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20 de dezembro de 2008

TONICHA: O CAVAQUINHO

"REGRESSO"
(CD, Polygram, 1993)

Curiosamente um destes dias recebemos um email de alguém que procurava saber onde podia encontrar o Cd "MULHER" (1997) da nossa querida Tonicha. Este senhor estava particularmente interessado em escutar o tema "Ó pastor que choras". Explicámos que provavelmente o álbum estaria esgotado, mas que estivesse atento às lojas pois, de vez em quando, lá vai aparecendo o Cd nos escaparates.

Nessa mesma semana, coincidência ou não, a Universal Music (Portugal) resolveu disponíbilizar no canal YouTube precisamente o videoclip que fora então realizado para este tema.
Se, então, ficámos muito contentes com a iniciativa da editora, muito mais ficámos quando soubemos que esta havia disponibilizado outros dois clips da Tonicha.



Após alguns anos de afastamento, em 1993 Tonicha regressou às canções, precisamente com um Cd chamado "REGRESSO". Tratava-se de uma edição da Polygram composta por 14 temas de cariz popular, rebuscando algumas canções de glórias passadas como "O cavaquinho"(Camilo Rebocho/José David).

O vídeo do tema "O CAVAQUINHO" encontra-se agora disponível para visualização no YouTube (embora lá se encontre erradamente designado por "Cavalinho"). Este é o tema de abertura do Cd e, aparentemente, foi escolhido pela editora como single promocional, visto terem realizado o clip que agora se pode ver no YouTube.









Veja o vídeo no YouTube:
http://br.youtube.com/watch?v=MJ_O922_RxQ
(escolha a opção "assistir em alta qualidade")

9 de dezembro de 2008

PULGUINHAS

MARCHA DOS MARINHEIROS
SINGLE, POLYGRAM, 2063090

Gostaríamos de poder apresentar a discografia da cantora de uma forma mais organizada e (crono)lógica, mas a verdade é que este blogue vai sendo construído ao sabor das ofertas, das aquisições e de algumas imagens e informações que nos vão fazendo chegar.

Quando pensávamos que já tínhamos encerrado a discografia de Tonicha relativa aos anos 80, apareceu-nos mais um disco desta década (em duas versões).



Em 1982, a Polygram lança mais um single de Tonicha, "Pulguinhas".
Foi um tema muito tocado nesse Verão e que integrou compilações de êxitos de Verão.
O lado 2 do disco, "Marcha dos Marinheiros", é uma recriação de uma canção antiga, que Tonicha interpreta de forma magistral e que também teve muito sucesso, vindo a integrar várias colectâneas da cantora.

LADO 1
PULGUINHAS
(António Pinho/Tozé Brito/Arr. Shegundo Galarza)
LADO 2
MARCHA DOS MARINHEIROS
(Matos Sequeira-Pereira Coelho/C. Calderon/Arr. Carlos Alberto Moniz)



MARCHA DOS MARINHEIROS
(Matos Sequeira-Pereira Coelho/C. Calderon/Arr. Carlos Alberto Moniz)

Os marinheiros aventureiros
São sempre os primeiros
Na terra ou no mar
Ao ver as belas
Pelas janelas
Soltam logo as velas
Para as conquistar.
Ao navegar
Sobre as ondas desde Gôa
Nós viemos a pensar
Nas meninas de Lisboa
Desembarcados
Mesmo assim os marinheiros
Vamos ficar ancorados
A uns olhos traiçoeiros.

Salgadas pelo mar
As nossas bocas vêm
Vêm procurar o mel
Que os beijos têm
Que é tão bom para as adoçar.

Largamos vela
Da ribeira de Panjim
A pensar numa janela
Enfeitada de alecrim
Entrando a barra
Mal a nau chega a Belém
O marujo deita amarra
À mulher que lhe convém.

Salgadas pelo mar
As nossas bocas vêm
Vêm procurar o mel
Que os beijos têm
Que é tão bom para as adoçar.

A marinhagem
Ao saltar dos escaleres
Quando chega da viagem
Põe-se à pesca das mulheres
Deita o arpão
Sem saber se é linda ou feia
Vem às vezes um peixão
Outras vezes vem baleia.

Os marinheiros aventureiros
São sempre os primeiros
Na terra ou no mar
Ao ver as belas
Pelas janelas
Soltam logo as velas
Para as conquistar
Soltam logo as velas
Para as conquistar.



O sucesso do tema "Pulguinhas" foi de tal ordem que foi reeditado para o mercado estrangeiro com uma nova capa e com a indicação de "Summer Hit". Desta vez a edição foi da Philips.

8 de dezembro de 2008

TONICHA: SUCESSOS POPULARES

ANTOLOGIA
LP, POLYGRAM,

Assim é a internet, assim são os leilões, assim são as feiras... quando menos se espera encontra-se mais uma antologia de Tonicha, ainda datada dos anos 80.
Trata-se de um LP de vinil editado pela Polygram no ano de 1987. Deram-lhe o nome "Sucessos Populares" porque reune uma dezena daquelas canções que todos conhecem e cantam.



LADO 1

ZUMBA NA CANECA
(Popular/J.Libório)
PULGUINHAS
(António Pinho/Tozé Brito)
MARCHA DA MOURARIA
(Raul Ferrão/Frederico de Brito)
SERICOTALHO
(Popular/J.Libório)
CHICO PINGUINHAS
(Popular/J.Libório)

LADO 2

GAITEIRO PORTUGUÊS
(Popular/J.Libório)
ZÉ QUE FUMAS
(Popular/Arr: J.Libório)
PESTOTIRA
(Popular/Arr: J.Libório)
VIRA DOS MALMEQUERES
(Popular)
FADINHO DA COMIDA
(António Pinho/Nuno Rodrigues)

A maioria dos temas desta compilação já tinha sido editada em single.
"Zumba na Caneca", "Pulguinhas", "Marcha da Mouraria", "Chico Pinguinhas", "Gaiteiro português", "Zé que fumas", "Pestotira" e "Fadinho da Comida" foram todos LADO A dos singles.

"Sericotalho" foi LADO B do single "Gaiteiro português".
"Vira dos malmequeres" foi editado pela RCA, num EP já aqui apresentado, com o título "Modas do Ribatejo".
"Pestotira", antes de ter saído em single, fora editado no LP "Cantigas duma terra à beira mar".

Curiosamanete a fotografia de Tonicha a preto e branco da capa deste LP (autor desconhecido), é da mesma série do disco que apresentámos anteriormente, a selecção "Superestrelas da Música Portuguesa", das Selecções do Reader's Digest.

18 de novembro de 2008

OS MAIORES SUCESSOS DE TONICHA

ANTOLOGIA
DE 1977-1980
LP, POLYGRAM,



Ainda durante o ano de 1981, a editora Polygram lançou um LP com alguns dos maiores sucessos de Tonicha, a que chamaram precisamente "OS MAIORES SUCESSOS DE TONICHA".
Trata-se de uma bela edição em LP, com a particularidade de que as canções recolhidas vão de 1977 a 1980. Desconhecem-se os autores das fotografias da capa e contracapa.
As três primeiras canções de cada face do LP estão compostas em meddley e foram arranjadas deste jeito de propósito para este álbum.

FACE A
(a1) Tiro-liro-liro
(a1) Rebola a bola
(a1) A saia da Carolina
(a2) O chico pinguinhas
(a2) Sericotalho, bacalhau, azeite e alho
(a3) Ti Zé da horta
(b4) Tu és o Zé que fumas

FACE B
(a1) Ora vai tu
(a1) Ora bate, bate
(a1) Ora viva a pândega
(a3) Zumba na caneca
(a2) Gaiteiro português
(a2) Quadrilha de cinfães
(b4) Pestotira

(a)
Letras de: J. LIBÓRIO
Músicas populares
Arranjos de: THILO KRASMANN

(b)
Letras e músicas populares
Arranjos de: J. LIBÓRIO

1) 1980 2) 1979 3) 1978 4) 1977

14 de novembro de 2008

FADINHO DA COMIDA

ISTO AQUI É O DA JOANA
SINGLE, POLYGRAM, 2063073

Corria o ano de 1981 quando saiu para o mercado um novo single de Tonicha.
Editado pela etiqueta Polygram, "Fadinho da Comida" teve produção de João Viegas e arranjos de Pedro Osório.
Este tema foi reeditado em CD, primeiro pela Polygram, numa compilação de 1990 chamada "OS MAIORES SUCESSOS". Já mais recentemente, em 2007, voltou a integrar uma colectânea, desta vez da Universal, numa recolha do repertório de Tonicha à qual a editora chamou "ANTOLOGIA 77-97".
O single "Fadinho da comida" foi uma das nossas últimas aquisições, que assim veio enriquecer a nossa colecção de vinis de Tonicha e que agora divulgamos. A capa do disco é assinada por José Júlio Barros.



FACE A
FADINHO DA COMIDA
(António A. Pinho / Nuno Rodrigues)

FACE B
ISTO AQUI É O DA JOANA
(António A. Pinho / Nuno Rodrigues)

A contracapa deste single traz uma belíssima fotografia de Tonicha com o cabelo comprido, muito loiro, e com a franja que usou durante muito tempo e que, ainda hoje, é lembrada por muitos.


FADINHO DA COMIDA
(António A. Pinho / Nuno Rodrigues)

Quem me dera o velho gosto do cozido
como dantes se fazia,
quando a gente enchia o nosso próprio enchido
ai que bem que me sabia,
como dantes se fazia.

Quem me dera ainda aquele pão caseiro
que bom cheiro que ele tinha,
quando a gente então passava p'lo padeiro de manhã,
de manhãzinha.

REFRÃO
Ai que gosto que a comida tinha outrora
ai que gosto que nos dava então comê-la
porque agora em vez de gosto tem um preço,
que por subir de hora a hora
já nem dá vontade vê-la. (2x)

Quem me dera que a batata ainda tivesse
sendo nova o gosto antigo,
e ao casar com o bacalhau então pudesse a gente cá
chamar-lhe um figo,
ao gosto antigo.

Quem me dera ter alfaces bem verdinhas
mas são quasi clandestinas,
pois agora nestas hortas alfacinhas só lá cheira
a pesticidas.

REFRÃO (2x)

Quem me dera que soubesse o carapau
como dantes me sabia,
e pensar que agora sei já não ser mau,
não saber a porcaria,
como dantes não sabia.

Quem me dera fosse puro o meu azeite
como era antigamente,
quando a vaca já nem gosto põe no leite
com franqueza, francamente.

REFRÃO (2x)

3 de novembro de 2008

TONICHA: TODOS ME QUEREM

O MAR ENROLA NA AREIA
SINGLE, POLYGRAM, 813 419-7

No mesmo ano em que foi para o mercado a "FOLIADA PORTUGUESA" (1983), foi editado um single com duas das canções mais populares do LP e que ainda hoje fazem parte do imaginário popular. Na capa temos uma Tonicha muito bonita e fotogénica, numa foto que não tem identificada a autoria.



LADO A
TODOS ME QUEREM
(POPULAR)

LADO B
O MAR ENROLA NA AREIA
(POPULAR)

TONICHA: FOLIADA PORTUGUESA

FOLCLORE
LP, POLYGRAM,

Uma homenagem feita pela Sociedade Capricho (de Beja) onde Tonicha começou a cantar em pequena, um espectáculo de solidariedade para a Liga Portuguesa contra o Cancro em Santiago do Cacém, um espectáculo com os "Cinco Alentejanos" no Alvito no dia 01 de Novembro...a nossa menina tem andado ocupada.

A propósito da homenagem que a Sociedade Capricho de Beja prestou a Tonicha e onde sabemos que cantaram "O mar enrola na areia", viajamos até 1983, ano da publicação do LP "Foliada Portuguesa", para a etiqueta Polygram.



O LP tem uma das capas mais curiosas dos discos de Tonicha. Extremamente adequado ao título e conteúdo do disco, "Foliada Portuguesa" está concebido com um arranjo gráfico alusivo ao bordado português. Trata-se de um bordado em ponto cruz com motivos de folclore, representando uma cena de baile. No pano estão bordados também o nome da cantora e o título do LP.

A selecção de temas esteve a cargo de João Viegas.
Os arranjos de base são da autoria de António Pinho e Shegundo Galarza; este último assinando também as orquestrações. António Pinho foi também produtor do álbum.



LADO A

TODOS ME QUEREM
(POPULAR)
NÃO VÁS AO MAR TÓNHO
(POPULAR)
MALMEQUER, BEM ME QUER
(POPULAR/J. LIBÓRIO)
OS OLHOS DO MEU AMOR
(POPULAR/J. LIBÓRIO)
TORRADINHAS
(POPULAR)

LADO B

O MAR ENROLA NA AREIA
(POPULAR)
ROSINHA
(POPULAR)
AS VIZINHAS
(POPULAR/J. LIBÓRIO)
ADIAFAS EM SETEMBRO
(POPULAR/J. LIBÓRIO)
DANÇA DAS ROMARIAS
(POPULAR)

14 de junho de 2008

TONICHA: MULHER

MULHER
CD, POLYGRAM, 537243-2



Em 1997, Tonicha regressa às grandes canções de amor com um repertório muito cuidado quer na escolha dos poemas, quer na música e nos arranjos musicais.
Há poemas de José Gomes Ferreira, Raúl de Carvalho, Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e António Botto. Há duas versões de canções estrangeiras: "Que mulher é esta" de Bryan Adams e "Dias de arco-íris" de Di Bari. Há ainda uma bonita homenagem em forma de canção, de Tozé Brito e António Pinho, à carreira de Tonicha: "O meu caminho".
Todas as fotografias presentes no álbum são da autoria de Jorge Nogueira.

Na contracapa do CD encontram-se as seguintes palavras de Baptista-Bastos:

A Piaf afirmava que a arte de cantar (ela dizia, de uma forma mais rigorosa: "cançonetar") tinha como matriz "um pungente apelo interior". Tonicha pertence a essa estirpe de gente que canta aqueles que nos cantaram, servindo-se de uma voz pessoalíssima e absolutamente intransmissível. Digo: inimitável. Ela possui o tal registo interior que confere aos poemas escolhidos a dimensão do tempo, a marca de uma época e o timbre de uma personalidade. Personalidade, isso mesmo. Até porque Tonicha sabe, como poucos cantores portugueses, que cantar é amar o outro; os outros. E dizer-lhes que, apesar de tudo, ainda vale a pena acreditar. Porque não há conquista sem luta nem luta sem sofrimento.
Convido-os a escutar este disco, afinal a veemência de uma declaração de amor ao outro, aos outros-a todos nós.
Baptista-Bastos in MULHER, Polygram, 1997


POEMA DE AMOR
(António Botto / Arranjo: Luís Pedro Fonseca)

Quem é que abraça o meu corpo
na penumbra do meu leito?
quem é que beija o meu rosto
quem é que morde o meu peito.

Quem é que fala da morte
docemente ao meu ouvido?
és tu senhor dos meus olhos
e sempre do meu sentido.

De saudades vou morrendo
e na morte vou pensando.
Meu amor porque partiste
sem me dizer até quando?

Na minha boca tão triste
ó alegrias, cantai
mas quem acode ao que eu digo
- Enchei-vos de água, meus olhos
enchei-vos de água, chorai.



CAVALO DE PALAVRAS
(Ary dos Santos/Joaquim Pessoa/Carlos Mendes)

Dos seixos destas mãos
Prenhes de mágoas
Dos freixos que dobravam a cintura
Dos olhos que já trouxe rasos de água
Eu fiz o meu ribeiro de ternura.

E das palavras ditas em segredo
Das coisas ciciadas pelo vento
Da minha imensa luta contra o medo
Eu fiz o meu caudal de sofrimento.

Cavalo de palavras quem me agarra
Quem aparta de mim esta saudade
Quem faz da minha voz uma guitarra
Tocada pelos dedos da verdade.

Quem é que põe a flor da madressilva
Na louca trepadeira dos meus braços
Quem pode desbravar a minha selva
De angústias e tormentos e cansaços.

E quem terá a cor da buganvília
Espreitando pelos olhos da janela
Quem pode ser a sombra de uma tília
Cheirando a alfazema e a canela.

Só tu que eu inventei mas não existes
Só tu que não sei bem se não és eu
E alegras os momentos que são tristes
E deitas o teu corpo sobre o meu.

O MEU CAMINHO
(Tozé Brito / António Pinho)

Essa voz lá de longe da minha terra
O chão que eu senti na ponta dos dedos
Contaram-me histórias
Que trazem memórias
De velhos segredos.

Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.

Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mar de prata
Corpo miudinho
Alma de fragata
Fiz o meu caminho.

Fiz o meu caminho
Fui como andorinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho
Em chegando a hora.

Faço o meu caminho.

Essa Mãe toda toda oiro do trigo e do Sol
O vento a cantar na veia d'água a correr
Mulher e menina
Foi a minha sina
Meu jeito de ser.

Esse aroma lá do sul daquele monte
A luz que vibrava e deixava um rumor
Nas arcas antigas
Papoilas em espigas
Cantigas de amor.

Fiz o meu caminho
Fui como um barquinho
Pelo mundo fora
Voltarei ao ninho.

Em chegando a hora
Faço o meu caminho.



AO MENOS UMA VEZ
(Letra e música: Pedro Barroso)

Abrir a porta que dá para o rio defronte
morder um malmequer azedo p'lo caminho
regressar de ouvido ao som que estava ausente
sentir o sol na cara e o cheiro a rosmaninho
e às vezes uma ortiga
às vezes uma rosa
e às vezes uma amora
que eu mordo com saudade
estamos sempre a tempo de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente de verdade.

Soltar na noite aberta a fantasia
viver o sonho como quem se aquece
ao fogo de um cuidado, ao fogo de um carinho
tecer em linho puro a vida que acontece
e às vezes uma ideia,
às vezes um poema,
às vezes um olhar
que vai valer a pena
estamos sempre a tempo
de ainda descobrir
ao menos uma vez
um gesto por sentir
depois ficam amigos às vezes até tarde
quando passa o carteiro a gente diz - Bom dia!
ser português assim se querem a verdade
é nascer uma menina e os pais porem: Maria...
e às vezes encontrar
razões p'ra lá de nós
e às vasculhar
na arca dos avós
estamos sempre a tempo
de sermos nesta vida
ao menos uma vez
gente conseguida.



TERRA MÃE
(Raúl de Carvalho / Arranjo: Luís Pedro Fonseca)

Lá nos campos, tristes campos
Dos campos do Alentejo
Vim ainda pequenina
- E pequenina me vejo...

Lá nos campos, tristes campos
Da solitária planura
Nasceu a minha revolta
Nasceu a minha amargura.

Lá nos campos, tristes campos
Vem a lembrança de tudo
O que mais amo e desejo.
Vem a fome a sede e o sonho
Das terras do Alentejo.



Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira/José Almada)

Ó pastor que choras
O teu rebanho onde está
Deita as mágoas fora
Carneiros é o que mais há

Uns de finos modos
Outros vis por desprazer
Mas carneiros todos
Com cargo de obedecer

Quem te pôs na orelha
Essas cerejas, pastor
São de cor vermelha
Vai pintá-las doutra cor

Vai pintar os frutos
As amoras e os rosais
Vai pintar de luto
As papoilas e os trigais.

QUE MULHER É ESTA
(J. Fanha/B. Adams/R. J. Lange/ N. Kamen)
Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira/José Almada)
NA PEDRA DO TEU ANEL
(António Pinho/Carlos A. Vidal)
AO MENOS UMA VEZ
(Pedro Barroso)
FOLHINHA VERDE
(António A. Pinto/Carlos A. Vidal)
TERRA MÃE
(Raul de Carvalho/Luís Pedro Fonseca)
CAVALO DE PALAVRAS
(Ary dos Santos/Joaquim Pessoa/Carlos Mendes)
O NOSSO MENINO
(António A. Pinho/Carlos A. Vidal)
POEMA DE AMOR
(António Botto/Luís Pedro Fonseca)
DIAS DE ARCO-ÍRIS
(António J. L. Lampreia/Masini/Pintacci/Di Bari)
AVÉ MARIA
(Luís Pedro Fonseca/Schubert)
O MEU CAMINHO
(António A. Pinho/ Tozé Brito)

TONICHA: CANÇÕES D'AQUÉM E D'ALÉM TEJO

TOURADA
CD, POLYGRAM (POLYDOR), 527910-2



Neste CD da Polygram de 1995, Tonicha volta a gravar alguns dos temas do cancioneiro popular português que foram êxitos seus nos anos 60 e 70.
Considerado por muitos um dos seus melhores álbuns, "CANÇÕES d'AQUÉM E d'ALÉM TEJO" tem uma produção muito cuidada e socorre-se de músicos de altíssima qualidade: Brigada Vitor Jara, professor Fontes Rocha (guitarra portuguesa) e a colaboração do Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa (numa gravação ao vivo por Naná Sousa Dias) no tema "Tourada", uma canção do Baixo Alentejo gravada pela primeira vez neste álbum.
Toda a selecção de material etnográfico, a produção executiva e a supervisão estiveram a cargo de João Viegas.
Destacamos ainda o trabalho do estilista José Carlos, o design gráfico de Álvaro Reis e as fotos de Jorge Nogueira.



VIRA DA RAPIOCA (Ribatejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Naná Sousa Dias

NOSSA SENHORA DA PÓVOA (Beira Baixa)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz

CANTARES ALENTEJANOS (Baixo Alentejo)
Letra: popular/adapatação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Naná Sousa Dias


VIRA DOS MALMEQUERES (Ribatejo)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz

SENHORA DO ALMORTÃO (Beira Baixa)
Letra e Música: popular/arranjos: Rui Vaz

MARIA RITA (Baixo Alentejo)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz/Fontes Rocha

VAI DE RUZ-TRUZ TRUZ (Ribatejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Naná Sousa Dias


RESINEIRO (Beira Alta)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz/Francisco Martins

MODA DAS CARREIRINHAS (Ribatejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Rui Vaz


TOURADA (Baixo Alentejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Rui Vaz/Francisco Martins

MARIA FAIA (Beira Baixa)
Letra e música: popular/arranjos: Rui Vaz



TOURADA (Baixo Alentejo)
Letra: popular/adaptação: João Viegas
Música: popular/arranjos: Rui Vaz/Francisco Martins


No meu peito as saudades
São como as rosas e os líros
Umas brancas de pureza
Outras roxas de martírios.

Nunca faltam afilhados
Ao homem que vive bem
Vejam lá o desgraçado
Quantos afilhados tem.

Foste, foste, que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir o camarote
Viram-te a saia bordada.

Viram-te a saia bordada
Ó que bordado tão lindo
Foste, foste, que eu bem sei que foste
À tourada no domingo.

Além daquela janela
Dois olhos me estão matando
Matem-me devagarinho
Que eu quero morrer cantando.

Os olhos de quem namora
Bem conhecidos que são
Estão olhando para as pessoas
Fingindo que olham para o chão.

Foste, foste, que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir o camarote
Viram-te a saia bordada.

Viram-te a saia bordada
Ó que bordado tão lindo
Foste, foste, que eu bem sei que foste
À tourada no domingo.

Foste, foste, que eu bem sei que foste
No domingo à tourada
E ao subir o camarote
Viram-te a saia bordada.

Viram-te a saia bordada
Mas que bordado tão lindo
Foste, foste, que eu bem sei que foste
À tourada no domingo.

TONICHA: CANÇÃO DO CIGANO

O REGRESSO
CD, POLYGRAM (POLYDOR), 519722 2



Após alguns anos de afastamento, Tonicha regressa às canções e aos discos.
Agora, já na era do CD, edita "REGRESSO", em 1993, disco composto por 14 temas de cariz popular rebuscando algumas canções de glórias passadas como "O cavaquinho", "Canção do cigano" e "Mariana".
Apresenta também temas inéditos como "Minha terra de Agosto desejado" (letra do marido, João Maria Viegas, e música de Luís Pedro Fonseca), "O que é eu faço" (letra de João Maria Viegas e música de Nuno Nazareth Fernandes), "O mercado" (letra de Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes) e "Ao domingo" (letra de Joaquim Pessoa e música de Fernando Tordo).
Conforme se pode ler no folheto do CD, as canções "Minha terra de Agosto desejado" e "O que é eu faço" são dedicadas ao emigrante português.
Reaparece na televisão em dois programas de grande audiência: na RTP, no "Parabéns" do Herman José e, na SIC, em "Falas tu ou falo eu" de Fernando Tordo e Carlos Mendes.



CANÇÃO DO CIGANO
(Letra: Vasco de Macedo/Música: Frederico de Brito)

Pelas raias de Espanha nas sombras da noite
Passava um cigano no seu alazão
O vento brandia seu nórdico açoite
As folhas rangiam caídas no chão.

E já embrenhado no alto Alentejo
Nas sombras da noite tingidas de breu
Nem mais uma praga nem mais um desejo
Aos ecos distantes o pobre gemeu.

Não há maior desengano
Nem vida que dê mais pena
Do que a vida de um cigano
Atravessar a fronteira
Para ser atravessado
Por uma bala certeira
E tudo porque o destino
Só fez dele um peregrino
Companheiro do luar
Um pobre judeu errante
Que não tem pátria nem lar.

E o contrabandista temido e valente
Voltava de Espanha no seu alazão
Um tiro certeiro e o braço dormente
E um rasto de sangue marcado no chão.

E já embrenhado no alto Alentejo
Nas sombras da noite tingidas de breu
Nem mais uma praga nem mais um desejo
Aos ecos distantes o pobre gemeu.

Não há maior desengano
Nem vida que dê mais pena
Do que a vida de um cigano
Atravessar a fronteira
Para ser atravessado
Por uma bala certeira
E tudo porque o destino
Só fez dele um peregrino
Companheiro do luar
Um pobre judeu errante
Que não tem pátria nem lar.



CHULA
(Letra: João Maria Viegas / Música: Rão Kyao)

Cantigas de portugueses
Lembram gaivotas no ar
Voando por entre as ondas
Trocando as voltas ao vento
Com medo de naufragar.

A cantar me fiz mulher
Fiz da vida uma cantiga
Cantigas leva-as o vento
O vento levou-me todos
Os sonhos de rapariga.

Fui ao mar pra ver as ondas
O mar gemia de dor
Trazia prantos e mágoas
Eram marés que mandavam
Saudades do meu amor.

Adeus ó vareira chula
Ó minha velha canção
Vens das terras de Galiza
Trazes notícias de Espanha
Com sabor a tradição.


FOTOS: Vasconcellos e Sá / DESIGN GRÁFICO: Álvaro Reis

MINHA TERRA DE AGOSTO DESEJADO
(Letra: João Maria Viegas / Música: Luís Pedro Fonseca)

Meu amor, minha terra, meu país
Meu fruto saboroso na distância
Meu quintal semeado de alecrim
Que enfeitaste de ilusões a minha infância

Minha terra de Agosto desejado
Minha pipa de vinho morangueiro
Minha noiva de Viana, meu brocado
Meu jardim, meu recanto e meu canteiro

Esta saudade que mata
Este bem querer que perdura
Daquele luar de prata
Que revejo na lonjura

Este destino fadista
Que marcou o meu passado
Por sonhos e palavras ditas
Nos versos do nosso fado

Meu país de fados magoados
Que guitarras entoam noite fora
Misturando nos acordes e trinados
Saudades da família que lá mora

Minha aldeia dos pares de namorados
Que ao domingo se passeiam pela rua
E que à noite se entregam, abraçados
Jogando às escondidas com a lua.

TONICHA: AVÉ-MARIA DE SCHUBERT

FÁTIMA, ALTAR DO MUNDO
SINGLE, POLYGRAM (POLYDOR), 885 798-7

Em 1987 foi editado o disco FÁTIMA, ALTAR DO MUNDO constituído por temas religiosos.
É deste disco o tema "Avé-Maria de Schubert", com tradução do latim e arranjos musicais de Luís Pedro Fonseca. O tema foi posteriormente incluído no CD "MULHER" de 1997.
O design de capa é de Manuel Vieira. A produção e arranjos é de Luís Pedro Fonseca.




LADO A
A 13 DE MAIO (AVÉ DE FÁTIMA)
(D.R.)

LADO B
AVÉ-MARIA DE SCHUBERT
(Franz Schubert/Luís Pedro Fonseca)





Foi também neste ano de 1987 que Tonicha e o marido montaram o restaurante típico "O Pátio de Almeirim", onde Tonicha actuava todas as noites.

A VEZ E A VOZ DE TONICHA

DEIXEM PASSAR A MÚSICA, RTP

Em 1984 a RTP dedicou-lhe um programa da série "DEIXEM PASSAR A MÚSICA".
No domingo de Páscoa de 1984 a RTP transmitiu o programa "A VEZ E A VOZ DE TONICHA", que contou com a participação de dançarinos do Minho, do Ribatejo e do Algarve, assim como do actor Vítor de Sousa que declamou poemas de Ary dos Santos e Manuel da Fonseca.
Foram feitos vídeos para ilustrarem algumas das suas canções mais populares, como "Zumba na Caneca" e "Não vás ao mar Tonho".





PINGA AMOR
SINGLE, POLYGRAM (POLYDOR), 881 049-7

Em 1984, Tonicha grava duas canções antigas que tinham sido êxitos há muitas décadas atrás, nas vozes de outras glórias da música popular.
"Pinga amor", com letra e música de A. Silva, foi mais um êxito.
No lado B do single encontramos "Canção do futebol" de Tomaz R. Colaço e Frederico de Freitas. O disco é uma produção de António Pinho, com arranjos de Shegundo Galarza para a Polygram.



PINGA AMOR
(Letra e Música: A. Silva)

Quando na rua
Você vê alguma loira
Você até quase estoira
Se não se mete com ela.
Mas se a pequena
Em vez de loira é morena
Você faz-lhe a mesma cena
O que você quer é trela.

Vai logo atrás
Diz-lhe que é um bom rapaz
E que de tudo é capaz
Por uma mulher tão dura.
E se a mulher
Acredita o que disser
Vai atrás de outra qualquer
Que aquela já está segura.

REFRÃO (2x):
Pinga amor
Você é um pinga amor
Brancas, pretas, qualquer côr
Você quer tudo o que vê.
Não tem meias
Sejam bonitas ou feias
Altas, baixas, magras, cheias
Tudo serve p'ra você.

Juro que amo
Diz você à Joaquina
Mas à Rosa e à Miquelina
Diz o mesmo exactamente.
À Gabriela
Diz que quer casar com ela
Casa com esta e com aquela
Quer casar com toda a gente.

Sempre a mentir
Diz à Júlia p'ra ouvir
Que a Josefa era a fingir
E com ela é que é verdade.
Seu coração
Sempre cheio de paixão
Parece mesmo um vulcão
Quando em actividade.

REFRÃO (3x).



A ARTE E A MÚSICA
CD, POLYGRAM (POLYDOR), 823 891-2

Já no ano seguinte, em 1985, a Polygram edita uma colectânea de Tonicha, um duplo álbum chamado A ARTE E A MÚSICA DE TONICHA.
Neste disco as canções estão alinhadas em 4 grupos:

NO INÍCIO TRADICIONAIS
ÊXITOS POPULARES A OUTRA FACE

O disco voltou a ser reeditado em formato CD.



MARIA da CONCEIÇÃO
(Joaquim Pessoa / Pedro Osório)

Maria da Conceição
faça sol e chuva não
tens que trabalhar no campo
com teu pai com teu irmão
tens que trabalhar no campo
tens que trabalhar no campo
faça sol e chuva não.

E um arado no teu peito
e uma foice em tua mão
ceifa ceifa vai ceifando
ceifa ceifa vai ceifando
Maria da Conceição.

Já o sol nasce no monte
e a monte passa o ganhão
poisa um pássaro na fonte
e um amor no coração
põe-se o sol no horizonte
tu voltas de novo ao monte
Maria da Conceição.

Um chapéu de trigo loiro
e um lenço bordado à mão
cobres a seara de oiro
cobres a seara de oiro
Maria da Conceição.

Maria da Conceição
faça sol e chuva não
tens que trabalhar no campo
com teu pai com teu irmão
tens que trabalhar no campo
tens que trabalhar no campo
faça sol e chuva não.

Toda a vida te disseram
tens que lutar pelo pão
ceifa ceifa vai ceifando
ceifa ceifa vai ceifando
Maria da Conceição.

Já o sol nasce no monte
e a monte passa o ganhão
poisa um pássaro na fonte
e um amor no coração
põe-se o sol no horizonte
tu voltas de novo ao monte
Maria da Conceição.



PELA vida FORA
(João Henriques / Carlos Santos)

Pela vida fora
Muito vai embora
E eu a vida inteira aqui
Pensando em ti
Nesta ilusão
Pregada ao chão.

Mais do que enfeitada
Estou amargurada
Mas um dia há-de chegar
E o meu calor
Há-de voltar
Pra eu cantar.

Eu canto a vida à procura
Da noite segura
E do meu segredo
Porque eu sinto o gosto da vida
Na terra aquecida
De viver sem medo.

Eu faço a minha poesia
De noite e de dia
De janela aberta
Hoje eu canto a minha demora
Pelo tempo fora
Na minha voz certa.

Mas nada acontece
A quem adormece
E eu voltei a ser mulher
A renascer
Sempre a escolher
Quem eu quiser.

No meu corpo farto
Fica a dor e eu parto
Eu não sei onde parar
Mas vou cantar
Até chegar
Ao meu lugar.

ESTA FESTA PORTUGUESA
SINGLE, POLYGRAM (POLYDOR), 833 333-7

É também do ano de 1985 o single ESTA FESTA PORTUGUESA, com arranjos e produção de Ramon Galarza. As letras são de J. Libório, pseudónimo de João Maria Viegas, marido de Tonicha e seu agente.



LADO 1
ESTA FESTA PORTUGUESA
(Letra: J.Libório / Música: Carlos Alberto Vidal)

LADO 2
MANJERICO CASAMENTEIRO
(Letra: J.Libório / Música: Carlos Alberto Vidal)

TONICHA: ELA POR ELA

CHAMAR-TE MEU AMOR
LP, POLYDOR, 2480 586

Grava o álbum "ELA POR ELA", em 1980 em Lisboa (de 15 de Setembro a 22 de Outubro), com canções de Carlos Mendes, Joaquim Pessoa, Tozé Brito e Pedro Osório.
"ELA POR ELA", considerado por muitos o melhor disco de repertório de autor de sempre de Tonicha, contém algumas das melhores interpretações da cantora, casos de "Canção da Alegria", "Chamar-te meu amor" (com arranjo de Pedro Osório, talvez uma das melhores canções de amor que Tonicha já cantou) e "Canção sem ti", que juntamente com "Canção de Rosalinda" foram das mais tocadas na rádio.



É de salientar ainda os excelentes temas "Canção da coragem" e "Canção do amor perdido", uma composição de Carlos Mendes para as letras do poeta Joaquim Pessoa, que Tonicha interpreta magistralmente, tinha então 34 anos.
Este disco foi reeditado em CD no ano de 1996.

Canção da Coragem (Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
Nem que a morte me soltasse
todas as velas no sangue
deixaria a minha casa
como se fosse culpada
Nem que a morte me soltasse
todas as velas no sangue

Nem que morte me dissesse:
"Virás de noite comigo..."
eu trairia um amigo
Nem que a morte me levasse
Nem que a morte me dissesse
Nem que vida me fugisse

Nem que morte me fechasse
todas as portas do sonho
deixaria de cantar
Nem que a morte me calasse
Nem que a morte me fechasse
todas as portas do sonho

Nem que a morte acontecesse
bem por dentro dos meus olhos
eu deixaria de viver
todo o amor de joelhos
Nem que a morte me acontecesse
ou me amor, me cegasse

Ai nem que a morte viesse
como só vem a tristeza
eu me dava por vencida
Nem que a morte me doesse
Ai que nem a morte viesse
como só vem a tristeza

E se a morte violentasse
as paredes do meu peito
meu coração lá estaria
como uma rosa de esperança
como um pássaro de sangue
ou uma bala perdida.



Chamar-te meu amor
(Joaquim Pessoa / Pop.-Arr.Pedro Osório)

Dizer que tudo em ti é movimento
e que há corças nas selvas em redor
do amor que às vezes faço em pensamento
ou do que eu penso quando faço amor.

Dizer que em tudo escuto a tua voz
no mar no vento na boca das searas
o maior amor do mundo somos nós
cobrindo a solidão de pedras raras.

Dizer tudo o que eu digo nunca basta
pois para ti não chegam as palavras
meu amor é uma expressão que já está gasta
mas tem sempre um aroma de ervas bravas.

É por ti tudo o que faço e digo e chamo
por ti eu tudo invento e tudo esqueço
dou tudo o que há em mim quando te amo
mas nem sei meu amor se te conheço.



CANÇÃO DE ROSALINDA
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
MENINO DE OIRO, MENINO DE LATA
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
MARIA DA CONCEIÇÃO
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Pedro Osório)
CONVERSA A DOIS
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
CHAMAR-TE MEU AMOR
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Popular/Arranjo: Pedro Osório)
CANÇÃO DA ALEGRIA
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Tozé Brito)
CANÇÃO SEM TI
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: P. de Senneville / O. Toussaint / Arranjo: Pedro Osório)
CANÇÃO DA CORAGEM
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
CANÇÃO DO AMOR PERDIDO
(Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)
MADALENA
Letra: Joaquim Pessoa / Música: Carlos Mendes)

Embora Tonicha sempre tenha feito por demarcar o seu repertório musical, alternando álbuns de repertório do Cancioneiro Popular Português com outros de repertório de Autor (e apesar de se "recusar" a gravar temas cantados por colegas cantores), logo no ano seguinte à edição de "ELA POR ELA", em 1981, a cantora Simone de Oliveira regrava o tema "Chamar-te meu amor" em versão fado no seu álbum chamado "Simone".
Também o cantor Marco Paulo, conhecido musicalmente pelas muitas versões que cantou (especialmente de canções de língua estrangeira), gravou uma versão de uma canção do álbum "ELA POR ELA", a "Canção da Alegria".

Canção do amor perdido
(Joaquim Pessoa / Carlos Mendes)
Era o deserto em que eu te percorria
e te inventava
eram pedaços de um dia
em que a alegria morria
quando a saudade voltava
Nas minhas mãos te acendia
quando o dia se apagava

Eras tu meu amor e eu sabia
adivinhava
e o silêncio que eu trazia
era sede que nascia
e nunca mais acabava
Quando o amor nos despia
é que a noite começava

Era o meu cabelo à solta
as tuas mãos no meu peito
eram beijos de revolta
num tempo quase desfeito

Eram dois corpos em flor
rosas da cor do meu espanto
quando o desejo era tanto
que só restava esta dor

Meu amor

Era o deserto em que eu te percorria
e te inventava.

CANÇÃO DA ALEGRIA
SINGLE, POLYDOR, 2063 061



Canção da Alegria(Joaquim Pessoa / Tozé Brito)
Há um pássaro que voa
Sobre as janelas do dia
Fugiu do meu peito
Poisou no meu leito
E fez
Um ninho de alegria.

Alegria que nasceu
De uma rosa quase pura
Meu amor dormindo
Nesta noite abrindo
Em flor
A minha ternura.

Tenho sede de viver
Tenho a vida à minha espera
Sou uma rosa a crescer
No azul da primavera.

Tenho sede de viver
De fazer amor contigo
Quantas vezes eu quiser
Amante, amor e amigo.

Há palavras que regressam
Como um beijo à minha boca
Para possuir-te
Para pertencer-te
A noite
Será sempre pouca.



Canção sem ti(P. de Senneville/O. Toussaint)
(Arranjo: Pedro Osório)
sobre "A Comme Amour"


Sem ti
que me importa que o sol mude de cor
sem ti
já não me interessa mais seja o que for
sem ti
é como um jardim sem uma flor
viver sem ti
não é viver meu amor

Viver sem ti
é como se já nada mais houvesse
sem ti
é como se outro dia não nascesse
viver sem ti
é como se o meu peito não batesse
quero dizer
viver sem ti é morrer

Sem ti
sem a cama dos teus braços
ficarei à tua espera
porque sem ouvir teus passos
nunca mais é primavera

Viver sem ti
é pior que enlouquecer
não sentir nenhuma dor
é lutar por te esquecer
e esquecer-te meu amor
é não viver

Sem ti
podem morrer estrelas no universo
sem ti
não poderei cantar nem mais um verso
sem ti
nenhuma madrugada há-de chegar
viver sem ti
é não poder mais amar
...
é como se já nada mais houvesse
...
é como se outro dia não nascesse
...
é como se o meu peito não batesse
quero dizer
viver sem ti é morrer!