5 de agosto de 2010

MENINA

DO ALTO DA SERRA O VIDEOCLIP

Com um leve sabor a férias e enquanto não regressamos à capital, aqui deixamos algumas imagens extraídas do célebre videoclip de Tonicha rodado para o tema "Menina", realizado por Augusto Cabrita. Este foi o vídeo de divulgação da cantiga que Tonicha iria cantar na Eurovisão.












Para poder assistir ao vídeo na íntegra, clique aqui.
Agradecimento: Site "Festivais RTP"

25 de julho de 2010

PEDRO OSÓRIO

MEMÓRIAS IRRISÓRIAS COM ALGUMAS GLÓRIAS
50 ANOS DE MÚSICA
Ed. Município de Oeiras, 2010



“Se vos perguntar por uma cantora que sempre ostentou naturalmente um ar de menina, com uma voz cristalina que faz lembrar a água de uma fonte a correr, que nunca se meteu em disputas de estrelato, e que interpretou com a mesma verdade cantos de origem popular e canções com a responsabilidade de terem a assinatura de Ary dos Santos, acredito que chegam rapidamente à Tonicha. Também corri o país e o mundo com ela, gravámos discos, partilhámos momentos de medo e de glória.
Sempre que subia a um palco fazia-o com o mesmo profissionalismo, fosse um grande teatro luxuoso ou uma feira duma pequena vila. Uma vez tivemos uma actuação em Vila do Conde, numa tarde quente de verão, num palco montado no mercado em cima de uma banca de peixe que, apesar de muito lavada e disfarçada com flores, era facilmente identificável pelo cheiro. Aí tentei insistentemente, juntamente com os outros músicos, convencê-la a actuar de jeans. Inútil. Manteve que usaria o vestido que trouxera, não para se enquadrar com o palco mas para agradar e mostrar respeito pelo público. Quando chegou a hora do espectáculo e a vimos sair do pseudo-camarim com um lindíssimo Chanel, ainda lhe atirámos umas piadas ligeiras e trocámos entre nós outras menos delicadas. Uma hora depois tivemos de lhe dar razão, porque se tornou evidente que o público interpretara a sua toilette como uma nota de consideração, apesar da dissonância com o palco tosco e inapropriado.” (pág.100)

20 de junho de 2010

MENINA

EUROVISÃO 1971
EP, DISQUES NOGUEIRA, NOG-1021-EP



Lançado em França pela editora Disques Nogueira, aqui fica uma das muitas edições em vinil da canção que Tonicha levou ao Festival da Eurovisão.
Trata-se de um EP que, para além do tema "Menina", inclui ainda os temas "Espera", nunca editado em cd, "Rosa de Barro" e "Mulher e Força".

MENINA
(Nuno Nazareth Fernandes/J.Carlos Ary dos Santos)
ESPERA
(T. Berbiou/Fernando Guerra)
ROSA DE BARRO
(Fernando Guerra)
MULHER E FORÇA
(Nuno Nazareth Fernandes/J.Carlos Ary dos Santos)




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ESPERA
(T. Berbiou/Fernando Guerra)

Mar onde os olhos
se perdem sem porto.
Mar onde as mãos
são as rotas.
Mar onde a espera
se escreve no porto.
Em sonhos que fazem
as frotas voltar.

Mulheres são esperança de areia
cabelos presos no mar.
Mulheres que lembram na praia
que os barcos não vão chegar.
Mar de quem espera
mar
desespero.

Mar feito de água
que arrasta navios
mar que os embala
e atrai.
Mar onde a mágoa
se escreve no frio
das velas que partem
do cais.

13 de junho de 2010

MARCHA DE BENFICA

TONICHA FOI MADRINHA


Foto gentilmente cedida por Luís Oliveira, filho de Xavier de Oliveira.

Por ocasião das Festas Populares de Lisboa, divulgamos uma fotografia alusiva às marchas populares.
Em 1966, Tonicha foi convidada para madrinha da marcha de Benfica. Não chegou a desfilar pela avenida, mas foi desejar boa sorte aos marchantes.
Na foto, vemos Tonicha acompanhada do cantor Xavier de Oliveira, o padrinho da marcha.



Ao longo da sua carreira, Tonicha foi recriando algumas canções populares que fizeram sucesso em décadas anteriores. Em 1977, gravou para a editora Polydor a "Marcha da Mouraria" (gravada e cantada por várias cantoras; talvez a mais conhecida seja a gravação deixada por Amália Rodrigues) e a "Marcha de Benfica".

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MARCHA DE BENFICA
(Letra: Frederico de Brito / Música: Raul Ferrão)

Ó raparigas
Isto agora é andarmos para a frente
Saltem cantigas aos molhos
Sorrisos nos olhos
E coração quente.

Cá vai Benfica
E quem fica não vai com certeza
Ser alegre é que é preciso
Pois quem tem o riso
Tem sempre beleza.

Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na festa contente
Ai ninguém fica
Sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.

Haja alegria
Alegria um bem que se abraça
Um desejo, uma quimera
Um riso que espera
Na marcha que passa.

Vá por Benfica
Tudo alegre e contente para a dança
Há sempre um riso suspenso
Um tesouro imenso
Que nos vem da herança.

Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na marcha contente
Ai ninguém fica
Sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.

Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na festa contente
Ai ninguém fica
Sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.

5 de junho de 2010

FESTIVAL DA EUROVISÃO 1971

DUBLIN
OS BASTIDORES




Concluimos a viagem por Dublin, apresentando estas imagens captadas imediatamente antes de Tonicha entrar no palco da Eurovisão.
Estávamos no sábado 3 de Abril de 1971, no Gaiety Theatre da capital irlandesa. A Irlanda organizava pela primeira vez o Eurofestival. Portugal regressava aos palcos da Eurovisão (bem como a Finlândia, a Noruega e a Suécia) depois de um ano de ausência, contribuindo assim para que o número de países concorrentes voltasse a ser 18.





Depois, foi o que já se conhece...



Numa classificação em que não foi atribuído o 7º lugar, em virtude de ter havido dois países em 6º lugar (a Suécia e a Holanda com 85 pontos), Tonicha conseguiu classificar-se em 9º lugar com 83 pontos. Saiba mais aqui.

À chegada ao aeroporto da Portela, a recepção à cantora foi esta:



MENINA
FEITA SENHORA DA CANÇÃO EUROPEIA


Regressou a Tonicha!
Regressou a Tonicha, de braço dado com a "Menina" que em Dublin conquistou para Portugal a melhor classificação de sempre em festivais da Eurovisão.


Foi com estas palavras que abria o artigo da extinta revista Plateia que noticiava a chegada de Tonicha ao aeroporto da Portela, vinda de Dublin.


in Revista Plateia nº 523, 13 de Abril de 1971, p.47

27 de maio de 2010

FESTIVAL DA EUROVISÃO 1971

DUBLIN
OS ENSAIOS


Depois de mostrarmos a sua chegada ao aeroporto de Dublin, continuamos hoje a recordar a passagem de Tonicha pelo palco da Eurovisão.



A série de imagens que hoje partilhamos referem-se aos ensaios da canção "Menina do Alto da Serra". Pela roupa que Tonicha tem vestida, somos levados a crer que houve pelo menos dois ensaios.





26 de maio de 2010

FESTIVAL DA EUROVISÃO 1971

A CHEGADA A DUBLIN

Continuamos a relembrar a passagem de Tonicha pelo Festival da Eurovisão, desfiando as memórias, revelando as imagens, mostrando os sorrisos e partilhando a emoção...
Hoje mostramos Tonicha, em 1971, na sua chegada a Dublin, no momento em que desce do avião. Sobre os cabelos louros, apanhados, a célebre boina que fez moda por cá.



Simpática e sempre sorridente, aqui no momento em que a recebem com flores.



O momento de posar para as fotografias.



O gnomo, um dos símbolos da Irlanda, foi oferecido a Tonicha com os votos de boa sorte no aeroporto de Lisboa pelo então Embaixador da Irlanda em Portugal.

24 de maio de 2010

MENINA

DO ALTO DA SERRA
SINGLE, EMI-COLUMBIA, 4C006-23304M



Na semana em que se assistirá a mais uma edição do Festival Eurovisão da Canção, que este ano tem lugar na cidade de Oslo (nos dias 25, 27 e 29 de Maio), recordamos a prestação de Tonicha no Festival.
Foi em 1971 na cidade de Dublin, na Irlanda, que Tonicha defendeu Portugal com o inesquecível tema de Ary/Nazareth Fernandes "Menina do Alto da Serra".
O single que aqui apresentamos é uma das edições do tema da passagem de Tonicha pela Eurovisão, numa bonita edição da EMI - COLUMBIA para o mercado britânico.

A
MENINA DO ALTO DA SERRA
(José Carlos Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes)
(Orq: Augusto Algueró)

B
MULHER
(José Carlos Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes)
(Orq: Thilo Krasmann)



Menina de olhar sereno
Raiando pela manhã
Do seio duro e pequeno
Num coletinho de lã.
Menina cheirando a feno
Casado com hortelã.

Menina cheirando a feno
Casado com hortelã.



Menina que no caminho
Vais pisando formosura
Levas nos olhos um ninho
Todo em penas de ternura.
Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura.

Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura.



Menina da saia aos folhos
Quem te vê fica lavado
Água da sede dos olhos
Pão que não foi amassado.



Menina do riso aos molhos
Minha seiva de pinheiro
Menina da saia aos folhos
Alfazema sem canteiro.



Menina de corpo inteiro
Com tranças de madrugada
Que se levanta primeiro
Do que a terra alvoroçada.



Menina do riso aos molhos
Minha seiva de pinheiro
Menina da saia aos folhos
Alfazema sem canteiro.



Menina de fato novo
Avé-Maria da terra
Rosa brava rosa povo
Brisa do alto da serra.



Rosa brava rosa povo
Brisa do alto da serra. (5X)

17 de maio de 2010

POEMA PENA

ROSA DE BARRO MANHÃ CLARA
EP, ZIP-ZIP, 10034/E

Hoje apresentamos um disco do ano de 1971, das edições ZipZip, que contém três canções muito importantes no repertório e na carreira de Tonicha.
São três "canções" no verdadeiro sentido da palavra; canções de autor, canções de poetas e a interpretação de cada uma delas valeu à cantora um prémio.



FACE A
POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Augusto Algueró)


FACE B
ROSA DE BARRO
(Letra e Música: Fernando Guerra)
(Orquestração: Thilo Krasmann)


MANHÃ CLARA
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Thilo Krasmann)



A canção "Poema Pena" foi aquela com que Tonicha se apresentou nas Olimpíadas da Canção de Atenas e onde obteve o 2ºprémio de interpretação. Trata-se de uma canção difícil do ponto de vista da interpretação, em crescendo, pedindo, exigindo sempre mais da voz. E a voz de Tonicha está sempre lá, pujante, dando-se, entregando-se ao crescendo que a música exige. Já a belíssima orquestração de Augusto Algueró valeu-lhe o 1º prémio ex-aequo.

"Rosa de barro" foi apresentada por Tonicha no Festival de Split na Jugoslávia e valeu-lhe o 1º prémio de interpretação.
A canção "Manhã clara" foi cantada no VI Festival do Rio de Janeiro e mereceu a Tonicha o Prémio da Crítica.

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ROSA DE BARRO
(Letra e Música: Fernando Guerra)
(Orquestração: Thilo Krasmann)


Viver da espiga
Saber do pão
Sabor do sangue
Do mesmo chão
Viver da sombra
Cestos ao ombro
Na seiva do corpo descansa
Minha saudade
Minha incerteza
Minha eterna esperança
Raíz sem água
Razão de dor
Sede de mágoa
Do mesmo amor
Raíz cortada, desenterrada
De braços suspensos
Nas danças
Minha saudade
Minha certeza
Minha vontade
Minha criança
Minha eternidade
É minha terra
Feita no barro
Semeada com calor
É minha terra
Rosa de barro
Inventada com suor
Por ela eu choro
Por ela eu corro
Construo as pedras
Feitas em serras
Por ela eu luto
Por ela eu luto
Morre nos olhos
A minha terra
Por ela eu volto
Aperto as flores
Nas minhas mãos
Presas às folhas
Soltas ao vento no chão
É minha terra
Feita no barro
Semeada com calor
É minha terra
Rosa de barro
Inventada com suor
Viver da espiga
Sabor a pão
Saber da terra
Saber do chão
Viver de chuva
Cestos de uva
Em vinho o corpo se cansa
Minha saudade
Minha certeza
Meu suor
Minha criança
Minha dor
Minha defesa
Minha lança
Minha noite
Meu dia
Minha terra, alegria.

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MANHÃ CLARA
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Thillo Krasmann)

Em ti vou nascendo
Por ti vou morrendo
Meu amor distante
Quase anoitecendo
Sempre acontecendo.

Por ti vou ficando
Em mim vou partindo
Meu amor bastante
Que vou descobrindo
Chegando e partindo.

REFRÃO:

Por ti vou inventar
A manhã clara
De outras raízes
De outras verdades
De outros países
De outras cidades
De homens felizes.
Vou renegar
As coisas fáceis
As coisas vãs
As coisas fúteis.
E nunca mais
E nunca mais
Essas manhãs
Serão inúteis
Essas cidades
Serão vazias
Essas verdades
Ficarão frias
Essas janelas
Serão fechadas.
E nunca mais
E nunca mais
As nossas bocas
Amordaçadas.

Por ti vou cantando
Em mim vou dizendo
Que nunca sei quando
Por ti vou sofrendo
E em mim vou crescendo.

REFRÃO.

25 de abril de 2010

CANÇÕES DE ABRIL

CRAVOS DA MADRUGADA
SINGLE, DISCÓFILO 1001/S


FOTO: Carlos Gil / CAPA: Nuno Nazareth Fernandes

FACE A
O POVO EM MARCHA
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: Braga Santos)

FACE B
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)




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CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)

Quando o povo ergueu a sua voz
Para deixar de ser escravo
O sol nasceu e brilhou para nós
E tinha a forma de um cravo.

Era ainda madrugada
E já um cravo dizia
Que na ponta da espingarda
Era tempo de ser dia.

REFRÃO (2x)
Eram cravos cravos cravos
Eram cravos mais de mil
Eram punhos levantados
Do povo no mês de Abril.

O cravo exigiu salário
Para se tornar português
Alex deu sangue operário
Catarina o camponês.

Aperta um cravo na mão
Carne viva cravo novo
Defende-o bem, capitão
Defende-o capitão-povo.

NOTA: Pode encontrar informação mais detalhada sobre este trabalho aqui e aqui.