25 de março de 2009

TONICHA: CANTIGAS DO MEU PAÍS

FOLCLORE 1
EP, ORFEU, ATEP 6683



O ano de 1975 foi para Tonicha um ano muito prolífico em gravações.
Foi o ano em que editou cerca de 15 discos, entre LPs, singles e EPs, entre álbuns com temas do Cancioneiro Popular Português e álbuns de autor e de cariz mais interventivo.

Foi neste ano que os portugueses viram chegar ao mercado um belíssimo álbum de temas do Cancioneiro Popular Português chamado "CANTIGAS DO MEU PAÍS", do qual foram editados 3 EP's intitulados respectivamente "Folclore 1", "Folclore 2" e "Folclore 3", que apresentamos a partir de agora.



Primeiro desta série de EPs retirados do álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS" (que ficaria marcado pela excelente colaboração de Tonicha com Jorge Palma - na altura ainda um compositor não tão conhecido como hoje - na supervisão e mistura das músicas, o EP "Folclore 1" reúne 4 temas. Um deles ainda hoje é muito conhecido e às vezes é recordado nos espectáculos da cantora: o "Fadinho do Pobre".

Do alinhamento do EP, este tema ("Fadinho do Pobre") é aliás o único, infelizmente, que voltou a ter a sua reedição em CD, pelas mãos da editora Movieplay (detentora de grande parte do melhor e mais significativo repertório de Tonicha relativo à década de 70) que o incluiu no CD2 da colectânea de 2004 de nome "ANTOLOGIA 1971-1977".

FACE A
FADINHO DO POBRE
(Popular)
BARQUINHA FEITICEIRA
(Popular)

FACE B
CANTIGA DO REI
(Popular)
VIDA MILITAR
(Popular)



FADINHO DO POBRE
(Popular)

Ó minha mãe dos trabalhos
Para quem trabalho eu
Trabalho, mato o meu corpo
Não tenho nada de meu
Trabalho, mato o meu corpo
Não tenho nada de meu.

Refrão (2x)
Quem é pobre não tem vícios
Quem é surdo está calado
Quem é pobre não namora
Pois fica sempre enganado

O nosso patrão já chora
Pelo sol que vai baixinho
Não chores patrão, não chores
Que ele vai devagarinho
Não chores patrão, não chores
Que ele vai devagarinho.

Refrão (2x)

Chega o sol posto da vida
Não consegue escapar ninguém
Leva servos e patrões
Até leva a nossa mãe
Leva servos e patrões
Até leva a nossa mãe.

Refrão (3x)

24 de março de 2009

TONICHA: SERRANA POVO

FOLCLORE 2
EP, ORFEU, ATEP 6684



O segundo EP retirado do álbum de 1975 "CANTIGAS DO MEU PAíS", da editora portuense Orfeu, é este "Folclore 2".
Este disco reúne talvez alguns dos temas mais "politizados" do álbum. Se não, atente-se nos títulos das canções: "Serrana Povo", "Compadre Partidário", "Barqueiros do Povo"... ou não tivesse ocorrido o famoso Verão quente em 1975 e não fosse o não menos famoso mas infelizmente já falecido poeta Ary dos Santos o autor destas letras .

FACE A
SERRANA POVO
(Popular - Ary dos Santos)
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Popular - Ary dos Santos)

FACE B
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Popular - Ary dos Santos)



SERRANA POVO
(Popular - Ary dos Santos)

Serrana ó serraninha
Sem pão nem vinho
Sem pai nem mãe.

Sim senhor, eu da terra sou
Mas em quem eu sou
Não manda ninguém.

Serrana, linda serrana
Ninguém te engana
Na tua lida.

Sim senhor, eu da terra sou
E a ela dou
Toda a minha vida.

Serrana, serrana forte
Nem sempre a morte
Te fez calar.

Sim senhor, eu da terra sou
E agora vou
Mas é trabalhar.

Serrana, serrana povo
Vamos de novo
Saber cantar.

Sim senhor, eu da terra sou
E agora acabou
Ter de me curvar.



RIBEIRA CHEIA
(Popular)

Ribeira vai cheia
E o barco parado
Eu queria passar lá pró outro lado
Ribeira vai cheia
E o barco parado
Eu queria passar lá pró outro lado.

Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda.

Ribeira vai cheia e o barco perdido
Se eu perder a vida
Morrerás comigo
Ribeira vai cheia e o barco perdido
Se eu perder a vida
Morrerás comigo.

Ai o barco parado
Ai o barco não anda
Eu queria passar lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquele lado
Ribeira vai cheia e o barco parado.

Na barquinha à vela
Vem sardinha boa
Vem meu amorzinho sentadinho à proa
Na barquinha à vela
Vem sardinha boa
Vem meu amorzinho sentadinho à proa.

Ai o barco parado
Ai o barco não anda
Eu queria passar lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquela banda
Ai lá pr'áquele lado
Ribeira vai cheia e o barco parado.

Meu amor barqueiro
Tem lancha no cais
Hoje é camarada
Pró ano é arrais.
Meu amor barqueiro
Tem lancha no cais
Hoje é camarada
Pró ano é arrais.

Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda
Ai lá pró outro lado
Ai lá prá outra banda
Ribeira vai cheia e o barco não anda.

16 de março de 2009

TONICHA: A MODA DA SAIA CURTA

FOLCLORE 3
EP, ORFEU, ATEP 6685



Esta série de discos ficou marcada pela colaboração de Tonicha com JORGE PALMA que, para além de assinar a Supervisão e as Misturas do LP, surge na gravação ao piano e a tocar xilofone.
O álbum "CANTIGAS DO MEU PAÍS" ficou também conhecido pela participação, no acompanhamento, do Conjunto de Guitarras de António Chainho constituído pelo grande guitarrista António Chainho, por Nobre Costa, J. M. Nóbrega e Raúl Silva.
A parceria vencedora com o poeta José Carlos Ary dos Santos manteve-se na escrita de alguns temas.

FACE A
A MODA DA SAIA CURTA
(Popular - Ary dos Santos)
DOBADOIRA
(Popular)

FACE B
MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)
ISTO AGORA OU VAI OU RACHA
(Popular - Ary dos Santos)

Tanto o álbum como os EPs, editados pela ORFEU, mantiveram o grafismo (um belo lettering marcadamente dos anos 70 no nome de Tonicha, com uma ligeira variação entre o álbum e os EPs) e as belas fotografias de Álvaro João (colaborador em muitos discos da cantora) e Júlio Gomes.

Do alinhamento deste EP "Folclore 3" destacamos o belíssimo tema "Malhão de Cinfães" que, juntamente com "A moda da saia curta" foram, do conjunto dos quatro temas, os únicos a terem reedição em CD. Integram a colectânea de 2004 lançada pela Movieplay com o nome "ANTOLOGIA 1971-1977".

MALHÃO DE CINFÃES
(Popular)

Ó Malhão triste Malhão
Ó Malhão triste Malhão
Ó Malhão triste coitado
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.

Ó Malhão triste coitado
Por causa de ti Malhão
Ando triste, apaixonado
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.

O Malhão quando morreu
O Malhão quando morreu
Deixou dito na escritura
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.

Deixou dito na escritura
Que lhe forrasse o caixão
Com pano de pouca dura
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais
Eu por ti suspiro, eu por ti dou ais
Eu por ti não posso suspirar jamais.



A MODA DA SAIA CURTA
(Popular - Ary dos Santos)

A moda da saia curta
É uma moda excelente
A moda da saia curta
É uma moda excelente
Deixa os joelhos à mostra
Faz inveja a muita gente.

Ai menina encurta a saia
Dá-lhe a medida moderna
Ai menina encurta a saia
Dá-lhe a medida moderna
Quem não encurtar a saia
Não pode mostrar a perna.

A moda da saia curta
Nunca fez mal a ninguém
A moda da saia curta
Nunca fez mal a ninguém
Porque umas pernas bem feitas
Só as mostra quem as tem.

A moda da saia curta
Também tem os seus porquês
A moda da saia curta
Também tem os seus porquês
Só serve a quem for bonita
Da cabeça até aos pés.

A moda da saia curta
Não gosta de coisas feias
A moda da saia curta
Não gosta de coisas feias
E põe as pernas a nu
Mesmo por baixo das meias
E põe as pernas a nu
Mesmo por baixo das meias.

8 de março de 2009

PARABÉNS

TONICHA

Hoje, Dia Internacional da Mulher, também é dia de darmos um beijo bem grande de parabéns à nossa DIVA.
Que tenha um dia feliz com muita saúde junto de quem lhe é querido. Muitos anos de vida. Um grande beijo, TONICHA.
(Adelaide, Barreiro)

4 de março de 2009

TONICHA: FARRAPEIRA

SÃO JOÃO
EP, ORFEU, ATEP 6713



Depois do espectáculo no Redondo, no acolhedor Auditório do Centro Cultural, continuamos a apresentação da discografia de Tonicha referente aos anos 70.
"Farrapeira" foi o último disco que Tonicha gravou para a editora ORFEU, em 1976.
O disco prolonga a parceria com Jorge Palma como autor dos arranjos das 4 canções populares. A produção essa ficou a cargo de João Viegas.
A bela capa deste EP reproduz a fotografia de Tonicha do álbum "CANTIGAS POPULARES", aqui multiplicada por quatro.

FACE A
FARRAPEIRA
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)
S. JOÃO
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)

FACE B
FADO
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)
POVEIRINHA
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)

Produtor: João Viegas
Orquestrador musical: Jorge Palma



SÃO JOÃO
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)

São João lá vem, lá vem
Ai se lá vem deixai-o vir
Ai ele é menino mimoso
Ai vai ao céu e torna a vir.

Refrão:
Estas é que são as saias
Estas calças é que são
Foram feitas e talhadas
Na manhã de São João
Foram feitas e talhadas
Na manhã de São João
(2x)

São João caiu na casa
Ai lá para os lados da ribeira
Ai haja quem lhe dê a cama
Que eu lhe darei a madeira.

Refrão (2x).

Dos temas presentes neste EP editados pela Orfeu e cujos direitos de publicação actualmente pertencem à editora Movieplay, apenas dois deles viram a sua reedição em CD. Trata-se dos temas "Fado" e "São João" que integraram o CD1 da "ANTOLOGIA 1971-1977" lançado no mercado em 2004 e já aqui apresentado.
Continuamos a aguardar que, em boa hora e para alegria dos muitos fãs, a Movieplay se recorde de reeditar o restante (e numeroso) material discográfico de Tonicha que nunca teve a sua reedição em formato CD.



FADO
(Popular/Arranjos: Jorge Palma)

Ai quem me dera uma lima
Para limar a garganta
Ai quem me dera uma lima
Para limar a garganta
Para cantar como a rola
Como a rola ninguém canta
Para cantar como a rola
Como a rola ninguém canta.

Já lá vai já se acabou
O tempo em que te amava
Já lá vai já se acabou
O tempo em que te amava
Tinha olhos e não via
Na cegueira em que eu andava
Tinha olhos e não via
Na cegueira em que eu andava.

É pena ou não é pena
De pena sinto aqui
É pena ou não é pena
De pena sinto aqui
Ontem pena ai de te ver
Hoje pena que te não vi
Ontem pena ai de te ver
Hoje pena que te não vi.

Escrevi na branca areia
o retrato do meu bem
Escrevi na branca areia
o retrato do meu bem
Escrevi e rasguei logo
Com medo não visse alguém
Escrevi e rasguei logo
Com medo não visse alguém.

13 de fevereiro de 2009

PRÓXIMO ESPECTÁCULO


FOTO: Mariline Alves, in Correio da Manhã

Tonicha está de volta aos espectáculos!
A apresentação do primeiro espectáculo de 2009 com o seu novo projecto musical "Tonicha e venham mais cinco... alentejanos", ocorrerá já no próximo dia 28 FEVEREIRO pelas 21h30, no AUDITÓRIO DO CENTRO CULTURAL do Município de REDONDO (Alentejo).

Do vasto repertório do Cancioneiro Popular Português que a artista gravou e popularizou ao longo da sua carreira, será a oportunidade para ouvir alguns dos temas que ainda hoje povoam o imaginário popular português, eternizadas na voz da alentejana Tonicha.
Do alinhamento do espectáculo contam-se, entre outras, canções tão conhecidas como:

RESINEIRO (Beira Alta)
Letra e música: popular/Arranjos: Rui Vaz/Francisco Martins

MINHA MÃE, MINHA MÃE (Alentejo)
Letra e música: popular/Direcção Musical e Arranjos: Jorge Palma

Ó PASTOR QUE CHORAS
Letra: José Gomes Ferreira
Música: José Almada


SENHORA DO ALMORTÃO (Beira Baixa)
Letra e Música: popular/Arranjos: Rui Vaz

MARIA RITA (Baixo Alentejo)
Letra e música: popular/Arranjos: Rui Vaz/Fontes Rocha

TOURADA (Baixo Alentejo)
Letra: popular/Adaptação: João Viegas
Música: popular/Arranjos: Rui Vaz/Francisco Martins


VIRA DOS MALMEQUERES (Ribatejo)
Letra e música: popular/Arranjos: Rui Vaz

VIRA DA RAPIOCA (Ribatejo)
Letra: popular/Adaptação: João Viegas
Música: popular/Arranjos: Naná Sousa Dias

OS BRAVOS (Açores - Ilha Terceira)
Letra e música: popular/Arranjos: António Chainho

AGRADECIMENTO:
Ao jornal Correio da Manhã e à fotógrafa Mariline Alves que autorizaram o uso, em exclusivo para o blogue da cantora Tonicha, desta foto de divulgação do espectáculo.

10 de fevereiro de 2009

TONICHA: A VOZ CONTINUA...

A memória é um processo em construção.
Vive em tudo aquilo o que já se escreveu, ressurge sempre que passa de boca em boca, (sobre)vive quando habita os imaginários.
A memória aconteceu ontem. A memória é hoje e agora neste momento em que se escreve. Há-de ser também amanhã com as palavras que se vierem a escrever.
A memória escreve-se e reescreve-se, acrescenta-se e cresce com cada nova descoberta.
A memória alimenta-se de cada vez que se lembram poetas: Ary, Joaquim Pessoa, José Gomes Ferreira, António Botto ou José Fanha. Sempre que se trauteia uma moda, sempre que um malmequer é desfolhado ou há um pastor que chora.
E por vezes, com as mesmas letras, com as palavras desses poetas, com os mesmos trauteios, com toda a matéria com que se tecem as memórias, criam-se mitos. E, não raras vezes, com essa mesma matéria viva se desfazem outros. E assim a memória renasce, rejuvenesce e continua.
Porque a voz, essa, também continua!
(Venâncio Gomes)


in Boletim Informativo do Município de Beja, Abril 2007

9 de fevereiro de 2009

08 FEVEREIRO 2009

JORNAL 24 HORAS

Na revista de domingo do Jornal 24 Horas, na coluna "Eu conto como foi" assinada semanalmente pelo jornalista Carlos Castro, foi publicada uma reportagem com o título "TONICHA - A menina do alto da serra".
Escreve Carlos Castro:

"Fica como a legenda de uma parte maior da boa música portuguesa. Entre os primeiros, ela soube sempre escolher a qualidade. Dos grandes compositores e dos inesquecíveis poetas. Um percurso iluminado. Tantas vezes festivo. A cantora pop da música ligeira dá um contributo valioso ao folclore português e no que há do seu melhor tesouro (...)".

Segue a reportagem completa com as imagens que dizem tudo...


in revista de domingo do Jornal 24 Horas
Edição nº 3911, de 08/02/2009



in revista de domingo do Jornal 24 Horas
Edição nº 3911, de 08/02/2009

5 de fevereiro de 2009

PRÓXIMO DOMINGO

JORNAL 24 HORAS

Não perca na edição do Jornal 24 Horas do próximo domingo, dia 8 de Fevereiro de 2009, um artigo sobre a cantora Tonicha.
Um retrato-perfil da cantora pelas palavras do jornalista Carlos Castro que, segundo diz: "Faz semana a semana este retrato de GENTE grande dum país que se chamava Portugal. Porque tenho memória".


Festival RTP da Canção 1978, in RTP Memória

Já na edição Nº 3022 de 16 de Dezembro de 2008 do jornal 24 Horas, numa coluna designada "Fui eu que disse", o jornalista Carlos Castro escreveu o seguinte:

"ADORO resistentes. Combatentes. Falo do João Viegas, o homem que fez do cancioneiro português uma grande parte da cultura musical deste país. Repescando cantigas como as do Zeca Afonso, criou um quinteto alentejano de vozes e músicos excelentes. No acompanhamento da que é uma senhora cantora. TONICHA continua a ser esse símbolo. E os seus espectáculos são como as amoras frescas das nossas vidas. Força João, que os bravos vão sempre à luta!"


in Jornal 24 Horas, edição nº3022 de 16/12/2008, página 28


in Jornal 24 Horas, edição nº3022 de 16/12/2008, página 28

29 de janeiro de 2009

CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR

VIRA DA DESGARRADA
LP, POLIDOR, 2480 431

Nos idos anos 70, década de grande actividade artística da cantora Tonicha e em que foram gravados muitos dos álbuns que contêm algumas das suas canções mais marcantes, e que ainda hoje povoam o imaginário popular português, Tonicha gravou o LP "CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR" para a editora Polydor (Phonogram).



Foi no ano de 1977 que foi apresentado ao público em conferência de imprensa o LP "CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR".
Deste LP foram editados dois singles, que já aqui apresentámos: "Tu és o Zé que fumas", que manteve a capa do álbum e incluiu os temas "Tu és o Zé que fumas" e "Cana Verde", e o single "Pestotira", que incluiu "Pestotira" e "Vira da desgarrada".



O repertório é do Cancioneiro Popular Português, o que é bem visível no título dado ao álbum numa clara alusão às cantigas do "nosso país", o nosso Portugal "à beira mar plantado".
Todos os títulos são populares com arranjo de J. Libório, pseudónimo de João Maria Viegas, marido de Tonicha, com que assinou muitos dos trabalhos da cantora. Deste leque de canções, apenas "VINHO NOVO" não é popular e tem letra do poeta Joaquim Pessoa.

FACE A
VIRA DA DESGARRADA
ROSAS DO MEU JARDIM
PESTOTIRA
FESTA DE CASAMENTO
CIRANDA
CANA VERDE

FACE B
TU ÉS O ZÉ QUE FUMAS
BAILARICO SALOIO
NO ALTO DAQUELA SERRA
VINHO NOVO
AS POMBINHAS DA CATRINA
CANA, REAL DAS CANAS




Na contracapa do disco consta uma bela fotografia de uma jovem Tonicha, na altura com 31 anos, de microfone na mão a cantar no seu jeito muito característico. Lamentavelmente durante as nossas pesquisas não encontrámos nenhuma referência ao autor desta foto.

ROSAS DO MEU JARDIM
(Popular)

Tu dizes que não há rosas
Nem brancas nem amarelas
Anda cá para o meu peito
Se queres ver um jardim delas.

REFRÃO:
Ó rosa não consintas
Que o cravo te ponha a mão
Que a rosa desmaiada
Já não tem essa canção.

Ó minha rosa encarnada
Criadinha ao pé do tanque
Dá-lhe o vento, dá-lhe a chuva
Cada vez está mais brilhante.

REFRÃO

Rosa que estás na roseira
Deixa-te estar fechadinha
Vou agora à minha terra
Quando vier serás minha.

REFRÃO

A rosa jurou ao lírio
Amizade sem ter fim
Agora namora um cravo
As rosas são sempre assim.


NOVA GENTE, nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro de 1977

A apresentação pública do disco foi feita com intensa cobertura radiofónica e com direito a artigos na imprensa escrita. É devido à gentileza de Tonicha e João Viegas, que nos emprestaram este material, que nos é possível apresentar a notícia e algumas das imagens que a imprensa escrita da época publicou.
No artigo de duas páginas publicado na Revista NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro de 1977, com o título "Tonicha apresentou o seu último disco!", pode ler-se:

«Há dias, no "Arraial", a Phonogram apresentou o último LP de Tonicha - cantigas duma terra à beira mar -. Reunião profundamente agradável onde a "máquina" da Rádio esteve presente, e muito bem, pois mais do que nunca a consciencialização neste sector, imperiosamente, reclama por continuação de directrizes idênticas à apresentada nessa noite no "Arraial". Bons profissionais defendendo bom trabalho.
Tonicha estreou-se no mundo da canção portuguesa em 1964. Presentemente é a artista que mais discos vende em Portugal. 40 discos e 16 prémios, algumas das distinções na carreira desta jovem alentejana que descobre o cantar do seu País na voz com que o canta.»


Aqui ficam as imagens:


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977

Na legenda pode ler-se:
"Júlio Montenegro conversa com uma das primeiras se não a primeira figura da canção ligeira portuguesa."


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977

Aqui ficam as duas páginas completas que a revista NOVA GENTE dedicou ao lançamento do LP de Tonicha "CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR":


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977


in NOVA GENTE nº 65, edição de 14 a 20 de Dezembro, 1977

17 de janeiro de 2009

JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

(7 DEZ 1937 - 18 JAN 1984)


(Ary e Tonicha durante os ensaios da "Menina", em casa do poeta, na Rua da Saudade)
FOTO: A confirmar


Faz esta semana 25 anos que José Carlos Ary dos Santos morreu.
Lembramo-lo da melhor forma que um poeta como Ary pode ser lembrado: nas canções que escreveu e que andaram sempre na boca do povo, pela voz de cantores como a nossa Tonicha.

Já em 1972, na contracapa do EP "4 canções de Patxi Andión", Ary escreveu:

"Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas [Patxi] canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Canto de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personificado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."

Fazemos aqui uma viagem pelas canções que marcaram a colaboração entre Ary dos Santos e Tonicha e que ficaram eternizadas em disco:

1971
Menina
Niña
Bergère
Mulher e força

1972
Manhã clara
Puedo inventar (versão portuguesa)
Poeta desde lejos (versão portuguesa)
20 versos a mi muerte (versão portuguesa)
Habria que saberlo (versão portuguesa)
Parole, parole (versão portuguesa)
Simplesmente Maria (versão portuguesa)

1973
Com um cravo na boca
Rosa Rosae
Batatinhas
Senhor padre Valentim
Vira do vinho
Labuta, meu bem, labuta

1974
Portugal ressuscitado
Canção combate
Obrigado soldadinho
Já chegou a liberdade
O preto no branco
Tanto me faz
Canto da Primavera
Os novos pobres
Meu amor foi a Lisboa
Riscadinho p'ra aventais
A voz do meu povo
Em Lisboa
O cacau (da Ribeira)
Vira da madrugada
Trovas do Carmo

1975
Terras de Garcia Lorca
País irmão
O povo em marcha
Soneto do trabalho
Bandeira da vitória (colaboração)
Cantaremos/Lutaremos (colaboração)
Barqueiros do povo
Serrana povo
Compadre partidário
Isto agora ou vai ou racha
A moda da saia curta

1976
O menino
Um grande amor

1993
O mercado

1997
Cavalo de palavras (co-autoria: Joaquim Pessoa)


FOTO: A confirmar

"É da torre mais alta do meu pranto
que eu canto este meu sangue
este meu povo
nessa torre maior em que apenas
sou grande
por me cantar de novo (...)"
"A voz do meu povo" in AS DUAS FACES DE TONICHA, LP, 1974

9 de janeiro de 2009

PESTOTIRA

VIRA DA DESGARRADA
SINGLE, POLYDOR, 2063033

As canções incluídas neste single da Polydor, de 1978, foram extraídas do LP "CANTIGAS DUMA TERRA À BEIRA MAR", editado pela mesma etiqueta em 1977, e que brevemente apresentaremos.
A fotografia da capa, pertencente à mesma série do single "O Menino" (Polydor, 1976), cujo autor desconhecemos, apresenta-nos uma Tonicha "à la page" dos anos 70: calça de ganga à boca de sino que tanto furor fez na época.



FACE 1
PESTOTIRA
(Popular/Arranjo: J. Libório)

FACE 2
VIRA DA DESGARRADA
(Popular/Arranjo: J. Libório)



Estes dois temas foram reeditados em CD e podem ser ouvidos no álbum "CANÇÕES PARA OS MEUS NETOS..." (Universal, 2008).
O tema "Pestotira" pode também ser ouvido no CD "OS MAIORES SUCESSOS" (Polygram, 1990), assim como na "ANTOLOGIA 77-97" (Universal, 2007) e no mais recente CD de Tonicha, "CANTOS DA VIDA" (Farol, 2008).

VIRA DA DESGARRADA
(Popular/Arranjo: J. Libório)

Ai amor toma lá pinhões
Ai que eu venho agora da feira.
Ai amor toma lá pinhões
Ai que eu venho agora da feira.
Ai casar e ganhar pra ti
Ai mais valia estar solteira.
Ai casar e ganhar pra ti
Ai mais valia estar solteira.

Refrão:
Ai o vira da desgarrada
É dançado com jeitinho
É batido e salteado
Ai nos braços do meu amorzinho.

Ai amor toma lá pinhões
Ai que eu venho de Santarém.
Ai amor toma lá pinhões
Ai que eu venho de Santarém.
Ai casar e ganhar pra ti
Ai calhava-te muito bem.
Ai casar e ganhar pra ti
Ai calhava-te muito bem.

Refrão (1x)

Ai amor fazes um vistão
Ai montado no teu cavalo.
Ai amor fazes um vistão
Ai montado no teu cavalo.
Ai saudades de ti me dão
Ai nos dias em que te não falo.
Ai saudades de ti me dão
Ai nos dias em que te não falo.

Refrão (1x)

2 de janeiro de 2009

QUEM TE QUER BEM, MEU BEM

... NOVAS MEMÓRIAS

Este novo ano de 2009 começa por nos transportar até à década de 70, certamente uma das mais ricas (em discos e espectáculos) na carreira de Tonicha.
Começamos por 1978, um ano em cheio.
Em Janeiro, Tonicha apresenta um espectáculo memorável no Teatro S. Luís, em Lisboa, e que seria transmitido posteriormente, pela RTP, para todo o país. Este "Show Tonicha 1978" mereceu críticas muito positivas na imprensa. Das nossas pesquisas, seleccionámos as duas que se seguem:


in Revista PLATEIA, Janeiro de 1978


in Revista PLATEIA, Janeiro de 1978

Em 18 de Fevereiro, no Teatro Villaret, Tonicha defendeu quatro canções no 15º Festival RTP da Canção:

PELA VIDA FORA
UM DIA UMA FLOR
CANÇÃO DA AMIZADE
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM

Nesse mesmo ano de 1978, pelas mãos da Polydor, foram editados dois singles que incluiam três dessas quatro canções.



LADO 1
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
(A. Avelar Pinho / Nuno Rodrigues)
(Arranjo de Armindo Neves)


LADO 2
UM DIA UMA FLOR
(Fernando Calvário / José Sotto Mayor)
(Arranjo de José Calvário)




QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
(A. Avelar Pinho / Nuno Rodrigues)
(Arranjo de Armindo Neves)

Meu amor, meu país de tantos rios
Mil aldeias mil meninas
A molhar os pés no mar
Meu país de mil campinas
O teu corpo hei-de cantar
Meu amor, meu país de mágoa e sol
Mil vontades mil desejos a roçar a um altar
Meu país de tantos beijos
Teu quebranto hei-de quebrar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Meu amor, meu país de ladainhas
Mil tambores, mil cantigas
A dançar d'horas no ar
Meu país de mil fadigas não te deixes enganar
Meu amor, meu país de sete cores
Mil florestas mil cidades
Onde o sol se vai sentar
Meu país de mil idades
É já tempo de casar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Meu amor, meu filho lindo
Já são horas de acordar
Meu amor eu já vou indo
É tempo de te encontrar
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Minha terra, terra minha
Minha força portuguesa
Minha terra, terra minha
Lua cheia de surpresa.
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Quem te viu meu mal, quem te quis meu bem
Quem te vê meu mal, quem te quer meu bem
Quem me quer bem, quem me quer bem, meu bem
Quem me quer bem, quem me quer bem, meu bem.

O outro single editado, também pela Polydor, inclui talvez a melhor canção desse lote: "Canção da Amizade".
Curiosamente, a única canção que não foi registada em single, "Pela vida fora" (incluída no álbum duplo "A ARTE E A MÚSICA DE TONICHA", Polydor, 1985), veio a ser a única das quatro editada em CD, em 1989, pela Polygram, mantendo o mesmo nome que o LP.



LADO 1
CANÇÃO DA AMIZADE
(Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
(Orquestração de Pedro Osório)
(Coro: Adelaide)


LADO 2
É TARDE MEU AMOR
(Joaquim Pessoa / Pedro Só)
(Orquestração de Correia Martins)



CANÇÃO DA AMIZADE
(Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
(Orquestração de Pedro Osório)

Não vou falar, nesta canção de azar ou sorte
Mas da razão que a gente tem de ser mais forte.
Uma canção é quase sempre uma viagem
É um navio subindo o rio da coragem.

Falo do amor, como uma rosa ou uma estrada
Rasgando a noite em direcção à madrugada
Trago na boca um canto aberto à claridade
Que é sempre pouca esta palavra liberdade
Liberdade, liberdade, liberdade

Meu coração, é como um pássaro poisado
Nas tuas mãos ó meu irmão desesperado
Canta comigo uma canção que seja nossa
Que a gente deve dizer tanto quanto possa.

Não estamos sós trago na voz uma mensagem
Com que este povo diz verdade e diz coragem
Quero dizer que sei de cor a tua dor
Pois a cantar a gente sofre e faz amor.

Por isso faço esta canção ó meu amigo
E a razão porque hoje canto é estar contigo
Mas não te dou nem um centavo de saudade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade
Dou-te um abraço e dou-te um cravo de amizade.

Veja os vídeos no YouTube:
(escolha a opção "assistir em alta qualidade")

PELA VIDA FORA
http://br.youtube.com/watch?v=T9w2FhYQG-Q
UM DIA UMA FLOR
http://br.youtube.com/watch?v=VtvHAlqEGek
CANÇÃO DA AMIZADE
http://br.youtube.com/watch?v=rMU83lgC_AI
QUEM TE QUER BEM, MEU BEM
http://br.youtube.com/watch?v=53SmzoYr0O0

MEGA SUCESSO
ZUMBA NA CANECA - 2ª EDIÇÃO



"Zumba na Caneca" foi um sucesso na carreira de Tonicha de tal ordem que, ainda em 1978, teve uma segunda edição com uma capa diferente. A primeira edição tinha uma fotografia da caneca que fora mandada fazer a propósito do lançamento do tema e para ser distribuída durante a conferência de imprensa. Este Natal, Tonicha e o seu marido, João Maria Viegas, surpreenderam-nos com uma prenda tão inesperada quanto inolvidável: uma das duas canecas que ainda possuiam!


"Caneca" gentilmente oferecida por Tonicha e João Maria Viegas
FOTOS: António Caló

O single que agora destacamos foi buscar uma das fotografias da série usada também para o single "O Chico Pinguinhas", 1979, cujo autor lamentavelmente desconhecemos.
Esta reedição mantém no lado B o tema "Ti Zé da horta", que cremos nunca ter sido reeditado em CD.



"Zumba na caneca", 2ª edição, mereceu edição também na Europa e no Brasil.
Nós tivemos acesso ao disco da edição francesa, por cortesia de João Maria Viegas e Tonicha. Aproveitámos a oportunidade para digitalizar, na Biblioteca José Saramago, Beja, a capa e contracapa.



Veja o vídeo no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=FpBejrEgzv4

21 de dezembro de 2008


DESIGN: VENÂNCIO GOMES