11 de maio de 2011

TONICHA: ACTUAÇÃO EM ATENAS

IV OLIMPÍADA DA CANÇÃO
ATENAS - 1971


FOTO: Autor não identificado, Tonicha na IV Olimpíada da Canção,
Estádio Olímpico, Atenas, Julho de 1971

10 de maio de 2011

TONICHA EM ATENAS

IV OLIMPÍADA DA CANÇÃO
ATENAS - 1971

Plateia nº534, de 27 de Abril de 1971
Continuamos viagem pela carreira de Tonicha, desfiando as memórias dos anos 70, dando conta das suas andanças pelo mundo da canção no atarefado ano de 1971.
Entre 9 e 11 de Julho desse ano decorreu em Atenas aquele que era, então, o maior certame do velho continente: a "IV Olimpíada da Canção", que atrai anualmente, ao Estádio Olímpico da capital grega, 300 mil espectadores e intérpretes de melodias ligeiras de 50 países.
Nesta notícia ainda se fazia referência a José Carlos Ary dos Santos como autor do poema da canção que Tonicha ali tão bem defendeu. Ary recusou-se a fazer a letra para esse tema, dizendo que não escrevia para o país dos coronéis. A precisar de um letrista para a canção portuguesa, o autor da música, Nuno Nazareth Fernandes, pediu então ao Nuno Gomes dos Santos que fizesse a letra. Assim nasceu "Poema pena", uma fantástica canção, marco importante da discografia da artista. Diz-se que o José Carlos Ary dos Santos quando ouviu a canção afirmou: "Mas isto é meu!".
Em Atenas, Tonicha, perante um público de muitos milhares de espectadores, no estádio olímpico da cidade, conseguiu o 2º Prémio de Interpretação.
Augusto Algueró conquistou o 1º Prémio ex-aequo de Orquestração.

9 de abril de 2011

TONICHA: 5º LUGAR NA EUROVISÃO

RESULTADO DO JÚRI COM MAIS DE 25 ANOS

A nossa já muito conhecida, e infelizmente extinta, revista Plateia que acompanhou sempre com muito interesse os festivais da Eurovisão publicou, em Abril de 1971, os resultados da votação do júri desse ano.
Divididos em dois grupos (com mais de 25 anos e menos de 25 anos), é curioso ver a pontuação que Tonicha obteve na sua passagem por Dublin, na Irlanda. Diz o artigo da revista:

Não somos, e os nossos leitores sabem-no bem, muito dados a estatísticas, mas como gostamos de servir bem quem nos prefere aqui deixamos os números eloquentes da votação de forma a que se aprenda e estude a lição para futuras aventuras.
Como sabem este ano o júri era composto por dois elementos enviados por cada país, um com menos de 25 anos - limite 18 anos e outro com mais de 25 - limite 60 anos. Esse facto deu-nos a conhecer que entre as 18 canções, em apenas 6 casos estiveram de acordo na classificação parcial.
Pela tabela que publicamos encontrarão as diferenças de critério aceitáveis se nos lembrarmos que duas gerações estavam votando o mesmo tema.
A nossa canção obteve um brilhante 5º lugar na classificação dos jurados com mais de 25 anos, enquanto os mais jovens lhe atribuíram um 11º lugar.

Meditar e tentar servir gregos e troianos eis o que temos de fazer para não deixarmos cair uma posição que finalmente conseguimos.

















Tonicha durante os ensaios em Dublin, Plateia nº 532, de 13 de Abril de 1971, p.27

1 de março de 2011

TONICHA: A MENINA DE ARY

SINGLE, DISCAZ, FRANÇA, SG 284

Comemoramos o aniversário de Tonicha (Beja, 08/03/1946) com a apresentação de mais uma versão da "MENINA" de Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes.
Este disco tem edição francesa e apresenta uma outra versão na língua de Molière, com adaptação para francês de Pierre Cour: "Quand l'été viendra demain". Sublinhe-se o facto de já conhecermos a versão "Bergère" que já aqui apresentámos.



5 de fevereiro de 2011

TONICHA: A MENINA FAZ 40 ANOS


FOTO: Nuno Nazareth Fernandes à viola e Tonicha na voz,
Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.30

A 11 de Fevereiro de 1971, a partir do Teatro Tivoli em Lisboa, a "Menina do Alto da Serra" deu-se a conhecer aos portugueses. Pela voz cristalina de Tonicha, foi amor à primeira audição.
Faz este ano 40 anos!


FOTO: José Fialho Gouveia entrevista Tonicha, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

A televisão mostrou muita coisa do Festival da Canção. Mas não mostrou tudo, tudo, tudo. Coisas houve que escaparam às câmaras. Outras aos microfones.
Estas duas páginas que apresentamos hoje são da revista Plateia que acompanhou a festa que a editora Zip-Zip organizou para comemorar a vitória.


FOTO: Tonicha com João Paulo Guerra, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

Temos muita pena de o Zip não nos ter convidado para a ceia que se seguiu ao Festival. Pelas fotos, verificamos que esteve bem animada.


FOTO: Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, pp.30 e 31

Nuno Nazareth Fernandes: Chegamos a 71 e fazemos a "Menina" que é uma canção a pensar numa revanche da "Canção de Madrugar".
Sob o ponto de vista musical eu estava nessa altura muito influenciado pela música andina, ia muito a Paris e trazia discos e mais discos do Peru, do Chile, da Colômbia, e acho que isso se reflecte claramente na "Menina". A maqueta que enviámos para a RTP, gravada na Nacional Filmes, até tinha uma flauta de bisel para se procurar aquela sonoridade das flautas dos andes.
A "Menina" ganhou, mas é preciso dizer que, a meu ver, isso se ficou a dever muito mais a uma grande operação de marketing do que a qualquer outra coisa. A verdade é que todos nós, eu, o Zé Carlos, a gente do Zip, resolvemos fazer com a "Menina" exactamente o contrário do que se tinha feito com a "Canção de Madrugar". Tínhamos pela frente concorrentes com muita força, apoiados por editoras fortes e aí fizemos uma campanha, uma promoção enorme. Começou-se por fazer uma outra canção, "Mulher", que a Tonicha gravou e que, no fundo, revelava um bocado a Menina, a começar pelo aproveitamento que o José Carlos fez da "Menina e Moça" do Bernardim Ribeiro. A divulgação da "Mulher" criou uma enorme expectativa, até porque se fez constar que era a canção concorrente o que era proíbido, etc., etc. Aliás, acho que a "Mulher", como canção, até era melhor que a "Menina". Depois foram os cartazes, o cuidado todo com o visual da Tonicha e tudo mais. (...)
in José Carlos Ary dos Santos, As palavras das cantigas, Lisboa, Edições Avante, 1989


Disco promoção da participação de Tonicha no Festival da Canção com o tema "Mulher".

Este envelope, ou esta capa, contém um disco de 45 rotações gravado por uma das vozes que irão defender o reportório das etiquetas Zip no VIII Grande Prémio TV da Canção Portuguesa.
Claro que as canções não são as do Grande Prémio. Mas até são "giras" e dão-lhe uma ideia da capacidade de quem as canta.
Esperamos que goste e que esteja atento no dia 11 de Fevereiro.



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RAGAZZA DELLA CAMPAGNA
(Letra: José Carlos Ary dos Santos)
(Versão: Cristiano Minellono)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Arranjo e Direcção: Augusto Algueró)

19 de janeiro de 2011

TONICHA EM DUBLIN 1971

A CANTORA FEZ A PROMOÇÃO DE MENINA
DO ALTO DA SERRA EM VÁRIOS PAÍSES EUROPEUS

Continuamos pelo ano de 1971 a mostrar o que de muito se publicou a propósito da representação portuguesa em Dublin, com o célebre tema "Menina" pela voz de Tonicha.
Um dos números desse ano da extinta revista Plateia fez questão de desejar felicidades à cantora, num artigo que dava conta da promoção do tema em vários países europeus.
Dizia o artigo:

Tonicha fez a promoção de "Menina do Alto da Serra" por vários países europeus.
Estamos a três dias da Grande Gala europeia da canção ligeira que é o grande prémio Eurovisão e "Plateia" não podia deixar de desejar à representante portuguesa o maior êxito, no certame.
Para já, não queremos deixar de referir que, desta feita, se olhou já um pouco pela promoção da nossa canção que Tonicha foi apresentar, pessoalmente, em alguns países europeus, nomeadamente Espanha e Alemanha, onde fez em Berlim um programa de TV no dia 24 e outro de rádio em 26.
Também para Karina - a representante espanhola - que esteve presente, como atracção, no espectáculo do Tivoli, onde "Menina do Alto da Serra" mereceu a honra de ser escolhida para defender a música portuguesa - "Plateia" augura as melhores felicidades. E que, se não ganhar Tonicha - o que nos parece difícil - que seja a cançonetista da pátria irmã a vencer, para prestígio da Península Ibérica.


in Revista Plateia, 1971

11 de janeiro de 2011

TONICHA POR CARLOS CASTRO

Tonicha apresentou-se impecável perante um público que soube patentear o gosto pela música desta terra, que se rendeu completamente ao profissionalismo, ao talento, e a uma segurança desta "menina-mulher" do nosso parco meio artístico.
Tonicha e o seu último trabalho discográfico ELA POR ELA estiveram no Maria Matos. Canções belíssimas na música e na palavra, canções que vão ser cantadas por aí. Carlos Mendes e Joaquim Pessoa ao escreverem "Rosalinda" criaram uma das mais belas composições de sempre. E a artista cantou, saciando a "sede" que tínhamos de escutar melodias muito nossas. E como ela soube cantar! Uma Tonicha adulta, no máximo da sua carreira. Foi lindo a participação do RANCHO TÁ MAR DA NAZARÉ, e do GRUPO CANCIONEIRO DE ÁGUEDA, que evoluiram pelo palco com danças e cantares, numa beleza de movimento e cor.
PEDRO OSÓRIO dirigiu a última parte do show com mestria. Nota alta pela sua participação. VICTOR MANUEL deu planos magníficos da sequência deste programa, mostrando mais uma vez como se empenha em transmitir a sua sensibilidade para o écran.
"A CANÇÃO DA ALEGRIA" (Tózé Brito musicou e Joaquim Pessoa escreveu) foi uma festa comungada por todos os presentes.
E em festa acabou. Festa que foi uma noite bem portuguesa!

Carlos Castro in "Nova Gente" nº 219 de 26/11 a 2/12 de 1980, p. 13

23 de dezembro de 2010

TONICHA EM VOZES DE TRABALHO


FOTO: Diana Zaragoza Amador

Continuam os ecos do espectáculo "Vozes de Trabalho", da autoria e com encenação de Tiago Torres da Silva, que esteve em cena no Teatro da Trindade em Lisboa até ao passado dia 12 de Dezembro. Um dos quadros musicais incluia a cantora Tonicha, num ambiente de festa, a cantar "Vareira do mar" (1973), um tema do Cancioneiro Popular da região do Minho.

VAREIRA DO MAR
(Popular - Minho)

Vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou
dar vida a quem me deu vida
matar a quem me matou.

Matar a quem me matou
vareira linda vareira
vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou.

No meio daquele mar
há uma pedra comprida
com um letreiro que diz
quem lá for arrisca a vida.

Quem lá for arrisca a vida
no meio daquele mar
no meio daquele mar
há uma pedra comprida.

Ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos
quem namora às escondidas
quer abraços e beijinhos.

Quer abraços e beijinhos
ó amieiro do rio
ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos.

Sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira
vou-me para a minha terra
adeus ó chula vareira.

Adeus ó chula vareira
sou cantada, sou bailada
sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira.

17 de dezembro de 2010

TONICHA NA REVISTA SÁBADO

Entrevista de Tonicha à Revista Sábado.


Veja a entrevista na edição online da Sábado, aqui.

5 de dezembro de 2010

TONICHA EM VOZES DE TRABALHO

ÚLTIMA SEMANA DE ESPECTÁCULOS


FOTO: Francisco Marzia

Esta será a última semana de representações do musical "Vozes de Trabalho", da autoria e com encenação de Tiago Torres da Silva, no Teatro da Trindade, em Lisboa.
De 5ª a domingo, dia 12, serão as últimas oportunidades para aplaudir as actrizes Lourdes Norberto e Cecília Guimarães (ambas com belíssimas composições e com alguns dos momentos mais hilariantes do espectáculo) e os cantores Carlos Mendes, Filipa Pais, Joana Negrão e a nossa querida Tonicha, que aqui surge na personagem de Ti Ana.
Tonicha canta uma das canções mais bonitas do musical, "Quantas voltas dá a nora?", letra de Tiago Torres da Silva e música de Vasco Ribeiro Casais.

Ai, quantas voltas dá a nora
Para nos trocar as voltas?
Ai, quantas voltas ao voltar
Das voltas que eu dei às canções?

Ai, quantas voltas dá a vida
Para não deixar a nora parar?
São voltas que não vão ter fim
Nem no fim de outro fim que há no mar.

Quem quiser ir, apresse-se.
Os bilhetes estão à venda na Ticketline e na bilheteira do Teatro da Trindade.
Junte-se a nós e venha aplaudir os nossos artistas!


FOTO: José Frade, Teatro da Trindade

28 de novembro de 2010

TONICHA EM CENA NO TEATRO DA TRINDADE

ATÉ 12 DE DEZEMBRO
5ª a SÁB. às 21h
DOM. às 16h


FOTO DE ENSAIO: José Frade, in Programa de sala do espectáculo, Teatro da Trindade.

25 de novembro de 2010

TONICHA ESTREIA-SE HOJE NO TRINDADE


FOTO: Bruno Colaço

‘Vozes de Trabalho’ é o título do espectáculo escrito e encenado por Tiago Torres da Silva e que assinala a estreia como actriz, esta noite, no Teatro da Trindade, às 21h00, da popular Tonicha, que o grande público conhece como cantora.

Ao lado de Carlos Mendes, Cecília Guimarães, Lourdes Norberto, Filipa Pais e Joana Negrão, num musical que retrata um País que quase já não existe (onde se acredita em lendas e o terço é companheiro de todas as horas), Tonicha é ‘tia Ana’, guardiã da memória colectiva e que conhece o valor da música – sobretudo como forma de aliviar as dores do trabalho. Recorrendo a canções do repertório popular e a inéditos (de Tiago Torres da Silva e Vasco Ribeiro Casais), a peça é para ver até 12 de Dezembro.

in edição online Correio da Manhã.


in Correio da Manhã, 25-11-2010, p. 43

22 de novembro de 2010

19 de novembro de 2010

TONICHA: REGRESSO COM VOZES DE TRABALHO

Por Carlos Castro
in TVGuia nº 1660 de 17 a 23 Novembro de 2010

18 de novembro de 2010

PASSATEMPO - VENCEDOR

Já foi encontrado o vencedor do passatempo "Vozes de Trabalho".
O primeiro leitor a dar a resposta certa é residente no Porto e não pode, por motivos profissionais, vir no dia da estreia. Por essa razão, o leitor suplente (Fernando Gomes), o segundo a responder correctamente à pergunta lançada, é o contemplado com o convite duplo para a estreia de Vozes de Trabalho", já no próximo dia 25 de Novembro.
A resposta certa era: Carlos Mendes.

16 de novembro de 2010

PASSATEMPO: VOZES DE TRABALHO

TEATRO DA TRINDADE, LISBOA
25 NOVEMBRO A 12 DEZEMBRO 2010



O Clube de Fãs tem um CONVITE DUPLO para oferecer para a estreia do espectáculo VOZES DE TRABALHO para o dia 25 de Novembro às 21h, na Sala Principal do Teatro da Trindade em Lisboa.

A primeira pessoa que nos enviar um e-mail com a resposta correcta à seguinte pergunta, ganha o convite duplo:

Qual o nome do compositor que assinou mais temas no LP "Ela por Ela", que Tonicha gravou em 1980, com textos de Joaquim Pessoa?

8 de novembro de 2010

TONICHA: SEMPRE CANTEI PARA O POVO

Cantora estreia-se no teatro pela mão de Tiago Torres da Silva.


Foto: Tiago Sousa Dias

É conhecida como cantora, mas agora vai estrear-se no teatro. Ainda a recuperar de graves problemas de saúde, a popular Tonicha vai ser uma das protagonistas de ‘Vozes de Trabalho’, espectáculo que tem estreia prevista para 25 de Novembro, na Sala Principal do Teatro da Trindade. Ao seu lado, estarão Lourdes Norberto, Carlos Mendes e Filipa Pais, entre outros.

Por: Ana Maria Pais, in Correio da Manhã, 8 Nov.2010



CM - Ficou surpreendida com o convite do Tiago Torres da Silva?

Tonicha - Sim. A primeira vez que ele me falou disto eu estava de cadeira de rodas e disse-lhe que ia pensar. Estive afastada da vida artística durante ano e meio e nesse tempo aconteceram imensas coisas... Coisas desagradáveis. A certa altura já nem tinha vontade de nada. Mais tarde, o Tiago fez-me o convite formal e apesar de não estar em condições de aceitar, aceitei. Achei que podia ser terapêutico. E tem sido.

- É a sua estreia como actriz de teatro. Isso não a assusta?
- Admito que é uma grande aventura, mas estou a fazer tudo para que me sair bem dela. Para já porque não quero desiludir o Tiago, a quem conheço desde miúdo, quando ia visitar a avó, que era minha vizinha em Cascais. Depois, porque o ambiente é tão interessante e os colegas são tão talentosos, que não quero ficar mal na fotografia.

- A peça fala da vida do povo trabalhador e das canções a que recorre como forma de tornar a sua vida mais agradável...
- Sim, é uma realidade que me é muito familiar. Eu conheço o povo. Sempre cantei para o povo, fiz muito trabalho de estrada, festas, arraiais, romarias - estive lá sempre e portanto conheço bem esta realidade. Isso facilitou o processo, sem dúvida.

- O facto de ser um musical também deve ter ajudado...
- Sim, é uma produção muito interessante, que liga a arte de representar e a de cantar. Nunca me tinha acontecido nada de parecido. Aqui todos cantam e todos representam. Claro que nem todos têm solos, mas há canções colectivas em que todos participam. Para mim, o pior é decorar o texto. Tem de ser devagar... (risos) Mas quando estrear vai tudo estar certinho.

- A nível de representação, chegou a fazer cinema...
- Fiz um filme, mas muito novinha. Tinha 16 anos. Era inconsciente. Mas foi um convite irrecusável: em início de carreira, convidarem-me para fazer um filme ao lado do António Silva! Fiquei encantada. Claro que não podia recusar.

- Fale-nos da sua personagem no espectáculo.
- A minha personagem é a ‘Ti Ana', uma velhinha que todos julgam já ter desaparecido, mas que, afinal, está mesmo viva! E rija. A peça é muito divertida, tem momentos ternurentos, outros tristes - afinal estamos a falar de coisas que acontecem às pessoas que trabalham no campo. Mas depois tem a alegria da música, acho que é um espectáculo completo.

- O público, que nunca lhe falhou, também não é desta que vai falhar...
- Espero que não. Mas é verdade. Tenho essa noção: o público das cantigas nunca me abandonou, e acho que virá com certeza ao espectáculo. O público de teatro, esse, não sei. Mas acho que sim. Nem que seja por curiosidade.

- Pondera a possibilidade de voltar ao teatro?
- Se a peça tiver êxito... Enfim, não sou uma actriz mas acho que tenho um certo jeitinho.

- O Ruy de Carvalho diz que um artista nunca se reforma.
- Depende. Para um cantor, isso não será tão verdade. A voz muda, os tons agudos têm de vir para baixo. Mas acho que um actor pode continuar a sua carreira sempre. Até os problemas de memória podem ser obviados actualmente. Mas eu ainda não tenho problemas com a voz. Os meus problemas são todos de saúde. Mas vou ultrapassá-los. Ainda não estou bem, mas hei-de estar.

26 de outubro de 2010

TONICHA REGRESSA AO TEATRO

COM VOZES DE TRABALHO
TEATRO DA TRINDADE, LISBOA
25 NOVEMBRO A 12 DEZEMBRO 2010

Sim, é verdade!
Passados 36 anos desde a estreia de Tonicha no teatro de revista - estávamos então em 1974, a peça chamava-se "Uma no cravo outra na ditadura", criada por César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos e levada à cena no Teatro ABC - a cantora vai voltar a pisar os palcos, desta vez para integrar o elenco da nova produção do Inatel/Teatro da Trindade, "Vozes de Trabalho".


FOTO: José Frade

Trata-se de uma nova criação da autoria de Tiago Torres da Silva, com estreia marcada já para o próximo dia 25 de Novembro, onde Tonicha canta canções populares e também temas inéditos.
"Vozes de trabalho" estará em cena no Teatro da Trindade, em Lisboa, de 25 de Novembro a 12 de Dezembro, quintas a sábados às 21h e domingos às 16h.
Com Tonicha, partilham o palco Carlos Mendes, Filipa Pais, Cecília Guimarães, Lurdes Norberto, Joana Negrão, entre outros.

Tiago Torres da Silva, o autor e também encenador do espectáculo, manifestou ao Clube de Fãs a sua "felicidade por estar a dirigir um musical com a Tonicha". O autor, que já escreveu para quase todas as novas vozes da música portuguesa, tem agora também a sua primeira oportunidade para trabalhar com a cantora.


FOTO: José Frade, in site do Teatro da Trindade

Vozes de Trabalho parte do universo dos cantos de trabalho para contar uma estória que, vinda das entranhas da terra, se expande por lugares oníricos de fantasia e ficção.

Ancorado nesses cantos que tornavam mais leves as penas das ceifeiras, dos pescadores, dos vindimeiros, das fiandeiras, etc, Vozes de Trabalho conta-nos o percurso de uma jovem rapariga à procura da sua voz, a sua voz que um homem levou não se sabe para onde e que estará talvez esquecida nessas almas amarfanhadas por trabalhos extenuantes, almas essas que encontravam alívio e procuravam forças nos cantos que entoavam desde que a manhã se levantava até ao pôr-do-sol.

Aparece assim o canto de raiz como força motriz de um espectáculo de teatro onde a música é o que faz avançar e o que trava, onde o próprio espectador se sente parte dessa terra, desse passado reaberto agora como um testamento que une o passado ao futuro.
in site do Inatel

AUTORIA E ENCENAÇÃO Tiago Torres da Silva
DIRECÇÃO MUSICAL Vasco Ribeiro Casais
ASSESSORIA CIENTÍFICA José António Sardinha
CENÁRIO Inês Teixeira
FIGURINOS Hilda Portela

ELENCO
Carlos Mendes Cecília Guimarães
Filipa Pais Joana Negrão
Lurdes Norberto Tonicha

MÚSICOS
André Galvão Rita Nóvoa
Rui Rodrigues Vasco Ribeiro Casais

PRODUÇÃO
Fundação INATEL
Teatro da Trindade

Mais informações aqui.

11 de outubro de 2010

TONICHA

MENINA NIÑA
BERGÈRE COUNTRY GIRL
EP PROMOÇÃO (PROM 004/E), ZIP-ZIP, ZIP 30014/S



Durante o tempo que decorreu entre o Festival da RTP da Canção em Lisboa e o Festival da Eurovisão em Dublin, a editora de Tonicha, a Zip-Zip, apostou forte na divulgação da "Menina" por essa Europa fora. Para isso, foram editados vários discos com a canção original, mas também com versões nas quatro línguas mais populares: inglês, francês, espanhol e italiano.
O EP que hoje apresentamos, da editora Zip-Zip, para além do original em português tem mais três versões: em espanhol, francês e inglês. A belíssima versão italiana mereceu uma edição própria, de que oportunamente aqui daremos conta.

LADO A
MENINA (DO ALTO DA SERRA)
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
NIÑA
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)

LADO B
BERGÈRE
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version française: J. C. Ary dos Santos)
COUNTRY GIRL
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(English version: John Hampton)




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BERGÈRE
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version française: J. C. Ary dos Santos)

Bergère jolie bergère
Au regard le clair matin
Offrant tes seins de lumière
Dans la paume de tes mains.

Bergère jolie bergère
Aux senteurs de romarin
Bergère jolie bergère
Vont le corps est le parfum.

Bergère jolie bergère
Tu parfumes les chemins
Buttinant dans les bruyères
Telle un merle baladin.

Bergère jolie bergère
A petits pas de lutin
Bergère jolie bergère
Sautillant les serpentins.

Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.

Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.

Bergère jolie bergère
En tissant les lendemains
Bergère jolie bergère
Tu façonnes le destin.

Bergère jolie bergère
Rose rouge sans chagrin
Bergère jolie bergère
Force d'une aube sans frein.

Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.

Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.

Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.


... clique no botão "Play"

COUNTRY GIRL
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(English version: John Hampton)

Country girl, you're on display
As you stroll at early dawn.
Yours breasts so small, and gay
Tightly in your bodice drawn.

Country girls smelling of hay
On an early summer morn.

Country girl, you look your best
When along the lane you walk
With eyes like a feathered nest
Built by thrush but not by hawk.

And a stream around your waist
Country girl, I wish you'd talk.

Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.

Country girl, please never cry.
Be to me my sap of pine.
Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.

Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn
As thread with steps so light
Long before the day is born.

Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn.

Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.

Country girl, who always shows
Such contempt for all my pleas
You gaze like a briar rose
Or a breath of mountain breeze.

Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.

9 de outubro de 2010

MENINA

CONSCIENTE DAS RESPONSABILIDADES
DE UM FESTIVAL


Continuamos a nossa viagem pelo ano de 1971, a descortinar o que a imprensa da época relatou sobre a passagem de Tonicha pelo Festival RTP da Canção.
A Plateia, uma das mais conhecidas revistas dedicadas ao mundo do espectáculo nos anos 60 e 70, dedicou na sua edição de 2 de Fevereiro um artigo com uma entrevista da cantora.


in Revista Plateia nº 522, 2 de Fevereiro de 1971, p.50

«Durante os sete anos que dura já a sua carreira, Tonicha soube marcar uma posição bem firme no mundo da música portuguesa e tornar-se querida e apreciada pelo público, a ponto de ter sido, no passado ano de 1970, a artista portuguesa que mais discos vendeu. É portanto com uma expectativa aguçada pela audição de "Mulher", de José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, que se aguarda a canção, dos mesmos autores, que Tonicha cantará no Festival: "Menina".
Tonicha participara no Festival de 68 com duas canções: "Fui ter com a madrugada" e "Calendário", ficando em 2º lugar. Depois, não mais acedera a defender uma canção, apesar de todos os anos lhe serem propostas várias com vista ao Festival. Mas quando este ano a RTP decidiu novamente mandar um vencedor ao Festival da Eurovisão, depois de terem sido introduzidas no sistema de votação antigo (que, afinal, é idêntico ao que a própria RTP, que protestou, continua a adoptar) diversas e importantes modificações, Tonicha decidiu-se.
Com uma carreira europeia já muito bem iniciada (ainda em Dezembro esteve em Dusseldorfe, Bruxelas e Luxemburgo e prepara-se já para ir a Split, na Jugoslávia e Bucareste, na Roménia) a ida como representante de Portugal ao Euro-Festival seria o passo decisivo para a internacionalização.
- O Ary e o Nuno fizeram a canção para mim e eu... apaixonei-me por ela. Numa entrevista recentemente publicada puseram na minha boca palavras que, de modo algum, exprimem a minha opinião em relação a "Menina": "A música é lírica, é simples como um poema". Considero, isso sim, o poema de extremo lirismo e de uma pureza e simplicidade bem portuguesas. O próprio Ary dos Santos o classifica como um dos melhores, se não o melhor que escreveu para ser cantado, pensando mesmo inclui-lo no seu próximo livro. Quanto à música, é suave e muito bem adaptada às palavras. Nunca também, como se refere na mesma entrevista, fiz distinções entre canções "lentas" ou "pop", pois uma canção lenta pode perfeitamente ser "pop".



Muito se tem falado e discutido o caso de Tonicha ter chamado o maestro espanhol Algueró para orquestrar "Menina". Diz ela:
- Se todos os anos em que temos participado no Festival da Eurovisão se proclama que o que nos prejudica é a orquestração antiquada e infeliz das nossas canções, não creio que exista nada que me possa impedir de recorrer a um orquestrador com méritos provados e cujos serviços a Espanha não reclamou este ano. Para o próprio "Vivo cantando", que Algueró acabou por orquestrar o ano passado, a muito poucos dias do festival, tinham sido pedidas orquestrações primeiro a um inglês e depois a um francês e só não foi uma dessas a escolhida por não terem agradado.
Algueró, grande senhor do mundo da canção, só aceitou fazer a orquestração depois de ouvir a canção cantada por mim. Para isso me desloquei a Madrid com o Nuno Nazareth Fernandes... e Algueró aceitou!
Quando os nossos maestros aprenderem a actualizar-se e a ir ao encontro das ideias e dos gostos dos novos, em vez de apenas os criticarem, então talvez tenham o direito de falar por eu ou qualquer outro artista recorrermos a orquestradores estrangeiros. Por agora, infelizmente, não.



Embora internacionalmente e mesmo em Portugal, Tonicha seja mais conhecida cantando folclore, é como cançonetista romântica que no próximo dia 11 ela incarnará, para milhares de portugueses, essa "Menina" talvez tão loira como ela. Para ganhar? Quem pode sabê-lo antes do dia 11? Fazendo tudo para isso, sem necessidade de recorrer a propagandas pagas? Isso, sem dúvida nenhuma, mas com plena consciência da responsabilidade que lhe pesa sobre os ombros. Convidada a comparecer no "Curto-Circuito" a realizar no dia 30 de Janeiro, Tonicha recusou por não achar que dispunha de tempo para preparar convenientemente a sua apresentação.
Boa sorte rumo à Europa, "Menina" de narizinho arrebitado e cabelos de sol.»
in Revista Plateia nº 522, 2 de Fevereiro de 1971, p.50