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26 de outubro de 2010

TONICHA REGRESSA AO TEATRO

COM VOZES DE TRABALHO
TEATRO DA TRINDADE, LISBOA
25 NOVEMBRO A 12 DEZEMBRO 2010

Sim, é verdade!
Passados 36 anos desde a estreia de Tonicha no teatro de revista - estávamos então em 1974, a peça chamava-se "Uma no cravo outra na ditadura", criada por César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos e levada à cena no Teatro ABC - a cantora vai voltar a pisar os palcos, desta vez para integrar o elenco da nova produção do Inatel/Teatro da Trindade, "Vozes de Trabalho".


FOTO: José Frade

Trata-se de uma nova criação da autoria de Tiago Torres da Silva, com estreia marcada já para o próximo dia 25 de Novembro, onde Tonicha canta canções populares e também temas inéditos.
"Vozes de trabalho" estará em cena no Teatro da Trindade, em Lisboa, de 25 de Novembro a 12 de Dezembro, quintas a sábados às 21h e domingos às 16h.
Com Tonicha, partilham o palco Carlos Mendes, Filipa Pais, Cecília Guimarães, Lurdes Norberto, Joana Negrão, entre outros.

Tiago Torres da Silva, o autor e também encenador do espectáculo, manifestou ao Clube de Fãs a sua "felicidade por estar a dirigir um musical com a Tonicha". O autor, que já escreveu para quase todas as novas vozes da música portuguesa, tem agora também a sua primeira oportunidade para trabalhar com a cantora.


FOTO: José Frade, in site do Teatro da Trindade

Vozes de Trabalho parte do universo dos cantos de trabalho para contar uma estória que, vinda das entranhas da terra, se expande por lugares oníricos de fantasia e ficção.

Ancorado nesses cantos que tornavam mais leves as penas das ceifeiras, dos pescadores, dos vindimeiros, das fiandeiras, etc, Vozes de Trabalho conta-nos o percurso de uma jovem rapariga à procura da sua voz, a sua voz que um homem levou não se sabe para onde e que estará talvez esquecida nessas almas amarfanhadas por trabalhos extenuantes, almas essas que encontravam alívio e procuravam forças nos cantos que entoavam desde que a manhã se levantava até ao pôr-do-sol.

Aparece assim o canto de raiz como força motriz de um espectáculo de teatro onde a música é o que faz avançar e o que trava, onde o próprio espectador se sente parte dessa terra, desse passado reaberto agora como um testamento que une o passado ao futuro.
in site do Inatel

AUTORIA E ENCENAÇÃO Tiago Torres da Silva
DIRECÇÃO MUSICAL Vasco Ribeiro Casais
ASSESSORIA CIENTÍFICA José António Sardinha
CENÁRIO Inês Teixeira
FIGURINOS Hilda Portela

ELENCO
Carlos Mendes Cecília Guimarães
Filipa Pais Joana Negrão
Lurdes Norberto Tonicha

MÚSICOS
André Galvão Rita Nóvoa
Rui Rodrigues Vasco Ribeiro Casais

PRODUÇÃO
Fundação INATEL
Teatro da Trindade

Mais informações aqui.

11 de outubro de 2010

TONICHA

MENINA NIÑA
BERGÈRE COUNTRY GIRL
EP PROMOÇÃO (PROM 004/E), ZIP-ZIP, ZIP 30014/S



Durante o tempo que decorreu entre o Festival da RTP da Canção em Lisboa e o Festival da Eurovisão em Dublin, a editora de Tonicha, a Zip-Zip, apostou forte na divulgação da "Menina" por essa Europa fora. Para isso, foram editados vários discos com a canção original, mas também com versões nas quatro línguas mais populares: inglês, francês, espanhol e italiano.
O EP que hoje apresentamos, da editora Zip-Zip, para além do original em português tem mais três versões: em espanhol, francês e inglês. A belíssima versão italiana mereceu uma edição própria, de que oportunamente aqui daremos conta.

LADO A
MENINA (DO ALTO DA SERRA)
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
NIÑA
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)

LADO B
BERGÈRE
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version française: J. C. Ary dos Santos)
COUNTRY GIRL
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(English version: John Hampton)




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BERGÈRE
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(Version française: J. C. Ary dos Santos)

Bergère jolie bergère
Au regard le clair matin
Offrant tes seins de lumière
Dans la paume de tes mains.

Bergère jolie bergère
Aux senteurs de romarin
Bergère jolie bergère
Vont le corps est le parfum.

Bergère jolie bergère
Tu parfumes les chemins
Buttinant dans les bruyères
Telle un merle baladin.

Bergère jolie bergère
A petits pas de lutin
Bergère jolie bergère
Sautillant les serpentins.

Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.

Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.

Bergère jolie bergère
En tissant les lendemains
Bergère jolie bergère
Tu façonnes le destin.

Bergère jolie bergère
Rose rouge sans chagrin
Bergère jolie bergère
Force d'une aube sans frein.

Bergère fille de la terre
Rose rouge sans jardin
Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.

Bergère jolie bergère
Tu peux transformer la faim
En faisant des larmes pierres
En faisant des pierres pain.

Raison racine de guerre
Des campagnards de demain.


... clique no botão "Play"

COUNTRY GIRL
(J. C. Ary dos Santos - Nuno N. Fernandes)
(English version: John Hampton)

Country girl, you're on display
As you stroll at early dawn.
Yours breasts so small, and gay
Tightly in your bodice drawn.

Country girls smelling of hay
On an early summer morn.

Country girl, you look your best
When along the lane you walk
With eyes like a feathered nest
Built by thrush but not by hawk.

And a stream around your waist
Country girl, I wish you'd talk.

Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.

Country girl, please never cry.
Be to me my sap of pine.
Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.

Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn
As thread with steps so light
Long before the day is born.

Country girl, I feel so bright
When I see your plaits at dawn.

Country girl, your head held high
You enchant all whom you see
With the sparkle in your eye
Like that of a moonlit sea.

Country girl, who always shows
Such contempt for all my pleas
You gaze like a briar rose
Or a breath of mountain breeze.

Country girl, don't make me sigh
Tell me one day you'll be mine.

9 de outubro de 2010

MENINA

CONSCIENTE DAS RESPONSABILIDADES
DE UM FESTIVAL


Continuamos a nossa viagem pelo ano de 1971, a descortinar o que a imprensa da época relatou sobre a passagem de Tonicha pelo Festival RTP da Canção.
A Plateia, uma das mais conhecidas revistas dedicadas ao mundo do espectáculo nos anos 60 e 70, dedicou na sua edição de 2 de Fevereiro um artigo com uma entrevista da cantora.


in Revista Plateia nº 522, 2 de Fevereiro de 1971, p.50

«Durante os sete anos que dura já a sua carreira, Tonicha soube marcar uma posição bem firme no mundo da música portuguesa e tornar-se querida e apreciada pelo público, a ponto de ter sido, no passado ano de 1970, a artista portuguesa que mais discos vendeu. É portanto com uma expectativa aguçada pela audição de "Mulher", de José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, que se aguarda a canção, dos mesmos autores, que Tonicha cantará no Festival: "Menina".
Tonicha participara no Festival de 68 com duas canções: "Fui ter com a madrugada" e "Calendário", ficando em 2º lugar. Depois, não mais acedera a defender uma canção, apesar de todos os anos lhe serem propostas várias com vista ao Festival. Mas quando este ano a RTP decidiu novamente mandar um vencedor ao Festival da Eurovisão, depois de terem sido introduzidas no sistema de votação antigo (que, afinal, é idêntico ao que a própria RTP, que protestou, continua a adoptar) diversas e importantes modificações, Tonicha decidiu-se.
Com uma carreira europeia já muito bem iniciada (ainda em Dezembro esteve em Dusseldorfe, Bruxelas e Luxemburgo e prepara-se já para ir a Split, na Jugoslávia e Bucareste, na Roménia) a ida como representante de Portugal ao Euro-Festival seria o passo decisivo para a internacionalização.
- O Ary e o Nuno fizeram a canção para mim e eu... apaixonei-me por ela. Numa entrevista recentemente publicada puseram na minha boca palavras que, de modo algum, exprimem a minha opinião em relação a "Menina": "A música é lírica, é simples como um poema". Considero, isso sim, o poema de extremo lirismo e de uma pureza e simplicidade bem portuguesas. O próprio Ary dos Santos o classifica como um dos melhores, se não o melhor que escreveu para ser cantado, pensando mesmo inclui-lo no seu próximo livro. Quanto à música, é suave e muito bem adaptada às palavras. Nunca também, como se refere na mesma entrevista, fiz distinções entre canções "lentas" ou "pop", pois uma canção lenta pode perfeitamente ser "pop".



Muito se tem falado e discutido o caso de Tonicha ter chamado o maestro espanhol Algueró para orquestrar "Menina". Diz ela:
- Se todos os anos em que temos participado no Festival da Eurovisão se proclama que o que nos prejudica é a orquestração antiquada e infeliz das nossas canções, não creio que exista nada que me possa impedir de recorrer a um orquestrador com méritos provados e cujos serviços a Espanha não reclamou este ano. Para o próprio "Vivo cantando", que Algueró acabou por orquestrar o ano passado, a muito poucos dias do festival, tinham sido pedidas orquestrações primeiro a um inglês e depois a um francês e só não foi uma dessas a escolhida por não terem agradado.
Algueró, grande senhor do mundo da canção, só aceitou fazer a orquestração depois de ouvir a canção cantada por mim. Para isso me desloquei a Madrid com o Nuno Nazareth Fernandes... e Algueró aceitou!
Quando os nossos maestros aprenderem a actualizar-se e a ir ao encontro das ideias e dos gostos dos novos, em vez de apenas os criticarem, então talvez tenham o direito de falar por eu ou qualquer outro artista recorrermos a orquestradores estrangeiros. Por agora, infelizmente, não.



Embora internacionalmente e mesmo em Portugal, Tonicha seja mais conhecida cantando folclore, é como cançonetista romântica que no próximo dia 11 ela incarnará, para milhares de portugueses, essa "Menina" talvez tão loira como ela. Para ganhar? Quem pode sabê-lo antes do dia 11? Fazendo tudo para isso, sem necessidade de recorrer a propagandas pagas? Isso, sem dúvida nenhuma, mas com plena consciência da responsabilidade que lhe pesa sobre os ombros. Convidada a comparecer no "Curto-Circuito" a realizar no dia 30 de Janeiro, Tonicha recusou por não achar que dispunha de tempo para preparar convenientemente a sua apresentação.
Boa sorte rumo à Europa, "Menina" de narizinho arrebitado e cabelos de sol.»
in Revista Plateia nº 522, 2 de Fevereiro de 1971, p.50

9 de setembro de 2010

FESTIVAL RTP DA CANÇÃO

1971 OS TRÊS VENCEDORES

A vitória de Tonicha no Festival RTP da Canção de 1971 foi amplamente noticiada na imprensa da época. A extinta revista de espectáculos "Plateia", da Agência Portuguesa de Revistas, foi um dos títulos que lhe deu destaque. Na página que hoje partilhamos, a revista apresenta, em jeito de pódio, as três canções mais votadas, ilustrada com as respectivas letras e fotos dos intérpretes.


in Revista Plateia nº 526, 2 de Março de 1971, p.23

1 de setembro de 2010

TONICHA VENCE COM "MENINA"

A ENTREGA DO TROFÉU


in Revista Plateia, 1971

31 de agosto de 2010

MENINA DO ALTO DA SERRA

8º FESTIVAL RTP DA CANÇÃO



No ano de 1971 a RTP transmitia o oitavo Festival da Canção, a partir do Teatro Tivoli em Lisboa. Nesse festival, de que muito se escreveu na imprensa da época, participava pela segunda vez Tonicha, a jovem cantora alentejana, com o inesquecível tema da dupla Ary/Nazareth Fernandes, "Menina do Alto da Serra".




A sua actuação conseguiu-lhe a vitória e o passaporte para representar Portugal no Festival da Eurovisão, que decorreria na cidade de Dublin.
Na imagem, Tonicha recebe o 1º prémio.


Agradecimento: Site "Festivais RTP"

Também a imprensa da época deu destaque ao evento, assinalando a vitória de Tonicha no Festival. A extinta publicação "Flama" publicou uma reportagem a propósito da partida da cantora para Dublin, para onde também seguiram os enviados da revista que fariam a cobertura da Eurovisão.


in Revista Flama, 2 de Abril de 1971
FOTO: A. Xavier

20 de junho de 2010

MENINA

EUROVISÃO 1971
EP, DISQUES NOGUEIRA, NOG-1021-EP



Lançado em França pela editora Disques Nogueira, aqui fica uma das muitas edições em vinil da canção que Tonicha levou ao Festival da Eurovisão.
Trata-se de um EP que, para além do tema "Menina", inclui ainda os temas "Espera", nunca editado em cd, "Rosa de Barro" e "Mulher e Força".

MENINA
(Nuno Nazareth Fernandes/J.Carlos Ary dos Santos)
ESPERA
(T. Berbiou/Fernando Guerra)
ROSA DE BARRO
(Fernando Guerra)
MULHER E FORÇA
(Nuno Nazareth Fernandes/J.Carlos Ary dos Santos)




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ESPERA
(T. Berbiou/Fernando Guerra)

Mar onde os olhos
se perdem sem porto.
Mar onde as mãos
são as rotas.
Mar onde a espera
se escreve no porto.
Em sonhos que fazem
as frotas voltar.

Mulheres são esperança de areia
cabelos presos no mar.
Mulheres que lembram na praia
que os barcos não vão chegar.
Mar de quem espera
mar
desespero.

Mar feito de água
que arrasta navios
mar que os embala
e atrai.
Mar onde a mágoa
se escreve no frio
das velas que partem
do cais.

24 de maio de 2010

MENINA

DO ALTO DA SERRA
SINGLE, EMI-COLUMBIA, 4C006-23304M



Na semana em que se assistirá a mais uma edição do Festival Eurovisão da Canção, que este ano tem lugar na cidade de Oslo (nos dias 25, 27 e 29 de Maio), recordamos a prestação de Tonicha no Festival.
Foi em 1971 na cidade de Dublin, na Irlanda, que Tonicha defendeu Portugal com o inesquecível tema de Ary/Nazareth Fernandes "Menina do Alto da Serra".
O single que aqui apresentamos é uma das edições do tema da passagem de Tonicha pela Eurovisão, numa bonita edição da EMI - COLUMBIA para o mercado britânico.

A
MENINA DO ALTO DA SERRA
(José Carlos Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes)
(Orq: Augusto Algueró)

B
MULHER
(José Carlos Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes)
(Orq: Thilo Krasmann)



Menina de olhar sereno
Raiando pela manhã
Do seio duro e pequeno
Num coletinho de lã.
Menina cheirando a feno
Casado com hortelã.

Menina cheirando a feno
Casado com hortelã.



Menina que no caminho
Vais pisando formosura
Levas nos olhos um ninho
Todo em penas de ternura.
Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura.

Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura.



Menina da saia aos folhos
Quem te vê fica lavado
Água da sede dos olhos
Pão que não foi amassado.



Menina do riso aos molhos
Minha seiva de pinheiro
Menina da saia aos folhos
Alfazema sem canteiro.



Menina de corpo inteiro
Com tranças de madrugada
Que se levanta primeiro
Do que a terra alvoroçada.



Menina do riso aos molhos
Minha seiva de pinheiro
Menina da saia aos folhos
Alfazema sem canteiro.



Menina de fato novo
Avé-Maria da terra
Rosa brava rosa povo
Brisa do alto da serra.



Rosa brava rosa povo
Brisa do alto da serra. (5X)

17 de maio de 2010

POEMA PENA

ROSA DE BARRO MANHÃ CLARA
EP, ZIP-ZIP, 10034/E

Hoje apresentamos um disco do ano de 1971, das edições ZipZip, que contém três canções muito importantes no repertório e na carreira de Tonicha.
São três "canções" no verdadeiro sentido da palavra; canções de autor, canções de poetas e a interpretação de cada uma delas valeu à cantora um prémio.



FACE A
POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Augusto Algueró)


FACE B
ROSA DE BARRO
(Letra e Música: Fernando Guerra)
(Orquestração: Thilo Krasmann)


MANHÃ CLARA
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Thilo Krasmann)



A canção "Poema Pena" foi aquela com que Tonicha se apresentou nas Olimpíadas da Canção de Atenas e onde obteve o 2ºprémio de interpretação. Trata-se de uma canção difícil do ponto de vista da interpretação, em crescendo, pedindo, exigindo sempre mais da voz. E a voz de Tonicha está sempre lá, pujante, dando-se, entregando-se ao crescendo que a música exige. Já a belíssima orquestração de Augusto Algueró valeu-lhe o 1º prémio ex-aequo.

"Rosa de barro" foi apresentada por Tonicha no Festival de Split na Jugoslávia e valeu-lhe o 1º prémio de interpretação.
A canção "Manhã clara" foi cantada no VI Festival do Rio de Janeiro e mereceu a Tonicha o Prémio da Crítica.

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ROSA DE BARRO
(Letra e Música: Fernando Guerra)
(Orquestração: Thilo Krasmann)


Viver da espiga
Saber do pão
Sabor do sangue
Do mesmo chão
Viver da sombra
Cestos ao ombro
Na seiva do corpo descansa
Minha saudade
Minha incerteza
Minha eterna esperança
Raíz sem água
Razão de dor
Sede de mágoa
Do mesmo amor
Raíz cortada, desenterrada
De braços suspensos
Nas danças
Minha saudade
Minha certeza
Minha vontade
Minha criança
Minha eternidade
É minha terra
Feita no barro
Semeada com calor
É minha terra
Rosa de barro
Inventada com suor
Por ela eu choro
Por ela eu corro
Construo as pedras
Feitas em serras
Por ela eu luto
Por ela eu luto
Morre nos olhos
A minha terra
Por ela eu volto
Aperto as flores
Nas minhas mãos
Presas às folhas
Soltas ao vento no chão
É minha terra
Feita no barro
Semeada com calor
É minha terra
Rosa de barro
Inventada com suor
Viver da espiga
Sabor a pão
Saber da terra
Saber do chão
Viver de chuva
Cestos de uva
Em vinho o corpo se cansa
Minha saudade
Minha certeza
Meu suor
Minha criança
Minha dor
Minha defesa
Minha lança
Minha noite
Meu dia
Minha terra, alegria.

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MANHÃ CLARA
(Letra: J. C. Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Orquestração: Thillo Krasmann)

Em ti vou nascendo
Por ti vou morrendo
Meu amor distante
Quase anoitecendo
Sempre acontecendo.

Por ti vou ficando
Em mim vou partindo
Meu amor bastante
Que vou descobrindo
Chegando e partindo.

REFRÃO:

Por ti vou inventar
A manhã clara
De outras raízes
De outras verdades
De outros países
De outras cidades
De homens felizes.
Vou renegar
As coisas fáceis
As coisas vãs
As coisas fúteis.
E nunca mais
E nunca mais
Essas manhãs
Serão inúteis
Essas cidades
Serão vazias
Essas verdades
Ficarão frias
Essas janelas
Serão fechadas.
E nunca mais
E nunca mais
As nossas bocas
Amordaçadas.

Por ti vou cantando
Em mim vou dizendo
Que nunca sei quando
Por ti vou sofrendo
E em mim vou crescendo.

REFRÃO.

12 de abril de 2010

PATXI ANDIÓN

4 CANÇÕES
EP, MOVIEPLAY, SON100.020


FOTO: M. Fiuza

Este disco de 1972 apresenta as versões de José Carlos Ary dos Santos para "4 CANÇÕES DE PATXI ANDIÓN", com direcção musical do maestro Thilo Krassman. No interior do disco encontramos as letras das canções em castelhano e em português.
Leia-se o interessante texto que Ary assina na contracapa:

"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um "caso" musical. Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse "caso" reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino.
Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Canto de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personificado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."




FACE A
PUEDO INVENTAR
POETA DESDE LEJOS

FACE B
20 VERSOS A MI MUERTE
HABRIA QUE SABERLO

Poemas e Música de Patxi Andión / Versões em Português de J. C. Ary dos Santos
Direcção Musical: Thilo Krasmann
Estúdios: Celada (Madrid) e Polysom (Lisboa) / Som: Pepe Fernandez e J. François Beaudet
Foto da Capa: M. Fiuza
1972 Movieplay


Destas 4 belas canções que integraram este EP de 1972, apenas o tema "Poeta desde lejos" foi reeditado, na versão portuguesa, na colectânea da Movieplay "ANTOLOGIA 1971-1977" do ano 2004.
Mais uma vez, uma parte importante do material discográfico de Tonicha fica por enquanto confinado ao vinil, enquanto se espera que as editoras apostem, invistam, na reedição destes temas. Ouvintes interessados há muitos, espalhados de norte a sul do país, e até no estrangeiro (incluindo na vizinha Espanha onde a carreira de Tonicha ainda é lembrada e seguida atentamente).

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PUEDO INVENTAR
(Letra e Música: Patxi Andión)
(Versão portuguesa: J. C. Ary dos Santos)

Posso cantar inventando
Que te deixaste ficar
Posso cantar inventando
O que eu quiser inventar.

Posso inventar-te encontrando
Por sobre as ondas do mar
Teus olhos que estão esperando
Que tu me vejas chegar.

Posso inventar um lugar
De onde te lance a voz
E ouvir-te murmurar:
"Quem está aqui somos nós".

Posso inventar-te chorando
Mesmo que o choro não venha
Posso inventar-te sonhando
Embora sonhos não tenha.

À voz da minha guitarra
Gostaria de mandar
Que se transforme em cigarra
E que deixe de chorar.

Que abafe a sua tristeza
E não me perturbe a voz
Hoje és mais meu do que nunca
Basto eu por sermos nós.

Hoje não é como era
Hoje serás como eu for
Posso inventar tua ausência
Posso inventar teu amor.

17 de março de 2010

MENINA

DO ALTO DA SERRA
SINGLE, MOVIEPLAY, SP 20.021



O single que apresentamos é a segunda edição lançada em Portugal do tema "Menina (do alto da serra)". A primeira foi em 1971 para a etiqueta Zip-Zip.
A Movieplay aproveitou o contrato que fez com Tonicha, para a gravação de "4 CANÇÕES DE PATXI ANDIÓN", para comprar à Zip-Zip os direitos destas duas canções que compõem o single.

"PRÉMIO TV DA CANÇÃO"
"MENINA: FLORES PARA TONICHA"
"TONICHA: UMA RECEPÇÃO À BENFICA"
"TONICHA RECEBIDA NO PORTO COM ENTUSIASMO E FLORES"
"TONICHA: a melhor presença portuguesa nos festivais da Eurovisão"

Estes são apenas alguns dos inúmeros títulos que ilustraram os jornais da época após a participação de Tonicha no Festival da Eurovisão. São estes mesmos recortes de imprensa que, brilhantemente, foram usados pela Movieplay na composição da capa deste single. A composição gráfica, invulgar para a época, ilustra o êxito da cantora e do tema que representou Portugal em Dublin.

FACE A
MENINA (do alto da serra)
(Letra: J.C.Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
Arranjos e Direcção de Orquestra: Augusto Algueró


FACE B
MULHER E FORÇA
(Letra: J.C.Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
Arranjos e Direcção de Orquestra: Thilo Krasmann




... clique no botão "Play"

MULHER E FORÇA
(Letra: J.C.Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
(Arranjos e Direcção de Orquestra: Thilo Krasmann)

Menina e moça me levaram duma rosa
Menina e moça me arrancaram dum jardim
Menina e moça não sabia qual a asa
Que podia voar dentro de mim.

Mulher e moça me encontrei e descobri
Mulher e moça de vermelho me vesti
Mulher e moça não sabia qual a força
Que podia crescer dentro de mim.

Menina e moça
Mulher e força.

Menina e moça me prenderam e cercaram
Mulher e moça me ofenderam e acordaram
Menina e moça me quiseram, me quiseram
Mulher e moça me levaram, me levaram.

Mulher com força me atacaram e disseram
Palavras duras das que os homens não quiseram
Mulher com força me apertaram, me esqueceram
Mas nunca me sonharam nem tiveram.

Menina e moça
Mulher e força.

2 de dezembro de 2009

TONICHA: CANÇÕES E FOLCLORE

CÍRCULO DE LEITORES
LP, ORLADOR (Círculo de Leitores), 2041


FOTO: Álvaro João

O Círculo de Leitores, cumprindo uma longa tradição, lançou edições especiais de álbuns de grandes nomes da música portuguesa para os seus sócios. Com Tonicha não foi excepção.
No ano de 1973, sob licença da editora Orfeu, o Círculo de Leitores disponibilizou apenas para sócios uma edição especial intitulada "CANÇÕES E FOLCLORE".

Na face 1, composta por canções de autores, estão reunidos temas de 1971 ("Menina" e "Mulher e força"), 1972 ("Glória, Glória, Aleluia", "Com um cravo na boca" e "Poema Pena") e 1973 ("A rapariga e o poeta").
A face 2 reúne seis temas que foram editados em 1973 no LP "FOLCLORE" da etiqueta Orfeu.
As fotografias utilizadas nesta edição do Círculo de Leitores são da mesma série do referido álbum Orfeu.

FACE 1
GLÓRIA, GLÓRIA, ALELUIA
(Letra e Música: José Cid)
A RAPARIGA E O POETA
(Letra: José Niza / Música: José Calvário)
MULHER E FORÇA
(Letra: Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
COM UM CRAVO NA BOCA
(Letra: Ary dos Santos / Música: Jorge Palma)
POEMA PENA
(Letra: Nuno Gomes dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)
MENINA
(Letra: Ary dos Santos / Música: Nuno Nazareth Fernandes)

FACE 2
DANÇA DAÍ (Douro Litoral)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
OS BRAVOS (Açores)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
MALHÃO DE ÁGUEDA (Beira Litoral)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
CHULA DE VIANA (Minho)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
FARRAPEIRINHA (Beira Litoral)
(Popular / Arranjos: António Chainho)
VAREIRA DO MAR (Minho)
(Popular / Arranjos: António Chainho)



FOTO: Álvaro João

21 de maio de 2009

TONICHA

CONJUNTO E COROS
LP, ORFEU, SB1122



Passamos agora à reedição da obra "CANÇÕES DE ABRIL" pela editora de Arnaldo Trindade, Orfeu.
Esta edição perdeu o título "CANÇÕES DE ABRIL" e ficou-se pelo "CONJUNTO E COROS". A data dos três EPs e do LP permanece 1975, mas cremos que tenham sido reeditados apenas em 1976, quando Tonicha grava para esta editora o magnífico álbum "CANTIGAS POPULARES".
Deve também ter sido nesse ano que João Viegas e Tonicha terão vendido o material da sua editora Discófilo à Orfeu. Numa obra alusiva à escrita de Jorge Palma, faz-se referência a esse LP "TONICHA - CONJUNTO E COROS" como sendo de 1976.
Acrescente-se que a foto da capa deste LP é a mesma que a usada na edição Discófilo. Trata-se de uma foto tirada em Dublin no ano de 1971, em que se vê Tonicha com uma moderna boina sobre os seus longos cabelos loiros.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto/Música: Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Letra e Música: Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)
HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)



Devemos referir que a Discófilo tinha editado três singles e que a Ordeu dividiu as 12 canções deste LP por três EPs.
Curiosamente as capas dos EP partilham da mesma fotografia usada no álbum "CANTIGAS POPULARES", talvez o melhor álbum de sempre da nossa cantora.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
VOZES: João Henrique, Waldemar Ramalho, Henrique Talbot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo

TERRAS DE GARCIA LORCA
EP, ORFEU, ATEP 6695



O tema "Cravos da madrugada", que surge na lado B deste EP, foi uma criação para a revista "Ó pá pega na vassoura" de 1974, com José Viana, Dora Leal e Leónia Mendes, entre outros, que esteve em cena no Teatro Variedades no Parque Mayer. Pela altura do lançamento das "CANÇÕES DE ABRIL", o tema foi repescado para ser gravado por Tonicha e incluído no alinhamento do álbum.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)

FACE B
O POVO EM MARCHA
(Letra: Ary dos Santos/Música: Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)



CANTAREMOS/LUTAREMOS
EP, ORFEU, ATEP 6696



O segundo EP, para além do tema "Cantaremos/Lutaremos" que já aqui demos conta, inclui um poema de António Feliciano de Castilho, poeta do séc. XIX (1800-1875), um belíssimo texto de louvor ao trabalho: "Hino do Trabalho".

FACE A
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Letra: Gonçalves Preto/Música: Braga Santos)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Letra: Mário Castrim/Música: Nuno Nazareth Fernandes)

FACE B
SOMOS LIVRES
(Letra e Música: Ermelinda Duarte)
HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)



HINO DO TRABALHO
(Letra: António Feliciano de Castilho/Música: Shegundo Galarza)

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

No regaço de luxo a opulência
Os cansaços do ócio maldiz
Entre as lidas sorri a indigência
Com pão negro se julga feliz.

Deus incombe ao pecado fadiga
Até na pena sorri o paternal
O que vence a preguiça inimiga
Reconquista o Éden terreal.

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

Cai opróbrio no vil ocioso
Que deserda o presente e o provir
Só à noite compete o repouso
Só aos mortos o eterno dormir.

Mar e terra ar e céu tudo lida
Deus a todos pôs nus e deu mãos
Lei suprema o trabalho é na vida
Trabalhar trabalhar meus irmãos.

SONETO DO TRABALHO
EP, ORFEU, ATEP 6697



FACE A
SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)

FACE B
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Popular)



SONETO DO TRABALHO
(Letra: Ary dos Santos/Música: Fernando Tordo)

Das prensas dos martelos das bigornas
Das foices dos arados das charruas
Das alfaias dos cascos e das dornas
É que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
Não se abre a liberdade com gazuas
À força do teu braço é que transformas
As fábricas e as terras que são tuas.

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
A reacção não passará diante
Do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
Pois quando o povo acorda é sempre cedo.

11 de maio de 2009

CANÇÕES DE ABRIL

TONICHA CONJUNTO E COROS
LP, DISCÓFILO 2003/L



Chegamos por fim ao LP do qual foram editados os singles apresentados anteriormente. Sabemos que muitos dos nossos leitores esperavam há muito pela apresentação deste LP de 1975, editado primeiramente pela Discófilo e, posteriormente, pela Orfeu, com o título "TONICHA CONJUNTO E COROS".

CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Quando o povo ergueu a sua voz
Para deixar de ser escravo
O sol nasceu e brilhou para nós
E tinha a forma de um cravo.

Era ainda madrugada
E já um cravo dizia
Que na ponta da espingarda
Era tempo de ser dia.

REFRÃO (2x)
Eram cravos cravos cravos
Eram cravos mais de mil
Eram punhos levantados
Do povo no mês de Abril.

O cravo exigiu salário
Para se tornar português
Alex deu sangue operário
Catarina o camponês.

Aperta um cravo na mão
Carne viva cravo novo
Defende-o bem, capitão
Defende-o capitão-povo.

É realmente um disco histórico!
As letras ajudam-nos a compreender melhor aqueles dois primeiros anos de liberdade.
A música ligeira espelha bem a temperatura da época. E sabemos que o Verão de 1975 foi bem quente.

FACE A
TERRAS DE GARCIA LORCA
(Ary dos Santos - Nuno Nazareth Fernandes)
PAÍS IRMÃO
(Ary dos Santos - Braga Santos)
O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)
CRAVOS DA MADRUGADA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)
CANTAREMOS/LUTAREMOS
(Gonçalves Preto - Braga Santos)

FACE B
SONETO DO TRABALHO
(Ary dos Santos - Fernando Tordo)
SOMOS LIVRES
(Ermelinda Duarte)
PORTUGAL RESSUSCITADO
(Ary dos Santos - Pedro Osório)
OBRIGADO SOLDADINHO
(Ary dos Santos - Popular)
HINO DO TRABALHO
(António Feliciano de Castilho - Shegundo Galarza)
JÁ CHEGOU A LIBERDADE
(Ary dos Santos - Popular)

Há, neste disco, uma curiosa junção de autores.
Além dos óbvios Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, aparecem o temido crítico de televisão Mário Castrim (recentemente falecido), Braga Santos, compositor de canções de revista, Pedro OSório, Shegundo Galarza e Ermelinda Duarte.

BANDEIRA DA VITÓRIA
(Mário Castrim - Nuno Nazareth Fernandes)

Anos e anos fomos presos fomos vítimas
Anos e anos nos calcaram sem perdão
Anos e anos nossos gritos nossas lágrimas
Deram à luta mais raízes pelo chão.

Mas tudo isso já lá vai tudo já passou
A nossa alma é uma bandeira do porvir
Neste país que amanheceu em cada um de nós
Para todos nós há um país a construir.

REFÃO
Não basta o mês de Abril pôr cravo na lapela
Agora estás aqui vais estar de sentinela
O que tanto custou não se pode perder
Trabalho e vigilância são armas de trazer.
Trabalho e vigilância são armas para vencer.

Tonicha volta a entoar a melodia do "Vira dos malmequeres", desta vez com um texto de Ary dos Santos, de homenagem aos soldados de Abril: "Obrigado soldadinho".
Outra melodia já antes gravada por Tonicha é a que serve de base para a última canção do disco, "Já chegou a liberdade". No tempo da RCA foi uma das canções do EP "ALENTEJO": "Maria Rita".
Destaquemos também o poema de António Feliciano de Castilho (séc. XIX): "Hino do Trabalho"



O POVO EM MARCHA
(Ary dos Santos - Braga Santos)

Vou ver passar
A marcha sem arquinhos nem balões
Ao pé do mar
Vermelha como os nossos corações.

Vou ver chegar
Os santos que não são os dos altares
E vou saltar
Fogueiras de vitórias populares.

REFRÃO (2x)
Lá vai lá vai
A malta proletária de Lisboa
Cantai lutai
Pois quem não lutar assim não marcha à toa.

Vou ver brilhar
A lua das esperanças encontradas
E vou cantar
Lisboa das vielas libertadas.

Vou ver vibrar
Bandeiras ondulantes e encarnadas
E vou dançar
De braço dado com os camaradas.

FICHA TÉCNICA
ARRANJOS E DIRECÇÃO: Jorge Palma
PIANO: Jorge Palma
VIOLAS: Mike Sergeant
BAIXO: Luís Duarte
BATERIA E PERCUSÃO: Victor Mamede
TROMPETES: Francisco Toneco, Armindo Toneco
TROMBONES: Amancio F. Costa, António M. Jubilot
FLAUTAS: Carlos A. França, João Oliver
VIOLA: Oliveira e Silva
CELLO: Maria de Lurdes
VOZES: João Henriques, Waldemar Ramalho,
Henrique Tabot, Jorge Palma, Tonicha, Fernando Tordo
ESTÚDIOS: Musicorde
PRODUÇÃO E EDIÇÃO: Discófilo