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20 de outubro de 2020

SENHORA DO ALMORTÃO

Hoje propomos uma viagem musical às terras raianas da Beira Baixa.
Reza a lenda que, numa madrugada, uns pastores atravessavam o campo pelo sítio "Água Murta", em Idanha-a-Nova, quando encontraram uma imagem da Virgem num arbusto de murtas.
Depois de rezarem à Senhora, recolheram a imagem na Igreja de Monsanto. Passados dias, a imagem desapareceu, tendo sido reencontrada no murtão onde surgira inicialmente.
Respeitando a vontade da Virgem, foi aí construída uma ermida em sua devoção que ficaria conhecida, anos mais tarde, por Santuário de Nossa Senhora do Almortão.
Todos os anos, 15 dias após a Páscoa, tem lugar a Romaria da Senhora do Almortão, com a celebração de uma missa e a muito conhecida procissão. Desta tradição antiga, faz parte um almoço-convívio onde se cantam quadras à Senhora. Dizem os historiadores que, além de falarem da devoção à Virgem, as quadras exprimem o sentimento das pessoas da raia por terem sido libertadas do domínio castelhano.
Dessas cantigas, faz parte a sugestão musical de hoje: "Senhora do Almortão" pela voz de Tonicha.



Em 1995, Tonicha volta a gravar para a Polygram alguns dos temas do Cancioneiro Popular Português, que foram êxitos seus nos anos 60 e 70.
O álbum, onde se inclui esta versão, chamou-se "Canções d'Aquém e d'Além Tejo" e é considerado por muitos um dos melhores trabalhos da cantora.
Para isso muito contribuiu não só a interpretação de Tonicha, mas também a selecção do material etnográfico, a produção muito cuidada e a supervisão de João Viegas, marido de Tonicha, e a bem sucedida colaboração com a Brigada Vitor Jara e o professor Fontes Rocha, na guitarra.
Com arranjos sublimes de Rui Vaz, "Senhora do Almortão" tira partido da voz de Tonicha, dando-lhe o devido destaque. Presta ainda tributo à música popular e à região da Beira Baixa, com o recurso ao adufe que, entrosado com o violino, lhe empresta uma toada celta, quase épica, que nos faz viajar por tempos antigos nas paisagens de murta das terras raianas.

SENHORA DO ALMORTÃO (Beira Baixa)
Letra: popular / Arranjos: Rui Vaz

Senhora do Almortão
Minha tão bela raiana 
Virai costas a Castela
Não queiras ser castelhana.

Senhora do Almortão
Para lá eu vou andando
Minha alma já lá está
Meu coração vai chegando.

Senhora do Almortão
Eu p'ro ano não prometo
Que me morreu o amor
Ando vestida de preto.

Senhora do Almortão
Minha tão bela raiana 
Virai costas a Castela
Não queiras ser castelhana. 

14 de junho de 2008

TONICHA: CANÇÕES D'AQUÉM E D'ALÉM TEJO

TOURADA
CD, POLYGRAM (POLYDOR), 527910-2



Neste CD da Polygram de 1995, Tonicha volta a gravar alguns dos temas do cancioneiro popular português que foram êxitos seus nos anos 60 e 70.
Considerado por muitos um dos seus melhores álbuns, "CANÇÕES d'AQUÉM E d'ALÉM TEJO" tem uma produção muito cuidada e socorre-se de músicos de altíssima qualidade: Brigada Vitor Jara, professor Fontes Rocha (guitarra portuguesa) e a colaboração do Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa (numa gravação ao vivo por Naná Sousa Dias) no tema "Tourada", uma canção do Baixo Alentejo gravada pela primeira vez neste álbum.
Toda a selecção de material etnográfico, a produção executiva e a supervisão estiveram a cargo de João Viegas.
Destacamos ainda o trabalho do estilista José Carlos, o design gráfico de Álvaro Reis e as fotos de Jorge Nogueira.



VIRA DA RAPIOCA (Ribatejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Naná Sousa Dias

NOSSA SENHORA DA PÓVOA (Beira Baixa)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz

CANTARES ALENTEJANOS (Baixo Alentejo)
Letra: popular/adapatação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Naná Sousa Dias


VIRA DOS MALMEQUERES (Ribatejo)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz

SENHORA DO ALMORTÃO (Beira Baixa)
Letra e Música: popular/arranjos: Rui Vaz

MARIA RITA (Baixo Alentejo)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz/Fontes Rocha

VAI DE RUZ-TRUZ TRUZ (Ribatejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Naná Sousa Dias


RESINEIRO (Beira Alta)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz/Francisco Martins

MODA DAS CARREIRINHAS (Ribatejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Rui Vaz


TOURADA (Baixo Alentejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Rui Vaz/Francisco Martins

MARIA FAIA (Beira Baixa)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz



TOURADA (Baixo Alentejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Rui Vaz/Francisco Martins


No meu peito as saudades
São como as rosas e os líros
Umas brancas de pureza
Outras roxas de martírios.

Nunca faltam afilhados
Ao homem que vive bem
Vejam lá o desgraçado
Quantos afilhados tem.

Foste, foste, que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir o camarote
Viram-te a saia bordada.

Viram-te a saia bordada
Ó que bordado tão lindo
Foste, foste, que eu bem sei que foste
À tourada no domingo.

Além daquela janela
Dois olhos me estão matando
Matem-me devagarinho
Que eu quero morrer cantando.

Os olhos de quem namora
Bem conhecidos que são
Estão olhando para as pessoas
Fingindo que olham para o chão.

Foste, foste, que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir o camarote
Viram-te a saia bordada.

Viram-te a saia bordada
Ó que bordado tão lindo
Foste, foste, que eu bem sei que foste
À tourada no domingo.

Foste, foste, que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir o camarote
Viram-te a saia bordada.

Viram-te a saia bordada
Mas que bordado tão lindo
Foste, foste, que eu bem sei que foste
À tourada no domingo.