do videoclip do tema "Maria da Conceição", de que as duas imagens anteriores são exemplo.
Trata-se de um tema com letra de Joaquim Pessoa e música do maestro Pedro Osório. Faz parte de um programa exibido em 1984 e dedicado ao repertório de música tradicional de Tonicha.





Tonicha e Fernando Tordo conversam sobre as suas colaborações musicais com o maestro Pedro Osório. Aqui fazem referência ao LP "As duas faces de Tonicha" (ZIP, 1974) da autoria de Pedro Osório, Fernando Tordo e Ary dos Santos e ao LP "Ela por ela" (Polygram, 1980) da autoria de Joaquim Pessoa, Carlos Mendes e Pedro Osório.





Agradecimentos especiais:
- RTP
- Ana Rodrigues

18 de outubro de 2011

TONICHA REGRESSA À RTP

HOMENAGEM A PEDRO OSÓRIO
4ª FEIRA, 19 OUTUBRO, 15h46m


Lp de Pedro Osório, Polygram, 1981

A nossa Tonicha estará amanhã, quarta-feira (19 de Outubro) no programa 'Portugal no Coração' na RTP.
O programa é dedicado ao maestro Pedro Osório, com quem Tonicha manteve uma vasta colaboração.

Lembramos aqui alguns dos projectos que uniram estes dois portugueses (para além das inúmeras digressões que fizeram por esse mundo fora):

1971
LP "OS MAIORES SUCESSOS DE TONICHA II"
“Ferreiro”
“Carrasquinha”
"Regadinho”
“Rolinha”
(Arranjos: Pedro Osório)

1974
SINGLE “OBRIGADO SOLDADINHO”
“Já chegou a Liberdade”
(Arranjos e Direcção Musical: Pedro Osório)

1974
SINGLE “O PRETO NO BRANCO”
“Tanto me faz”
(Arranjos e Direcção Musical: Pedro Osório)

1974
SINGLE “CANTO DA PRIMAVERA”
“Os novos pobres”
(Música e Direcção de Produção: Pedro Osório)

1974
LP “AS DUAS FACES DE TONICHA”
(Arranjos e Direcção Musical: Pedro Osório)

1978
SINGLE “CANÇÃO DA AMIZADE”
(Orquestração: Pedro Osório)

1980
LP “ELA POR ELA”
(Arranjos e Direcção de Orquestra: Pedro Osório)
"Maria da Conceição" (Música: Pedro Osório)


1981
SINGLE ”FADINHO DA COMIDA”
(Arranjos: Pedro Osório)

1981
LP DE PEDRO OSÓRIO “PIANO BAR À MODA DA CASA”
(Tonicha canta um excerto de “Menina”)

11 de janeiro de 2011

TONICHA POR CARLOS CASTRO

Tonicha apresentou-se impecável perante um público que soube patentear o gosto pela música desta terra, que se rendeu completamente ao profissionalismo, ao talento, e a uma segurança desta "menina-mulher" do nosso parco meio artístico.
Tonicha e o seu último trabalho discográfico ELA POR ELA estiveram no Maria Matos. Canções belíssimas na música e na palavra, canções que vão ser cantadas por aí. Carlos Mendes e Joaquim Pessoa ao escreverem "Rosalinda" criaram uma das mais belas composições de sempre. E a artista cantou, saciando a "sede" que tínhamos de escutar melodias muito nossas. E como ela soube cantar! Uma Tonicha adulta, no máximo da sua carreira. Foi lindo a participação do RANCHO TÁ MAR DA NAZARÉ, e do GRUPO CANCIONEIRO DE ÁGUEDA, que evoluiram pelo palco com danças e cantares, numa beleza de movimento e cor.
PEDRO OSÓRIO dirigiu a última parte do show com mestria. Nota alta pela sua participação. VICTOR MANUEL deu planos magníficos da sequência deste programa, mostrando mais uma vez como se empenha em transmitir a sua sensibilidade para o écran.
"A CANÇÃO DA ALEGRIA" (Tózé Brito musicou e Joaquim Pessoa escreveu) foi uma festa comungada por todos os presentes.
E em festa acabou. Festa que foi uma noite bem portuguesa!

Carlos Castro in "Nova Gente" nº 219 de 26/11 a 2/12 de 1980, p. 13

25 de julho de 2010

PEDRO OSÓRIO

MEMÓRIAS IRRISÓRIAS COM ALGUMAS GLÓRIAS
50 ANOS DE MÚSICA
Ed. Município de Oeiras, 2010



“Se vos perguntar por uma cantora que sempre ostentou naturalmente um ar de menina, com uma voz cristalina que faz lembrar a água de uma fonte a correr, que nunca se meteu em disputas de estrelato, e que interpretou com a mesma verdade cantos de origem popular e canções com a responsabilidade de terem a assinatura de Ary dos Santos, acredito que chegam rapidamente à Tonicha. Também corri o país e o mundo com ela, gravámos discos, partilhámos momentos de medo e de glória.
Sempre que subia a um palco fazia-o com o mesmo profissionalismo, fosse um grande teatro luxuoso ou uma feira duma pequena vila. Uma vez tivemos uma actuação em Vila do Conde, numa tarde quente de verão, num palco montado no mercado em cima de uma banca de peixe que, apesar de muito lavada e disfarçada com flores, era facilmente identificável pelo cheiro. Aí tentei insistentemente, juntamente com os outros músicos, convencê-la a actuar de jeans. Inútil. Manteve que usaria o vestido que trouxera, não para se enquadrar com o palco mas para agradar e mostrar respeito pelo público. Quando chegou a hora do espectáculo e a vimos sair do pseudo-camarim com um lindíssimo Chanel, ainda lhe atirámos umas piadas ligeiras e trocámos entre nós outras menos delicadas. Uma hora depois tivemos de lhe dar razão, porque se tornou evidente que o público interpretara a sua toilette como uma nota de consideração, apesar da dissonância com o palco tosco e inapropriado.” (pág.100)

2 de janeiro de 2009

QUEM TE QUER BEM, MEU BEM

... NOVAS MEMÓRIAS

Este novo ano de 2009 começa por nos transportar até à década de 70, certamente uma das mais ricas (em discos e espectáculos) na carreira de Tonicha.
Começamos por 1978, um ano em cheio.
Em Janeiro, Tonicha apresenta um espectáculo memorável no Teatro S. Luís, em Lisboa, e que seria transmitido posteriormente, pela RTP, para todo o país. Este "Show Tonicha 1978" mereceu críticas muito positivas na imprensa. Das nossas pesquisas, seleccionámos as duas que se seguem:


in Revista PLATEIA, Janeiro de 1978


in Revista PLATEIA, Janeiro de 1978

Em 18 de Fevereiro, no Teatro Villaret, Tonicha defendeu quatro canções no 15º Festival RTP da Canção:

PELA VIDA FORA
UM DIA UMA FLOR
CANÇÃO DA AMIZADE
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM

Nesse mesmo ano de 1978, pelas mãos da Polydor, foram editados dois singles que incluiam três dessas quatro canções.



LADO 1
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
(A. Avelar Pinho / Nuno Rodrigues)
(Arranjo de Armindo Neves)


LADO 2
UM DIA UMA FLOR
(Fernando Calvário / José Sotto Mayor)
(Arranjo de José Calvário)




QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
(A. Avelar Pinho / Nuno Rodrigues)
(Arranjo de Armindo Neves)

Meu amor, meu país de tantos rios
Mil aldeias mil meninas
A molhar os pés no mar
Meu país de mil campinas
O teu corpo hei-de cantar
Meu amor, meu país de mágoa e sol
Mil vontades mil desejos a roçar a um altar
Meu país de tantos beijos
Teu quebranto hei-de quebrar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Meu amor, meu país de ladainhas
Mil tambores, mil cantigas
A dançar d'horas no ar
Meu país de mil fadigas não te deixes enganar
Meu amor, meu país de sete cores
Mil florestas mil cidades
Onde o sol se vai sentar
Meu país de mil idades
É já tempo de casar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Meu amor, meu filho lindo
Já são horas de acordar
Meu amor eu já vou indo
É tempo de te encontrar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Quem me quer bem, quem me quer bem, meu bem
Quem me quer bem, quem me quer bem, meu bem.

O outro single editado, também pela Polydor, inclui talvez a melhor canção desse lote: "Canção da Amizade".
Curiosamente, a única canção que não foi registada em single, "Pela vida fora" (incluída no álbum duplo "A ARTE E A MÚSICA DE TONICHA", Polydor, 1985), veio a ser a única das quatro editada em CD, em 1989, pela Polygram, mantendo o mesmo nome que o LP.



LADO 1
CANÇÃO DA AMIZADE
(Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
(Orquestração de Pedro Osório)
(Coro: Adelaide)


LADO 2
É TARDE MEU AMOR
(Joaquim Pessoa / Pedro Só)
(Orquestração de Correia Martins)



CANÇÃO DA AMIZADE
(Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
(Orquestração de Pedro Osório)

Não vou falar, nesta canção de azar ou sorte
Mas da razão que a gente tem de ser mais forte.
Uma canção é quase sempre uma viagem
É um navio subindo o rio da coragem.

Falo do amor, como uma rosa ou uma estrada
Rasgando a noite em direcção à madrugada
Trago na boca um canto aberto à claridade
Que é sempre pouca esta palavra liberdade
Liberdade, liberdade, liberdade

Meu coração, é como um pássaro poisado
Nas tuas mãos ó meu irmão desesperado
Canta comigo uma canção que seja nossa
Que a gente deve dizer tanto quanto possa.

Não estamos sós trago na voz uma mensagem
Com que este povo diz verdade e diz coragem
Quero dizer que sei de cor a tua dor
Pois a cantar a gente sofre e faz amor.

Por isso faço esta canção ó meu amigo
E a razão porque hoje canto é estar contigo
Mas não te dou nem um centavo de saudade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade.

Veja os vídeos no YouTube:
(escolha a opção "assistir em alta qualidade")

PELA VIDA FORA
http://br.youtube.com/watch?v=T9w2FhYQG-Q
UM DIA UMA FLOR
http://br.youtube.com/watch?v=VtvHAlqEGek
CANÇÃO DA AMIZADE
http://br.youtube.com/watch?v=rMU83lgC_AI
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
http://br.youtube.com/watch?v=53SmzoYr0O0

MEGA SUCESSO
ZUMBA NA CANECA - 2ª EDIÇÃO



"Zumba na Caneca" foi um sucesso na carreira de Tonicha de tal ordem que, ainda em 1978, teve uma segunda edição com uma capa diferente. A primeira edição tinha uma fotografia da caneca que fora mandada fazer a propósito do lançamento do tema e para ser distribuída durante a conferência de imprensa. Este Natal, Tonicha e o seu marido, João Maria Viegas, surpreenderam-nos com uma prenda tão inesperada quanto inolvidável: uma das duas canecas que ainda possuiam!


"Caneca" gentilmente oferecida por Tonicha e João Maria Viegas
FOTOS: António Caló

O single que agora destacamos foi buscar uma das fotografias da série usada também para o single "O Chico Pinguinhas", 1979, cujo autor lamentavelmente desconhecemos.
Esta reedição mantém no lado B o tema "Ti Zé da horta", que cremos nunca ter sido reeditado em CD.



"Zumba na caneca", 2ª edição, mereceu edição também na Europa e no Brasil.
Nós tivemos acesso ao disco da edição francesa, por cortesia de João Maria Viegas e Tonicha. Aproveitámos a oportunidade para digitalizar, na Biblioteca José Saramago, Beja, a capa e contracapa.



Veja o vídeo no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=FpBejrEgzv4

14 de novembro de 2008

FADINHO DA COMIDA

ISTO AQUI É O DA JOANA
SINGLE, POLYGRAM, 2063073

Corria o ano de 1981 quando saiu para o mercado um novo single de Tonicha.
Editado pela etiqueta Polygram, "Fadinho da Comida" teve produção de João Viegas e arranjos de Pedro Osório.
Este tema foi reeditado em CD, primeiro pela Polygram, numa compilação de 1990 chamada "OS MAIORES SUCESSOS". Já mais recentemente, em 2007, voltou a integrar uma colectânea, desta vez da Universal, numa recolha do repertório de Tonicha à qual a editora chamou "ANTOLOGIA 77-97".
O single "Fadinho da comida" foi uma das nossas últimas aquisições, que assim veio enriquecer a nossa colecção de vinis de Tonicha e que agora divulgamos. A capa do disco é assinada por José Júlio Barros.



FACE A
FADINHO DA COMIDA
(António A. Pinho / Nuno Rodrigues)

FACE B
ISTO AQUI É O DA JOANA
(António A. Pinho / Nuno Rodrigues)

A contracapa deste single traz uma belíssima fotografia de Tonicha com o cabelo comprido, muito loiro, e com a franja que usou durante muito tempo e que, ainda hoje, é lembrada por muitos.


FADINHO DA COMIDA
(António A. Pinho / Nuno Rodrigues)

Quem me dera o velho gosto do cozido
como dantes se fazia,
quando a gente enchia o nosso próprio enchido
ai que bem que me sabia,
como dantes se fazia.

Quem me dera ainda aquele pão caseiro
que bom cheiro que ele tinha,
quando a gente então passava p'lo padeiro de manhã,
de manhãzinha.

REFRÃO
Ai que gosto que a comida tinha outrora
ai que gosto que nos dava então comê-la
porque agora em vez de gosto tem um preço,
que por subir de hora a hora
já nem dá vontade vê-la. (2x)

Quem me dera que a batata ainda tivesse
sendo nova o gosto antigo,
e ao casar com o bacalhau então pudesse a gente cá
chamar-lhe um figo,
ao gosto antigo.

Quem me dera ter alfaces bem verdinhas
mas são quasi clandestinas,
pois agora nestas hortas alfacinhas só lá cheira
a pesticidas.

REFRÃO (2x)

Quem me dera que soubesse o carapau
como dantes me sabia,
e pensar que agora sei já não ser mau,
não saber a porcaria,
como dantes não sabia.

Quem me dera fosse puro o meu azeite
como era antigamente,
quando a vaca já nem gosto põe no leite
com franqueza, francamente.

REFRÃO (2x)

21 de julho de 2008

TONICHA NA REVISTA

UMA NO CRAVO OUTRA NA DITADURA



No ano de 1974, Tonicha participa pela primeira e última vez numa revista do Parque Mayer. A revista "Uma no cravo outra na ditadura", que esteve em cena no Teatro ABC, foi criada por César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos.
De acordo com a base de dados do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, do elenco inicial faziam parte:

Anabela
Aida Baptista
Ivone Silva
José de Castro
TONICHA
Fernando Tordo
José Carlos Ary dos Santos
Lurdes Pinto
João Lagarto
Paula Delgado
Efigénio Pinheiro
Ana Maria
José Damas
José Carlos
Isa Mendes

Em Janeiro de 1975, Tonicha é substituída por Beatriz da Conceição, para quem Ary fez o famoso fado "O meu corpo".

Sabemos que Tonicha gravou as canções que cantou na revista. Há meia dúzia de anos foi editado um cd pela Strauss chamado "Três vozes d'oiro" (Tonicha, Lenita Gentil e Rui de Mascarenhas)que incluía uma dessas canções: "Cacau da Ribeira".

O single que conseguimos encontrar nas nossas buscas é composto por dois temas escritos por J.C.Ary dos Santos; um com música de Fernando Tordo e outro de Pedro Osório. Foi produzido e editado por Sassetti para a marca Zip Zip.

14 de julho de 2008

TONICHA: O PRETO NO BRANCO

TANTO ME FAZ
SINGLE, ZIP-ZIP, 30 056/S



OUTRAS CANÇÕES POLITIZADAS

Mais duas canções alusivas à Revolução de Abril, ainda por conta da editora Zip Zip, produzidas e editadas por Sassetti, SARL.
Pelo número de série do single, deduz-se que é posterior ao "Obrigado Soldadinho", mas certamente do mesmo ano de 1974.
Gravado nuns estúdios em Madrid, o disco conta com os seguintes temas:

FACE A
O PRETO NO BRANCO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Pedro Osório)




FACE B
TANTO ME FAZ
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)




Curiosamente, o single é desdobrável e no seu interior há uma linda fotografia da Tonicha, ainda muito jovem, em estúdio:



Os arranjos e a Direcção Musical estiveram a cargo do maestro Pedro Osório.
O single "Outras canções politizadas" foi gravado em Madrid, nos estúdios Eurosonic.

TONICHA E AS CANÇÕES DA REVOLUÇÃO


FOTO DA CAPA: Carlos Gil

Ainda na editora Zip Zip, no calor da Revolução de 74, Tonicha grava algumas canções representativas da época revolucionária que se vivia.
O primeiro disco é composto por dois temas populares, com arranjo de Pedro Osório e com letras "inflamadas" de José Carlos Ary dos Santos.

Na face A, surge "Obrigado Soldadinho", uma adaptação do "Vira dos Malmequeres" que fora um êxito na discografia de Tonicha uns anos antes.
Na Face B, encontramos "Já chegou a Liberdade", uma adaptação de "Maria Rita (Cara bonita), outro êxito de Tonicha dos anos 60.

Estes temas viriam a incluir várias colectâneas que se fizeram sobre as canções de Abril.

OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: popular/Arranjos: Pedro Osório)

Obrigado soldadinho
Marinheiro português
Ficou aberto o caminho
E não há duas sem três.

Já virou o malmequer
No quartel de Santarém
Não há homem nem mulher
Que não virasse também.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Vira a tristeza alegria
O ódio vira ternura
Virámos o dia-a-dia
Com o fim da ditadura.

O vira dos malmequeres
Está dentro de todos nós
Homens, crianças, mulheres
Todos erguemos a voz.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Nas voltas do nosso vira
Vira virou a tristeza
Nunca mais ninguém nos tira
dos caminhos da tristeza.

O povo canta primeiro
e não há duas sem três
obrigada marinheiro
soldadinho português.



JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Popular/Ary dos Santos)

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Chegou um dia ao Rossio
Estava tanto frio, tanta gente triste
Entrou de espingarda em riste
Entrou de espingarda em riste.

Chegou um dia à cidade
E só atirou um amor perfeito
Era o que trazia ao peito
Era o que trazia ao peito.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Depois foi até ao Carmo
Foi até ao cerne da nossa tristeza
E cantou "A Portuguesa"
E cantou "A Portuguesa".

E eu também cantei
só então me dei
conta da beleza
Da voz que ficou acesa
Da voz que ficou acesa.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.
(4x)

14 de junho de 2008

TONICHA: A VOZ DO MEU POVO

25 ABRIL 25 ANOS 25 CANÇÕES



No ano de 1998, a editora Strauss edita uma compilação de canções de ante e após Revolução para comemorar os 25 anos do 25 de Abril.
Para esta compilação seleccionaram duas canções a solo de Tonicha: "A voz do meu povo" de Ary dos Santos e Fernando Tordo e "Obrigado soldadinho" com letra de Ary dos Santos (sobre a música popular "Vira dos malmequeres"), e com arranjo de Pedro Osório.

A VOZ DO MEU POVO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

É da torre mais alta do meu pranto
Que eu canto este meu sangue
Este meu povo
Nessa torre maior em que apenas
Sou grande
Por me cantar de novo

Cantar como quem despe
A ganga da tristeza
E põe a nú a espada da saudade
Chama que nasce e cresce
E vive e morre acesa
Em plena liberdade

É da voz do meu povo uma criança
Semi-nua nas docas de Lisboa
Que eu ganho a minha voz
Caldo verde sem esperança
Laranja de humildade
Amarga lança
Até que a voz me doa

É da voz do meu povo uma traineira
Que já não pode mais andar à toa
Que acendo a minha voz
Na praça da Ribeira
A praça da canção que tem Lisboa.


in 25 ABRIL 25 ANOS 25 CANÇÕES, Strauss, 1998

Incluíram também duas canções gravadas na euforia de Abril pelo grupo INCLAVE, pela Tonicha e pelo Fernando Tordo: "Portugal Ressuscitado" ("Agora o povo unido nunca mais será vencido") e "Canção Combate" ("A Pide agora já não nos persegue/E já cá canta o Manuel Alegre").

PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)

Depois da fome, da guerra
Da prisão e da tortura
Vi abrir-se a minha terra
Como um cravo de ternura

Vi nas ruas da cidade
O coração do meu povo
Gaivota da Liberdade
Voando num Tejo novo

Agora o povo unido
Nunca mais será vencido
Nunca mais será vencido

Vi nas bocas, vi nos olhos
Nos braços, nas mãos acesas
Cravos vermelhos aos molhos
Rosas livres portuguesas

Vi as portas da prisão
Abertas de par em par
Vi passar a procissão
Do meu país a cantar

Nunca mais nos curvaremos
Às armas da repressão
Somos a força que temos
A pulsar no coração

Enquanto nos mantivermos
Todos juntos lado a lado
Somos a glória de sermos
Portugal ressuscitado.