20 de agosto de 2009

ARRAIAL DE SANTO ANTÓNIO

E O RESTO SÃO CANTIGAS RTP

Tínhamos acabado de entrar nos anos 80. Esta viria a ser uma década de intenso trabalho para Tonicha.
Em 1981, a RTP exibia então um programa de grande êxito apresentado por Fialho Gouveia, Raul Solnado e Carlos Cruz, e com a colaboração de António Fortuna. "E o resto são cantigas" assim se chamava o programa, que ainda hoje é referência para muitos, por onde passaram alguns dos maiores nomes da música portuguesa.
Num dos programas, o segundo de uma série dedicada a temas populares da música portuguesa, Tonicha interpretava o tema "Arraial de Santo António". Trata-se de uma composição do maestro Frederico de Freitas com letra de Júlio Dantas.
Com uma voz magnífica, vestida a rigor e com uns lindos cabelos louros muito compridos...Tonicha!

ARRAIAL DE SANTO ANTÓNIO
(Música: Frederico de Freitas / Letra: Julio Dantas)



Cheira a rua a alecrim
E a berlinda passa a trote
Vai a noiva de palmito
Vai o noivo de capote.



REFRÃO (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.



Já lá tem lençóis de renda
E alfazemas para arder
Para divertir um homem
Não há como uma mulher.



REFRÃO (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.



Ai o capote encarnado
Ai o lenço de cambraia
Ai a luz que se apagou
Quando ia a subir a saia.



REFRÃO (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.



REFRÃO (2x)
Nem uma te escapa
Meu Santo Antoninho
Põe a tua capa
Mete-te ao caminho.

10 de agosto de 2009

ANOS 70

TONICHA E RAUL SOLNADO

Foi actor.
Foi comediante e apresentador.
Foi Raul Solnado.
Aqui fica uma fotografia tirada com Raul Solnado durante a permanência de Tonicha na etiqueta ZIP ZIP, nos inícios dos anos setenta.

31 de julho de 2009

AS DUAS FACES DE TONICHA

A COBERTURA DA IMPRENSA

A imprensa portuguesa dos anos 70, sempre muito atenta à vida artística dos seus cantores, deu conta do lançamento do álbum "AS DUAS FACES DE TONICHA".
O extinto Diário de Lisboa relatava a saída para o mercado do último trabalho de Tonicha, numa notícia publicada a 12 de Dezembro de 1974.
Pela data da publicação desta notícia poder-se-á depreender que, já nos anos 70, havia a preocupação das editoras em prepararem os álbuns para lançamento na altura do Natal, de modo a fomentar as vendas.


in Diário de Lisboa, 12 de Dezembro de 1974

26 de julho de 2009

AS DUAS FACES

DE TONICHA
LP, ZIP ZIP (SASSETTI), 2012/L


Esta é a 1ª edição do LP "AS DUAS FACES DE TONICHA".

Tonicha gravava para a etiqueta ZIP ZIP desde 1971, ano da "Menina". Depois, Carlos Cruz, Fialho Gouveia e Raúl Solnado venderam a editora à Sassetti. O marido de Tonicha, João Maria Viegas, passou também a trabalhar para esta nova editora. A Sassetti guardou a marca ZIP para a música ligeira portuguesa.



FACE A
A VOZ DO MEU POVO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
CANTO DA PRIMAVERA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
EM LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
OS NOVOS POBRES
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
O CACAU DA RIBEIRA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)



FACE B
MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
VIRA DA MADRUGADA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
RISCADINHO PR'A AVENTAIS
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
TROVAS DO CARMO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)

11 de julho de 2009

AS DUAS FACES

DA TONICHA
LP, ORFEU, SB1155



FACE A
A VOZ DO MEU POVO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
CANTO DA PRIMAVERA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
EM LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
OS NOVOS POBRES
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
O CACAU DA RIBEIRA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

FACE B
MEU AMOR FOI A LISBOA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
VIRA DA MADRUGADA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
RISCADINHO PR'A AVENTAIS
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)
TROVAS DO CARMO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular, Arranjo: Pedro Osório)

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO MUSICAL Pedro Osório
FACE A (2, 4) José Calvário
ESTÚDIOS Eurosonic Madrid (Orquestra, Coros e Misturas)
Polyson Lisboa (Voz e coros)
ENGENHEIROS DE SOM Alberto Navarette, Bryan H. Stóite, Jean François Baudet



Esta é a 2ª edição do LP "AS DUAS FACES DE TONICHA", editado inicialmente pela Sassetti, em 1974. Note-se que a etiqueta de Arnaldo Trindade alterou o título: em vez de "AS DUAS FACES DE TONICHA", chamou-lhe na edição de 1975 "AS DUAS FACES DA TONICHA". Tudo uma questão de preposição...

21 de junho de 2009

2009

LEMBRAR JOSÉ CALVÁRIO
(1951-2009)

Esta semana o país perdeu um dos mais importantes maestros portugueses: José Calvário.
Maestro, orquestrador, desapareceu cedo demais.
Deixou as lembranças daqueles que o conheceram e o seu trabalho de muitos anos em prol da música portuguesa.


FOTO: in jornal Público, 21 Junho 2009

Para sempre ligado à música portuguesa, o seu nome é também indissociável do Festival RTP da Canção para o qual compôs, por exemplo, E depois do Adeus com José Niza.
Para a história musical do país fica o álbum Fala do Homem Nascido, um clássico e uma referência, sobre poemas de António Gedeão, com música de José Niza e encenação musical do maestro José Calvário.


Maestro José Calvário com Samuel in Fala do Homem Nascido, CD, Movieplay, 1972

Prestamos-lhe aqui uma singela homenagem, relembrando algumas das músicas que escreveu para Tonicha e as várias orquestrações que fez para canções da cantora.

1972
Lisboa perto e longe
(Orquestração)

1972
Parole, parole
Simplesmente Maria
(Orquestração e Direcção Musical)

1972
Fala do Homem Nascido
(Encenação Musical)

1973
A rapariga e o poeta
Contraluz
(Autor da música e Orquestração)

1973
Com um cravo na boca
Rosa rosae
(Orquestração)

1974
Canto da Primavera
Os novos pobres
(Arranjos e Direcção Musical)

1978
Um dia uma flor
(Arranjos)


Revista "Mundo da Canção", nº30, 1973

A RAPARIGA E O POETA
(Letra: José Niza/Música: José Calvário)

Poeta amigo
Parto contigo
Nosso degredo
Fica em segredo.
Adeus ao mundo!...
Venham cantores
Descobrir a ilha dos amores!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas
Calaste dores
Mas nunca temeste adamastores!
História ao contar,
Mundo a correr;
Mulheres a amar,
A esquecer, a encontrar,
A perder, a inventar!
Fúrias de mar,
Gestos de amor;
Beber, lutar,
Com quem for;
Naufragar, renascer
E a cantar!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas,
Calaste dores,
Mas nunca temeste adamastores!

2 de junho de 2009

2009

CONCERTO EM VILA VIÇOSA
24 DE ABRIL



FOTO: Vitor Mila

A noite ventosa e gelada da véspera do 25 de Abril de 2009 não impediu a população alentejana de sair à rua e encher a Praça da República para cantar com Tonicha os inúmeros êxitos da cantora.


FOTO: Vitor Mila

A voz de Tonicha estava esplêndida, os músicos tocaram afinados e surpreenderam-nos com uma versão jazzística do "Zé que fumas" que foi um encanto.


FOTO: Vitor Mila

Juntámo-nos ao coro vila-viçosence e entoámos "Senhora do Almortão", "Cantares alentejanos", "Vira dos malmequeres", "Vira da rapioca", duas vezes o "Zumba na caneca" (para atender às exigências do público) e, como sempre, vibrámos com "Tourada":

Foste foste que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir ao camarote
Viram-te a saia bordada.

Viram-te a saia bordada
Ai que bordado tão lindo
Foste foste que eu bem sei que foste
À tourada no domingo...


FOTO: Vitor Mila

FOTOGRAFIAS
Vítor Mila
Câmara Municipal de Vila Viçosa


21 de maio de 2009

TONICHA

CONJUNTO E COROS
LP, ORFEU, SB1122



Passamos agora à reedição da obra "CANÇÕES DE ABRIL" pela editora de Arnaldo Trindade, Orfeu.
Esta edição perdeu o título "CANÇÕES DE ABRIL" e ficou-se pelo "CONJUNTO E COROS". A data dos três EPs e do LP permanece 1975, mas cremos que tenham sido reeditados apenas em 1976, quando Tonicha grava para esta editora o magnífico álbum "CANTIGAS POPULARES".
Deve também ter sido nesse ano que João Viegas e Tonicha terão vendido o material da sua editora Discófilo à Orfeu. Numa obra alusiva à escrita de Jorge Palma, faz-se referência a esse LP "TONICHA - CONJUNTO E COROS" como sendo de 1976.
Acrescente-se que a foto da capa deste LP é a mesma que a usada na edição Discófilo. Trata-se de uma foto tirada em Dublin no ano de 1971, em que se vê Tonicha com uma moderna boina sobre os seus longos cabelos loiros.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto/Música: Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Letra e Música: Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)
HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)



Devemos referir que a Discófilo tinha editado três singles e que a Ordeu dividiu as 12 canções deste LP por três EPs.
Curiosamente as capas dos EP partilham da mesma fotografia usada no álbum "CANTIGAS POPULARES", talvez o melhor álbum de sempre da nossa cantora.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
VOZES: João Henrique, Waldemar Ramalho, Henrique Talbot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo

TERRAS DE GARCIA LORCA
EP, ORFEU, ATEP 6695



O tema "Cravos da madrugada", que surge na lado B deste EP, foi uma criação para a revista "Ó pá pega na vassoura" de 1974, com José Viana, Dora Leal e Leónia Mendes, entre outros, que esteve em cena no Teatro Variedades no Parque Mayer. Pela altura do lançamento das "CANÇÕES DE ABRIL", o tema foi repescado para ser gravado por Tonicha e incluído no alinhamento do álbum.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)

FACE B
O POVO EM MARCHA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)



CANTAREMOS/LUTAREMOS
EP, ORFEU, ATEP 6696



O segundo EP, para além do tema "Cantaremos/Lutaremos" que já aqui demos conta, inclui um poema de António Feliciano de Castilho, poeta do séc. XIX (1800-1875), um belíssimo texto de louvor ao trabalho: "Hino do Trabalho".

FACE A
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto/Música: Braga Santos)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)

FACE B
SOMOS LIVRES
(Letra e Música: Ermelinda Duarte)
HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)



HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

No regaço de luxo a opulência
Os cansaços do ócio maldiz
Entre as lidas sorri a indigência
Com pão negro se julga feliz.

Deus incombe ao pecado fadiga
Até na pena sorri o paternal
O que vence a preguiça inimiga
Reconquista o Éden terreal.

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

Cai opróbrio no vil ocioso
Que deserda o presente e o provir
Só à noite compete o repouso
Só aos mortos o eterno dormir.

Mar e terra ar e céu tudo lida
Deus a todos pôs nus e deu mãos
Lei suprema o trabalho é na vida
Trabalhar trabalhar meus irmãos.

SONETO DO TRABALHO
EP, ORFEU, ATEP 6697



FACE A
SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)

FACE B
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)



SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

Das prensas dos martelos das bigornas
Das foices dos arados das charruas
Das alfaias dos cascos e das dornas
É que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
Não se abre a liberdade com gazuas
À força do teu braço é que transformas
As fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
A reacção não passará diante
Do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
Pois quando o povo acorda é sempre cedo.

11 de maio de 2009

CANÇÕES DE ABRIL

TONICHA CONJUNTO E COROS
LP, DISCÓFILO 2003/L



Chegamos por fim ao LP do qual foram editados os singles apresentados anteriormente. Sabemos que muitos dos nossos leitores esperavam há muito pela apresentação deste LP de 1975, editado primeiramente pela Discófilo e, posteriormente, pela Orfeu, com o título "TONICHA CONJUNTO E COROS".

CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Quando o povo ergueu a sua voz
Para deixar de ser escravo
O sol nasceu e brilhou para nós
E tinha a forma de um cravo.

Era ainda madrugada
E já um cravo dizia
Que na ponta da espingarda
Era tempo de ser dia.

REFRÃO (2x)
Eram cravos cravos cravos
Eram cravos mais de mil
Eram punhos levantados
Do povo no mês de Abril.

O cravo exigiu salário
Para se tornar português
Alex deu sangue operário
Catarina o camponês.

Aperta um cravo na mão
Carne viva cravo novo
Defende-o bem, capitão
Defende-o capitão-povo.

É realmente um disco histórico!
As letras ajudam-nos a compreender melhor aqueles dois primeiros anos de liberdade.
A música ligeira espelha bem a temperatura da época. E sabemos que o Verão de 1975 foi bem quente.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Ary dos Santos - Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Ary dos Santos - Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Ary dos Santos - Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Ary dos Santos - Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Ary dos Santos - Popular)
HINO DO TRABALHO
(António Feliciano de Castilho - Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Ary dos Santos - Popular)

Há, neste disco, uma curiosa junção de autores.
Além dos óbvios Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, aparecem o temido crítico de televisão Mário Castrim (recentemente falecido), Braga Santos, compositor de canções de revista, Pedro OSório, Shegundo Galarza e Ermelinda Duarte.

BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Anos e anos fomos presos fomos vítimas
Anos e anos nos calcaram sem perdão
Anos e anos nossos gritos nossas lágrimas
Deram à luta mais raízes pelo chão.

Mas tudo isso já lá vai tudo já passou
A nossa alma é uma bandeira do porvir
Neste país que amanheceu em cada um de nós
Para todos nós há um país a construir.

REFÃO
Não basta o mês de Abril pôr cravo na lapela
Agora estás aqui vais estar de sentinela
O que tanto custou não se pode perder
Trabalho e vigilância são armas de trazer.
Trabalho e vigilância são armas para vencer.

Tonicha volta a entoar a melodia do "Vira dos malmequeres", desta vez com um texto de Ary dos Santos, de homenagem aos soldados de Abril: "Obrigado soldadinho".
Outra melodia já antes gravada por Tonicha é a que serve de base para a última canção do disco, "Já chegou a liberdade". No tempo da RCA foi uma das canções do EP "ALENTEJO": "Maria Rita".
Destaquemos também o poema de António Feliciano de Castilho (séc. XIX): "Hino do Trabalho"



O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)

Vou ver passar
A marcha sem arquinhos nem balões
Ao pé do mar
Vermelha como os nossos corações.

Vou ver chegar
Os santos que não são os dos altares
E vou saltar
Fogueiras de vitórias populares.

REFRÃO (2x)
Lá vai lá vai
A malta proletária de Lisboa
Cantai lutai
Pois quem não lutar assim não marcha à toa.

Vou ver brilhar
A lua das esperanças encontradas
E vou cantar
Lisboa das vielas libertadas.

Vou ver vibrar
Bandeiras ondulantes e encarnadas
E vou dançar
De braço dado com os camaradas.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
PIANO: Jorge Palma
VIOLAS: Mike Sergeant
BAIXO: Luís Duarte
BATERIA E PERCUSÃO: Victor Mamede
TROMPETES: Francisco Toneco, Armindo Toneco
TROMBONES: Amancio F. Costa, António M. Jubilot
FLAUTAS: Carlos A. França, João Oliver
VIOLA: Oliveira e Silva
CELLO: Maria de Lurdes
VOZES: João Henriques, Waldemar Ramalho,
Henrique Tabot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo
ESTÚDIOS: Musicorde
PRODUÇÃO E EDIÇÃO: Discófilo

6 de maio de 2009

O POVO EM MARCHA

CRAVOS DA MADRUGADA
SINGLE, DISCÓFILO 1001/S



A propósito do lançamento deste single, escreveu BERNARDO SANTARENO, o grande dramaturgo contemporâneo português:

"Neste disco Tonicha canta dois belos poemas de Ary dos Santos e de Mário Castrim. Dois poemas que estão com (e dentro) da Revolução. Revolução em que eles e eu acreditamos.
O poema de Ary dá as palavras para uma marcha - a marcha nova do Povo Português - em que se pretende (e consegue) desfazer em farrapos a imagem estereotipada e falsa "para estrangeiro ouvir e ver", que o antigo S.N.I. dava do povo dos bairros de Lisboa.
No poema de Castrim corre a seiva revolucionária, obstinada e interveniente.
Estas duas canções valem dois gritos de esperança, de força, de confiança no destino do nosso Povo.
Cantados por Tonicha, a "menina" querida da canção portuguesa, estes poemas ganham um acento de pureza, de frescura, de ingenuidade popular, de vibração espontânea, que muitos valorizam.
Tonicha encontrou o seu caminho, o único: intérprete do Povo e para o Povo, artista-camarada, voz ao serviço da justiça social."


FACE A
O POVO EM MARCHA
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Música: Braga Santos)


FACE B
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)




Este foi o primeiro single a ser extraído do LP "CANÇÕES DE ABRIL" editado pela etiqueta Discófilo no ano de 1975. O disco contém na contracapa este belo texto de Bernardo Santareno, escritor que Tonicha conheceu e recorda como uma pessoa muito inteligente e extraordinária.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS: Jorge Palma
ESTÚDIO: Musicorde
TÉCNICO: Alberto Nunes
FOTO: Carlos Gil
CAPA: Nuno Nazareth Fernandes
EXECUÇÃO: Gráfica Monumental
PRODUÇÃO E EDIÇÃO: Discófilo

4 de maio de 2009

TERRAS DE GARCIA LORCA

PAÍS IRMÃO
SINGLE, DISCÓFILO 1004/S



Mais um disco que festeja Abril.
É um single editado pela Discófilo (propriedade de Tonicha, João Viegas e Ary dos Santos) em 1975.
O vinil de 45 rotações apresenta duas canções cujas letras são da autoria de José Carlos Ary dos Santos. Os arranjos dos dois temas ficaram a cargo de Jorge Palma.
A capa é da responsabilidade de Wladimiro Bas (Madrid).

TERRAS DE GARCIA LORCA
(Ary dos Santos/Nuno Nazareth Fernandes)

Garras de Garcia Lorca
Cravadas no sul de Espanha
Fincadas na carne morta
De uma guerra sem entranhas.

Rosas de sal
Estoirando pólvora negra
Rosas sem sol
Parindo filhos de pedra.

Heróis do pão de sicuta
Bebendo limões de vinho
Sangria de mágoa e luta
Derramada no caminho.

Trevas de Garcia Lorca
Gravadas no sol de Espanha
Farpas que levam à forca
Toiros de raças estranhas.

Ossos ao sol
Nas crateras de Toledo
Facas de sal
Abrindo chagas no medo.

Nascemos sempre de novo
Morremos sempre de perto
Eis o poema de um povo
Que luta por ser liberto.

É contra a guarda civil
Que levantamos o braço
Em Espanha espera-se Abril
Desenhado por Picasso.

Pombas voando
Por terras de Andaluzia
Cravos chegando
Para Federico Garcia.

Nascemos sempre de novo
Morremos sempre de perto
Eis o poema de um povo
Que luta por ser liberto.

O tema "Terras de Garcia Lorca" foi reeditado em cd na compilação da série o "MELHOR DOS MELHORES" (Movieplay, 1994), da qual ainda há pouco tempo comprámos um exemplar numa discoteca da Rua Augusta, e na "ANTOLOGIA 1971-1977" (Movieplay, 2004), ainda disponível nas discotecas.
Oiçam o tema pois vale bem a pena saborear a voz da Tonicha e a riqueza poética que Ary dedicou ao povo "nuestro hermano" que entrou na democracia mais tarde que nós.

LADO A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)

LADO B
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Braga Santos)




PAÍS IRMÃO
(Ary dos Santos - Braga Santos)

Canto na raia de Espanha
Serei sempre portuguesa
Vento que venha de Espanha
Não me apanha com certeza.

Vejo dançar as espanholas
Entre o medo e a verdade
Eu não trago castanholas
Mas já canto a liberdade.

REFRÃO
Canta comigo amigo
E dança comigo irmão
As fronteiras do trigo
Não são as mesmas do que as do pão.

Ai Portugal dizemos não.

Canto na terra descalça
Cá não temos os preciados
E mais vale andar descalça
Do que de pés mal calçados.

Eu tenho um par de sandálias
À medida do meu pé
São abertas como dálias
Por isso canto de pé.

REFRÃO
Canta comigo amigo
E dança comigo irmão
As fronteiras do trigo
Não são as mesmas do que as do pão.

Vamos todos ter sapatos
Com tacão sempre mais alto
Se formos dois irmãos juntos
Havemos de cantar de alto.

27 de abril de 2009

LEMBRAR

ABRIL

A propósito das comemorações dos 35 anos da Revolução dos cravos, iniciamos hoje uma viagem às memórias de Abril eternizadas na voz de Tonicha, uma das mais belas vozes (femininas) que cantou Abril.

Contrariamente ao registo da memória de muitas viagens que, invariavelmente, começam por "Há muito tempo...", o ponto de partida da nossa viagem à lembrança de Abril são as palavras de um visitante assíduo deste blogue e fã de Tonicha, que nos chegaram esta semana via e-mail:

"No belíssimo espectáculo denominado "As vozes que Abril abriu" conduzido pela apresentação do sempre em forma Júlio Isidro e da magnifica e fresca Silvia Alberto, mais uma vez a ausência de uma das vozes que mais cantou Abril: Antonia Tonicha!
Pode-se saber porquê?
"
Joaquim Henrique Coimbra
Orada (Borba)




Portugal tinha acabado há pouco de sair à rua de punho erguido, com cantigas como armas e balas em forma de cravo, pairava ainda no ar o calor da Revolução e os portugueses habituavam-se lentamente a despertar em liberdade, quando chegou ao mercado discográfico um single chamado "Bandeira da Vitória", edição da Discófilo.
Estávamos em 1975 e o pequeno vinil, com letras do crítico de televisão Mário Castrim e de Gonçalves Preto, lembrava a todos os portugueses que a ditadura tinha definitivamente caído.

LADO A
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)


LADO B
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto)
(Música: Braga Santos)


O single contou com a colaboração de José Carlos Ary dos Santos, poeta libertário e da liberdade, adepto fervoroso da Revolução, com quem Tonicha já trabalhava desde 1971, que emprestou a sua voz tão característica à canção "Cantaremos/Lutaremos", entoando o refrão que lhe dá nome.
Com a mudança de Tonicha para a editora Orfeu, estes temas viriam a ser reeditados com uma nova capa.

CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto)
(Música: Braga Santos)


Agora companheiros cantaremos
por aqueles que morreram na prisão.
Cantaremos a canção que vale a pena,
com a força de uma raiva em cada mão.
Cantaremos com a voz da liberdade
e faremos dessa voz nossa razão.

Cantaremos este sol imaginado,
cantaremos esta sede de amanhã,
que tiveram os amigos que lutaram
p'ra nos dar a liberdade por irmã.

Cantaremos os caminhos que nos deram
cantaremos o sinal que ainda se vê
e deixaram os amigos que levaram
e morreram a saber por quê.

Lutaremos
(lutaremos)
Venceremos
(venceremos)
Cantaremos
(cantaremos).

20 de abril de 2009

TONICHA: CANTIGAS DO MEU PAÍS

FOLCLORE
LP, DISCÓFILO, 2001/L



Eis-nos chegados ao LP "CANTIGAS DO MEU PAÍS" originalmente gravado por Tonicha para a editora Discófilo e lançado no mercado discográfico português no ano de 1975.

Note-se que a edição que a Orfeu viria a fazer, para além de usar a mesma fotografia da capa (da autoria de Álvaro João), manteve o mesmo arranjo gráfico e layout (tipos de letra iguais dispostos da mesma forma) apenas alterando as cores: do nome de Tonicha (a vermelho na edição Discófilo e a branco na Orfeu) e do nome do álbum (a preto no LP da Discófilo e a vermelho na Orfeu).
As contracapas, apesar de muito idênticas, tiveram essencialmente alterações nas cores dos tipos de letra.
Esta edição conta ainda com uma bela fotografia de Tonicha, com a assinatura da própria, da autoria de Júlio Gomes.


FOTO: Júlio Gomes

Este é o grande álbum de Tonicha que ficou marcado pela participação, no acompanhamento, do CONJUNTO DE GUITARRAS DE ANTÓNIO CHAINHO, do qual faziam parte:

ANTÓNIO CHAINHO
NOBRE COSTA
J. M. NÓBREGA
RAÚL SILVA

LADO A
FADINHO DO POBRE
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)
CANTIGA DO REI
(Popular)
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Ary dos Santos - Popular)
VIDA MILITAR
(Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Ary dos Santos - Popular)

LADO B
SERRANA POVO
(Ary dos Santos - Popular)
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)
DOBADOIRA
(Popular)
A MODA DA SAIA CURTA
(Ary dos Santos - Popular)
ISTO AGORA VAI OU RACHA
(Ary dos Santos - Popular)

De salientar neste álbum a dupla participação musical de Jorge Palma (responsável pela Supervisão e misturas):

JORGE PALMA - Piano, natal, xilofone
RUI CARDOSO - Clarinete baixo, flauta, suprano
VICTOR MAMEDE - Percursão
SIEGFRIED SUGG - Acordeão

FICHA TÉCNICA
ESTÚDIOS - Musicorde
TÉCNICOS - Alberto Nunes/Carlos Duarte
FOTOS - Álvaro João/Júlio Gomes
EXECUÇÃO GRÁFICA - Sericrom
PRODUÇÃO E EDIÇÃO - Discófilo

19 de abril de 2009

TONICHA: FOLCLORE

COMPADRE PARTIDÁRIO
EP, DISCÓFILO, 3003/E



O EP "Compadre partidário" fecha a série de EPs lançados no mercado português no ano de 1975 pela Discófilo, extraídos do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS".
Dos 3 que foram editados, este é o único que reúne um alinhamento inteiramente composto por temas populares com letras escritas pelo poeta Ary dos Santos.

Mais uma vez, chamamos a atenção para os títulos das canções, todos eles tão representativos da época revolucionária em curso.

LADO A
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Ary dos Santos - Popular)
SERRANA POVO
(Ary dos Santos - Popular)

LADO B
ISTO AGORA VAI OU RACHA
(Ary dos Santos - Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Ary dos Santos - Popular)