19 de agosto de 2008

TONICHA E VENHAM MAIS 5 ALENTEJANOS

Numa tarde de muito sol, rumámos ao sul para revermos Tonicha ao vivo, depois de a termos visto pela última vez na Feira do Vinho e da Vinha em Borba há cerca de quatro anos.
Demos um mergulho em São Torpes onde um mar revolto convidava à prática de desportos radicais.
Vencido o trânsito até à entrada de Sines, seguimos para a Avenida Vasco de Gama, para as tasqinhas.
Quando chegámos tivemos a agradável surpresa de assistir ao ensaio de som. Tonicha estava sentada em palco. Aproveitámos para lhe pedir um autógrafo para o cd "Canções para os meus netos" (que já aqui divulgámos) e para lhe falar desta nossa iniciativa: o blogue "Tonicha, clube de fãs".
Fomos recebidos com um sorridente "olá" e muita simpatia. A cantora disponibilizou-se para nos conceder uma entrevista para o blogue, o que nos deixou muito orgulhosos.

Enquanto não revelamos as fotografias do belo espectáculo a que assistimos na baía de Sines (pois, na fotografia, nós ainda somos resistentes ao digital), deixamos aqui o cartaz das festas.
Aproveitamos para elogiar a banda que acompanha a cantora neste novo projecto, "Tonicha e venham mais cinco alentejanos":

João Cataluna - acordeão e voz
Luís Melgueira - percussão
Caturra - percussão e voz
Gabriel Costa - baixo
Armando Torrão - guitarra portuguesa, guitarra clássica e voz.



17 de agosto de 2008

SINES RECEBE TONICHA

Estávamos nós de férias no Funchal quando recebemos uma mensagem de uma sobrinha anunciando que a Tonicha estava na RTP1. Ligámos a televisão e ainda conseguimos ouvir os acordes finais da canção do projecto "Tonicha e venham mais cinco alentejanos".
No final da "Volta" (etapa da Volta a Portugal: Beja-Portimão), Tonicha explicou este projecto que tem agora em Beja e informou que estariam este Domingo em Sines na "Feira na Avenida", iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Sines... E nós vamos lá, visto que já regressámos das férias!

MODAS DO ALENTEJO

Aproveitamos para divulgar um dos mais antigos EP de Tonicha que nos custou quase uma fortuna. É ainda editado pela RCA e é de uma colecção de folclore de Portugal, este dedicado ao Alentejo.


FOTO DA CAPA: Dário

LADO 1
RAPSÓDIA DE CANTARES ALENTEJANOS
PRIMAVERA DAS LINDAS FLORES

LADO 2
MARIA RITA, CARA BONITA
COM QUE LETRA SE ESCREVE MARIA

São todas canções populares com direcção musical do maestro Joaquim Luís Gomes.
Destacamos de entre os músicos Pedro Caldeira Cabral e Fernando Alvim.
O single não tem data, mas pelo número de série podemos constatar que é anterior ao "Resineiro".



MARIA RITA (CARA BONITA)
(Popular)

Fui um dia a uma caçada
Ó Maria Rita, eras tão bonita,
Entrei na cevada aveia,
Entrei na cevada aveia.

Vi uma lebre deitada
Ó Maria Rita, eras tão bonita
Com o pé alevantei-a
Com o pé alevantei-a.

Além vem a Marianita
Com um chapéuzinho ao lado
Traz calças de tiro-liro
Casaca de pano, chapéu desabado.

Meti a espingarda à cara
Ó Maria Rita, eras tão bonita,
Dei o gatilho matei-a.

Já vinha ferida d'outro
Ó Maria Rita, eras tão bonita,
Não era minha deixei-a.

Atirei um tiro à pomba
A pomba no ar voou
Enliou-se naquela roseira
E a maldita pomba sempre lá ficou.

21 de julho de 2008

CORREIO ALENTEJO ENTREVISTA TONICHA

Ainda antes de irmos para férias de Verão, resolvemos pesquisar na internet à procura de novidades sobre a nossa diva. Encontrámos notícias frescas: o semanário regional "CORREIO ALENTEJO" na sua edição de 18/07/2008 apresentava Tonicha na primeira página.

A notícia reportava ao regresso da cantora à sua terra natal para onde foi viver.


http://www.correioalentejo.com/index.php?go=entrevista&id=40&highlight=Tonicha

Também no "DIÁRIO DO ALENTEJO" de 18/07/2008, encontrámos o seguinte texto assinado por João Covas Lima:

"Tonicha - Beja deve sentir-se orgulhosa por esta sua filha e pela sua carreira artística feita com muito senso e valor."

"Nasceu em Beja e foi na Capricho que começou a cantar e a encantar. Era uma menina pobre, lembro-me dela em casa da minha tia Maria Isabel, na Rua das Ferrarias.
Depois foi viver no Barreiro para casa do seu tio-avô, engrossando a coluna alentejana aí sedeada.
Tinha então 16 anos e aos 18 anos, depois da prestação de provas, entrou nos quadros da Emissora Nacional.
Teve lições de grandes nomes da música portuguesa, Tavares Belo, Fernando Carvalho e Corina Freire.
Em 1965 iniciou a sua vida profissional e logo em 1966 ganhou o primeiro prémio do Festival da Figueira da Foz com a canção "Boca de Amora".
A partir daí coleccionou prémios atrás de prémios, Grandes Prémios TV da Canção e, em 1971 na Irlanda, no Festival da Eurovisão, o de levou o poema "Menina", de José Carlos Ary dos Santos, ficou em nono lugar, um dos melhores de sempre entre os cantores portugueses.
Cantou Ary dos Santos, gravou com José Cid, fez disco colectivo com a participação de Carlos Mendes e, no seu tema "Cancioneiro" foi orquestrada por Jorge Palma.
Com Ary dos Santos gravou quarenta e cinco poemas e este escreveu sobre Tonicha que esta cantava, acima de tudo, o povo ou a mágoa, a alegria ou a dor, com real e profunda comunicação humana, e que Tonicha era, então, depois de Amália, a única intérprete portuguesa com verdadeira dimensão internacional.
Baptista Bastos disse que Tonicha sabe que cantar é amar os outros e dizer-lhes que, apesar de tudo, ainda vale a pena acreditar.
No Cinema estreou-se com António silva e fez Teatro musicado com Ivone Silva.
Agora, a nossa Tonicha regressou à terra que a viu nascer. Acompanhada do seu marido, veio residir para Beja.
Foi uma verdadeira embaixadora de Beja e do Baixo Alentejo e temos o prazer e a alegria de sentir junto de nós a sua figura, simples e despretensiosa, e o seu talento que inundou o mundo da canção.
A Tonicha tudo conquistou, com muita luta e sofrimento. Mas valeu a pena. Beja deve sentir-se orgulhosa por esta sua filha e pela sua carreira  artística feita com muito senso e valor.
"

TONICHA NA REVISTA

UMA NO CRAVO OUTRA NA DITADURA



No ano de 1974, Tonicha participa pela primeira e última vez numa revista do Parque Mayer. A revista "Uma no cravo outra na ditadura", que esteve em cena no Teatro ABC, foi criada por César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos.
De acordo com a base de dados do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, do elenco inicial faziam parte:

Anabela
Aida Baptista
Ivone Silva
José de Castro
TONICHA
Fernando Tordo
José Carlos Ary dos Santos
Lurdes Pinto
João Lagarto
Paula Delgado
Efigénio Pinheiro
Ana Maria
José Damas
José Carlos
Isa Mendes

Em Janeiro de 1975, Tonicha é substituída por Beatriz da Conceição, para quem Ary fez o famoso fado "O meu corpo".

Sabemos que Tonicha gravou as canções que cantou na revista. Há meia dúzia de anos foi editado um cd pela Strauss chamado "Três vozes d'oiro" (Tonicha, Lenita Gentil e Rui de Mascarenhas)que incluía uma dessas canções: "Cacau da Ribeira".

O single que conseguimos encontrar nas nossas buscas é composto por dois temas escritos por J.C.Ary dos Santos; um com música de Fernando Tordo e outro de Pedro Osório. Foi produzido e editado por Sassetti para a marca Zip Zip.

14 de julho de 2008

TONICHA: CANÇÕES DE ABRIL

CANTAREMOS / LUTAREMOS
EP, ORFEU, ATEP 6696

Na editora Orfeu, em 1975, Tonicha grava mais um EP, ainda nos ecos da Revolução.
Pelo número de edição do disco, percebemos que este "Cantaremos/Lutaremos" é posterior ao "Serrana Povo" já aqui apresentado.
Ao contrário do outro disco, nenhum destes temas é da autoria de Ary dos Santos, mas encontramos uma curiosa "Bandeira da Vitória", com letra do crítico de televisão Mário Castrim, uma versão do incontornável hino da Ermelinda Duarte, "Somos Livres", e um poema do grande poeta António Feliciano de Castilho.

PRODUÇÃO E SELECÇÃO: João Viegas
ARRANJOS E DIRECÇÃO MUSICAL: Jorge Palma



FACE A
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

FACE B
SOMOS LIVRES
(Ermelinda Duarte)
HINO DO TRABALHO
(S. Galarza-António F. Castilho)


CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)

Agora companheiros cantaremos
por aqueles que morreram na prisão.
Cantaremos a canção que vale a pena,
com a força de uma raiva em cada mão.
Cantaremos com a voz da liberdade
e faremos dessa voz nossa razão.

Cantaremos este sol imaginado,
cantaremos esta sede de amanhã,
que tiveram os amigos que lutaram
p'ra nos dar a liberdade por irmã.

Cantaremos os caminhos que nos deram
cantaremos o sinal que ainda se vê
e deixaram os amigos que levaram
e morreram a saber por quê.

Lutaremos
(lutaremos)
Venceremos
(venceremos)
Cantaremos
(cantaremos).

TONICHA: O PRETO NO BRANCO

TANTO ME FAZ
SINGLE, ZIP-ZIP, 30 056/S



OUTRAS CANÇÕES POLITIZADAS

Mais duas canções alusivas à Revolução de Abril, ainda por conta da editora Zip Zip, produzidas e editadas por Sassetti, SARL.
Pelo número de série do single, deduz-se que é posterior ao "Obrigado Soldadinho", mas certamente do mesmo ano de 1974.
Gravado nuns estúdios em Madrid, o disco conta com os seguintes temas:

FACE A
O PRETO NO BRANCO
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Pedro Osório)




FACE B
TANTO ME FAZ
(Letra: Ary dos Santos)
(Música: Fernando Tordo)




Curiosamente, o single é desdobrável e no seu interior há uma linda fotografia da Tonicha, ainda muito jovem, em estúdio:



Os arranjos e a Direcção Musical estiveram a cargo do maestro Pedro Osório.
O single "Outras canções politizadas" foi gravado em Madrid, nos estúdios Eurosonic.

TONICHA E AS CANÇÕES DA REVOLUÇÃO


FOTO DA CAPA: Carlos Gil

Ainda na editora Zip Zip, no calor da Revolução de 74, Tonicha grava algumas canções representativas da época revolucionária que se vivia.
O primeiro disco é composto por dois temas populares, com arranjo de Pedro Osório e com letras "inflamadas" de José Carlos Ary dos Santos.

Na face A, surge "Obrigado Soldadinho", uma adaptação do "Vira dos Malmequeres" que fora um êxito na discografia de Tonicha uns anos antes.
Na Face B, encontramos "Já chegou a Liberdade", uma adaptação de "Maria Rita (Cara bonita), outro êxito de Tonicha dos anos 60.

Estes temas viriam a incluir várias colectâneas que se fizeram sobre as canções de Abril.

OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: popular/Arranjos: Pedro Osório)

Obrigado soldadinho
Marinheiro português
Ficou aberto o caminho
E não há duas sem três.

Já virou o malmequer
No quartel de Santarém
Não há homem nem mulher
Que não virasse também.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Vira a tristeza alegria
O ódio vira ternura
Virámos o dia-a-dia
Com o fim da ditadura.

O vira dos malmequeres
Está dentro de todos nós
Homens, crianças, mulheres
Todos erguemos a voz.

Soldadinho marinheiro
Quem me dera ser a tua mãe
Marinheiro soldadinho
Muito perto está quem te quer bem.

Nas voltas do nosso vira
Vira virou a tristeza
Nunca mais ninguém nos tira
dos caminhos da tristeza.

O povo canta primeiro
e não há duas sem três
obrigada marinheiro
soldadinho português.



JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Popular/Ary dos Santos)

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Chegou um dia ao Rossio
Estava tanto frio, tanta gente triste
Entrou de espingarda em riste
Entrou de espingarda em riste.

Chegou um dia à cidade
E só atirou um amor perfeito
Era o que trazia ao peito
Era o que trazia ao peito.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.

Depois foi até ao Carmo
Foi até ao cerne da nossa tristeza
E cantou "A Portuguesa"
E cantou "A Portuguesa".

E eu também cantei
só então me dei
conta da beleza
Da voz que ficou acesa
Da voz que ficou acesa.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.
No rosto traz a verdade
E na baioneta já feriu um cravo.

Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado
Já chegou a liberdade
Com um chapéu encarnado.
(4x)

TONICHA CANTA PATXI ANDION


FOTO CAPA: M. Fiuza

Este disco de 1972 apresenta as versões de José Carlos Ary dos Santos para "4 canções de Patxi Andion", com Direcção Musical do maestro Thilo Krassman.
Leia-se o interessante texto que Ary assina na contracapa:

"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um "caso" musical. Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse "caso" reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino.
Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Canto de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personificado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."


No interior do disco encontramos as letras das canções em castelhano e em português.



"20 versos a mi muerte"
(versão: Ary dos Santos)

Ai quando eu morrer não quero
Nem coroas de cravos velhos
Nem ramos de lirios secos
Que me flagelem os dedos.

Quero que o ar se recolha
Até que o eco tropece
Quero morrer devagar
E que a vida recomece.

Eu quero morrer descalça
Metida dentro da terra
Sem uma lágrima falsa
Como se um filho tivera.

Eu quero que a terra seja
O lençol da minha vida
À morte que se deseja
Porque não é despedida.

Destas 4 belas canções que integraram este EP de 1972, apenas o tema "Poeta desde lejos" foi reeditado, na versão portuguesa, na colectânea da Movieplay "ANTOLOGIA 1971-1977" do ano 2004.
Mais uma vez, uma parte importante do material discográfico de Tonicha fica por enquanto confinado ao vinil, enquanto se espera que as editoras apostem, invistam, na reedição destes temas. Ouvintes interessados há muitos, espalhados de norte a sul do país, e até no estrangeiro (incluindo na vizinha Espanha onde a carreira de Tonicha ainda é lembrada e seguida atentamente).

2 de julho de 2008

1971
"MENINA" en espagnol



Numa das várias lojas que hoje em dia se dedicam à venda de discos antigos, fomos encontrar a versão em castelhano dos dois temas de Ary dos Santos e Nazareth Fernandes que compunham o disco do FESTIVAL RTP DA CANÇÃO de 1971: "Niña" e "Mujer".
É uma edição Belter a partir da gravação original dos Discos Zip.

TONICHA CANTA O RESINEIRO

Entusiasmados com a criação do blogue, começámos a coleccionar os vinis de Tonicha, com o intuito de vir a possuir toda a sua discografia e poder aqui divulgá-la.
Voltámos ao Chiado, fizemos encomendas, fomos aos leilões da net...e havemos de ir à Feira da Ladra!

Os primeiros que encontrámos já cá tínhamos mostrado as capas (encontradas na Internet), mas vemo-nos agora obrigados a completar a informação acerca deles.
São do tempo da editora RCA, dos quais Tonicha vendeu milhares de exemplares. Infelizmente a data não consta em nenhum deles. Imaginamo-los nos finais dos anos 60, certamente antes de 71, ano do seu êxito do Eurofestival na editora Zip Zip.



Neste primeiro disco de vinil (que embora, na capa, se chame "FOLCLORE DE PORTUGAL" acabou por ficar conhecido pelo "RESINEIRO") surgem 4 temas do Cancioneiro Popular, todos com arranjos de Filipe de Brito. O tema "Resineiro" já tinha antes sido gravado por Zeca Afonso.
A belíssima fotografia da capa (Créditos: DÁRIO) é talvez uma das imagens mais (re)conhecidas de Tonicha, aqui retratada com um típico capote alentejano.

LADO 1
SENHORA DO ALMORTÃO
(Beira Baixa)
PÉSINHO DO PICO
(Açores)

LADO 2
RESINEIRO
(Beira Alta)
LÍRIO BRANCO
(Douro Litoral)



RESINEIRO
(Popular / Arranjo: Filipe de Brito)

Resineiro engraçado
Engraçado no falar
Óioai eu hei-de ir à terra dele
Óioai se ele me lá quiser levar.

Já tenho papel e tinta
Caneta e mata-borrão
Óioai p'ra escrever ao resineiro
Óioai que trago no coração.

Resineiro é casado
É casado e tem mulher
Óioai vou escrever ao resineiro
Óioai quantas vezes eu quiser.

Resineiro engraçado
Engraçado no falar
Óioai eu hei-de ir à terra dele
Óioai se ele me lá quiser levar.



A segunda "pérola" encontrada, com repertório assente no Cancioneiro Popular Português, é mais um EP com quatro temas populares.
Numa edição para a RCA, o EP foi lançado no mercado com o nome "TONICHA canta FOLCLORE DE PORTUGAL". A série de fotografias tirada por esta altura, uma das quais usada para este disco, são da autoria de M. FIUZA.
Praticamente todos os temas tiveram arranjo musical de João Viegas, marido da cantora, à excepção da canção "Coradinhas" cujo arranjo musical foi feito pelo músico Francisco Naia, primo de Tonicha.

LADO 1
VAI DE RUZ TRUZ TRUZ
(Ribatejo/Arranjos: João Viegas)
CORADINHAS
(Alto Alentejo/Arranjos: Francisco Naia)

LADO 2
LA-RI-LÓ-LÉ
(Ribatejo/Arranjos: João Viegas)
TROVAS MINHOTAS
(Minho/Arranjos: João Viegas



Temos que fazer uma especial chamada de atenção para a importante participação, na gravação destes temas, do "CONJUNTO DE GUITARRAS DE RAUL NERY" composto pelos músicos:

RAUL NERY
(1ª guitarra)
ANTÓNIO CHAINHO
(2ª guitarra)
JÚLIO GOMES
(Viola)
JOSÉ M. NÓBREGA
(Viola Baixo)
2008
Aniversário em Alpiarça




"O dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, foi assinalado em Alpiarça com o Chá das 21h, um espectáculo variado e muito animado, que teve lugar no Pavilhão Auxiliar do Clube Desportivo “Os Águias” e que contou com a participação especial da cantora Tonicha."

in Notícias do Município de Alpiarça

Curiosamente esse dia é também o dia do aniversário de Tonicha. Este ano somou 62 primaveras. Parabéns, menina!

18 de junho de 2008

TONICHA E AS CANTIGAS DO MEU PAÍS



Continuamos em permanente busca de material discográfico e iconográfico de Tonicha.
Hoje fomos até ao Chiado e encontrámos este single raro, de 1975. Repare-se nos títulos tão politizados... e não fosse o Verão quente no ano da publicação deste vinyl e o autor das letras o Ary.Trata-se do volume "Folclore 2" dedicado às "Cantigas do meu país" que contém 4 temas:

FACE A
SERRANA POVO
(Popular - Ary dos Santos)
COMPADRE PARTIDÁRIO
(Popular - Ary dos Santos)

FACE B
RIBEIRA CHEIA
(Popular)
BARQUEIROS DO POVO
(Popular - Ary dos Santos)

17 de junho de 2008

TONICHA: CANÇÕES PARA OS MEUS NETOS

Uma nova colectânea

"Que conste, nunca foi feita qualquer edição discográfica para crianças, a partir de temas tradicionais do Cancioneiro Popular Português.
Em boa verdade é para as crianças que estas canções deverão ser dedicadas em primeiro lugar, para que os homens e mulheres de amanhã conheçam este riquíssimo património nacional.
Músicas e poemas de inspiração popular recolhidas de norte a sul de Portugal. Canções de roda, de festa, de mágoa e outras que constituem a afirmação da capacidade criativa do nosso povo.
(...)
Já Almeida Garrett escreveu:
'Quem não tem olhado senão à superfície da nossa cultura, não crê, que ao pé, por baixo, anda outra literatura que é a verdadeira nacional, a popular'."

João Viegas
Setembro de 2007



1 As pombinhas da Cat'rina
2 O mar enrola na areia
3 Todos me querem
4 Vai de Ruz-Truz Truz
5 La-ri-ló-lé
6 Não vás ao mar Tonho
7 Vira da Rapioca
8 Maria Rita (Cara bonita)
9 No alto daquela serra
10 Resineiro (engraçado)
11 Festa de casamento
12 Vira dos malmequeres
13 Pestotira
14 Torradinhas
15 Tu és o Zé que fumas
16 Rosinha
17 Vira da desgarrada
18 Rosas do meu jardim
19 Senhora do Almortão
20 O menino

TONICHA NA OPERAÇÃO TRIUNFO



Quando há já algum tempo não se ouvia cantar Tonicha, eis que a cantora nos surpreende e entra-nos casa adentro na Gala nº10 da Operação Triunfo, na RTP.
Num dueto com o Ricardo, Tonicha recordou-nos o ano de 1971, com a canção mais emblemática da sua carreira e que a fez correr o mundo: "Menina (do Alto da Serra)".









Porque as fotos sabem a pouco, espreite...e recorde!
http://br.youtube.com/watch?v=vyrQfNxJuDY

TONICHA NO DANÇA COMIGO

RTP


Em Abril de 2007, Tonicha deu um ar da sua graça, ao dar uns passos de dança no programa "Dança Comigo" da RTP1.
Temos pena de não ter nenhuma imagem disponível da sua participação. Quando o conseguirmos, apresentá-la-emos.


16 de junho de 2008

TONICHA: ANTOLOGIA 77-97



Como resposta à antologia da Movieplay, a editora actual da Tonicha, a Universal, publica em 2007 uma nova recolha do seu próprio catálogo a que chamou "ANTOLOGIA 77-97".
Trata-se de um cd duplo com o seguinte alinhamento:

CD 1
01 Tu és o Zé que fumas
02 Pestotira
03 Marcha da Mouraria
04 Zumba na Caneca
05 Chico Pinguinhas
06 Gaiteiro Português
07 Sericotalho, Bacalhau, Azeite e Alho
08 Canção sem ti
09 Canção da Alegria
10 Canção de Rosalinda
11 Fadinho da Comida
12 Pulguinhas
13 Marcha dos Marinheiros
14 Não vás ao Mar Tónho
15 Todos me Querem
16 O mar enrola na Areia

CD 2
01 Pinga Amor
02 O Cavaquinho
03 Caldo Verde
04 Canção do Cigano
05 Mariana
06 Chula
07 Uma Rosa por amor
08 Ao Domingo
09 Resineiro
10 Vira dos Malmequeres
11 Maria Faia
12 O que é que eu faço
13 O mercado
14 Maria da Conceição
15 O nosso Menino
16 Menino de Oiro, Menino de Lata

14 de junho de 2008

TONICHA : ANTOLOGIA 1971-1977



A propósito da edição de mais uma colectânea de Tonicha, Ema Pedrosa, que também seleccionou o repertório, escreve:

"Sem dúvida, este é um dos melhores discos portugueses publicados nos últimos anos, sejam colectâneas ou de originais. Simplesmente Tonicha em trinta das mais aplaudidas canções do seu repertório, tradicionais e de autor, registadas no auge da sua carreira.
De passos seguros se fez a sua merecida ascensão. Em discos e espectáculos com excepcional qualidade, e um repertório que ultrapassa 600 canções e 150 discos, Tonicha cantou os nossos melhores poetas e compositores, foi acompanhada pelos melhores músicos, teve os melhores instrumentistas e directores de orquestra.
(...) Tonicha é um caso raro de popularidade e qualidade, da aliança de uma boa voz à interpretação sentida e cuidada, à presença gentil, elegante e sóbria. É um cartaz de que o país se orgulha. Esta mulher-menina está no coração dos portugueses de todas as idades, pelo que é imperioso continuar a ouvi-la e re-conhecer, assim, umas boas mãos cheias do que de melhor se escreveu, cantou, gravou e editou, sob a assinatura de gente portuguesa."
Ema Pedrosa, 15/07/2004, in Tonicha Antologia 1971-1977, Movieplay



Esta antologia é editada pela Movieplay reunindo temas que Tonicha gravou para várias editoras.
São dois discos que incluem 30 canções. Entre elas surgem pérolas do nosso folclore como "Os bravos", "Ribeira cheia", "Minha mãe, minha mãe" ou "Charamba".
Integram também esta colecção temas de autor: a incontornável "Menina do alto da serra", "Contraluz", "Terras de Garcia Lorca", "Poeta desde lejos" (de Patxi Andión) e "Glória, glória, aleluia".



CD1
1 Menina do Alto da serra
2 A amendoeira
3 Batatinhas
4 Os bravos
5 Com um cravo na boca
6 Contraluz
7 Terras de Garcia Lorca
8 S. João
9 Malhão de Cinfães
10 Entrudo
11 Labuta, meu bem, labuta
12 Ribeira cheia
13 Fado
14 Riscadinho pra aventais
15 Senhor Padre Valentim



CD2
1 Glória, Glória, Aleleuia
2 Minha mãe, minha mãe
3 Milho verde
4 Poeta desde lejos
5 Simplesmente Maria
6 Charamba
7 Passarinho trigueiro
8 Malhão de Águeda
9 Menina Florentina
10 A moda da saia curta
11 Fadinho do pobre
12 Farrapeirinha
13 Vareira do mar
14 Vira do vinho
15 Chula de Viana


Selecção de Repertório e texto de Ema Pedrosa/Design Gráfico: Roda Dentada

TONICHA: O MELHOR DE DOIS

TONICHA / TRIO ODEMIRA
CD, UNIVERSAL, 013985-2



A Universal vasculhou no seu catálogo de música portuguesa e editou, em 2001, uma série a que chamou "O melhor de dois", reunindo dois artistas em cada cd. A Tonicha calhou a companhia do Trio Odemira. As canções escolhidas para este disco pertencem ao repertório mais popular da cantora.

TONICHA: A VOZ DO MEU POVO

25 ABRIL 25 ANOS 25 CANÇÕES



No ano de 1998, a editora Strauss edita uma compilação de canções de ante e após Revolução para comemorar os 25 anos do 25 de Abril.
Para esta compilação seleccionaram duas canções a solo de Tonicha: "A voz do meu povo" de Ary dos Santos e Fernando Tordo e "Obrigado soldadinho" com letra de Ary dos Santos (sobre a música popular "Vira dos malmequeres"), e com arranjo de Pedro Osório.

A VOZ DO MEU POVO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

É da torre mais alta do meu pranto
Que eu canto este meu sangue
Este meu povo
Nessa torre maior em que apenas
Sou grande
Por me cantar de novo

Cantar como quem despe
A ganga da tristeza
E põe a nú a espada da saudade
Chama que nasce e cresce
E vive e morre acesa
Em plena liberdade

É da voz do meu povo uma criança
Semi-nua nas docas de Lisboa
Que eu ganho a minha voz
Caldo verde sem esperança
Laranja de humildade
Amarga lança
Até que a voz me doa

É da voz do meu povo uma traineira
Que já não pode mais andar à toa
Que acendo a minha voz
Na praça da Ribeira
A praça da canção que tem Lisboa.


in 25 ABRIL 25 ANOS 25 CANÇÕES, Strauss, 1998

Incluíram também duas canções gravadas na euforia de Abril pelo grupo INCLAVE, pela Tonicha e pelo Fernando Tordo: "Portugal Ressuscitado" ("Agora o povo unido nunca mais será vencido") e "Canção Combate" ("A Pide agora já não nos persegue/E já cá canta o Manuel Alegre").

PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)

Depois da fome, da guerra
Da prisão e da tortura
Vi abrir-se a minha terra
Como um cravo de ternura

Vi nas ruas da cidade
O coração do meu povo
Gaivota da Liberdade
Voando num Tejo novo

Agora o povo unido
Nunca mais será vencido
Nunca mais será vencido

Vi nas bocas, vi nos olhos
Nos braços, nas mãos acesas
Cravos vermelhos aos molhos
Rosas livres portuguesas

Vi as portas da prisão
Abertas de par em par
Vi passar a procissão
Do meu país a cantar

Nunca mais nos curvaremos
Às armas da repressão
Somos a força que temos
A pulsar no coração

Enquanto nos mantivermos
Todos juntos lado a lado
Somos a glória de sermos
Portugal ressuscitado.

TONICHA: MULHER

MULHER
CD, POLYGRAM, 537243-2



Em 1997, Tonicha regressa às grandes canções de amor com um repertório muito cuidado quer na escolha dos poemas, quer na música e nos arranjos musicais.
Há poemas de José Gomes Ferreira, Raúl de Carvalho, Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e António Botto. Há duas versões de canções estrangeiras: "Que mulher é esta" de Bryan Adams e "Dias de arco-íris" de Di Bari. Há ainda uma bonita homenagem em forma de canção, de Tozé Brito e António Pinho, à carreira de Tonicha: "O meu caminho".
Todas as fotografias presentes no álbum são da autoria de Jorge Nogueira.

Na contracapa do CD encontram-se as seguintes palavras de Baptista-Bastos:

A Piaf afirmava que a arte de cantar (ela dizia, de uma forma mais rigorosa: "cançonetar") tinha como matriz "um pungente apelo interior". Tonicha pertence a essa estirpe de gente que canta aqueles que nos cantaram, servindo-se de uma voz pessoalíssima e absolutamente intransmissível. Digo: inimitável. Ela possui o tal registo interior que confere aos poemas escolhidos a dimensão do tempo, a marca de uma época e o timbre de uma personalidade. Personalidade, isso mesmo. Até porque Tonicha sabe, como poucos cantores portugueses, que cantar é amar o outro; os outros. E dizer-lhes que, apesar de tudo, ainda vale a pena acreditar. Porque não há conquista sem luta nem luta sem sofrimento.
Convido-os a escutar este disco, afinal a veemência de uma declaração de amor ao outro, aos outros-a todos nós.
Baptista-Bastos in MULHER, Polygram, 1997


POEMA DE AMOR
(António Botto / Arranjo: Luís Pedro Fonseca)

Quem é que abraça o meu corpo
na penumbra do meu leito?
quem é que beija o meu rosto
quem é que morde o meu peito.

Quem é que fala da morte
docemente ao meu ouvido?
és tu senhor dos meus olhos
e sempre do meu sentido.

De saudades vou morrendo
e na morte vou pensando.
Meu amor porque partiste
sem me dizer até quando?

Na minha boca tão triste
ó alegrias, cantai
mas quem acode ao que eu digo
- Enchei-vos de água, meus olhos
enchei-vos de água, chorai.



CAVALO DE PALAVRAS
(Ary dos Santos/Joaquim Pessoa/Carlos Mendes)

Dos seixos destas mãos
Prenhes de mágoas
Dos freixos que dobravam a cintura
Dos olhos que já trouxe rasos de água
Eu fiz o meu ribeiro de ternura.

E das palavras ditas em segredo
Das coisas ciciadas pelo vento
Da minha imensa luta contra o medo
Eu fiz o meu caudal de sofrimento.

Cavalo de palavras quem me agarra
Quem aparta de mim esta saudade
Quem faz da minha voz uma guitarra
Tocada pelos dedos da verdade.

Quem é que põe a flor da madressilva
Na louca trepadeira dos meus braços
Quem pode desbravar a minha selva
De angústias e tormentos e cansaços.

E quem terá a cor da buganvília
Espreitando pelos olhos da janela
Quem pode ser a sombra de uma tília
Cheirando a alfazema e a canela.

Só tu que eu inventei mas não existes
Só tu que não sei bem se não és eu
E alegras os momentos que são tristes
E deitas o teu corpo sobre o meu.

O MEU CAMINHO
(Tozé Brito / António Pinho)

Essa voz lá de longe da minha terra
O chão que eu senti na ponta dos dedos
Contaram-me histórias
Que trazem memórias
De velhos segredos.

Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.

Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mar de prata
Corpo miudinho
Alma de fragata
Fiz o meu caminho.

Fiz o meu caminho
Fui como andorinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho
Em chegando a hora.

Faço o meu caminho.

Essa Mãe toda toda oiro do trigo e do Sol
O vento a cantar na veia d'água a correr
Mulher e menina
Foi a minha sina
Meu jeito de ser.

Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.

Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho.

Em chegando a hora
Faço o meu caminho.



AO MENOS UMA VEZ
(Letra e música: Pedro Barroso)

Abrir a porta que dá para o rio defronte
morder um malmequer azedo p'lo caminho
regressar de ouvido ao som que estava ausente
sentir o sol na cara e o cheiro a rosmaninho
e às vezes uma ortiga
às vezes uma rosa
e às vezes uma amora
que eu mordo com saudade
estamos sempre a tempo de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente de verdade.

Soltar na noite aberta a fantasia
viver o sonho como quem se aquece
ao fogo de um cuidado, ao fogo de um carinho
tecer em linho puro a vida que acontece
e às vezes uma ideia,
às vezes um poema,
às vezes um olhar
que vai valer a pena
estamos sempre a tempo
de ainda descobrir
ao menos uma vez
um gesto por sentir
depois ficam amigos às vezes até tarde
quando passa o carteiro a gente diz - Bom dia!
ser português assim se querem a verdade
é nascer uma menina e os pais porem: Maria...
e às vezes encontrar
razões p'ra lá de nós
e às vasculhar
na arca dos avós
estamos sempre a tempo
de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente conseguida.



TERRA MÃE
(Raúl de Carvalho / Arranjo: Luís Pedro Fonseca)

Lá nos campos, tristes campos
Dos campos do Alentejo
Vim ainda pequenina
- E pequenina me vejo...

Lá nos campos, tristes campos
Da solitária planura
Nasceu a minha revolta
Nasceu a minha amargura.

Lá nos campos, tristes campos
Vem a lembrança de tudo
O que mais amo e desejo.
Vem a fome a sede e o sonho
Das terras do Alentejo.



Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira/José Almada)

Ó pastor que choras
O teu rebanho onde está
Deita as mágoas fora
Carneiros é o que mais há

Uns de finos modos
Outros vis por desprazer
Mas carneiros todos
Com cargo de obedecer

Quem te pôs na orelha
Essas cerejas, pastor
São de cor vermelha
Vai pintá-las doutra cor

Vai pintar os frutos
As amoras e os rosais
Vai pintar de luto
As papoilas e os trigais.

QUE MULHER É ESTA
(J. Fanha/B. Adams/R. J. Lange/ N. Kamen)
Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira/José Almada)
NA PEDRA DO TEU ANEL
(António Pinho/Carlos A. Vidal)
AO MENOS UMA VEZ
(Pedro Barroso)
FOLHINHA VERDE
(António A. Pinto/Carlos A. Vidal)
TERRA MÃE
(Raul de Carvalho/Luís Pedro Fonseca)
CAVALO DE PALAVRAS
(Ary dos Santos/Joaquim Pessoa/Carlos Mendes)
O NOSSO MENINO
(António A. Pinho/Carlos A. Vidal)
POEMA DE AMOR
(António Botto/Luís Pedro Fonseca)
DIAS DE ARCO-ÍRIS
(António J. L. Lampreia/Masini/Pintacci/Di Bari)
AVÉ MARIA
(Luís Pedro Fonseca/Schubert)
O MEU CAMINHO
(António A. Pinho/ Tozé Brito)