14 de junho de 2008

TONICHA: ELA POR ELA

CHAMAR-TE MEU AMOR
LP, POLYDOR, 2480 586

Grava o álbum "ELA POR ELA", em 1980 em Lisboa (de 15 de Setembro a 22 de Outubro), com canções de Carlos Mendes, Joaquim Pessoa, Tozé Brito e Pedro Osório.
"ELA POR ELA", considerado por muitos o melhor disco de repertório de autor de sempre de Tonicha, contém algumas das melhores interpretações da cantora, casos de "Canção da Alegria", "Chamar-te meu amor" (com arranjo de Pedro Osório, talvez uma das melhores canções de amor que Tonicha já cantou) e "Canção sem ti", que juntamente com "Canção de Rosalinda" foram das mais tocadas na rádio.



É de salientar ainda os excelentes temas "Canção da coragem" e "Canção do amor perdido", uma composição de Carlos Mendes para as letras do poeta Joaquim Pessoa, que Tonicha interpreta magistralmente, tinha então 34 anos.
Este disco foi reeditado em CD no ano de 1996.

Canção da Coragem (Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
Nem que a morte me soltasse
todas as velas no sangue
deixaria a minha casa
como se fosse culpada
Nem que a morte me soltasse
todas as velas no sangue

Nem que morte me dissesse:
"Virás de noite comigo..."
eu trairia um amigo
Nem que a morte me levasse
Nem que a morte me dissesse
Nem que vida me fugisse

Nem que morte me fechasse
todas as portas do sonho
deixaria de cantar
Nem que a morte me calasse
Nem que a morte me fechasse
todas as portas do sonho

Nem que a morte acontecesse
bem por dentro dos meus olhos
eu deixaria de viver
todo o amor de joelhos
Nem que a morte me acontecesse
ou me amor, me cegasse

Ai nem que a morte viesse
como só vem a tristeza
eu me dava por vencida
Nem que a morte me doesse
Ai que nem a morte viesse
como só vem a tristeza

E se a morte violentasse
as paredes do meu peito
meu coração lá estaria
como uma rosa de esperança
como um pássaro de sangue
ou uma bala perdida.



Chamar-te meu amor
(Joaquim Pessoa / Pop.-Arr.Pedro Osório)

Dizer que tudo em ti é movimento
e que há corças nas selvas em redor
do amor que às vezes faço em pensamento
ou do que eu penso quando faço amor.

Dizer que em tudo escuto a tua voz
no mar no vento na boca das searas
o maior amor do mundo somos nós
cobrindo a solidão de pedras raras.

Dizer tudo o que eu digo nunca basta
pois para ti não chegam as palavras
meu amor é uma expressão que já está gasta
mas tem sempre um aroma de ervas bravas.

É por ti tudo o que faço e digo e chamo
por ti eu tudo invento e tudo esqueço
dou tudo o que há em mim quando te amo
mas nem sei meu amor se te conheço.



CANÇÃO DE ROSALINDA
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
MENINO DE OIRO, MENINO DE LATA
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
MARIA DA CONCEIÇÃO
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Pedro Osório)
CONVERSA A DOIS
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
CHAMAR-TE MEU AMOR
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Popular/Arranjo: Pedro Osório)
CANÇÃO DA ALEGRIA
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Tozé Brito)
CANÇÃO SEM TI
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: P. de Senneville / O. Toussaint / Arranjo: Pedro Osório)
CANÇÃO DA CORAGEM
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
CANÇÃO DO AMOR PERDIDO
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
MADALENA
Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)

Embora Tonicha sempre tenha feito por demarcar o seu repertório musical, alternando álbuns de repertório do Cancioneiro Popular Português com outros de repertório de Autor (e apesar de se "recusar" a gravar temas cantados por colegas cantores), logo no ano seguinte à edição de "ELA POR ELA", em 1981, a cantora Simone de Oliveira regrava o tema "Chamar-te meu amor" em versão fado no seu álbum chamado "Simone".
Também o cantor Marco Paulo, conhecido musicalmente pelas muitas versões que cantou (especialmente de canções de língua estrangeira), gravou uma versão de uma canção do álbum "ELA POR ELA", a "Canção da Alegria".

Canção do amor perdido
(Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
Era o deserto em que eu te percorria
e te inventava
eram pedaços de um dia
em que a alegria morria
quando a saudade voltava
Nas minhas mãos te acendia
quando o dia se apagava

Eras tu meu amor e eu sabia
adivinhava
e o silêncio que eu trazia
era sede que nascia
e nunca mais acabava
Quando o amor nos despia
é que a noite começava

Era o meu cabelo à solta
as tuas mãos no meu peito
eram beijos de revolta
num tempo quase desfeito

Eram dois corpos em flor
rosas da cor do meu espanto
quando o desejo era tanto
que só restava esta dor

Meu amor

Era o deserto em que eu te percorria
e te inventava.

CANÇÃO DA ALEGRIA
SINGLE, POLYDOR, 2063 061



Canção da Alegria(Joaquim Pessoa / Tozé Brito)
Há um pássaro que voa
Sobre as janelas do dia
Fugiu do meu peito
Poisou no meu leito
E fez
Um ninho de alegria.

Alegria que nasceu
De uma rosa quase pura
Meu amor dormindo
Nesta noite abrindo
Em flor
A minha ternura.

Tenho sede de viver
Tenho a vida à minha espera
Sou uma rosa a crescer
No azul da primavera.

Tenho sede de viver
De fazer amor contigo
Quantas vezes eu quiser
Amante, amor e amigo.

Há palavras que regressam
Como um beijo à minha boca
Para possuir-te
Para pertencer-te
A noite
Será sempre pouca.



Canção sem ti(P. de Senneville/O. Toussaint)
(Arranjo: Pedro Osório)
sobre "A Comme Amour"


Sem ti
que me importa que o sol mude de cor
sem ti
já não me interessa mais seja o que for
sem ti
é como um jardim sem uma flor
viver sem ti
não é viver meu amor

Viver sem ti
é como se já nada mais houvesse
sem ti
é como se outro dia não nascesse
viver sem ti
é como se o meu peito não batesse
quero dizer
viver sem ti é morrer

Sem ti
sem a cama dos teus braços
ficarei à tua espera
porque sem ouvir teus passos
nunca mais é primavera

Viver sem ti
é pior que enlouquecer
não sentir nenhuma dor
é lutar por te esquecer
e esquecer-te meu amor
é não viver

Sem ti
podem morrer estrelas no universo
sem ti
não poderei cantar nem mais um verso
sem ti
nenhuma madrugada há-de chegar
viver sem ti
é não poder mais amar
...
é como se já nada mais houvesse
...
é como se outro dia não nascesse
...
é como se o meu peito não batesse
quero dizer
viver sem ti é morrer!

TONICHA: O GAITEIRO PORTUGÊS

SERICOTALHO, BACALHAU, AZEITE E ALHO
SINGLE, POLYDOR, 2063 046

Em 1979, grava mais dois êxitos populares, um single com os temas "O Gaiteiro Português" e "Sericotalho, bacalhau, azeite e alho", com produção de João Viegas e arranjos do maestro Thilo Krassman, para uma edição Polydor/Polygram.
O disco tem uma capa original e muito jocosa, com ilustrações assinadas por M. Vieira.



FACE 1
O GAITEIRO PORTUGUÊS
(Letra: J. Libório / Música: Popular - Arranjo: Thilo Krassman)

FACE 2
SERICOTALHO, BACALHAU, AZEITE E ALHO
(Letra: J. Libório / Música: Popular - Arranjo: Thilo Krassman)



O CHICO PINGUINHAS
SINGLE, POLYDOR, 2063 069



Ainda no mesmo ano é editado "O Chico Pinguinhas", mantendo a parceria anterior, produção de João Viegas e arranjos do maestro Thilo Krassman, também para a Polygram. Tem uma colaboração especial de Vitor Norte (mandador).

FACE 1
O CHICO PINGUINHAS
(Letra: J.Libório / Música: Popular - Arranjo: Thilo Krassman)

FACE 2
QUADRILHA DE CINFÃES
(Letra: J.Libório / Música: Popular - Arranjo: Thilo Krassman)

TONICHA: CANÇÃO DA AMIZADE

1978 FESTIVAL DA CANÇÃO


Festival RTP da Canção 1978, in RTP Memória

Tonicha volta a participar no FESTIVAL RTP DA CANÇÃO em 1978 com quatro temas:

Canção da Amizade -(classificando-se em 4º lugar)
Pela vida fora -(9º lugar)
Um dia uma flor - (8º lugar)
Quem te quer bem, meu bem - (12º lugar).





Três destas canções foram editadas em dois singles, nesse ano de 1978. O tema "Pela vida fora" só foi editado na colectânea "A ARTE E A MÚSICA DE TONICHA", em 1985.



UM DIA UMA FLOR
Letra: José Peres Sotto Mayor
Música: Fernando Calvário
Orquestração: José Calvário


Tens um travo de mel
na boca a correr
flor de papel
que quero viver.
Corpo a sorrir
no meu corpo a cantar
flor por abrir,
por fechar.
Há um dia de amor
amor que nasceu
amar uma flor
na flor que morreu.
É bela a manhã
no meu corpo a acordar
livre de abrir e fechar.
Sim, a flor nasceu
Sim, a flor cantou
Sim, a flor sorriu
Sim, a flor amou.
Tens um travo de mel
na boca a correr
flor de papel
que quero viver,
flor por abrir
no meu corpo a nascer.

ZUMBA NA CANECA
GRANDE SUCESSO



Ainda em 1978 é editado o single "Zumba Na Caneca", um dos seus maiores sucessos populares. Tonicha assinalou com uma conferência de imprensa o início de uma digressão que percorreu Portugal de norte a sul, à qual chamou "Volta a Portugal".

TONICHA: MINHA MÃE, MINHA MÃE

CANTIGAS POPULARES

CANTIGAS POPULARES, de 1976, é o resultado de, talvez, uma das mais interessantes parcerias da música portuguesa, esta que uniu Tonicha ao então ainda pouco conhecido Jorge Palma que, já em meados dos idos anos 70, com a Direcção Musical do álbum da cantora alentejana indiciava o talento e a mestria na arte da música que hoje se lhe (re)conhece.



Tonicha regressa ao folclore com uma nova série de discos dedicados às cantigas do nosso país. O álbum "CANTIGAS POPULARES" (da Orfeu/Arnaldo Trindade e Cª), com arranjos e uma brilhante Direcção Musical de Jorge Palma, com produção e selecção musical de João Viegas, é editado no ano de 1976.

Deste álbum foram lançados os EP seguintes:

CANTIGAS POPULARES 1
EP, ORFEU, ATEP 6698



MINHA MÃE, MINHA MÃE
(Popular/Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Minha mãe, minha mãe
ó minha mãe minha amada
quem tem uma mãe tem tudo
quem não tem mãe não tem nada.

Eu cheguei e embarquei no comboio
que soprava pela linha
e ás vezes penso comigo e digo:
- Triste sorte que é a minha.

Depois de chegar ao Barreiro
embarquei no vapor que passa o Tejo
Chora por mim, que eu choro por ti
Já deixei o Alentejo.
Chora por mim, que eu choro por ti
Já deixei o Alentejo.

Minha mãe, minha mãe
por Deus não me peça nada
Vale-me Tu nesta hora
que eu p'ra aqui estou desprezada.



ENTRUDO
(Popular/Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Ó entrudo, ó entrudo
ó entrudo chocalheiro
que não deixas assentar
as mocinhas ao soalheiro.

Eu quero ir para o monte
eu quero ir para o monte
que no monte é que estou bem
que no monte é que estou bem.

Eu quero ir para o monte
eu quero ir para o monte
onde não veja ninguém
que no monte é que estou bem.

Estas casas são caiadas
estas casas são caiadas
quem seria a caiadeira
quem seria a caiadeira.

Foi o noivo mais a noiva
foi o noivo mais a noiva
com um ramo de laranjeira
quem seria a caiadeira.

CANTIGAS POPULARES 2
EP, ORFEU, ATEP 6699



ROSEIRA BRAVA
(A. Ferreira Guedes/José Niza)

Roseira brava, roseira
Barco sem leme nem remos
Roseira brava é a vida
Que amargamente vivemos.

Roseira brava não tem
Rosas abertas nos ramos
Roseira brava é espinho
Que em nosso peito cravamos.

Roseira brava, roseira
Rosa em botão desfolhada
Roseira brava é teu rosto
Rompendo da madrugada.

Roseira brava no vento
Vai espalhando a semente
Roseira brava é lembrar
Quem se não lembra da gente.

Roseira brava, roseira
Que o sol de Verão não aquece
Roseira brava é o amor
A quem amor não merece.

Roseira brava é o ódio
Que vai minando a raiz
Roseira brava, roseira
Roseira do meu país.

Roseira brava é o ódio
Roseira do meu país.



CHARAMBA
(Letra e música: Popular - Ilha Terceira)
(Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Das modas da minha terra, da minha terra
A Charamba é a primeira.
Das modas da minha terra, da minha terra
A Charamba é a primeira.

Vou começar por cantá-la, ai por cantá-la
Lembrando a Ilha Terceira.
Vou começar por cantá-la, ai por cantá-la
Lembrando a Ilha Terceira

Boas noites meus senhores, senhoras e belas flores
Que aqui estais neste salão.
Boas noites meus senhores, senhoras e belas flores
Que aqui estais neste salão.

Para vós eu vou cantar, e a todos quero saudar
Do fundo do coração.
Para vós eu vou cantar, e a todos quero saudar
Do fundo do coração.

CANTIGAS POPULARES 3
EP, ORFEU, ATEP 6700



OLHOS PRETOS
(Popular/Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Olhos pretos
pretos pretos
são gentis
são gentios da Guiné.

Ai da Guiné por serem pretos
gentios por não terem fé.

Olhos pretos
são brilhantes
semelhantes
aos luzeiros que o céu tem.

Uns olhos pretos
eu preferi
e nunca vi
de cor mais linda ninguém.

Olhos pretos
são brilhantes
semelhantes
aos luzeiros que o céu tem.



MENINA FLORENTINA
(Popular/Arranjo e Direcção Musical: Jorge Palma)

Ó menina Florentina
é do peito o coração, menina
seu amante delirante
de viagem chegou neste instante.

REFRÃO
Já cá está tiro-liro-liro-lé
Já cá está tito-liro-liro-ló
Já cá está tiro-liro ó amor
Tiro-liro abre a porta, ó branca flor.

Adormecei num jardim
a cheirar a branca flor
acordei e vi-me presa
nos braços do meu amor.

REFRÃO

Quando te não conhecia
Nada de ti se me dava
sem pensamentos dormia
sem cuidados acordava.

REFRÃO

O MENINO
SINGLE, POLYDOR, 2063 015



Entretanto Tonicha muda de editora e passa a ver as suas canções editadas pela Polydor, mais tarde tornada Polygram.
Em 1976, grava o disco "O Menino", com letra de José Carlos Ary dos Santos e música de Tozé Brito. No lado B, canta "Um grande amor" dos mesmos autores.

O MENINO
(J. C. Ary dos Santos / Tozé Brito)

Primeiro fui namorada
E depois mulher feliz
Foi por eu ter sido amada
Que um dia deitei raíz.

Raíz com braços e riso
Com olhos cheios de brilho
Para ser mãe é preciso
Gostar de fazer um filho.

O menino já salta à corda
Joga à bola num jardim
É tão lindo o mais lindo de todos
Porque andou dentro de mim.

O menino já vai à escola
Decora depressa e bem
Ele aprende a tornar-se um homem
E eu aprendo a ser mãe.

Não há no mundo outro amor
Tão imenso e tão profundo
Ser mãe é como dar flor
Pôr uma rosa no mundo.

A rosa que vai crescendo
Folha a folha espinho a espinho
A rosa que vai vivendo
No canteiro do carinho.



MARCHA DA MOURARIA
SINGLE, POLYDOR, 2063 022

Embora ao longo da sua carreira Tonicha tenha sempre feito o possível por não cantar temas de outros colegas cantores (pois sempre quis demarcar-se e construir o seu próprio repertório), gravou a "Marcha da Mouraria" (gravada e cantada por várias cantoras, talvez a mais conhecida seja a gravação deixada por Amália Rodrigues) e a "Marcha de Benfica", também para editora Polydor.



MARCHA da MOURARIA
(Raúl Ferrão / Frederico de Brito)

Mouraria garrida
Muito sacudida
Muito requebrada
Com seu tom de galdério
De moira encantada
É como um livro de novela
Onde o amor é tudo
E o ciúme impera
Ao abrir duma janela
Aparece o vulto daquela severa.
A marcha da Mouraria
Tem o seu quê de bairrista
Certos laivos de alegria
É a mais boémia
É a mais fadista.
Anda toda engraçada
De saia engomada
Blusinha de chita
É franzina pequena
Gaiata morena
Cigana bonita
Tem a guitarra p'ra gemer
Um amor submisso
Que nunca atraiçoa
Este bairro deve ser
'Inda o mais castiço
Da nossa Lisboa.



TU ÉS O ZÉ QUE FUMAS
SINGLE, POLYDOR, 2063 027

Em 1977, ainda pela editora Polydor (Phonogram), grava "Tu És o Zé Que Fumas".
O tema acabou por tornar-se um dos maiores êxitos populares da cantora, estando ainda hoje muito viva no imaginário popular português a interpretação muito característica de Tonicha.
No lado B do single aparece o tema "Cana Verde".




Tu és o Zé que fumas
(Popular / Arranjo: J. Libório)

Tu és o Zé que fumas
Tu és o fumador
Tu és o mariquinhas
Tu és o meu amor.

Ó lua vai-te deitar
Ai no quarto do meu amado
Ai dai-lhe beijinhos por mim
Ai se ele estiver acordado.

Já te dei o coração
Ai coisa que dar não podia
Já te dei a melhor prenda
Que no meu peito trazia.

Ó meu amor, meu amor
Ai ó meu amor, meu enleio
Quando comecei a amar-te
Tinha dez anos e meio.

Tenho corrido mil terras
Aldeias mais de quarenta
Tenho visto caras lindas
Só a tua me contenta.

TONICHA NO TEATRO DE REVISTA

UMA NO CRAVO OUTRA NA DITADURA

Após o 25 de Abril, Tonicha, juntamente com o marido, João Maria Viegas, funda a editora Discófilo. O casal viria posteriormente a oferecer uma quota da editora a José Carlos Ary dos Santos.
Foi nesta editora que Tonicha gravou um álbum histórico, "CANÇÕES DE ABRIL" (que, infelizmente e para tristeza e perda dos muitos seguidores da carreira da cantora, nunca foi reeditado) e um outro, "CANTIGAS DO MEU PAÍS", com raízes no folclore português e letras de Ary dos Santos, revelando um forte pendor político. São editados ainda os singles "Cantaremos/Lutaremos", "Cravos da madrugada" e "Terras de Garcia Lorca".



Em 1974, Tonicha participa na revista "UMA NO CRAVO, OUTRA NA DITADURA" no Teatro ABC, no Parque Mayer, onde canta canções de José Carlos Ary dos Santos e de Fernando Tordo. A participação neste espectáculo teve direito a uma capa e a um artigo na Revista Gente, Nº 50, de Outubro de 1974.



TONICHA: FESTIVAL RTP DA CANÇÃO 1973

A RAPARIGA E O POETA
EP, ORFEU, ATEP 6467

A terceira passagem de Tonicha pelo FESTIVAL RTP DA CANÇÃO aconteceu no ano de 1973.
O tema que a cantora defendeu foi "A Rapariga e o Poeta" que, apesar de ser uma canção com um bom texto e uma música forte, acabou por ficar-se pelo penúltimo lugar. Esse foi um Festival muito disputado e que teve como grande favorito Fernando Tordo (que defendeu a canção "Tourada" escrita por Ary).


1973, FESTIVAL RTP DA CANÇÃO, Lisboa


A canção é da autoria de José Niza e José Calvário. Foi editado em disco num EP da editora Orfeu chamado precisamente "A rapariga e o poeta". Na capa apresenta-nos uma bela fotografia de Tonicha da autoria do fotógrafo Álvaro João (que viria a ser responsável por muitas das fotografias dos discos da cantora).

O tema foi reeditado pela Movieplay em 1994 na colecção "O MELHOR DOS MELHORES", como parte integrante de alguns dos temas mais emblemáticos de Tonicha, que também inclui uma das canções da face B do EP de 1973, "Rosa, Rosae" com letra do poeta Ary dos Santos.
"A rapariga e o poeta" faz também parte do alinhamento do CD lançado pela Movieplay no ano 2000 "CLÁSSICOS DA RENASCENÇA", no número 82 (dedicado a Tonicha).
O excelente "Com um cravo na boca", com uma letra pujante de Ary dos Santos e uma música muitíssimo bem conseguida de Jorge Palma (a emprestar a sonoridade "épica" que os versos de Ary sugerem) e "Contraluz" foram incluídos na "ANTOLOGIA 1971-1977" que a Movieplay (detentora dos direitos das canções) lançou em 2004.



FACE A:
A RAPARIGA E O POETA
(Letra: José Niza/Música: José Calvário)
COM UM CRAVO NA BOCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Jorge Palma)

FACE B:
CONTRALUZ
(Letra: José Niza/Música: José Calvário)
ROSA, ROSAE
(Letra: Ary dos Santos/Música: João Henrique).



A RAPARIGA E O POETA
(José Niza/José Calvário)

Poeta amigo
Parto contigo
Nosso degredo
Fica em segredo.
Adeus ao mundo!...
Venham cantores
Descobrir a ilha dos amores!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas
Calaste dores
Mas nunca temeste adamastores!
História ao contar,
Mundo a correr;
Mulheres a amar,
A esquecer, a encontrar,
A perder, a inventar!
Fúrias de mar,
Gestos de amor;
Beber, lutar,
Com quem for;
Naufragar, renascer
E a cantar!
Sofreste o livro
De um povo ao vivo!
Viveste à sorte
Sorriste à morte!
Brigaste vidas,
Calaste dores,
Mas nunca temeste adamastores!

Oiça a canção "A rapariga e o poeta" no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=eSLTZ6ngRyA

No ano de 1973 o vencedor do FESTIVAL RTP DA CANÇÃO foi Fernando Tordo, com o tema "Tourada".

TONICHA: CANTA PATXI ANDIÓN

AS CANÇÕES DE Patxi Andión

Em 1972 grava canções (em espanhol e em português) de Patxi Andión.
As versões em português ficaram a cargo de Ary dos Santos.
São editados discos em Portugal e em Espanha.



FOTO CAPA: M. Fiuza

TONICHA NO FESTIVAL DA OTI

GLÓRIA, GLÓRIA, ALELUIA
SINGLE, ORFEU, SAT 845

No ano de 1972, Tonicha consegue o 5º lugar no 1º FESTIVAL DA OTI em Espanha com "Glória, Glória Aleluia" de José Cid, numa inspirada orquestração de Augusto Algueró.
O lado B do single contém o tema "Lisboa perto e longe" também de José Cid, com orquestração de José Calvário. A fotografia da capa deste single é de Álvaro João.
A canção "Glória, Glória, Aleluia" voltou a ser reeditada em CD: na compilação da Movieplay "O MELHOR DOS MELHORES" em 1994, na edição Movieplay para a Rádio Renascença "CLÁSSICOS DA RENASCENÇA" (nº 82) de 2000, e na "ANTOLOGIA 1971-1977" que foi para o mercado em 2004, pela mesma editora.



FOTO DE CAPA: Álvaro João

GLÓRIA, GLÓRIA, ALELUIA
(Letra e Música: José Cid/Orquestração: Augusto Algueró)

Glória, glória, aleluia
um mundo de amor
um mundo melhor. (2x)
Já é tempo
de construir
um mundo melhor
onde haja amor, e paz.
Já é tempo
de descobrir
o que foi mentira
e esquecer o ódio, também.
Pois só assim, acredita
tens uma canção
para teu cantar.
Pois só assim, meu amigo
te sentirás livre
livre p'ra poder voar.
Glória, glória, aleluia
um mundo de amor
um mundo melhor. (2x)
Já é tempo
de começar
ambos a caminhar
pelo mundo fora, cantando.
Pois só assim, acredita
tens uma canção
para teu cantar.
Pois só assim, meu amigo
te sentirás livre
livre p'ra poder voar.

Foi assim que Tonicha se apresentou em Madrid...









Veja o vídeo da prestação no FESTIVAL DA OTI no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=aboUqD19vq0



LISBOA PERTO E LONGE
(Letra e Música: José Cid/Orquestração: José Calvário)

Lisboa tem um Tejo de ilusões
Tem casas de penhor e multidões
Nas feiras, romarias, procissões
De rastos lentamente atrás das rosas
Gritando multidões silenciosas.

Lisboa é espelho de Lisboa
Lisboa são seis letras proibidas
Um fado, uma guitarra, uma cantiga
Um grito, um pregão, sete colinas
É virgem há mil anos e menina.

Lisboa tem o sol mistificado
Nas praças, nas vielas, avenidas
Onde há sangue, onde há vidas
Tem santos muito antigos milagreiros
E o povo em promessa de joelhos.

Lisboa tem os santos populares
Tem cravos de papel e manjericos
Carroças, autocarros e jericos
Lisboa mais ou menos, menos mais
Museus, casas de passe, catedrais.

Lisboa é alegre labirinto
Lisboa é Benfica, marinheiro
Sporting e manhã de nevoeiro
Uma gaivota podre milenar
O Tejo que protesta contra o mar.

Lisboa tem um Tejo de ilusões
Tem casas de penhor e multidões
Nas feiras, romarias, procissões
Avançam lentamente atrás das rosas
Gritando multidões silenciosas.

Reparem no pregão desta varina
No fado em dó menor mas incompleto
Na ponte, no Castelo, no deserto
Neste tremor de terra, cataclismo
Quiçá maremoto de autoclismo.



Nesse ano de 1972 foi ainda uma das presenças na 14ª edição da TAÇA DA EUROPA DE CANTARES de Knokke conjuntamente com Paulo de Carvalho e Teresa Silva Carvalho. Thilo Krassman foi o director musical.

TONICHA: FALA DO HOMEM NASCIDO

LP, ORFEU, 1972
CD, MOVIEPLAY, 1998


Por iniciativa de José Niza a cantora participa, em 1972, no disco "Fala do Homem Nascido", uma opereta gravada para disco, com poemas de António Gedeão. Os cantores são Duarte Mendes, Carlos Mendes, Samuel e Tonicha.
Os arranjos e direcção de orquestra ficaram a cargo do maestro José Calvário e a produção é de José Niza.



1- ESTRELA DA MANHÃ
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
FALA DO HOMEM NASCIDO
Canta: Samuel
2- DESENCONTRO
Cantam: Samuel e Tonicha
3- TEMPO DE POESIA
Canta: Duarte Mendes
VIDRO CÔNCAVO
Cantam: Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha
4- POEMA DA MALTA DAS NAUS
Canta: Samuel
LÁGRIMA DE PRETA
Canta: Duarte Mendes
5- POEMA DO FECHO ÉCLAIR
Canta: Duarte Mendes
6- CALÇADA DE CARRICHE
Canta: Carlos Mendes
7- POEMA DA AUTO-ESTRADA
Canta: Tonicha
8- POEMA DE PEDRA LIOZ
Canta: Samuel


As fotografias da capa original são da autoria de Álvaro João, para um arranjo gráfico de Beatriz Morais Alçada.

POEMA DA AUTO-ESTRADA
(Letra: António Gedeão/Música: José Niza)

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.

Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.

Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.

Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.

Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.

TONICHA E OS FESTIVAIS

INTERNACIONAIS

A cantora participa com sucesso em vários festivais internacionais.
"Poema Pena" fica em 4º nas Olimpíadas da Canção de Atenas, na Grécia, onde Tonicha obteve o 2º prémio de interpretação e Augusto Algueró conseguiu o 1º prémio ex-aequo de orquestração.
Fica também em 3º lugar no Festival de Brasov (Roménia). No Brasil, com "Manhã Clara", ganhou o Prémio da Crítica no VI Festival do Rio de Janeiro. Já com "Rosa de Barro" venceu o 1º Prémio de Interpretação no Festival de Split (ex-Jugoslávia).

1967
Festival de Ourense, Espanha: Prémio de Interpretação

1970
Festival de Brasov, Roménia: 3º lugar
Interpreta várias canções, entre as quais o "Resineiro", em romeno.

1971
Olimpíadas da Canção de Atenas, Grécia: 4º lugar e 2º Prémio de Interpretação
"Poema Pena"
VI Festival do Rio de Janeiro, Brasil: Prémio da Crítica
"Manhã Clara"
Festival de Split, ex-Jugoslávia: 1º Prémio de Interpretação
"Rosa de Barro"

ARY E A MENINA

DO ALTO DA SERRA


FOTO: in José Carlos Ary do Santos, Obra Poética. Lisboa: Ed. Avante, 1994

Tonicha conhece entretanto o poeta José Carlos Ary dos Santos através do compositor Nuno Nazareth Fernandes. Os dois serão os autores de "Menina" (Letra: Ary dos santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes) que venceu o Festival RTP da Canção de 1971.




Veja o vídeo do Festival RTP da canção 1971 no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=6D_oHtr7KGk
(escolha a opção "assistir em alta qualidade")

Ana Maria Lucas entregou o prémio aos autores da canção, José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes:



O tema "Menina" representou Portugal no Festival da Eurovisão em Dublin, arrecadando um 9º lugar, o melhor resultado obtido até essa altura pelo nosso país.
Com a passagem pelo Eurofestival, Tonicha teve oportunidade de estabelecer os contactos internacionais, que lhe permitiram ver o disco editado em versões francesa, italiana, espanhola e inglesa.

Seguem as imagens do ensaio e da actuação em Dublin, respectivamente.














Senhoras e senhores..."Menina do Alto da Serra", com letra de José Carlos Ary dos Santos" e música de Nuno Nazareth Fernandes...para interpretar: Tonicha!

Festival da Eurovisão em Dublin (1971) no YouYube:
http://br.youtube.com/watch?v=Yi37ynXvvQw&feature=related


Menina de olhar sereno
Raiando pela manhã
De seio duro e pequeno
Num coletinho de lã
Menina cheirando a feno
Casado com hortelã
Menina que no caminho
Vais pisando formosura
Trazes nos olhos um ninho
Todo em penas de ternura
Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura
Menina de saia aos folhos
Quem na vê fica lavado
Água da sede dos olhos
Pão que não foi amassado
Menina do riso aos molhos
Minha seiva de pinheiro
Menina de saia aos folhos
Alfazema sem canteiro
Menina de corpo inteiro
Com tranças de madrugada
Que se levanta primeiro
Do que a terra alvoroçada
Menina de fato novo
Ave-maria da terra
Rosa brava rosa povo
Brisa do alto da serra.



Chegada de Dublin, Tonicha foi recebida no aeroporto da Portela por uma multidão de fãs.



"Menina do Alto da Serra" teve direito à gravação de um videoclip. Aqui seguem algumas imagens desse vídeo, realizado por Augusto Cabrita e gravado no Castelo de São Jorge...



Veja imagens do vídeo no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=mjhH5pERb2c