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29 de maio de 2025

LP "TONICHA" - ORFEU, 1973

Finalmente, está disponível nas plataformas digitais (Spotify, por exemplo) o LP "Tonicha", da Orfeu, de 1973. Este disco reúne as grandes canções de autor que Tonicha gravou no início da década de 70. Eis o alinhamento do disco: 1. Glória, Glória, Aleluia (José Cid) 2. Com um Cravo na Boa (Ary dos Santos / Jorge Palma) 3. Contraluz ( José Niza / José Calvário) 4. Rosa, Rosae (Ary dos Santos / João Henrique) 5. Manhã Clara ( Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes) 6. A Rapariga e o Poeta (José Niza / José Calvário) 7. Menina (do Alto da Serra) (Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes) 8. Mulher e Força (Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes) 9. Poema Pena (Nuno Gomes dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes) 10. Rosa de Barro (Fernando Guerra)

11 de dezembro de 2022

As Duas Faces de Tonicha

Disponível nas plataformas digitais, embora com algumas incorreções. Editora: Word Music Records.

10 de setembro de 2021

25 de setembro de 2020

Tonicha: "Quem te quer bem, meu bem"

 

Esta semana, a Universal Music Portugal disponibiliza, nas plataformas digitais, duas canções do Festival RTP da Canção de 1978: "Quem te quer bem, meu bem" e "Um dia, uma flor". A primeira é da autoria da dupla António Avelar Pinho / Nuno Rodrigues, com arranjos de Armindo Neves; a segunda, de José Pinto Sottomayor e Fernando Calvário, com arranjos de José Calvário. "Quem te quer bem, meu bem", uma canção que se integra bem no repertório tradicional da cantora,  já tinha surgido nas plataformas digitais em 2016, na coletânea "Grandes Êxitos". "Um dia, uma flor", uma canção muito amada pelos fãs de Tonicha, desde 1978 que não era reeditada!

7 de fevereiro de 2016

Tonicha: Os Nossos Êxitos


Contracapa do LP "Os Nossos Êxitos", editado pelo Grupo Português de Produtores e Fonogramas e Videogramas (GPPFV), talvez em 1978 (a canção da Tonicha foi apresentada no Festival RTP 1978 - "Um dia, uma flor", de Fernando Calvário e José Sottomayor, orquestração de José Calvário), aquando do espectáculo das comemorações dos 100 Anos das Gravações Sonoras.

Reconhecem todos os cantores?
(Ilustração: autor desconhecido)

10 de outubro de 2014

Tonicha na RDP Internacional


Festival no Coração. 
Assim se chama a rubrica diária que João Carlos Callixto apresenta na RDP Internacional, a propósito do 50.º aniversário do Festival RTP da Canção. Ali se propõe recordar as canções concorrentes ao Festival, naquele que foi o seu período "dourado", ou seja, 1960-1980, numa viagem que começa na "Oração", em 1964, por António Calvário, e termina em "Um Grande, Grande Amor", em 1980, por José Cid (a canção que granjeou a Portugal uma das melhores classificações de sempre no Festival da Eurovisão).


Na emissão de 08 de Outubro de 2014, Calixxto propôs-nos (re)descobrir "A rapariga e o poeta" pela voz de Tonicha, um tema do maestro José Calvário (música) e José Niza (letra). Tonicha defendeu o tema no Festival RTP da Canção em 1973. 
Para ouvir e matar saudades no link abaixo, com um agradecimento à RDP e ao João Carlos Callixto:

FESTIVAL NO CORAÇÃO.

12 de abril de 2014

Festival RTP 1972















Tonicha, vencedora em 1971, entrega o prémio a Carlos Mendes, vencedor em 1972.
Além dos dois cantores, aparecem na foto os autores da canção vencedora, José Niza e José Calvário, autores que Tonicha também muito cantou.

16 de abril de 2010

TONICHA: FALA DO HOMEM NASCIDO

OPERETA PARA DISCO
LP, ORFEU

Por iniciativa de José Niza a cantora Tonicha participa, em 1972, em "Fala do Homem Nascido", uma opereta gravada para disco, com poemas de António Gedeão.
Os cantores convidados para este projecto, que inicialmente saiu em LP pela editora Orfeu, foram Duarte Mendes, Carlos Mendes, Samuel e Tonicha.
Com música composta por José Niza, que também assinou a produção do disco, "Fala do Homem Nascido" teve arranjos e direcção de orquestra a cargo do maestro José Calvário.
Já no final dos anos 90, mais precisamente em 1998, a Movieplay lançou no mercado uma reedição em formato CD.



1- ESTRELA DA MANHÃ
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
FALA DO HOMEM NASCIDO
Canta: Samuel
2- DESENCONTRO
Cantam: Samuel e Tonicha
3- TEMPO DE POESIA
Canta: Duarte Mendes
VIDRO CÔNCAVO
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
4- POEMA DA MALTA DAS NAUS
Canta: Samuel
LÁGRIMA DE PRETA
Canta: Duarte Mendes
5- POEMA DO FECHO ÉCLAIR
Canta: Duarte Mendes
6- CALÇADA DE CARRICHE
Canta: Carlos Mendes
7- POEMA DA AUTO-ESTRADA
Canta: Tonicha
8- POEMA DE PEDRA LIOZ
Canta: Samuel


FOTO: Álvaro João

Poemas: António Gedeão
Música: José Niza
Arranjos e Direcção de Orquestra: José Calvário
Gravação de Orquestra nos Estúdios Celada (Madrid): Pepe Fernandez, Enrique Rielo e Vinader
Gravação de vozes nos Estúdios Polysom (Lisboa): Moreno Pinto
Produção: José Niza
Arranjo gráfico da capa original: Beatriz Morais Alçada
Fotografias da capa original: Álvaro João
Fotografia de António Gedeão: gentilmente cedida pelo fotógrafo João Ribeiro
1972, Orfeu

... clique no botão "Play"

POEMA DA AUTO-ESTRADA
(Letra: António Gedeão/Música: José Niza)

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.

Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.

Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.

Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.

Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.

21 de dezembro de 2009

A RAPARIGA E O POETA

JOSÉ NIZA E JOSÉ CALVÁRIO
(Letra: José Niza / Música: José Calvário)




Cortesia, Festivais RTP da Canção

21 de junho de 2009

2009

LEMBRAR JOSÉ CALVÁRIO
(1951-2009)

Esta semana o país perdeu um dos mais importantes maestros portugueses: José Calvário.
Maestro, orquestrador, desapareceu cedo demais.
Deixou as lembranças daqueles que o conheceram e o seu trabalho de muitos anos em prol da música portuguesa.


FOTO: in jornal Público, 21 Junho 2009

Para sempre ligado à música portuguesa, o seu nome é também indissociável do Festival RTP da Canção para o qual compôs, por exemplo, E depois do Adeus com José Niza.
Para a história musical do país fica o álbum Fala do Homem Nascido, um clássico e uma referência, sobre poemas de António Gedeão, com música de José Niza e encenação musical do maestro José Calvário.


Maestro José Calvário com Samuel in Fala do Homem Nascido, CD, Movieplay, 1972

Prestamos-lhe aqui uma singela homenagem, relembrando algumas das músicas que escreveu para Tonicha e as várias orquestrações que fez para canções da cantora.

1972
Lisboa perto e longe
(Orquestração)

1972
Parole, parole
Simplesmente Maria
(Orquestração e Direcção Musical)

1972
Fala do Homem Nascido
(Encenação Musical)

1973
A rapariga e o poeta
Contraluz
(Autor da música e Orquestração)

1973
Com um cravo na boca
Rosa rosae
(Orquestração)

1974
Canto da Primavera
Os novos pobres
(Arranjos e Direcção Musical)

1978
Um dia uma flor
(Arranjos)


Revista "Mundo da Canção", nº30, 1973

A RAPARIGA E O POETA
(Letra: José Niza/Música: José Calvário)

Poeta amigo
Parto contigo
Nosso degredo
Fica em segredo.
Adeus ao mundo!...
Venham cantores
Descobrir a ilha dos amores!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas
Calaste dores
Mas nunca temeste adamastores!
História ao contar,
Mundo a correr;
Mulheres a amar,
A esquecer, a encontrar,
A perder, a inventar!
Fúrias de mar,
Gestos de amor;
Beber, lutar,
Com quem for;
Naufragar, renascer
E a cantar!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas,
Calaste dores,
Mas nunca temeste adamastores!

14 de junho de 2008

TONICHA: CANÇÃO DA AMIZADE

1978 FESTIVAL DA CANÇÃO


Festival RTP da Canção 1978, in RTP Memória

Tonicha volta a participar no FESTIVAL RTP DA CANÇÃO em 1978 com quatro temas:

Canção da Amizade -(classificando-se em 4º lugar)
Pela vida fora -(9º lugar)
Um dia uma flor - (8º lugar)
Quem te quer bem, meu bem - (12º lugar).





Três destas canções foram editadas em dois singles, nesse ano de 1978. O tema "Pela vida fora" só foi editado na colectânea "A ARTE E A MÚSICA DE TONICHA", em 1985.



UM DIA UMA FLOR
Letra: José Peres Sotto Mayor
Música: Fernando Calvário
Orquestração: José Calvário


Tens um travo de mel
na boca a correr
flor de papel
que quero viver.
Corpo a sorrir
no meu corpo a cantar
flor por abrir,
por fechar.
Há um dia de amor
amor que nasceu
amar uma flor
na flor que morreu.
É bela a manhã
no meu corpo a acordar
livre de abrir e fechar.
Sim, a flor nasceu
Sim, a flor cantou
Sim, a flor sorriu
Sim, a flor amou.
Tens um travo de mel
na boca a correr
flor de papel
que quero viver,
flor por abrir
no meu corpo a nascer.

ZUMBA NA CANECA
GRANDE SUCESSO



Ainda em 1978 é editado o single "Zumba Na Caneca", um dos seus maiores sucessos populares. Tonicha assinalou com uma conferência de imprensa o início de uma digressão que percorreu Portugal de norte a sul, à qual chamou "Volta a Portugal".

TONICHA: FESTIVAL RTP DA CANÇÃO 1973

A RAPARIGA E O POETA
EP, ORFEU, ATEP 6467

A terceira passagem de Tonicha pelo FESTIVAL RTP DA CANÇÃO aconteceu no ano de 1973.
O tema que a cantora defendeu foi "A Rapariga e o Poeta" que, apesar de ser uma canção com um bom texto e uma música forte, acabou por ficar-se pelo penúltimo lugar. Esse foi um Festival muito disputado e que teve como grande favorito Fernando Tordo (que defendeu a canção "Tourada" escrita por Ary).


1973, FESTIVAL RTP DA CANÇÃO, Lisboa


A canção é da autoria de José Niza e José Calvário. Foi editado em disco num EP da editora Orfeu chamado precisamente "A rapariga e o poeta". Na capa apresenta-nos uma bela fotografia de Tonicha da autoria do fotógrafo Álvaro João (que viria a ser responsável por muitas das fotografias dos discos da cantora).

O tema foi reeditado pela Movieplay em 1994 na colecção "O MELHOR DOS MELHORES", como parte integrante de alguns dos temas mais emblemáticos de Tonicha, que também inclui uma das canções da face B do EP de 1973, "Rosa, Rosae" com letra do poeta Ary dos Santos.
"A rapariga e o poeta" faz também parte do alinhamento do CD lançado pela Movieplay no ano 2000 "CLÁSSICOS DA RENASCENÇA", no número 82 (dedicado a Tonicha).
O excelente "Com um cravo na boca", com uma letra pujante de Ary dos Santos e uma música muitíssimo bem conseguida de Jorge Palma (a emprestar a sonoridade "épica" que os versos de Ary sugerem) e "Contraluz" foram incluídos na "ANTOLOGIA 1971-1977" que a Movieplay (detentora dos direitos das canções) lançou em 2004.



FACE A:
A RAPARIGA E O POETA
(Letra: José Niza/Música: José Calvário)
COM UM CRAVO NA BOCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Jorge Palma)

FACE B:
CONTRALUZ
(Letra: José Niza/Música: José Calvário)
ROSA, ROSAE
(Letra: Ary dos Santos/Música: João Henrique).



A RAPARIGA E O POETA
(José Niza/José Calvário)

Poeta amigo
Parto contigo
Nosso degredo
Fica em segredo.
Adeus ao mundo!...
Venham cantores
Descobrir a ilha dos amores!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas
Calaste dores
Mas nunca temeste adamastores!
História ao contar,
Mundo a correr;
Mulheres a amar,
A esquecer, a encontrar,
A perder, a inventar!
Fúrias de mar,
Gestos de amor;
Beber, lutar,
Com quem for;
Naufragar, renascer
E a cantar!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas,
Calaste dores,
Mas nunca temeste adamastores!

Oiça a canção "A rapariga e o poeta" no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=eSLTZ6ngRyA

No ano de 1973 o vencedor do FESTIVAL RTP DA CANÇÃO foi Fernando Tordo, com o tema "Tourada".

TONICHA NO FESTIVAL DA OTI

GLÓRIA, GLÓRIA, ALELUIA
SINGLE, ORFEU, SAT 845

No ano de 1972, Tonicha consegue o 5º lugar no 1º FESTIVAL DA OTI em Espanha com "Glória, Glória Aleluia" de José Cid, numa inspirada orquestração de Augusto Algueró.
O lado B do single contém o tema "Lisboa perto e longe" também de José Cid, com orquestração de José Calvário. A fotografia da capa deste single é de Álvaro João.
A canção "Glória, Glória, Aleluia" voltou a ser reeditada em CD: na compilação da Movieplay "O MELHOR DOS MELHORES" em 1994, na edição Movieplay para a Rádio Renascença "CLÁSSICOS DA RENASCENÇA" (nº 82) de 2000, e na "ANTOLOGIA 1971-1977" que foi para o mercado em 2004, pela mesma editora.



FOTO DE CAPA: Álvaro João

GLÓRIA, GLÓRIA, ALELUIA
(Letra e Música: José Cid/Orquestração: Augusto Algueró)

Glória, glória, aleluia
um mundo de amor
um mundo melhor. (2x)
Já é tempo
de construir
um mundo melhor
onde haja amor, e paz.
Já é tempo
de descobrir
o que foi mentira
e esquecer o ódio, também.
Pois só assim, acredita
tens uma canção
para teu cantar.
Pois só assim, meu amigo
te sentirás livre
livre p'ra poder voar.
Glória, glória, aleluia
um mundo de amor
um mundo melhor. (2x)
Já é tempo
de começar
ambos a caminhar
pelo mundo fora, cantando.
Pois só assim, acredita
tens uma canção
para teu cantar.
Pois só assim, meu amigo
te sentirás livre
livre p'ra poder voar.

Foi assim que Tonicha se apresentou em Madrid...









Veja o vídeo da prestação no FESTIVAL DA OTI no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=aboUqD19vq0



LISBOA PERTO E LONGE
(Letra e Música: José Cid/Orquestração: José Calvário)

Lisboa tem um Tejo de ilusões
Tem casas de penhor e multidões
Nas feiras, romarias, procissões
De rastos lentamente atrás das rosas
Gritando multidões silenciosas.

Lisboa é espelho de Lisboa
Lisboa são seis letras proibidas
Um fado, uma guitarra, uma cantiga
Um grito, um pregão, sete colinas
É virgem há mil anos e menina.

Lisboa tem o sol mistificado
Nas praças, nas vielas, avenidas
Onde há sangue, onde há vidas
Tem santos muito antigos milagreiros
E o povo em promessa de joelhos.

Lisboa tem os santos populares
Tem cravos de papel e manjericos
Carroças, autocarros e jericos
Lisboa mais ou menos, menos mais
Museus, casas de passe, catedrais.

Lisboa é alegre labirinto
Lisboa é Benfica, marinheiro
Sporting e manhã de nevoeiro
Uma gaivota podre milenar
O Tejo que protesta contra o mar.

Lisboa tem um Tejo de ilusões
Tem casas de penhor e multidões
Nas feiras, romarias, procissões
Avançam lentamente atrás das rosas
Gritando multidões silenciosas.

Reparem no pregão desta varina
No fado em dó menor mas incompleto
Na ponte, no Castelo, no deserto
Neste tremor de terra, cataclismo
Quiçá maremoto de autoclismo.



Nesse ano de 1972 foi ainda uma das presenças na 14ª edição da TAÇA DA EUROPA DE CANTARES de Knokke conjuntamente com Paulo de Carvalho e Teresa Silva Carvalho. Thilo Krassman foi o director musical.

TONICHA: FALA DO HOMEM NASCIDO

LP, ORFEU, 1972
CD, MOVIEPLAY, 1998


Por iniciativa de José Niza a cantora participa, em 1972, no disco "Fala do Homem Nascido", uma opereta gravada para disco, com poemas de António Gedeão. Os cantores são Duarte Mendes, Carlos Mendes, Samuel e Tonicha.
Os arranjos e direcção de orquestra ficaram a cargo do maestro José Calvário e a produção é de José Niza.



1- ESTRELA DA MANHÃ
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
FALA DO HOMEM NASCIDO
Canta: Samuel
2- DESENCONTRO
Cantam: Samuel e Tonicha
3- TEMPO DE POESIA
Canta: Duarte Mendes
VIDRO CÔNCAVO
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
4- POEMA DA MALTA DAS NAUS
Canta: Samuel
LÁGRIMA DE PRETA
Canta: Duarte Mendes
5- POEMA DO FECHO ÉCLAIR
Canta: Duarte Mendes
6- CALÇADA DE CARRICHE
Canta: Carlos Mendes
7- POEMA DA AUTO-ESTRADA
Canta: Tonicha
8- POEMA DE PEDRA LIOZ
Canta: Samuel


As fotografias da capa original são da autoria de Álvaro João, para um arranjo gráfico de Beatriz Morais Alçada.

POEMA DA AUTO-ESTRADA
(Letra: António Gedeão/Música: José Niza)

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.

Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.

Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.

Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.

Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.