6 de setembro de 2008

TONICHA: POEMA PENA

MANHÃ CLARA
EP, ZIP-ZIP, ZIP 10 034/E

Na "rentrée", continuamos com a recolha dos vinis de Tonicha e temos muitas novidades para mostrar ao longo deste mês.
Temos feito aquisições para a nossa colecção e também já começámos a receber valiosos contributos dos nossos leitores. Aqui fica o nosso agradecimento.



Hoje apresentamos um disco do ano de 1971, das edições ZipZip, que contém três canções muito importantes no repertório e na carreira de Tonicha.
São três "CANÇÕES" no verdadeiro sentido da palavra; canções de autor, canções de poetas e a interpretação de cada uma delas valeu à cantora um prémio.

FACE A

POEMA PENA
Nuno Nazareth Fernandes (Música)
Nuno Gomes dos Santos (Letra)
Augusto Algueró (Orquestração)

FACE B

ROSA DE BARRO
Fernando Guerra (Letra e Música)
Thilo Krasmann (Orquestração)

MANHÃ CLARA
Nuno Nazareth Fernandes (Música)
Ary dos Santos (Letra)
Thilo Krasmann (Orquestração)

A canção "POEMA PENA" foi aquela com que Tonicha se apresentou nas Olimpíadas da Canção de Atenas e onde obteve o 2ºprémio de interpretação. Trata-se de uma canção difícil do ponto de vista da interpretação, em crescendo, pedindo, exigindo sempre mais da voz. E a voz de Tonicha está sempre lá, pujante, dando-se, entregando-se ao crescendo que a música exige. Já a belíssima orquestração de Augusto Algueró valeu-lhe o 1º prémio ex-aequo.

"ROSA DE BARRO" foi apresentada por Tonicha no Festival de Split na Jugoslávia e valeu-lhe o 1º prémio de interpretação.

A canção "MANHÃ CLARA" foi cantada pela nossa Tonicha no VI Festival do Rio de Janeiro e mereceu-lhe o Prémio da Crítica.



"POEMA PENA"
PARABÉNS (RTP-1996)

Como já aqui afirmámos, uma das razões de ser deste blogue é a preservação e concentração de vários documentos sobre Tonicha que se encontram dispersos.
No Youtube conseguimos descobrir uma interpretação do tema "Poema pena" numa edição do programa "Parabéns" da RTP, apresentado por Herman José. Este programa era dedicado a Nuno Nazareth Fernandes. Tonicha foi um dos convidados por ter gravado ao longo da sua carreira muitos temas do compositor.
Falta-nos ainda encontrar o "Parabéns" de 1993 em que a cantora era a convidada principal.







POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Augusto Algueró)

Este mal de não saber o bem
Esta dor que me faz não chorar
Esta espada que o meu sonho tem
Este sol que me queima o olhar.

Este vôo que não sei voar
Este ser o que não sei se sou
Este barco que não sabe o mar
Esta espiga que secou.

Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.

Esta espera de não poder esperar
Esta cama onde não dormir
Este amor de não saber amar
Esta boca sem saber sorrir.

Esta noite sem amanhecer
Este grito sem querer gritar
Minha casa onde habito só
Este muro a derrubar.

(2x)
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
Canção meu grito e minha espera.
Tudo isto é o meu poema
Tudo isto é minha pena
Canção vencida de mim, só
Dos poemas fiz meu canto
Fiz das penas o meu manto
E embarquei só.

Só embarquei minha canção
Nesta estrada
Só.





Quer espreitar?
Veja o vídeo no YouTube:
(Escolha a opção "Assistir em alta qualidade")



Obrigado, RTP!

30 de agosto de 2008

TONICHA NO PARABÉNS

Lembra-se do "Parabéns"?
Estávamos no outro dia a pesquisar no YouTube, essa moderna maravilha que nos permite ver pérolas antigas da música, e encontrámos um clip do programa "Parabéns" apresentado por Herman José na RTP.
Este foi no ano de 1995 quando Tonicha lançou o cd "Canções de Aquém e Além Tejo".

E do costureiro José Carlos, também se lembra? A roupa que a cantora levava nesta apresentação foi uma criação dele, com motivos alusivos ao folclore nacional, a condizer com as canções que integravam este disco. Vejam que linda que estava...

















Despertou-lhe a curiosidade?...então dê uma espreitadela ao clip no YouTube...
http://br.youtube.com/watch?v=TH9Iet9COqI&feature=related
(Escolha a opção "Assistir em alta qualidade")



Obrigado, RTP!

TONICHA NA MAIS ALENTEJO











TONICHA NA ALENTEJO TERRA MÃE





26 de agosto de 2008

TONICHA EM SINES



Conforme prometido, seguem as fotos do concerto de Sines do projecto "Tonicha e venham mais 5 alentejanos".
Do repertório da noite, dedicado às raízes da música popular portuguesa, pudemos ouvir algumas pérolas que Tonicha gravou ao longo da sua longa carreira, das quais destacamos:

Senhora do Almortão
Maria Rita
Resineiro
Vira dos Malmequeres
Pestotira
Rosinha
O mar enrola na areia
Zumba na caneca

Um destaque especial para uma canção que não conhecíamos "Tourada" (não a do Tordo), muito bem cantada e com arranjos musicais de alta qualidade. Esta foi a canção que a Tonicha cantou alguns dias antes no programa "Há volta" da RTP transmitido de Beja.

O ENSAIO (à tarde)



O ESPECTÁCULO (22h)














FOTOS: Venâncio Gomes

19 de agosto de 2008

TONICHA E VENHAM MAIS 5 ALENTEJANOS

Numa tarde de muito sol, rumámos ao sul para revermos Tonicha ao vivo, depois de a termos visto pela última vez na Feira do Vinho e da Vinha em Borba há cerca de quatro anos.
Demos um mergulho em São Torpes onde um mar revolto convidava à prática de desportos radicais.
Vencido o trânsito até à entrada de Sines, seguimos para a Avenida Vasco de Gama, para as tasqinhas.
Quando chegámos tivemos a agradável surpresa de assistir ao ensaio de som. Tonicha estava sentada em palco. Aproveitámos para lhe pedir um autógrafo para o cd "Canções para os meus netos" (que já aqui divulgámos) e para lhe falar desta nossa iniciativa: o blogue "Tonicha, clube de fãs".
Fomos recebidos com um sorridente "olá" e muita simpatia. A cantora disponibilizou-se para nos conceder uma entrevista para o blogue, o que nos deixou muito orgulhosos.

Enquanto não revelamos as fotografias do belo espectáculo a que assistimos na baía de Sines (pois, na fotografia, nós ainda somos resistentes ao digital), deixamos aqui o cartaz das festas.
Aproveitamos para elogiar a banda que acompanha a cantora neste novo projecto, "Tonicha e venham mais cinco alentejanos":

João Cataluna - acordeão e voz
Luís Melgueira - percussão
Caturra - percussão e voz
Gabriel Costa - baixo
Armando Torrão - guitarra portuguesa, guitarra clássica e voz.



17 de agosto de 2008

SINES RECEBE TONICHA

Estávamos nós de férias no Funchal quando recebemos uma mensagem de uma sobrinha anunciando que a Tonicha estava na RTP1. Ligámos a televisão e ainda conseguimos ouvir os acordes finais da canção do projecto "Tonicha e venham mais cinco alentejanos".
No final da "Volta" (etapa da Volta a Portugal: Beja-Portimão), Tonicha explicou este projecto que tem agora em Beja e informou que estariam este Domingo em Sines na "Feira na Avenida", iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Sines... E nós vamos lá, visto que já regressámos das férias!

MODAS DO ALENTEJO

Aproveitamos para divulgar um dos mais antigos EP de Tonicha que nos custou quase uma fortuna. É ainda editado pela RCA e é de uma colecção de folclore de Portugal, este dedicado ao Alentejo.


FOTO DA CAPA: Dário

LADO 1
RAPSÓDIA DE CANTARES ALENTEJANOS
PRIMAVERA DAS LINDAS FLORES

LADO 2
MARIA RITA, CARA BONITA
COM QUE LETRA SE ESCREVE MARIA

São todas canções populares com direcção musical do maestro Joaquim Luís Gomes.
Destacamos de entre os músicos Pedro Caldeira Cabral e Fernando Alvim.
O single não tem data, mas pelo número de série podemos constatar que é anterior ao "Resineiro".



MARIA RITA (CARA BONITA)
(Popular)

Fui um dia a uma caçada
Ó Maria Rita, eras tão bonita,
Entrei na cevada aveia,
Entrei na cevada aveia.

Vi uma lebre deitada
Ó Maria Rita, eras tão bonita
Com o pé alevantei-a
Com o pé alevantei-a.

Além vem a Marianita
Com um chapéuzinho ao lado
Traz calças de tiro-liro
Casaca de pano, chapéu desabado.

Meti a espingarda à cara
Ó Maria Rita, eras tão bonita,
Dei o gatilho matei-a.

Já vinha ferida d'outro
Ó Maria Rita, eras tão bonita,
Não era minha deixei-a.

Atirei um tiro à pomba
A pomba no ar voou
Enliou-se naquela roseira
E a maldita pomba sempre lá ficou.

21 de julho de 2008

CORREIO ALENTEJO ENTREVISTA TONICHA

Ainda antes de irmos para férias de Verão, resolvemos pesquisar na internet à procura de novidades sobre a nossa diva. Encontrámos notícias frescas: o semanário regional "CORREIO ALENTEJO" na sua edição de 18/07/2008 apresentava Tonicha na primeira página.

A notícia reportava ao regresso da cantora à sua terra natal para onde foi viver.


http://www.correioalentejo.com/index.php?go=entrevista&id=40&highlight=Tonicha

Também no "DIÁRIO DO ALENTEJO" de 18/07/2008, encontrámos o seguinte texto assinado por João Covas Lima:

"Tonicha - Beja deve sentir-se orgulhosa por esta sua filha e pela sua carreira artística feita com muito senso e valor."

"Nasceu em Beja e foi na Capricho que começou a cantar e a encantar. Era uma menina pobre, lembro-me dela em casa da minha tia Maria Isabel, na Rua das Ferrarias.
Depois foi viver no Barreiro para casa do seu tio-avô, engrossando a coluna alentejana aí sedeada.
Tinha então 16 anos e aos 18 anos, depois da prestação de provas, entrou nos quadros da Emissora Nacional.
Teve lições de grandes nomes da música portuguesa, Tavares Belo, Fernando Carvalho e Corina Freire.
Em 1965 iniciou a sua vida profissional e logo em 1966 ganhou o primeiro prémio do Festival da Figueira da Foz com a canção "Boca de Amora".
A partir daí coleccionou prémios atrás de prémios, Grandes Prémios TV da Canção e, em 1971 na Irlanda, no Festival da Eurovisão, o de levou o poema "Menina", de José Carlos Ary dos Santos, ficou em nono lugar, um dos melhores de sempre entre os cantores portugueses.
Cantou Ary dos Santos, gravou com José Cid, fez disco colectivo com a participação de Carlos Mendes e, no seu tema "Cancioneiro" foi orquestrada por Jorge Palma.
Com Ary dos Santos gravou quarenta e cinco poemas e este escreveu sobre Tonicha que esta cantava, acima de tudo, o povo ou a mágoa, a alegria ou a dor, com real e profunda comunicação humana, e que Tonicha era, então, depois de Amália, a única intérprete portuguesa com verdadeira dimensão internacional.
Baptista Bastos disse que Tonicha sabe que cantar é amar os outros e dizer-lhes que, apesar de tudo, ainda vale a pena acreditar.
No Cinema estreou-se com António silva e fez Teatro musicado com Ivone Silva.
Agora, a nossa Tonicha regressou à terra que a viu nascer. Acompanhada do seu marido, veio residir para Beja.
Foi uma verdadeira embaixadora de Beja e do Baixo Alentejo e temos o prazer e a alegria de sentir junto de nós a sua figura, simples e despretensiosa, e o seu talento que inundou o mundo da canção.
A Tonicha tudo conquistou, com muita luta e sofrimento. Mas valeu a pena. Beja deve sentir-se orgulhosa por esta sua filha e pela sua carreira  artística feita com muito senso e valor.
"

TONICHA NA REVISTA

UMA NO CRAVO OUTRA NA DITADURA



No ano de 1974, Tonicha participa pela primeira e última vez numa revista do Parque Mayer. A revista "Uma no cravo outra na ditadura", que esteve em cena no Teatro ABC, foi criada por César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos.
De acordo com a base de dados do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, do elenco inicial faziam parte:

Anabela
Aida Baptista
Ivone Silva
José de Castro
TONICHA
Fernando Tordo
José Carlos Ary dos Santos
Lurdes Pinto
João Lagarto
Paula Delgado
Efigénio Pinheiro
Ana Maria
José Damas
José Carlos
Isa Mendes

Em Janeiro de 1975, Tonicha é substituída por Beatriz da Conceição, para quem Ary fez o famoso fado "O meu corpo".

Sabemos que Tonicha gravou as canções que cantou na revista. Há meia dúzia de anos foi editado um cd pela Strauss chamado "Três vozes d'oiro" (Tonicha, Lenita Gentil e Rui de Mascarenhas)que incluía uma dessas canções: "Cacau da Ribeira".

O single que conseguimos encontrar nas nossas buscas é composto por dois temas escritos por J.C.Ary dos Santos; um com música de Fernando Tordo e outro de Pedro Osório. Foi produzido e editado por Sassetti para a marca Zip Zip.

14 de julho de 2008

TONICHA: CANÇÕES DE ABRIL

CANTAREMOS / LUTAREMOS
EP, ORFEU, ATEP 6696

Na editora Orfeu, em 1975, Tonicha grava mais um EP, ainda nos ecos da Revolução.
Pelo número de edição do disco, percebemos que este "Cantaremos/Lutaremos" é posterior ao "Serrana Povo" já aqui apresentado.
Ao contrário do outro disco, nenhum destes temas é da autoria de Ary dos Santos, mas encontramos uma curiosa "Bandeira da Vitória", com letra do crítico de televisão Mário Castrim, uma versão do incontornável hino da Ermelinda Duarte, "Somos Livres", e um poema do grande poeta António Feliciano de Castilho.

PRODUÇÃO E SELECÇÃO: João Viegas
ARRANJOS E DIRECÇÃO MUSICAL: Jorge Palma



FACE A
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

FACE B
SOMOS LIVRES
(Ermelinda Duarte)
HINO DO TRABALHO
(S. Galarza-António F. Castilho)


CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)

Agora companheiros cantaremos
por aqueles que morreram na prisão.
Cantaremos a canção que vale a pena,
com a força de uma raiva em cada mão.
Cantaremos com a voz da liberdade
e faremos dessa voz nossa razão.

Cantaremos este sol imaginado,
cantaremos esta sede de amanhã,
que tiveram os amigos que lutaram
p'ra nos dar a liberdade por irmã.

Cantaremos os caminhos que nos deram
cantaremos o sinal que ainda se vê
e deixaram os amigos que levaram
e morreram a saber por quê.

Lutaremos
(lutaremos)
Venceremos
(venceremos)
Cantaremos
(cantaremos).

TONICHA: O PRETO NO BRANCO

TANTO ME FAZ
SINGLE, ZIP-ZIP, 30 056/S



OUTRAS CANÇÕES POLITIZADAS

Mais duas canções alusivas à Revolução de Abril, ainda por conta da editora Zip Zip, produzidas e editadas por Sassetti, SARL.
Pelo número de série do single, deduz-se que é posterior ao "Obrigado Soldadinho", mas certamente do mesmo ano de 1974.
Gravado nuns estúdios em Madrid, o disco conta com os seguintes temas:

FACE A
O PRETO NO BRANCO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Pedro Osório)




FACE B
TANTO ME FAZ
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)




Curiosamente, o single é desdobrável e no seu interior há uma linda fotografia da Tonicha, ainda muito jovem, em estúdio:



Os arranjos e a Direcção Musical estiveram a cargo do maestro Pedro Osório.
O single "Outras canções politizadas" foi gravado em Madrid, nos estúdios Eurosonic.

TONICHA E AS CANÇÕES DA REVOLUÇÃO


FOTO DA CAPA: Carlos Gil

Ainda na editora Zip Zip, no calor da Revolução de 74, Tonicha grava algumas canções representativas da época revolucionária que se vivia.
O primeiro disco é composto por dois temas populares, com arranjo de Pedro Osório e com letras "inflamadas" de José Carlos Ary dos Santos.

Na face A, surge "Obrigado Soldadinho", uma adaptação do "Vira dos Malmequeres" que fora um êxito na discografia de Tonicha uns anos antes.
Na Face B, encontramos "Já chegou a Liberdade", uma adaptação de "Maria Rita (Cara bonita), outro êxito de Tonicha dos anos 60.

Estes temas viriam a incluir várias colectâneas que se fizeram sobre as canções de Abril.

OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: popular/Arranjos: Pedro Osório)

Obrigado soldadinho
Marinheiro português
Ficou aberto o caminho
E não há duas sem três.

Já virou o malmequer
No quartel de Santarém
Não há homem nem mulher
Que não virasse também.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Vira a tristeza alegria
O ódio vira ternura
Virámos o dia-a-dia
Com o fim da ditadura.

O vira dos malmequeres
Está dentro de todos nós
Homens, crianças, mulheres
Todos erguemos a voz.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Nas voltas do nosso vira
Vira virou a tristeza
Nunca mais ninguém nos tira
dos caminhos da tristeza.

O povo canta primeiro
e não há duas sem três
obrigada marinheiro
soldadinho português.



JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Popular/Ary dos Santos)

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Chegou um dia ao Rossio
Estava tanto frio, tanta gente triste
Entrou de espingarda em riste
Entrou de espingarda em riste.

Chegou um dia à cidade
E só atirou um amor perfeito
Era o que trazia ao peito
Era o que trazia ao peito.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Depois foi até ao Carmo
Foi até ao cerne da nossa tristeza
E cantou "A Portuguesa"
E cantou "A Portuguesa".

E eu também cantei
só então me dei
conta da beleza
Da voz que ficou acesa
Da voz que ficou acesa.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.
(4x)