Esta semana, a propósito de um email de um aluno doutorando em História, na Universidade Rural do Rio de Janeiro, lembrámo-nos da participação de Tonicha no Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro (FIC), nos dias 1 e 2 de outubro de 1971. Tivemos de consultar todo o nosso acervo para encontrarmos documentos úteis a tal aluno. Descobrimos esta revista brasileira publicada nessa altura. Aqui fica a capa que apresenta cantores de vários países. A canção defendida por Tonicha foi "Manhã clara", com poema de Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes. Tonicha ganhou o Prémio da Crítica.
(Na foto: Jho Archer (Haiti); Llanit (Israel); Fady El Khoury (Líbano); Nancy Wilson (EUA, cantora de jazz, convidada, falecida em 2018); Tonicha; Chi Coltrane (EUA, convidada)
Mostrar mensagens com a etiqueta Festival do Rio de Janeiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Festival do Rio de Janeiro. Mostrar todas as mensagens
15 de julho de 2019
1 de julho de 2011
TONICHA NA CARAVELA DA SAUDADE

Tonicha no programa "Caravela da Saudade", com o apresentador Júlio José. O programa, muito popular no Brasil, era emitido a partir da cidade brasileira de São Paulo, no Canal 4.
Esta foto (cujo autor desconhecemos) assinala a passagem de Tonicha pela Caravela, numa emissão de 10 de Outubro de 1971.

Fotografia do público do programa "Caravela da Saudade".
No cartaz assinalado, pode ler-se: "TONICHA A MANHÃ CLARA", numa alusão à canção que Tonicha tinha apresentado dias antes no Festival de Música Popular do Rio de Janeiro.
Arquivadores de memórias:
Ary dos Santos,
Festival do Rio de Janeiro,
Manhã clara,
Nuno Nazareth Fernandes
18 de junho de 2011
TONICHA EM SÃO PAULO
PROGRAMA "CARAVELA DA SAUDADE"
SÃO PAULO, OUTUBRO DE 1971

Plateia nº 560, de 26 de Outubro de 1971, p.10
DEPOIS DO ÊXITO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO POPULAR
UMA PRESENÇA FESTIVA NO PROGRAMA "CARAVELA DA SAUDADE"
TV TUPI, CANAL 4
"Alcançou enorme êxito no Brasil, conforme os jornais têm assinalado e a televisão portuguesa mostrou no programa "Presença do Brasil" (...) a "Rosa de Barro" [Nota: deve ler-se "Manhã Clara" e não "Rosa de Barro" ] de Tonicha. Mas, mais do que uma canção, o público brasileiro (além do público português ali radicado) aplaudiu uma estrela em ascensão indesmentível.
No "Diário de S. Paulo", podia ler-se:
SÃO PAULO, OUTUBRO DE 1971

Plateia nº 560, de 26 de Outubro de 1971, p.10
DEPOIS DO ÊXITO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO POPULAR
UMA PRESENÇA FESTIVA NO PROGRAMA "CARAVELA DA SAUDADE"
TV TUPI, CANAL 4
"Alcançou enorme êxito no Brasil, conforme os jornais têm assinalado e a televisão portuguesa mostrou no programa "Presença do Brasil" (...) a "Rosa de Barro" [Nota: deve ler-se "Manhã Clara" e não "Rosa de Barro" ] de Tonicha. Mas, mais do que uma canção, o público brasileiro (além do público português ali radicado) aplaudiu uma estrela em ascensão indesmentível.
No "Diário de S. Paulo", podia ler-se:
"TONICHA CONSAGROU-SE EM S. PAULO - O programa "Caravela da Saudade" da TV Tupi-Canal 4 teve a primazia de apresentar, em São Paulo, a grande cantora portuguesa Tonicha que o público consagrou, aplaudindo-a de pé várias vezes, e respondendo, assim, à injustificável deselegância do júri do FIC e dos "sopros" que lhes foram dados aos ouvidos. Tonicha chegou a ser anunciada como das primeiras classificadas pela Emissora que patrocinava o Festival e, mesmo, entrevistada como finalista, pelos seus locutores. (...)
Mas Tonicha veio a S. Paulo, trazida por nós. Desejávamos saber das suas possibilidades reais e, ela correspondeu, altivamente, provando a injustiça que sofreu, e a que não foi alheio o "sempre eterno e endeusado" organizador do Festival. Tonicha recebeu, em São Paulo, com o Teatro Tupi superlotado, salvas de palmas apoteóticas, imensos ramos de flores e aquilo que poderia chamar-se de uma autêntica consagração a uma cantora que tem obtido os maiores êxitos em outros países e que, em seu dizer, "estava satisfeita porque havia cumprido a sua missão e reprsentado Portugal, não lhe interessando a classificação que, lá fora, em nada diminuia, até porque cada um é o que é e não aquilo que os outros queiram que seja". Recusou-se, na entrevista, com o produtor do programa, a falar sobre o Festival e classificações, alegando que, para além disso tudo - que não importava para ela - estava o seu amor ao Brasil, a sua gratidão a um povo que a recebeu com provas de inestimável carinho. Tonicha fez outra apresentação em S. Paulo, cedida pela "Caravela da Saudade" e regressou, seguidamente, ao Rio de Janeiro, para, por sua vez, voltar a Lisboa, onde a esperam contratos com vários países do mundo. Felicidades Tonicha é o que, sinceramente, desejam os 680 000 portugueses de São Paulo e todos os brasileiros amigos. (...)"
Mas Tonicha veio a S. Paulo, trazida por nós. Desejávamos saber das suas possibilidades reais e, ela correspondeu, altivamente, provando a injustiça que sofreu, e a que não foi alheio o "sempre eterno e endeusado" organizador do Festival. Tonicha recebeu, em São Paulo, com o Teatro Tupi superlotado, salvas de palmas apoteóticas, imensos ramos de flores e aquilo que poderia chamar-se de uma autêntica consagração a uma cantora que tem obtido os maiores êxitos em outros países e que, em seu dizer, "estava satisfeita porque havia cumprido a sua missão e reprsentado Portugal, não lhe interessando a classificação que, lá fora, em nada diminuia, até porque cada um é o que é e não aquilo que os outros queiram que seja". Recusou-se, na entrevista, com o produtor do programa, a falar sobre o Festival e classificações, alegando que, para além disso tudo - que não importava para ela - estava o seu amor ao Brasil, a sua gratidão a um povo que a recebeu com provas de inestimável carinho. Tonicha fez outra apresentação em S. Paulo, cedida pela "Caravela da Saudade" e regressou, seguidamente, ao Rio de Janeiro, para, por sua vez, voltar a Lisboa, onde a esperam contratos com vários países do mundo. Felicidades Tonicha é o que, sinceramente, desejam os 680 000 portugueses de São Paulo e todos os brasileiros amigos. (...)"
Arquivadores de memórias:
Ary dos Santos,
Festival do Rio de Janeiro,
Imprensa,
Manhã clara,
Nuno Nazareth Fernandes
5 de junho de 2011
TONICHA NO RIO DE JANEIRO

Hotel Glória de Copacabana, Rio de Janeiro, Outubro de 1971
FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO POPULAR
RIO DE JANEIRO
1971
PRÉMIO DA CRÍTICA
Em Outubro de 1971, Tonicha participou em mais um grande festival internacional. Depois da Eurovisão, em Dublin, e da Olimpíada da Canção em Atenas, a cantora foi até ao Brasil participar no Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro.
Defendeu a canção "Manhã clara" da dupla José Carlos Ary dos Santos (com um texto muito inspirado como era seu apanágio) e Nuno Nazareth Fernandes (que compôs uma bela partitura em crescendo, mas cheia de nuances e subtilezas sempre ao serviço do poema), brilhantemente orquestrada por Thilo Krassmann.
Com esta actuação a jovem Tonicha obteve o Prémio da Crítica.
"Manhã clara" teve grande impacto no festival sobretudo graças à letra da canção, bastante ousada para um país (ou dois, se contarmos com Portugal) que vivia sob forte ditadura.
E se há palavras, daquelas que Tonicha cantou no Rio, que melhor evocaram essa vontade de libertação foram com certeza: "E nunca mais/as nossas bocas/amordaçadas."
Lembram-se do refrão?
Por ti vou inventar
A manhã clara
De outras raízes
De outras verdades
De outros países
De outras cidades
De homens felizes.
Vou renegar
As coisas fáceis
As coisas vãs
As coisas fúteis.
E nunca mais, E nunca mais
Essas manhãs
Serão inúteis
Essas cidades
Serão vazias
Essas verdades
Ficarão frias
Essas janelas
Serão fechadas.
E nunca mais, E nunca mais
As nossas bocas
Amordaçadas.
Arquivadores de memórias:
Ary dos Santos,
Festival do Rio de Janeiro,
Fotos,
lara,
Manhã clara,
Nuno Nazareth Fernandes,
Prémios,
Thilo Krasmann
18 de setembro de 2008
UMA TARDE COM TONICHA
1984 - Foto para o single "Pinga Amor"
Na sexta feira passada, rumámos para o sul em direcção a Serpa para assistirmos ao espectáculo de "Tonicha e venham mais cinco alentejanos". Tonicha estava muito bem disposta e feliz por cantar para gente do seu Alentejo que conhecia bem o repertório e a foi acompanhando em coro. Temos algumas fotos que mostraremos noutra oportunidade.
Depois de uma noite bem dormida num hotel muito acolhedor em Serpa, de um pequeno almoço à beira da piscina e de um frugal almoço numa esplanada da praça central, fomos directos a Beja, onde Tonicha e o seu marido, João Maria Viegas, nos esperavam em sua casa para uma conversa. Braços abertos, simpatia, sorrisos e boa disposição acompanharam-nos pela tarde dentro e prolongaram-se até ao jantar. Desfiaram-se memórias, recordou-se o Portugal de várias décadas, contaram-se inúmeras viagens, lembraram-se amigos, falou-se de poetas e de músicos: tudo para aprendermos mais sobre a carreira de Tonicha.
Universidade de Providence - Boston
Nos anos 70, Tonicha foi convidada por um professor de Cultura e Literatura Portuguesas da Universidade de Providence para cantar num evento ali organizado.
AS FOTOGRAFIAS, OS DISCOS...
Com a mesma simpatia com que nos abriu as portas de sua casa, João Viegas partilhou connosco o arquivo sobre Tonicha que foi construindo ao longo dos anos. Os recortes de jornais e as capas de revistas, as fotografias que nunca antes tínhamos visto, a colecção de discos, a tudo tivemos acesso. As fotografias que estamos agora a publicar foram-nos oferecidas pelo casal. Se já admirávamos Tonicha, agora também ficámos a admirar João Viegas.
1972 - Rio de Janeiro, com Elis Regina
Nesta foto, Tonicha aparece retratada junto com uma das maiores figuras de sempre da música brasileira, Elis Regina que a vida levou cedo demais, e que Tonicha muito admira.
Foi no ano de 1972 que Tonicha esteve no Brasil para cantar o tema "MANHÃ CLARA" no VI Festival do Rio de Janeiro. A letra, escrita por José Carlos Ary dos Santos, fez muito sucesso por se revelar uma metáfora da liberdade num tempo em que o Brasil vivia uma forte ditadura. A prestação de Tonicha nesse Festival valeu-lhe o Prémio da Crítica. Curiosamente o prémio foi-lhe entregue pelas mãos de outra grande senhora da canção: Shirley Bassey.
MANHÃ CLARA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
Em ti vou nascendo
Por ti vou morrendo
Meu amor distante
Quase anoitecendo
Sempre acontecendo.
Por ti vou ficando
Em mim vou partindo
Meu amor bastante
Que vou descobrindo
Chegando e partindo.
REFRÃO:
Por ti vou inventar
A manhã clara
De outras raízes
De outras verdades
De outros países
De outras cidades
De homens felizes.
Vou renegar
As coisas fáceis
As coisas vãs
As coisas fúteis.
E nunca mais
E nunca mais
Essas manhãs
Serão inúteis
Essas cidades
Serão vazias
Essas verdades
Ficarão frias
Essas janelas
Serão fechadas.
E nunca mais
E nunca mais
As nossas bocas
Amordaçadas.
Por ti vou cantando
Em mim vou dizendo
Que nunca sei quando
Por ti vou sofrendo
E em mim vou crescendo.
REFRÃO.
1996 - Foto: Jorge Nogueira, álbum "Canções d'Aquém e d'Além Tejo"
Perguntámos a Tonicha se o génio de Ary era mesmo como nós pensávamos. A cantora respondeu afirmativamente - disse que ele tinha um enorme talento. Contou-nos como o poeta tinha escrito a "MENINA", num serão, sentado à sua frente, olhando para ela. Falou-nos também da recepção que teve na sua chegada de Dublin - a multidão que se juntou entre o aeroporto e o Teatro Villaret, onde deu uma conferência de imprensa.
Fizemos muitas mais perguntas. As respostas ensinaram-nos muito sobre a vida e o percurso artístico de Tonicha: a insistência do marido para gravar folclore; o "RESINEIRO", gravação aconselhada por José Afonso - e o êxito estrondoso que obteve; o convite para ir para Espanha depois do êxito da "MENINA"; as recepções e os shows em Madrid e em Barcelona; o tema "SIMPLESMENTE MARIA" que o maestro Augusto Algueró exigiu que fosse interpretado por Tonicha (numa versão de Ary dos Santos); a grandiosidade do Pátio de Almeirim; os prémios da imprensa, entre os quais o do álbum "FOLIADA PORTUGUESA", de 1983 (do qual nos ofereceram um exemplar para a nossa colecção); o concerto na Mealhada organizado pela RDP Internacional, a que nós assistimos, nos anos 90, aquando do "REGRESSO" (1993, Polygram) e os muitos espectáculos que Tonicha voltou a fazer.
1993 - Foto: Vasconcellos e Sá para o álbum "Regresso"
A conversa continuou sempre muito animada.
Abordámos a importância das orquestrações feitas por Jorge Palma nos anos 70 e a qualidade desta nova canção que ele lhe compôs agora - "MENINO/RAPAZ"; os outros dois temas novos do Cd "CANTOS DA VIDA", da autoria de José Fanha/Paulo de Carvalho e de Gonçalves Crespo/José Marinho; os outros temas inéditos que lhe compuseram e que ainda não foram gravados - de Tozé Brito, de José Jorge Letria, de Paulo de Carvalho e Joaquim Pessoa. Falou-se do LP "AS DUAS FACES DE TONICHA", uma edição Zip Zip cujo grafismo nos fez lembrar o LP "ELA POR ELA", apesar de terem autores diferentes. Recordaram-se também os penteados da cantora, pelas mãos do Victor Hugo, sobretudo os do Festival de 1978. Tonicha falou-nos ainda com carinho de um retrato seu, pendurado numa parede da sala, que foi pintado por José Manuel Costa Reis...
1971 - Festival Eurovisão da Canção, Dublin
A grande surpresa aconteceu quando, ao perguntarmos pelo vestido que Tonicha levou ao Festival Eurovisão da Canção quando cantou o tema "MENINA", Tonicha saiu da sala para regressar com o vestido... Grandes emoções!
in Correio da Manhã
Arquivadores de memórias:
Ary dos Santos,
Canções d'aquém e d'além Tejo (1995),
Canções de Autor,
Elis Regina,
Festival do Rio de Janeiro,
João Viegas,
Jorge Nogueira,
Letras,
Regresso (1993),
Shirley Bassey,
Vasconcellos e Sá
14 de junho de 2008
TONICHA E OS FESTIVAIS
INTERNACIONAIS
A cantora participa com sucesso em vários festivais internacionais.
"Poema Pena" fica em 4º nas Olimpíadas da Canção de Atenas, na Grécia, onde Tonicha obteve o 2º prémio de interpretação e Augusto Algueró conseguiu o 1º prémio ex-aequo de orquestração.
Fica também em 3º lugar no Festival de Brasov (Roménia). No Brasil, com "Manhã Clara", ganhou o Prémio da Crítica no VI Festival do Rio de Janeiro. Já com "Rosa de Barro" venceu o 1º Prémio de Interpretação no Festival de Split (ex-Jugoslávia).
1967
Festival de Ourense, Espanha: Prémio de Interpretação
1970
Festival de Brasov, Roménia: 3º lugar
Interpreta várias canções, entre as quais o "Resineiro", em romeno.
1971
Olimpíadas da Canção de Atenas, Grécia: 4º lugar e 2º Prémio de Interpretação
"Poema Pena"
VI Festival do Rio de Janeiro, Brasil: Prémio da Crítica
"Manhã Clara"
Festival de Split, ex-Jugoslávia: 1º Prémio de Interpretação
"Rosa de Barro"
A cantora participa com sucesso em vários festivais internacionais.
"Poema Pena" fica em 4º nas Olimpíadas da Canção de Atenas, na Grécia, onde Tonicha obteve o 2º prémio de interpretação e Augusto Algueró conseguiu o 1º prémio ex-aequo de orquestração.
Fica também em 3º lugar no Festival de Brasov (Roménia). No Brasil, com "Manhã Clara", ganhou o Prémio da Crítica no VI Festival do Rio de Janeiro. Já com "Rosa de Barro" venceu o 1º Prémio de Interpretação no Festival de Split (ex-Jugoslávia).
1967
Festival de Ourense, Espanha: Prémio de Interpretação
1970
Festival de Brasov, Roménia: 3º lugar
Interpreta várias canções, entre as quais o "Resineiro", em romeno.
1971
Olimpíadas da Canção de Atenas, Grécia: 4º lugar e 2º Prémio de Interpretação
"Poema Pena"
VI Festival do Rio de Janeiro, Brasil: Prémio da Crítica
"Manhã Clara"
Festival de Split, ex-Jugoslávia: 1º Prémio de Interpretação
"Rosa de Barro"
Arquivadores de memórias:
Augusto Algueró,
Festival do Rio de Janeiro,
Olimpíadas de Atenas (1971)
