LETRAS DAS CANÇÕES

2010
QUANTAS VOLTAS DÁ A NORA?
(Letra: Tiago Torres da Silva)
(Música: Vasco Ribeiro Casais)

Ai, quantas voltas dá a nora
para nos trocar as voltas?
Ai, quantas voltas ao voltar
das voltas que eu dei às canções?
Ai, quantas voltas dá a vida
para não deixar a nora parar?
São voltas que não vão ter fim
Nem no fim de outro fim que há no mar.
Quantas voltas dá o sol
e a gente sem querer saber?
Tantas voltas dá o sol
e no final só quer nascer.
As voltinhas, são as voltinhas do Marão
às voltas com o tempo
e com as canções.
Ai, quantas voltas tenho dado
para tu voltares no vento?
Ai, não devia ter voltado
às voltas do teu pensamento.
Ai, quantas voltas, quantas voltas?
Tantas águas pela vida a rodar
ai, são as almas que andam soltas
e a nora não vai parar.
As voltinhas do Marão
às voltas com o tempo
e com as voltinhas do Marão
às voltas com o tempo
e com as canções
são as voltinhas do Marão...

2008
MENINO/RAPAZ
(Letra e Música: Jorge Palma)

Menino
Eu conheço o teu olhar
A tua forma de afirmar
Que o mundo inteiro é só teu
Menino
Eu já sei dessa aflição
Pequeno sim, pequeno não
E há sempre alguém que perdeu.
Traz o teu corpo incandescente
Traz essa chama irreverente
Mostra-me o trabalho de inglês
Qual foi a tua nota?
Foi boa a tua nota?
Rapaz
Se queres falar comigo
Tira a mão do teu umbigo
Olha pra mim a valer
Rapaz
Fuma lá esse cigarro
Acaba lá com esse charro
Mas faz-me sentir mulher.
Traz o teu corpo incandescente
Traz essa chama irreverente
Mostra-me o trabalho de inglês
Qual foi a tua nota?
Foi boa a tua nota?
Qual foi a tua nota?
Foi boa a tua nota.

2008
FUI QUEM SOU
(Letra: José Fanha)
(Música: Paulo de Carvalho)

Fui quem sou com inteireza
Rosto claro e alma acesa
E um lume sempre a brilhar
E ao pensar neste meu fado
A menina do passado
Passa por mim num olhar.
Passam campos e cidades
Passam poetas, saudades
E a ternura a transbordar
Deste país pequenino
Malandro, santo, menino
Amante louco do mar.
Passa tudo, passa tudo o que cantei
Nas canções, nas canções em que espalhei
Muitos sonhos, muitos sonhos, ilusões
Tristezas e alegrias, gaivotas e cotovias
Passam no céu das canções.
Passa a papoila mimosa
O botãozinho de rosa
Passa o velho e passa o novo
Passa a laranja e o figo
Passa a música do trigo
Mais as cantigas do povo.
Passam luzes e encantos
Passam lágrimas de espanto
Tudo passa de corrida
Passam palcos que pisei
Os amigos que encontrei
Pelos sete cantos da vida.
Passa tudo, passa tudo o que cantei
Nas canções, nas canções em que espalhei
Muitos sonhos, muitos sonhos, ilusões
Tristezas e alegrias, gaivotas e cotovias
Passam no céu das canções.

2008
ALGUÉM
(Letra: Gonçalves Crespo, 1846-1883)
(Música: José Marinho)

Para alguém sou o lírio entre os abrolhos,
E tenho as formas ideais de Cristo;
Para alguém sou a vida e a luz dos olhos,
E, se na Terra existe, é porque existo.
Esse alguém, que prefere ao namorado
Cantar das aves minha rude voz,
Não és tu, anjo meu idolatrado!
Nem, meus amigos, é nenhum de vós!
Quando, alta noite, me reclino e deito,
Melancólico, triste e fatigado,
Esse alguém abre as asas no meu leito,
E o meu sono desliza perfumado.
Chovam bênçãos de Deus sobre a que chora
Por mim além dos mares! esse alguém
É de meus olhos a esplendente aurora;
És tu, doce velhinha, ó minha mãe!

1997
Ó PASTOR QUE CHORAS
(Letra: José Gomes Ferreira)
(Música: José Almada)

Ó pastor que choras
O teu rebanho onde está
Deita as mágoas fora
Carneiros é o que mais há.
Uns de finos modos
Outros vis por desprazer
Mas carneiros todos
Com cargo de obedecer.
Quem te pôs na orelha
Essas cerejas, pastor
São de cor vermelha
Vai pintá-las doutra cor.
Vai pintar os frutos
As amoras e os rosais
Vai pintar de luto
As papoilas e os trigais.

1997
POEMA DE AMOR
(Letra: António Botto)
(Música e Arranjo: Luís Pedro Fonseca)

Quem é que abraça o meu corpo
na penumbra do meu leito?
quem é que beija o meu rosto
quem é que morde o meu peito.
Quem é que fala da morte
docemente ao meu ouvido?
és tu senhor dos meus olhos
e sempre do meu sentido.
De saudades vou morrendo
e na morte vou pensando.
Meu amor porque partiste
sem me dizer até quando?
Na minha boca tão triste
ó alegrias, cantai
mas quem acode ao que eu digo
- Enchei-vos de água, meus olhos
enchei-vos de água, chorai.

1997
CAVALO DE PALAVRAS
(Letra: Ary dos Santos/Joaquim Pessoa)
(Música: Carlos Mendes)

Dos seixos destas mãos
Prenhes de mágoas
Dos freixos que dobravam a cintura
Dos olhos que já trouxe rasos de água
Eu fiz o meu ribeiro de ternura.
E das palavras ditas em segredo
Das coisas ciciadas pelo vento
Da minha imensa luta contra o medo
Eu fiz o meu caudal de sofrimento.
Cavalo de palavras quem me agarra
Quem aparta de mim esta saudade
Quem faz da minha voz uma guitarra
Tocada pelos dedos da verdade.
Quem é que põe a flor da madressilva
Na louca trepadeira dos meus braços
Quem pode desbravar a minha selva
De angústias e tormentos e cansaços.
E quem terá a cor da buganvília
Espreitando pelos olhos da janela
Quem pode ser a sombra de uma tília
Cheirando a alfazema e a canela.
Só tu que eu inventei mas não existes
Só tu que não sei bem se não és eu
E alegras os momentos que são tristes
E deitas o teu corpo sobre o meu.

1997
O MEU CAMINHO
(Letra: António Pinho)
(Música: Tozé Brito)

Essa voz lá de longe da minha terra
O chão que eu senti na ponta dos dedos
Contaram-me histórias
Que trazem memórias
De velhos segredos.
Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.
Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mar de prata
Corpo miudinho
Alma de fragata
Fiz o meu caminho.
Fiz o meu caminho
Fui como andorinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho
Em chegando a hora.
Faço o meu caminho.
Essa Mãe toda toda oiro do trigo e do Sol
O vento a cantar na veia d'água a correr
Mulher e menina
Foi a minha sina
Meu jeito de ser.
Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.
Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho.
Em chegando a hora
Faço o meu caminho.

1997
AO MENOS UMA VEZ
(Letra e música: Pedro Barroso)

Abrir a porta que dá para o rio defronte
morder um malmequer azedo p'lo caminho
regressar de ouvido ao som que estava ausente
sentir o sol na cara e o cheiro a rosmaninho
e às vezes uma ortiga
às vezes uma rosa
e às vezes uma amora
que eu mordo com saudade
estamos sempre a tempo de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente de verdade.
Soltar na noite aberta a fantasia
viver o sonho como quem se aquece
ao fogo de um cuidado, ao fogo de um carinho
tecer em linho puro a vida que acontece
e às vezes uma ideia,
às vezes um poema,
às vezes um olhar
que vai valer a pena
estamos sempre a tempo
de ainda descobrir
ao menos uma vez
um gesto por sentir
depois ficam amigos às vezes até tarde
quando passa o carteiro a gente diz - Bom dia!
ser português assim se querem a verdade
é nascer uma menina e os pais porem: Maria...
e às vezes encontrar
razões p'ra lá de nós
e às vasculhar
na arca dos avós
estamos sempre a tempo
de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente conseguida.

1997
TERRA MÃE
(Letra: Raúl de Carvalho)
(Música: Luís Pedro Fonseca)

Lá nos campos, tristes campos
Dos campos do Alentejo
Vim ainda pequenina
- E pequenina me vejo...
Lá nos campos, tristes campos
Da solitária planura
Nasceu a minha revolta
Nasceu a minha amargura.
Lá nos campos, tristes campos
Vem a lembrança de tudo
O que mais amo e desejo.
Vem a fome a sede e o sonho
Das terras do Alentejo.

1995
SENHORA DO ALMORTÃO
(Popular - Beira Baixa)

Senhora do Almortão
Ó minha linda raiana
Virai costas a Castela
Não queirais ser castelhana.
Senhora do Almortão
A vossa capela cheira
Cheira a cravos, cheira a rosas
Cheira a flor de laranjeira.
Senhora do Almortão
Eu p’ró ano não prometo
Que me morreu um amor
Ando vestido de preto.

1995
TOURADA (Baixo Alentejo)
(Letra: popular/adaptação: João Viegas)
(Música: popular/arranjos: Rui Vaz/Francisco Martins)

No meu peito as saudades
São como as rosas e os líros
Umas brancas de pureza
Outras roxas de martírios.
Nunca faltam afilhados
Ao homem que vive bem
Vejam lá o desgraçado
Quantos afilhados tem.
Foste, foste, que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir o camarote
Viram-te a saia bordada.
Viram-te a saia bordada
Ó que bordado tão lindo
Foste, foste, que eu bem sei que foste
À tourada no domingo.
Além daquela janela
Dois olhos me estão matando
Matem-me devagarinho
Que eu quero morrer cantando.
Os olhos de quem namora
Bem conhecidos que são
Estão olhando para as pessoas
Fingindo que olham para o chão.
Foste, foste, que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir o camarote
Viram-te a saia bordada.
Viram-te a saia bordada
Ó que bordado tão lindo
Foste, foste, que eu bem sei que foste
À tourada no domingo.
Foste, foste, que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir o camarote
Viram-te a saia bordada.
Viram-te a saia bordada
Mas que bordado tão lindo
Foste, foste, que eu bem sei que foste
À tourada no domingo.

1995
VAI DE RUZ-TRUZ TRUZ (Ribatejo)
(Letra: popular/adaptação: João Viegas)
(Música: popular/arranjos: Naná Sousa Dias)

Este bailarico é novo
Nem todos o sabem dançar
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz.
Tem um requebro no meio
Nem todos lho sabem dar
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz.
A moda do bailarico
Lírios à borda da vala
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz.
Amor segue os teus intentos
Deixa lá falar quem fala
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz.
Se eu for presa por cantar
Não calarei a garganta
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz.
(2x)
Eu sou como um passarinho
Que até na gaiola canta
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz.
Vai de ruz truz truz
Vai de raz traz traz
Sou o teu amor
És o meu rapaz.

1993
CANÇÃO DO CIGANO
(Letra: Vasco de Macedo)
(Música: Frederico de Brito)

Pelas raias de Espanha nas sombras da noite
Passava um cigano no seu alazão
O vento brandia seu nórdico açoite
As folhas rangiam caídas no chão.
E já embrenhado no alto Alentejo
Nas sombras da noite tingidas de breu
Nem mais uma praga nem mais um desejo
Aos ecos distantes o pobre gemeu.
Não há maior desengano
Nem vida que dê mais pena
Do que a vida de um cigano
Atravessar a fronteira
Para ser atravessado
Por uma bala certeira
E tudo porque o destino
Só fez dele um peregrino
Companheiro do luar
Um pobre judeu errante
Que não tem pátria nem lar.
E o contrabandista temido e valente
Voltava de Espanha no seu alazão
Um tiro certeiro e o braço dormente
E um rasto de sangue marcado no chão.
E já embrenhado no alto Alentejo
Nas sombras da noite tingidas de breu
Nem mais uma praga nem mais um desejo
Aos ecos distantes o pobre gemeu.
Não há maior desengano
Nem vida que dê mais pena
Do que a vida de um cigano
Atravessar a fronteira
Para ser atravessado
Por uma bala certeira
E tudo porque o destino
Só fez dele um peregrino
Companheiro do luar
Um pobre judeu errante
Que não tem pátria nem lar.

1993
MINHA TERRA DE AGOSTO DESEJADO
(Letra: João Maria Viegas)
(Música: Luís Pedro Fonseca)

Meu amor, minha terra, meu país
Meu fruto saboroso na distância
Meu quintal semeado de alecrim
Que enfeitaste de ilusões a minha infância
Minha terra de Agosto desejado
Minha pipa de vinho morangueiro
Minha noiva de Viana, meu brocado
Meu jardim, meu recanto e meu canteiro
Esta saudade que mata
Este bem querer que perdura
Daquele luar de prata
Que revejo na lonjura
Este destino fadista
Que marcou o meu passado
Por sonhos e palavras ditas
Nos versos do nosso fado
Meu país de fados magoados
Que guitarras entoam noite fora
Misturando nos acordes e trinados
Saudades da família que lá mora
Minha aldeia dos pares de namorados
Que ao domingo se passeiam pela rua
E que à noite se entregam, abraçados
Jogando às escondidas com a lua.

1993
CHULA
(Letra: João Maria Viegas)
(Música: Rão Kyao)

Cantigas de portugueses
Lembram gaivotas no ar
Voando por entre as ondas
Trocando as voltas ao vento
Com medo de naufragar.
A cantar me fiz mulher
Fiz da vida uma cantiga
Cantigas leva-as o vento
O vento levou-me todos
Os sonhos de rapariga.
Fui ao mar pra ver as ondas
O mar gemia de dor
Trazia prantos e mágoas
Eram marés que mandavam
Saudades do meu amor.
Adeus ó vareira chula
Ó minha velha canção
Vens das terras de Galiza
Trazes notícias de Espanha
Com sabor a tradição.

1993
O QUE É QUE EU FAÇO?
(Letra: João Maria Viegas)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)

O que é que eu faço
Quando me dá a tristeza
Quando nem tenho a certeza
Se aí estás quando eu voltar.
O que é que eu faço
Quando a neve cai aos molhos
Quando choram os meus olhos
Neste meu jeito de amar.
O que é que eu faço
Quando perco esta alegria
Lembrando os dias de festa
Da Senhora da Agonia.
O que é que eu faço
Com este lenço bordado
Que me deu o meu amado
Nas noites de romaria.
Se me lembro disto
É logo um sarilho
Chegam as saudades
Da broa de milho.
A festa na aldeia
A pisa do mosto
O cheiro da rua
Nas noites de Agosto.
O que é que eu faço
Quando chega o fim do dia
Quando ligo a telefonia
E não escuto a canção.
O que é que eu faço
Se não ouço a minha gente
Nem a guitarra dolente
Que me aquece o coração.
O que é que eu faço
Se aqui não tenho Zés Pereiras
Nem São João nem fogueiras
Nem trindades ao sol-posto.
O que é que eu faço
Sem o sol do meu país
Sem o mar que sempre quis
Sem os domingos de Agosto.

1987
AVÉ MARIA
(Música: Schubert)
(Letra: Luís Pedro Fonseca)

Avé Maria
Cheia de graça do Senhor
Bendita sois Vós entre as mulheres
Bendito é o Vosso Filho Jesus
Senhora, o Mundo precisa de Vós
Rogai sempre por nós.
Ó Santa Maria
Mãe de Deus
Derrama sobre nós
A Tua Luz
Que a fome e a guerra
Acabem de vez
E fique a paz
A reinar sobre a Terra
Avé Maria.
Avé Maria
Cheia de graça do Senhor
Fazei com que os homens
O encontrem
Brilhando no Universo interior
E sintam que não há
Força maior
Que o poder do amor.
Ó Santa Maria
Mãe de Deus
Derrama sobre nós
A Tua luz
Que a fome e a guerra
Acabem de vez
E fique a paz
A reinar sobre a Terra
Avé Maria

1984
PINGA AMOR
(Letra e Música: A. Silva)

Quando na rua
Você vê alguma loira
Você até quase estoira
Se não se mete com ela.
Mas se a pequena
Em vez de loira é morena
Você faz-lhe a mesma cena
O que você quer é trela.
Vai logo atrás
Diz-lhe que é um bom rapaz
E que de tudo é capaz
Por uma mulher tão dura.
E se a mulher
Acredita o que disser
Vai atrás de outra qualquer
Que aquela já está segura.
Refrão (2x):
Pinga amor
Você é um pinga amor
Brancas, pretas, qualquer côr
Você quer tudo o que vê.
Não tem meias
Sejam bonitas ou feias
Altas, baixas, magras, cheias
Tudo serve p'ra você.
Juro que amo
Diz você à Joaquina
Mas à Rosa e à Miquelina
Diz o mesmo exactamente.
À Gabriela
Diz que quer casar com ela
Casa com esta e com aquela
Quer casar com toda a gente.
Sempre a mentir
Diz à Júlia p'ra ouvir
Que a Josefa era a fingir
E com ela é que é verdade.
Seu coração
Sempre cheio de paixão
Parece mesmo um vulcão
Quando em actividade.
Refrão (3x).

1982
MARCHA DOS MARINHEIROS
(Letra: Matos Sequeira-Pereira Coelho)
(Música: C. Caldero / Arranjos: Carlos Alberto Moniz)

Os marinheiros aventureiros
São sempre os primeiros
Na terra ou no mar
Ao ver as belas
Pelas janelas
Soltam logo as velas
Para as conquistar.
Ao navegar
Sobre as ondas desde Gôa
Nós viemos a pensar
Nas meninas de Lisboa
Desembarcados
Mesmo assim os marinheiros
Vamos ficar ancorados
A uns olhos traiçoeiros.
Salgadas pelo mar
As nossas bocas vêm
Vêm procurar o mel
Que os beijos têm
Que é tão bom para as adoçar.
Largamos vela
Da ribeira de Panjim
A pensar numa janela
Enfeitada de alecrim
Entrando a barra
Mal a nau chega a Belém
O marujo deita amarra
À mulher que lhe convém.
Salgadas pelo mar
As nossas bocas vêm
Vêm procurar o mel
Que os beijos têm
Que é tão bom para as adoçar.
A marinhagem
Ao saltar dos escaleres
Quando chega da viagem
Põe-se à pesca das mulheres
Deita o arpão
Sem saber se é linda ou feia.
Vem às vezes um peixão
Outras vezes vem baleia.
Os marinheiros aventureiros
São sempre os primeiros
Na terra ou no mar
Ao ver as belas
Pelas janelas
Soltam logo as velas
Para as conquistar
Soltam logo as velas
Para as conquistar.

1981
ARRAIAL DE SANTO ANTÓNIO
(Letra: Julio Dantas)
(Música: Frederico de Freitas)

Cheira a rua a alecrim
E a berlinda passa a trote
Vai a noiva de palmito
Vai o noivo de capote.
Refrão (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.
Já lá tem lençóis de renda
E alfazemas para arder
Para divertir um homem
Não há como uma mulher.
Refrão (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.
Ai o capote encarnado
Ai o lenço de cambraia
Ai a luz que se apagou
Quando ia a subir a saia.
Refrão (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.
Refrão (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.

1981
FADINHO DA COMIDA
(António A. Pinho / Nuno Rodrigues)

Quem me dera o velho gosto do cozido
como dantes se fazia,
quando a gente enchia o nosso próprio enchido
ai que bem que me sabia,
como dantes se fazia.
Quem me dera ainda aquele pão caseiro
que bom cheiro que ele tinha,
quando a gente então passava p'lo padeiro de manhã,
de manhãzinha.
Refrão
Ai que gosto que a comida tinha outrora
ai que gosto que nos dava então comê-la
porque agora em vez de gosto tem um preço,
que por subir de hora a hora
já nem dá vontade vê-la. (2x)
Quem me dera que a batata ainda tivesse
sendo nova o gosto antigo,
e ao casar com o bacalhau então pudesse a gente cá
chamar-lhe um figo,
ao gosto antigo.
Quem me dera ter alfaces bem verdinhas
mas são quasi clandestinas,
pois agora nestas hortas alfacinhas só lá cheira
a pesticidas.
Refrão (2x)
Quem me dera que soubesse o carapau
como dantes me sabia,
e pensar que agora sei já não ser mau,
não saber a porcaria,
como dantes não sabia.
Quem me dera fosse puro o meu azeite
como era antigamente,
quando a vaca já nem gosto põe no leite
com franqueza, francamente.

1980
CANÇÃO SEM TI
(P. de Senneville/O. Toussaint)
(Arranjo: Pedro Osório)
sobre "A Comme Amour"

Sem ti
que me importa que o sol mude de cor
sem ti
já não me interessa mais seja o que for
sem ti
é como um jardim sem uma flor
viver sem ti
não é viver meu amor.
Viver sem ti
é como se já nada mais houvesse
sem ti
é como se outro dia não nascesse
viver sem ti
é como se o meu peito não batesse
quero dizer
viver sem ti é morrer.
Sem ti
sem a cama dos teus braços
ficarei à tua espera
porque sem ouvir teus passos
nunca mais é primavera.
Viver sem ti
é pior que enlouquecer
não sentir nenhuma dor
é lutar por te esquecer
e esquecer-te meu amor
é não viver.
Sem ti
podem morrer estrelas no universo
sem ti
não poderei cantar nem mais um verso
sem ti
nenhuma madrugada há-de chegar
viver sem ti
é não poder mais amar.
...
é como se já nada mais houvesse
... é como se outro dia não nascesse
... é como se o meu peito não batesse
quero dizer viver sem ti é morrer!

1980
CANÇÃO DA ALEGRIA
(Letra: Joaquim Pessoa)
(Música: Tozé Brito)

Há um pássaro que voa
Sobre as janelas do dia
Fugiu do meu peito
Poisou no meu leito
E fez
Um ninho de alegria.
Alegria que nasceu
De uma rosa quase pura
Meu amor dormindo
Nesta noite abrindo
Em flor
A minha ternura.
Tenho sede de viver
Tenho a vida à minha espera
Sou uma rosa a crescer
No azul da primavera.
Tenho sede de viver
De fazer amor contigo
Quantas vezes eu quiser
Amante, amor e amigo.
Há palavras que regressam
Como um beijo à minha boca
Para possuir-te
Para pertencer-te
A noite
Será sempre pouca.

1980
CANÇÃO DO AMOR PERDIDO
(Letra: Joaquim Pessoa)
(Música: Carlos Mendes)

Era o deserto em que eu te percorria
e te inventava
eram pedaços de um dia
em que a alegria morria
quando a saudade voltava
Nas minhas mãos te acendia
quando o dia se apagava.
Eras tu meu amor e eu sabia
adivinhava
e o silêncio que eu trazia
era sede que nascia
e nunca mais acabava
Quando o amor nos despia
é que a noite começava.
Era o meu cabelo à solta
as tuas mãos no meu peito
eram beijos de revolta
num tempo quase desfeito.
Eram dois corpos em flor
rosas da cor do meu espanto
quando o desejo era tanto
que só restava esta dor.
Meu amor
Era o deserto em que eu te percorria
e te inventava.

1980
CHAMAR-TE MEU AMOR
(Letra: Joaquim Pessoa)
(Popular - Arranjo: Pedro Osório)

Dizer que tudo em ti é movimento
e que há corças nas selvas em redor
do amor que às vezes faço em pensamento
ou do que eu penso quando faço amor.
Dizer que em tudo escuto a tua voz
no mar no vento na boca das searas
o maior amor do mundo somos nós
cobrindo a solidão de pedras raras.
Dizer tudo o que eu digo nunca basta
pois para ti não chegam as palavras
meu amor é uma expressão que já está gasta
mas tem sempre um aroma de ervas bravas.
É por ti tudo o que faço e digo e chamo
por ti eu tudo invento e tudo esqueço
dou tudo o que há em mim quando te amo
mas nem sei meu amor se te conheço.

1980
CANÇÃO DA CORAGEM
(Letra: Joaquim Pessoa)
(Música: Carlos Mendes)

Nem que a morte me soltasse
todas as velas no sangue
deixaria a minha casa
como se fosse culpada
Nem que a morte me soltasse
todas as velas no sangue
Nem que morte me dissesse:
"Virás de noite comigo..."
eu trairia um amigo
Nem que a morte me levasse
Nem que a morte me dissesse
Nem que vida me fugisse
Nem que morte me fechasse
todas as portas do sonho
deixaria de cantar
Nem que a morte me calasse
Nem que a morte me fechasse
todas as portas do sonho
Nem que a morte acontecesse
bem por dentro dos meus olhos
eu deixaria de viver
todo o amor de joelhos
Nem que a morte me acontecesse
ou me amor, me cegasse
Ai nem que a morte viesse
como só vem a tristeza
eu me dava por vencida
Nem que a morte me doesse
Ai que nem a morte viesse
como só vem a tristeza
E se a morte violentasse
as paredes do meu peito
meu coração lá estaria
como uma rosa de esperança
como um pássaro de sangue
ou uma bala perdida.

1980
MARIA DA CONCEIÇÃO
(Letra: Joaquim Pessoa)
(Música: Pedro Osório)

Maria da Conceição
faça sol e chuva não
tens que trabalhar no campo
com teu pai com teu irmão
tens que trabalhar no campo
tens que trabalhar no campo
faça sol e chuva não.
E um arado no teu peito
e uma foice em tua mão
ceifa ceifa vai ceifando
ceifa ceifa vai ceifando
Maria da Conceição.
Já o sol nasce no monte
e a monte passa o ganhão
poisa um pássaro na fonte
e um amor no coração
põe-se o sol no horizonte
tu voltas de novo ao monte
Maria da Conceição.
Um chapéu de trigo loiro
e um lenço bordado à mão
cobres a seara de oiro
cobres a seara de oiro
Maria da Conceição.
Maria da Conceição
faça sol e chuva não
tens que trabalhar no campo
com teu pai com teu irmão
tens que trabalhar no campo
tens que trabalhar no campo
faça sol e chuva não.
Toda a vida te disseram
tens que lutar pelo pão
ceifa ceifa vai ceifando
ceifa ceifa vai ceifando
Maria da Conceição.
Já o sol nasce no monte
e a monte passa o ganhão
poisa um pássaro na fonte
e um amor no coração
põe-se o sol no horizonte
tu voltas de novo ao monte
Maria da Conceição.

1979
O CHICO PINGUINHAS
(Letra: J. Libório)
(Música: Popular)

Ai, na festa da sua aldeia
Que tem lugar em agosto
Lá anda o Chico Pinguinhas
Tão "pinoca" que dá gosto.
Esperou um ano inteiro
Por estes dias de farra
Vai de pinguinha em pinguinha
E já ninguém o agarra.
E anda aos tombos
E anda aos tombos
E anda aos tombos
Pela Romaria.
Vai de braço dado
Já vai carregado
O chico Pinguinhas
E haja alegria.
Ai, bebe o branco e bebe o tinto
O palheto e o adamado.
Seja verde ou maduro
Não é esquisito o danado.
Vai de copo ou de caneca
E até bebe p'lo canudo.
Desde que venha a pinguinha
Tanto faz... bebe de tudo.
Ai, faz o "lastro" com pevides
E talhadas de melão
Ou então com as farturas
Da barraca do "Gingão".
E o Chico das pinguinhas
Vai gritando várias vezes
Beber o vinho é dar pão
A milhões de portugueses.

1979
O GAITEIRO PORTUGUÊS
(Letra: J. Libório)
(Popular - Arranjo: Thilo Krasmann)

Vêm do norte cavaquinhos
Do nordeste castanholas
No centro tocam ferrinhos
Nas beiras oiço violas.
O Gaiteiro Português
Lá anda de festa em festa
E dizem as moças todas
Mas que gaita será esta?
Mas a gaita portuguesa
Que só afina num tom
Tem um compasso diferente
Que não é mau nem é bom.
Refrão
Quando a gaita se escangalha
O homem fica doente
E a mulher do gaiteiro
Fica triste de repente.
Refrão
O Gaiteiro Português
Em dia de romaria
Com um grãozinho na asa
É um espanto de alegria.

1978
ZUMBA NA CANECA
(Letra: J. Libório)
(Popular - Arranjo: Thilo Krasmann)

Ó meu bem aparta, aparta, ó i ó ai
O cacho tinto do branco, ó i ó ai
Também eu fui apartada, ó i ó ai
Dum amor que queria tanto.
Ora zumba na caneca
Ora na caneca zumba
O diabo da caneca
Toda a noite catrapumba.
A uva que tem grainha, ó i ó ai
É fruto de bom sabor, ó i ó ai
São como os beijos que levp, ó i ó ai
Da boca do meu amor.
Refrão
Berram bombos e foguetes, ó i ó ai
Lá na quinta do outeiro, ó i ó ai
Mata-se o porco em dezembro, ó i ó ai
Prova-se o vinho em janeiro.
Refrão
Viva a festa da adiafa, ó i ó ai
Vivam todos quantos'tão, ó i ó ai
E viva o nosso adegueiro, ó i ó ai
Com'ma caneca na mão.

1978
CANÇÃO DA AMIZADE
(Letra: Joaquim Pessoa)
(Música: Carlos Mendes)
(Orquestração: Pedro Osório)

Não vou falar, nesta canção de azar ou sorte
Mas da razão que a gente tem de ser mais forte.
Uma canção é quase sempre uma viagem
É um navio subindo o rio da coragem.
Falo do amor, como uma rosa ou uma estrada
Rasgando a noite em direcção à madrugada
Trago na boca um canto aberto à claridade
Que é sempre pouca esta palavra liberdade
Liberdade, liberdade, liberdade
Meu coração, é como um pássaro poisado
Nas tuas mãos ó meu irmão desesperado
Canta comigo uma canção que seja nossa
Que a gente deve dizer tanto quanto possa.
Não estamos sós trago na voz uma mensagem
Com que este povo diz verdade e diz coragem
Quero dizer que sei de cor a tua dor
Pois a cantar a gente sofre e faz amor.
Por isso faço esta canção ó meu amigo
E a razão porque hoje canto é estar contigo
Mas não te dou nem um centavo de saudade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade.

1978
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
(A. Avelar Pinho / Nuno Rodrigues)
(Arranjo: Armindo Neves)

Meu amor, meu país de tantos rios
Mil aldeias mil meninas
A molhar os pés no mar
Meu país de mil campinas
O teu corpo hei-de cantar
Meu amor, meu país de mágoa e sol
Mil vontades mil desejos a roçar a um altar
Meu país de tantos beijos
Teu quebranto hei-de quebrar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Meu amor, meu país de ladainhas
Mil tambores, mil cantigas
A dançar d'horas no ar
Meu país de mil fadigas não te deixes enganar
Meu amor, meu país de sete cores
Mil florestas mil cidades
Onde o sol se vai sentar
Meu país de mil idades
É já tempo de casar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Meu amor, meu filho lindo
Já são horas de acordar
Meu amor eu já vou indo
É tempo de te encontrar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem (2x)
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem (4x)
Quem me quer bem, quem me quer bem, meu bem (2x).

1978
PELA VIDA FORA
(Letra: João Henriques)
(Música: Carlos Santos)

Pela vida fora
Muito vai embora
E eu a vida inteira aqui
Pensando em ti
Nesta ilusão
Pregada ao chão.
Mais do que enfeitada
Estou amargurada
Mas um dia há-de chegar
E o meu calor
Há-de voltar
Pra eu cantar.
Eu canto a vida à procura
Da noite segura
E do meu segredo
Porque eu sinto o gosto da vida
Na terra aquecida
De viver sem medo.
Eu faço a minha poesia
De noite e de dia
De janela aberta
Hoje eu canto a minha demora
Pelo tempo fora
Na minha voz certa.
Mas nada acontece
A quem adormece
E eu voltei a ser mulher
A renascer
Sempre a escolher
Quem eu quiser.
No meu corpo farto
Fica a dor e eu parto
Eu não sei onde parar
Mas vou cantar
Até chegar
Ao meu lugar.

1977
VINHO NOVO
(Letra: Joaquim Pessoa)
(Popular - Arranjo: J. Libório)

Vinho novo, vinho novo
És o sangue das videiras
Tu és a sede do povo
És um cacho de canseiras.
Quando as uvas ao calor
São doces como as cantigas
O vinho é como o amor
No peito das raparigas.
De manhã, de manhãzinha
Cantam os bagos na dorna
E o sol bebe na vinha
O sumo que alguém entorna.
Pisa o vinho, meu amor
O sangue que pões na mesa
Com o vinho e o suor
Se faz o pão da pobreza.
Já pisei o vinho novo
Meu amor, no mês de Agosto
A hora sabe-me a povo
E a mãos sabem-me a mosto.

1977
VIRA DA DESGARRADA
(Popular)
(Arranjo: J. Libório)

Ai amor toma lá pinhões
Ai que eu venho agora da feira.
Ai amor toma lá pinhões
Ai que eu venho agora da feira.
Ai casar e ganhar pra ti
Ai mais valia estar solteira.
Ai casar e ganhar pra ti
Ai mais valia estar solteira.
Refrão
Ai o vira da desgarrada
É dançado com jeitinho
É batido e salteado
Ai nos braços do meu amorzinho.
Ai amor toma lá pinhões
Ai que eu venho de Santarém.
Ai amor toma lá pinhões
Ai que eu venho de Santarém.
Ai casar e ganhar pra ti
Ai calhava-te muito bem.
Ai casar e ganhar pra ti
Ai calhava-te muito bem.
Refrão (1x)
Ai amor fazes um vistão
Ai montado no teu cavalo.
Ai amor fazes um vistão
Ai montado no teu cavalo.
Ai saudades de ti me dão
Ai nos dias em que te não falo.
Ai saudades de ti me dão
Ai nos dias em que te não falo.
Refrão (1x)

1977
ROSAS DO MEU JARDIM
(Popular)

Tu dizes que não há rosas
Nem brancas nem amarelas
Anda cá para o meu peito
Se queres ver um jardim delas.
Refrão
Ó rosa não consintas
Que o cravo te ponha a mão
Que a rosa desmaiada
Já não tem essa canção.
Ó minha rosa encarnada
Criadinha ao pé do tanque
Dá-lhe o vento, dá-lhe a chuva
Cada vez está mais brilhante.
Refrão
Rosa que estás na roseira
Deixa-te estar fechadinha
Vou agora à minha terra
Quando vier serás minha.
Refrão
A rosa jurou ao lírio
Amizade sem ter fim
Agora namora um cravo
As rosas são sempre assim.

1977
MARCHA DE BENFICA
(Letra: Frederico de Brito)
(Música: Raul Ferrão)

Ó raparigas
Isto agora é andarmos para a frente
Saltem cantigas aos molhos
Sorrisos nos olhos
E coração quente.
Cá vai Benfica
E quem fica não vai com certeza
Ser alegre é que é preciso
Pois quem tem o riso
Tem sempre beleza.
Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na festa contente
Ai ninguém fica
Sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.
Haja alegria
Alegria um bem que se abraça
Um desejo, uma quimera
Um riso que espera
Na marcha que passa.
Vá por Benfica
Tudo alegre e contente para a dança
Há sempre um riso suspenso
Um tesouro imenso
Que nos vem da herança.
Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na marcha contente
Ai ninguém fica
Sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.
Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na festa contente
Ai ninguém fica
Sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.

1977
TU ÉS O ZÉ QUE FUMAS
(Letra e Música: Popular)
(Arranjo: J. Libório)

Tu és o Zé que fumas
Tu és o fumador
Tu és o mariquinhas
Tu és o meu amor.
Ó lua vai-te deitar
Ai no quarto do meu amado
Ai dai-lhe beijinhos por mim
Ai se ele estiver acordado.
Já te dei o coração
Ai coisa que dar não podia
Já te dei a melhor prenda
Que no meu peito trazia.
Ó meu amor, meu amor
Ai ó meu amor, meu enleio
Quando comecei a amar-te
Tinha dez anos e meio.
Tenho corrido mil terras
Aldeias mais de quarenta
Tenho visto caras lindas
Só a tua me contenta.

1976
O MENINO
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Música: Tozé Brito)

Primeiro fui namorada
E depois mulher feliz
Foi por eu ter sido amada
Que um dia deitei raíz.
Raíz com braços e riso
Com olhos cheios de brilho
Para ser mãe é preciso
Gostar de fazer um filho.
O menino já salta à corda
Joga à bola num jardim
É tão lindo o mais lindo de todos
Porque andou dentro de mim.
O menino já vai à escola
Decora depressa e bem
Ele aprende a tornar-se um homem
E eu aprendo a ser mãe.
Não há no mundo outro amor
Tão imenso e tão profundo
Ser mãe é como dar flor
Pôr uma rosa no mundo.
A rosa que vai crescendo
Folha a folha espinho a espinho
A rosa que vai vivendo
No canteiro do carinho.

1976
MILHO VERDE
(Popular - Beira Baixa)

Milho verde, milho verde
Ai, milho verde, milho verde
Ai, milho verde, maçaroca
À sombra do milho verde
Ai, à sombra do milho verde
Ai, namorei uma cachopa.
Milho verde, milho verde
Ai, milho verde, milho verde
Ai, milho verde miudinho
À sombra do milho verde
Ai, à sombra do milho verde
Ai, namorei um rapazinho.
Milho verde, milho verde
Ai, milho verde, milho verde
Ai, milho verde, folha larga
À sombra do milho verde
Ai, à sombra do milho verde
Ai, namorei uma casada.
Mondadeiras do meu milho
Ai, mondadeiras do meu milho
Ai, mondai o meu milho bem
Não olheis para o caminho
Ai, não olheis para o caminho
Ai, que a merenda já lá vem.

1976
FADO
(Popular - Arranjos: Jorge Palma)

Ai quem me dera uma lima
Para limar a garganta
Ai quem me dera uma lima
Para limar a garganta
Para cantar como a rola
Como a rola ninguém canta
Para cantar como a rola
Como a rola ninguém canta.
Já lá vai já se acabou
O tempo em que te amava
Já lá vai já se acabou
O tempo em que te amava
Tinha olhos e não via
Na cegueira em que eu andava
Tinha olhos e não via
Na cegueira em que eu andava.
É pena ou não é pena
De pena sinto aqui
É pena ou não é pena
De pena sinto aqui
Ontem pena ai de te ver
Hoje pena que te não vi
Ontem pena ai de te ver
Hoje pena que te não vi.
Escrevi na branca areia
o retrato do meu bem
Escrevi na branca areia
o retrato do meu bem
Escrevi e rasguei logo
Com medo não visse alguém
Escrevi e rasguei logo
Com medo não visse alguém.

1976
SÃO JOÃO
(Popular - Arranjos: Jorge Palma)

São João lá vem, lá vem
Ai se lá vem deixai-o vir
Ai ele é menino mimoso
Ai vai ao céu e torna a vir.
Refrão (2x)
Estas é que são as saias
Estas calças é que são
Foram feitas e talhadas
Na manhã de São João
Foram feitas e talhadas
Na manhã de São João
São João caiu na casa
Ai lá para os lados da ribeira
Ai haja quem lhe dê a cama
Que eu lhe darei a madeira.
Refrão (2x).

1976
O MEU BEM
(Folclore açoriano - Arranjos: Jorge Palma)

Ó meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais.
Meu amor na nossa ausência
Nunca deixes de escrever
Duas regras ao teu bem
Que por ti fica a sofrer.
O meu bem quando se foi
Sete lenços alaguei
Mais a manga da camisa
E dizem que não chorei.
Meu amor na nossa ausência
Nunca deixes de escrever
Duas regras ao teu bem
Que por ti fica a sofrer.

1976
MARCHA DA MOURARIA
(Raúl Ferrão / Frederico de Brito)

Mouraria garrida
Muito sacudida
Muito requebrada
Com seu tom de galdério
De moira encantada
É como um livro de novela
Onde o amor é tudo
E o ciúme impera
Ao abrir duma janela
Aparece o vulto daquela severa.
A marcha da Mouraria
Tem o seu quê de bairrista
Certos laivos de alegria
É a mais boémia
É a mais fadista.
Anda toda engraçada
De saia engomada
Blusinha de chita
É franzina pequena
Gaiata morena
Cigana bonita
Tem a guitarra p'ra gemer
Um amor submisso
Que nunca atraiçoa
Este bairro deve ser
'Inda o mais castiço
Da nossa Lisboa.

1975
O POVO EM MARCHA
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Braga Santos)

Vou ver passar
A marcha sem arquinhos nem balões
Ao pé do mar
Vermelha como os nossos corações.
Vou ver chegar
Os santos que não são os dos altares
E vou saltar
Fogueiras de vitórias populares.
Refrão (2x)
Lá vai lá vai
A malta proletária de Lisboa
Cantai lutai
Pois quem não lutar assim não marcha à toa.
Vou ver brilhar
A lua das esperanças encontradas
E vou cantar
Lisboa das vielas libertadas.
Vou ver vibrar
Bandeiras ondulantes e encarnadas
E vou dançar
De braço dado com os camaradas.

1975
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)

Anos e anos fomos presos fomos vítimas
Anos e anos nos calcaram sem perdão
Anos e anos nossos gritos nossas lágrimas
Deram à luta mais raízes pelo chão.
Mas tudo isso já lá vai tudo já passou
A nossa alma é uma bandeira do porvir
Neste país que amanheceu em cada um de nós
Para todos nós há um país a construir.
Refrão
Não basta o mês de Abril pôr cravo na lapela
Agora estás aqui vais estar de sentinela
O que tanto custou não se pode perder
Trabalho e vigilância são armas de trazer.
Trabalho e vigilância são armas para vencer.

1975
SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)

Das prensas dos martelos das bigornas
Das foices dos arados das charruas
Das alfaias dos cascos e das dornas
É que nasce a canção que anda nas ruas.
Um povo não é livre em águas mornas
Não se abre a liberdade com gazuas
À força do teu braço é que transformas
As fábricas e as terras que são tuas.
Abre os olhos e vê. Sê vigilante
A reacção não passará diante
Do teu punho fechado contra o medo.
Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
Pois quando o povo acorda é sempre cedo.

1975
HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho)
(Música: Shegundo Galarza)

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.
No regaço de luxo a opulência
Os cansaços do ócio maldiz
Entre as lidas sorri a indigência
Com pão negro se julga feliz.
Deus incombe ao pecado fadiga
Até na pena sorri o paternal
O que vence a preguiça inimiga
Reconquista o Éden terreal.
Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.
Cai opróbrio no vil ocioso
Que deserda o presente e o provir
Só à noite compete o repouso
Só aos mortos o eterno dormir.
Mar e terra ar e céu tudo lida
Deus a todos pôs nus e deu mãos
Lei suprema o trabalho é na vida
Trabalhar trabalhar meus irmãos.

1975
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)

Quando o povo ergueu a sua voz
Para deixar de ser escravo
O sol nasceu e brilhou para nós
E tinha a forma de um cravo.
Era ainda madrugada
E já um cravo dizia
Que na ponta da espingarda
Era tempo de ser dia.
Refrão (2x)
Eram cravos cravos cravos
Eram cravos mais de mil
Eram punhos levantados
Do povo no mês de Abril.
O cravo exigiu salário
Para se tornar português
Alex deu sangue operário
Catarina o camponês.
Aperta um cravo na mão
Carne viva cravo novo
Defende-o bem, capitão
Defende-o capitão-povo.

1975
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)

Garras de Garcia Lorca
Cravadas no sul de Espanha
Fincadas na carne morta
De uma guerra sem entranhas.
Rosas de sal
Estoirando pólvora negra
Rosas sem sol
Parindo filhos de pedra.
Heróis do pão de sicuta
Bebendo limões de vinho
Sangria de mágoa e luta
Derramada no caminho.
Trevas de Garcia Lorca
Gravadas no sol de Espanha
Farpas que levam à forca
Toiros de raças estranhas.
Ossos ao sol
Nas crateras de Toledo
Facas de sal
Abrindo chagas no medo.
Nascemos sempre de novo
Morremos sempre de perto
Eis o poema de um povo
Que luta por ser liberto.
É contra a guarda civil
Que levantamos o braço
Em Espanha espera-se Abril
Desenhado por Picasso.
Pombas voando
Por terras de Andaluzia
Cravos chegando
Para Federico Garcia.
Nascemos sempre de novo
Morremos sempre de perto
Eis o poema de um povo
Que luta por ser liberto.

1975
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Braga Santos)

Canto na raia de Espanha
Serei sempre portuguesa
Vento que venha de Espanha
Não me apanha com certeza.
Vejo dançar as espanholas
Entre o medo e a verdade
Eu não trago castanholas
Mas já canto a liberdade.
Refrão
Canta comigo amigo
E dança comigo irmão
As fronteiras do trigo
Não são as mesmas do que as do pão.
Ai Portugal dizemos não.
Canto na terra descalça
Cá não temos os preciados
E mais vale andar descalça
Do que de pés mal calçados.
Eu tenho um par de sandálias
À medida do meu pé
São abertas como dálias
Por isso canto de pé.
Refrão
Canta comigo amigo
E dança comigo irmão
As fronteiras do trigo
Não são as mesmas do que as do pão.
Vamos todos ter sapatos
Com tacão sempre mais alto
Se formos dois irmãos juntos
Havemos de cantar de alto.

1975
CANTAREMOS / LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto)
(Música: Braga Santos)

Agora companheiros cantaremos
por aqueles que morreram na prisão.
Cantaremos a canção que vale a pena,
com a força de uma raiva em cada mão.
Cantaremos com a voz da liberdade
e faremos dessa voz nossa razão.
Cantaremos este sol imaginado,
cantaremos esta sede de amanhã,
que tiveram os amigos que lutaram
p'ra nos dar a liberdade por irmã.
Cantaremos os caminhos que nos deram
cantaremos o sinal que ainda se vê
e deixaram os amigos que levaram
e morreram a saber por quê.
Lutaremos
(lutaremos)
Venceremos
(venceremos)
Cantaremos
(cantaremos).

1975
DOBADOIRA
(Popular)

Era tão cedo
Que mal se via
Na minha aldeia
Tudo dormia.
Tudo dormia
E trabalhando
A dobadoira
Ia rodando.
Refrão
Doba doba dobadoira
Não enrices a meada
Quero dobar o novelo
Tenho a minha mão cansada.
O novelo era grande
Não me cabia na mão
Doba doba dobadoira
Dentro do meu coração.
De pequenina
Que mal falava
Dobadoira
Já trabalhava
Já trabalhava
Sempre cantando
A dobadoira
Ia rodando.

1975
FADINHO DO POBRE
(Popular)

Ó minha mãe dos trabalhos
Para quem trabalho eu
Trabalho, mato o meu corpo
Não tenho nada de meu
Trabalho, mato o meu corpo
Não tenho nada de meu.
Refrão (2x)
Quem é pobre não tem vícios
Quem é surdo está calado
Quem é pobre não namora
Pois fica sempre enganado
O nosso patrão já chora
Pelo sol que vai baixinho
Não chores patrão, não chores
Que ele vai devagarinho
Não chores patrão, não chores
Que ele vai devagarinho.
Refrão (2x)
Chega o sol posto da vida
Não consegue escapar ninguém
Leva servos e patrões
Até leva a nossa mãe
Leva servos e patrões
Até leva a nossa mãe.
Refrão (3x)

1975
SERRANA POVO
(Popular - Ary dos Santos)

Serrana ó serraninha
Sem pão nem vinho
Sem pai nem mãe.
Sim senhor, eu da terra sou
Mas em quem eu sou
Não manda ninguém.
Serrana, linda serrana
Ninguém te engana
Na tua lida.
Sim senhor, eu da terra sou
E a ela dou
Toda a minha vida.
Serrana, serrana forte
Nem sempre a morte
Te fez calar.
Sim senhor, eu da terra sou
E agora vou
Mas é trabalhar.
Serrana, serrana povo
Vamos de novo
Saber cantar.
Sim senhor, eu da terra sou
E agora acabou
Ter de me curvar.

1975
RIBEIRA CHEIA
(Popular)

Ribeira vai cheia
E o barco parado
Eu queria passar lá pró outro lado
Ribeira vai cheia
E o barco parado
Eu queria passar lá pró outro lado.
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda.
Ribeira vai cheia e o barco perdido
Se eu perder a vida
Morrerás comigo
Ribeira vai cheia e o barco perdido
Se eu perder a vida
Morrerás comigo.
Ai o barco parado
Ai o barco não anda
Eu queria passar lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquele lado
Ribeira vai cheia e o barco parado.
Na barquinha à vela
Vem sardinha boa
Vem meu amorzinho sentadinho à proa
Na barquinha à vela
Vem sardinha boa
Vem meu amorzinho sentadinho à proa.
Ai o barco parado
Ai o barco não anda
Eu queria passar lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquele lado
Ribeira vai cheia e o barco parado.
Meu amor barqueiro
Tem lancha no cais
Hoje é camarada
Pró ano é arrais.
Meu amor barqueiro
Tem lancha no cais
Hoje é camarada
Pró ano é arrais.
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda.

1975
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)

Ó Malhão triste Malhão
Ó Malhão triste Malhão
Ó Malhão triste coitado
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.
Ó Malhão triste coitado
Por causa de ti Malhão
Ando triste, apaixonado
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.
O Malhão quando morreu
O Malhão quando morreu
Deixou dito na escritura
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.
Deixou dito na escritura
Que lhe forrasse o caixão
Com pano de pouca dura
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.

1975
A MODA DA SAIA CURTA
(Popular - Ary dos Santos)

A moda da saia curta
É uma moda excelente
A moda da saia curta
É uma moda excelente
Deixa os joelhos à mostra
Faz inveja a muita gente.
Ai menina encurta a saia
Dá-lhe a medida moderna
Ai menina encurta a saia
Dá-lhe a medida moderna
Quem não encurtar a saia
Não pode mostrar a perna.
A moda da saia curta
Nunca fez mal a ninguém
A moda da saia curta
Nunca fez mal a ninguém
Porque umas pernas bem feitas
Só as mostra quem as tem.
A moda da saia curta
Também tem os seus porquês
A moda da saia curta
Também tem os seus porquês
Só serve a quem for bonita
Da cabeça até aos pés.
A moda da saia curta
Não gosta de coisas feias
A moda da saia curta
Não gosta de coisas feias
E põe as pernas a nu
Mesmo por baixo das meias
E põe as pernas a nu
Mesmo por baixo das meias.

1974
O PRETO NO BRANCO
(Letra: José Carlos Ary dos Santos)
(Música: Pedro Osório)

Vamos dizer tudo
Quanto for preciso
O cantor que é mudo é indeciso
Vamos pôr a claro
O que estava escuro
Encarar o Sol saltar o muro.
Vamos pôr o preto bem no branco
Dizer que o patrão de qualquer banco
Agora já não pode dar um grito
Nem o dito por não dito.
Já temos camaleões originais
Poetas e baladeiros geniais
Só nos falta uma certeza
Que é a coisa principal:
Quem nos canta a Portuguesa
Neste novo Portugal?
Já temos muitos ministros sem gravata
E a vida ainda não está mais barata
É preciso que o aumento
Que é a coisa principal
Chegue e sobre pro sustento
Neste novo Portugal.
Vamos todos juntos
Dizer a verdade
Que é a condição da liberdade
Vamos dizer vida
Vamos dizer força
E dar vida à força e força à vida.
Vamos construir um mundo novo
Dizer com orgulho pão e povo
Mas não nos deixemos embalar
Nas cantigas de enganar.
Já temos camaleões originais
Poetas e baladeiros geniais
Só nos falta uma certeza
Que é a coisa principal:
Quem nos canta a Portuguesa
Neste novo Portugal?
Já temos muitos ministros sem gravata
E a vida ainda não está mais barata
É preciso que o aumento
Que é a coisa principal
Chegue e sobre pro sustento
Neste novo Portugal.

1974
TANTO ME FAZ
(Letra: José Carlos Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)

Tanto me faz ser mulher poeta ou soldado
Meu canto é amor de punho fechado
Levanto a voz da liberdade
Sei que nunca mais direi saudade.
Tanto me faz ser alfaia martelo ou palavra
Eu sou a seara que este povo lavra
Lutando rasgo os sulcos da verdade
Sou eu quem nunca mais dirá saudade.
Tanto me faz estar aqui ou seja onde for
Sou mulher sou terra sou trabalhador
Encontrei o rumo da certeza
E sei que nunca mais direi tristeza.
Tanto me faz ser rebelde mulher desertor
Sou apenas ser que aprendeu a dor
Amando como amo o meu país
Jamais deixarei de ser raiz.
Tanto me faz ser mulher poeta ou soldado
Meu canto é amor de punho fechado
Invento a construção da nossa terra
E sei que nunca mais haverá guerra.
Tanto me faz estar aqui ou seja onde for
Sou mulher sou terra sou trabalhador
Encontrei o rumo da certeza
E sei que nunca mais direi tristeza.
Tanto me faz ser alfaia martelo ou palavra
Eu sou a seara que este povo lavra
Lutando rasgo os sulcos da verdade
Sou eu quem nunca mais dirá saudade.
Tanto me faz estar aqui ou seja onde for
Sou mulher sou terra sou trabalhador
Encontrei o rumo da certeza
E sei que nunca mais direi tristeza.

1974
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Popular - Arranjos: Pedro Osório)

Obrigado soldadinho
Marinheiro português
Ficou aberto o caminho
E não há duas sem três.
Já virou o malmequer
No quartel de Santarém
Não há homem nem mulher
Que não virasse também.
Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.
Vira a tristeza alegria
O ódio vira ternura
Virámos o dia-a-dia
Com o fim da ditadura.
O vira dos malmequeres
Está dentro de todos nós
Homens, crianças, mulheres
Todos erguemos a voz.
Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.
Nas voltas do nosso vira
Vira virou a tristeza
Nunca mais ninguém nos tira
dos caminhos da tristeza.
O povo canta primeiro
e não há duas sem três
obrigada marinheiro
soldadinho português.

1974
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Popular)

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.
Chegou um dia ao Rossio
Estava tanto frio, tanta gente triste
Entrou de espingarda em riste
Entrou de espingarda em riste.
Chegou um dia à cidade
E só atirou um amor perfeito
Era o que trazia ao peito
Era o que trazia ao peito.
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.
Depois foi até ao Carmo
Foi até ao cerne da nossa tristeza
E cantou "A Portuguesa"
E cantou "A Portuguesa".
E eu também cantei
só então me dei
conta da beleza
Da voz que ficou acesa
Da voz que ficou acesa.
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

1974
A VOZ DO MEU POVO
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)

É da torre mais alta do meu pranto
Que eu canto este meu sangue
Este meu povo
Nessa torre maior em que apenas
Sou grande
Por me cantar de novo
Cantar como quem despe
A ganga da tristeza
E põe a nu a espada da saudade
Chama que nasce e cresce
E vive e morre acesa
Em plena liberdade
É da voz do meu povo uma criança
Seminua nas docas de Lisboa
Que eu ganho a minha voz
Caldo verde sem esperança
Laranja de humildade
Amarga lança
Até que a voz me doa
É da voz do meu povo uma traineira
Que já não pode mais andar à toa
Que acendo a minha voz
Na praça da Ribeira
A praça da canção que tem Lisboa.

1974
MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos)
(Popular – Arranjos: Pedro Osório)

Antoninho de Lisboa
Usa sapatos de salto
Desde a Sé à Madragoa
Nunca vi rapaz tão alto.
Ao passar, ao passar
Os rapazinhos
Tremeliques, canivetes
Não te deixes arrastar
Nos maus caminhos
Tem cautela, não te espetes.
Meu amor foi à cidade
Encontrou o Antoninho
Era um cravo de verdade
Mas agora é um cravinho.
Meu amor virou-me as costas
Quis-me dar a entender
As festinhas que ele gosta
Não lhas sei como fazer.
O orgulho não perdoa
Eu quero ficar solteira
Meu amor foi a Lisboa
E voltou doutra maneira.

1974
VIRA DA MADRUGADA
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Popular – Arranjos: Pedro Osório)

A minha terra aprendeu a cantar
Ganhou a força de ser terra mãe
Aprendeu a cantar
E eu também.
A minha terra está perto do mar
E agora o mar já não é de ninguém
Aprendeu a lutar
E eu também.
Bem sei
Que o sol está por nascer
Mas sei
Que o povo há-de acender.
Eu sou do campo e digo a verdade
Até as silvas são minhas amigas
Desfolho a verdade
Em cantigas.
Eu sou da serra não sou da cidade
Meu canto é mais livre
Por fora e por dentro
Sei ler a verdade no vento.
Bem sei
Que o sol está por nascer
Mas sei
Que o povo há-de acender.
Quem vê a estrada ainda deserta
Deve escolher a palavra mais pura
A palavra certa
É ternura.
E para ter a voz bem aberta
Para vencer a fome e a dor
A palavra certa
É amor.
Bem sei
Que o sol está por nascer
Mas sei
Que o povo há-de acender.

1974
CANTO DA PRIMAVERA
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)

Há o céu azul de um novo dia
O nascer da estrela da alegria
Há trabalhadores que se levantam
Porque as madrugadas cantam
E eu não sabia.
Há um mundo novo à nossa espera
O acontecer da Primavera
Canto à procura do Verão
Como quem chama o irmão
E desespera.
Vou lutar
Vou cantar como quem abre as janelas da verdade
Vou dizer
Vou gritar como quem nasce do teu nome liberdade.
Há uma criança em cada abraço
Um caminho novo em cada passo
Uma estrada aberta em cada
No país de todos nós
No meu regaço.
Canto o meu país como quem canta
O filho que nascesse da garganta
De um povo estrangulado pelo medo
Mas que pela manhã cedo se levanta.

1974
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Pedro Osório)

Depois da fome, da guerra
Da prisão e da tortura
Vi abrir-se a minha terra
Como um cravo de ternura
Vi nas ruas da cidade
O coração do meu povo
Gaivota da Liberdade
Voando num Tejo novo
Agora o povo unido
Nunca mais será vencido
Nunca mais será vencido
Vi nas bocas, vi nos olhos
Nos braços, nas mãos acesas
Cravos vermelhos aos molhos
Rosas livres portuguesas
Vi as portas da prisão
Abertas de par em par
Vi passar a procissão
Do meu país a cantar
Nunca mais nos curvaremos
Às armas da repressão
Somos a força que temos
A pulsar no coração
Enquanto nos mantivermos
Todos juntos lado a lado
Somos a glória de sermos
Portugal ressuscitado.

1973
A RAPARIGA E O POETA
(Letra: José Niza)
(Música: José Calvário)

Poeta amigo
Parto contigo
Nosso degredo
Fica em segredo.
Adeus ao mundo!...
Venham cantores
Descobrir a ilha dos amores!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas
Calaste dores
Mas nunca temeste adamastores!
História ao contar,
Mundo a correr;
Mulheres a amar,
A esquecer, a encontrar,
A perder, a inventar!
Fúrias de mar,
Gestos de amor;
Beber, lutar,
Com quem for;
Naufragar, renascer
E a cantar!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas,
Calaste dores,
Mas nunca temeste adamastores!

1973
OS BRAVOS
(Popular: Açores - Ilha Terceira)

Eu fui à terra do bravo
Eu fui à terra do bravo
Bravo, meu bem
Com o meu lenço vermelho
Bravo, meu bem
Com o meu lenço vermelho.
O mais bravo que eu lá vi
O mais bravo que eu lá vi
Bravo, meu bem
Foi um mansinho coelho
Bravo, meu bem
Foi um mansinho coelho.
Eu fui à terra do bravo
Eu fui à terra do bravo
Bravo, meu bem
Com o meu vestido amarelo
Bravo, meu bem
Com o meu vestido amarelo.
Amor de fora da terra
Amor de fora da terra
Bravo, meu bem
Tenho medo que me pelo
Bravo, meu bem
Tenho medo que me pelo.
Eu fui à terra do bravo
Eu fui à terra do bravo
Bravo, meu bem
Vestida de azul escuro
Bravo, meu bem
Vestida de azul escuro.
Amor que não é da terra
Amor que não é da terra
Bravo, meu bem
Não é firme nem seguro
Bravo, meu bem
Não é firme nem seguro.
Eu fui à terra do bravo
Eu fui à terra do bravo
Bravo, meu bem
Para ver se embravecia
Bravo, meu bem
Para ver se embravecia.
Cada vez fiquei mais manso
Cada vez fiquei mais manso
Bravo, meu bem
Para tua companhia
Bravo, meu bem
Para tua companhia
Bravo, meu bem
Para tua companhia
Bravo, meu bem
Para tua companhia.

1973
LABUTA, MEU BEM, LABUTA
(Letra: Ary dos Santos)
(Popular - Ribatejo)

Labuta, meu bem, labuta
É no mês de Maio que começa a luta
Labuta, meu bem, labuta
É no mês de Maio que começa a luta
Que começa a luta, que rebenta o raio
Vamos colher fruta lá no mês de Maio
Persiste, meu bem, resiste
Lá no mês de Maio não queiras ser triste
Persiste, meu bem, resiste
Lá no mês de Maio não queiras ser triste
Não queiras ser triste, não queiras ser pobre
Lá no mês de Maio não há fruta podre
Trabalha, meu bem, trabalha
É no mês de Maio que a gente lhes malha
Trabalha, meu bem, trabalha
É no mês de Maio que a gente lhes malha
Que a gente lhes malha, que a gente lhes canta
A canção do gaio presa na garganta
Semeia, meu bem, semeia
É no mês de Maio que o fogo se ateia
Semeia, meu bem, semeia
É no mês de Maio que o fogo se ateia
Que o fogo se ateia, que se põe o estrume
Numa terra cheia de trigais de lume
Que o fogo se ateia, que se põe o estrume
Numa terra cheia de trigais de lume.

1973
VAREIRA DO MAR
(Popular - Minho)

Vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou
dar vida a quem me deu vida
matar a quem me matou.
Matar a quem me matou
vareira linda vareira
vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou.
No meio daquele mar
há uma pedra comprida
com um letreiro que diz
quem lá for arrisca a vida.
Quem lá for arrisca a vida
no meio daquele mar
no meio daquele mar
há uma pedra comprida.
Ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos
quem namora às escondidas
quer abraços e beijinhos.
Quer abraços e beijinhos
ó amieiro do rio
ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos.
Sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira
vou-me para a minha terra
adeus ó chula vareira.
Adeus ó chula vareira
sou cantada, sou bailada
sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira.

1973
A AMENDOEIRA
(Popular)

Ó amendoeira
que é dela a tua rama
por causa de ti
anda o meu amor em fama.
Se ele em fama
deixá-lo andar
em água de rosas
a mim me hei de lavar.
Eu hei de lavar
no verde limão
teu rosto moreno
que regala o coração.
Flor da amendoeira
primeira do ano
teus olhos de amêndoa
são os primeiros que eu amo.
Flor da amendoeira
primeira do ano
fui eu a primeira
que te dei ao desengano.

1973
DANÇA DAÍ
(Popular - Douro Litoral)

Meu benzinho eu vou-me embora
Faz carinhos a quem te adora
Meu benzinho eu vou-me embora
Faz carinhos a quem te adora
Meu benzinho eu já cá estou
Faz carinhos a quem te amou
Meu benzinho eu já cá estou
Faz carinhos a quem te amou
Dança daí
Daqui canto eu
Tu és o meu par
O teu par sou eu (2x)
As estrelas miudinhas
Todas bordam um cordão
Para te prender amor
Todas ao meu coração (2x)
As estrelas no céu correm
Todas numa carreirinha
Assim os beijos corressem
Da tua boca para a minha (2x)
Dança daí
Daqui canto eu
Tu és o meu par
O teu par sou eu (2x)

1973
VIRA DO VINHO
(Letra: Ary dos Santos)
(Popular - Ribatejo)

Era o vinho, meu bem, era o vinho
Era a coisa que eu mais adorava
Era o vinho, meu bem, era o vinho
Era a coisa que eu mais adorava
Só por morte, meu bem, só por morte
Só por morte o vinho eu deixava
Só por morte, meu bem, só por morte
Só por morte o vinho eu deixava.
Ai minha sogra quando morreu
Ai levou o diabo com ela
Ai minha sogra quando morreu
Ai levou o diabo com ela
Ai deixou-me as chaves da adega
Ai mas o vinho bebeu-o ela
Ai deixou-me as chaves da adega
Ai mas o vinho bebeu-o ela.
Era o vinho, meu bem, era o vinho
Era a coisa que eu mais adorava
Era o vinho, meu bem, era o vinho
Era a coisa que eu mais adorava
Que a velhota levou para a cova
Nem já morta a pinguinha deixava
Que a velhota levou para a cova
Nem já morta a pinguinha deixava.
Nem já morta a pinguinha deixava
E São Pedro porteiro do céu
Nem já morta a pinguinha deixava
E São Pedro porteiro do céu
Amparou-a quando tropeçava
E com ela uma ginja bebeu
Amparou-a quando tropeçava
E com ela uma ginja bebeu.

1973
BATATINHAS
(Letra: Ary dos Santos)
(Popular - Ribatejo)

Batatinhas miudinhas
A fritar, a fritar na frigideira
Batatinhas miudinhas
A fritar, a fritar na frigideira.
São as senhoras vizinhas
A cortar na casaquinha
Durante uma tarde inteira
São as senhoras vizinhas
A cortar na casaquinha
Durante uma tarde inteira.
Batatinhas miudinhas
Cortadinhas, cortadinhas às rodelas
Batatinhas miudinhas
Cortadinhas, cortadinhas às rodelas
São as senhoras vizinhas
A fazerem intriguinhas
Na ourela das chinelas
São as senhoras vizinhas
A fazerem intriguinhas
Na ourela das chinelas.
Batatinhas miudinhas
Cortadinhas, cortadinhas em palitos
Batatinhas miudinhas
Cortadinhas, cortadinhas em palitos
São as senhoras vizinhas
A dizerem às sobrinhas
Que o senhorio é de gritos
São as senhoras vizinhas
A dizerem às sobrinhas
Que o senhorio é de gritos.
Batatinhas miudinhas
Acabadas, acabadas de fritar
Batatinhas miudinhas
Acabadas, acabadas de fritar
São as senhoras vizinhas
Coitadinhas, coitadinhas
Que não param de falar
São as senhoras vizinhas
Coitadinhas, coitadinhas
Que não param de falar.

1972
20 VERSOS A MI MUERTE
(Letra e Música: Patxi Andión)

Cuando me muera no quiero
Ni coronas de claveles
Ni ramos de lirios viejos
Que me flajelen los dedos
Quiero que el aire se estreche
Hasta que tropieze el eco
Quiero morirme despacio
Quiero morirme silbando
Quiero morirme descalzo
Quiero que me echen la tierra
Sin mimo y sin desconsuelo
Como quando se hace un hijo
Yo quiero sentir la tierra
Cubrirme toda la vida
Que se me escapa sin verla
Por un camino sin prisas
Quiero morirme de cerca
Quiero morirme hacia abajo
Quiero morirme deprisa
Quiero morirme cantando.

1972
PUEDO INVENTAR
(Letra e Música: Patxi Andión)
(Versão portuguesa: J. C. Ary dos Santos)

Posso cantar inventando
Que te deixaste ficar
Posso cantar inventando
O que eu quiser inventar.
Posso inventar-te encontrando
Por sobre as ondas do mar
Teus olhos que estão esperando
Que tu me vejas chegar.
Posso inventar um lugar
De onde te lance a voz
E ouvir-te murmurar:
"Quem está aqui somos nós".
Posso inventar-te chorando
Mesmo que o choro não venha
Posso inventar-te sonhando
Embora sonhos não tenha.
À voz da minha guitarra
Gostaria de mandar
Que se transforme em cigarra
E que deixe de chorar.
Que abafe a sua tristeza
E não me perturbe a voz
Hoje és mais meu do que nunca
Basto eu por sermos nós.
Hoje não é como era
Hoje serás como eu for
Posso inventar tua ausência
Posso inventar teu amor.

1972
POEMA DA AUTO-ESTRADA
(Letra: António Gedeão)
(Música: José Niza)

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.
Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.
Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.
Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.
Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.
Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.
Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.

1972
PAROLE, PAROLE
(Michaele - G. Gerrio/Versão: José Carlos Ary dos Santos)

Engraçado, não sei que se passa comigo esta noite mas vejo-te como se fosse a primeira vez...
São só palavras
Sempre as palavras
Que nada dizem
Não sei como hei-de dizer-te, mas...
Só as palavras
... tu és o princípio e o fim da minha vida...
Palavras fáceis
Palavras frágeis
Que se desdizem
... meu amor de hoje, de amanhã
E contradizem
... de sempre...
Mas tudo acaba
Chegou o fim
Tudo me diz que dizes nada
Falando-me assim
És como a brisa que faz ondular os girassóis e rouba o perfume das rosas no seio do jardim...
Nem o mel
Nem as palavras doces
Às vezes não te consigo compreender...
Serão para mim
Mas podes bem dizê-las a quem chore
Os girassóis à noite no jardim
Eu deixo as palavras
À solta no vento
Perpassam por mim
Mas não ficam cá dentro.
Deixa dizer-te ainda uma palavra apenas...
Parole, parole, parole
Ouve-me...
Parole, parole, parole
Por favor...
Parole, parole, parole
Juro-te meu amor...
Parole, parole, parole, parole, parole
Apenas palavras
Lançadas ao vento.
É o meu destino falar-te, falar-te como se fosse pela primeira vez...
São só palavras
Sempre as palavras
Que repetias
Como eu gostava que me compreendesses...
Palavras sós
Que me ouvisses ao menos uma vez...
Palavras lindas
Palavras ocas
Que soam falso.
Tu és o meu sonho proíbido...
Me fazem dó
A minha única razão, a minha última esperança...
Ninguém te cala
Na tua boca
Só a mentira é que me fala
Ai, deixa-me só.
A tua voz é a única música que faz dançar as estrelas no espaço...
Nem o mel
Nem as palavras doces
Se tu não existisses eu inventava-te, meu amor...
Serão para mim
Mas podes bem dizê-las a quem oiça
Os rouchinóis à noite no jardim
Eu deixo as palavras à solta no vento
Perpassam por mim
Mas não ficam cá dentro.
Deixa dizer-te ainda uma palavra só...
Parole, parole, parole
Ouve-me...
Parole, parole, parole
Por favor...
Parole, parole, parole
Juro-te meu amor...
Parole, parole, parole, parole, parole
Apenas palavras
E leva-as o vento.
És linda...
Parole, parole, parole
És linda...
Parole, parole, parole
És linda...
Parole, parole, parole, parole, parole
Apenas palavras
E leva-as o vento.

1972
SIMPLESMENTE MARIA
(Letra e Música: Guirrajo - Algueró)
(Versão portuguesa: José Carlos Ary dos Santos)
(Orquestração e Direcção Musical: José Calvário)

Eis a história diferente
da menina da província
que deixando a sua gente
veio viver para a cidade
conservando a claridade.
Trabalhava dia-a-dia
e lutava pela vida
com as armas da verdade.
Que lindos eram os seus olhos
que linda a sua alegria
que lindo era seu nome
simplesmente Maria
Maria, Maria, Maria.
Que lindos eram os seus olhos
que linda a sua alegria
que lindo era seu nome
simplesmente Maria
Maria, Maria, Maria.
Tanta ternura trazia
da sua alma de casa
que deixava onde vivia
sempre um ar da sua graça
já se passou tanto tempo
já passaram tantos dias
mas continua no vento
seu nome, brisa Maria.
São tão lindos os seus olhos
tão linda a sua alegria
é tão lindo o seu nome
tão simplesmente Maria
Maria, Maria, Maria.
São tão lindos os seus olhos
tão linda a sua alegria
é tão lindo o seu nome
tão simplesmente Maria
Maria, Maria, Maria.

1972
GLÓRIA, GLÓRIA, ALELUIA
(Letra e Música: José Cid)
(Orquestração: Augusto Algueró)

Glória, glória, aleluia,
um mundo de amor
um mundo melhor. (2x)
Já é tempo
de construir
um mundo melhor
onde haja amor, e paz.
Já é tempo
de descobrir
o que foi mentira
e esquecer o ódio, também.
Pois só assim, acredita
tens uma canção
para teu cantar.
Pois só assim, meu amigo
te sentirás livre
livre p'ra poder voar.
Glória, glória, aleluia,
um mundo de amor
um mundo melhor. (2x)
Já é tempo
de começar
ambos a caminhar
pelo mundo fora, cantando.
Pois só assim, acredita
tens uma canção
para teu cantar.
Pois só assim, meu amigo
te sentirás livre
livre p'ra poder voar.
Glória, glória, aleluia...

1972
LISBOA PERTO E LONGE
(Letra e Música: José Cid)
(Orquestração: José Calvário)

Lisboa tem um Tejo de ilusões
Tem casas de penhor e multidões
Nas feiras, romarias, procissões
De rastos lentamente atrás das rosas
Gritando multidões silenciosas.
Lisboa é espelho de Lisboa
Lisboa são seis letras proibidas
Um fado, uma guitarra, uma cantiga
Um grito, um pregão, sete colinas
É virgem há mil anos e menina.
Lisboa tem o sol mistificado
Nas praças, nas vielas, avenidas
Onde há sangue, onde há vidas
Tem santos muito antigos milagreiros
E o povo em promessa de joelhos.
Lisboa tem os santos populares
Tem cravos de papel e manjericos
Carroças, autocarros e jericos
Lisboa mais ou menos, menos mais
Museus, casas de passe, catedrais.
Lisboa é alegre labirinto
Lisboa é Benfica, marinheiro
Sporting e manhã de nevoeiro
Uma gaivota podre milenar
O Tejo que protesta contra o mar.
Lisboa tem um Tejo de ilusões
Tem casas de penhor e multidões
Nas feiras, romarias, procissões
Avançam lentamente atrás das rosas
Gritando multidões silenciosas.
Reparem no pregão desta varina
No fado em dó menor mas incompleto
Na ponte, no Castelo, no deserto
Neste tremor de terra, cataclismo
Quiçá maremoto de autoclismo.

1971
POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Augusto Algueró)

Este mal de não saber o bem
Esta dor que me faz não chorar
Esta espada que o meu sonho tem
Este sol que me queima o olhar.
Este voo que não sei voar
Este ser o que não sei se sou
Este barco que não sabe o mar
Esta espiga que secou.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.
Esta espera de não poder esperar
Esta cama onde não dormir
Este amor de não saber amar
Esta boca sem saber sorrir.
Esta noite sem amanhecer
Este grito sem querer gritar
Minha casa onde habito só
Este muro a derrubar.
(2x)
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.
Só embarquei minha canção
Nesta estrada
Só.

1971
MANHÃ CLARA
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Thillo Krasmann)

Em ti vou nascendo
Por ti vou morrendo
Meu amor distante
Quase anoitecendo
Sempre acontecendo.
Por ti vou ficando
Em mim vou partindo
Meu amor bastante
Que vou descobrindo
Chegando e partindo.
Refrão:
Por ti vou inventar
A manhã clara
De outras raízes
De outras verdades
De outros países
De outras cidades
De homens felizes.
Vou renegar
As coisas fáceis
As coisas vãs
As coisas fúteis.
E nunca mais
E nunca mais
Essas manhãs
Serão inúteis
Essas cidades
Serão vazias
Essas verdades
Ficarão frias
Essas janelas
Serão fechadas.
E nunca mais
E nunca mais
As nossas bocas
Amordaçadas.
Por ti vou cantando
Em mim vou dizendo
Que nunca sei quando
Por ti vou sofrendo
E em mim vou crescendo.

1971
ROSA DE BARRO
(Letra e Música: Fernando Guerra)
(Orquestração: Thilo Krasmann)

Viver da espiga
Saber do pão
Sabor do sangue
Do mesmo chão
Viver da sombra
Cestos ao ombro
Na seiva do corpo descansa
Minha saudade
Minha incerteza
Minha eterna esperança
Raíz sem água
Razão de dor
Sede de mágoa
Do mesmo amor
Raíz cortada, desenterrada
De braços suspensos
Nas danças
Minha saudade
Minha certeza
Minha vontade
Minha criança
Minha eternidade
É minha terra
Feita no barro
Semeada com calor
É minha terra
Rosa de barro
Inventada com suor
Por ela eu choro
Por ela eu corro
Construo as pedras
Feitas em serras
Por ela eu luto
Por ela eu luto
Morre nos olhos
A minha terra
Por ela eu volto
Aperto as flores
Nas minhas mãos
Presas às folhas
Soltas ao vento no chão
É minha terra
Feita no barro
Semeada com calor
É minha terra
Rosa de barro
Inventada com suor
Viver da espiga
Sabor a pão
Saber da terra
Saber do chão
Viver de chuva
Cestos de uva
Em vinho o corpo se cansa
Minha saudade
Minha certeza
Meu suor
Minha criança
Minha dor
Minha defesa
Minha lança
Minha noite
Meu dia
Minha terra, alegria.

1971
ESPERA
(T. Berbiou/Fernando Guerra)

Mar onde os olhos
se perdem sem porto.
Mar onde as mãos
são as rotas.
Mar onde a espera
se escreve no porto.
Em sonhos que fazem
as frotas voltar.
Mulheres são esperança de areia
cabelos presos no mar.
Mulheres que lembram na praia
que os barcos não vão chegar.
Mar de quem espera
mar
desespero.
Mar feito de água
que arrasta navios
mar que os embala
e atrai.
Mar onde a mágoa
se escreve no frio
das velas que partem
do cais.

1971
MULHER E FORÇA
(Letra: J.C.Ary dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Arranjos e Direcção de Orquestra: Thilo Krasmann)

Menina e moça me levaram duma rosa
Menina e moça me arrancaram dum jardim
Menina e moça não sabia qual a asa
Que podia voar dentro de mim.
Mulher e moça me encontrei e descobri
Mulher e moça de vermelho me vesti
Mulher e moça não sabia qual a força
Que podia crescer dentro de mim.
Menina e moça
Mulher e força.
Menina e moça me prenderam e cercaram
Mulher e moça me ofenderam e acordaram
Menina e moça me quiseram, me quiseram
Mulher e moça me levaram, me levaram.
Mulher com força me atacaram e disseram
Palavras duras das que os homens não quiseram
Mulher com força me apertaram, me esqueceram
Mas nunca me sonharam nem tiveram.
Menina e moça
Mulher e força.

1971
MENINA
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)

Menina de olhar sereno
Raiando pela manhã
Do seio duro e pequeno
Num coletinho de lã.
Menina cheirando a feno
Casado com hortelã.
Menina cheirando a feno
Casado com hortelã.
Menina que no caminho
Vais pisando formosura
Levas nos olhos um ninho
Todo em penas de ternura.
Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura.
Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura.
Menina da saia aos folhos
Quem te vê fica lavado
Água da sede dos olhos
Pão que não foi amassado.
Menina do riso aos molhos
Minha seiva de pinheiro
Menina da saia aos folhos
Alfazema sem canteiro.
Menina de corpo inteiro
Com tranças de madrugada
Que se levanta primeiro
Do que a terra alvoroçada.
Menina do riso aos molhos
Minha seiva de pinheiro
Menina da saia aos folhos
Alfazema sem canteiro.
Menina de fato novo
Avé-Maria da terra
Rosa brava rosa povo
Brisa do alto da serra.
Rosa brava rosa povo
Brisa do alto da serra. (5X)

1971
COUNTRY GIRL
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(English version: John Hampton)

Country girl, you're on display
As you stroll at early dawn.
Yours breasts so small, and gay
Tightly in your bodice drawn.
Country girls smelling of hay
On an early summer morn.
Country girl, you look your best
When along the lane you walk
With eyes like a feathered nest
Built by thrush but not by hawk.
And a stream around your waist
Country girl, I wish you'd talk.
Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.
Country girl, please never cry.
Be to me my sap of pine.
Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.
Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn
As thread with steps so light
Long before the day is born.
Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn.
Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.
Country girl, who always shows
Such contempt for all my pleas
You gaze like a briar rose
Or a breath of mountain breeze.
Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.

1971
BERGÈRE
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version française: J. C. Ary dos Santos)

Bergère jolie bergère
Au regard le clair matin
Offrant tes seins de lumière
Dans la paume de tes mains.
Bergère jolie bergère
Aux senteurs de romarin
Bergère jolie bergère
Vont le corps est le parfum.
Bergère jolie bergère
Tu parfumes les chemins
Buttinant dans les bruyères
Telle un merle baladin.
Bergère jolie bergère
A petits pas de lutin
Bergère jolie bergère
Sautillant les serpentins.
Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.
Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.
Bergère jolie bergère
En tissant les lendemains
Bergère jolie bergère
Tu façonnes le destin.
Bergère jolie bergère
Rose rouge sans chagrin
Bergère jolie bergère
Force d'une aube sans frein.
Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.
Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.

1971
NIÑA
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version española: J. C. Ary dos Santos)

Niña de tierna mirada brillando por la mañana
Los montes blancos de nieve en un corpiño de lana
Niña con olor a menta y aheno de la montaña
Niña con olor a menta y aheno de la montaña.
Niña, que por el camino sembrando vas, hermosura
En tus ojos hay un nido con plumas de tu ternura
Niña de pasos de lino y un arroyo a la cintura
Niña de pasos de lino y un arroyo a la cintura.
(Pa da ba da ba da ba da)
Pa da ba da ba da ba da
Cien volantes en su falda, quien la ve, queda lavado
Agua para la mirada pan que no ha sido amasado
Niña con riso de nuevo por garantir amentido
Con su falda de volantes, paltre mucho el caminho.
(La la la la la la la la la lay lay... la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la la lay lay... la la la la la...)
(Ta ba da ba da...)
Niña de cuerpo moreno con trenzas de madrugada
Que se levanta primero que la tierra alborozada
Niña de cuerpo moreno con trenzas de madrugada
Niña de cuerpo moreno con trenzas de madrugada.
(Pa da ba da ba da ba da)
Pa da ba da ba da ba da
Cien volantes en su falda, quien la ve, queda lavado
Agua para la mirada pan que no ha sido amasada
Niña con su traje nuevo, Ave Maria de la tierra
Rosa brava, rosa pueblo, aire puro de la sierra.
(La la la la la la la la la lay lay... la la la la la la la la la la la...)
(La la la la la la la la la lay lay... la la la la la la la la la la la...)
Rosa brava, rosa pueblo, aire puro de la sierra
(La la la la la la la la la lay lay... la la la la la la la la la la la...)
Rosa brava, rosa pueblo, aire puro de la sierra
(La la la la la la la la la lay lay... la la la la la la la...)
Rosa brava, rosa pueblo, aire puro de la sierra.

1970
RESINEIRO
(Popular - Arranjo: Filipe de Brito)

Resineiro engraçado
Engraçado no falar
Óioai eu hei-de ir à terra dele
Óioai se ele me lá quiser levar.
Já tenho papel e tinta
Caneta e mata-borrão
Óioai p'ra escrever ao resineiro
Óioai que trago no coração.
Resineiro é casado
É casado e tem mulher
Óioai vou escrever ao resineiro
Óioai quantas vezes eu quiser.
Resineiro engraçado
Engraçado no falar
Óioai eu hei-de ir à terra dele
Óioai se ele me lá quiser levar.

1970
MARIA RITA (CARA BONITA)
(Popular)

Fui um dia a uma caçada
Ó Maria Rita, eras tão bonita,
Entrei na cevada aveia,
Entrei na cevada aveia.
Vi uma lebre deitada
Ó Maria Rita, eras tão bonita
Com o pé alevantei-a
Com o pé alevantei-a.
Além vem a Marianita
Com um chapéuzinho ao lado
Traz calças de tiro-liro
Casaca de pano, chapéu desabado.
Meti a espingarda à cara
Ó Maria Rita, eras tão bonita,
Dei o gatilho matei-a.
Já vinha ferida d'outro
Ó Maria Rita, eras tão bonita,
Não era minha deixei-a.
Atirei um tiro à pomba
A pomba no ar voou
Enliou-se naquela roseira
E a maldita pomba sempre lá ficou.

1969
O MEU PAÍS
(Letra e Música: José Cid)

O meu país
É uma criança
Que corre, corre
Corre e não cansa.
O meu país
É uma criança
Brincando em campo
De verde esperança.
Refrão:
É Portugal, Algarve ao sul
É Trás-os-Montes com céu azul
É Beira Alta, é Alentejo
O meu país à beira-mar.
O meu país
É uma criança
Brincando em campo
De verde esperança.
Antiga lenda
Alma de um povo
Em transfusão
De sangue novo.
Refrão
O meu país
É uma criança
Que corre, corre
 Corre e não cansa.
O meu país
É uma criança
Brincando em campo
De verde esperança.

1969
VIRA DOS MALMEQUERES
(Popular)

Ó malmequer mentiroso
quem te ensinou a mentir
tu dizes que me quer bem
quem de mim anda a fugir.
Desfolhei um malmequer
num lindo jardim de Santarém
malmequer, bem me quer
muito longe está quem me quee bem.
Coitado do malmequer
sem fazer mal a ninguém
são todos a desfolhá-lo
para ver quem lhe quer bem.
Malmequer não é constante
malmequer muito varia
vinte folhas dizem morte
trinta dizem alegria.

1968
FUI TER COM A MADRUGADA
(Pedro Jordão / Rui Malhoa)

Fui ter com a madrugada
Ainda deitada
Vim a abraçar o sol
Aves poisam no silvado
Num canto trinado
Chegou mui perto do sol
Ai se os homens todos soubessem
Ir como eu ver nascer a luz
Não fariam noites mais negras,
Negras de noite breu. (1x)

1968
CALENDÁRIO
(Pedro Jordão / António José)

Cada dia que se acaba
Vou riscando com uma cruz
Passam anos vai-se a vida
Que já nada traduz
Hoje outra folha
Tirei ao meu calendário
Passou mais um mês
Não adianta contar
São mais trinta dias
Sem ti outra vez
Longa espera, meu cabelo
Acabou já por embranquecer
Falta muito ou falta pouco
P´ra te voltar a ver
São doze folhas cruéis
Que o meu desespero
Há-de sempre atirar
Para o cesto dos papéis
E no fim de tudo nada vai mudar
Passam invernos e primaveras
E o calendário é igual
Por meu mal sempre igual
Por essa razão já pensei que talvez
Seja melhor arrancar
As folhas que falta
Todas de uma vez.

1967
A TUA CANÇÃO AVOZINHA
(Rocha Oliveira)

Teus cabelos avozinha
São da cor do mar
Os teus olhos são estrelas
Que eu gosto de beijar
Tuas mãos são tão queridas
O teu sorrir doçura
As histórias que me contas
Eu lembro com ternura.
Sei que não há ninguém
Sem ter uma avózinha
E que também não há
Outra mais bela que a minha
Avozinha serás sempre
Fada dos sonhos meus
Tu me dás tanto carinho
Que o meu coração é teu.

1966
BOCA DE AMORA
(José Gouveia)

Era uma vez...
uma princesa tão bonita como a aurora
lábios de mel, boca de amora
eram seus olhos estrelinhas a brilhar
vivia triste pois não tinha a quem amar
mas certo dia seu olhar se iluminou
um grande amor ela encontrou
hoje é feliz e também fez feliz alguém
qualquer história de princesa acaba bem
lá lá lá lá lá lá
lá lá lá lá
a vida com amor é uma canção
o dia tem mais luz e o sol aquece
se o amor floresce no coração
Essa princesa tão bonita como a aurora
lábios de mel, boca de amora
que por amor deixou prender seu coração
é quem vos canta, tão feliz, esta canção!

2 comentários:

Anónimo disse...

Olá, coleciono discos em vinil, dos meus cantores preferidos entre os quais se encontra nos primeiros lugares Tonicha,que admiro e de certo modo acompanho a carreira desde os anos 60,tenho grande parte deles, faltam-me alguns gostava saber se haverá de adquiri-los através do club de fãs.OBRIGADOS - Monção, Minho.

LM disse...

É um repositório notável que além de demonstrar uma carreira riquíssima da TONICHA, uma vez mais apresenta a riqueza de uma civilização e de uma língua importante no Mundo. Qualquer português/portuguesa se sentirá honrada e orgulhosa ao consultar e aprender com este repositório. LM 2014-05-01