Mostrar mensagens com a etiqueta Fotos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fotos. Mostrar todas as mensagens

8 de março de 2012

PARABÉNS, TONICHA!

No dia do aniversário de Tonicha, e Dia Internacional da Mulher, damos também os parabéns a todas as "mulheres" que Tonicha cantou:

5 de junho de 2011

TONICHA NO RIO DE JANEIRO


Hotel Glória de Copacabana, Rio de Janeiro, Outubro de 1971

FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO POPULAR
RIO DE JANEIRO
1971
PRÉMIO DA CRÍTICA


Em Outubro de 1971, Tonicha participou em mais um grande festival internacional. Depois da Eurovisão, em Dublin, e da Olimpíada da Canção em Atenas, a cantora foi até ao Brasil participar no Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro.
Defendeu a canção "Manhã clara" da dupla José Carlos Ary dos Santos (com um texto muito inspirado como era seu apanágio) e Nuno Nazareth Fernandes (que compôs uma bela partitura em crescendo, mas cheia de nuances e subtilezas sempre ao serviço do poema), brilhantemente orquestrada por Thilo Krassmann.
Com esta actuação a jovem Tonicha obteve o Prémio da Crítica.
"Manhã clara" teve grande impacto no festival sobretudo graças à letra da canção, bastante ousada para um país (ou dois, se contarmos com Portugal) que vivia sob forte ditadura.
E se há palavras, daquelas que Tonicha cantou no Rio, que melhor evocaram essa vontade de libertação foram com certeza: "E nunca mais/as nossas bocas/amordaçadas."

Lembram-se do refrão?

Por ti vou inventar
A manhã clara
De outras raízes
De outras verdades
De outros países
De outras cidades
De homens felizes.
Vou renegar
As coisas fáceis
As coisas vãs
As coisas fúteis.
E nunca mais, E nunca mais
Essas manhãs
Serão inúteis
Essas cidades
Serão vazias
Essas verdades
Ficarão frias
Essas janelas
Serão fechadas.
E nunca mais, E nunca mais
As nossas bocas
Amordaçadas.

11 de maio de 2011

TONICHA: ACTUAÇÃO EM ATENAS

IV OLIMPÍADA DA CANÇÃO
ATENAS - 1971


FOTO: Autor não identificado, Tonicha na IV Olimpíada da Canção,
Estádio Olímpico, Atenas, Julho de 1971

9 de abril de 2011

TONICHA: 5º LUGAR NA EUROVISÃO

RESULTADO DO JÚRI COM MAIS DE 25 ANOS

A nossa já muito conhecida, e infelizmente extinta, revista Plateia que acompanhou sempre com muito interesse os festivais da Eurovisão publicou, em Abril de 1971, os resultados da votação do júri desse ano.
Divididos em dois grupos (com mais de 25 anos e menos de 25 anos), é curioso ver a pontuação que Tonicha obteve na sua passagem por Dublin, na Irlanda. Diz o artigo da revista:

Não somos, e os nossos leitores sabem-no bem, muito dados a estatísticas, mas como gostamos de servir bem quem nos prefere aqui deixamos os números eloquentes da votação de forma a que se aprenda e estude a lição para futuras aventuras.
Como sabem este ano o júri era composto por dois elementos enviados por cada país, um com menos de 25 anos - limite 18 anos e outro com mais de 25 - limite 60 anos. Esse facto deu-nos a conhecer que entre as 18 canções, em apenas 6 casos estiveram de acordo na classificação parcial.
Pela tabela que publicamos encontrarão as diferenças de critério aceitáveis se nos lembrarmos que duas gerações estavam votando o mesmo tema.
A nossa canção obteve um brilhante 5º lugar na classificação dos jurados com mais de 25 anos, enquanto os mais jovens lhe atribuíram um 11º lugar.

Meditar e tentar servir gregos e troianos eis o que temos de fazer para não deixarmos cair uma posição que finalmente conseguimos.

















Tonicha durante os ensaios em Dublin, Plateia nº 532, de 13 de Abril de 1971, p.27

5 de fevereiro de 2011

TONICHA: A MENINA FAZ 40 ANOS


FOTO: Nuno Nazareth Fernandes à viola e Tonicha na voz,
Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.30

A 11 de Fevereiro de 1971, a partir do Teatro Tivoli em Lisboa, a "Menina do Alto da Serra" deu-se a conhecer aos portugueses. Pela voz cristalina de Tonicha, foi amor à primeira audição.
Faz este ano 40 anos!


FOTO: José Fialho Gouveia entrevista Tonicha, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

A televisão mostrou muita coisa do Festival da Canção. Mas não mostrou tudo, tudo, tudo. Coisas houve que escaparam às câmaras. Outras aos microfones.
Estas duas páginas que apresentamos hoje são da revista Plateia que acompanhou a festa que a editora Zip-Zip organizou para comemorar a vitória.


FOTO: Tonicha com João Paulo Guerra, Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, p.31

Temos muita pena de o Zip não nos ter convidado para a ceia que se seguiu ao Festival. Pelas fotos, verificamos que esteve bem animada.


FOTO: Plateia nº 525, de 23 Fevereiro de 1971, pp.30 e 31

Nuno Nazareth Fernandes: Chegamos a 71 e fazemos a "Menina" que é uma canção a pensar numa revanche da "Canção de Madrugar".
Sob o ponto de vista musical eu estava nessa altura muito influenciado pela música andina, ia muito a Paris e trazia discos e mais discos do Peru, do Chile, da Colômbia, e acho que isso se reflecte claramente na "Menina". A maqueta que enviámos para a RTP, gravada na Nacional Filmes, até tinha uma flauta de bisel para se procurar aquela sonoridade das flautas dos andes.
A "Menina" ganhou, mas é preciso dizer que, a meu ver, isso se ficou a dever muito mais a uma grande operação de marketing do que a qualquer outra coisa. A verdade é que todos nós, eu, o Zé Carlos, a gente do Zip, resolvemos fazer com a "Menina" exactamente o contrário do que se tinha feito com a "Canção de Madrugar". Tínhamos pela frente concorrentes com muita força, apoiados por editoras fortes e aí fizemos uma campanha, uma promoção enorme. Começou-se por fazer uma outra canção, "Mulher", que a Tonicha gravou e que, no fundo, revelava um bocado a Menina, a começar pelo aproveitamento que o José Carlos fez da "Menina e Moça" do Bernardim Ribeiro. A divulgação da "Mulher" criou uma enorme expectativa, até porque se fez constar que era a canção concorrente o que era proíbido, etc., etc. Aliás, acho que a "Mulher", como canção, até era melhor que a "Menina". Depois foram os cartazes, o cuidado todo com o visual da Tonicha e tudo mais. (...)
in José Carlos Ary dos Santos, As palavras das cantigas, Lisboa, Edições Avante, 1989


Disco promoção da participação de Tonicha no Festival da Canção com o tema "Mulher".

Este envelope, ou esta capa, contém um disco de 45 rotações gravado por uma das vozes que irão defender o reportório das etiquetas Zip no VIII Grande Prémio TV da Canção Portuguesa.
Claro que as canções não são as do Grande Prémio. Mas até são "giras" e dão-lhe uma ideia da capacidade de quem as canta.
Esperamos que goste e que esteja atento no dia 11 de Fevereiro.



... clique no botão "Play"

RAGAZZA DELLA CAMPAGNA
(Letra: José Carlos Ary dos Santos)
(Versão: Cristiano Minellono)
(Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Arranjo e Direcção: Augusto Algueró)

23 de dezembro de 2010

TONICHA EM VOZES DE TRABALHO


FOTO: Diana Zaragoza Amador

Continuam os ecos do espectáculo "Vozes de Trabalho", da autoria e com encenação de Tiago Torres da Silva, que esteve em cena no Teatro da Trindade em Lisboa até ao passado dia 12 de Dezembro. Um dos quadros musicais incluia a cantora Tonicha, num ambiente de festa, a cantar "Vareira do mar" (1973), um tema do Cancioneiro Popular da região do Minho.

VAREIRA DO MAR
(Popular - Minho)

Vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou
dar vida a quem me deu vida
matar a quem me matou.

Matar a quem me matou
vareira linda vareira
vareira linda vareira
vareira eu vou, eu vou.

No meio daquele mar
há uma pedra comprida
com um letreiro que diz
quem lá for arrisca a vida.

Quem lá for arrisca a vida
no meio daquele mar
no meio daquele mar
há uma pedra comprida.

Ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos
quem namora às escondidas
quer abraços e beijinhos.

Quer abraços e beijinhos
ó amieiro do rio
ó amieiro do rio
deixa passar os peixinhos.

Sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira
vou-me para a minha terra
adeus ó chula vareira.

Adeus ó chula vareira
sou cantada, sou bailada
sou cantada, sou bailada
sou bem de toda a maneira.

8 de novembro de 2010

TONICHA: SEMPRE CANTEI PARA O POVO

Cantora estreia-se no teatro pela mão de Tiago Torres da Silva.


Foto: Tiago Sousa Dias

É conhecida como cantora, mas agora vai estrear-se no teatro. Ainda a recuperar de graves problemas de saúde, a popular Tonicha vai ser uma das protagonistas de ‘Vozes de Trabalho’, espectáculo que tem estreia prevista para 25 de Novembro, na Sala Principal do Teatro da Trindade. Ao seu lado, estarão Lourdes Norberto, Carlos Mendes e Filipa Pais, entre outros.

Por: Ana Maria Pais, in Correio da Manhã, 8 Nov.2010



CM - Ficou surpreendida com o convite do Tiago Torres da Silva?

Tonicha - Sim. A primeira vez que ele me falou disto eu estava de cadeira de rodas e disse-lhe que ia pensar. Estive afastada da vida artística durante ano e meio e nesse tempo aconteceram imensas coisas... Coisas desagradáveis. A certa altura já nem tinha vontade de nada. Mais tarde, o Tiago fez-me o convite formal e apesar de não estar em condições de aceitar, aceitei. Achei que podia ser terapêutico. E tem sido.

- É a sua estreia como actriz de teatro. Isso não a assusta?
- Admito que é uma grande aventura, mas estou a fazer tudo para que me sair bem dela. Para já porque não quero desiludir o Tiago, a quem conheço desde miúdo, quando ia visitar a avó, que era minha vizinha em Cascais. Depois, porque o ambiente é tão interessante e os colegas são tão talentosos, que não quero ficar mal na fotografia.

- A peça fala da vida do povo trabalhador e das canções a que recorre como forma de tornar a sua vida mais agradável...
- Sim, é uma realidade que me é muito familiar. Eu conheço o povo. Sempre cantei para o povo, fiz muito trabalho de estrada, festas, arraiais, romarias - estive lá sempre e portanto conheço bem esta realidade. Isso facilitou o processo, sem dúvida.

- O facto de ser um musical também deve ter ajudado...
- Sim, é uma produção muito interessante, que liga a arte de representar e a de cantar. Nunca me tinha acontecido nada de parecido. Aqui todos cantam e todos representam. Claro que nem todos têm solos, mas há canções colectivas em que todos participam. Para mim, o pior é decorar o texto. Tem de ser devagar... (risos) Mas quando estrear vai tudo estar certinho.

- A nível de representação, chegou a fazer cinema...
- Fiz um filme, mas muito novinha. Tinha 16 anos. Era inconsciente. Mas foi um convite irrecusável: em início de carreira, convidarem-me para fazer um filme ao lado do António Silva! Fiquei encantada. Claro que não podia recusar.

- Fale-nos da sua personagem no espectáculo.
- A minha personagem é a ‘Ti Ana', uma velhinha que todos julgam já ter desaparecido, mas que, afinal, está mesmo viva! E rija. A peça é muito divertida, tem momentos ternurentos, outros tristes - afinal estamos a falar de coisas que acontecem às pessoas que trabalham no campo. Mas depois tem a alegria da música, acho que é um espectáculo completo.

- O público, que nunca lhe falhou, também não é desta que vai falhar...
- Espero que não. Mas é verdade. Tenho essa noção: o público das cantigas nunca me abandonou, e acho que virá com certeza ao espectáculo. O público de teatro, esse, não sei. Mas acho que sim. Nem que seja por curiosidade.

- Pondera a possibilidade de voltar ao teatro?
- Se a peça tiver êxito... Enfim, não sou uma actriz mas acho que tenho um certo jeitinho.

- O Ruy de Carvalho diz que um artista nunca se reforma.
- Depende. Para um cantor, isso não será tão verdade. A voz muda, os tons agudos têm de vir para baixo. Mas acho que um actor pode continuar a sua carreira sempre. Até os problemas de memória podem ser obviados actualmente. Mas eu ainda não tenho problemas com a voz. Os meus problemas são todos de saúde. Mas vou ultrapassá-los. Ainda não estou bem, mas hei-de estar.

26 de outubro de 2010

TONICHA REGRESSA AO TEATRO

COM VOZES DE TRABALHO
TEATRO DA TRINDADE, LISBOA
25 NOVEMBRO A 12 DEZEMBRO 2010

Sim, é verdade!
Passados 36 anos desde a estreia de Tonicha no teatro de revista - estávamos então em 1974, a peça chamava-se "Uma no cravo outra na ditadura", criada por César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos e levada à cena no Teatro ABC - a cantora vai voltar a pisar os palcos, desta vez para integrar o elenco da nova produção do Inatel/Teatro da Trindade, "Vozes de Trabalho".


FOTO: José Frade

Trata-se de uma nova criação da autoria de Tiago Torres da Silva, com estreia marcada já para o próximo dia 25 de Novembro, onde Tonicha canta canções populares e também temas inéditos.
"Vozes de trabalho" estará em cena no Teatro da Trindade, em Lisboa, de 25 de Novembro a 12 de Dezembro, quintas a sábados às 21h e domingos às 16h.
Com Tonicha, partilham o palco Carlos Mendes, Filipa Pais, Cecília Guimarães, Lurdes Norberto, Joana Negrão, entre outros.

Tiago Torres da Silva, o autor e também encenador do espectáculo, manifestou ao Clube de Fãs a sua "felicidade por estar a dirigir um musical com a Tonicha". O autor, que já escreveu para quase todas as novas vozes da música portuguesa, tem agora também a sua primeira oportunidade para trabalhar com a cantora.


FOTO: José Frade, in site do Teatro da Trindade

Vozes de Trabalho parte do universo dos cantos de trabalho para contar uma estória que, vinda das entranhas da terra, se expande por lugares oníricos de fantasia e ficção.

Ancorado nesses cantos que tornavam mais leves as penas das ceifeiras, dos pescadores, dos vindimeiros, das fiandeiras, etc, Vozes de Trabalho conta-nos o percurso de uma jovem rapariga à procura da sua voz, a sua voz que um homem levou não se sabe para onde e que estará talvez esquecida nessas almas amarfanhadas por trabalhos extenuantes, almas essas que encontravam alívio e procuravam forças nos cantos que entoavam desde que a manhã se levantava até ao pôr-do-sol.

Aparece assim o canto de raiz como força motriz de um espectáculo de teatro onde a música é o que faz avançar e o que trava, onde o próprio espectador se sente parte dessa terra, desse passado reaberto agora como um testamento que une o passado ao futuro.
in site do Inatel

AUTORIA E ENCENAÇÃO Tiago Torres da Silva
DIRECÇÃO MUSICAL Vasco Ribeiro Casais
ASSESSORIA CIENTÍFICA José António Sardinha
CENÁRIO Inês Teixeira
FIGURINOS Hilda Portela

ELENCO
Carlos Mendes Cecília Guimarães
Filipa Pais Joana Negrão
Lurdes Norberto Tonicha

MÚSICOS
André Galvão Rita Nóvoa
Rui Rodrigues Vasco Ribeiro Casais

PRODUÇÃO
Fundação INATEL
Teatro da Trindade

Mais informações aqui.

9 de outubro de 2010

MENINA

CONSCIENTE DAS RESPONSABILIDADES
DE UM FESTIVAL


Continuamos a nossa viagem pelo ano de 1971, a descortinar o que a imprensa da época relatou sobre a passagem de Tonicha pelo Festival RTP da Canção.
A Plateia, uma das mais conhecidas revistas dedicadas ao mundo do espectáculo nos anos 60 e 70, dedicou na sua edição de 2 de Fevereiro um artigo com uma entrevista da cantora.


in Revista Plateia nº 522, 2 de Fevereiro de 1971, p.50

«Durante os sete anos que dura já a sua carreira, Tonicha soube marcar uma posição bem firme no mundo da música portuguesa e tornar-se querida e apreciada pelo público, a ponto de ter sido, no passado ano de 1970, a artista portuguesa que mais discos vendeu. É portanto com uma expectativa aguçada pela audição de "Mulher", de José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, que se aguarda a canção, dos mesmos autores, que Tonicha cantará no Festival: "Menina".
Tonicha participara no Festival de 68 com duas canções: "Fui ter com a madrugada" e "Calendário", ficando em 2º lugar. Depois, não mais acedera a defender uma canção, apesar de todos os anos lhe serem propostas várias com vista ao Festival. Mas quando este ano a RTP decidiu novamente mandar um vencedor ao Festival da Eurovisão, depois de terem sido introduzidas no sistema de votação antigo (que, afinal, é idêntico ao que a própria RTP, que protestou, continua a adoptar) diversas e importantes modificações, Tonicha decidiu-se.
Com uma carreira europeia já muito bem iniciada (ainda em Dezembro esteve em Dusseldorfe, Bruxelas e Luxemburgo e prepara-se já para ir a Split, na Jugoslávia e Bucareste, na Roménia) a ida como representante de Portugal ao Euro-Festival seria o passo decisivo para a internacionalização.
- O Ary e o Nuno fizeram a canção para mim e eu... apaixonei-me por ela. Numa entrevista recentemente publicada puseram na minha boca palavras que, de modo algum, exprimem a minha opinião em relação a "Menina": "A música é lírica, é simples como um poema". Considero, isso sim, o poema de extremo lirismo e de uma pureza e simplicidade bem portuguesas. O próprio Ary dos Santos o classifica como um dos melhores, se não o melhor que escreveu para ser cantado, pensando mesmo inclui-lo no seu próximo livro. Quanto à música, é suave e muito bem adaptada às palavras. Nunca também, como se refere na mesma entrevista, fiz distinções entre canções "lentas" ou "pop", pois uma canção lenta pode perfeitamente ser "pop".



Muito se tem falado e discutido o caso de Tonicha ter chamado o maestro espanhol Algueró para orquestrar "Menina". Diz ela:
- Se todos os anos em que temos participado no Festival da Eurovisão se proclama que o que nos prejudica é a orquestração antiquada e infeliz das nossas canções, não creio que exista nada que me possa impedir de recorrer a um orquestrador com méritos provados e cujos serviços a Espanha não reclamou este ano. Para o próprio "Vivo cantando", que Algueró acabou por orquestrar o ano passado, a muito poucos dias do festival, tinham sido pedidas orquestrações primeiro a um inglês e depois a um francês e só não foi uma dessas a escolhida por não terem agradado.
Algueró, grande senhor do mundo da canção, só aceitou fazer a orquestração depois de ouvir a canção cantada por mim. Para isso me desloquei a Madrid com o Nuno Nazareth Fernandes... e Algueró aceitou!
Quando os nossos maestros aprenderem a actualizar-se e a ir ao encontro das ideias e dos gostos dos novos, em vez de apenas os criticarem, então talvez tenham o direito de falar por eu ou qualquer outro artista recorrermos a orquestradores estrangeiros. Por agora, infelizmente, não.



Embora internacionalmente e mesmo em Portugal, Tonicha seja mais conhecida cantando folclore, é como cançonetista romântica que no próximo dia 11 ela incarnará, para milhares de portugueses, essa "Menina" talvez tão loira como ela. Para ganhar? Quem pode sabê-lo antes do dia 11? Fazendo tudo para isso, sem necessidade de recorrer a propagandas pagas? Isso, sem dúvida nenhuma, mas com plena consciência da responsabilidade que lhe pesa sobre os ombros. Convidada a comparecer no "Curto-Circuito" a realizar no dia 30 de Janeiro, Tonicha recusou por não achar que dispunha de tempo para preparar convenientemente a sua apresentação.
Boa sorte rumo à Europa, "Menina" de narizinho arrebitado e cabelos de sol.»
in Revista Plateia nº 522, 2 de Fevereiro de 1971, p.50

1 de setembro de 2010

TONICHA VENCE COM "MENINA"

A ENTREGA DO TROFÉU


in Revista Plateia, 1971

31 de agosto de 2010

MENINA DO ALTO DA SERRA

8º FESTIVAL RTP DA CANÇÃO



No ano de 1971 a RTP transmitia o oitavo Festival da Canção, a partir do Teatro Tivoli em Lisboa. Nesse festival, de que muito se escreveu na imprensa da época, participava pela segunda vez Tonicha, a jovem cantora alentejana, com o inesquecível tema da dupla Ary/Nazareth Fernandes, "Menina do Alto da Serra".




A sua actuação conseguiu-lhe a vitória e o passaporte para representar Portugal no Festival da Eurovisão, que decorreria na cidade de Dublin.
Na imagem, Tonicha recebe o 1º prémio.


Agradecimento: Site "Festivais RTP"

Também a imprensa da época deu destaque ao evento, assinalando a vitória de Tonicha no Festival. A extinta publicação "Flama" publicou uma reportagem a propósito da partida da cantora para Dublin, para onde também seguiram os enviados da revista que fariam a cobertura da Eurovisão.


in Revista Flama, 2 de Abril de 1971
FOTO: A. Xavier

5 de agosto de 2010

MENINA

DO ALTO DA SERRA O VIDEOCLIP

Com um leve sabor a férias e enquanto não regressamos à capital, aqui deixamos algumas imagens extraídas do célebre videoclip de Tonicha rodado para o tema "Menina", realizado por Augusto Cabrita. Este foi o vídeo de divulgação da cantiga que Tonicha iria cantar na Eurovisão.












Para poder assistir ao vídeo na íntegra, clique aqui.
Agradecimento: Site "Festivais RTP"

13 de junho de 2010

MARCHA DE BENFICA

TONICHA FOI MADRINHA


Foto gentilmente cedida por Luís Oliveira, filho de Xavier de Oliveira.

Por ocasião das Festas Populares de Lisboa, divulgamos uma fotografia alusiva às marchas populares.
Em 1966, Tonicha foi convidada para madrinha da marcha de Benfica. Não chegou a desfilar pela avenida, mas foi desejar boa sorte aos marchantes.
Na foto, vemos Tonicha acompanhada do cantor Xavier de Oliveira, o padrinho da marcha.



Ao longo da sua carreira, Tonicha foi recriando algumas canções populares que fizeram sucesso em décadas anteriores. Em 1977, gravou para a editora Polydor a "Marcha da Mouraria" (gravada e cantada por várias cantoras; talvez a mais conhecida seja a gravação deixada por Amália Rodrigues) e a "Marcha de Benfica".

... clique no botão "Play"

MARCHA DE BENFICA
(Letra: Frederico de Brito / Música: Raul Ferrão)

Ó raparigas
Isto agora é andarmos para a frente
Saltem cantigas aos molhos
Sorrisos nos olhos
E coração quente.

Cá vai Benfica
E quem fica não vai com certeza
Ser alegre é que é preciso
Pois quem tem o riso
Tem sempre beleza.

Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na festa contente
Ai ninguém fica
Sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.

Haja alegria
Alegria um bem que se abraça
Um desejo, uma quimera
Um riso que espera
Na marcha que passa.

Vá por Benfica
Tudo alegre e contente para a dança
Há sempre um riso suspenso
Um tesouro imenso
Que nos vem da herança.

Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na marcha contente
Ai ninguém fica
Sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.

Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na festa contente
Ai ninguém fica
Sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.

5 de junho de 2010

FESTIVAL DA EUROVISÃO 1971

DUBLIN
OS BASTIDORES




Concluimos a viagem por Dublin, apresentando estas imagens captadas imediatamente antes de Tonicha entrar no palco da Eurovisão.
Estávamos no sábado 3 de Abril de 1971, no Gaiety Theatre da capital irlandesa. A Irlanda organizava pela primeira vez o Eurofestival. Portugal regressava aos palcos da Eurovisão (bem como a Finlândia, a Noruega e a Suécia) depois de um ano de ausência, contribuindo assim para que o número de países concorrentes voltasse a ser 18.





Depois, foi o que já se conhece...



Numa classificação em que não foi atribuído o 7º lugar, em virtude de ter havido dois países em 6º lugar (a Suécia e a Holanda com 85 pontos), Tonicha conseguiu classificar-se em 9º lugar com 83 pontos. Saiba mais aqui.

À chegada ao aeroporto da Portela, a recepção à cantora foi esta:



MENINA
FEITA SENHORA DA CANÇÃO EUROPEIA


Regressou a Tonicha!
Regressou a Tonicha, de braço dado com a "Menina" que em Dublin conquistou para Portugal a melhor classificação de sempre em festivais da Eurovisão.


Foi com estas palavras que abria o artigo da extinta revista Plateia que noticiava a chegada de Tonicha ao aeroporto da Portela, vinda de Dublin.


in Revista Plateia nº 523, 13 de Abril de 1971, p.47

27 de maio de 2010

FESTIVAL DA EUROVISÃO 1971

DUBLIN
OS ENSAIOS


Depois de mostrarmos a sua chegada ao aeroporto de Dublin, continuamos hoje a recordar a passagem de Tonicha pelo palco da Eurovisão.



A série de imagens que hoje partilhamos referem-se aos ensaios da canção "Menina do Alto da Serra". Pela roupa que Tonicha tem vestida, somos levados a crer que houve pelo menos dois ensaios.