8 de março de 2010

8 DE MARÇO

PARABÉNS!

Para comemorarmos o aniversário de Tonicha, oferecemos aos nossos leitores uma das melhores interpretações da cantora, numa das faixas do álbum "CANTIGAS POPULARES", um trabalho magistralmente orquestrado por Jorge Palma. Da editora Orfeu, corria o ano de 1976. Um excelente tema que, infelizmente, nunca conheceu edição em CD:

O MEU BEM
(Folclore açoriano)
Arranjos: Jorge Palma



Ó meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais.

Meu amor na nossa ausência
Nunca deixes de escrever
Duas regras ao teu bem
Que por ti fica a sofrer.

O meu bem quando se foi
Sete lenços alaguei
Mais a manga da camisa
E dizem que não chorei.

Meu amor na nossa ausência
Nunca deixes de escrever
Duas regras ao teu bem
Que por ti fica a sofrer.


Cortesia: sychmusic

15 de fevereiro de 2010

GLÓRIA, GLÓRIA, ALELUIA

FESTIVAL DA OTI SINGLE PROMOCIONAL
AT. PROM. 3
EDIÇÃO ARNALDO TRINDADE & C.a Lda.



Em 1972, Tonicha representou Portugal no 1º Festival da OTI, em Madrid. Cantou uma canção com letra e música de josé Cid: "Glória, Glória, Aleluia". O tema tem grandes influências de godspell e a voz magnífica de Tonicha serviu adequadamente as intenções do autor.
Este disco é um single promocional da editora ORFEU.



Tonicha chegou à vida numa província portuguesa de interior - o Alentejo.
Cresceu entre aquela gente aberta, de ideias tão destapadas como a paisagem, gritante de sol e de distâncias.
Ali aprendeu a beleza das pessoas e as lutas da sobrevivência.
Ali decorou a melodia magoada dos cantares tristes de terra queimada.
Ali compreendeu o significado das melhores palavras e das outras.
Um dia escolheu cantar como maneira de viver. Uma voz menina, um sorriso medroso, um encanto natural de pureza desafectada, abriram-lhe o caminho.
É hoje considerada uma das vozes mais populares de Portugal.
Tonicha já esteve presente nos mais importantes Festivais da Europa, Ásia e América do Sul (de Tóquio ao Rio de Janeiro) nos quais foi sempre reconhecida como excelente intérprete das composições que os mais variados autores lhe têm confiado. E ainda uma presença no Festival da Eurovisão (1971) no qual alcançou o melhor lugar de todos os que a música portuguesa tinha conseguido naquele certame.

21 de dezembro de 2009

A RAPARIGA E O POETA

JOSÉ NIZA E JOSÉ CALVÁRIO
(Letra: José Niza / Música: José Calvário)




Cortesia, Festivais RTP da Canção

2 de dezembro de 2009

TONICHA: CANÇÕES E FOLCLORE

CÍRCULO DE LEITORES
LP, ORLADOR (Círculo de Leitores), 2041


FOTO: Álvaro João

O Círculo de Leitores, cumprindo uma longa tradição, lançou edições especiais de álbuns de grandes nomes da música portuguesa para os seus sócios. Com Tonicha não foi excepção.
No ano de 1973, sob licença da editora Orfeu, o Círculo de Leitores disponibilizou apenas para sócios uma edição especial intitulada "CANÇÕES E FOLCLORE".

Na face 1, composta por canções de autores, estão reunidos temas de 1971 ("Menina" e "Mulher e força"), 1972 ("Glória, Glória, Aleluia", "Com um cravo na boca" e "Poema Pena") e 1973 ("A rapariga e o poeta").
A face 2 reúne seis temas que foram editados em 1973 no LP "FOLCLORE" da etiqueta Orfeu.
As fotografias utilizadas nesta edição do Círculo de Leitores são da mesma série do referido álbum Orfeu.

FACE 1
GLÓRIA, GLÓRIA, ALELUIA
(Letra e Música: José Cid)
A RAPARIGA E O POETA
(Letra: José Niza / Música: José Calvário)
MULHER E FORÇA
(Letra: Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
COM UM CRAVO NA BOCA
(Letra: Ary dos Santos / Música: Jorge Palma)
POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
MENINA
(Letra: Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)

FACE 2
DANÇA DAÍ (Douro Litoral)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
OS BRAVOS (Açores)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
MALHÃO DE ÁGUEDA (Beira Litoral)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
CHULA DE VIANA (Minho)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
FARRAPEIRINHA (Beira Litoral)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
VAREIRA DO MAR (Minho)
(Popular / Arranjos: António Chainho)



FOTO: Álvaro João

10 de novembro de 2009

TONICHA: PRÉMIO PRESTÍGIO



GALA NOITE DAS ESTRELAS
23 NOVEMBRO
TEATRO TIVOLI

No dia 23 de Novembro, Tonicha receberá o Prémio Prestigío na Gala Noite das Estrelas, comemorativa dos 45 anos do Festival da Canção. Relembramos que foi nessa sala mágica, o Teatro Tivoli, que Tonicha venceu o Festival RTP da Canção 1971. A partir daí é o que todos sabemos: fica para sempre a nossa "Menina".

Saiba tudo em:
http://noitedasestrelas.pt.vu/

20 de outubro de 2009

FESTIVAL DA EUROVISÃO 1971

IMAGENS INÉDITAS CHEGADA A DUBLIN

1 minuto e 27

Graças à RTP vimo-la no Tivoli a interpretar a "Menina" em 1971 e sagrar-se vencedora do Festival da Canção.
Nesse mesmo ano tornámos a vê-la, de forma brilhante, a defender Portugal no Festival da Eurovisão da Canção na cidade de Dublin, graças à transmissão da televisão irlandesa. As imagens e as fotografias deste acontecimento ficaram para sempre registadas, correram mundo e povoam ainda o nosso imaginário.
Agora, graças à internet, a memória perpetua-se e continua a ser escrita.

Neste interessante documentário, disponibilizado recentemente no YouTube por um cidadão irlandês, temos acesso pela primeira vez a imagens inéditas da passagem da cantora portuguesa pelo Festival da Eurovisão.
Neste excerto, podemos ver a nossa Tonicha muito sorridente na chegada a Dublin, a descer do avião, com a célebre boina que fez moda por cá. Como banda sonora do excerto, a produção escolheu precisamente o tema "Menina", que continuamos a ouvir nas imagens dos ensaios e enquanto Tonicha espera nos bastidores antes da entrada em palco nessa noite mágica.




Courtesy of Peter, Dunshaughlin, Ireland

7 de outubro de 2009

TONICHA

FOLCLORE
SINGLE, ZIP ZIP, 30071/S

Continuamos a apresentação da discografia de Tonicha.
Relembramos os nossos seguidores que os discos têm sido apresentados numa ordem cronológica, do mais recente para o mais antigo.
Hoje dedicamo-nos ao último single que Tonicha gravou para a editora Zip Zip: "Folclore".



LADO 1
MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pop. - arr. Pedro Osório)

LADO 2
RISCADINHO P'RA AVENTAIS
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pop. - arr. Pedro Osório)

Estes dois temas foram incluídos, posteriormente, na colectânea "AS DUAS FACES DE TONICHA" para a mesma etiqueta.
Em formato CD apenas podemos ouvir o segundo tema, na colectânea editada pela Movieplay, em 2004, "ANTOLOGIA 1971-1977".



MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pop. - arr. Pedro Osório)

Antoninho de Lisboa
Usa sapatos de salto
Desde a Sé à Madragoa
Nunca vi rapaz tão alto.

Ao passar, ao passar
Os rapazinhos
Tremeliques, canivetes
Não te deixes arrastar
Nos maus caminhos
Tem cautela, não te espetes.

Meu amor foi à cidade
Encontrou o Antoninho
Era um cravo de verdade
Mas agora é um cravinho.

Meu amor virou-me as costas
Quis-me dar a entender
As festinhas que ele gosta
Não lhas sei como fazer.

O orgulho não perdoa
Eu quero ficar solteira
Meu amor foi a Lisboa
E voltou doutra maneira.

10 de setembro de 2009

TONICHA: MARCHA DA MOURARIA

Estávamos no ano 2000. Amália Rodrigues tinha falecido no ano anterior. Num pequeno espectáculo, encenado por Filipe La Féria, para o Festival RTP da Canção o encenador decidiu homenagear a fadista.
No excerto desse programa, tinhamos a oportunidade de ouvir a nossa Tonicha interpretar um dos temas popularizados por Amália e que Tonicha também gravou em 1976: "Marcha da Mouraria".
A cantora aparecia com um lindo figurino vermelho e preto muito ao espírito das marchas populares.



MARCHA DA MOURARIA
(Raúl Ferrão / Frederico de Brito)

Mouraria garrida
Muito sacudida
Muito requebrada
Com seu tom de galdério
De moira encantada
É como um livro de novela
Onde o amor é tudo
E o ciúme impera
Ao abrir duma janela
Aparece o vulto daquela severa.

A marcha da Mouraria
Tem o seu quê de bairrista
Certos laivos de alegria
É a mais boémia
É a mais fadista.

Anda toda engraçada
De saia engomada
Blusinha de chita
É franzina pequena
Gaiata morena
Cigana bonita
Tem a guitarra p'ra gemer
Um amor submisso
Que nunca atraiçoa
Este bairro deve ser
'Inda o mais castiço
Da nossa Lisboa.

20 de agosto de 2009

ARRAIAL DE SANTO ANTÓNIO

E O RESTO SÃO CANTIGAS RTP

Tínhamos acabado de entrar nos anos 80. Esta viria a ser uma década de intenso trabalho para Tonicha.
Em 1981, a RTP exibia então um programa de grande êxito apresentado por Fialho Gouveia, Raul Solnado e Carlos Cruz, e com a colaboração de António Fortuna. "E o resto são cantigas" assim se chamava o programa, que ainda hoje é referência para muitos, por onde passaram alguns dos maiores nomes da música portuguesa.
Num dos programas, o segundo de uma série dedicada a temas populares da música portuguesa, Tonicha interpretava o tema "Arraial de Santo António". Trata-se de uma composição do maestro Frederico de Freitas com letra de Júlio Dantas.
Com uma voz magnífica, vestida a rigor e com uns lindos cabelos louros muito compridos...Tonicha!

ARRAIAL DE SANTO ANTÓNIO
(Música: Frederico de Freitas / Letra: Julio Dantas)



Cheira a rua a alecrim
E a berlinda passa a trote
Vai a noiva de palmito
Vai o noivo de capote.



REFRÃO (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.



Já lá tem lençóis de renda
E alfazemas para arder
Para divertir um homem
Não há como uma mulher.



REFRÃO (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.



Ai o capote encarnado
Ai o lenço de cambraia
Ai a luz que se apagou
Quando ia a subir a saia.



REFRÃO (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.



REFRÃO (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.

10 de agosto de 2009

ANOS 70

TONICHA E RAUL SOLNADO

Foi actor.
Foi comediante e apresentador.
Foi Raul Solnado.
Aqui fica uma fotografia tirada com Raul Solnado durante a permanência de Tonicha na etiqueta ZIP ZIP, nos inícios dos anos setenta.

31 de julho de 2009

AS DUAS FACES DE TONICHA

A COBERTURA DA IMPRENSA

A imprensa portuguesa dos anos 70, sempre muito atenta à vida artística dos seus cantores, deu conta do lançamento do álbum "AS DUAS FACES DE TONICHA".
O extinto Diário de Lisboa relatava a saída para o mercado do último trabalho de Tonicha, numa notícia publicada a 12 de Dezembro de 1974.
Pela data da publicação desta notícia poder-se-á depreender que, já nos anos 70, havia a preocupação das editoras em prepararem os álbuns para lançamento na altura do Natal, de modo a fomentar as vendas.


in Diário de Lisboa, 12 de Dezembro de 1974

26 de julho de 2009

AS DUAS FACES

DE TONICHA
LP, ZIP ZIP (SASSETTI), 2012/L


Esta é a 1ª edição do LP "AS DUAS FACES DE TONICHA".

Tonicha gravava para a etiqueta ZIP ZIP desde 1971, ano da "Menina". Depois, Carlos Cruz, Fialho Gouveia e Raúl Solnado venderam a editora à Sassetti. O marido de Tonicha, João Maria Viegas, passou também a trabalhar para esta nova editora. A Sassetti guardou a marca ZIP para a música ligeira portuguesa.



FACE A
A VOZ DO MEU POVO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
CANTO DA PRIMAVERA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
EM LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
OS NOVOS POBRES
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
O CACAU DA RIBEIRA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)



FACE B
MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
VIRA DA MADRUGADA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
RISCADINHO PR'A AVENTAIS
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
TROVAS DO CARMO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)

11 de julho de 2009

AS DUAS FACES

DA TONICHA
LP, ORFEU, SB1155



FACE A
A VOZ DO MEU POVO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
CANTO DA PRIMAVERA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
EM LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
OS NOVOS POBRES
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
O CACAU DA RIBEIRA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

FACE B
MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
VIRA DA MADRUGADA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
RISCADINHO PR'A AVENTAIS
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
TROVAS DO CARMO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO MUSICAL Pedro Osório
FACE A (2, 4) José Calvário
ESTÚDIOS Eurosonic Madrid (Orquestra, Coros e Misturas)
Polyson Lisboa (Voz e coros)
ENGENHEIROS DE SOM Alberto Navarette, Bryan H. Stóite, Jean François Baudet



Esta é a 2ª edição do LP "AS DUAS FACES DE TONICHA", editado inicialmente pela Sassetti, em 1974. Note-se que a etiqueta de Arnaldo Trindade alterou o título: em vez de "AS DUAS FACES DE TONICHA", chamou-lhe na edição de 1975 "AS DUAS FACES DA TONICHA". Tudo uma questão de preposição...

21 de junho de 2009

2009

LEMBRAR JOSÉ CALVÁRIO
(1951-2009)

Esta semana o país perdeu um dos mais importantes maestros portugueses: José Calvário.
Maestro, orquestrador, desapareceu cedo demais.
Deixou as lembranças daqueles que o conheceram e o seu trabalho de muitos anos em prol da música portuguesa.


FOTO: in jornal Público, 21 Junho 2009

Para sempre ligado à música portuguesa, o seu nome é também indissociável do Festival RTP da Canção para o qual compôs, por exemplo, E depois do Adeus com José Niza.
Para a história musical do país fica o álbum Fala do Homem Nascido, um clássico e uma referência, sobre poemas de António Gedeão, com música de José Niza e encenação musical do maestro José Calvário.


Maestro José Calvário com Samuel in Fala do Homem Nascido, CD, Movieplay, 1972

Prestamos-lhe aqui uma singela homenagem, relembrando algumas das músicas que escreveu para Tonicha e as várias orquestrações que fez para canções da cantora.

1972
Lisboa perto e longe
(Orquestração)

1972
Parole, parole
Simplesmente Maria
(Orquestração e Direcção Musical)

1972
Fala do Homem Nascido
(Encenação Musical)

1973
A rapariga e o poeta
Contraluz
(Autor da música e Orquestração)

1973
Com um cravo na boca
Rosa rosae
(Orquestração)

1974
Canto da Primavera
Os novos pobres
(Arranjos e Direcção Musical)

1978
Um dia uma flor
(Arranjos)


Revista "Mundo da Canção", nº30, 1973

A RAPARIGA E O POETA
(Letra: José Niza/Música: José Calvário)

Poeta amigo
Parto contigo
Nosso degredo
Fica em segredo.
Adeus ao mundo!...
Venham cantores
Descobrir a ilha dos amores!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas
Calaste dores
Mas nunca temeste adamastores!
História ao contar,
Mundo a correr;
Mulheres a amar,
A esquecer, a encontrar,
A perder, a inventar!
Fúrias de mar,
Gestos de amor;
Beber, lutar,
Com quem for;
Naufragar, renascer
E a cantar!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas,
Calaste dores,
Mas nunca temeste adamastores!

2 de junho de 2009

2009

CONCERTO EM VILA VIÇOSA
24 DE ABRIL



FOTO: Vitor Mila

A noite ventosa e gelada da véspera do 25 de Abril de 2009 não impediu a população alentejana de sair à rua e encher a Praça da República para cantar com Tonicha os inúmeros êxitos da cantora.


FOTO: Vitor Mila

A voz de Tonicha estava esplêndida, os músicos tocaram afinados e surpreenderam-nos com uma versão jazzística do "Zé que fumas" que foi um encanto.


FOTO: Vitor Mila

Juntámo-nos ao coro vila-viçosence e entoámos "Senhora do Almortão", "Cantares alentejanos", "Vira dos malmequeres", "Vira da rapioca", duas vezes o "Zumba na caneca" (para atender às exigências do público) e, como sempre, vibrámos com "Tourada":

Foste foste que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir ao camarote
Viram-te a saia bordada.

Viram-te a saia bordada
Ai que bordado tão lindo
Foste foste que eu bem sei que foste
À tourada no domingo...


FOTO: Vitor Mila

FOTOGRAFIAS
Vítor Mila
Câmara Municipal de Vila Viçosa


21 de maio de 2009

TONICHA

CONJUNTO E COROS
LP, ORFEU, SB1122



Passamos agora à reedição da obra "CANÇÕES DE ABRIL" pela editora de Arnaldo Trindade, Orfeu.
Esta edição perdeu o título "CANÇÕES DE ABRIL" e ficou-se pelo "CONJUNTO E COROS". A data dos três EPs e do LP permanece 1975, mas cremos que tenham sido reeditados apenas em 1976, quando Tonicha grava para esta editora o magnífico álbum "CANTIGAS POPULARES".
Deve também ter sido nesse ano que João Viegas e Tonicha terão vendido o material da sua editora Discófilo à Orfeu. Numa obra alusiva à escrita de Jorge Palma, faz-se referência a esse LP "TONICHA - CONJUNTO E COROS" como sendo de 1976.
Acrescente-se que a foto da capa deste LP é a mesma que a usada na edição Discófilo. Trata-se de uma foto tirada em Dublin no ano de 1971, em que se vê Tonicha com uma moderna boina sobre os seus longos cabelos loiros.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto/Música: Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Letra e Música: Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)
HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)



Devemos referir que a Discófilo tinha editado três singles e que a Ordeu dividiu as 12 canções deste LP por três EPs.
Curiosamente as capas dos EP partilham da mesma fotografia usada no álbum "CANTIGAS POPULARES", talvez o melhor álbum de sempre da nossa cantora.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
VOZES: João Henrique, Waldemar Ramalho, Henrique Talbot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo

TERRAS DE GARCIA LORCA
EP, ORFEU, ATEP 6695



O tema "Cravos da madrugada", que surge na lado B deste EP, foi uma criação para a revista "Ó pá pega na vassoura" de 1974, com José Viana, Dora Leal e Leónia Mendes, entre outros, que esteve em cena no Teatro Variedades no Parque Mayer. Pela altura do lançamento das "CANÇÕES DE ABRIL", o tema foi repescado para ser gravado por Tonicha e incluído no alinhamento do álbum.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)

FACE B
O POVO EM MARCHA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)



CANTAREMOS/LUTAREMOS
EP, ORFEU, ATEP 6696



O segundo EP, para além do tema "Cantaremos/Lutaremos" que já aqui demos conta, inclui um poema de António Feliciano de Castilho, poeta do séc. XIX (1800-1875), um belíssimo texto de louvor ao trabalho: "Hino do Trabalho".

FACE A
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto/Música: Braga Santos)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)

FACE B
SOMOS LIVRES
(Letra e Música: Ermelinda Duarte)
HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)



HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

No regaço de luxo a opulência
Os cansaços do ócio maldiz
Entre as lidas sorri a indigência
Com pão negro se julga feliz.

Deus incombe ao pecado fadiga
Até na pena sorri o paternal
O que vence a preguiça inimiga
Reconquista o Éden terreal.

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

Cai opróbrio no vil ocioso
Que deserda o presente e o provir
Só à noite compete o repouso
Só aos mortos o eterno dormir.

Mar e terra ar e céu tudo lida
Deus a todos pôs nus e deu mãos
Lei suprema o trabalho é na vida
Trabalhar trabalhar meus irmãos.

SONETO DO TRABALHO
EP, ORFEU, ATEP 6697



FACE A
SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)

FACE B
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)



SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

Das prensas dos martelos das bigornas
Das foices dos arados das charruas
Das alfaias dos cascos e das dornas
É que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
Não se abre a liberdade com gazuas
À força do teu braço é que transformas
As fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
A reacção não passará diante
Do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
Pois quando o povo acorda é sempre cedo.