2 de junho de 2009

2009

CONCERTO EM VILA VIÇOSA
24 DE ABRIL



FOTO: Vitor Mila

A noite ventosa e gelada da véspera do 25 de Abril de 2009 não impediu a população alentejana de sair à rua e encher a Praça da República para cantar com Tonicha os inúmeros êxitos da cantora.


FOTO: Vitor Mila

A voz de Tonicha estava esplêndida, os músicos tocaram afinados e surpreenderam-nos com uma versão jazzística do "Zé que fumas" que foi um encanto.


FOTO: Vitor Mila

Juntámo-nos ao coro vila-viçosence e entoámos "Senhora do Almortão", "Cantares alentejanos", "Vira dos malmequeres", "Vira da rapioca", duas vezes o "Zumba na caneca" (para atender às exigências do público) e, como sempre, vibrámos com "Tourada":

Foste foste que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir ao camarote
Viram-te a saia bordada.

Viram-te a saia bordada
Ai que bordado tão lindo
Foste foste que eu bem sei que foste
À tourada no domingo...


FOTO: Vitor Mila

FOTOGRAFIAS
Vítor Mila
Câmara Municipal de Vila Viçosa


21 de maio de 2009

TONICHA

CONJUNTO E COROS
LP, ORFEU, SB1122



Passamos agora à reedição da obra "CANÇÕES DE ABRIL" pela editora de Arnaldo Trindade, Orfeu.
Esta edição perdeu o título "CANÇÕES DE ABRIL" e ficou-se pelo "CONJUNTO E COROS". A data dos três EPs e do LP permanece 1975, mas cremos que tenham sido reeditados apenas em 1976, quando Tonicha grava para esta editora o magnífico álbum "CANTIGAS POPULARES".
Deve também ter sido nesse ano que João Viegas e Tonicha terão vendido o material da sua editora Discófilo à Orfeu. Numa obra alusiva à escrita de Jorge Palma, faz-se referência a esse LP "TONICHA - CONJUNTO E COROS" como sendo de 1976.
Acrescente-se que a foto da capa deste LP é a mesma que a usada na edição Discófilo. Trata-se de uma foto tirada em Dublin no ano de 1971, em que se vê Tonicha com uma moderna boina sobre os seus longos cabelos loiros.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto/Música: Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Letra e Música: Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)
HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)



Devemos referir que a Discófilo tinha editado três singles e que a Ordeu dividiu as 12 canções deste LP por três EPs.
Curiosamente as capas dos EP partilham da mesma fotografia usada no álbum "CANTIGAS POPULARES", talvez o melhor álbum de sempre da nossa cantora.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
VOZES: João Henrique, Waldemar Ramalho, Henrique Talbot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo

TERRAS DE GARCIA LORCA
EP, ORFEU, ATEP 6695



O tema "Cravos da madrugada", que surge na lado B deste EP, foi uma criação para a revista "Ó pá pega na vassoura" de 1974, com José Viana, Dora Leal e Leónia Mendes, entre outros, que esteve em cena no Teatro Variedades no Parque Mayer. Pela altura do lançamento das "CANÇÕES DE ABRIL", o tema foi repescado para ser gravado por Tonicha e incluído no alinhamento do álbum.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)

FACE B
O POVO EM MARCHA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)



CANTAREMOS/LUTAREMOS
EP, ORFEU, ATEP 6696



O segundo EP, para além do tema "Cantaremos/Lutaremos" que já aqui demos conta, inclui um poema de António Feliciano de Castilho, poeta do séc. XIX (1800-1875), um belíssimo texto de louvor ao trabalho: "Hino do Trabalho".

FACE A
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto/Música: Braga Santos)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)

FACE B
SOMOS LIVRES
(Letra e Música: Ermelinda Duarte)
HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)



HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

No regaço de luxo a opulência
Os cansaços do ócio maldiz
Entre as lidas sorri a indigência
Com pão negro se julga feliz.

Deus incombe ao pecado fadiga
Até na pena sorri o paternal
O que vence a preguiça inimiga
Reconquista o Éden terreal.

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

Cai opróbrio no vil ocioso
Que deserda o presente e o provir
Só à noite compete o repouso
Só aos mortos o eterno dormir.

Mar e terra ar e céu tudo lida
Deus a todos pôs nus e deu mãos
Lei suprema o trabalho é na vida
Trabalhar trabalhar meus irmãos.

SONETO DO TRABALHO
EP, ORFEU, ATEP 6697



FACE A
SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)

FACE B
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)



SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

Das prensas dos martelos das bigornas
Das foices dos arados das charruas
Das alfaias dos cascos e das dornas
É que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
Não se abre a liberdade com gazuas
À força do teu braço é que transformas
As fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
A reacção não passará diante
Do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
Pois quando o povo acorda é sempre cedo.

11 de maio de 2009

CANÇÕES DE ABRIL

TONICHA CONJUNTO E COROS
LP, DISCÓFILO 2003/L



Chegamos por fim ao LP do qual foram editados os singles apresentados anteriormente. Sabemos que muitos dos nossos leitores esperavam há muito pela apresentação deste LP de 1975, editado primeiramente pela Discófilo e, posteriormente, pela Orfeu, com o título "TONICHA CONJUNTO E COROS".

CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Quando o povo ergueu a sua voz
Para deixar de ser escravo
O sol nasceu e brilhou para nós
E tinha a forma de um cravo.

Era ainda madrugada
E já um cravo dizia
Que na ponta da espingarda
Era tempo de ser dia.

REFRÃO (2x)
Eram cravos cravos cravos
Eram cravos mais de mil
Eram punhos levantados
Do povo no mês de Abril.

O cravo exigiu salário
Para se tornar português
Alex deu sangue operário
Catarina o camponês.

Aperta um cravo na mão
Carne viva cravo novo
Defende-o bem, capitão
Defende-o capitão-povo.

É realmente um disco histórico!
As letras ajudam-nos a compreender melhor aqueles dois primeiros anos de liberdade.
A música ligeira espelha bem a temperatura da época. E sabemos que o Verão de 1975 foi bem quente.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Ary dos Santos - Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Ary dos Santos - Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Ary dos Santos - Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Ary dos Santos - Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Ary dos Santos - Popular)
HINO DO TRABALHO
(António Feliciano de Castilho - Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Ary dos Santos - Popular)

Há, neste disco, uma curiosa junção de autores.
Além dos óbvios Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, aparecem o temido crítico de televisão Mário Castrim (recentemente falecido), Braga Santos, compositor de canções de revista, Pedro OSório, Shegundo Galarza e Ermelinda Duarte.

BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Anos e anos fomos presos fomos vítimas
Anos e anos nos calcaram sem perdão
Anos e anos nossos gritos nossas lágrimas
Deram à luta mais raízes pelo chão.

Mas tudo isso já lá vai tudo já passou
A nossa alma é uma bandeira do porvir
Neste país que amanheceu em cada um de nós
Para todos nós há um país a construir.

REFÃO
Não basta o mês de Abril pôr cravo na lapela
Agora estás aqui vais estar de sentinela
O que tanto custou não se pode perder
Trabalho e vigilância são armas de trazer.
Trabalho e vigilância são armas para vencer.

Tonicha volta a entoar a melodia do "Vira dos malmequeres", desta vez com um texto de Ary dos Santos, de homenagem aos soldados de Abril: "Obrigado soldadinho".
Outra melodia já antes gravada por Tonicha é a que serve de base para a última canção do disco, "Já chegou a liberdade". No tempo da RCA foi uma das canções do EP "ALENTEJO": "Maria Rita".
Destaquemos também o poema de António Feliciano de Castilho (séc. XIX): "Hino do Trabalho"



O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)

Vou ver passar
A marcha sem arquinhos nem balões
Ao pé do mar
Vermelha como os nossos corações.

Vou ver chegar
Os santos que não são os dos altares
E vou saltar
Fogueiras de vitórias populares.

REFRÃO (2x)
Lá vai lá vai
A malta proletária de Lisboa
Cantai lutai
Pois quem não lutar assim não marcha à toa.

Vou ver brilhar
A lua das esperanças encontradas
E vou cantar
Lisboa das vielas libertadas.

Vou ver vibrar
Bandeiras ondulantes e encarnadas
E vou dançar
De braço dado com os camaradas.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
PIANO: Jorge Palma
VIOLAS: Mike Sergeant
BAIXO: Luís Duarte
BATERIA E PERCUSÃO: Victor Mamede
TROMPETES: Francisco Toneco, Armindo Toneco
TROMBONES: Amancio F. Costa, António M. Jubilot
FLAUTAS: Carlos A. França, João Oliver
VIOLA: Oliveira e Silva
CELLO: Maria de Lurdes
VOZES: João Henriques, Waldemar Ramalho,
Henrique Tabot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo
ESTÚDIOS: Musicorde
PRODUÇÃO E EDIÇÃO: Discófilo

6 de maio de 2009

O POVO EM MARCHA

CRAVOS DA MADRUGADA
SINGLE, DISCÓFILO 1001/S



A propósito do lançamento deste single, escreveu BERNARDO SANTARENO, o grande dramaturgo contemporâneo português:

"Neste disco Tonicha canta dois belos poemas de Ary dos Santos e de Mário Castrim. Dois poemas que estão com (e dentro) da Revolução. Revolução em que eles e eu acreditamos.
O poema de Ary dá as palavras para uma marcha - a marcha nova do Povo Português - em que se pretende (e consegue) desfazer em farrapos a imagem estereotipada e falsa "para estrangeiro ouvir e ver", que o antigo S.N.I. dava do povo dos bairros de Lisboa.
No poema de Castrim corre a seiva revolucionária, obstinada e interveniente.
Estas duas canções valem dois gritos de esperança, de força, de confiança no destino do nosso Povo.
Cantados por Tonicha, a "menina" querida da canção portuguesa, estes poemas ganham um acento de pureza, de frescura, de ingenuidade popular, de vibração espontânea, que muitos valorizam.
Tonicha encontrou o seu caminho, o único: intérprete do Povo e para o Povo, artista-camarada, voz ao serviço da justiça social."


FACE A
O POVO EM MARCHA
(Letra: J. C. Ary dos Santos)
(Música: Braga Santos)


FACE B
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)




Este foi o primeiro single a ser extraído do LP "CANÇÕES DE ABRIL" editado pela etiqueta Discófilo no ano de 1975. O disco contém na contracapa este belo texto de Bernardo Santareno, escritor que Tonicha conheceu e recorda como uma pessoa muito inteligente e extraordinária.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS: Jorge Palma
ESTÚDIO: Musicorde
TÉCNICO: Alberto Nunes
FOTO: Carlos Gil
CAPA: Nuno Nazareth Fernandes
EXECUÇÃO: Gráfica Monumental
PRODUÇÃO E EDIÇÃO: Discófilo

4 de maio de 2009

TERRAS DE GARCIA LORCA

PAÍS IRMÃO
SINGLE, DISCÓFILO 1004/S



Mais um disco que festeja Abril.
É um single editado pela Discófilo (propriedade de Tonicha, João Viegas e Ary dos Santos) em 1975.
O vinil de 45 rotações apresenta duas canções cujas letras são da autoria de José Carlos Ary dos Santos. Os arranjos dos dois temas ficaram a cargo de Jorge Palma.
A capa é da responsabilidade de Wladimiro Bas (Madrid).

TERRAS DE GARCIA LORCA
(Ary dos Santos/Nuno Nazareth Fernandes)

Garras de Garcia Lorca
Cravadas no sul de Espanha
Fincadas na carne morta
De uma guerra sem entranhas.

Rosas de sal
Estoirando pólvora negra
Rosas sem sol
Parindo filhos de pedra.

Heróis do pão de sicuta
Bebendo limões de vinho
Sangria de mágoa e luta
Derramada no caminho.

Trevas de Garcia Lorca
Gravadas no sol de Espanha
Farpas que levam à forca
Toiros de raças estranhas.

Ossos ao sol
Nas crateras de Toledo
Facas de sal
Abrindo chagas no medo.

Nascemos sempre de novo
Morremos sempre de perto
Eis o poema de um povo
Que luta por ser liberto.

É contra a guarda civil
Que levantamos o braço
Em Espanha espera-se Abril
Desenhado por Picasso.

Pombas voando
Por terras de Andaluzia
Cravos chegando
Para Federico Garcia.

Nascemos sempre de novo
Morremos sempre de perto
Eis o poema de um povo
Que luta por ser liberto.

O tema "Terras de Garcia Lorca" foi reeditado em cd na compilação da série o "MELHOR DOS MELHORES" (Movieplay, 1994), da qual ainda há pouco tempo comprámos um exemplar numa discoteca da Rua Augusta, e na "ANTOLOGIA 1971-1977" (Movieplay, 2004), ainda disponível nas discotecas.
Oiçam o tema pois vale bem a pena saborear a voz da Tonicha e a riqueza poética que Ary dedicou ao povo "nuestro hermano" que entrou na democracia mais tarde que nós.

LADO A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)

LADO B
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Braga Santos)




PAÍS IRMÃO
(Ary dos Santos - Braga Santos)

Canto na raia de Espanha
Serei sempre portuguesa
Vento que venha de Espanha
Não me apanha com certeza.

Vejo dançar as espanholas
Entre o medo e a verdade
Eu não trago castanholas
Mas já canto a liberdade.

REFRÃO
Canta comigo amigo
E dança comigo irmão
As fronteiras do trigo
Não são as mesmas do que as do pão.

Ai Portugal dizemos não.

Canto na terra descalça
Cá não temos os preciados
E mais vale andar descalça
Do que de pés mal calçados.

Eu tenho um par de sandálias
À medida do meu pé
São abertas como dálias
Por isso canto de pé.

REFRÃO
Canta comigo amigo
E dança comigo irmão
As fronteiras do trigo
Não são as mesmas do que as do pão.

Vamos todos ter sapatos
Com tacão sempre mais alto
Se formos dois irmãos juntos
Havemos de cantar de alto.

27 de abril de 2009

LEMBRAR

ABRIL

A propósito das comemorações dos 35 anos da Revolução dos cravos, iniciamos hoje uma viagem às memórias de Abril eternizadas na voz de Tonicha, uma das mais belas vozes (femininas) que cantou Abril.

Contrariamente ao registo da memória de muitas viagens que, invariavelmente, começam por "Há muito tempo...", o ponto de partida da nossa viagem à lembrança de Abril são as palavras de um visitante assíduo deste blogue e fã de Tonicha, que nos chegaram esta semana via e-mail:

"No belíssimo espectáculo denominado "As vozes que Abril abriu" conduzido pela apresentação do sempre em forma Júlio Isidro e da magnifica e fresca Silvia Alberto, mais uma vez a ausência de uma das vozes que mais cantou Abril: Antonia Tonicha!
Pode-se saber porquê?
"
Joaquim Henrique Coimbra
Orada (Borba)




Portugal tinha acabado há pouco de sair à rua de punho erguido, com cantigas como armas e balas em forma de cravo, pairava ainda no ar o calor da Revolução e os portugueses habituavam-se lentamente a despertar em liberdade, quando chegou ao mercado discográfico um single chamado "Bandeira da Vitória", edição da Discófilo.
Estávamos em 1975 e o pequeno vinil, com letras do crítico de televisão Mário Castrim e de Gonçalves Preto, lembrava a todos os portugueses que a ditadura tinha definitivamente caído.

LADO A
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)


LADO B
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto)
(Música: Braga Santos)


O single contou com a colaboração de José Carlos Ary dos Santos, poeta libertário e da liberdade, adepto fervoroso da Revolução, com quem Tonicha já trabalhava desde 1971, que emprestou a sua voz tão característica à canção "Cantaremos/Lutaremos", entoando o refrão que lhe dá nome.
Com a mudança de Tonicha para a editora Orfeu, estes temas viriam a ser reeditados com uma nova capa.

CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto)
(Música: Braga Santos)


Agora companheiros cantaremos
por aqueles que morreram na prisão.
Cantaremos a canção que vale a pena,
com a força de uma raiva em cada mão.
Cantaremos com a voz da liberdade
e faremos dessa voz nossa razão.

Cantaremos este sol imaginado,
cantaremos esta sede de amanhã,
que tiveram os amigos que lutaram
p'ra nos dar a liberdade por irmã.

Cantaremos os caminhos que nos deram
cantaremos o sinal que ainda se vê
e deixaram os amigos que levaram
e morreram a saber por quê.

Lutaremos
(lutaremos)
Venceremos
(venceremos)
Cantaremos
(cantaremos).

20 de abril de 2009

TONICHA: CANTIGAS DO MEU PAÍS

FOLCLORE
LP, DISCÓFILO, 2001/L



Eis-nos chegados ao LP "CANTIGAS DO MEU PAÍS" originalmente gravado por Tonicha para a editora Discófilo e lançado no mercado discográfico português no ano de 1975.

Note-se que a edição que a Orfeu viria a fazer, para além de usar a mesma fotografia da capa (da autoria de Álvaro João), manteve o mesmo arranjo gráfico e layout (tipos de letra iguais dispostos da mesma forma) apenas alterando as cores: do nome de Tonicha (a vermelho na edição Discófilo e a branco na Orfeu) e do nome do álbum (a preto no LP da Discófilo e a vermelho na Orfeu).
As contracapas, apesar de muito idênticas, tiveram essencialmente alterações nas cores dos tipos de letra.
Esta edição conta ainda com uma bela fotografia de Tonicha, com a assinatura da própria, da autoria de Júlio Gomes.


FOTO: Júlio Gomes

Este é o grande álbum de Tonicha que ficou marcado pela participação, no acompanhamento, do CONJUNTO DE GUITARRAS DE ANTÓNIO CHAINHO, do qual faziam parte:

ANTÓNIO CHAINHO
NOBRE COSTA
J. M. NÓBREGA
RAÚL SILVA

LADO A
FADINHO DO POBRE
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)
CANTIGA DO REI
(Popular)
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Ary dos Santos - Popular)
VIDA MILITAR
(Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Ary dos Santos - Popular)

LADO B
SERRANA POVO
(Ary dos Santos - Popular)
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)
DOBADOIRA
(Popular)
A MODA DA SAIA CURTA
(Ary dos Santos - Popular)
ISTO AGORA VAI OU RACHA
(Ary dos Santos - Popular)

De salientar neste álbum a dupla participação musical de Jorge Palma (responsável pela Supervisão e misturas):

JORGE PALMA - Piano, natal, xilofone
RUI CARDOSO - Clarinete baixo, flauta, suprano
VICTOR MAMEDE - Percursão
SIEGFRIED SUGG - Acordeão

FICHA TÉCNICA
ESTÚDIOS - Musicorde
TÉCNICOS - Alberto Nunes/Carlos Duarte
FOTOS - Álvaro João/Júlio Gomes
EXECUÇÃO GRÁFICA - Sericrom
PRODUÇÃO E EDIÇÃO - Discófilo

19 de abril de 2009

TONICHA: FOLCLORE

COMPADRE PARTIDÁRIO
EP, DISCÓFILO, 3003/E



O EP "Compadre partidário" fecha a série de EPs lançados no mercado português no ano de 1975 pela Discófilo, extraídos do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS".
Dos 3 que foram editados, este é o único que reúne um alinhamento inteiramente composto por temas populares com letras escritas pelo poeta Ary dos Santos.

Mais uma vez, chamamos a atenção para os títulos das canções, todos eles tão representativos da época revolucionária em curso.

LADO A
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Ary dos Santos - Popular)
SERRANA POVO
(Ary dos Santos - Popular)

LADO B
ISTO AGORA VAI OU RACHA
(Ary dos Santos - Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Ary dos Santos - Popular)

18 de abril de 2009

TONICHA: FADINHO DO POBRE

A MODA DA SAIA CURTA
EP, DISCÓFILO, 3004/E



Este EP de 1975, com edição da responsabilidade da Discófilo, foi retirado do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS".
À semelhança do vinil divulgado no post de dia 14/04/2009, também este contém um alinhamento diferente daquele que posteriormente viria a ser escolhido pela nortenha Orfeu.
Apesar das diferenças de alinhamentos, as capas de ambas as edições (Discófilo e Orfeu) utilizam a mesma série de fotografias da cantora, embora com arranjos gráficos diferentes.

Neste ano de 2009, 34 anos depois de Tonicha ter celebrizado o tema "Malhão de Cinfães", a cantora Tereza Salgueiro grava-o para o seu último CD com o Lusitânia Ensemble. Isto só vem provar que há temas que são intemporais.

LADO A
FADINHO DO POBRE
(Popular)
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)

LADO B
MODA DA SAIA CURTA
(Ary dos Santos - Popular)
DOBADOIRA
(Popular)



CURIOSIDADE:
Na revista de espectáculos PLATEIA nº 780 de 1 de Março de 1976 encontrámos o anúncio da venda deste EP, por encomenda, pelo preço de 78$50 (setenta e oito escudos e cinquenta centavos).

DOBADOIRA
(Popular)

Era tão cedo
Que mal se via
Na minha aldeia
Tudo dormia.

Tudo dormia
E trabalhando
A dobadoira
Ia rodando.

REFRÃO
Doba doba dobadoira
Não enrices a meada
Quero dobar o novelo
Tenho a minha mão cansada.
O novelo era grande
Não me cabia na mão
Doba doba dobadoira
Dentro do meu coração.

De pequenina
Que mal falava
Dobadoira
Já trabalhava
Já trabalhava
Sempre cantando
A dobadoira
Ia rodando.

14 de abril de 2009

TONICHA: RIBEIRA CHEIA

VIDA MILITAR
EP, DISCÓFILO, 3004/E



As várias mudanças de editoras que Tonicha teve ao longo da sua carreira deram origem a várias reedições do mesmo material discográfico, um sinal do potencial de venda das canções celebrizadas pela cantora.
Os EP que hoje começamos a divulgar são as gravações originais de um álbum que, ainda no mesmo ano de 1975, viria a ser reeditado pela Orfeu quando Tonicha se transferiu para a etiqueta de Arnaldo Trindade. Falamos do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS".

Este EP, de um conjunto de três, foi gravado e lançado no mercado pela primeira vez pela extinta DISCÓFILO, editora que foi propriedade de Tonicha, João Viegas e Ary dos Santos.
As edições dos EPs lançados pela Discófilo apresentam um alinhamento de temas diferente daquele que viria a constar nos vinis da Orfeu.
Este primeiro disco, "Ribeira cheia", reúne os temas:

LADO A
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)

LADO B
VIDA MILITAR
(Popular)
CANTIGA DO REI
(Popular)



A propósito da criação da editora DISCÓFILO, a imprensa da época noticiou o acontecimento.
A primeira notícia que conseguimos encontrar data de 04 de Março de 1975, um apontamento que consta da revista de espectáculos PLATEIA.


in PLATEIA nº 735, 04/03/1975

Dois meses mais tarde, a mesma publicação volta a dar destaque à editora propriedade da nossa Tonicha, do marido João Viegas e do poeta Ary dos Santos.


in PLATEIA nº 744, 06/05/1975

8 de abril de 2009

TONICHA: REGRESSO

CORRECÇÃO



No seguimento do nosso post do dia 05 de Abril em que dávamos conta de uma possível reedição do CD de Tonicha "REGRESSO" do ano de 1993 e, no seguimento de um comentário deixado por um leitor, contactámos telefonicamente a UNIVERSAL MUSIC (Portugal), ao que apurámos o seguinte:

Os CDs que encontrámos, na semana anterior, em algumas grandes superfícies da área da grande Lisboa, não correspondem a uma reedição do trabalho "REGRESSO" (1993) da cantora Tonicha.
Segundo apurámos tratam-se sim, de "restos de colecção" que ainda estão no mercado.

Também aproveitámos para saber se, relativamente aos trabalhos "CANÇÕES D'AQUÉM E D'ALÉM TEJO" (1995) e "MULHER" (1997), estavam previstas reedições para breve.
A resposta que obtivemos foi que, "em princípio não estão previstas reedições, o que não significa que não possam vir a ser reeditados".

Fica a correcção.

Resta a todos nós: leitores, fãs, mercado discográfico, público em geral, a espera!!

5 de abril de 2009

TONICHA: REGRESSO

REEDIÇÃO ??



Boas notícias para todos aqueles que há muito nos contactam sobre as reedições dos CDs de Tonicha referentes aos anos 90.
Ainda durante esta última semana, voltámos a encontrar à venda o CD "REGRESSO" de 1993 em várias lojas da grande Lisboa.
Julgamos tratar-se de uma possível reedição, visto que este trabalho encontrava-se fora de catálogo há já algum tempo. Se se trata efectivamente da reedição, só nos resta saudar a iniciativa da UNIVERSAL.

Fica porém a saber a pouco!
Aguardamos com muita expectativa e, diríamos mesmo, impaciência que a editora UNIVERSAL se lembre de reeditar dois outros discos, pelos quais muitos leitores deste blogue têm insistentemente perguntado:

CANÇÕES D'AQUÉM E D'ALÉM TEJO
(1995)
MULHER
(1997)

ESPAÇO PÚBLICO



A propósito do último álbum de Tonicha, "CANTOS DA VIDA" (Farol, 2008), que já aqui anunciámos (ver o post de 7 de Setembro de 2008), foi publicado o seguinte comentário no "ESPAÇO PÚBLICO" do suplemento Ípsilon do jornal Público de 3 de Abril:

30 de março de 2009

TONICHA: CANTIGAS DO MEU PAÍS

FOLCLORE
LP, ORFEU, SB 1121



No ano de 1975 os portugueses viram chegar ao mercado um novo LP de Tonicha com a chancela da ORFEU, numa extraordinária recolha de temas do Cancioneiro Popular Português a que deram o nome de "CANTIGAS DO MEU PAÍS".
Tratava-se na verdade de uma reedição, já que este álbum (e os respectivos EPs que foram retirados do mesmo para lançamento) haviam já sido previamente editados nesse ano pela DISCÓFILO, quando a cantora ainda assinava por essa etiqueta.

Os temas de "CANTIGAS DO MEU PAÍS", pesquisados e seleccionados por João Viegas (esposo de Tonicha e desde sempre o grande orientador da sua carreira), etnólogo por paixão, ao longo dos anos seleccionou os temas do Cancioneiro Popular Português que melhor se adequassem à voz clara e ampla de Tonicha.
"CANTIGAS DO MEU PAíS" ficou marcado pela primeira colaboração de Tonicha com um então jovem músico "desconhecido" mas que, já na altura, evidenciava um enorme talento musical e de seu nome JORGE PALMA.
Neste LP, editado pela etiqueta portuense ORFEU, para além de assinar a Supervisão e as misturas do LP, Jorge Palma surge nas gravações a tocar piano e xilofone.



Outra característica merecedora de destaque nas "CANTIGAS DO MEU PAÍS" foi contar com a extraordinária colaboração, no acompanhamento, do CONJUNTO DE GUITARRAS DE ANTÓNIO CHAINHO, também por essa razão considerado um dos álbuns mais emblemáticos de Tonicha.
Esta participação imprimiu aos temas um som distintivo, extremamaente marcante, capaz de elevar os temas do folclore a um nível de erudição talvez nunca antes tão bem conseguido, amplificando e fazendo sobressair a beleza natural da voz de Tonicha que na altura contava apenas 29 anos. Deste conjunto faziam parte:

ANTÓNIO CHAINHO
NOBRE COSTA
J. M. NÓBREGA
RAÚL SILVA

O alinhamento do álbum, de 12 faixas e do qual haveriam de ser retirados 3 EPs para lançamento, era composto pelos temas:

FACE A

FADINHO DO POBRE
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)
CANTIGA DO REI
(Popular)
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Ary dos Santos - Popular)
VIDA MILITAR
(Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Ary dos Santos - Popular)

FACE B

SERRANA POVO
(Ary dos Santos - Popular)
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)
DOBADOIRA
(Popular)
A MODA DA SAIA CURTA
(Ary dos Santos - Popular)
ISTO AGORA OU VAI OU RACHA
(Ary dos Santos - Popular)

Para além de temas do Cancioneiro Popular Português, este LP contou com uma já longa parceria com o poeta José Carlos Ary dos Santos que criou as letras para alguns dos temas populares: tratam-se precisamente das canções com os títulos mais "politizados" do álbum. Se não, atente-se nos títulos das canções: "Compadre Partidário", "Barqueiros do Povo", "Serrana Povo" e "Isto agora ou vai ou racha"...
Nos dias de hoje nada haveria de extraordinário nesta junção, mas nesses idos anos da década de 70, tinha ocorrido o famoso Verão quente de 1975 e o autor destas letras foi o não menos famoso e à sua maneira polémico poeta mas, infelizmente, já falecido José Carlos Ary dos Santos.



O "Fadinho do Pobre" (que ainda hoje faz parte do repertório dos espectáculos da cantora) e "Malhão de Cinfães" são as únicas canções deste álbum que, infelizmente, voltaram a ter a sua reedição em CD, pelas mãos da editora Movieplay (detentora de grande parte do melhor e mais significativo repertório de Tonicha relativo à década de 70) que os incluiu na colectânea de 2004 "ANTOLOGIA 1971-1977".

A nós cabe-nos apenas deixar a pergunta:

"Para quando a reedição em CD dos temas que fazem parte deste e de outros álbuns de Tonicha que o povo português (a não ser que ainda tenha um velho gira-discos e as gravações dos tempos do vinil pode ter o prazer de os ouvir) tem sido privado ao longo destes anos?"

Ouvintes e compradores com certeza não faltam, isto a julgar pelo feedback que temos tido neste espaço de homenagem à carreira da cantora (de pessoas das mais variadas idades e proveniências que sucessivamente nos perguntam onde e como podem adquirir esses álbuns) e à afluência de público aos seus últimos espectáculos... Já aqui demos conta de alguns desses momentos!

Deste belíssimo "CANTIGAS DO MEU PAÍS", e dos EPs que se lhe seguiram, merecem ainda o nosso destaque e admiração todos aqueles que colaboraram para tornar possível este trabalho:

Álvaro João
(Fotografias)
Júlio Gomes
(Fotografias)

PLATEIA nº758, de 12 de Agosto de 1975



Numa edição da revista PLATEIA do ano do lançamento deste álbum, encontrámos esta fotografia, a propósito da edição de um disco de Paulo de Carvalho para a etiqueta Orfeu de Arnaldo Trindade.
Na fotografia, vislumbramos a nossa Tonicha atrás do Paulo, curiosamente com o belo vestido que usou para a série de fotografias do álbum e respectivos Eps de "CANTIGAS DO MEU PAÍS". Cremos que esta fotografia foi tirada durante uma festa de promoção dos artistas que gravavam para esta editora nortenha.

25 de março de 2009

TONICHA: CANTIGAS DO MEU PAÍS

FOLCLORE 1
EP, ORFEU, ATEP 6683



O ano de 1975 foi para Tonicha um ano muito prolífico em gravações.
Foi o ano em que editou cerca de 15 discos, entre LPs, singles e EPs, entre álbuns com temas do Cancioneiro Popular Português e álbuns de autor e de cariz mais interventivo.

Foi neste ano que os portugueses viram chegar ao mercado um belíssimo álbum de temas do Cancioneiro Popular Português chamado "CANTIGAS DO MEU PAÍS", do qual foram editados 3 EP's intitulados respectivamente "Folclore 1", "Folclore 2" e "Folclore 3", que apresentamos a partir de agora.



Primeiro desta série de EPs retirados do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS" (que ficaria marcado pela excelente colaboração de Tonicha com Jorge Palma - na altura ainda um compositor não tão conhecido como hoje - na supervisão e mistura das músicas, o EP "Folclore 1" reúne 4 temas. Um deles ainda hoje é muito conhecido e às vezes é recordado nos espectáculos da cantora: o "Fadinho do Pobre".

Do alinhamento do EP, este tema ("Fadinho do Pobre") é aliás o único, infelizmente, que voltou a ter a sua reedição em CD, pelas mãos da editora Movieplay (detentora de grande parte do melhor e mais significativo repertório de Tonicha relativo à década de 70) que o incluiu no CD2 da colectânea de 2004 de nome "ANTOLOGIA 1971-1977".

FACE A
FADINHO DO POBRE
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)

FACE B
CANTIGA DO REI
(Popular)
VIDA MILITAR
(Popular)



FADINHO DO POBRE
(Popular)

Ó minha mãe dos trabalhos
Para quem trabalho eu
Trabalho, mato o meu corpo
Não tenho nada de meu
Trabalho, mato o meu corpo
Não tenho nada de meu.

Refrão (2x)
Quem é pobre não tem vícios
Quem é surdo está calado
Quem é pobre não namora
Pois fica sempre enganado

O nosso patrão já chora
Pelo sol que vai baixinho
Não chores patrão, não chores
Que ele vai devagarinho
Não chores patrão, não chores
Que ele vai devagarinho.

Refrão (2x)

Chega o sol posto da vida
Não consegue escapar ninguém
Leva servos e patrões
Até leva a nossa mãe
Leva servos e patrões
Até leva a nossa mãe.

Refrão (3x)

24 de março de 2009

TONICHA: SERRANA POVO

FOLCLORE 2
EP, ORFEU, ATEP 6684



O segundo EP retirado do álbum de 1975 "CANTIGAS DO MEU PAíS", da editora portuense Orfeu, é este "Folclore 2".
Este disco reúne talvez alguns dos temas mais "politizados" do álbum. Se não, atente-se nos títulos das canções: "Serrana Povo", "Compadre Partidário", "Barqueiros do Povo"... ou não tivesse ocorrido o famoso Verão quente em 1975 e não fosse o não menos famoso mas infelizmente já falecido poeta Ary dos Santos o autor destas letras .

FACE A
SERRANA POVO
(Popular - Ary dos Santos)
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Popular - Ary dos Santos)

FACE B
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Popular - Ary dos Santos)



SERRANA POVO
(Popular - Ary dos Santos)

Serrana ó serraninha
Sem pão nem vinho
Sem pai nem mãe.

Sim senhor, eu da terra sou
Mas em quem eu sou
Não manda ninguém.

Serrana, linda serrana
Ninguém te engana
Na tua lida.

Sim senhor, eu da terra sou
E a ela dou
Toda a minha vida.

Serrana, serrana forte
Nem sempre a morte
Te fez calar.

Sim senhor, eu da terra sou
E agora vou
Mas é trabalhar.

Serrana, serrana povo
Vamos de novo
Saber cantar.

Sim senhor, eu da terra sou
E agora acabou
Ter de me curvar.



RIBEIRA CHEIA
(Popular)

Ribeira vai cheia
E o barco parado
Eu queria passar lá pró outro lado
Ribeira vai cheia
E o barco parado
Eu queria passar lá pró outro lado.

Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda.

Ribeira vai cheia e o barco perdido
Se eu perder a vida
Morrerás comigo
Ribeira vai cheia e o barco perdido
Se eu perder a vida
Morrerás comigo.

Ai o barco parado
Ai o barco não anda
Eu queria passar lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquele lado
Ribeira vai cheia e o barco parado.

Na barquinha à vela
Vem sardinha boa
Vem meu amorzinho sentadinho à proa
Na barquinha à vela
Vem sardinha boa
Vem meu amorzinho sentadinho à proa.

Ai o barco parado
Ai o barco não anda
Eu queria passar lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquele lado
Ribeira vai cheia e o barco parado.

Meu amor barqueiro
Tem lancha no cais
Hoje é camarada
Pró ano é arrais.
Meu amor barqueiro
Tem lancha no cais
Hoje é camarada
Pró ano é arrais.

Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda.