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5 de novembro de 2008

TONICHA: A HOMENAGEM EM BEJA


FOTO: Sociedade Filarmónica Capricho Bejense

Na passada Sexta-feira, dia 31 de Outubro, comemoraram-se os 92 anos da Sociedade Filarmónica Capricho Bejense. Para quem não se recorda, foi aqui que Tonicha começou a cantar quando era pequena, antes de rumar a Lisboa para se tornar cantora.
A casa que a viu dar os primeiros passos aproveitou o seu aniversário para render uma homenagem a Tonicha.

Integrado nessa homenagem, dois jovens cantaram "O mar enrola na areia", acabando Tonicha por se juntar a eles, retribuindo a simpatia da organização.


FOTO: Sociedade Filarmónica Capricho Bejense

A partir de um dos temas mais conhecidos de sempre da cantora, e com o qual levou Portugal à Eurovisão, Cristina Coroa escreveu um texto que foi lido durante a homenagem.
Por gentileza de Luísa Costa, vice-presidente da Sociedade Capricho, publicamos aqui o texto e as imagens que nos fizeram chegar:

"Menina de olhar sereno…"
Um verso simples de uma canção…
E se os versos fossem pássaros rasando o quotidiano cinzento?
E se os poemas tomassem café connosco e banhos de sol e assaltassem as primeiras páginas dos jornais da manhã?
É o que fazem as canções: põem versos na boca do povo, espalham poemas nas ruas e enchem de poesia os corações.

"Com um ribeiro à cintura..."
Quando alguém a cantar nos conta de um ribeiro à cintura - e nós vemos! -é porque acreditou.
Que também a água pode cingir.
Que o olhar pode lavar.
Que podemos casar com hortelã.
Uma voz fresca como o linho enamorou-se das palavras dos poetas e nasceu mais que uma cantora, nasceu uma intérprete. Intérprete da sede, do pão, da água e da nossa fome de beleza.

"Vais pisando formosura..."
O tempo levou de Beja uma menina da planície, de cabelos de trigo louro. Foi pisar outros palcos cantando a voz dos poetas e a voz do povo, com a mesma entrega.
O tempo a trouxe há pouco de volta à terra mãe. Pela parte da Capricho, a casa primeira que a ouviu, menina ainda, tudo faremos para que aqui se sinta num ninho quente de ternura.

Bem-vinda, Tonicha!"


FOTO: Sociedade Filarmónica Capricho Bejense


FOTO: Sociedade Filarmónica Capricho Bejense

14 de junho de 2008

BIOGRAFIA DE TONICHA

1946
O INÍCIO...


Antónia de Jesus Montes Tonicha Viegas, de seu nome completo e nome artístico TONICHA (com que para sempre ficou lembrada), nasceu em Beja (Alentejo) a 08 de Março de 1946.

Terceira de quatro irmãos, cedo mostrou vocação para cantar. Primeiro, na escola e mais tarde na adolescência, nas festas da "Capricho", colectividade de cultura e recreio, actualmente conhecida como Sociedade Filarmónica Capricho Bejense.

Aos 16 anos, foi para o Barreiro para casa do seu tio-avô, então Chefe da Estação dos Caminhos de Ferro do Barreiro. Tanto ele, como todos os seus filhos, tinham grande paixão pela música. A sua prima Elizete Tonicher, irmã de Francisco Naia, era cantora e o resto da familia do lado do pai estavam ligados à música mas como amadores. Naturalmente que todos foram grande incentivo à sua determinação.
Com a irreverência da sua juventude apresentou-se, ainda com 16 anos, a concurso na Emissora Nacional, em cujos "quadros" só veio a entrar aos 18 anos.

Entretanto, foi recebendo lições dos Maestros Tavares Belo, Fernando de Carvalho, António Melo e outros. Recebeu naqueles 2 anos lições de canto por parte da então famosa vedeta internacional, Corina Freire.
A sua actividade como profissional foi iniciada em 1965, recebendo a Carteira Profissional com o nº 1626.

No entanto, as primeiras gravações de Tonicha são anteriores a 1965.
O primeiro disco que a cantora grava, um EP chamado "CANÇÕES DE NATAL" que reune vários nomes da canção dos quais o mais conhecido é o da Gina Maria, é supostamente gravado em 1963, numa edição da etiqueta Estúdio.



A primeira gravação a solo de Tonicha, que é editada com o nome de Antónia Tonicha, data de 1964, num EP da editora RCA chamado "LUAR PARA ESTA NOITE".



Em 1966 participa no Festival da Figueira da Foz, o mais importante Acontecimento Artístico Nacional da época, onde ganha o 1º Prémio com a canção "Boca de Amora", de José Gouveia.
Nesse mesmo ano, estréia-se no cinema no filme "Sarilho com fraldas" de Constantino Esteves, com Nicolau Breyner, António Calvário e Madalena Iglésias.

No ano seguinte, concorre ao mesmo Festival com a canção "A tua canção avózinha", conquistando de novo o 1º Prémio, bem como o Prémio de Interpretação.
Ainda em 1967, ganha o Prémio de Interpretação do Festival de Ourense (Espanha), com um tema de Francisco Nicholson.

Ao longo da sua carreira participou com muito sucesso, a merecer grande destaque da Imprensa, em vários festivais em Portugal e no estrangeiro dos quais se destacam:

1968 - Festival RTP da Canção (2º lugar)
1971 - Festival RTP da Canção (1º lugar)
1971 - Festival da Eurovisão - Dublin, Irelanda (9º lugar)
Festival de Brasov - Roménia (Medalha de Bronze)
Festival de Split - Jugoslávia (1º Prémio de Interpretação)
1972 - Olimpíadas de Atenas (4º lugar, 1º Prémio de Interpretação)
1972 - Festival do Rio de Janeiro - Brasil (Prémio da Crítica)
1972 - Festival da OTI em Madrid - Espanha (5º lugar)

1966
FESTIVAL DA CANÇÃO
FIGUEIRA DA FOZ



TONICHA foi chamada a actuar, em muitos casos, repetidas vezes, em: Espanha, França, Bélgica, Suiça, Luxemburgo, Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Roménia, Jugoslávia, Angola, Moçambique, África do Sul, Macau, Hong-Kong, Austrália, Brasil, Venezuela, América do Norte e Canadá.

Manteve contractos com as editoras RCA, Zip-Zip, Discófilo, Orfeu, Movieplay, Sassetti e Polygram. Actualmente assina pela Universal Music (Portugal), tendo lançado em 2008 um CD pela Farol Música, sob licença da Universal.

Tem discos editados em:
- Espanha
- França
- Itália
- Canadá
- Venezuela
- Brasil.

1967
FESTIVAL DA CANÇÃO
FIGUEIRA DA FOZ



Com "A tua canção avózinha" ganha o 7º Festival da Canção da Figueira da Foz.
No ano de 1967 recebeu o Microfone de Ouro do Rádio Clube Português e foi eleita "Mulher Portuguesa do Ano", pelo Clube das Donas de Casa.
Vence ainda o Prémio de Imprensa do ano de 1967.

A TUA CANÇÃO AVOZINHA
(Rocha Oliveira)

Teus cabelos avozinha
São da cor do mar
Os teus olhos são estrelas
Que eu gosto de beijar
Tuas mãos são tão queridas
O teu sorrir doçura
As histórias que me contas
Eu lembro com ternura.

Sei que não há ninguém
Sem ter uma avózinha
E que também não há
Outra mais bela que a minha
Avozinha serás sempre
Fada dos sonhos meus
Tu me dás tanto carinho
Que o meu coração é teu.



1968
FESTIVAL RTP DA CANÇÃO

Depois das participações no Festival da Figueira da Foz, em dois anos consecutivos, logo em 1968 Tonicha estreia-se no FESTIVAL RTP DA CANÇÃO.
A primeira passagem de Tonicha pelo FESTIVAL RTP foi com o tema "FUI TER COM A MADRUGADA", com letra de Pedro Jordão e música de Rui Malhoa. Na sua estréia, Tonicha classificou-se em 2º lugar, com 59 pontos.



Clique no link abaixo e assista ao vídeo desta prestação, no canal YouTube:



Capa do EP "Fui ter com a madrugada", 1968, RCA

Nesse mesmo FESTIVAL RTP DA CANÇÃO de 1968 interpreta ainda o tema "CALENDÁRIO", classificando-se em 7º lugar com 12 pontos.
Veja o vídeo da prestação de Tonicha com o tema "CALENDÁRIO", no YouTube: