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13 de maio de 2012

TONICHA EM ESPANHA


NIÑA / MUJER
SINGLE, BELTER, 07.891, ESPANHA, 1971

Apreciemos hoje mais uma edição de "Menina (do Alto da Serra)". Esta versão foi editada pela famosa editora espanhola Belter, sob autorização dos Discos Zip. O single é composto pelas duas canções que o single português apresenta - "Menina" e "Mulher", mas ambas em versão castelhana:

NIÑA
(J. C. Ary dos Santos - Nuno Nazareth Fernandes - Tito Iglesias)

MUJER
(J. C. Ary dos Santos - Nuno Nazareth Fernandes - Tito Iglesias)
 

5 de fevereiro de 2011

TONICHA: A MENINA FAZ 40 ANOS


FOTO: Nuno Nazareth Fernandes à viola e Tonicha na voz,
Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.30

A 11 de Fevereiro de 1971, a partir do Teatro Tivoli em Lisboa, a "Menina do Alto da Serra" deu-se a conhecer aos portugueses. Pela voz cristalina de Tonicha, foi amor à primeira audição.
Faz este ano 40 anos!


FOTO: José Fialho Gouveia entrevista Tonicha, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

A televisão mostrou muita coisa do Festival da Canção. Mas não mostrou tudo, tudo, tudo. Coisas houve que escaparam às câmaras. Outras aos microfones.
Estas duas páginas que apresentamos hoje são da revista Plateia que acompanhou a festa que a editora Zip-Zip organizou para comemorar a vitória.


FOTO: Tonicha com João Paulo Guerra, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

Temos muita pena de o Zip não nos ter convidado para a ceia que se seguiu ao Festival. Pelas fotos, verificamos que esteve bem animada.


FOTO: Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, pp.30 e 31

Nuno Nazareth Fernandes: Chegamos a 71 e fazemos a "Menina" que é uma canção a pensar numa revanche da "Canção de Madrugar".
Sob o ponto de vista musical eu estava nessa altura muito influenciado pela música andina, ia muito a Paris e trazia discos e mais discos do Peru, do Chile, da Colômbia, e acho que isso se reflecte claramente na "Menina". A maqueta que enviámos para a RTP, gravada na Nacional Filmes, até tinha uma flauta de bisel para se procurar aquela sonoridade das flautas dos andes.
A "Menina" ganhou, mas é preciso dizer que, a meu ver, isso se ficou a dever muito mais a uma grande operação de marketing do que a qualquer outra coisa. A verdade é que todos nós, eu, o Zé Carlos, a gente do Zip, resolvemos fazer com a "Menina" exactamente o contrário do que se tinha feito com a "Canção de Madrugar". Tínhamos pela frente concorrentes com muita força, apoiados por editoras fortes e aí fizemos uma campanha, uma promoção enorme. Começou-se por fazer uma outra canção, "Mulher", que a Tonicha gravou e que, no fundo, revelava um bocado a Menina, a começar pelo aproveitamento que o José Carlos fez da "Menina e Moça" do Bernardim Ribeiro. A divulgação da "Mulher" criou uma enorme expectativa, até porque se fez constar que era a canção concorrente o que era proíbido, etc., etc. Aliás, acho que a "Mulher", como canção, até era melhor que a "Menina". Depois foram os cartazes, o cuidado todo com o visual da Tonicha e tudo mais. (...)
in José Carlos Ary dos Santos, As palavras das cantigas, Lisboa, Edições Avante, 1989


Disco promoção da participação de Tonicha no Festival da Canção com o tema "Mulher".

Este envelope, ou esta capa, contém um disco de 45 rotações gravado por uma das vozes que irão defender o reportório das etiquetas Zip no VIII Grande Prémio TV da Canção Portuguesa.
Claro que as canções não são as do Grande Prémio. Mas até são "giras" e dão-lhe uma ideia da capacidade de quem as canta.
Esperamos que goste e que esteja atento no dia 11 de Fevereiro.



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RAGAZZA DELLA CAMPAGNA
(Letra: José Carlos Ary dos Santos)
(Versão: Cristiano Minellono)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Arranjo e Direcção: Augusto Algueró)

11 de outubro de 2010

TONICHA

MENINA NIÑA
BERGÈRE COUNTRY GIRL
EP PROMOÇÃO (PROM 004/E), ZIP-ZIP, ZIP 30014/S



Durante o tempo que decorreu entre o Festival da RTP da Canção em Lisboa e o Festival da Eurovisão em Dublin, a editora de Tonicha, a Zip-Zip, apostou forte na divulgação da "Menina" por essa Europa fora. Para isso, foram editados vários discos com a canção original, mas também com versões nas quatro línguas mais populares: inglês, francês, espanhol e italiano.
O EP que hoje apresentamos, da editora Zip-Zip, para além do original em português tem mais três versões: em espanhol, francês e inglês. A belíssima versão italiana mereceu uma edição própria, de que oportunamente aqui daremos conta.

LADO A
MENINA (DO ALTO DA SERRA)
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
NIÑA
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)

LADO B
BERGÈRE
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version française: J. C. Ary dos Santos)
COUNTRY GIRL
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(English version: John Hampton)




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BERGÈRE
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version française: J. C. Ary dos Santos)

Bergère jolie bergère
Au regard le clair matin
Offrant tes seins de lumière
Dans la paume de tes mains.

Bergère jolie bergère
Aux senteurs de romarin
Bergère jolie bergère
Vont le corps est le parfum.

Bergère jolie bergère
Tu parfumes les chemins
Buttinant dans les bruyères
Telle un merle baladin.

Bergère jolie bergère
A petits pas de lutin
Bergère jolie bergère
Sautillant les serpentins.

Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.

Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.

Bergère jolie bergère
En tissant les lendemains
Bergère jolie bergère
Tu façonnes le destin.

Bergère jolie bergère
Rose rouge sans chagrin
Bergère jolie bergère
Force d'une aube sans frein.

Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.

Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.

Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.


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COUNTRY GIRL
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(English version: John Hampton)

Country girl, you're on display
As you stroll at early dawn.
Yours breasts so small, and gay
Tightly in your bodice drawn.

Country girls smelling of hay
On an early summer morn.

Country girl, you look your best
When along the lane you walk
With eyes like a feathered nest
Built by thrush but not by hawk.

And a stream around your waist
Country girl, I wish you'd talk.

Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.

Country girl, please never cry.
Be to me my sap of pine.
Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.

Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn
As thread with steps so light
Long before the day is born.

Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn.

Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.

Country girl, who always shows
Such contempt for all my pleas
You gaze like a briar rose
Or a breath of mountain breeze.

Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.

17 de maio de 2010

POEMA PENA

ROSA DE BARRO MANHÃ CLARA
EP, ZIP-ZIP, 10034/E

Hoje apresentamos um disco do ano de 1971, das edições ZipZip, que contém três canções muito importantes no repertório e na carreira de Tonicha.
São três "canções" no verdadeiro sentido da palavra; canções de autor, canções de poetas e a interpretação de cada uma delas valeu à cantora um prémio.



FACE A
POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Augusto Algueró)


FACE B
ROSA DE BARRO
(Letra e Música: Fernando Guerra)
(Orquestração: Thilo Krasmann)


MANHÃ CLARA
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Thilo Krasmann)



A canção "Poema Pena" foi aquela com que Tonicha se apresentou nas Olimpíadas da Canção de Atenas e onde obteve o 2ºprémio de interpretação. Trata-se de uma canção difícil do ponto de vista da interpretação, em crescendo, pedindo, exigindo sempre mais da voz. E a voz de Tonicha está sempre lá, pujante, dando-se, entregando-se ao crescendo que a música exige. Já a belíssima orquestração de Augusto Algueró valeu-lhe o 1º prémio ex-aequo.

"Rosa de barro" foi apresentada por Tonicha no Festival de Split na Jugoslávia e valeu-lhe o 1º prémio de interpretação.
A canção "Manhã clara" foi cantada no VI Festival do Rio de Janeiro e mereceu a Tonicha o Prémio da Crítica.

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ROSA DE BARRO
(Letra e Música: Fernando Guerra)
(Orquestração: Thilo Krasmann)


Viver da espiga
Saber do pão
Sabor do sangue
Do mesmo chão
Viver da sombra
Cestos ao ombro
Na seiva do corpo descansa
Minha saudade
Minha incerteza
Minha eterna esperança
Raíz sem água
Razão de dor
Sede de mágoa
Do mesmo amor
Raíz cortada, desenterrada
De braços suspensos
Nas danças
Minha saudade
Minha certeza
Minha vontade
Minha criança
Minha eternidade
É minha terra
Feita no barro
Semeada com calor
É minha terra
Rosa de barro
Inventada com suor
Por ela eu choro
Por ela eu corro
Construo as pedras
Feitas em serras
Por ela eu luto
Por ela eu luto
Morre nos olhos
A minha terra
Por ela eu volto
Aperto as flores
Nas minhas mãos
Presas às folhas
Soltas ao vento no chão
É minha terra
Feita no barro
Semeada com calor
É minha terra
Rosa de barro
Inventada com suor
Viver da espiga
Sabor a pão
Saber da terra
Saber do chão
Viver de chuva
Cestos de uva
Em vinho o corpo se cansa
Minha saudade
Minha certeza
Meu suor
Minha criança
Minha dor
Minha defesa
Minha lança
Minha noite
Meu dia
Minha terra, alegria.

...clique no botão "Play"

MANHÃ CLARA
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Thillo Krasmann)

Em ti vou nascendo
Por ti vou morrendo
Meu amor distante
Quase anoitecendo
Sempre acontecendo.

Por ti vou ficando
Em mim vou partindo
Meu amor bastante
Que vou descobrindo
Chegando e partindo.

REFRÃO:

Por ti vou inventar
A manhã clara
De outras raízes
De outras verdades
De outros países
De outras cidades
De homens felizes.
Vou renegar
As coisas fáceis
As coisas vãs
As coisas fúteis.
E nunca mais
E nunca mais
Essas manhãs
Serão inúteis
Essas cidades
Serão vazias
Essas verdades
Ficarão frias
Essas janelas
Serão fechadas.
E nunca mais
E nunca mais
As nossas bocas
Amordaçadas.

Por ti vou cantando
Em mim vou dizendo
Que nunca sei quando
Por ti vou sofrendo
E em mim vou crescendo.

REFRÃO.

17 de março de 2010

MENINA

DO ALTO DA SERRA
SINGLE, MOVIEPLAY, SP 20.021



O single que apresentamos é a segunda edição lançada em Portugal do tema "Menina (do alto da serra)". A primeira foi em 1971 para a etiqueta Zip-Zip.
A Movieplay aproveitou o contrato que fez com Tonicha, para a gravação de "4 CANÇÕES DE PATXI ANDIÓN", para comprar à Zip-Zip os direitos destas duas canções que compõem o single.

"PRÉMIO TV DA CANÇÃO"
"MENINA: FLORES PARA TONICHA"
"TONICHA: UMA RECEPÇÃO À BENFICA"
"TONICHA RECEBIDA NO PORTO COM ENTUSIASMO E FLORES"
"TONICHA: a melhor presença portuguesa nos festivais da Eurovisão"

Estes são apenas alguns dos inúmeros títulos que ilustraram os jornais da época após a participação de Tonicha no Festival da Eurovisão. São estes mesmos recortes de imprensa que, brilhantemente, foram usados pela Movieplay na composição da capa deste single. A composição gráfica, invulgar para a época, ilustra o êxito da cantora e do tema que representou Portugal em Dublin.

FACE A
MENINA (do alto da serra)
(Letra: J.C.Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
Arranjos e Direcção de Orquestra: Augusto Algueró


FACE B
MULHER E FORÇA
(Letra: J.C.Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
Arranjos e Direcção de Orquestra: Thilo Krasmann




... clique no botão "Play"

MULHER E FORÇA
(Letra: J.C.Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Arranjos e Direcção de Orquestra: Thilo Krasmann)

Menina e moça me levaram duma rosa
Menina e moça me arrancaram dum jardim
Menina e moça não sabia qual a asa
Que podia voar dentro de mim.

Mulher e moça me encontrei e descobri
Mulher e moça de vermelho me vesti
Mulher e moça não sabia qual a força
Que podia crescer dentro de mim.

Menina e moça
Mulher e força.

Menina e moça me prenderam e cercaram
Mulher e moça me ofenderam e acordaram
Menina e moça me quiseram, me quiseram
Mulher e moça me levaram, me levaram.

Mulher com força me atacaram e disseram
Palavras duras das que os homens não quiseram
Mulher com força me apertaram, me esqueceram
Mas nunca me sonharam nem tiveram.

Menina e moça
Mulher e força.

7 de outubro de 2009

TONICHA

FOLCLORE
SINGLE, ZIP ZIP, 30071/S

Continuamos a apresentação da discografia de Tonicha.
Relembramos os nossos seguidores que os discos têm sido apresentados numa ordem cronológica, do mais recente para o mais antigo.
Hoje dedicamo-nos ao último single que Tonicha gravou para a editora Zip Zip: "Folclore".



LADO 1
MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pop. - arr. Pedro Osório)

LADO 2
RISCADINHO P'RA AVENTAIS
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pop. - arr. Pedro Osório)

Estes dois temas foram incluídos, posteriormente, na colectânea "AS DUAS FACES DE TONICHA" para a mesma etiqueta.
Em formato CD apenas podemos ouvir o segundo tema, na colectânea editada pela Movieplay, em 2004, "ANTOLOGIA 1971-1977".



MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pop. - arr. Pedro Osório)

Antoninho de Lisboa
Usa sapatos de salto
Desde a Sé à Madragoa
Nunca vi rapaz tão alto.

Ao passar, ao passar
Os rapazinhos
Tremeliques, canivetes
Não te deixes arrastar
Nos maus caminhos
Tem cautela, não te espetes.

Meu amor foi à cidade
Encontrou o Antoninho
Era um cravo de verdade
Mas agora é um cravinho.

Meu amor virou-me as costas
Quis-me dar a entender
As festinhas que ele gosta
Não lhas sei como fazer.

O orgulho não perdoa
Eu quero ficar solteira
Meu amor foi a Lisboa
E voltou doutra maneira.

26 de julho de 2009

AS DUAS FACES

DE TONICHA
LP, ZIP ZIP (SASSETTI), 2012/L


Esta é a 1ª edição do LP "AS DUAS FACES DE TONICHA".

Tonicha gravava para a etiqueta ZIP ZIP desde 1971, ano da "Menina". Depois, Carlos Cruz, Fialho Gouveia e Raúl Solnado venderam a editora à Sassetti. O marido de Tonicha, João Maria Viegas, passou também a trabalhar para esta nova editora. A Sassetti guardou a marca ZIP para a música ligeira portuguesa.



FACE A
A VOZ DO MEU POVO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
CANTO DA PRIMAVERA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
EM LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
OS NOVOS POBRES
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
O CACAU DA RIBEIRA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)



FACE B
MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
VIRA DA MADRUGADA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
RISCADINHO PR'A AVENTAIS
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
TROVAS DO CARMO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)

6 de setembro de 2008

TONICHA: POEMA PENA

MANHÃ CLARA
EP, ZIP-ZIP, ZIP 10 034/E

Na "rentrée", continuamos com a recolha dos vinis de Tonicha e temos muitas novidades para mostrar ao longo deste mês.
Temos feito aquisições para a nossa colecção e também já começámos a receber valiosos contributos dos nossos leitores. Aqui fica o nosso agradecimento.



Hoje apresentamos um disco do ano de 1971, das edições ZipZip, que contém três canções muito importantes no repertório e na carreira de Tonicha.
São três "CANÇÕES" no verdadeiro sentido da palavra; canções de autor, canções de poetas e a interpretação de cada uma delas valeu à cantora um prémio.

FACE A

POEMA PENA
Nuno Nazareth Fernandes (Música)
Nuno Gomes dos Santos (Letra)
Augusto Algueró (Orquestração)

FACE B

ROSA DE BARRO
Fernando Guerra (Letra e Música)
Thilo Krasmann (Orquestração)

MANHÃ CLARA
Nuno Nazareth Fernandes (Música)
Ary dos Santos (Letra)
Thilo Krasmann (Orquestração)

A canção "POEMA PENA" foi aquela com que Tonicha se apresentou nas Olimpíadas da Canção de Atenas e onde obteve o 2ºprémio de interpretação. Trata-se de uma canção difícil do ponto de vista da interpretação, em crescendo, pedindo, exigindo sempre mais da voz. E a voz de Tonicha está sempre lá, pujante, dando-se, entregando-se ao crescendo que a música exige. Já a belíssima orquestração de Augusto Algueró valeu-lhe o 1º prémio ex-aequo.

"ROSA DE BARRO" foi apresentada por Tonicha no Festival de Split na Jugoslávia e valeu-lhe o 1º prémio de interpretação.

A canção "MANHÃ CLARA" foi cantada pela nossa Tonicha no VI Festival do Rio de Janeiro e mereceu-lhe o Prémio da Crítica.



"POEMA PENA"
PARABÉNS (RTP-1996)

Como já aqui afirmámos, uma das razões de ser deste blogue é a preservação e concentração de vários documentos sobre Tonicha que se encontram dispersos.
No Youtube conseguimos descobrir uma interpretação do tema "Poema pena" numa edição do programa "Parabéns" da RTP, apresentado por Herman José. Este programa era dedicado a Nuno Nazareth Fernandes. Tonicha foi um dos convidados por ter gravado ao longo da sua carreira muitos temas do compositor.
Falta-nos ainda encontrar o "Parabéns" de 1993 em que a cantora era a convidada principal.







POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Augusto Algueró)

Este mal de não saber o bem
Esta dor que me faz não chorar
Esta espada que o meu sonho tem
Este sol que me queima o olhar.

Este vôo que não sei voar
Este ser o que não sei se sou
Este barco que não sabe o mar
Esta espiga que secou.

Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.

Esta espera de não poder esperar
Esta cama onde não dormir
Este amor de não saber amar
Esta boca sem saber sorrir.

Esta noite sem amanhecer
Este grito sem querer gritar
Minha casa onde habito só
Este muro a derrubar.

(2x)
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.

Só embarquei minha canção
Nesta estrada
Só.





Quer espreitar?
Veja o vídeo no YouTube:
(Escolha a opção "Assistir em alta qualidade")



Obrigado, RTP!

21 de julho de 2008

TONICHA NA REVISTA

UMA NO CRAVO OUTRA NA DITADURA



No ano de 1974, Tonicha participa pela primeira e última vez numa revista do Parque Mayer. A revista "Uma no cravo outra na ditadura", que esteve em cena no Teatro ABC, foi criada por César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos.
De acordo com a base de dados do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, do elenco inicial faziam parte:

Anabela
Aida Baptista
Ivone Silva
José de Castro
TONICHA
Fernando Tordo
José Carlos Ary dos Santos
Lurdes Pinto
João Lagarto
Paula Delgado
Efigénio Pinheiro
Ana Maria
José Damas
José Carlos
Isa Mendes

Em Janeiro de 1975, Tonicha é substituída por Beatriz da Conceição, para quem Ary fez o famoso fado "O meu corpo".

Sabemos que Tonicha gravou as canções que cantou na revista. Há meia dúzia de anos foi editado um cd pela Strauss chamado "Três vozes d'oiro" (Tonicha, Lenita Gentil e Rui de Mascarenhas)que incluía uma dessas canções: "Cacau da Ribeira".

O single que conseguimos encontrar nas nossas buscas é composto por dois temas escritos por J.C.Ary dos Santos; um com música de Fernando Tordo e outro de Pedro Osório. Foi produzido e editado por Sassetti para a marca Zip Zip.

14 de julho de 2008

TONICHA: O PRETO NO BRANCO

TANTO ME FAZ
SINGLE, ZIP-ZIP, 30 056/S



OUTRAS CANÇÕES POLITIZADAS

Mais duas canções alusivas à Revolução de Abril, ainda por conta da editora Zip Zip, produzidas e editadas por Sassetti, SARL.
Pelo número de série do single, deduz-se que é posterior ao "Obrigado Soldadinho", mas certamente do mesmo ano de 1974.
Gravado nuns estúdios em Madrid, o disco conta com os seguintes temas:

FACE A
O PRETO NO BRANCO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Pedro Osório)




FACE B
TANTO ME FAZ
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)




Curiosamente, o single é desdobrável e no seu interior há uma linda fotografia da Tonicha, ainda muito jovem, em estúdio:



Os arranjos e a Direcção Musical estiveram a cargo do maestro Pedro Osório.
O single "Outras canções politizadas" foi gravado em Madrid, nos estúdios Eurosonic.

TONICHA E AS CANÇÕES DA REVOLUÇÃO


FOTO DA CAPA: Carlos Gil

Ainda na editora Zip Zip, no calor da Revolução de 74, Tonicha grava algumas canções representativas da época revolucionária que se vivia.
O primeiro disco é composto por dois temas populares, com arranjo de Pedro Osório e com letras "inflamadas" de José Carlos Ary dos Santos.

Na face A, surge "Obrigado Soldadinho", uma adaptação do "Vira dos Malmequeres" que fora um êxito na discografia de Tonicha uns anos antes.
Na Face B, encontramos "Já chegou a Liberdade", uma adaptação de "Maria Rita (Cara bonita), outro êxito de Tonicha dos anos 60.

Estes temas viriam a incluir várias colectâneas que se fizeram sobre as canções de Abril.

OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: popular/Arranjos: Pedro Osório)

Obrigado soldadinho
Marinheiro português
Ficou aberto o caminho
E não há duas sem três.

Já virou o malmequer
No quartel de Santarém
Não há homem nem mulher
Que não virasse também.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Vira a tristeza alegria
O ódio vira ternura
Virámos o dia-a-dia
Com o fim da ditadura.

O vira dos malmequeres
Está dentro de todos nós
Homens, crianças, mulheres
Todos erguemos a voz.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Nas voltas do nosso vira
Vira virou a tristeza
Nunca mais ninguém nos tira
dos caminhos da tristeza.

O povo canta primeiro
e não há duas sem três
obrigada marinheiro
soldadinho português.



JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Popular/Ary dos Santos)

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Chegou um dia ao Rossio
Estava tanto frio, tanta gente triste
Entrou de espingarda em riste
Entrou de espingarda em riste.

Chegou um dia à cidade
E só atirou um amor perfeito
Era o que trazia ao peito
Era o que trazia ao peito.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Depois foi até ao Carmo
Foi até ao cerne da nossa tristeza
E cantou "A Portuguesa"
E cantou "A Portuguesa".

E eu também cantei
só então me dei
conta da beleza
Da voz que ficou acesa
Da voz que ficou acesa.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.
(4x)

2 de julho de 2008

1971
"MENINA" en espagnol



Numa das várias lojas que hoje em dia se dedicam à venda de discos antigos, fomos encontrar a versão em castelhano dos dois temas de Ary dos Santos e Nazareth Fernandes que compunham o disco do FESTIVAL RTP DA CANÇÃO de 1971: "Niña" e "Mujer".
É uma edição Belter a partir da gravação original dos Discos Zip.

14 de junho de 2008

ARY E A MENINA

DO ALTO DA SERRA


FOTO: in José Carlos Ary do Santos, Obra Poética. Lisboa: Ed. Avante, 1994

Tonicha conhece entretanto o poeta José Carlos Ary dos Santos através do compositor Nuno Nazareth Fernandes. Os dois serão os autores de "Menina" (Letra: Ary dos santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes) que venceu o Festival RTP da Canção de 1971.




Veja o vídeo do Festival RTP da canção 1971 no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=6D_oHtr7KGk
(escolha a opção "assistir em alta qualidade")

Ana Maria Lucas entregou o prémio aos autores da canção, José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes:



O tema "Menina" representou Portugal no Festival da Eurovisão em Dublin, arrecadando um 9º lugar, o melhor resultado obtido até essa altura pelo nosso país.
Com a passagem pelo Eurofestival, Tonicha teve oportunidade de estabelecer os contactos internacionais, que lhe permitiram ver o disco editado em versões francesa, italiana, espanhola e inglesa.

Seguem as imagens do ensaio e da actuação em Dublin, respectivamente.














Senhoras e senhores..."Menina do Alto da Serra", com letra de José Carlos Ary dos Santos" e música de Nuno Nazareth Fernandes...para interpretar: Tonicha!

Festival da Eurovisão em Dublin (1971) no YouYube:
http://br.youtube.com/watch?v=Yi37ynXvvQw&feature=related


Menina de olhar sereno
Raiando pela manhã
De seio duro e pequeno
Num coletinho de lã
Menina cheirando a feno
Casado com hortelã
Menina que no caminho
Vais pisando formosura
Trazes nos olhos um ninho
Todo em penas de ternura
Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura
Menina de saia aos folhos
Quem na vê fica lavado
Água da sede dos olhos
Pão que não foi amassado
Menina do riso aos molhos
Minha seiva de pinheiro
Menina de saia aos folhos
Alfazema sem canteiro
Menina de corpo inteiro
Com tranças de madrugada
Que se levanta primeiro
Do que a terra alvoroçada
Menina de fato novo
Ave-maria da terra
Rosa brava rosa povo
Brisa do alto da serra.



Chegada de Dublin, Tonicha foi recebida no aeroporto da Portela por uma multidão de fãs.



"Menina do Alto da Serra" teve direito à gravação de um videoclip. Aqui seguem algumas imagens desse vídeo, realizado por Augusto Cabrita e gravado no Castelo de São Jorge...



Veja imagens do vídeo no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=mjhH5pERb2c