12 de dezembro de 2011

TONICHA CANTA AVÉ MARIA




AVÉ-MARIA
(Música: Shubert)
(Letra: Luís Pedro Fonseca)


Avé Maria
Cheia de graça do Senhor
Bendita sois Vós entre as mulheres
Bendito é o Vosso Filho Jesus
Senhora, o Mundo precisa de Vós
Rogai sempre por nós.

Ó Santa Maria
Mãe de Deus
Derrama sobre nós
A Tua luz
Que a fome e a guerra
Acabem de vez
E fique a paz
A reinar sobre a Terra
Avé Maria.

Avé Maria
Cheia de graça do Senhor
Fazei com que os homens
O Encontrem
Brilhando no Universo interior
E sintam que não há
Força maior
Que o poder do amor.

Ó Santa Maria
Mãe de Deus
Derrama sobre nós
A Tua luz
Que a fome e a guerra
Acabem de vez
E fique a paz
A reinar sobre a Terra
Avé Maria.
















Já não se lembra como soa a canção?
"Avé-Maria", que originalmente fez parte do alinhamento do CD "Mulher" (Polygram,1997), pode ser ouvida aqui e aqui.

6 de dezembro de 2011

JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

75 ANOS - 7 DE DEZEMBRO


FOTO: gentilmente cedida por Tonicha

Lembramos Ary no mês do seu nascimento - faria 75 anos no dia 7 de dezembro de 2011.
Continua na nossa memória e na nossa voz quando o cantamos.
Recordemo-lo a gritar a sua adorada revolução na canção que Mário Castrim e Nuno Nazareth Fernandes compuseram e que Tonicha canta com Ary: "Bandeira da Vitória".

Cantemos com eles, aqui.


Canções de Abril, Discófilo, 1975

9 de novembro de 2011

TONICHA: PORTUGAL NO CORAÇÃO

HOMENAGEM A PEDRO OSÓRIO

Recordamos algumas das imagens que conseguimos obter da participação de Tonicha no programa "Portugal no Coração", RTP, no passado dia 19 Outubro, numa emissão especial que a estação pública preparou de homenagem ao maestro Pedro Osório.






Durante este especial, a RTP procurou nos seu extenso espólio audiovisual e brindou-nos com um excerto do videoclip do tema "Maria da Conceição", de que as duas imagens anteriores são exemplo.
Trata-se de um tema com letra de Joaquim Pessoa e música do maestro Pedro Osório. Faz parte de um programa exibido em 1984 e dedicado ao repertório de música tradicional de Tonicha.





Tonicha e Fernando Tordo conversam sobre as suas colaborações musicais com o maestro Pedro Osório. Aqui fazem referência ao LP "As duas faces de Tonicha" (ZIP, 1974) da autoria de Pedro Osório, Fernando Tordo e Ary dos Santos e ao LP "Ela por ela" (Polygram, 1980) da autoria de Joaquim Pessoa, Carlos Mendes e Pedro Osório.





Agradecimentos especiais:
- RTP
- Ana Rodrigues

18 de outubro de 2011

TONICHA REGRESSA À RTP

HOMENAGEM A PEDRO OSÓRIO
4ª FEIRA, 19 OUTUBRO, 15h46m


Lp de Pedro Osório, Polygram, 1981

A nossa Tonicha estará amanhã, quarta-feira (19 de Outubro) no programa 'Portugal no Coração' na RTP.
O programa é dedicado ao maestro Pedro Osório, com quem Tonicha manteve uma vasta colaboração.

Lembramos aqui alguns dos projectos que uniram estes dois portugueses (para além das inúmeras digressões que fizeram por esse mundo fora):

1971
LP "OS MAIORES SUCESSOS DE TONICHA II"
“Ferreiro”
“Carrasquinha”
"Regadinho”
“Rolinha”
(Arranjos: Pedro Osório)

1974
SINGLE “OBRIGADO SOLDADINHO”
“Já chegou a Liberdade”
(Arranjos e Direcção Musical: Pedro Osório)

1974
SINGLE “O PRETO NO BRANCO”
“Tanto me faz”
(Arranjos e Direcção Musical: Pedro Osório)

1974
SINGLE “CANTO DA PRIMAVERA”
“Os novos pobres”
(Música e Direcção de Produção: Pedro Osório)

1974
LP “AS DUAS FACES DE TONICHA”
(Arranjos e Direcção Musical: Pedro Osório)

1978
SINGLE “CANÇÃO DA AMIZADE”
(Orquestração: Pedro Osório)

1980
LP “ELA POR ELA”
(Arranjos e Direcção de Orquestra: Pedro Osório)
"Maria da Conceição" (Música: Pedro Osório)


1981
SINGLE ”FADINHO DA COMIDA”
(Arranjos: Pedro Osório)

1981
LP DE PEDRO OSÓRIO “PIANO BAR À MODA DA CASA”
(Tonicha canta um excerto de “Menina”)

23 de setembro de 2011

JOSÉ NIZA

(16 SET 1938 - 23 SET 2011)


(FOTO: Álvaro João, 1972, José Niza e Tonicha ao fundo durante as gravações de 'Fala do Homem Nascido', um disco conceptual sobre poemas de António Gedeão)

José Niza.
José Manuel Niza Antunes Mendes.
Médico.
Compositor.
Poeta.
Político.

Em Coimbra enquanto estudante de medicina funda, em 1961, com José Cid, Proença de Carvalho, Joaquim Caixeiro e Rui Ressureição, funda a Orquestra Ligeira do Orfeon Académico, uma das melhores formações musicais da altura.
Com o aparecimento da bossa nova e com o ressurgimento do jazz em Coimbra, é fundado o Clube de Jazz do Orfeon Académico e constituído o seu Quarteto: Rui Ressurreição (piano, órgão e vibrafone), José Niza (guitarra eléctrica), Daniel Proença de Carvalho (viola eléctrica) e Joaquim Caixeiro (bateria).

Regressado da guerra colonial em 1971, José Niza passou a ser responsável pela produção da editora Arnaldo Trindade, Lda. (Discos Orfeu) para onde gravavam, ou vieram a gravar, os nomes mais importantes da música popular portuguesa.

Autor de muitas canções para intérpretes como Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo, Carlos Mendes, Duarte Mendes, Tonicha, Teresa Silva Carvalho, Vitorino, Janita Salomé, Rui Veloso, Samuel e muitos outros (para além dos cantores de Coimbra), José Niza ganhou quatro Festivais RTP da Canção.



(21 Abril 2008, José Niza e Tonicha na homenagem feita ao compositor em Santarém)

Recordamos aqui as canções que marcaram a colaboração entre José Niza e Tonicha e que ficaram eternizadas em disco:

1972
LP FALA DO HOMEM NASCIDO

Estrela da Manhã
(Tonicha, Carlos Mendes, Duarte Mendes e Samuel)
Desencontro
(Tonicha e Samuel)
Vidro Côncavo
(Tonicha, Carlos Mendes, Duarte Mendes e Samuel)
Poema da Auto-Estrada
(Tonicha)

1973
A rapariga e o poeta
(Letra: José Niza / Música: José Calvário)
Contraluz
(Letra: José Niza / Música: José Calvário)

1976
Roseira Brava
(Letra: António Ferreira Guedes / Música: José Niza)

1 de julho de 2011

TONICHA NA CARAVELA DA SAUDADE


Tonicha no programa "Caravela da Saudade", com o apresentador Júlio José. O programa, muito popular no Brasil, era emitido a partir da cidade brasileira de São Paulo, no Canal 4.
Esta foto (cujo autor desconhecemos) assinala a passagem de Tonicha pela Caravela, numa emissão de 10 de Outubro de 1971.


Fotografia do público do programa "Caravela da Saudade".

No cartaz assinalado, pode ler-se: "TONICHA A MANHÃ CLARA", numa alusão à canção que Tonicha tinha apresentado dias antes no Festival de Música Popular do Rio de Janeiro.

18 de junho de 2011

TONICHA EM SÃO PAULO

PROGRAMA "CARAVELA DA SAUDADE"
SÃO PAULO, OUTUBRO DE 1971


Plateia nº 560, de 26 de Outubro de 1971, p.10

DEPOIS DO ÊXITO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO POPULAR
UMA PRESENÇA FESTIVA NO PROGRAMA "CARAVELA DA SAUDADE"

TV TUPI, CANAL 4

"Alcançou enorme êxito no Brasil, conforme os jornais têm assinalado e a televisão portuguesa mostrou no programa "Presença do Brasil" (...) a "Rosa de Barro" [Nota: deve ler-se "Manhã Clara" e não "Rosa de Barro" ] de Tonicha. Mas, mais do que uma canção, o público brasileiro (além do público português ali radicado) aplaudiu uma estrela em ascensão indesmentível.
No "Diário de S. Paulo", podia ler-se:


"TONICHA CONSAGROU-SE EM S. PAULO - O programa "Caravela da Saudade" da TV Tupi-Canal 4 teve a primazia de apresentar, em São Paulo, a grande cantora portuguesa Tonicha que o público consagrou, aplaudindo-a de pé várias vezes, e respondendo, assim, à injustificável deselegância do júri do FIC e dos "sopros" que lhes foram dados aos ouvidos. Tonicha chegou a ser anunciada como das primeiras classificadas pela Emissora que patrocinava o Festival e, mesmo, entrevistada como finalista, pelos seus locutores. (...)
Mas Tonicha veio a S. Paulo, trazida por nós. Desejávamos saber das suas possibilidades reais e, ela correspondeu, altivamente, provando a injustiça que sofreu, e a que não foi alheio o "sempre eterno e endeusado" organizador do Festival. Tonicha recebeu, em São Paulo, com o Teatro Tupi superlotado, salvas de palmas apoteóticas, imensos ramos de flores e aquilo que poderia chamar-se de uma autêntica consagração a uma cantora que tem obtido os maiores êxitos em outros países e que, em seu dizer, "estava satisfeita porque havia cumprido a sua missão e reprsentado Portugal, não lhe interessando a classificação que, lá fora, em nada diminuia, até porque cada um é o que é e não aquilo que os outros queiram que seja". Recusou-se, na entrevista, com o produtor do programa, a falar sobre o Festival e classificações, alegando que, para além disso tudo - que não importava para ela - estava o seu amor ao Brasil, a sua gratidão a um povo que a recebeu com provas de inestimável carinho. Tonicha fez outra apresentação em S. Paulo, cedida pela "Caravela da Saudade" e regressou, seguidamente, ao Rio de Janeiro, para, por sua vez, voltar a Lisboa, onde a esperam contratos com vários países do mundo. Felicidades Tonicha é o que, sinceramente, desejam os 680 000 portugueses de São Paulo e todos os brasileiros amigos. (...)"

5 de junho de 2011

TONICHA NO RIO DE JANEIRO


Hotel Glória de Copacabana, Rio de Janeiro, Outubro de 1971

FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO POPULAR
RIO DE JANEIRO
1971
PRÉMIO DA CRÍTICA


Em Outubro de 1971, Tonicha participou em mais um grande festival internacional. Depois da Eurovisão, em Dublin, e da Olimpíada da Canção em Atenas, a cantora foi até ao Brasil participar no Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro.
Defendeu a canção "Manhã clara" da dupla José Carlos Ary dos Santos (com um texto muito inspirado como era seu apanágio) e Nuno Nazareth Fernandes (que compôs uma bela partitura em crescendo, mas cheia de nuances e subtilezas sempre ao serviço do poema), brilhantemente orquestrada por Thilo Krassmann.
Com esta actuação a jovem Tonicha obteve o Prémio da Crítica.
"Manhã clara" teve grande impacto no festival sobretudo graças à letra da canção, bastante ousada para um país (ou dois, se contarmos com Portugal) que vivia sob forte ditadura.
E se há palavras, daquelas que Tonicha cantou no Rio, que melhor evocaram essa vontade de libertação foram com certeza: "E nunca mais/as nossas bocas/amordaçadas."

Lembram-se do refrão?

Por ti vou inventar
A manhã clara
De outras raízes
De outras verdades
De outros países
De outras cidades
De homens felizes.
Vou renegar
As coisas fáceis
As coisas vãs
As coisas fúteis.
E nunca mais, E nunca mais
Essas manhãs
Serão inúteis
Essas cidades
Serão vazias
Essas verdades
Ficarão frias
Essas janelas
Serão fechadas.
E nunca mais, E nunca mais
As nossas bocas
Amordaçadas.

11 de maio de 2011

TONICHA: ACTUAÇÃO EM ATENAS

IV OLIMPÍADA DA CANÇÃO
ATENAS - 1971


FOTO: Autor não identificado, Tonicha na IV Olimpíada da Canção,
Estádio Olímpico, Atenas, Julho de 1971

10 de maio de 2011

TONICHA EM ATENAS

IV OLIMPÍADA DA CANÇÃO
ATENAS - 1971

Plateia nº534, de 27 de Abril de 1971
Continuamos viagem pela carreira de Tonicha, desfiando as memórias dos anos 70, dando conta das suas andanças pelo mundo da canção no atarefado ano de 1971.
Entre 9 e 11 de Julho desse ano decorreu em Atenas aquele que era, então, o maior certame do velho continente: a "IV Olimpíada da Canção", que atrai anualmente, ao Estádio Olímpico da capital grega, 300 mil espectadores e intérpretes de melodias ligeiras de 50 países.
Nesta notícia ainda se fazia referência a José Carlos Ary dos Santos como autor do poema da canção que Tonicha ali tão bem defendeu. Ary recusou-se a fazer a letra para esse tema, dizendo que não escrevia para o país dos coronéis. A precisar de um letrista para a canção portuguesa, o autor da música, Nuno Nazareth Fernandes, pediu então ao Nuno Gomes dos Santos que fizesse a letra. Assim nasceu "Poema pena", uma fantástica canção, marco importante da discografia da artista. Diz-se que o José Carlos Ary dos Santos quando ouviu a canção afirmou: "Mas isto é meu!".
Em Atenas, Tonicha, perante um público de muitos milhares de espectadores, no estádio olímpico da cidade, conseguiu o 2º Prémio de Interpretação.
Augusto Algueró conquistou o 1º Prémio ex-aequo de Orquestração.

9 de abril de 2011

TONICHA: 5º LUGAR NA EUROVISÃO

RESULTADO DO JÚRI COM MAIS DE 25 ANOS

A nossa já muito conhecida, e infelizmente extinta, revista Plateia que acompanhou sempre com muito interesse os festivais da Eurovisão publicou, em Abril de 1971, os resultados da votação do júri desse ano.
Divididos em dois grupos (com mais de 25 anos e menos de 25 anos), é curioso ver a pontuação que Tonicha obteve na sua passagem por Dublin, na Irlanda. Diz o artigo da revista:

Não somos, e os nossos leitores sabem-no bem, muito dados a estatísticas, mas como gostamos de servir bem quem nos prefere aqui deixamos os números eloquentes da votação de forma a que se aprenda e estude a lição para futuras aventuras.
Como sabem este ano o júri era composto por dois elementos enviados por cada país, um com menos de 25 anos - limite 18 anos e outro com mais de 25 - limite 60 anos. Esse facto deu-nos a conhecer que entre as 18 canções, em apenas 6 casos estiveram de acordo na classificação parcial.
Pela tabela que publicamos encontrarão as diferenças de critério aceitáveis se nos lembrarmos que duas gerações estavam votando o mesmo tema.
A nossa canção obteve um brilhante 5º lugar na classificação dos jurados com mais de 25 anos, enquanto os mais jovens lhe atribuíram um 11º lugar.

Meditar e tentar servir gregos e troianos eis o que temos de fazer para não deixarmos cair uma posição que finalmente conseguimos.

















Tonicha durante os ensaios em Dublin, Plateia nº 532, de 13 de Abril de 1971, p.27

1 de março de 2011

TONICHA: A MENINA DE ARY

SINGLE, DISCAZ, FRANÇA, SG 284

Comemoramos o aniversário de Tonicha (Beja, 08/03/1946) com a apresentação de mais uma versão da "MENINA" de Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes.
Este disco tem edição francesa e apresenta uma outra versão na língua de Molière, com adaptação para francês de Pierre Cour: "Quand l'été viendra demain". Sublinhe-se o facto de já conhecermos a versão "Bergère" que já aqui apresentámos.



5 de fevereiro de 2011

TONICHA: A MENINA FAZ 40 ANOS


FOTO: Nuno Nazareth Fernandes à viola e Tonicha na voz,
Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.30

A 11 de Fevereiro de 1971, a partir do Teatro Tivoli em Lisboa, a "Menina do Alto da Serra" deu-se a conhecer aos portugueses. Pela voz cristalina de Tonicha, foi amor à primeira audição.
Faz este ano 40 anos!


FOTO: José Fialho Gouveia entrevista Tonicha, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

A televisão mostrou muita coisa do Festival da Canção. Mas não mostrou tudo, tudo, tudo. Coisas houve que escaparam às câmaras. Outras aos microfones.
Estas duas páginas que apresentamos hoje são da revista Plateia que acompanhou a festa que a editora Zip-Zip organizou para comemorar a vitória.


FOTO: Tonicha com João Paulo Guerra, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

Temos muita pena de o Zip não nos ter convidado para a ceia que se seguiu ao Festival. Pelas fotos, verificamos que esteve bem animada.


FOTO: Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, pp.30 e 31

Nuno Nazareth Fernandes: Chegamos a 71 e fazemos a "Menina" que é uma canção a pensar numa revanche da "Canção de Madrugar".
Sob o ponto de vista musical eu estava nessa altura muito influenciado pela música andina, ia muito a Paris e trazia discos e mais discos do Peru, do Chile, da Colômbia, e acho que isso se reflecte claramente na "Menina". A maqueta que enviámos para a RTP, gravada na Nacional Filmes, até tinha uma flauta de bisel para se procurar aquela sonoridade das flautas dos andes.
A "Menina" ganhou, mas é preciso dizer que, a meu ver, isso se ficou a dever muito mais a uma grande operação de marketing do que a qualquer outra coisa. A verdade é que todos nós, eu, o Zé Carlos, a gente do Zip, resolvemos fazer com a "Menina" exactamente o contrário do que se tinha feito com a "Canção de Madrugar". Tínhamos pela frente concorrentes com muita força, apoiados por editoras fortes e aí fizemos uma campanha, uma promoção enorme. Começou-se por fazer uma outra canção, "Mulher", que a Tonicha gravou e que, no fundo, revelava um bocado a Menina, a começar pelo aproveitamento que o José Carlos fez da "Menina e Moça" do Bernardim Ribeiro. A divulgação da "Mulher" criou uma enorme expectativa, até porque se fez constar que era a canção concorrente o que era proíbido, etc., etc. Aliás, acho que a "Mulher", como canção, até era melhor que a "Menina". Depois foram os cartazes, o cuidado todo com o visual da Tonicha e tudo mais. (...)
in José Carlos Ary dos Santos, As palavras das cantigas, Lisboa, Edições Avante, 1989


Disco promoção da participação de Tonicha no Festival da Canção com o tema "Mulher".

Este envelope, ou esta capa, contém um disco de 45 rotações gravado por uma das vozes que irão defender o reportório das etiquetas Zip no VIII Grande Prémio TV da Canção Portuguesa.
Claro que as canções não são as do Grande Prémio. Mas até são "giras" e dão-lhe uma ideia da capacidade de quem as canta.
Esperamos que goste e que esteja atento no dia 11 de Fevereiro.



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RAGAZZA DELLA CAMPAGNA
(Letra: José Carlos Ary dos Santos)
(Versão: Cristiano Minellono)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Arranjo e Direcção: Augusto Algueró)

19 de janeiro de 2011

TONICHA EM DUBLIN 1971

A CANTORA FEZ A PROMOÇÃO DE MENINA
DO ALTO DA SERRA EM VÁRIOS PAÍSES EUROPEUS

Continuamos pelo ano de 1971 a mostrar o que de muito se publicou a propósito da representação portuguesa em Dublin, com o célebre tema "Menina" pela voz de Tonicha.
Um dos números desse ano da extinta revista Plateia fez questão de desejar felicidades à cantora, num artigo que dava conta da promoção do tema em vários países europeus.
Dizia o artigo:

Tonicha fez a promoção de "Menina do Alto da Serra" por vários países europeus.
Estamos a três dias da Grande Gala europeia da canção ligeira que é o grande prémio Eurovisão e "Plateia" não podia deixar de desejar à representante portuguesa o maior êxito, no certame.
Para já, não queremos deixar de referir que, desta feita, se olhou já um pouco pela promoção da nossa canção que Tonicha foi apresentar, pessoalmente, em alguns países europeus, nomeadamente Espanha e Alemanha, onde fez em Berlim um programa de TV no dia 24 e outro de rádio em 26.
Também para Karina - a representante espanhola - que esteve presente, como atracção, no espectáculo do Tivoli, onde "Menina do Alto da Serra" mereceu a honra de ser escolhida para defender a música portuguesa - "Plateia" augura as melhores felicidades. E que, se não ganhar Tonicha - o que nos parece difícil - que seja a cançonetista da pátria irmã a vencer, para prestígio da Península Ibérica.


in Revista Plateia, 1971

11 de janeiro de 2011

TONICHA POR CARLOS CASTRO

Tonicha apresentou-se impecável perante um público que soube patentear o gosto pela música desta terra, que se rendeu completamente ao profissionalismo, ao talento, e a uma segurança desta "menina-mulher" do nosso parco meio artístico.
Tonicha e o seu último trabalho discográfico ELA POR ELA estiveram no Maria Matos. Canções belíssimas na música e na palavra, canções que vão ser cantadas por aí. Carlos Mendes e Joaquim Pessoa ao escreverem "Rosalinda" criaram uma das mais belas composições de sempre. E a artista cantou, saciando a "sede" que tínhamos de escutar melodias muito nossas. E como ela soube cantar! Uma Tonicha adulta, no máximo da sua carreira. Foi lindo a participação do RANCHO TÁ MAR DA NAZARÉ, e do GRUPO CANCIONEIRO DE ÁGUEDA, que evoluiram pelo palco com danças e cantares, numa beleza de movimento e cor.
PEDRO OSÓRIO dirigiu a última parte do show com mestria. Nota alta pela sua participação. VICTOR MANUEL deu planos magníficos da sequência deste programa, mostrando mais uma vez como se empenha em transmitir a sua sensibilidade para o écran.
"A CANÇÃO DA ALEGRIA" (Tózé Brito musicou e Joaquim Pessoa escreveu) foi uma festa comungada por todos os presentes.
E em festa acabou. Festa que foi uma noite bem portuguesa!

Carlos Castro in "Nova Gente" nº 219 de 26/11 a 2/12 de 1980, p. 13

23 de dezembro de 2010

TONICHA EM VOZES DE TRABALHO


FOTO: Diana Zaragoza Amador

Continuam os ecos do espectáculo "Vozes de Trabalho", da autoria e com encenação de Tiago Torres da Silva, que esteve em cena no Teatro da Trindade em Lisboa até ao passado dia 12 de Dezembro. Um dos quadros musicais incluia a cantora Tonicha, num ambiente de festa, a cantar "Vareira do mar" (1973), um tema do Cancioneiro Popular da região do Minho.

VAREIRA DO MAR
(Popular - Minho)

Vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou
dar vida a quem me deu vida
matar a quem me matou.

Matar a quem me matou
vareira linda vareira
vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou.

No meio daquele mar
há uma pedra comprida
com um letreiro que diz
quem lá for arrisca a vida.

Quem lá for arrisca a vida
no meio daquele mar
no meio daquele mar
há uma pedra comprida.

Ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos
quem namora às escondidas
quer abraços e beijinhos.

Quer abraços e beijinhos
ó amieiro do rio
ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos.

Sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira
vou-me para a minha terra
adeus ó chula vareira.

Adeus ó chula vareira
sou cantada, sou bailada
sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira.